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sábado, 26 de novembro de 2016

A SEDE – SOCIEDADE ARTÍSTICA E OPERÁRIA BENEFICENTE.

Por Verneck Abrantes


A SEDE – Sociedade Artística e Operária Beneficente.

A primeira Biblioteca Pública de Pombal foi instalada na SEDE, quando José Benigno de Sousa – Seu Lelé, era seu presidente. Entre os livros que me lembro lá estavam os escritores: Dostoiévski, Máximo Gorki, Anatole France, Hermann Hesse, Simone de Beauvoir, Victo Hugo, Albert Camus, Eça de Queirós, Érico Veríssimo, Ignácio de Loyola Brandão, Jorge Amado, Rui Barbosa

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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A MORTE DAS ESTAÇÕES

Por Clerisvaldo B. Chagas, 25 de novembro de 2016 - Escritor Símbolo do Sertão Alagoano - Crônica 1.597

Morreu a esperança de quem partia, secaram as lágrimas de quem ficava. Desapareceu o romantismo ingênuo. Sumiu o longínquo apito do trem. As afirmações da laranja doce, o grito da tapioca quentinha fugiram com a fumaça do cavalo de ferro.

Estação Ferroviária de Lagoa da Canoa em 2014. (Divulgação).
     
A via férrea alagoana que tanto ajudou no progresso estadual teve início muito cedo e saiu marcando o norte e o vale do Paraíba do Meio. Levando e trazendo mercadorias, marcando territórios na vida das pujantes lavouras em terras férteis, descobria montes, fundava estações. De palmo em palmo, de cidade em cidade, a linha parecia representar um porvir de glórias e riquezas nas terras dos marechais. E a conquista dura chegava a Viçosa, Paulo Jacinto, Quebrangulo e finalmente descia o Planalto do Cristalino para degustar a pinha doce da Princesa Palmeira.
     
Enquanto a Sertão ansioso aguardava também o abraço do trem, o cavalo virava-se para o sul ganhando os tabuleiros rebaixados do Agreste, correndo cabeça abaixo rumo ao rio São Francisco. Resfolegante da longa viagem iniciada em Maceió, chega o trem às margens do Velho Chico apitando forte em Porto Real do Colégio.
     
E as pesquisas geográficas levantam-se aqui e choram ali diante do quadro atual das antigas, simpáticas, idílicas e fraternas cúmplices estações ferroviárias. Suspensas às viagens, ferrugens nas linhas, abandono nos prédios, refúgio de almas penadas. Poucas estações foram vistas com bons olhos pelas autoridades. Algumas, recuperadas e descaracterizadas transformaram-se em museus, bibliotecas... Residências. Outras, tangidas pela ignorância, o desprezo e a falta de coração, deixaram cair o teto, crescer o mato, abrigar formigas, cupins e fantasmas. 
    
O destino das nossas antigas estações ferroviárias, é semelhante ao destino das também nossas lagoas interiores cansadas de uma luta inglória contra a tendência aniquiladora do bicho homem. Pesquisador sério nos estados nordestinos não anda somente com máquina fotográfica e caderno de anotações. Mas também com lenço quilométrico, igual ao do pescoço de Lampião, pois a qualquer momento pode se deparar com cenários exigentes de fontes lacrimais. 
       

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HIPOCRISIAS

*Rangel Alves da Costa

Qual Olimpo o homem imagina habitar? Qual reino celestial está assegurado, desde já, ao ser? Qual deus, além de simples e mortal humano, o homem imagina ser? Ademais, a vida é curta, breve demais, para que a pessoa se suponha além de mero passageiro. E trocar a doce experiência de viver por ilusões doentias, acaba transformando a passagem em devaneio e dor, ainda que o sujeito se imagine poderoso o suficiente para a tudo vencer.

Mas tem gente que nunca aprende a viver ou finge não querer existir perante os bons ditames da existência. Sempre esquece que ao homem foi permitido existir para viver com fraternidade, amor, compreensão, compartilhamento. Coisas simples e que não deveriam ser renegadas por ninguém. Contudo, indaga-se: o que levar o ser humano a transgredir a si mesmo, forçando ser além daquilo que lhe foi permitido ser?

Na possível resposta, algumas enfermidades psicológicas, comportamentais, morais e éticas. Doenças da honra, da conduta, da atitude, do trato do convívio social. Muita gente há que não se possa dizer que em completo estado de degradação. E tudo por que tomada de egoísmos, vaidades, soberbas, desonestidades, arrogâncias, demagogias, hipocrisias. As hipocrisias, aliás, causam um surrealismo mortal ao ser humano: cria aparências que são como vermes que, invisivelmente, vão corroendo por dentro, devastando aos poucos todo veio aurífero que imagina ser.

