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terça-feira, 11 de outubro de 2016

(PROPEG) C O N V I T E - IV SEMANA DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO DA UERN


À Comunidade Uerniana

C O N V I T E

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPEG), realizará a IV SEMANA DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO DA UERN (IV SCTI UERN) que acontecerá no Campus Central da UERN, no período de 18 a 21 de outubro de 2016, na cidade de Mossoró/RN. O tema desta edição será Ciência alimentando o Brasil , em consonância com a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no qual possibilitaremos espaços constantes de reflexão dessa importante temática a fim de discutir o papel da ciência para a melhoria da qualidade da alimentação e do padrão de renda daqueles envolvidos com o agronegócio. A IV SCTI UERN articulará atividades de pesquisa, pós-graduação e inovação, em parceria com o ensino básico, contribuindo para socializar experiências e discussões sobre ciência, tecnologia e inovação.

SOLENIDADE DE ABERTURA
Local: Auditório da FAFIC
Horário: 19h00

Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação - PROPEG
propeg@uern.br
(84) 3315-2176

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

http://blogdomendesemend.blogspot.com

UMA ÓTIMA PEDIDA – CURSO DE CANGAÇO NA BAHIA


Ministrado pelo Geólogo e Historiador Rubens Antonio Filho - 12 e 13 de Novembro, de 8h às 17h.

Local – FTC – Faculdade de Tecnologia e Ciências, Feira de Santana, Rua Artêmia Pires Freitas, SIM, Feira de Santana – Bahia.

APRESENTAÇÃO

O Cangaço foi um movimento que agitou o Nordeste, com reflexos que se estenderam desde então. Muito daquilo que é verdadeiro, que é fato, está, atualmente, deturpado, obscurecido por camadas e camadas de recontares, lendas, especulações, facciosidades.

O conhecimento dos principais eventos a ele relacionados, porém, é ainda muito limitado. Por isso, neste curso será trabalhado o sabido e documentado de eventos como combates, abrangências, disposições várias que constituem, muitas vezes, pontos-de-partida para o verdadeiro entendimento enquanto fenômeno histórico.

Lampião, Maria Bonita e seus cangaceiros.

Atualmente, a Bahia …dispõe de um acervo muito significativo, referente ao Cangaço, fenômeno histórico mais atuante em nossos terrenos entre 1928 e 1940. São desde matérias, livros, até elementos físicos utilizados pelas personagens deste evento. Distribui-se tal patrimônio por unidades distintas, geralmente públicas, como bibliotecas e arquivos. Não é, porém, irrelevante o material disperso em acervos privados.

Uma porção expressiva é representada por fotografias. Todas estas, sendo em tons de cinza, apresentam níveis variados de qualidade e preservação. Este problema pode ser minorado, quando não ultrapassado, através de trabalho que integre técnica informática e artística.

O fenômeno do Cangaço é produto de um longo traço histórico dos nossos sertões. Uma vez desenvolvido, guarda extrema relação como consequência de um encadeamento alongado de eventos. Está, portanto, plenamente vinculado ao processo histórico.

A volante do tenente Zé de Rufino.

Mais ainda. Não se encerra em si o processo. Segue adiante, resultando em efeitos na atualidade. Neste contexto, se não se entende o Cangaço, perde-se ótica tanto do seu pré quanto do seu pós. Além, sua significação envereda por espaços artístico-culturais, nos quais não se resume a repetições ou arremedos. Varia e deriva em ramas em profusão incontável, passando por artesanato, vestes, adornos, decorações, ornamentos, música, poesia, literatura de cordel, aspectos linguísticos diversos, mitos, etc.

Vale salientar que durante o evento será apresentada, em um telão, além de cópias impressas, a exposição Pepitas de Fogo: O Cangaço e seu tempo colorizados. A partir de um acervo fotográfico abundante, a proposta de resgate de cores originais tomou por base dois modos referenciais. Um de cunho histórico, associando o rico material fotográfico disponível a peças preservadas da época, acompanhados de uma densa pesquisa que abarcou perto de 5 mil matérias de jornal da época, relatórios, testemunhos. Outro de cunho técnico informático, com atuação centrada nos programas Adobe Photoshop e Adobe Creative Suite. Com tais recursos, chegou-se ao tratamento de mais de 60 imagens. O material a ser exposto consta de 40 a 50 imagens colorizadas e retificadas relacionadas ao momento do cangaço. Refletem seu tempo de maneira ampla, sendo fruto de uma longa pesquisa de resgate das configurações e cores prováveis. Aparecem tanto aquela de cangaceiros, no seu dia-a-dia, quanto de aspectos de Salvador à época de evento.

PROGRAMAÇÃO - 12 de Novembro

Manhã – Lucas da Feira / Bando do Tará / Bando do Brejo do Burgo / Cauassus / Fronteiras com Piauí e Goiás / Convênios.

Tarde – 1924 a 1929: Cangaço em ascensão / Alvorada lampiônica / As primeiras notícias / O crescendo do temor / Reações pomposas e inúteis / A chegada efetiva / As primeiras sagas e tragédias / Perplexidades

13 de Novembro

Manhã – 1929 a 1932: Cangaço tonitruante / O apogeu do Cangaço na Bahia / A melhor percepção / Menos perdas / Subgrupos e domínios / Início do contra-ataque / Violência de lado a lado

Tarde – 1933 a 1940: Derrocada do Cangaço / Grandes perdas / Marcando passo / Às portas do fim / Lá, apaga-se o Lampeão – Cá, apaga-se o Corisco / Olhando para frente / Mitificação / Olhando para trás

PALESTRANTE: Rubens Antonio da Silva Filho

Possui graduação em Geologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1978-1982), em Licenciatura e Bacharelado em História pela Universidade Federal da Bahia (1995-1999), tendo cursado também Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia (1989-1993). Mestre em Geologia pela Universidade Federal da Bahia. E Servidor público, desde 1984, atuando como Geólogo do Museu Geológico do Estado da Bahia, vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, respondendo por questões relacionadas à Minerologia, à Geologia, à Paleontologia e às Histórias Geológica e da Mineração. Autor de livros e mapas, Ministra cursos relacionados a Geologia, História Geológica, Artes, História, com ênfase para o Cangaço, e urbanização de Salvador, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.

