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terça-feira, 13 de outubro de 2020

ESCRITOR JOSÉ BEZERRA LIMA IRMÃO NOS ENTREGA MAIS DUAS MARAVILHOSAS OBRAS SOBRE O NORDESTE

Por José Mendes Pereira


José Bezerra Lima Irmão escritor, pesquisador do cangaço e membro da Academia Gloriense de Letras em Nossa Senhora da Glória, no Estado de Sergipe, Membro Correspondente da Cadeira nº. 03, com uma vasta biografia, nascido no Alagadiço de Frei Paulo, no Estado de Sergipe, nos entrega mais duas maravilhosas obras sobre o Nordeste do nosso Brasil. Estas obras abaixo integram a trilogia do autor.


A primeira obra é "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS" que já está na 5ª. edição, e aborda o fenômeno do cangaço e a vida do maior guerrilheiro das Américas. Um homem que não temeu às autoridades policiais  e muito menos aqueles que lutavam contra a sua pessoa, na intenção de desmoralizá-lo nas suas empreitadas vingativas, e eliminá-lo do solo nordestino. Realmente foi feito o extermínio do homem mais corajoso e mais admirado do Nordeste do Brasil, na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, no Estado de Sergipe, mas não em combate, e sim, através de uma emboscada muito bem organizada pelo alagoano tenente João Bezerra da Silva. 

Tenente João Bezerra da Silva o exterminador de Lampião e seu grupo.

A demanda deste livro tem sido de Norte a Sul e de Leste a Oeste do chão brasileiro, e olha que ele já está na 5ª. edição. Cada um que solicita o livro quer conhecer tudo sobre Virgolino Ferreira da Silva o Lampião. 

Zé Saturnino o primeiro  e maior inimigo dos Ferreiras.

O livro fala desde o namoro dos pais de Lampião, casamento, onde foram morar após o enlace, a convivência, seus vizinhos, o porquê das intrigas com Zé Saturnino que antes era amigo da família Ferreira, casamento das filhas, filhos que partciparam do cangaço, quem primeiro morreu em combate dos irmãos de Lampião, o Ferreira que foi morto por último, isto é, antes de Lampião, o irmão de Lampião que não participou do desastroso movimento social dos cangaceiros, as decepções que eles passaram, as perseguições policiais, as vitórias nos combates, os acordos feitos com autoridades... As mortes dos pais e quem os matou? Tudo você encontrará neste livro.

José Ferreira da Silva ou Santos e Maria Lopes pais de Lampião

Se você leitor, adquirir esta bela obra jamais irá conversar coisas que não aconteceram no cangaço e nem com os Ferreiras. O livro foi escrito com pesquisas colhidas nas fontes, lá onde aconteceram as maiores desgraças feitas pelo o capitão Lampião e seus comandados. 

A obra foi o resultado de 11 anos de pesquisas feitas pelo escritor José Bezerra Lima Irmão. Composto por um total de 736 páginas, 4 centímetros de altura e é do tamanho de folha ofício. Um trabalho que merece ser lido por todos aqueles que gostam do assunto  chamado "Cangaço"..


O Segundo livro da trilogia do escritor é: "FATOS ASSOMBROSOS DA RECENTE HISTÓRIA DO NORDESTE" com 332 páginas, e um grande acervo de fotos relacionado ao assunto. 

Adquira-o o quanto antes! O autor trouxe para nós as ferozes lutas de famílias (Montes e Feitosas; Melos e Mourões, brilhantes e Limões; Dantas, Cavalcanti, Nóbregas e Batistas; Pereiras e Carvalhos; Arrudas e Paulinos, Alencares, Sampaios, Filgueiras e Saraivas; Ferraz e Novaes; Pereiras, Barbosas, Lúcios e Marques; Peixotos e Maltas; Omenas e Calheiros) cizânias políticas, pistolagem chacinas e outros episódios tenebrosos, como os assassinatos de Delmiro Gouveia, do Beato Franciscano e de Paulo César Farias.


