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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

BIENAL DO LIVRO DE BRASÍLIA ESTÁ UM SUCESSO DE PÚBLICO E VAI ATÉ DOMINGO (30)


Oportunidade para conhecer e adquirir O sertão anárquico de Lampião, que está disponível no Estande da Livraria Arco-Íris. Estarei lá!


Nas prateleiras da outubro Edições, a novidade do novo livro infantil de Dad Squarisi, No reino da bicharada, a ser lançado no sábado 29.


O livro infantil de Clara Arreguy OIT Labina está mu ossecus!

Página: Luiz Serra
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A MENINA AFEGÃ DE OLHOS VERDES E A MULHER AFEGÃ DE OLHOS TRISTES

*Rangel Alves da Costa


Um lenço vermelho sobre a cabeça e se derramando rasgado pelos ombros até se misturar a uma veste verde-escuro. Olhos grandes, vívidos, de castanho-esverdeado, como que surpreendidos ou espantados. Cabelos castanhos em acaju, e no semblante de pele clara queimada de sol uma menina estranhamente bonita. Filha da guerra, filha do refúgio, filha da crueldade do homem para com os seus. Seu nome: Sherbat Gula. Ou simplesmente “A Menina Afegã”. Uma órfã que desde a meninice começou a conviver com os sofrimentos dos forçosamente deslocados para terras estranhas.

Nesta quarta-feira, 26/10, li no noticiário que Sherbat Gula havia sido presa. Para melhor delinear a situação, informo que a prisioneira é aquela menina afegã, com cerca de 13 anos, de olhos verdes, fotografada pelo jornalista Steve McCurry da revista National Geographic, em 1984, mas com reportagem publicada somente na edição de junho de 1985, então vivendo como refugiada no Paquistão. A fotografia fora tirada em meio a meninas estudando no campo de refugiados de Nasirh Bagh, na província de Peshawar, fronteira com o Afeganistão.

À época, Nasirh Bagh havia se tornado o forçado lar para milhares de refugiados afegãos que fugiam das atrocidades contra mulheres, velhos e crianças no seu país. Desde a invasão soviética no Afeganistão (1979-1989) até a tomada do poder pelos talibãs, num entremeado de guerras, guerrilhas e acossamento sangrento das minorias, que o território paquistanês foi tido como lar distante para deserdados, fugitivos e retirantes. Era neste campo paquistanês que a menina Gula estava quando foi encontrada e fotografada pelo jornalista da National Geographic.

É com Sherbat Gula, pois, a mais famosa capa da famosa e prestigiada revista. Segundo afirma Star Kaur, no site Café com Chai: “A imagem de seu rosto, com um lenço vermelho enrolando sobre sua cabeça e com seus marcantes olhos verdes, olhando diretamente para a câmera, tornou-se um símbolo e tanto do conflito afegão de 1980 e a situação dos refugiados em todo o mundo. A imagem em si foi nomeada ‘a fotografia mais reconhecida’ na história da revista” (http://cafecomchai.blogspot.com.br/2013/03/sharbat-gula-foto-que-deu-volta-ao-mundo.html).


A fama do retrato, contudo, parece não ter acompanhado igualmente a fotografada. Após retornar, vivendo no anonimato ao redor das montanhas afegãs, quando reencontrada em 2002 pelo mesmo jornalista, recordava apenas ter sido fotografada, porém sem jamais ter visto o seu rosto estampado na revista e espalhado pelo mundo inteiro. Feita a devida identificação, uma nova fotografia foi tirada, com ela já aos 30 anos, repetindo a mesma posição, porém nada que revelasse a mesma beleza visual. Apenas uma moça triste, de olhar espantosamente entristecido. 

Gula já estava casada, mãe de filhos. E logicamente esperançosa de poder criar os seus sem os sofrimentos do passado. Mas os tempos difíceis no seu país, com a continuidade das guerras, guerrilhas e perseguições às minorias, fizeram com que ela retornasse, mais uma vez na condição de refugiada, ao Paquistão. Dessa vez se deslocou trazendo os filhos. Mais uma vez imitava milhões de pessoas desesperançadas que fogem do medo para viverem a ilusão da salvação em refúgios pelo mundo afora.

Porém, ao tentar esconder seu passado em nome de uma nova vida, incorreu em falsificação de documento. Hoje com 46 anos, a menina de olhos verdes, apenas uma mulher de olhos tristes, foi presa por autoridades paquistanesas. O seu retrato será sempre aquele, mas seu futuro tão incerto quanto a de todos os desvalidos pelas guerras, perseguições e assombrosos refúgios. O retrato de Sherbat Gula hoje poderia novamente estampar a capa da National Geographic, mas com os seguintes dizeres: eis a feição de um povo que sofre pela eterna maldade humana!

