| Um dos flagrantes do lançamento. Foto: (Divulgação). |
Seguidores
segunda-feira, 19 de março de 2018
A NOITE E O BRILHO NA AABB
AS MIL MORTES DE HONORATO
A ÍNDIA KATHAUÃ COBRA DE FILHO QUE MALTRATA SEUS PAIS
Por José Mendes Pereira
Boatos se espalham de repente. Se for bom, demora mais um pouquinho chegar à boca de fofoqueiros de calçadas, mas se o boato for ruim, ele corre o mundo mais rápido, e não escolhe as classes, atingindo até as sociais.
O índio “Piatã” (Piatã é um nome de origem indígena (língua tupi) que significa "pé duro", "pedra dura", "homem forte", "coragem" ou "fortaleza), era um dos que viveram da caça e da pesca às margens do rio Mossoró, mas não gostava de respeitar o seu pai “Kauê”, um índio conhecido em toda região mossoroense e comunidades adjacentes como bondoso. Mas vez por outra, o filho dava-lhe chicotadas sem olhar para o lugar que iria bater.
O velho “Kauê” tentava se defender de todas as maneiras dos maus tratos praticados pelo filho, implorava até pelo amor de Deus para não ser maltratado, mas não tinha jeito, ou merecendo ou não, “Piatã” batia sem piedade no velho pai “Kauê”.
A índia “Thaynara”, mãe do Piatã, e companheira do Kauê, quando via a brutalidade do filho cotra o pai, partia para cima do impiedoso com gosto de gás, e em suas mãos, um pedaço de pau, e, com toda sua força feminina, fortemente o batia, pois o que ela queria era defender o seu companheiro dos maus tratos daquele animal humano produzido por eles dois. Mas, geralmente, mãe e filho apanhavam um do outro, isto é, de igual para igual.
Aquela restrita vizinhança indígena temia defender o velho “Kauê” dos maus tratos praticados por “Piatã”, a sua violência poderia acontecer contra ela, e ali, viraria uma comunidade indígena sem código, sem ética, sem rumo e sem respeito.
Ninguém sabia explicar o porquê de tanto ódio armazenado na mente do “Piatã” contra o seu genitor Kauê, o velho sempre estava ali, na hora em que aquele infeliz precisava, mas como pagamento, recebia fortes chicotadas daquele amalucado, um satanás em forma de gente.
- Calma, Kauê! Calma! Se Deus nos trouxe ao mundo para sofrermos, vamos aceitar o mundo do jeito que o Deus preparou para nós! Mas enquanto eu tiver forças para te defender dos maus tratos do nosso filho desajustado, mesmo apanhando também dele, te defenderei. - Dizia a índia "Thaynara".
Mas o “Kauê” só apanhou até o dia em que a índia “Kathauã” "antes", não tinha tomado conhecimento dos maus tratos praticados pelo filho “Piatã”.
Toda comunidade fora chamada a atenção pela índia “Kathauã”, dizendo ela que quem se omite, é cúmplice. Soubera dos maus tratos que sofria o “Kauê”, feito pelo filho, através de pessoas que nem faziam parte daquela comunidade indígena.
No silêncio, a índia “Kathauã” em seu cavalo percorria toda a região, ali, só na finalidade de encontrar o “Piatã”, para um possível castigo, acusado de bater no pai. Ninguém ali abriria a boca para dizer que a índia procurava o “Piatã”. A índia mantinha ordem, e era respeitada em toda região mossoroense. E quem era capaz de dizer a “Piatã” que “Kathauã” andava à sua procura? Só se fosse louco, mano!
No dia seguinte, “Piatã” foi encontrado pescando no rio Mossoró. De pressa, “Kathauã” chamou-o até a sua presença, precisava conversar com ele. Inocente, porque até aquele momento não sabia que a índia andava à sua procura, “Piatã” foi se aproximando, mas sempre receoso, vez que ele sabia muito bem quantos quilos pesava o chicote da “Kathauã” em suas mãos, e era uma verdadeira justiceira, sua volta era por dentro mesmo.
- Pronto senhora Kathauã, o que deseja de mim? – Perguntou com uma tremura nas pernas.
- Tenho conhecimento que você anda açoitando o seu velho pai “Kauê”, malandro?
E com um chicote ela o laçou, e com o outro o acoitava violentamente.
Sendo justiçado pelo chicote da índia “Kathauã”, “Piatã” chorava desesperadamente, pedindo por todos os santos que “Kathauã” parasse com aquele castigo. E ainda lhe alertava:
- Dona “Kathauã”, bata devagar para não quebrar as minhas costelas...!