O terceiro livro da trilogia também do escritor José Bezerra Lima Irmão é: "CAPÍTULOS DA HISTÓRIA DO NORDESTE" resgata fatos sobre os quais a história oficial silencia ou lhes dá uma versão edulcorada ou distorcida: o "desenvolvimento" do Brasil, o desumano progresso de colonização feito a ferro e fogo, Guerra dos Marcates, Cabanada, Balaiada, Revolução Praieira, Ronco da Abelha, Revolta dos Quebra-Quilos, Sabinada, Revolta de Princesa, as barbáries da Serra do Rodeador e da Pedra do Reino, Guerras de Canudos, Caldeirão e Pau-de-Colher, dando ênfase especial à saga de Zumbi dos Palmares, Invasões Holandesas, Revolução Pernambucana de 1817, Confederação do Equador e Guerras da Independência, incluindo o 2 de Julho, quando o Brasil se tornou de fato independente... São assunto que dá gosto a gente lê-los.  

Adquira-os com o professor Pereira através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br

ou com o autor através deste g-mail: 

josebezerralima369@gmail.com

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NOVO LIVRO NA PRAÇA "O PATRIARCA: CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO, IOIÔ MAROTO".

 

O livro "O Patriarca: Crispim Pereira de Araújo, Ioiô Maroto" de Venício Feitosa Neves será lançado em no próximo dia 4 de setembro as 20h durante o Encontro da Família Pereira em Serra Talhada.

A obra traz um conteúdo bem fundamentado de Genealogia da família Pereira do Pajeú e parte da família Feitosa dos Inhamuns.

Mas vem também, recheado de informações de Cangaço, Coronelismo, História local dos municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, São Francisco, Bom Nome, entre outros) e a tão badalada rixa entre Pereira e Carvalho, no vale do Pajeú.

O livro tem 710 páginas. 
Você já pode adquirir este lançamento com o Professor Pereira ao preço de R$ 85,00 (com frete incluso) Contato: franpelima@bol.com.br 
fplima1956@gmail.com

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2016/08/novo-livro-na-praca_31.html

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LAMPIÃO

 Por João Francisco

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PARA JOÃO FERREIRA A MORTE PERDOOU OS CRIMES DE "LAMPIÃO">

 Luis Bento

João Ferreira da Silva ( foto ), o único da família Ferreira que não adiriu a vida do "Cangaço". Eis que um dia vai a Cidade comprar remédio para um sobrinho doente e a polícia o prende. Era um ardil. Antônio, Livino e Virgulino partem a procura do irmão e, no meio do caminho, caem em uma emboscada armada pelo delegado de Água Branca AL. Reagem bravamente e conseguem escapar. Horas mais tarde o Delegado recebeu um ultimato: " Se João não voltar até às 6 horas da tarde, nós iremos buscá-lo de qualquer maneira ". João é solto perto das 6 horas. Voltando encontrou a família de bagagem pronta. Iam mudar-se, fugir outra vez. O velho José Ferreira decidiu que os três filhos maiores deixassem Alagoas por certo tempo que ia entender-se com o Delegado de Mata Grande, que lhe parecia um homem de bem, afim de resolver o destino dos restantes.

" A História nunca morre, se às lembranças não forem apagadas '. Pesquisador Luís Bento.

CASA DA CULTURA.

DIRETOR, Luís Bento de Sousa

APOIO, Prefeitura Municipal de Jati-Ce.

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JOÃO DE SOUSA LIMA COM OS COITEIROS DE LAMPIÃO


 Com os coiteiros:

 Manuca, Arlindo Grande e Dona Nina (irmã do cangaceiro Bananeira).

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MOMENTO ANTES DE UM CRIME: A DEGOLA DO CONSELHEIRISTA

 Por José João Souza

A foto abaixo é de um Conselheirista, devoto de Antonio Conselheiro e guerrilheiro, preso por tropas do Exército em 1897 e momentos antes de ser assassinato pelos seus captores por degola na 4ª e última Expedição contra o Arraial de Canudos.

A degola (corte no pescoço de uma ponta a outra) era prática comum nas guerras brasileiras desde da época Imperial, especialmente usado na repressão aos revoltosos por tropas federais. Na 3ª expedição contra Canudos em 1897, seu comandante, o Coronel Moreira César , tinha o apelido de "Corta Cabeças" por degolar os insurgentes presos nas Revoltas da Armada e Federalista.

Moreira César foi morto e a 3ª Expedição fracassou miseravelmente, já na 4ª campanha contra Canudos, a República teve êxito em dizimar 20 mil brasileiros pobres.

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ALGUMAS FACAS E PUNHAIS CANGACEIROS.