Deveras lamentável o ocorrido não só com Gula, que foi transferida para uma prisão à espera de julgamento e certamente será expulsa do país, mas com todos aqueles que ainda convivem com a mesma situação de medo e fuga. Ao falsificar sua identidade, fazendo-se passar por cidadã paquistanesa, a mulher talvez tivesse tentado apenas viver com mais segurança e enfim poder afastar de si aquele eterno véu de temor que sempre encobre as feições dos apátridas, dos renegados da sorte.

Um temor que infelizmente ainda continua perseguindo milhões de pessoas. Os países conflagrados por conflitos acabam expulsando principalmente aqueles mais frágeis e envelhecidos. E estes, sem pátria, vão atravessando fronteiras, se lançando ao mar, procurando a todo custo um meio de sobreviver. E nem sempre sobrevivem. Todos os dias os jornais noticiam naufrágios no Mar Mediterrâneo e mortos como em cardumes. Todos os dias os jornais dizem das desumanas condições de vida dos que alcançam a terra firme para viver como refugiados.

Sherbat Gula queria apenas esquecer o passado. Porém mais uma vez será expulsa do seu refúgio. E novamente ser jogada na crueldade afegã. Novamente fugir pelas montanhas até que seus olhos verdes percam toda a cor.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345
Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
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COMIDAS PREFERIDAS DO REI DO CANGAÇO

Por Virgulino Ferreira da Silva (pesquisador)

Comidas preferidas do rei do cangaço Virgolino Ferreira da Silva eram: Galinha de capoeira, arroz doce, coalhada e umbuzada. 
Quando chegava em uma fazenda, ou um sítio de um amigo coiteiro, a mulher cozinheira já ia para cozinha no intuito de  preparar o prato preferido do capitão Lampião. Um detalhe interessante: Lampião pedia para o dono da casa comer primeiro.

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HISTORIOGRAFIA DE MUNIZ GONZAGA

Por Joquinha Gonzaga
Dona Muniz

RAIMUNDA JANUÁRIO MACIEL – “DONA MUNIZ” nasceu em 25 de Junho de 1923, faleceu em 22 de Fevereiro de 2011 com 88 anos. Natural da Fazenda Caiçara em um lugarejo chamado de “Araripe”, na cidade de Exu, no Estado de Pernambuco. Só aprendeu a ler e escrever um pouquinho. Dos nove filhos de Santana e Januário ela é a sexta, e das quatro mulheres ela é a segunda. É irmã de forrozeiros de nomes consagradoa como Luiz Gonzaga o “Rei do Baião”, Zé Gonzaga, Severino Januário e a única sanfoneira mulher da Família, Chiquinha Gonzaga.

Dona Santa e seu Januário

DONA MUNIZ saiu de Exu com suas irmãs em 1949, com sua mãe Santana e seu pai Januário para o Rio de Janeiro, a convite de seu irmão Gonzagão, foi a primeira iniciativa que seu irmão tomou quando começou a ter sucesso no Sul, ele já falava no início de sua carreira que quando tivesse condições financeira, ia trazer toda família para o Rio de Janeiro, porque sabia que todos estavam sofrendo com a seca que ele já conhecia. 

Chegando no Rio, Gonzagão arrumou logo um lugar que parecesse com o sertão, comprou umas terras pras bandas da cidade de "Duque de Caxias" interior do Rio de Janeiro, em um lugar chamado "Santa Cruz da Serra", perto de  "Xerém e Petrópolis", ali Gonzagão dividiu as terras, dando um lote para cada irmã que fosse se casando, e a primeira a se casar foi Dona Muniz  com um baiano de Jeremoabo-BA, em 1951, chamado de João Francisco Maciel, mais conhecido na família de João Gonzaga, e com esse casamento, teve cinco filhos, o primeiro filho e único sanfoneiro da família Gonzaga é o grande cantor e sanfoneiro “Joquinha Gonzaga” depois  Ana Lídia, Fausto Luiz, mais conhecido como ”Piloto” grande zabumbeiro, Maria e Rosa Helena.

DONA MUNIZ sempre foi muito católica, rezava todos os dias, todas as seis horas da tarde, sempre em intenção dos filhos, seu marido e toda a sua família. Todo ano no mês de maio, durante o mês todo, as quatro irmãs se juntavam e faziam a novena, e quem puxava a cantoria era ela, sabia todas as ladainhas,  era uma mulher sem maldade, generosa, era de uma paz interior, e transmitia para todos que estivessem ao seu redor, gostava de dividir o que tinha para qualquer pessoa, criou seus filhos  como pobre, mais sempre fazendo o melhor para eles, quando não tinha jeito, pedia socorro ao irmão artista, e ele sempre chegava no momento certo, Gonzagão tinha um respeito muito grande pela sua irmã Muniz. 

