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sexta-feira, 17 de março de 2017

EMENTAS DOS GT’s do XXIII EGEORN


1) Ensino de Geografia

A evolução do ensino de Geografia no Brasil. Principais práticas pedagógicas do professor de Geografia. O papel do livro didático no ensino de Geografia. O Estágio Supervisionado e a formação do professor de Geografia. A Geografia como instrumento de formação cidadã. A Cartografia como ferramenta de ensino da Geografia e suas aplicações. Educação Ambiental. Geografia e Literatura. Conceitos epistemológicos relativos ao ensino de Geografia Física e Geografia Humana. Reformas no Ensino e seus impactos na Geografia.

2) Geografia Física

Discussão sobre as temáticas inerentes as especialidades da Geografia Física.

Arcabouço geológico e morfoestruturais. Estrutura superficial da paisagem.

Solos: morfologia, uso e conservação. Dinâmica climática. Bacias hidrográficas e dinâmica fluvial. Mapeamento da dinâmica natural. Dinâmica natural em meio urbano e rural: microclimas, geomorfologia e hidrografia. Estudos geoambientais e de zoneamentos ecológico-econômico. Poluição e degradação dos sistemas ar, água e solos/relevo. Análise integrada da paisagem.

3) Geografia e Meio Ambiente

Processos interativos entre sociedade e natureza. Crise ambiental e Desenvolvimento Sustentável. Diagnóstico socioambiental. Estrutura e funcionamento dos sistemas ambientais. Impactos ambientais em áreas urbanas e rurais. Relação entre empresas e meio ambiente. Política ambiental.

Instrumentos de planejamento e gestão ambiental. Sistemas de gestão ambiental.

4) Cartografia e Geoprocessamento

Cartografia histórica. Cartografia e novas tecnologias. Geotecnologias aplicadas a estudos geográficos. Processamento digital de imagens, geoprocessamento e análise espacial, geotecnologias: tendências e perspectivas. Sistemas de informação geográfica. Inteligência geográfica. Uso das geotecnologias em estudos ambientais.

5) Espaço Agrário

Elementos da organização do espaço agrário brasileiro. Modernização agrícola e estrutura fundiária brasileira. Movimentos Sociais no campo e luta pela terra.

Reforma Agrária e Assentamentos Rurais. As políticas públicas de desenvolvimento agrário. O agronegócio e a agricultura familiar. Questão agrária e desenvolvimento sustentável. Relação campo-cidade no contexto atual.

6) Espaço Urbano e Regional

Urbano, urbanização e urbanismo. Urbano/rural, cidade/campo. A hierarquia urbana (grandes, médias e pequenas cidades). Processos e formas urbanas.

Urbanização concentrada e urbanização difusa. As contradições da cidade e os problemas urbanos. Segregação socioespacial no espaço urbano. Os circuitos espaciais da economia urbana. Planos diretores de desenvolvimento urbano e participação popular. Rede urbana. Dinâmica urbano-regional. Estudos e análise das desigualdades regionais.

7) Espaço e Turismo

A produção do espaço para o Turismo. Espaço, Lazer e Turismo. Turismo e Desenvolvimento local. Turismo na Natureza. Turismo no Espaço Rural e Urbano. Políticas Públicas para o Turismo. Planejamento e Gestão do Turismo Sustentável. Turismo e Mega - Eventos. Turismo Religioso, de Aventura e Ecológico.

8) Espaço e Cultura

Geografia e elementos da Cultura na organização espacial. Cultura e Geografia: construções epistemológicas. Espaço e simbolismo. Modernidade, pós-modernidade e representações espaciais. Sistemas tecnológicos e práticas culturais. As manifestações culturais no espaço. Patrimônio, paisagem e cultura. Identidade e cultura. Múltiplas territorialidades urbanas e rurais.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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VIDAS EM POESIA

*Rangel Alves da Costa

Vidas existem que vão além do simples existir para se tornarem em verdadeiras poesias. São diferenciadas por natureza. E é a natureza, no seu contexto humano, geográfico, histórico e sociológico, que os predispõem a ser diferentes dos demais humanos. E muitas vezes convivendo no mesmo contexto.