Por Coleção Dênis Carvalho

"Daí apreciarem e respeitarem o ferro-frio. É que ele tem a lealdade do corpo-a-corpo, o olho no olho e o alcance de um braço." - Oswaldo Lamartine de Faria - Apontamentos Sobre A Faca de Ponta.

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MINHAS FILHAS COM A VÓ DADÁ.

 Por Indaiá Santos

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A LÍDER CANGACEIRA.

Por João Filho de Paula Pessoa

O professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio nos entregou uma nova Anésia Cauaçu. 

Por volta de 1910, Anésia Cauaçu era uma mulher forte, bonita, trabalhadora, lutava capoeira, sabia atirar, tinha boa pontaria e sabia cavalgar, sendo a primeira mulher a usar calça comprida em sua região, era casada, mãe e vivia numa família numerosa em Jequié/Ba. Sua família se envolveu num conflito com um coronel local, Zezinho dos Laços que teria mandado matar Augusto Cauaçu e por isso foi morto pela família Cauaçu em 1911 como vingança, o que resultou na revolta de outros coronéis que formaram um bando de Jagunços para atacar a família Cauaçu, que, por sua vez, formaram uma resistência e se organizaram num grande bando familiar de cangaceiros sob a liderança de Anésia, que bravamente enfrentaram as ofensivas dos coronéis, sendo vitoriosos em todas as batalhas, inclusive numa grande batalha travada na praça central de Jequié, com a liderança e participação efetiva de Anésia nesta luta. Sua bravura e valentia eram tão grande que surgiram lendas a seu respeito, de que ela, durante os combates se desmaterializava e se transformava em árvore. Notável também era sua pontaria, que teria decepado os dedos de um sargento com um tiro à grande distancia, quando este direcionava seus soldados com as mãos. Os Cauaçu venceram os coronéis e lutaram contra as injustiças destes, e empreenderam a defesa dos oprimidos locais. Em 1916 o Governo do Estado da Bahia, sob pressão pelo crescimento e fama dos Cauaçu, enviou um grande contingente de soldados para combate-los, conta-se que foram uma média de trezentos soldados, que enfim conseguiram expulsar os Cauaçu de Jequié, que resolveram se dispersar e se mudar para outros locais. Assim, após seis anos de cangaço Anésia foi morar com seu marido e filha na Fazenda de um amigo da família, que lhe devia favores, mas que a traiu por dinheiro entregando seu paradeiro às autoridades, que a prenderam e nunca mais se teve notícias suas, não havendo registro de sua vida e morte após a prisão. (João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce.) 12/10/2020.

Obs: Nossos Contos também são contados em vídeos no YouTube - Canal Contos do Cangaço. https://www.youtube.com/channel/UCAAecwG7geznsIWODlDJBrA

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161 ANOS DA VISITA DE DOM PEDRO II À CACHOEIRA DE PAULO AFONSO

 Por Antonio Corrêa Sobrinho

AMIGOS, trago para apreciação de todos este meu novo trabalho de pesquisa, desta feita sobre a presença do monarca brasileiro, D. Pedro II, no ano de 1859, no rio São Francisco, da foz à cachoeira de Paulo Afonso, visitando diversas cidades ribeirinhas, e a narrativa jornalística e do próprio Imperador deste inesquecível acontecimento.

Trouxe hoje, abaixo, apenas a capa e a apresentação do e-book, prometendo enviar, mais tardar até sábado, todo o conteúdo, bastando que o interessado me informe o e-mail para envio.

Os amantes de história vão adorar.

Abraço forte em todos!

Apresentação

Em outubro próximo passado completou 159 anos que o imperador do Brasil, Dom Pedro II, acompanhado de sua esposa, a imperatriz Teresa Cristina, e numerosa comitiva, com o intuito de conhecer as províncias situadas ao norte da capital do Império, Rio de Janeiro, iniciou a longa e histórica viagem pelas regiões de Bahia, Sergipe, Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Espírito Santo, excursão que durou de outubro de 1859 a fevereiro de 1860.