Faleceu em 22/02/2011 a irmã de LUIZ GONZAGA Dona MUNIZ Mãe do cantor, compositor e sanfoneiro JOQUINHA GONZAGA - Site Cecordel

DONA MUNIZ apesar de casar e morar no Rio de Janeiro,  era uma verdadeira sertaneja. Ela nunca deixou de ser uma nordestina fiel à sua origem. Ensinou toda cultura do seu lugar para seus filhos. Fazia baião de dois, buchada, galinha de capoeira, milho assado, carne de bode, farofa pisado do pilão, carne de sol, e ensinava até as cantigas da sua época no sertão. Gostava de contar histórias do Nordeste, e lembrar das coisa boas e ruins quando era criança e adolescente, assim era uma mulher Nordestina, guerreira, pura como uma Santa, filha de Santana e Januário, irmã de Luiz Gonzaga e mãe de Joquinha Gonzaga, chamada de DONA MUNIZ.


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso.

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MONUMENTO À COLUNA PRESTES EM FLORESTA?

 Por Denis Carvalho
Túmulo de João Lopes Diniz

Tenho acompanhado durante toda a semana as discussões a respeito da alocação de um monumento dedicado a passagem da Coluna Prestes no município de Floresta – PE. Fica então a pergunta: qual o sentido dessa homenagem? Para quem não conhece, a Coluna Prestes foi um “movimento político-militar” liderado pelo comunista Luis Carlos Prestes, tendo percorrido mais de 20.000 km pelo interior do país. 

O mais estranho desse movimento é que, apesar de seus ideais serem indiscutivelmente louváveis, como a exigência do voto popular secreto e melhorias no ensino público, jamais conseguiram o apoio popular, tendo concluído sua marcha sem ter conseguido cumprir nenhum de seus objetivos.Ora, se até mesmo o temido cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva (Lampião) conseguiu conquistar o respeito e a admiração de alguns sertanejos, por que não ouvimos nenhum dos que tiveram contato com a Coluna narrar algo de positivo ou admirável? 

O repúdio popular, na época, explica-se em decorrência do modus operandi com que os “revoltosos” utilizavam para fazer aderir os populares à causa. O uso da violência era constante: invadiam fazendas e casas, torturavam seus moradores, roubavam provisões e animais de carga; tudo isso em nome da “causa”. Qualquer sertanejo era taxado de “jagunço” e não havia o mínimo respeito com os habitantes dos locais por onde passavam.
  

Denis Carvalho, Leo Gominho, Marcos de Carmelita, João de Sousa Lima, Cristiano Ferraz e Manoel Severo

Lutar por uma causa justa com o uso de meios imorais e ilegais, a meu ver, não faz de ninguém um herói. Sei que muitos vão dizer que “os tempos eram outros”, mas nada justifica o uso de uma força com dezenas de homens contra simples sertanejos, que em nada deram causa à sua luta, muito menos poderiam esboçar qualquer forma de reação. Não vejo nenhuma necessidade de um monumento relacionado à Coluna Prestes em Floresta, afinal, esse monumento já existe...

Eis na imagem o túmulo de João Lopes Diniz, morto em 1926 na fazenda Campo Alegre durante a passagem do movimento. Seu corpo ficou exposto no terreiro de sua casa, tombado no local de seu assassinato, enquanto sua esposa e filhas choravam implorando que deixassem enterrá-lo. As respostas eram apenas ironias, seguidas de gargalhadas.

Hoje vemos nossos opressores virarem heróis, ao passo que nossos mortos são esquecidos. Enquanto seu túmulo jaz abandonado, engolido pela caatinga; seus algozes receberão uma homenagem em um dos lugares mais pomposos da cidade que sua família ajudou a construir.

Muitos outros marcos foram deixados por onde passaram, como cercas incendiadas, marcas de projéteis de bala e pessoas traumatizadas.

A construção dessa obra é, então, uma total falta de respeito e uma grande demonstração de que a história do município está sendo irresponsavelmente ignorada por seus dirigentes. E isso em nada me admira, afinal, vivemos em um país em que o crime compensa e que, em vez de penas, rendem-se homenagens aos criminosos.

Denis Carvalho
Pesquisador e colecionador, Floresta PE

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2016/10/monumento-coluna-prestes-em-floresta.html

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PESQUISADOR DE GARANHUNS VAI AO LOCAL DA MORTE DE LAMPIÃO PARA HOMENAGEAR SOLDADO MORTO

Por Junior Almeida

Em 28 de julho de 1938, quando na Grota do Angico, município de Poço Redondo, Sergipe, as tropas de policiais volantes comandadas pelo tenente João Bezerra da polícia alagoana mataram Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, uma única baixa foi contabilizada pelo lado da força: o soldado Adrião Pedro.