- Malandro, quando açoita o seu velho pai, você se lembra que ele tem costelas também, e podem ser quebradas? – Perguntava ela o surrando como se fosse um animal.
Após muitas chicotadas sobre o largo lombo do “Piatã”, finalmente, “Kathauã” terminou o seu castigo, resolveu soltá-lo, dizendo-lhe:
“Piatã” entrou nas matas e nem quis mais ir atrás dos peixes que havia pegado ali, naquela pescaria. E nunca mais, na comunidade, se ouviu falar que ele tivesse batido no pai. Um exemplo para aqueles que pensavam bater nos seus pais também. A índia “Kathauã” nasceu em Mossoró para justiçar malandros!
ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!
Perdoe qualquer agressão, para não se sentir culpado ao tirar a vida de alguém. E entenda que: Perdoar é devolver ao outro o direito de ser feliz.
Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito.
Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima.
As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado!
Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão.
Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é domá-lo.
Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer.
Não se faça de valente, só porque está com a sua namorada ou esposa e não quer que ela sinta o seu fracasso. Ela não te quer como herói, te quer simplesmente como namorado ou esposo vivo.
É melhor vivo medroso do que morto valente.
.jpg)
Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.
Muito chato para você, sempre me ver lembrando isso. Mas é para o seu bem.
http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com
http://sednemmendes.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
LAMPIÃO ERA TEMIDO DENTRO DO ‘SEU MUNDO’
No ano de 1924, no sertão baiano, estava ocorrendo uma grande pendenga entre um ‘coronel’, dono de vasta extensão de terras, e um sobrinho por motivos variados, mas, e principalmente, pelo poder político e econômico. Trata-se do ‘coronel’ “João Félix” e de seu sobrinho “José Martina”. O ‘coronel’ era dono da fazenda Esfomeado, locada no município de Curaçá, BA.
“Os Pedro” era um bando de cangaceiros composto quase tão somente por familiares, tendo como chefe “Antônio Pedro, Francisco Pedro e Cornélio Pedro”, que, vez por outra prestavam seus serviços a ‘coronéis’ e mesmo ao chefe cangaceiro Lampião, Virgulino Ferreira, quando esse os chamava. O Sociólogo, pesquisador/historiador, Pernambucano de Mello, em seu “Guerreiros do Sol – Violência e banditismo no Nordeste do Brasil”, 5ª edição, refere que “os Pedro”, eram “contraparentes de Lampião”. Talvez essa aproximação consanguíneo tenha levado o coronel baiano a tentar usar os Pedro como via de contato com o “Rei Vesgo”, que na época era o chefe cangaceiro mais destacado e respeitado entre os próprios bandos de bandoleiros.
Tokdehistória.com
QUEM CONHECE ESSE FANTÁSTICO LIVRO SOBRE A VIDA E OBRA DO GRANDE ESCRITOR ALCINO ALVES COSTA ?
ENGENHO DE CANA DO SÍTIO FRECHEIRAS
Meus avós passavam os três últimos meses do ano (outubro, novembro e dezembro) no Sítio Frecheiras, em cima da Serra da Meruoca, na zona rural do município cearense de Meruoca, produzindo goma e farinha de mandioca, rapadura e cachaça. De janeiro a setembro eles ficavam na Fazenda Aracati, criando gado e fazendo queijo de coalho e manteiga de garrafa. Na Serra da Meruoca, as farinhadas e as moagens, geralmente, ocorriam nos meses de novembro e dezembro.
A matéria-prima, tanto para a produção de rapadura como de cachaça, é a garapa (caldo de cana). A rapadura nada mais é do que garapa apurada pela fervura, até se tornar sólida, e a cachaça é a garapa fermentada e destilada. Tanto a rapadura como a cachaça artesanal são produtos naturais, sem adição de corantes, conservantes ou de outras substâncias.
As moendas de ferro fundido, para esmagar a cana e extrair a garapa, eram tangidas por duas juntas de boi, uma junta em cada almanjarra. Eram usadas quatro juntas de boi, sendo duas juntas trabalhando e duas descansando, de modo que, de dois em dois dias, os bois mansos eram substituídos. Os bois eram adestrados para o trabalho, desde quando eram garrotes e obedeciam o comando de voz e das cutucadas de ferrão dadas pelo tangerino. Todo boi manso tinha um nome e era castrado, para se tornar mais dócil.