Foram muitos os encontros da realeza com os súditos do Norte, nesta ocasião, todos com a sua significância, porém, para mim, nenhum destes momentos se fez mais interessante, em razão do considerável grau de aventura, a espetacular recepção e as situações curiosas que se apresentaram, do que a sua visita, desta feita sem a Imperatriz, à cachoeira de Paulo Afonso, a famosa catarata então situada no trecho sertanejo do fabuloso rio São Francisco, entre as terras baianas e alagoanas; e, no percurso de ida e volta das quedas d’águas, às populações das margens alagoanas e sergipanas, de Piaçabuçu, Vila Nova (Neópolis), Penedo, Propriá, Porto Real do Colégio, São Brás, Curral de Pedras (Gararu), Traipu, Lagoa Funda (Belo Monte), Pão de Açúcar, Entremontes (Armazém), Porto da Folha, Piranhas e outras.

Além do interesse que histórias como esta me despertam, sugestionou-me, o fato tolo e insignificante, salvo para mim, de eu ter nascido no ano de 1959, exatamente um século depois da presença do monarca brasileiro no meu rincão nordestino, a ir buscar no esconderijo em que ainda se encontram, apesar das facilidades de acesso que hoje dispomos, a íntegra da narrativa jornalística desta visita imperial, bem como as valiosas anotações feitas a respeito pelo próprio D. Pedro II.

Assim procedi.

Apresento, pois, nesta compilação, o que a imprensa nacional trouxe a lume sobre a presença do monarca brasileiro na cachoeira de Paulo Afonso e sua permanência com os ribeirinhos do baixo São Francisco, material que fui buscar, graças à hemeroteca digital da Biblioteca Nacional, nas páginas do Correio da Tarde (RJ), que reproduziu a substanciosa matéria do Jornal da Bahia; no Pedro II, gazeta cearense, de onde extraí parte da reportagem produzida pelo Diário de Pernambuco, deste que obtive o restante da descrição; e no Jornal do Comércio, diário carioca, do qual, infelizmente, deixei de transcrever a parte inicial da matéria, porque a página equivalente encontra-se, pelo menos, neste acervo praticamente ilegível.

Bem como, apresento, dispostas imediatamente após os textos jornalísticos, as acima mencionadas anotações (ligeiras observações, pareceres e impressões), lavra do Imperador, rabiscadas em suas inseparáveis cadernetas de viagem, notas estas que copiei do Diário da Viagem ao Norte do Brasil, obra editada, em 1960, pela Livraria Editora Progresso, organizada por Lourenço Luiz Lacombe, então diretor do Museu Imperial, este que, além de prefaciá-la, acresceu ao feito esclarecedoras informações, que, de igual modo, trago para a coleção que ora apresento, distribuídas que estão, entre colchetes e em letras de menor tamanho, no correr das anotações do insigne viajante.

Complementei o conjunto, com a antiga descrição da cachoeira de Paulo Afonso, elaborada pelo engenheiro civil Henrique Fernando Halfeld, que encontrei, de forma resumida e didática, na Gazeta Oficial do Pará, edição de novembro de 1859.

Por derradeiro, organizei um Índice toponímico e uma coleção de imagens concernentes e ilustrativas.

Constituem-se estes antigos textos, assim, reunidos e agrupados com a estética do presente, instrumento para um contato direto com a tradução primordial da viagem imperial pelo baixo São Francisco, visto que são estes os primeiros escritos, inda mais porque formulados por quem participou diretamente dos acontecimentos. São páginas que dizem da realidade e do modo de vida dos moradores do vale nos idos do século XIX, ao mesmo tempo que revelam a inteligência, a cultura e o caráter de D. Pedro II, e, mais das vezes, um rei menos solene e distante do trono, a interagir com sua gente, dizendo de si mesmo, e exercendo o múnus governamental do modo que mais apreciava fazê-lo: inteirando-se dos problemas e das soluções para o reino, e em contato direto com o povo.

Permitam-me afirmar que estes velhos relatos são lições de literatura, história, geografia, náutica, etnografia, botânica, os quais um dia servirão até de roteiro para o cinema contar como foi o encontro destas duas majestades que reinaram um dia no Brasil: Dom Pedro II e a Cachoeira de Paulo Afonso. Desejo que esta história seja mais divulgada, especialmente entre os nordestinos, e mais ainda entre os sanfranciscanos do baixo curso, visto que foram os seus antepassados os protagonistas de um dos momentos festivos e simbólicos mais marcantes da história nordestina, transformado imediatamente num indelével bem histórico-cultural, vínculo identificador deste povo.