Começava ali o início do fim do cangaço no Nordeste, esse período sangrento e triste da história do Brasil, que acabou de vez dois anos depois com a morte do sicário Corisco, esse morto na Bahia. Com o passar do tempo Angicos virou local de visitação para os curiosos, que queriam conhecer o lugar em que o maior de todos os cangaceiros se escondia e terminou seus dias.


Entre as pedras da grota o irmão de Lampião, João Ferreira, tratou de colocar uma cruz de madeira em homenagem aos que morreram em combate (para muitos um massacre) e depois o próprio João Bezerra, oficial comandante da ação, mandou fazer em Piranhas, Alagoas, uma grande cruz de metal com mais dez cruzes pequenas afixadas nela, simbolizando os onze cangaceiros mortos. Alguns anos depois, misteriosamente essa cruz sumiu de Angicos, mas, outras foram colocadas pela prefeitura local, também em honra aos bandidos.


E Adrião Pedro, o soldado que morreu na ação cumprindo seu dever? Nada, nenhum tipo de homenagem foi feita ao guerreiro. Inconformado com isso, em 2012 o pesquisador garanhuense Antônio Vilela, que tem vários livros sobre a temática cangaço, resolveu agir para que Adrião fosse lembrado. Junto com outros estudiosos foi até Sergipe e fixou no local uma cruz e uma placa, para lembrar aos visitantes que ali tombou sem vida um militar em ação. 

Esse ano, assim como aconteceu com a primeira cruz de metal no passado, tanto a cruz como a placa colocadas por Vilela no local, desapareceram misteriosamente. Foi no dia em que foi celebrada a missa pelos 78 anos daquela hecatombe. É como se alguém se incomodasse com as homenagens ao militar, pois no dia do ano em que mais Angicos recebe mais turistas, foi que a cruz e placa desapareceram.


Perseverante, o professor Vilela mais uma vez vai até o estado vizinho para recolocar placa e cruz no local da morte do soldado. Ele vai junto com alguns companheiros do grupo de escritores e estudiosos Cariri Cangaço, que esse ano inclusive divulgou uma nota de repúdio contra o ato de vandalismo. A aposição da cruz e da placa na Grota de Angico vai acontecer às 11 da manhã do próximo sábado dia 29. 

*Colaboração de Manoel Severo, Fortaleza CE, Jorge Remígio, Recife PE e Sávio Siqueira, São José do Egito, PE. Fotos: 1; os pesquisadores João de Souza Lima e Antônio Vilela quando colocaram a primeira placa em Angico. Fonte Blog Cariri Cangaço. 2; João Ferreira, irmão de Lampião. Fonte Revista O Cruzeiro. 3; cruz de metal feita pelo tenente João Bezerra. Fonte Blog João de Souza Lima. 4; Placa desse ano. Fonte Antônio Vilela.


http://robertoalmeidacsc.blogspot.com.br/2016/10/pesquisador-de-garanhuns-vai-ao-local.html

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HISTÓRIA DE VIDA


Domingos Ailton Ribeiro de Carvalho nasceu no dia 24 de maio de 1970 em Jequié, interior da Bahia, filho de Antelírio Bispo de Carvalho e Helena Ribeiro de Novaes.


Aos seis anos de idade escreveu seu primeiro conto Pedro Januário de Freitas (inédito), uma narrativa baseada na história de vida de um alagoano que viveu em tribo indígena em Palmeiras dos Índios, conviveu com Lampião e Pe. Cícero e veio para Jequié, tornando-se trabalhador rural do seu pai, Antelírio Bispo de Carvalho, que registrou o sertanejo com este nome Pedro Januário de Freitas, uma vez que o alagoano só tinha apena o nome de Pedro.


As histórias contadas por Pedro Januário de Freitas para o menino Domingos ou Dominguinhos e Ito (apelidos também como é conhecido) influenciaram a literatura regionalista de Domingos Ailton.

Participante ativo da Comunidade de São Francisco, do Grupo de Jovens Jocase ( Jovens a Caminho do Senhor) da Paróquia de Nossa Senhora das Graças e da Pastoral da Juventude Diocesana, sob a orientação espiritual e liderança do Pe. Jesus Villacê, Domingos Ailton logo cedo teve uma formação católica e adquiriu uma consciência política, fatos que também influenciaram sua militância política e a produção literária engajada, parte da obra artística do escritor.