João Guimarães Rosa foi mestre em cuidar de vidas assim. Alguns de seus personagens, reflexos de um mundo real e por ele conhecido nas suas andanças pelos sertões e veredas, são poemas ora líricos, ora trágicos, ou ainda somente poesia. Não apenas o jagunço, não somente o vaqueiro, não só o valente, mas sempre um ser único com sua flor e seu espinho.

Euclides da Cunha, ainda que embrenhado num mundo perigoso e desconhecido, entremeado de homens brutos e vorazes, fanáticos e sanguinários, ainda assim soube reconhecer e descrever tais pessoas no contexto de suas próprias tragédias, nas suas incertezas e destemores. Não descreveu acerca de pessoas que guerreavam, que se enfrentavam em terríveis batalhas, mas sobre seres humanos transformados na brutalidade da própria terra e do meio tão hostil. Neste aspecto, é uma história de seres da natureza e não de homens.

Manoel de Barros, o poeta do mato e bicho, fez dos pequenos mundos, das pequenas coisas, dos pequenos seres, uma gestação humana tão profunda que a pedra se sentimentaliza, o grilo se humaniza, o pássaro faz ninho no coração, o toco e o garrancho ganham quase que uma espiritualidade. Trata, pois, daquilo somente avistado pelos olhos que enxergam com poesia, pois espelhando o sentimento-poema do observador.

Mesmo que se imagine ser uma pedra bruta, áspera e irracional, o Sargento Getúlio, de João Ubaldo Ribeiro, é pura poesia. Uma poesia cruel, dramática, afeiçoando-se a verdadeira tragédia. Sua insensibilidade e crueza nas ações, sua verve violenta e seus espasmos odientos, nada mais são que a definição do ser em busca de si mesmo. E, por isso mesmo, uma flor que não aflora por medo de se humanizar dentro de um coração que, sem desejar revelar, clama por reconhecer-se.



Mesmo a ficção revela a humanização do personagem. E tão humano se torna que é possível imaginá-lo pelos caminhos da vida, numa esquina qualquer da existência. As solidões, as dores, as angústias, as desilusões, os conflitos, as sombras que nunca se escondem ante a presença de cada um, demonstram bem as realidades tão conhecidas. Daí que os personagens tristes e amargurados de Dostoievski não se prendem apenas na ficção, pois traduzem contextos e situações tão conhecidas por todos. Poesias amargas, mas verdadeiras.

O mundo criado por Gabriel Garcia Márquez em Cem Anos de Solidão e tão envolto em imaginários e fantasias, mas também selvagem e voraz como sua Macondo e seus arredores. As gerações dos Buendía que nascem, crescem e vão se cruzando, traduzem conflitos amorosos e familiares tão humanos quanto os vivenciados no mundo real. Mas é o impossível se tornando verossímil, como num drama transformado em doce poema, que faz refletir sobre a normalidade em tudo que possa existir. Como a nudez inocente da bela Remedios e as borboletas que entram pela janela e transformam tudo em magias e sonhos.

Também Jorge Amado tornou poesia sua vasta obra. Não há como não avistar versos de dores, de amores, de alegrias e sofrimentos, em cada página. Sim, aqueles meninos da beira do cais existem por todo lugar. Aquelas donzelas sonhadoras ainda se perfumam e se penteiam para janelas de impossíveis amores. Aquelas moças belas, agrestinas, com pele de jambo, corações caboclos e corpos ardentes, igualmente persistem em muitos lugares, em muitas ruas e muitas memórias. Nem mesmo as vinditas coronelistas deixam de ser rudes e sangrentas poesias. Também as crenças, os santos, os orixás e as ladeiras negras lavadas de suor e açoite.

Mas aqui pertinho de mim, no meu mundo sertanejo, existem vidas que são as poesias mais originais que possam existir. Todas nascidas em pessoas simples, humildes, autenticamente sertanejas. Pessoas que moram pelos rincões, nos afastados das roças e pequenas propriedades, nas beiras de estradas, em casebres de cipó e barro, em pequenas moradias de janela e porta. E ao redor de um mundo encantado e encantador.