APOIO: FTC, Prefeitura Municipal de Feira de Santana, Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Instituto Histórico Geográfico de Feira de Santana e Quântica Eventos.

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros: 

https://tokdehistoria.com.br/2016/10/11/uma-otima-pedida-curso-de-cangaco-na-bahia/

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LAMPIÃO E O CORDÃO DE OURO DA BARONESA DE ÁGUA BRANCA

Por Raul Meneleu Mascarenhas

Quando Lampião estava regressando do assalto em Água Branca, onde invadiu e roubou algumas joias e da Baronesa Joanna Vieira de Sandes¹, entrou ele, de surpresa no pequeno povoado de Nazaré, em Pernambuco. Era a primeira vez que o fazia desde a sua saída para Alagoas em outubro de 1919. Os cangaceiros não molestaram ninguém pois vinham eufóricos pelos resultados obtidos no roubo de Água Branca.² 


Levaria a fama na vida e depois de morto, de ter efetuado um dos mais espetaculares roubos, quando invadiu o casarão que tive a oportunidade de conhecer e visitar, veja aqui imagens inéditas dessa visita, juntamente com minha esposa, por ocasião do Primeiro Encontro Cariri Cangaço nessa bonita e hospitaleira cidade.

Mas não é sobre essa visita que quero trazer o amigo leitor para as portas do Casarão da Água Branca, e nem sobre essa visita inesperada de Lampião à pequenina Nazaré, inclusive com uma crítica da autora à respeito da tolerância que os nazarenos, incluindo Manuel Flor, tiveram por conta dessa ocasião, pois o leitor poderá ler em meu artigo Os dois lados do cangaço: o pitoresco e o agressivo .

A atenção que quero lhes trazer é sobre uma entrevista que fiz, por ocasião dessa nossa visita ao Casarão do Barão de Água Branca, (imagens inéditas do interior da mansão) Joaquim Antonio de Siqueira Torres³. O herdeiro proprietário desse patrimônio da história aguabranquense, alagoana e brasileira, senhor Inácio Loiola, descendente do Barão de Água Branca, afirmou que Lampião não tinha levado o cordão de ouro mais famoso desse assalto, juntamente com o crucifixo.

Relatou-nos que Lampião levou a culpa, não da invasão e assalto que fez à Baronesa Joanna, que por certo lhe rendera frutos, quando invadiu sua mansão, mas  não de ter especificamente surrupiado tão valiosa joia, e que tal estava hoje nas mãos de uma pessoa que ele conhece. Por ocasião da invasão, tal cordão de ouro e medalhão, fora escondido por uma das pessoas cuidadora da idosa baronesa e que estava presente na ocasião do assalto, e que o escondera e tinha ficado com o mesmo, pondo a culpa no famigerado bandido.

Com essa declaração, o herdeiro do Barão de Água Branca faz uma colocação até hoje não levada em consideração pelos autores que focaram suas pesquisas nesse assalto. Até então, tudo que eu tinha lido, sempre mostrou Lampião como responsável pelo afano de tão famosa joia. 


Essa fotografia de Maria Bonita, com diversos cordões de ouro e medalhas, não apresenta tal crucifixo. O assalto ao casarão se deu em 1922 e depois de 8 anos, foi que Lampião conheceu Maria Bonita. Quase que impossível Lampião ou Maria ter esse crucifixo. Ponto para o descendente de Joaquim Antonio de Siqueira Torres, o Barão de Águia Branca.

O CASARÃO pede socorro 


Sua manutenção é urgente. Existe a Lei municipal nº 447/71 de 18 de abril de 2001,⁴ que dispõe sobre o Tombamento Municipal do Centro Histórico, Seus Entornos, Seus Monumentos Históricos e Ecológicos, publicada e registrada na Secretaria Municipal de Administração e Finanças da Prefeitura Municipal de Água Branca.

O Artigo 3º desta Lei diz que os bens do patrimônio público e particular situados nos limites da área tombada, ficam sujeitos, no pertinente a seu uso gozo, às normas que dispõe sua manutenção e preservação do patrimônio Histórico e Artístico estabelecidas nas legislações Estadual e Federal especificadas, bem como a preservação da Lei municipal nº 388/96 de 15 de agosto de 1996.

O artigo 4º desta lei diz que os Projetos de restauração e reforma de edificações considerados de valor histórico e artísticos, bem como os daqueles não classificados, observarão as diretrizes estabelecidas nesta Lei. Precisa-se aplicar a lei no que refere-se à manutenção e seus custos. Por não poderem mais sustentar a manutenção os proprietários estão vendendo o patrimônio por falta de ajuda para mante-lo.

ACERVO ESPALHADO

Encontramos muitas peças em leilões, e quantas mais foram vendidas, espalhando-se o acervo de móveis, prataria, louças, etc. 


Em 13 de dezembro de 2004 houve um leilão, da Casa Dutra Leilões, onde foi exposto o seguinte objeto que fazia parte do acervo do Barão de Águia Branca, Barão de Água Branca.

"Prato de porcelana sem marca, aba delimitada com friso azul entre filetes dourados; no centro da caldeira a legenda Barão de Água Branca sob coroa de Visconde em azul, pertencente a Joaquim Antônio Siqueira Torres; 23 cm de diâmetro. Apresenta fios de cabelo na aba. França, séc. XIX.