Que os locais nas margens deste fabuloso rio que outrora navegou o homem que imperou no Brasil durante 58 anos, D. Pedro II, o monarca que amava a sua gente; que prestigiava as ciências, as artes e as letras; que exerceu magistralmente o Poder Moderador; que se fez um viajante embaixador do Brasil; e que foi uma das maiores personalidades do seu tempo; pois, por onde ele tenha passado e estado, quando pelas águas do Velho Chico, como, por exemplo, no “Morro dos Prazeres”, do lado alagoano, e no “Buraco de Maria Pereira”, no sergipano, que seja identificado, memoriado e transformado o local em ponto de atração turística.

Muito obrigado a todos, razão maior desta obra, e um agradecimento especial ao meu filho Thiago, pelo tanto que me ajudou, realizando a diagramação.

Aracaju/SE, novembro de 2018.

Antônio Corrêa Sobrinho

(tonisobrinho@uol.com.br e antoniocorreasobrinho@gmail.com)

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OITO DÉCADAS DEPOIS, NOVAS DESCOBERTAS REACENDEM DEBATE SOBRE COMO MORREU LAMPIÃO

PPerícia pedida por historiador deu mais detalhes sobre morte de Lampião (terceiro da esq. para a dir.) — Foto: Divulgação/GESP/BBC

Mais de oito décadas se passaram, e a história ainda não chegou à conclusão de como Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi morto. O debate ainda rende entre pesquisadores do cangaço e segue longe de um consenso sobre como se deram os últimos suspiros de Lampião. Há até mesmo quem duvide de sua morte.

Uma novidade trouxe mais elementos a um debate que parece não ter fim. Trata-se de uma perícia feita nas roupas e objetos que estavam com Lampião no dia da emboscada policial na grota do Angico, sertão de Sergipe, em 27 de julho de 1938. Após as mortes, as cabeças de Lampião, sua esposa Maria Bonita e outros cangaceiros foram cortadas e expostas ao público como troféu no Recife.

As peças estavam guardadas intocáveis até então no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas – como a operação que caçou o cangaceiro na caatinga foi feita pela Polícia Militar do Estado, Alagoas herdou o material e o guarda como relíquia até hoje.

A análise foi feita pelo perito Victor Portela, do Instituto de Criminalística de Alagoas. A BBC News Brasil teve acesso ao documento inédito, datado de 19 de julho de 2019, que atesta que Lampião teria recebido três tiros.

Mas a morte do rei do cangaço apresenta teses e mais teses. Uma delas é que Lampião e o bando foram envenenados antes do tiroteio, e que a polícia disparou contra o grupo já morto. Há quem defenda que o rei do cangaço não morreu em Angico, mas, sim, um sósia – o verdadeiro cangaceiro teria morrido com 100 anos em Minas Gerais.

"Se quiser, conto as duas mil teses que existem sobre a morte", brinca o historiador e jornalista João Marcos Carvalho, autor do documentário ainda inédito Os Últimos Dias do Rei do Cangaço. Foi ele quem pediu ao perito alagoano uma análise das peças, que deve reabrir um debate que parecia ter encontrado seu fim no ano passado, quando o escritor Frederico Pernambucano de Mello publicou livro Apagando Lampião.

Segundo perícia, tiro acertou o punhal usado por Lampião e foi desviado para a região umbilical — Foto: Ingryd Alves/BBC

Segundo perícia, tiro acertou o punhal usado por Lampião e foi desviado para a região umbilical — Foto: Ingryd Alves/BBC

Na publicação, o pesquisador do cangaço afirma que Lampião morreu com um único tiro disparado a oito metros de distância pelo cabo Sebastião Vieira Sandes. A versão ainda diz que o tiro certeiro foi dado de fuzil, conforme relatado pelo próprio policial alagoano autor do disparo – que o procurou quando estava com doença terminal em 2003 para revelar o que seria o maior segredo.

Debate

Para Carvalho, a tese de Frederico está errada. Ele diz que Lampião foi morto pela polícia em uma emboscada e estava com outros integrantes do grupo quando foi surpreendido.

Em busca de mais detalhes sobre o enigma da morte do cangaceiro, Carvalho pediu um laudo ao perito alagoano. "Procurei o perito Victor Portela e solicitei a análise daqueles objetos que estavam guardados e nunca tinham sido mexidos", explicou.

À BBC News Brasil, o perito disse que de imediato aceitou a missão. Ainda em 2018, ele iniciou a análise no punhal, nas cartucheiras e nos bornais (tipo de bolsas usadas pelo cangaço) de Lampião. Segundo ele, foram percebidos pontos de impacto e perfurações nos materiais utilizados.