A poesia em João, em Maria, em José, em Bastiana, em Antônio. A poesia que calça roló endurecido de tempo, que usa chapéu de couro, que acorda antes de o galo cantar e faz do suor um alimento da alma. Uma poesia em mãos rudes, calejadas, acostumadas em catar lenha para o fogo de barro, em debulhar feijão quando o tempo é bom, em fazer cafuné na cabeça do filho mais novo. Uma poesia ao tocar o rosário de contar, ao acender a vela e o candeeiro, ao se unir em prece para o Deus, os santos e anjos da salvação.

É esta poesia que verseja na estrofe mais forte. Não há noite nem lua nostálgica, mas tudo de descanso e repouso para a luta do dia seguinte. Não há flor ou jardim que não se pareça como miragem no esturricado chão. Mas em cada ser um poeta, com sua pena de cabo de enxada ou caderno aberto na terra esperando semente.

Escritor
Membro da Academia de Letras de Aracaju
blograngel-sertao.blogspot.com

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COMISSÃO DE APOIO DO XXIII -EGEORN


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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LAMPIÃO E A FORÇA DE NAZARÉ

Por Paulo George

Na manhã de 20 de novembro de 1924, aproveitando a folga em sua querida Nazaré, Pedro Tomás de Souza Ferraz, integrante da volante do sargento Higino Belarmino, foi ver como estava sua fazenda Lagoa do Mato. Fazia um calor insuportável. Ao passar pelo açude da fazenda Lagoa Cercada, de Terto Alves Feitosa (Terto Baião), Pedro Tomás resolveu tomar um banho, deixou o rifle e a roupa na beira dágua, e deu um mergulho. Ao sair do mergulho que botou a cabela fora, viu um grupo de homens armados, Lampião estava bem à frente do grupo, Pedro pegou as roupas, o rifle e correu nu para o meio do mato, indo sair em Pau-do-Leite, onde estava seu irmão Manoel Tomás e seu primo e cunhado Inocêncio Nogueira. 

Vários mensageiros correram para avisar aos homens em Nazaré que Lampião estava na área, logo os nazarenos estavam prontos para luta, seguindo a pista do bando, avistaram logo o fumaceiro: os cangaceiros tinham incendiado a casa de Pedro Tomás na fazenda Lagoa do Mato. Por volta do meio dia, Lampião estava descansando na Fazenda Baixas de Antônio Alves Feitosa (Antonio Baião). O vaqueiro Rufininho matou umas galinhas e tinha preparado o almoço. Arrastando-se pelo chão, os cabras de Nazaré foram tomando chegada. 

Terminando o almoço na casa grande da fazenda, Lampião foi até à porta da frente, e lá ficou descuidado fazendo um cigarro de fumo micado. 

Davi Jurubeba escondido numa cerca uns 20 metros, apontou o fuzil na testa de Lampião, mas na ganância de matar de vez o inimigo, esqueceu de destravar a arma, e ao destravá-la, não pode evitar o estalido da mola de aço.


Lampião esperto como ninguém, ouviu o estalo e saltou pra dentro da casa gritando para os cabras. Além da casa grande havia as casas dos moradores, e o curral de bodes. Antônio Ferreira especialista em retaguardas, saiu pelos fundos da casa com uns cabras e protegidos pela cerca do chiqueiro de bode: 

- Vou ficar atrás dos nazarenos, sem eles perceberem. 

Levino e outros cabras rodearam pelo outro lado, mal começou o tiroteio, veio a informação de Inocêncio Nogueira morto. 


Os nazarenos eram todos parentes, irmãos, primos, cunhados. Até Antonio Gomes Jurubeba, o velho Gomes, patriarca dos Jurubebas e Flor, estava ali, dando apoio aos homens de Nazaré. 

A morte de Inocêncio causou muita tristeza, raiva e desespero. O velho Gomes como se tivesse perdido o juízo, e ergueu o corpo saindo da casa para o terreiro, enquanto os parentes gritavam para ele se abaixar ou se deitar, sendo puxado à força pelos companheiros para dentro de casa. 