Reproduzido à página 234 do livro Louça da Aristocracia no Brasil, por Jenny Dreyfus."

Outra peça leiloada:

Barão de Água Branca

Prato de porcelana sem marca; borda com friso azul entre filete dourado; ao centro a legenda Barão de Água Branca sob coroa de Visconde, pertencente a Joaquim Antonio de Siqueira Torres; 18,5 cm de diâmetro. Apresenta bicado na borda. França, séc. XIX.

Reproduzido à página 234 do livro Louça da Aristocracia no Brasil por Jenny Dreyfus.


Quanto ao Crucifixo que pertenceu à baronesa de Água Branca, hoje encontra-se em coleção privada, fechado a sete chaves, escondido do público, assim como as demais peças históricas do Casarão da Água Branca.

Recentemente encontrei a seguinte notícia a respeito do crucifixo: "Em ouro maciço 22 quilates. Esta magnifica peça, segundo o Dr Orlins Santana de Oliveira Membro do Instituto Histórico da Bahia, Membro do Instituto Genealógico da Bahia, estava à venda em 2005 em Salvador. Foi vendido para fora do Estado por 12 mil reais. Um comerciante deve ter levado. Fiquei muito sentido pela perda do acervo do cangaço. Na época não tinha recursos para adquirir o mesmo. Salvador era o local mais perto para as volantes revenderem os achados. E tudo vinha pela via ferroviária." - Hoje faz parte de uma coleção particular conforme livro "Estrelas de Couro" de Frederico Pernambucano de Mello.

Vejam Sítio Histórico de Água Branca será tombado pelo patrimônio estadua


1 - Joanna Vieira de Sandes, 1ª Baronesa de Água Branca
Data de nascimento: 30 Dezembro 1830
Local de nascimento: Água Branca, AL, Brasil
Falecimento: 27 Dezembro 1923
Família imediata:
Filha de Antonio Vieira de Sandes e Luiza Vieira de Sandes
Esposa de Joaquim Antonio de Siqueira Torres, Barão de Água Branca.

2 - O Canto do Acauã pg 155 2ª Edição.


3 - Joaquim Antonio de Siqueira Torres, Barão de Água Branca
Data de nascimento: 08 de dezembro de 1808
Local de nascimento: Pesqueira, PE, Brasil 

Falecimento: 29 de janeiro de 1878 
Filho do capitão Teotônio Vitoriano Torres e de Gertrudes Maria da Trindade.

4 - Página da Prefeitura de Água Branca.

http://meneleu.blogspot.com.br/2016/10/lampiao-e-o-cordao-de-ouro-da-baronesa.html

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LAMPIÃO E O CORDÃO DE OURO DA BARONESA DE ÁGUA BRANCA

Por Raul Meneleu Mascarenhas

Quando Lampião estava regressando do assalto em Água Branca, onde invadiu e roubou algumas joias e da Baronesa Joanna Vieira de Sandes¹, entrou ele, de surpresa no pequeno povoado de Nazaré, em Pernambuco. Era a primeira vez que o fazia desde a sua saída para Alagoas em outubro de 1919. Os cangaceiros não molestaram ninguém pois vinham eufóricos pelos resultados obtidos no roubo de Água Branca.² 



Levaria a fama na vida e depois de morto, de ter efetuado um dos mais espetaculares roubos, quando invadiu o casarão que tive a oportunidade de conhecer e visitar, veja aqui imagens inéditas dessa visita, juntamente com minha esposa, por ocasião do Primeiro Encontro Cariri Cangaço nessa bonita e hospitaleira cidade.

Mas não é sobre essa visita que quero trazer o amigo leitor para as portas do Casarão da Água Branca, e nem sobre essa visita inesperada de Lampião à pequenina Nazaré, inclusive com uma crítica da autora à respeito da tolerância que os nazarenos, incluindo Manuel Flor, tiveram por conta dessa ocasião, pois o leitor poderá ler em meu artigo Os dois lados do cangaço: o pitoresco e o agressivo .

A atenção que quero lhes trazer é sobre uma entrevista que fiz, por ocasião dessa nossa visita ao Casarão do Barão de Água Branca, (imagens inéditas do interior da mansão) Joaquim Antonio de Siqueira Torres³. O herdeiro proprietário desse patrimônio da história aguabranquense, alagoana e brasileira, senhor Inácio Loiola, descendente do Barão de Água Branca, afirmou que Lampião não tinha levado o cordão de ouro mais famoso desse assalto, juntamente com o crucifixo.

Relatou-nos que Lampião levou a culpa, não da invasão e assalto que fez à Baronesa Joanna, que por certo lhe rendera frutos, quando invadiu sua mansão, mas  não de ter especificamente surrupiado tão valiosa joia, e que tal estava hoje nas mãos de uma pessoa que ele conhece. Por ocasião da invasão, tal cordão de ouro e medalhão, fora escondido por uma das pessoas cuidadora da idosa baronesa e que estava presente na ocasião do assalto, e que o escondera e tinha ficado com o mesmo, pondo a culpa no famigerado bandido.


Com essa declaração, o herdeiro do Barão de Água Branca faz uma colocação até hoje não levada em consideração pelos autores que focaram suas pesquisas nesse assalto. Até então, tudo que eu tinha lido, sempre mostrou Lampião como responsável pelo afano de tão famosa joia. 


Essa fotografia de Maria Bonita, com diversos cordões de ouro e medalhas, não apresenta tal crucifixo. O assalto ao casarão se deu em 1922 e depois de 8 anos, foi que Lampião conheceu Maria Bonita. Quase que impossível Lampião ou Maria ter esse crucifixo. Ponto para o descendente de Joaquim Antonio de Siqueira Torres, o Barão de Águia Branca.