Aos 12 anos de idade Dominguinhos fazia discursos nos palanques da oposição ao regime militar, representada na época pelo PMDB, e, aos 13 anos ingressou no Partido Comunista do Brasil ( PC do B) ainda na clandestinidade, utilizando pseudônimo e participando de reuniões secretas do Partido, em decorrência do período de ditadura que ainda vivia aqueles primeiros anos da década de 80.

Em 1983 também ingressou no movimento estudantil na condição de secretário de Cultura do Centro dos Estudantes Universitários e Secundaristas de Jequié (CEUSJE), onde participou das lutas que conquistaram a Casa do Estudante de Jequié em Salvador e a meia-passagem no transporte coletivo para os estudantes jequieenses. Já em 1985 assumiu a presidência do CEUSJE e em 1986 foi eleito o primeiro presidente do Grêmio Estudantil Dinaelza Coqueiro, do Instituto de Educação Régis Pacheco (IERP) após a ditadura militar.


Em 1984 foi o mais jovem ator participante da encenação teatral “Retrospectiva”, resultado do curso de teatro “Chapéu de Palha”, da Fundação Cultural do Estado da Bahia e de uma pesquisa sobre a história de Jequié. Nesse período, influenciado pelo teatro começa a pesquisar fatos da memória jequieense e torna-se um dos fundadores do Grupo de Teatro Roda Viva. Em 1985 participa do pela primeira vez de um congresso da União Brasileira de Estudantes Secundaristas.


Em 1986 participa da fundação em Jequié da União da Juventude Socialista (UJS) e torna-se free-lance do jornal Tribuna da Bahia. No ano seguinte publica o seu primeiro conto, Pura, uma história de amor que ocorre entre a festa de Nossa Senhora das Graças e o Reisado em Jequié. Em 1987 começa a trabalhar como repórter do Jornal O Rascunho.

No ano de 1989 organiza um debate sobre a degradação do Rio das Contas e funda o Grupo Ecológico Rio das Contas – GERC e passa a trabalhar como repórter do Jornal Sudoeste.

É aprovado no vestibular para o curso de Letras da UESB – Campus de Jequié, em 1991, e neste mesmo ano já começa a desenvolver uma produção científica com o documentário O Latim na Religiosidade Popular e a comunicação oral O cordel sumiu da Feira e participa pela primeira vez de uma Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC e do congresso da União Nacional dos Estudantes – UNE. Ainda em 1991 publica o seu primeiro romance, O Fogo do Povo, que tem como tema a origem das festas juninas no nordeste brasileiro e passa a trabalhar como digitador no Juizado de Pequenas Causas.



Em 1992 produz e dirige o documentário Rio das Contas: potencialidade e poluição, que foi lançado na Eco-92, onde Domingos Ailton participou ativamente como documentarista, jornalista e ambientalista e tem alguns dos poemas de sua autoria publicados pela coletânea Jequié Poesia e Prosa. No ano de 1992 são realizadas as filmagens do documentário idealizado e escrito por Domingos Ailton e produzido pela UESB, intitulado Lapa: a fé do Sertão, que é lançado no ano seguinte. Ainda em 1992 participa ativamente das comemorações dos 80 anos do escritor Jorge Amado e é escolhido para falar em nome dos alunos do curso de Letras da Uesb – Campus em saudação ao autor de Gabriela, Cravo e Canela, quando o escritor recebe o título de Doutor Honoris Causa concedido pela Uesb. Na ocasião presenteia Jorge Amado com o livro O Fogo do Povo. Dias depois o escritor Jorge Amado lhe envia de presente o romance Jubiabá.

Participa do primeiro projeto de educação ambiental da região Sudoeste, Educação para a Vida, lançado em 1993, em parceria entre o GERC e a UESB.

Em 1994 cria e torna-se editor do jornal O Ecológico, que divulga ações do GERC e temáticas ambientais.

Idealiza e torna-se bolsista do Projeto Memória Popular da História de Jequié em 1995.

No ano de 1996 torna-se editor do jornal Gazeta do Sudoeste e percorre várias localidades da cidade e do interior de Jequié e de municípios baianos como Maracás, Ituaçu entrevistando personagens da cultura popular, que servem de base para publicações de trabalhos em anais de congressos científicos e em livros de conteúdo acadêmico e no ensaio Figuras Típicas e Religiosidade Popular de Jequié.