Os nazarenos estavam envolvidos em dois fogos. Olímpio Jurubeba recebeu um tiro na espinha e gritou: 

Os bandidos me mataro, vou morrer....!!!

Euclides Flor e Abel Tomás arrastaram Olímpio para o pé da cerca, e chamaram o velho Gomes.

Davi Jurubeba vendo o irmão morto, faz um grande desafio, salta no meio do terreiro e grita:

- Lampião, ladrão de bode, saia debaixo da cama, venha resolver a questão comigo, corpo a corpo, no punhal.

Lampião gritou de dentro da casa:
- Eu num brigo com quem tá querendo morrer, Davi! Quem briga se agarrando com outro é um doido, e para que foi feito bala? 

https://www.facebook.com/virgulinoferreira.ferreira.5/posts/762018447288746

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FOLDER DO XXIII ENCONTRO ESTADUAL DE GEOGRAFIA DO RN (EGEORN)



Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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LIVROS QUE NOS DÃO BONS CONHECIMENTOS!

Por Antonio Corrêa Sobrinho

Amigos,

o que seria de nós, interessados, cultores e apaixonados pela história do cangaço, sem a opinião dos seus tradutores em livro? 

Portanto, vamos prestigiar nossos escritores a, pelo menos, ressarcir-se dos elevados custos de sua produção, adquirindo as suas obras.





ADENDO - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Estes livros você o encontrará na livraria do professor Pereira, lá na cidade de Cajazeiras, no Estado da Paraíba. E para adquiri-los basta entrar em contato como o mesmo através deste e-mail: franpelima@bol.com.br

https://www.facebook.com/

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VENHAM VISITAR A CASA DO CORDEL!

Por Gélson Pessoa

Lá temos: Antiguidades, cds, vinil, radiola, livros, quadros e o nosso maior tesouro, o Cordel. Na casa do Cordel a poesia está sempre à flor da pele. Casa do Cordel na Rua Vigário Bartolomeu na Cidade Alta Natal/RN.

Gélson Pessoa









Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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DR. LEANDRO FERNANDES CONFIRMA PRESENÇA NO SERTÃO CANGAÇO PIRANHAS 2017


Estamos a todo vapor !! Sertão Cangaço 2017. Mais um grande pesquisador confirmado: Dr. Leandro Fernandes.

https://www.facebook.com/rotadocangacoxingo/photos/a.343288162460053.1073741828.340313976090805/1141806482608213/?type=3&theater

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A MULHER QUE VENCEU AS FLORES

Por José Ribamar

Visitei o jardim pela manhã
E vi ao chegar descolorida
Cada uma, rosas do jardim
Como gente humana, entristecida.
Antes, lindas, agora todas feias
Entre o riso e a dor interroguei-as
O que houve? me digam por, favor
Nos pegou de surpresa, uma senhora
Roubou nosso perfume e foi embora
Disse-me com ciúmes uma flor.

Cita-me, por favor, os traços dela,
Disse-me uma flor desconsolada...
Ela tem a beldade das estrela
E parece uma deusa cortejada.
Tem os seios de virgem campesina,
Apesar de senhora, uma menina
Que só Deus adivinha sua idade;
Tem nos olhos a força do amor
Por ser dona de um corpo sedutor
Desconhece as tormentas da saudade.

Em seguida um coletor de frutas
Disse-me implorando providências
Essa mesma rainha idolatrada
Preencheu os seus cântaros com essências...
Das roseiras do meu pomar sublime,
Se roubar o que é bom tornar-se crime
Eu também não terei a salvação...
Quem dos homens a tem como consorte?
Eu queria de veras ter a sorte
Dessa deusa roubar meu coração.

(José Ribamar)

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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MORRE O EX-PREFEITO JOÃO NEWTON DA ESCÓSSIA


Faleceu na manhã de hoje, 17 de março de 2017, em Mossoró, ex prefeito mossoroense João Newton da Escóssia. Ele já estava com 91 anos.

João Newton da Escóssia foi deputado estadual eleito em 1974 e prefeito de Mossoró eleito em 1976.