O CASARÃO pede socorro 


Sua manutenção é urgente. Existe a Lei municipal nº 447/71 de 18 de abril de 2001,⁴ que dispõe sobre o Tombamento Municipal do Centro Histórico, Seus Entornos, Seus Monumentos Históricos e Ecológicos, publicada e registrada na Secretaria Municipal de Administração e Finanças da Prefeitura Municipal de Água Branca.

O Artigo 3º desta Lei diz que os bens do patrimônio público e particular situados nos limites da área tombada, ficam sujeitos, no pertinente a seu uso gozo, às normas que dispõe sua manutenção e preservação do patrimônio Histórico e Artístico estabelecidas nas legislações Estadual e Federal especificadas, bem como a preservação da Lei municipal nº 388/96 de 15 de agosto de 1996.

O artigo 4º desta lei diz que os Projetos de restauração e reforma de edificações considerados de valor histórico e artísticos, bem como os daqueles não classificados, observarão as diretrizes estabelecidas nesta Lei. Precisa-se aplicar a lei no que refere-se à manutenção e seus custos. Por não poderem mais sustentar a manutenção os proprietários estão vendendo o patrimônio por falta de ajuda para mante-lo.

ACERVO ESPALHADO

Encontramos muitas peças em leilões, e quantas mais foram vendidas, espalhando-se o acervo de móveis, prataria, louças, etc. 



Em 13 de dezembro de 2004 houve um leilão, da Casa Dutra Leilões, onde foi exposto o seguinte objeto que fazia parte do acervo do Barão de Águia Branca, Barão de Água Branca.

"Prato de porcelana sem marca, aba delimitada com friso azul entre filetes dourados; no centro da caldeira a legenda Barão de Água Branca sob coroa de Visconde em azul, pertencente a Joaquim Antônio Siqueira Torres; 23 cm de diâmetro. Apresenta fios de cabelo na aba. França, séc. XIX. 


Reproduzido à página 234 do livro Louça da Aristocracia no Brasil, por Jenny Dreyfus."

Outra peça leiloada:

Barão de Água Branca

Prato de porcelana sem marca; borda com friso azul entre filete dourado; ao centro a legenda Barão de Água Branca sob coroa de Visconde, pertencente a Joaquim Antonio de Siqueira Torres; 18,5 cm de diâmetro. Apresenta bicado na borda. França, séc. XIX.

Reproduzido à página 234 do livro Louça da Aristocracia no Brasil por Jenny Dreyfus.



Quanto ao Crucifixo que pertenceu à baronesa de Água Branca, hoje encontra-se em coleção privada, fechado a sete chaves, escondido do público, assim como as demais peças históricas do Casarão da Água Branca.

Recentemente encontrei a seguinte notícia a respeito do crucifixo: "Em ouro maciço 22 quilates. Esta magnifica peça, segundo o Dr Orlins Santana de Oliveira Membro do Instituto Histórico da Bahia, Membro do Instituto Genealógico da Bahia, estava à venda em 2005 em Salvador. Foi vendido para fora do Estado por 12 mil reais. Um comerciante deve ter levado. Fiquei muito sentido pela perda do acervo do cangaço. Na época não tinha recursos para adquirir o mesmo. Salvador era o local mais perto para as volantes revenderem os achados. E tudo vinha pela via ferroviária." - Hoje faz parte de uma coleção particular conforme livro "Estrelas de Couro" de Frederico Pernambucano de Mello.





1 - Joanna Vieira de Sandes, 1ª Baronesa de Água Branca
Data de nascimento: 30 Dezembro 1830
Local de nascimento: Água Branca, AL, Brasil
Falecimento: 27 Dezembro 1923
Família imediata:
Filha de Antonio Vieira de Sandes e Luiza Vieira de Sandes
Esposa de Joaquim Antonio de Siqueira Torres, Barão de Água Branca.

2 - O Canto do Acauã pg 155 2ª Edição.


3 - Joaquim Antonio de Siqueira Torres, Barão de Água Branca
Data de nascimento: 08 de dezembro de 1808
Local de nascimento: Pesqueira, PE, Brasil 

Falecimento: 29 de janeiro de 1878 
Filho do capitão Teotônio Vitoriano Torres e de Gertrudes Maria da Trindade.

4 - Página da Prefeitura de Água Branca.

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ANTÔNIO CORRÊA SOBRINHO E O LIVRO “O FIM DE VIRGULINO LAMPIÃO – O QUE DISSERAM OS JORNAIS SERGIPANOS” DE SUA AUTORIA.


O livro traz inúmeras matérias de jornais sobre a morte de Lampião que foram manchetes nos principais jornais sergipanos. Um livro/documento que não pode faltar na coleção dos estudiosos e apreciadores da história do cangaço.

Quem desejar adquirir o trabalho do escritor e pesquisador Antônio Corrêa Sobrinho, basta entrar em contato diretamente com o autor através do e-mail tonisobrinho@uol.com.br

O Livro custa apenas R$ 30,00 (Trinta Reais) com frete incluso.

Geraldo Antônio de Souza Júnior 

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O SILÊNCIO E OS TROVÕES (A SINA DO ESCRITOR)

*Rangel Alves da Costa

Há um martírio em Clarice Lispector que não quero ter. É como se eu ainda avistasse seu olhar tristonho, melancólico, angustiado. Um cigarro à mão, um olhar perdido na vidraça adiante, e aqueles silenciosos gritos em cada linha, em cada escrito, em cada livro. Ninguém foi mais introspectiva, intimista e dolorosamente verdadeira que Clarice, por isso não quero ter o seu martírio a me acompanhar.