Lembro-me de um fato interessante, que ocorreu no Sítio Frecheiras. Certo dia, em plena moagem, meu avô necessitou viajar à Sobral e deixou um dos trabalhadores comandando os trabalhos de produção de rapadura.
Coincidentemente, neste dia, o tangerino que tocava as juntas de boi adoeceu e não foi trabalhar. Foi então, improvisado um novo tangedor dos bois mansos. Ao amarrar os bois nas almanjarras, o improvisado tangerino colocou o Boi Graúna, no lado direito da almanjarra, mas ele era acostumado a trabalhar no lado esquerdo, e colocou o Boi Juriti no lado esquerdo. O Juriti era condicionado a puxar a almanjarra pelo lado direito. Esta troca de posição dos bois fizeram com que esta junta de boi empancasse, não saísse do lugar. Depois de muitas tentativas para fazer os bois andar e sem conseguir, o novo tangedor foi até onde estava minha avó e relatou o fato dos dois bois não quererem trabalhar. Minha avó, afeita à vida rural, logo percebeu que a posição dos bois de uma das juntas estava trocada e facilmente resolveu o problema. É que os animais ficam condicionados a realizarem determinadas tarefas, pelo exercício repetitivo.
Na produção de cachaça artesanal, a garapa é coletada na moenda e levada para as dornas de fermentação. As dornas são confeccionadas de pau-d’arco, bálsamo, imburana ou frejó. A dorna tem a tampa quase totalmente fechada, apenas com uma abertura no centro, para permitir a entrada de ar, pois a levedura responsável pela fermentação alcoólica é, preferencialmente, aeróbia. Depois que a garapa é fermentada, transforma-se em mosto. A boca da dorna não é totalmente aberta, para evitar que o mosto derrame durante o “ balanço do caldo“, pois devido ao grande desprendimento de gás carbônico, oriundo do metabolismo da levedura, o líquido (mosto) entra em movimento, que só vai cessar no final do processo fermentativo. Em virtude do acelerado metabolismo da levedura, além da grande liberação de gás, ocorre também liberação de calor, que faz com que o mosto fique muito quente. Depois de fermentado, o mosto esfria e para de balançar. O mosto, então, é levado para o caldeirão (panelão) de cobre, situado sobre um forno à lenha. O vapor gerado pela fervura do mosto, ao penetrar na serpentina de cobre, se liquefaz (passa do estado gasoso para o estado líquido). A serpentina ficava mergulhada em um tanque com água, para permanecer sempre fria. O alambique (panelão e serpentina) do Sítio Frecheiras era de cobre, o que hoje é proibido, devido deixar resíduo deste metal na cachaça. Atualmente, os alambiques (destiladores) são de aço inox.
O microrganismo responsável pela fermentação alcoólica é a levedura “Saccharomyces cerevisiae”, que não necessita ser adicionada, pois ela existe naturalmente no ambiente dos engenhos. Na produção de cachaça artesanal, a fermentação se processa de maneira lenta, fermentando por aproximadamente 6 dias. Na fabricação de cachaça industrial (cachaça de rótulo ou de marca), a fermentação é acelerada pela adição de determinadas substâncias nutritivas para a levedura (carboidratos, suplementos proteicos, suplementos vitamínicos, sais minerais etc.), que reduz o tempo de fermentação para cerca de 6 horas. Neste tipo de cachaça industrial é também comum a adição de corante, para que a cachaça adquira a coloração amarelinha. A cachaça artesanal, depois de produzida, era armazenada em tonéis de madeira, para envelhecer. As aduelas dos tonéis são feitas das mesmas madeiras utilizadas para a feitura das dornas, ou seja, são confeccionadas de Pau-d’arco, Bálsamo, Frejó ou Imburana.
Os bodegueiros da cidade e da zona rural de Meruoca iam comprar cachaça no Sítio Frecheiras. Transportavam a cachaça em ancoretas de madeira de imburana, com capacidade para 24 litros cada, sobre lombos de animais (jumentos ou burros). Os compradores traziam também uma pequena ancoreta de 5 litros, que eles davam o nome de “Passaporte” e se destinava a transportar o “brinde”, que, geralmente, ganhavam do proprietário do engenho.
O plantio da cana-de-açúcar, os tratos culturais, o corte da cana, o transporte da cana do campo para o engenho e o esmagamento da cana, para extrair a garapa, são processos comuns, tanto para a produção de rapadura como para a fabricação de cachaça.