Depois atualizaremos essa postagem com dados sobre velório e sepultamento.

Que descanse em paz e minha solidariedade a seus familiares, em especial a seus filhos Carlos, Júnior e Aurora, com quem tenho amizade.

Categoria(s): Política

http://blogdocarlossantos.com.br/morre-o-ex-prefeito-joao-newton-da-escossia/

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VIVA O POETA! VIVA A POESIA! TRIBUTO À POESIA

Por José Ribamar

Em nome da natureza, 
Que milhões de seres cria, 
Enalteço a poesia,
Que tem a honra de ser 
A mais sublime das artes 
 De toda a humanidade, 
 Que dá ao povo a vontade
De ser feliz e viver.

Arte de origem grega, 
Que contagiou os povos,
Despertando ideais novos 
 Expressos por sonhadores;
Sempre presente em discursos,
Cartas, crônicas e canções,
Dando vida às emoções 
Dos artistas pensadores.

Presencio a sua imagem 
 Nas belas frases que rimam 
E nas aragens que mimam
As flores suavemente, 
Nas ondas inquietantes
Do mar nos balanços seus
Nos afirmando que Deus
Pode mais do que a gente.

Essa arte universal 
Ultrapassará milênios
Representada por gênios
De QI’s admiráveis
E corações magníficos, 
Que lançarão bons inventos 
Colorindo os sentimentos
Das pessoas adoráveis.

A vida sem poesia 
Não é como a vida com...
Porque quem ama acha bom
Ouvir palavras de amor,
Com poesia e carinho
Se faz qualquer coração
Esquecer que a solidão
Já o preencheu de dor. 

(José Ribamar)

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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AS CONTRADIÇÕES DO SOLDADO 'NORATINHO' (O homem que disse ter matado Lampião)


Quando da manhã do dia 28 de julho de 1938, uma quinta-feira, um cangaceiro desce pelo leito seco do riacho Angico para ir encher alguns cantis com a água que estava empoçada no poço do Tamanduá.

Aproximando-se da poça d’água, “Amoroso” agacha-se para colocar água nos recipientes, nesse momento escuta um estouro que quase lhe estoura os tímpanos. Procura imediatamente um abrigo, pois em seguida a esse estouro vieram muitos e muitos outros.

Aspirante Ferreira de Melo ao lado do comandante do 2º batalhão, coronel José Lucena, na cidade de Santana do Ipanema, AL, na época do cangaço, um ou dois dias após as mortes dos cangaceiros.

Recebendo a ordem de seguir para a margem esquerda do riacho, o Aspirante Ferreira de Melo leva sua tropa para o lugar determinado. Chegando nele, desce a barreira, com parte dos homens e começa a subir o leito seco do riacho. Às vezes, devido o tortuoso ‘caminho’ que fizera as águas escavacando o terreno, eles ficam na margem direita, voltam ao leito do riacho novamente e, assim, seguem em direção sul. O cabo Bertoldo, que fazia parte da tropa do Aspirante, com a outra parte da tropa, segue por sobre a margem esquerda, dando cobertura ao comandante que avançava pela parte baixa, sempre subindo no sentido sul. Como era para dar cobertura, não procuraram fazer vanguarda. Em determinados momentos estavam na retaguarda e logo em seguida, dependendo do terreno, na mesma linha em que estavam seus companheiros de farda.

Comandante geral da PM das Alagoas, na época do cangaço, coronel Theodureto Camargo, abraçando o aspirante Ferreira de Melo, quando este chega em Santana do Ipanema,ALl, após a morte dos cangaceiros no Riacho Angico.

Os homens que estavam com o Aspirante, alguns ligeiramente adiantados, notam a vinda de um cangaceiro no sentido contrário em que iam. Não tendo mais alternativas, escondem-se por trás das pedras que existem ao longo do leito do riacho. O cangaceiro chega muito perto deles. Escora sua arma numa moita, ou numa pedra, e abaixando-se está com um cantil na mão. Um dos três militares, não espera mais. Aponta seu fuzil e faz fogo no cangaceiro. À distância em que estava o cangaceiro não passa de 10 (dez) metros, e mesmo assim, não sabemos se por falta de tempo, calma ou mesmo nervosismo do soldado, esse erra o tiro.