Há um fanatismo apaixonado em Florbela Espanca que não quero ter. Seu amor tão real como destrutivo, sua expressividade tão vívida quanto deprimida, sua revelação tão absolutamente desnuda como dolorosa, faz-me fugir de uma poesia assim, tanto mais dor que o próprio amor. Também não consigo fugir da imagem nevoenta de um soturno botequim, de uma dose envenenada de paixão, e de um talvez tão errante quanto a desilusão. Por isso não quero ter sua paixão funesta a me acompanhar.

Há uma revelação angustiante em Franz Kafka que não quero ter. É como se eu tivesse que ser o outro, assim como um desprezível monstro, para fugir daquilo que realmente sou. Jamais conseguiria me desfazer de corpo e de forma, tornando-me aos poucos irracional e amedrontador, apenas por que a voracidade do mundo desqualifica minha existência ou me enxerga como um reles e asqueroso ser. Eu expressaria a dicotomia do mundo a este esmagando, e não deixando que os pés da sociedade me esmagassem. Por isso que não quero me revelar na angústia de Kafka.

Também não quero o mundo de cabeça pra baixo de Gabriel García Márquez, de Júlio Cortázar, de Juan Rulfo, de Alejo Carpentier ou de José J. Veiga. Não quero nada de fantástico nem de absurdo, bicho que fala ou acontecidos sem pé nem cabeça. Digam que eu estou maluco quando alguém disser que subi ao monte para voar com asas de gavião. Ou que eu dei de beber para matar a sede do rio, ou ainda que na madrugada eu estendo cadeira na varanda esperando alma penada para conversar.

Mas não posso negar que vivo entre silêncios e trovões, ainda que ninguém ouça sequer um estampido vindo lá de cima. Não por desejo meu, que se adiante. Vivo semeando silêncios e tudo fazendo para tê-los comigo a todo instante do dia. Silencio o silêncio, peço para não sussurrar, insisto na mais absoluta calada. E de repente o trovão. Um trovão sempre acompanhado de trovejares sem fim. Entrecortando o meu silêncio, cada trovão cai sobre a minha janela como uma bomba ensurdecedora.


E somente assim compreendo a inquietude da escrita. O escritor, por mais que deseje ser dono e preservar o silêncio, não pode fugir às tempestades retumbantes, verdadeiramente aterradoras. Eis que surgem os trovões para tremular sua escrita. Os personagens gritam, choram, se atormentam, angustiam, berram e bradam, enlouquecem, querem morrer de tédio. Mas de onde vêm tantos trovões que tornaram o silêncio assim tão tempestuoso? De dentro do próprio escritor, de sua alma, de seu íntimo, de seus mais escondidos.

Ora, o escritor é um ser atormentado em si mesmo. Por mais que sua escrita seja absurda ou irreal, ainda assim estará se espelhando em devaneios íntimos, desvelando fantasias que imagina possíveis ou mesmo utilizando de metáforas para revelar seus fantasmas. Nada é completamente fictício nada escrito. A cada linha se avista uma reminiscência, uma situação conhecida ou vivenciada. O livro afeiçoa-se, assim, a uma carta-revelação ou testemunho de um mundo entranhado.

E por que não dizer ser o escritor aquele que não se assume como um ser que está em todas as formas e características de seus personagens? Ao não assumir, cria metáforas de si mesmo que os outros geralmente acreditam serem imaginárias. A tristeza da bela Remédios de Cem Anos de Solidão era a mesma tristeza de García Márquez. E para amenizar a dor e trazer esperanças, borboletas sempre estavam voejando ao seu redor. Um mundo melhor em meios aos destinos angustiantes. Mas aqueles escritores que se assumem completamente nos seus escritos.

Nada na poesia de Florbela é estranho ao próprio íntimo da escritora. Nada da escrita de Clarice é estranho ao âmago da escritora. Nada do revelado por Kafka é estranho ao próprio Kafka. Eis que suas inspirações são verdadeiras respirações, ou mesmo reflexos intimistas transpostos aos textos, ou mesmo vômitos daquilo que não se consegue mais suportar como aflição e sofrimento.

Meu silêncio é constante, imperecível, eterno. Mas meus trovões sequer se importam com minha calma e placidez. Tenho o silêncio ao redor e dentro de mim, mas também o barulho por todo lugar. Tenho memórias, saudades, recordações, revivencio coisas que já não deviam existir. E tudo dói, martiriza, angustia. E do silêncio nasce o trovão. E o que escrevo também emerge cheio de ribombos, relâmpagos, estampidos de dor. Assim também com os demais escritores, bem sei.

Eu não queria o martírio de Clarice, o fanatismo apaixonado de Florbela nem a revelação angustiante de Kafka. Mas não tenho querer. Sou ser humano e escritor.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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O CANGAÇO NA PARAÍBA

Por Professor Josias

A sociedade é constituída pelos homens e para os homens. Todos devem participar de seus benefícios e de seus encargos: é o princípio da igualdade perante a lei. E é por desrespeito à lei, ligado aos problemas sociais, que surgem os maiores conflitos. A história registra, em passado não muito distante a atuação de milhares de bandoleiros nos sertões do Nordeste. Poucos, entretanto, chegaram a ser famosos. O Nordeste viveu longos anos de agitação, pelas lutas sangrentas entre soldados (chamados de macacos) e cangaceiros.

Ao contrário do que teve muitos cangaceiros, sobressaindo-se apenas dois: Chico Pereira e Osório Olímpio de Queiroga, coincidentemente nascidos na região de Pombal. Como ninguém nasce cangaceiro, os dois entraram no cangaço para vingar a morte dos seus pais. O primeiro foi assassinado pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte, no município de Acari. E o segundo, absorvido na comarca de Pombal, ingressou na PM da Paraíba, tornando-se um oficial respeitado, sensato e equilibrado, reformando-se no posto de coronel.