Em 1997 participa da fundação da Academia de Letras de Jequié e eleito 2º vice-presidente da entidade. É o mais jovem acadêmico entre os atuais nomes que compõem a ALJ e um dos mais jovens do Brasil e do mundo a ingressar em uma Academia de Letras. Poemas seus são publicados na coletânea Cem anos de Poesia e Prosa (publicação da ALJ, 1997, em homenagem ao centenário de Jequié). Lança o poema-cartaz Jequiti-Foi, durante as festividades do Centenário de Jequié. Neste mesmo ano é lançado o documentário de sua autoria O Trezenário de Santo Antônio e Domingos Ailton deixa o PC do B e ingressa no Partido Verde.


No ano de 1999 é aprovado para o Mestrado em Memória Social em Documento da Universidade do Rio de Janeiro – UNIRIO em convênio com a UESB.

Em 2000 publica o artigo A Recuperação de Palavras da Língua Pataxó –hã-hã-hã 500 anos Após a Chegada dos Portugueses nas Terras Indígenas, no livro Percursos da Memória – Construções do Imaginário Nacional (lançado no Brasil e na Polônia).

Tradição dos Ternos de Reis é o título de outro artigo de Domingos Ailton publicado em 2001 no livro Fragmentos de Memória de Vitória da Conquista de Jequié e Região, ano em que defende a sua dissertação de Mestrado na UNIRIO, que tem como título Estratégias de Construção da Memória dos Ternos de Reis da Região de Jequié.


Em 2003 publica os artigos José de Sá Bittencourt, em Vultos Históricos (Revista da Academia de Letras de Jequié) e Educação Além das Paredes da Escola na Revista Mundo Jovem e ajuda fundar a Associação do Lago da Barragem da Pedra – ASCOBAPE e passa a coordenar o projeto Borda da Mata.

Em 2004 é encenada a peça teatral Agenda 21. Que Bicho é Este? De Domingos Ailton, que é selecionado pelo Programa Circuladô da Fundação Cultural do Estado da Bahia, cuja apresentação foi feita em 2005 na cidade de Porto Seguro.

Em 2005 lança o livro Figuras Típicas e Religiosidade Popular de Jequié, um ensaio sobre personagens da história cultural como tropeiros, vaqueiros e boiadeiros e a respeito da crença popular de Jequié no I Encontro Nacional de Leitura e Literatura Infanto -Juvenil.


Em 2006 o Grupo Ecológico Rio das Contas – GERC é eleito para representar as entidades ambientalistas do Nordeste brasileiro no Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA)e Domingos Ailton passa a ser membro titular desse conselho. Ainda em 2006, Domingos Ailton visita a Espanha e apresenta a comunicação O Reisado: Face da miscigenação brasileira no 52ª Congresso Internacional de Americanistas e passa a coordenar o Projeto Mãe da Mata: Proteção da Mata Atlântica através do Ecoturismo.


Em 2007 lança junto com seus alunos do curso de Letras da UNEB – Campus XXI o minidionário O que a galera fala com palavras e expressões juvenis.

No ano de 2008, Domingos Ailton lança a revista Cotoxó, é aprovado em uma seleção para consultor e instrutor do Sebrae e casa com Daiane Andrade.

Participa da Bienal do Livro em Salvador em 2009 onde lança Figuras Típicas e Religiosidade Popular de Jequié e mantém contatos com vários intelectuais como Zuenir Ventura e Moacyr Slicar e dar continuidade ao projeto editorial da Revista Cotoxó.

Em 2010 Domingos Ailton participa como roteirista, diretor, autor do texto e co-editor do documentário O Candomblé na Cidade de Jequié e conclui o romance Anésia Cauaçu sobre a primeira mulher no sertão baiano de Jequié a ingressar no cangaço, a vestir calças compridas e a montar de frente.


http://www.domingosailton.com/blog/historia-de-vida/

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UM COITEIRO SORTUDO

Por Adauto Silva

E foi lá pras bandas do sertão alagoano, que Corisco certo dia, retorna a casa de um coiteiro que o havia traído, havia poucos dias e diz: 

- Amarre esse traidor safado que eu vou almoçar e depois vou sangrá-lo. 

Depois que ele e seu bando almoçaram, Dadá a companheira dele, tirou uma foto de um embornal e falou: 


- Corisco, olhe nosso filho, venha cá, veja como ele tá bonito. 

Da posição que o coiteiro estava amarrado, viu a foto daquele garoto e exclamou: 

- Capitão Corisco, eu conheço esse menino. 

Corisco deu um salto e brandou: 

- Traidor safado, se você colocar de novo o nome de meu filho na sua boca imunda, eu começo lhe matando agora e só termino amanhã... 

O coiteiro não se intimidando complementou: 

- Eu conheço sim, eu o vi na casa do padre Bulhões... 

Corisco: 

- Mas como é, cabra? 

Coiteiro: 

- É isso mesmo, vi na casa do padre Bulhões, o padre comprou uma cadeira para ele almoçar e depois que ele almoça, a cadeira vira um carrinho e saem empurrando ele. Olhe, custou 50 mil réis. 