Tropa comandada pelo tenente João Bezerra quando do retorno do ataque aos cangaceiros na Grota do Riacho Angico. Este registro é citado por alguns autores como fora feito em frente à sede da Prefeitura na cidade de Piranhas, AL. Detalhe: essa tropa está desfalcada. No ataque aos cangaceiros, no coito do Riacho Angico, a força tivera uma baixa. Morreu o soldado Adrião. Alguns autores citam que fora vítima de 'fogo amigo'.

Um pouco atrás do cangaceiro que vinha encher os cantis, vinha a ‘Rainha do Cangaço’, Maria Gomes de Oliveira, a Maria de Déa. Ela estava com uma vasilha na mão. Era uma ‘banda’ da embalagem de queijo do reino. Com certeza vinha para pegar água e, talvez lavar-se, ou levar água para a tenda onde tinha passado a noite.

Tolda do 'rei dos cangaceiros' entre as pedras do Riacho Angico.

Um instante após se ouvir o disparo que o soldado Abdon Cosme dos Santos disparou no cangaceiro Amoroso, sem dar tempo de Maria de Déa entender nem saber de onde partira, é atingida por um projétil disparado pelo soldado José Panta de Godoy, em seu abdômen, com o impacto em seu corpo cai no chão pedregoso do leito do riacho. Com muita dor, porém, o instinto de sobrevivência a faz esquecer-se da dor, ergue-se rapidamente e, virando-se, inicia uma ‘fuga’ em direção onde achava estar à salvação, sua tolda, onde estava seu companheiro, o cangaceiro Lampião, o “Rei dos Cangaceiros”. No entanto, ao virar-se, recebe outro balaço nas costas vinda da mesma arma do soldado Panta. Estatela-se de bruços por sobre os pedregulhos, e dessa vez não tem condições físicas de erguesse para continuar tentando salvar sua vida.

Soldados da tropa do aspirante Ferreira de Melo. Detalhe: Vemos o cabo Antônio Bertoldo, o soldado Santo e o soldado 'Noratinho'. faltando para nós a identificação do quarto soldado.

O soldado da tropa do Aspirante Ferreira de Melo, Antônio Honorato da Silva, por todos conhecido pela alcunha de ‘Noratinho’, após as mortes dos cangaceiros no leito do riacho Angico, não sabemos se por uma simples vaidade, por um momento de distração ou mesmo por mais uma mentira, pois, daquelas mortes e daquele ataque temos milhares de mentiras, tomou para si a morte do ‘Rei dos Cangaceiros’.

Neblina ao romper da aurora na Grota do Riacho Angico. - Foto Sálvio Siqueira

Vejamos o que diz o soldado sobre quem matou Lampião:

“Eu e mais cinco soldados teríamos que ultrapassar a gruta para dar início ao ataque. Quando encontramos um local propício à escalada, subimos ao alto e logo avistei, à frente de uma barraca, um sujeito alto, trazendo uma faca presa no peitoral e, em volta dos ombros, um laço (lenço), à moda sertaneja. Não tive dúvidas: apontei meu mosquetão e varei o tipo com uma bala. A esse primeiro tiro, sucederam outros, de fogo cruzado. Depois vi uma mulher correndo de um lado para outro, até que se debruçou sobre o corpo, indiferente às balas que silvavam de todos os lados. Parecia desesperada. Mirei e fiz fogo: ela tombou mais adiante. Era Maria Bonita a bela mulher do bandoleiro.” (Revista Edição Extra – 1962)

Noratinho passou muito tempo contando como teria dado fim ao ‘Rei do Cangaço’ e sua ‘Rainha’. Confrontando os depoimentos de sobreviventes que sofreram o ataque, e daqueles que também fizeram parte do ataque, principalmente da tropa do Aspirante Ferreira de Melo, pois foi essa tropa quem matou os cangaceiros, essa versão não encaixa. Todos citam como sendo os três primeiros disparos, o primeiro do soldado Abdon no cangaceiro Amoroso, o qual erra, e os outros dois, disparados por Panta de Godoy, justamente na companheira de Lampião. Após esses disparos, o mundo se fechou e a tropa atirou muito. Como o chefe Lampião, o restante dos cangaceiros não faz nenhuma resistência. Ninguém do bando contra-ataca.