Ao contrário do que muitos pensam, Manoel Batista de Morais, o Antônio Silvino, não era paraibano. Nasceu em Afogados de Ingazeiras, em Pernambuco. Viveu muitos anos na Paraíba, morrendo aos 69 anos na cidade de Campina Grande, no dia 9 de outubro de 1944, ainda certo do grande trabalho prestado à comunidade sertaneja, pois ainda ninguém conseguia convencê-lo ao contrário, como afirma o jornalista e escritor Barroso Pontes, autor de quatro livros que tratam do cangaceirismo no Nordeste.

No verão 1914, Antônio Silvino invadiu a cidade de Mogeiro, na Paraíba. A cerca assolava terrível e levas de flagelados exibiam a sua miséria pelas estradas ressequidas. Silvino, ao apossa-se da cidade, não cometeu nenhuma violência contra pessoas físicas, mais apoderou-se dos gêneros alimentícios estocados e depois seria preso, quando ferido em combate com a força do então major Teófanes Torres (da Polícia Militar de Pernambuco) numa fazenda do distrito de Frei Miguelino, município de Vertentes onde costumava se acoitar. De fatos como aquele, acontecido na cidade de Mogeiro recheia a história de Antônio Silvino e a sua fama ainda hoje corre pelo mundo.

Antônio Silvino, Jesuíno Alves de Melo Calado, vulgo Jesuíno Brilhante e Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião, que tiveram atuação na Paraíba, embora este último “não tenha levado boa vida”, em virtude da perseguição do comando militar chefiado pelo coronel Manoel Benício da Silva.

O escritor Barroso Pontes, por sua vez, informou, que Antônio Silvino foi posto em liberdade no dia 20 de fevereiro de 1937, tendo logo em seguida telegrafado ao ministro José Américo de Almeida: Solicito de Vossa Excelência um emprego federal pelos relevantes serviços que prestei ao Nordeste”.

Não se sabe se o emprego foi dado, embora alguns contém que sim.

A história registra que o privilégio do combate ao cangaço coube ao presidente João Pessoa. Se não conseguiu a extinção, é o responsável maior pelo início do combate, feito numa época “em que a transição política impunha novos métodos, sem menosprezar a ação dos autênticos líderes interioranos implantando costumes tanto compatíveis ao tempo, como inaceitável aos nossos dias.

É ponto pacífico que o mais temido bando de cangaceiros era o de Lampião, com atuação nos Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas, Sergipe e Bahia. Foi também o de maior duração, com vinte anos consecutivos de atuação. O segundo, com 16 anos, foi o de Antônio Silvino. Conta a história que Antônio Silvino tinha uma formação diferente de Virgolino Ferreira da Silva. Ao passar por uma localidade e observando irregularidades, por culpa de administradores, chamavam os responsáveis e mandava corrigi-las.

Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, foi tragicamente morto no dia 27 de julho de 1938, acredita-se, ainda hoje, que o coiteiro Pedro Cândido, que o traiu tenha se vendido a polícia. Pedro Cândido teria sido encarregado de introduzir, com o auxílio de uma agulha de injeção, um veneno letal nas garrafas de vinho destinadas a Lampião e seu bando. O trabalho foi feito com arte e não provocou nenhum dano as rolhas de cortiça dos vasilhames.

Jesuíno Brilhante, o primeiro dos três, foi tido e havido como o cangaceiro gentil-homem e bandoleiro romântico, morreu em 1879, no lugar Santo Antônio, entre Caraúbas e Campo Grande, no mesmo Estado onde nasceu.

Jesuíno foi o maior cangaceiro do século XIX, como afirmou o historiador cearense Gustavo Barroso, em seu livro Heróis e Bandidos. Era de família abastada, conservando-se fiel às tradições sertanejas, respeitando o alheio, acatando a honra das donzelas, primando pelo comprimento da palavra empenhada, sendo por isso considerado homem de caráter e sempre exaltado pelas populações sertanejas do seu tempo. As vezes que cometeu assaltos, fê-los no sentido de ajudar alguém, já que dedicava a melhor atenção a pobreza, tudo fazendo para prestar seu apoio aos necessitados.

Em relação a Jesuíno Brilhante, sabe-se ainda que invadiu, de madrugada, a cadeia pública de pombal, liberando seu irmão e os demais presos.

O imortal paraibano Assis Chateaubriand definia o fenômeno cangaceirismo como sinônimo de virilidade e coragem pessoal, pioneirismo, inovações, impetuosidades e decisões agressivas.

Dizem que cangaceiros autênticos, reais, o Nordeste só conheceu três: Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino e Virgolino Ferreira, o Lampião.

CANGACEIROS DA PARAÍBA

Para destacar os principais, que entraram no cangaço, não por vocação, mas por obrigação, que a própria época exigia, destacam-se Francisco Pereira e Osório Francisco Ferreira, ainda jovem, de família conceituada, por força do destino entrou no cangaço, para vingar a morte do pai, barbaramente assassinado. Seu pai era um homem pacato, fazendeiro honrado, que antes de morrer pronunciou as seguintes palavras: “Vingança não”.

Disse diante desse pronunciamento, à família, especialmente os filhos, ficaram num dilema, porque era determinação da própria sociedade, da época, a vingança. Mas resolveram atender o pai. O filho, Chico Pereira, procurou a Polícia, registrou a queixa e insistiu com o delegado para que fosse feita a prisão do assassino do pai, tendo a autoridade policial afirmado: “Chico, a gente solta uma vaca e para achá-la, não é fácil, imagine um criminoso perigoso, como este que matou teu pai”. Chico Pereira, desejando dar satisfação à família, pediu uma autorização ao delegado, por escrito. Logo depois encontrou o criminoso, dormindo. Com rara dignidade, mandou que o sujeito acordasse e o levou preso, para a Polícia. Volta para casa e a família ficou satisfeita com o episódio da prisão. Um dia depois o criminoso se encontrava em liberdade. Chico compreendeu que não havia justiça. Chico compreendeu que não havia justiça e se viu na contingência de fazê-la com as próprias mãos.