O laudo de Portela diz que foram três tiros. O primeiro deles acertou o punhal, e a bala acabou desviada para a região umbilical; outro atravessou a cartucheira – que era utilizada no ombro – e atingiu o coração; e o terceiro atingiu cabeça.

Perito Victor Portela, que fez análise das roupas e objetos que lampião estava usando na hora de sua morte — Foto: Ingryd Alves/BBC

Perito Victor Portela, que fez análise das roupas e objetos que lampião estava usando na hora de sua morte — Foto: Ingryd Alves/BBC

Para o perito, é impossível saber qual dos tiros – ou se a combinação deles – matou Lampião. Mas ele destaca que sua experiência como perito aponta um dado controverso das teorias até então: os disparos no peito e na barriga não matariam o cangaceiro instantaneamente.

"Ele poderia morrer alguns minutos depois pelo sangramento. Só o tiro na cabeça o mataria rápido, mas não temos como dizer a cronologia dos disparos", explicou.

Um dos pontos novos apresentados no laudo veio da análise dos bornais feitos por Dadá (famosa cangaceira do grupo), que tinham duas marcas de tiros. João Marcos crê que Lampião não teve tempo de vesti-los no momento do tiroteio. "Quando o bando chegou à grota, o local não estava em um silêncio de catedral. Lampião estava vestindo a cartucheira, o punhal e tomou os tiros ali. Não deu tempo de ele vestir os bornais", explicou.

Portela concorda com o jornalista e historiador, revelando que a perícia mostrou que os tiros foram dados de cima pra baixo, e que os bornais não tinham marca de sangue. "Ficou uma incógnita com relação aos bornais, mas quando fiz a sobreposição das cartucheiras com os bornais, vi que não há compatibilidade com nenhum dos disparos", afirmou.

Historiador revela a identidade do assassino de Lampião
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Historiador revela a identidade do assassino de Lampião

Neta rechaça ideia de um tiro

Vera Ferreira, neta de Lampião, disse à BBC News Brasil acreditar que a perícia recente sustenta a teoria mais correta a respeito da morte do avô.

Ferreira não acredita na versão de tiro único, nem de envenenamento, muito menos de que seu avô sobreviveu e morreu em Minas Gerais. "Quando o corpo do meu avô foi periciado, apontou-se três tiros", disse.

Questionada sobre a versão de que o cabo Sandes ter matado o avô, Vera afirmou que não é possível saber quem matou Lampião. "Quem deu o tiro de misericórdia? Imagine várias pessoas atirando ao mesmo tempo, o mesmo alvo, ninguém sabe", completou.

O 'julgamento' de Lampião

Além da polêmica da forma da morte, a história de Lampião também levanta o questionamento: herói ou bandido? Matar Lampião era um desejo das autoridades brasileiras desde a segunda metade da década de 1930. A ordem foi dada pelo então presidente Getúlio Vargas. Atendendo a pedidos de políticos nordestinos, ele impôs uma longa caçada ao bando.

Perícia também analisou bornais (bolsas usadas pelo cangaço) de Lampião — Foto: Ingryd Alves/BBC

Perícia também analisou bornais (bolsas usadas pelo cangaço) de Lampião — Foto: Ingryd Alves/BBC

Um seminário marcado para 2020, em Piranhas, sertão de Alagoas, vai levar as teses da morte e "julgar" se Lampião era herói ou bandido. "Existem aqueles que defendem que Lampião era bandido, mas alguns dizem que o cangaceiro era uma vítima da sociedade. Vamos analisar isso".

O júri será composto por promotores, juízes, advogados e os historiadores, aos quais serão apresentadas as versões, casos e opiniões.

O perito Victor Portela também contou que na ocasião será apresentado o laudo. "Vamos utilizar a perícia para excluir teorias que não são compatíveis com os fatos que foram levantados. Vamos filtrar e excluir teorias que realmente não batem", disse. "Além do julgamento queremos posteriormente fazer uma análise no local com reprodução simulada para ver os pontos de impacto no local", disse.

Os 80 anos da morte de Lampião
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Os 80 anos da morte de Lampião

https://g1.globo.com/educacao/noticia/2019/09/21/oito-decadas-depois-novas-descobertas-reacendem-debate-sobre-como-morreu-lampiao.ghtml

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