O soldado Antônio Honorato da Silva, o 'Noratinho', mostrando sua arma ao jornalista Melchiades da Rocha.

Pode até ter saído da boca do mosquetão do soldado ‘Noratinho’ a bala que atingiu Lampião, mas, sem ser como ele contou. Assim como, pode ter saído da arma de qualquer outro da tropa do Aspirante Ferreira de Melo. Como ninguém se atreveu, ‘Noratinho’ toma para si a autoria de ser o homem que matou Virgolino Ferreira, levando para o túmulo essa versão quando fora assassinado. 

Hoje, com as novas pesquisas, fica mais que esclarecido que não fora como ele narrou ter sido.

Zé Sereno com seu grupo, ou subgrupo, como queiram, que estava acampado na parte alta, em cima da barreira, distando uns sessenta metros de onde se encontrava a tolda de Lampião, e daqueles que estavam acampados dentro da grota, essa distância é no sentido diagonal, pois se tirarmos uma ponto reto, traçando uma linha reta, para cima da barreira, e daí outra linha para onde estavam Sereno e seus ‘cabras’, essa distância diminui, se arranca, a muito, contrário à direção tomada pela volante, no sentido contra a correnteza do riacho, ou seja, na direção sul, contrário a margem direta do “Velho Chico”.

O Aspirante Ferreira de Melo, em entrevista ao Jornal Gazeta de Alagoas, em 1965, falando ao jornalista sobre a morte do “Capitão Lampião”, disse:

Um delegado, um jornalista, Pedro de Cândido e Durval seu irmão, mais outras pessoa e soldados na Grota do Riacho Angico, próximos a um corpo sem cabeça, no chão pedregoso. Citam alguns autores que esse é o corpo de Maria de Déa, a Maria Bonita, 'rainha dos cangaceiros'. Detalhe: tem uma pessoa que está com um balde nas mãos. Provavelmente este recipiente foi para transportar a cal para ser colocada sobre os corpos que já estavam em estado de putrefação.

“Lampião já estava de pé e recebeu apenas uma bala, conforme eu já disse, cuja bala ninguém pode afirmar com segurança de que arma partiu. Na época, foi muito comentado que o projétil que atingiu o companheiro de Maria Bonita, teria partido da arma empunhada pelo cabo Honorato, conhecido por Noratinho. Todavia, ninguém poderia precisar, em meio ao fumaceiro, às apreensões e à balbúrdia do momento, que esse ou aquele policial tivesse atingido o nosso terrível adversário. O verdadeiro, no duro, é que foi a minha tropa que exterminou Lampião. Esta é a verdade.”

Cabeças dos cangaceiros, perfiladas. Provavelmente essa captura tenha sido em Pinhas - AL. Notemos as condições em que se encontram as cabeças, ou seja, sem nenhuma deterioração. Detalhe: na fileira de baixo, a última cabeça da direita, na captura, é tida como 'desconhecido'. no entanto, hoje, já sabe-se que trata-se do cangaceiro 'Luiz de Thereza'.

No pandemônio que tomou conta do acampamento, um soldado vai seguindo os companheiros e de repente ver um cangaceiro contorcendo-se pelo chão. Esse soldado aponta sua arma e atira, acertando a cabeça daquele cangaceiro que estava a ‘estrebuchar-se’ no pedregoso solo daquele riacho. Essa narração é feita pelo militar José Panta de Godoy.

A lua, vista da Grota do Riacho angico, no mesmo local onde estava a tolda do "rei dos cangaceiros". foto Sálvio Siqueira

“(...) Foi neste momento que o soldado José Panta de Godoy ao aproximar-se, embora sem saber a sua identidade e, parcialmente obstado pelo soldado Sebastião Vieira Sandes, o Santo, desferiu o tiro de misericórdia na cabeça de Lampião (...).” (“Lampião – Sua morte passada a limpo” – BASSETTI, José Sabino e MEGALE, Carlos César de Miranda. 1ª Edição. Janeiro 2011).