Na mesma região de Pombal, registrou-se outro caso, Osório um garoto de poucos meses de nascido, encontrava-se numa rede quando o pai chegou baleado, quando afirmou: “Este gatinho que está na rede vai vingar minha morte”. À medida que ia crescendo, Osório ouvia de outro: a determinação do pai. Ao completar 18 anos, recorreu a justiça da época, o rifle, e matou o assassino do pai e outros que cruzaram seu caminho. Osório Olímpio de Queiroga foi realmente um cangaceiro respeitado. Depois conseguiu absolvição, na comarca de Pombal, e ingressou na Polícia Militar da Paraíba, chegando a coronel e se conduzindo sempre como um militar digno e correto. O mesmo chegou a ser prefeito de Catolé do Rocha.

O problema do cangaceirismo e coronelismo vem, segundo consta, da Guerra Brasil-Paraguai, quando foi fortalecida a guarda nacional e, entre as pessoas recrutadas, eram dadas patentes.

Nos séculos passados, no entanto, a Paraíba teve inúmeros grupos de bandidos, que invadiam as cidades, saqueavam o comércio e matavam. As causas principais eram a seca e a fome. No ano de 1887, registraram-se invasões e violências. A polícia nada podia fazer para garantir a vida do cidadão e da propriedade alheia, sempre ameaçadas pelos bandidos. Os jornais da época denunciavam a insegurança nos sertões, sem que qualquer providência tivesse sido adotada para coibir o abuso.

José Américo de Almeida, no Livro A Paraíba e seus problemas, relacionou inúmeros grupos de bandidos que agiam impunemente no sertão. O grupo de Jesuíno Brilhante, com atuação no século passado, foi um exemplo. Ele residiu, por alguns anos, na localidade Boa Vista, próxima a Pombal, sem qualquer diligencia da polícia para capturá-lo. Foi dessa maneira que a miséria se juntou ao terror. Fazendeiros abastados, que poderiam resistir à crise, durante alguns meses, emigraram sem demora, temerosos de assaltos.

Em maio do mesmo ano, a cadeia de Campina Grande foi arrombada e muitos indivíduos implicados ao movimento do quebra-quilos fugiram. Dentro de mais algumas semanas, outros presidiários fugiram, entre os quais o famigerado Alexandre de Viveiros, chefe do levante de 1874. Ainda foi arrombada a cadeia de Mamanguape e, ao mesmo tempo muitos sentenciados caíram fora.

José Américo de Almeida conta, também, que, desta maneira, iam-se tornando mais terríveis as correrias com a aquisição de novos profissionais do crime da Paraíba e do Ceará. Ressalte-se a fraqueza das autoridades que permitiam que fossem engrossando os grupos, como o do Calangro, evadido da cadeia do Crato e cabeça dos 60 assalariados de Inocêncio Vermelho: o de Sebastião Pelado, inimigo dos primeiros: e dos irmãos Viriatos, formado de mais de 40 bandidos: e dos Mateus, entre outros. Um desses bandos assaltou duas propriedades em Alagoa Grande.

O senhor Gustavo Barroso, por exemplo, retrata o comportamento de Viriato, um dos principais cangaceiros da época: “O Viriato foi um dos cangaceiros mais célebres, mais rasteiros e mais tortuosos do Cariri. Era um miserável estabanado nos atos, com uma infinidade de predisposições redutíveis ao roubo, ao estupro e ao assassinato. Inventava torturas para as vítimas. Gostava mais de matar às facadas do que de fuzilar, dizia que era “mais barato”. Esse bandido obrigou um fazendeiro de São João do Cariri a casar-se com a irmã de seu compassa Veríssimo.

Foi assassinado, de emboscada, no lugar Riachão, o Dr. Vicente Ribeiro de Oliveira, quando voltava da Bahia para reassumir o Juizado de Direito da Comarca de Piancó. Esse crime foi atribuído aos cangaceiros.


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ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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GUARDEM NA MEMÓRIA!

Da esquerda para direita - Barra Nova, Neném do Ouro, Juriti e Gorgulho

Segundo o escritor Alcindo Alves Costa, em seu livro: "Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico", na noite em que a volante policial assassinou Mané Moreno, Áurea e Cravo Roxo, o cangaceiro Gorgulho foi baleado, mas conseguiu fugir e foi se tratar em casas de pessoas amigas.
  


Esta foto aparece legendada como sendo o que está ao meio é o cangaceiro Gorgulho, mas não é. É o cangaceiro Cravo Roxo, segundo escreveu em seu livro Alcino Alves Costa.

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A CANGACEIRA CATARINA


Nos tempos que se foram a vida não era nada promissora para os jovens sertanejos nos vários Estados que compõem o Nordeste do País. A coisa não era fácil para os homens, imaginem para as mulheres, naquela época?

A mulher sertaneja sempre era criada para trabalhar, servir ao marido em tudo. Nunca que podia ter seu próprio querer e viver sua vida. Até para estudar, como relatos nos mostra eram ‘proibido’ pelos pais para que não “ficassem sabidas”.

Toda proibição faz com que acometa, em um lado oculto da mente, no ser humano, de liberdade e sonhos... Assim ocorreu com várias mocinhas sertanejas. 