Corisco e Dadá

E Corisco curioso em saber todos os detalhes da criação do seu filho pelo padre Bulhões, ficou perguntando e perguntando. Quando o sol já estava indo, falou: 

- Eu ia te matar, porque homem que trai Corisco, só trai uma vez, eu não perdoo, mas como você conheceu meu filho, sua vida tá salva, não deva a mim não, deva ao meu filhinho.

PS: Esta é uma história real, que foi contada pela própria vítima (Sr Manoel) ao próprio Sílvio Bulhões, quando por acaso, se encontraram no centro de Santana do Ipanema, onde foram apresentados por uma amiga em comum. (Sra Inês, filha de dona Leontina, de Poço das Trincheiras-AL).


https://www.facebook.com/adauto.silva.7564?fref=nf

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O PARQUE CULTURAL O REI DO BAIÃO E A VINDOURA DÉCIMA EDIÇÃO DO FESTIVAL DE MÚSICAS GONZAGUEANAS

José Romero Araújo Cardoso 

Louvados sejam os representantes do gênero humano que valorizam sua cultura, sendo conscientes que a preservação das tradições tangencia-se com a própria ideia de identidade intercalada com o espaço vivido, aonde foram formados os elos de reconhecimento que nos transmitem o sentido da regionalidade que de forma efetiva conduz para o processo coletivo de construção social que catalisa a originalidade das manifestações humanas que são reconhecíveis plenamente em razão de estarem em consonância com o conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais que caracterizam um povo.
         
O legado Gonzagueano desperta fascínio em considerável parcela do povo nordestino apto a manter acesa a chama da identificação regional, tendo em vista que nenhum artista antes do grande sanfoneiro do riacho da Brígida havia conseguido sintetizar através da musicalidade a essência da própria nordestinidade.
          
A consciência de que a Paraíba deveria render tributo ao eterno Rei do Baião exponencializou-se magistralmente através de renomado advogado, radialista e articulista cultural de nome Francisco Alves Cardoso, responsável pela estruturação de importante Parque Cultural, criado em 20 de agosto de 2007, dedicado a Luiz Gonzaga e tudo que envolve sua figura mítica atrelada de forma indissociável ao contexto cultural nordestino.


Distando cinco quilômetros da zona urbana do município de São João do Rio do Peixe, o Parque Cultural O Rei do Baião está localizado na comunidade rural São Francisco, seguindo, enquanto próprio sentido filosófico, passos de seu congênere histórico estruturado por Gonzagão em Exú (Estado de Pernambuco).
          
Visando assinalar a importância de Luiz Gonzaga no cenário cultural que começava a se consolidar no sertão paraibano, o idealizador do Parque Cultural O Rei do Baião instituiu o primeiro Festival de Músicas Gonzagueanas no ano de 2008.
          
Tanto a primeira versão como a segunda efetivaram-se nas dependências do CLIMA, na cidade de São João do Rio do Peixe, mas a partir de 2010 houve a transferência do importante evento para ser realizado no palco da Fazenda São Francisco, a qual abriga toda estrutura do Parque Cultural Rei do Baião.
          
Sanfoneiros famosos em toda região começaram a despertar atenção para a fabulosa manifestação cultural que acontece anualmente na zona rural do município paraibano de São João do Rio do Peixe, a qual ocorre invariavelmente em agosto, pois foi a dois desse mês no ano de 1989 que Luiz Gonzaga encantou-se para alegrar o Paraíso Celestial.  
          
Ano após ano aumenta o número de participantes concorrendo com sua arte a fim de manter vivos a memória e o legado do mais fantástico agente cultural nordestino de todos os tempos, cuja luta em prol da consolidação dos autênticos valores culturais de sua terra e de sua gente transformou-o em referência fabulosa para a concepção de Nordeste enquanto região. 

Grandes artistas como Chico de Tereza, Estrela do Norte e o garoto-prodígio Cícero Paulo, entre outros e outras, tornaram-se referência no que diz respeito à história da realização do Festival de Músicas Gonzaguenas, pois venceram com brilhantismo o importante evento em louvor á arte imortal do dileto filho das terras de Exú.  Nos anos de 2012 e 2013, Cícero Paulo venceu consecutivamente o Festival de Músicas Gonzagueanas.
          
Em 2012 foi agregado ao festival de Músicas Gonzagueanas o Concurso de Poesia em Homenagem ao Gonzagão e seus seguidores. No ano de 2016 houve a quinta versão do já famoso CONPOZAGÃO.
          