Multidão veio recepcionar a chegada do caminhão com a tropa, ou parte dela, à cidade alagoana de Santana do Ipanema, transportando os troféus funestos, as cabeças dos onze cangaceiros mortos na Grota do Riacho Angico.

Como o soldado Antônio Honorato da Silva, o ‘Noratinho’, muitos disseram suas mentiras, tanto aqueles que sobreviveram como aqueles que fizeram parte da tropa que atacou o coito no riacho da fazenda Forquilha. Mas, na medida do possível, vamos levando aos amigos as revelações das mentiras. Tanto dos ex cangaceiros, e ex cangaceiras, como dos ex volantes e comandantes destes. Porém, mesmo estando em busca, sabemos que não somos dono da verdade... Deixamos para os amigos tirarem suas conclusões.

Foto Sálvio Siqueira
A Noite

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AS MANDALAS E A ARTE DO CHAPÉU DE COURO

Por Geziel Moura

Recentemente, participei na qualidade de ouvinte, de palestra proferida na Universidade Federal do Pará, pelo Prof.Dr. Amilcar Martins, pesquisador da Universidade Aberta de Lisboa, e especialista em "Mandalas", assunto que foi tema principal de sua conferência. No final da fala do professor, mostrei a ele, algumas imagens dos florais que ornamentaram, as indumentárias dos cangaceiros, principalmente os chapéus, e perguntei se era possível considerar, tais elementos artísticos, como "Mandalas", no que de pronto me respondeu "Possui elementos de "Mandalas", mas não se caracterizam como elas".


Minha pergunta, não tinha como objetivo, encontrar pontos de semelhanças entre uma produção artística, proveniente da China e do Japão, para encontrar origem e/ou justificar aquelas que foram fabricadas pelos cangaceiros nordestino, tenho ciência, que o fenômeno do cangaço e suas formas estéticas, não segue uma continuidade de culturas, diferentes ou estranhas, daquelas que os próprios cangaceiros experimentaram e estavam inseridos, ou seja, a cultura nordestina, em última análise. Porém o que eu queria, com a pergunta, pensar pontos de "avizinhamentos", daquela cultura asiática com a cultura do cangaço, sem ter a pretensão, como disse anteriormente, de estabelecer condições, do aparecimento de uma, em função da outra, isto de fato, não existe.


As "Mandalas" assim como os símbolos florais dos cangaceiros, foram/são produzidos a partir de um circulo, e no interior deste aparecem a complexidade de diversas figuras geometricamente exatas, e há certo caráter de expressão artística e religiosa, no intuito de sua fabricação.


Temos, portanto, dois elementos a pensar sobre as "Mandalas" e os elementos florais dos cangaceiros: O primeiro é a presença do círculo, em ambas expressões artísticas, que para a cultura asiática significa, concentração de energia e a segunda são as formas geométricas dentro daquele círculo, sendo que na arte dos cangaceiros, tais figuras são mais simples, que nas "Mandalas".


O pesquisador Frederico Pernambucano de Mello que grande contribuição deu para a historiografia do cangaço e a arte dos cangaceiros, manifestou em seu livro "Estrelas de Couros : A Estética do Cangaço, que os símbolos estilizados, nos equipamentos dos cangaceiros, tinham funções ornamentais e principalmente espirituais, que ajudavam na proteção, daí serem colocados na parte frontal e traseira do chapéu, defendendo os males que vem pela frente e pela retaguarda.


Parece-me razoável pensar, que tais símbolos, sempre existiram no cotidiano dos sertanejos, surgem nas fachadas das igrejas, casas e cemitérios, a novidade é que tais símbolos, deixaram a arquitetura e passaram a compor o vestuário do cangaceiro, produzindo a estética do cangaço e do nordeste.

Fotos: Estrela de Couro: A Estética do Cangaço
Fotos: Geziel Moura

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