Na produção de rapadura, a garapa é levada da moenda para um grande caldeirão de ferro fundido, localizado sobre um comprido forno à lenha, que pelo efeito da fervura se torna mais concentrada e se transforma em mel e, quando o mel adquire consistência mais densa, é transferido, com auxílio de uma cuité de cabo longo, para o caldeirão vizinho e, com o passar do tempo, com mais fervura, o mel fica mais condensado, quase pastoso, ocasião em que ele é novamente transferido para o terceiro caldeirão e daí, quando adquirir a consistência cremosa, é levado para o quarto e último caldeirão, onde vai esperar atingir o ponto de rapadura, para ser batido, com uma palheta de madeira, e depois colocado nas formas, para esfriar e solidificar, originando, assim, a rapadura. Os quatro caldeirões de ferro fundido eram colocados vizinho um ao outro e sobre um longo forno de quatro bocas, com grandes aberturas na parte de baixo, para receber a lenha. As fôrmas de rapadura, feitas de Pau-d’arco, tinham a marca do ferro de ferrar gado do meu avô, de modo que cada rapadura exibia, em alto relevo, a gravura do referido ferro. Meu avô tinha o costume de ferrar, com a sua marca de ferrar gado, portas, janelas, cancelas, caixões de guardar rapadura e farinha, gamelas, cochos, queijo de coalho e outros objetos.
As rapaduras do Sítio Frecheiras eram grandes, pesavam aproximadamente um quilo, eram duras e tinham a coloração escura, quase preta, em virtude da não adição de branqueadores (elevadores de pH: cal ou cinza vegetal). O mel ácido origina rapadura escura. Quando se faz a correção da acidez do caldo, a rapadura é clareada. Elas eram duras para facilitar a conservação, pois quanto mais dura, mais difícil absorver umidade e melar. O mestre que comandava a feitura de rapadura no Sítio Frecheiras sabia determinar, com precisão, o momento que o mel grosso, do último caldeirão, atingia o ponto para ser batido com a palheta, até alcançar o ponto de ser colocado nas formas de rapadura. As rapaduras eram armazenadas em grandes caixões de cedro, hermeticamente fechados, para evitar a penetração de umidade, pois se o ar úmido, que é comum no período chuvoso, entrar no caixão vai provocar a mela da rapadura. As rapaduras eram colocadas no interior do caixão, alternando camada de rapadura (arrumadas enfileiradas em pé ) com camada de folhas secas de cana. A palha seca é higroscópica e absorve a umidade, que por ventura penetre no caixão. Estes caixões de guardar rapadura, de um ano para outro, eram confeccionados pelos velhos carapinas, com apenas cinco apetrechos de trabalho: machado, serrote de dois cabos, enchó, formão e cantil. O machado era usado para lavrar as toras de madeira, deixando-as com quatro faces. O serrote, para serrar as tábuas, a enchó para dar o acabamento, o cantil para fazer os encaixes nas tábuas (macho e fêmea) e o formão, para fazer os encaixes dos cantos (colunas). Não se usava pregos nem parafusos na construção destes recipientes, pois as tábuas eram apenas encaixadas uma na outra. As madeiras usadas nestes caixões eram: aroeira, pau-d’arco, imburana, cumaru, frejó, timbaúba e cedro. O caixão era feito no local onde ia ficar, pois, por ser grande, não passava nas portas. Para mudar de lugar era necessário desmontá-lo.
O ambiente de engenho era exclusivamente masculino, pois quase todas as tarefas eram executadas por homens. As mulheres só tomavam parte na feitura de batidas, tijolinhos e alfenins, quando estes doces eram temperados com coco-babaçu, castanha de caju e cravo-da-índia. Para se fazer o alfenim, a geleia tinha que ser puxada repetidas vezes, pelas mulheres até atingir a cor amarelinha e a consistência apropriada. A produção destas guloseimas pelas mulheres tornavam o ambiente mais festivo, com muita alegria e animação.
Quando a moagem terminava, meu avô presenteava cada trabalhador, com uma certa quantidade de rapadura, como recompensa pelo trabalho executado por cada um.
Estas são as doces lembranças de minha infância, que conservo até os dias de hoje, do Engenho de cana-de-açúcar do Sítio Frecheiras do meu avô paterno.
MISSA DE 7º. DIA!
'LAMPIÃO E O CANGAÇO NA HISTORIOGRAFIA DE SERGIPE' PELO AUTOR ARCHIMEDES MARQUES
Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso





.png)
.png)
.jpg)
.jpg)