A partir de 2015 houve a integração de duas novas categorias de concursos, atreladas ao carro-chefe do já conceituado evento cultural paraibano. Foram lançados os prêmios Lembrança do Ídolo e A Carta.
        
Em 2017 haverá a décima versão do Festival, a qual certamente exibirá conotações históricas enfáticas, pois a dedicação que o idealizador vem fomentando ao seu projeto ousado e abnegado de perpetuação e de divulgação da arte gonzagueana garante-lhe lugar privilegiado diante do respeito que deve ser devotado àqueles que realmente fazem para que o povo nordestino orgulhe-se de ser uma raça forte e original em sua produção cultural mais autêntica.

José Romero Araújo. Geógrafo (UFPB). Professor-Adjunto IV do Departamento de Geografia (DGE) da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (FAFIC) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB) e em Organização de Arquivos (UFPB). Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA – UERN – 2002). Sócio da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP) e membro da Associação Mossoroense de Escritores (ASCRIM). 

Envio do autor

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PLEBISCITO EM “VILA BELA”


No início da década de 1990, os cidadãos de Serra Talhada, PE, foram às urnas para dizerem, através de um Plebiscito, se aprovavam ou não, ser colocada uma estátua do “Rei do Cangaço”, Virgolino Ferreira de Silva, o Lampião, natural daquele município, em praça pública.

Foto de Lampião colorizada, digitalmente, pelo amigo Rubens Antonio.

A ideia é dada por um vereador da cidade, Expedito Eliodoro, que, apresentando proposta à Câmara Municipal, propunha ser feito uma estátua do ‘Capitão’, e a mesma ser colocada na antiga estação ferroviária. A ideia não decolou.

Algum tempo depois, a Fundação da Cultura, retoma a ideia, só que dessa vez, a estátua, que seria feita pelo artista plástico Karoba, seria colocada em uma Praça Pública.

O poder Executivo, na época, junto com movimentos culturais como MTP – Movimento de Teatro Popular – CDP – Centro Dramático Pajeú – Grupos de Poetas “Desafio” e outros, passam a apoiar tal ideia. Porém, uma parte da população não adere e a coisa começa a esquentar para aquelas bandas. E, pra variar, como em toda sua história, detona-se mais uma polêmica sobre o tema cangaço.

Uns prós, outros contras, e a coisa começa a ficar agitada. Tem-se então uma ideia, ou a ideia, de deixar que a própria população municipal decida se colocaria ou não a estátua em homenagem ao chefe cangaceiro em uma praça pública na sua sede.


Os movimentos culturais, com o apoio da Prefeitura, começam a cogitarem uma data para realização de um plebiscito. A data é marcada, e fica definido que no dia 7 de setembro de 1991 ocorreria o mesmo. Daí por diante, as duas partes, contra e a favor, começam uma verdadeira ‘batalha’ numa campanha em busca de votos. O lado que não aceitava ter aquele símbolo, certamente seria os dos militares que se envolveram na grande campanha contra o banditismo na época, com parentes mortos nas inúmeras lutas travadas nas brenhas da caatinga do vasto sertão nordestino, familiares das vítimas feitas pelos cangaceiros e etc... Já do lado oposto, estavam os familiares dos cangaceiros, familiares das vítimas das volantes, amigos e os defensores da cultura regional.


“(...) Havia uma clara divisão na sociedade, os mais jovens se manisfestavam pelo “sim” e os mais velhos, em sua maioria ex-soldados das volantes que combateram Lampião e contemporâneos do cangaceiro, pelo “não”. O grupo que liderava a campanha pelo “sim” adotou o slogan “Lampião: nem herói, nem bandido. É história!”, uma forma de fugir da ideia de transformar o plebiscito em um julgamento do “Rei do Cangaço”(...)”. (faroldenoticias.com)


Foram impressos panfletos chamando a população para que votassem. A Justiça Eleitoral de Serra Talhada-PE, através do Juiz de Direito e do Promotor de Justiça traçam as regras a serem seguidas. E no dia marcado, fiscalizam o pleito eleitoral.

Segundo o livro “Gota de Sangue num Mar de Lama” de Gutemberg Costa, compareceram 2.289 eleitores. Sendo que destes, 76 % acolheram o “SIM”, um percentual que registrou um total de, mais ou menos, 1.739 cidadãos que aprovavam a homenagem. 503 eleitores, que correspondem a 22% que não aprovaram e o restante, mais ou menos, 47 pessoas anulam seus votos.

Mesmo com essa esmagadora vitória, até os dias de hoje, não conseguiram colocar a dita estátua em uma praça pública na cidade de Serra Talhada.

Fonte/foto Revista Veja, 28 Graus, edição de 10 de junho 1991
Blog Ct.

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