Viram elas, a liberdade, o direito de fazerem o que queriam tão cobiçadas na maneira dos cangaceiros viverem. Nômades, não prestando satisfações para quem quer que fosse. Esse sonho foi o motivo de várias delas seguirem na trilha sangrenta do cangaço.


Havia uma jovem chamada Catarina Maria da Conceição, filha do Sr. Arsênio José da Silva e dona Maria da Conceição, que foge do aconchego do lar de seus pais, para seguir uma paixão alucinante pelo jovem João Francisco da Silva, de alcunha, nas hastes cangaceiras, “Nevoeiro”.

Nevoeiro, quando ainda João Francisco da Silva, juntos com seus irmãos nasceram e viviam na fazenda Baixa Funda, hoje região do município de Paulo Afonso, BA. Quando, mais tarde, ele e os irmãos, Silvino e Martins, entram para o cangaço e passam a serem chamados pelas alcunhas de “Jurema” e “Pó-Corante”, respectivamente.

Talvez por que ‘lá’ já estavam suas primas Inacinha e Rosa, Catarina tenha tido coragem de seguir por esta ‘vereda’, do crime, do banditismo... do cangaço. Mas, para ela, do amor, da paixão e da liberdade.

Catarina se faz companheira do cangaceiro Nevoeiro e vivem, segundo relato de historiadores, um amor intenso.

“(...)Catarina e Nevoeiro viveram intensamente o amor que juraram um ao outro, foram bastante apaixonados (...).” (LAMPIÃO EM PAULO AFONSO” – LIMA, João De Sousa.)

Acreditamos que a cada parada, os casais cangaceiros se entregavam ardentes, pois tinham apenas instantes para isso, entre uma carreira e outra por dentro da caatinga.

Da esquerda para direita Jurema, Jureminha e Nevoeiro - Cortesia do amigo Sergio Dantas

Em uma dessas paradas, deu-se um tiroteio contra uma volante e o cangaceiro Nevoeiro é abatido. Deixando sua amada sozinha, sem seu amor, porém, um fruto estava a gerar-se em seu útero. Fruto de tão alucinada paixão.

Havia uma determinação nos grupos cangaceiros de que mulher não podia viver sem companheiro. Aquela que teimasse em seguir sozinha, após perder seu companheiro, era condenada a morte. Essa determinação era para que, se fossem pegas elas não revelassem aos perseguidores as localidades onde faziam seus acampamentos, coiteiros e fornecedores.

A barriga de Catarina começa a crescer, dificultando sua locomoção dentro do mato, nas inúmeras fugas que tinham que fazer. Pensando na criança em seu ventre, e na sentença de morte que poderia a qualquer momento ocorrer, ela dá uma escapada e entrega-se as autoridades.

“(...) A entrega aconteceu na fazenda Patamuté, em Macuraré, ao tenente Zé Soares (...)”.(Ob. Ct.)

Com toda certeza ela sabia que tiraria cadeia, após se entregar. Mas, estava pensando naquele ser que já se mexia bastante dentro dela. Porém, ao ver o avançado estado de gravidez, o oficial não permite que a mesma seja encarcerada. Aluga uma casa e a coloca para morar.

No meado de 1937 ela dá a luz a uma menina, a qual recebe o nome de Alzira Maria da Conceição.

Ao passarem sete dias de ‘resguardo’, Catarina é transferida para a cidade de Água Branca, nas Alagoas. Naquele Estado, na cidade de Água Branca, o tenente Zé Soares não tem poder. Ela, perdendo essa proteção é presa e perde a guarda da sua pequena filha. Alzira ficou aos cuidados da avó Libânia e de algumas irmãs de Catarina que tinham ido acompanhando-a até aquele novo Estado. Uma das irmãs, levava a pequenina Alzira para que sua mãe a alimentasse com o leite de seus seios.

“(...) Sabina era a irmã de Catarina, responsável de levar a criança todos os dias para ser alimentada através das grades da cadeia, um grande martírio para aquela mãe que pagava o preço de ter pertencido ao grupo que seguia o famigerado Lampião (...).” (Ob. Ct.)

Passa o restante do ano de 1937. Já em meados do ano de 1938, Lampião é abatido na grota do riacho Angico, em terras sergipanas. Segundo pesquisadores, mesmo estando ainda presa, a notícia entristece, mais ainda, a cangaceira Catarina, que outrora fora companheira do cangaceiro Nevoeiro.

Depois de alguns meses, após a morte do “Rei dos Cangaceiros”, Catarina é colocada em liberdade. Tendo sua filha, sua mãe e suas irmãs ao seu lado, a ex-cangaceira retorna à sua terra natal.

As perseguições aos cangaceiros continuam com muito afinco. Catarina tem notícias de que, mesmo aqueles que cumpriram pena por terem pertencido ao cangaço, estavam sendo mortos. Então toma os devidos cuidados, e um deles é alterar a data de seu nascimento.

“(...) Catarina fugiu para Paulo Afonso(BA), ocultando o seu passado e tentando ser esquecida. Para recomeçar uma nova vida, ela alterou em dez anos sua data de nascimento, passando de 10 de agosto de 1915 para 05 de julho de 1925 (...).” ( Ob. Ct.)

Depois de longos e árduos anos, Catarina recomeçou sua vida com outro companheiro. Casa-se com o Sr. Manoel Medrado da Silva, em 1º de julho de 1972. Casamento oficializado pelo Juíz de Direito Dr° Kleber Vaz Sampaio.


Catarina Maria da Conceição faleceu às 13:30 horas do dia 24 de fevereiro de 1993. Em sua residência, na avenida Joana Angélica, na cidade de Paulo Afonso, BA.

Fonte/foto LAMPIÂO EM PAULO AFONSO” – LIMA, João De Sousa. 


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