Mas não há como fugir dessa triste realidade. O mundo está cheio de hipócritas. A cada passo e por todo lugar pessoas fingidas, dissimuladas, falsas, verdadeiros lobos em peles de cordeiros. Os fingimentos parecem servir como carapaças às abomináveis verdades escondidas. É próprio dos hipócritas se esconderem em máscaras e falsas aparências. Sempre medrosos, mentirosos, desleais, não têm coragem de enfrentar as verdades que se apresentam. Brilhos e luzes nos que vivem em sombras. 


Na hipocrisia, a máscara brilhosa e fétida. No hipócrita, a perfumada putrefação. Tantas qualidades em quem só tem defeitos. Tanto querer ser sem nada ser. E pessoas assim por todo lugar. Hipócrita que se arvora da fartura quando nem tem o pão. Hipócrita que vive se escondendo nas sombras do poder. Hipócrita que menospreza o outro sendo um igual. Hipócrita que canta vitória quando pagou pela glória. Hipócrita que estende a mão e se enoja por dentro. Hipócrita que abraça quando deseja pisar. Hipócrita que possui duas ou mais faces segundo a situação ou conveniência. 

Hipócrita que acha que a vida é só o momento presente. Hipócrita que nem olha para trás para não avistar o amigo que ontem o serviu. Hipócrita que muda de opinião segundo o interesse. Hipócrita quando o anel no dedo vale mais que o restante do ser. Hipócrita quando a roupa bonita limita o contato com o de roupa simples ou rasgada. Hipócrita que se arvora de tudo ser quando nada é. Hipócrita que mostra o prato cheio do outro, dizendo que é seu, quando o próprio continua vazio. Assim as hipocrisias. 

Assim os hipócritas. Conheço muita que é assim. A muitos, a riqueza se expressa no luxo, esquecendo que a verdadeira grandeza reflete através da alma. Eis o mundo de feras e labirintos, eis a vida onde os de bom coração só são acolhidos aos olhos do Senhor. A razão do Eclesiastes: Vaidade das vaidades, tudo vaidade... Não sabendo que o sol nasce e o sol se põe. O que é agora já não será. E ao pó hás de retornar!

Enquanto isso, o humilde possui a sua paz merecida, o seu viver honrado e o reconhecimento pelo homem de bem e aos olhos de Deus. Então, por que forjar um viver aparente quando a grandeza humana está nas qualidades do ser em si mesmo, envolvido em verdade e realidade? Pelas ilusões e fragilidades. Quanto mais fraco o homem mais ele se ampara em sombras inexistentes.

Escritor
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MODERNO, O ÁS DA CASTRAÇÃO.


A virilidade do sertanejo era a ‘assinatura’ dele, como homem, procriador, reprodutor nato das plagas do sertão. Impedir-lhe de reproduzir, era mais triste e cruel do que mata-lo. Ainda hoje, quando temos a vasectomia, que nada tem haver com castração, em muitos lugares, a maioria do sertanejo não aprova, ou melhor, não quer nem ouvir falar.

Família Ferreira em Juazeiro do Norte - CE. Essa captura foi realizada por Lauro Cabral em 1926. Identificação: em pé, da esquerda para direita - Zé Paulo (primo dos irmãos Ferreira), Venâncio Ferreira (tio deles), Sebastião Paulo (primo dos irmãos Ferreira), Ezequiel Ferreira, João Ferreira, Pedro Queiroz (cunhado casado com dona Mocinha), Francisco Paulo (primo dos irmãos Ferreira), Virgínio Fortunato da Silva (cunhado - casado com Angélica Ferreira da Silva) e Zé Dandão (agregado). Sentados, da esquerda para direita: Antônio Ferreira da Silva, Anália Ferreira, Joaninha 'Ferreira' (cunhada - casada com João Ferreira), Maria Ferreira de Queiroz (Dona Mocinha), Angélica Ferreira da Silva e Virgolino Ferreira da Silva.

Naquele tempo, não sabemos o real motivo, significado, do porque das castrações feitas em pobres roceiros pelos cangaceiros. No conceito social o ‘cabra’ estava lascado. A dor moral, de ser um castrado, talvez doesse muito mais do que ter sido submetido a tal ato, a base de faca peixeira, canivete ou navalha. Esse fato o desonrava mais do que qualquer outra coisa, e só notamos ser esse o motivo de tão perverso ato.

Em cada bando, ou subgrupo, de cangaceiros havia aqueles que se destacavam em suas ‘especialidades’ como sangrar, torturar, ferrar, castrar e etc... Como Gato, Zé Baiano, Mariano, Atividade e outros. Falaremos nessa matéria da história de um cangaceiro, onde não vemos destaque algum em grandes combates, no entanto, destaca-se como ‘o castrador do bando de Lampião’.

Virgínio Fortunato da Silva o cangaceiro Moderno

Virgínio Fortunato da Silva tido por alguns autores como sendo natural da cidade de Alexandria, RN, mas, essa citação carece de comprovações. Nasceu no ano de 1903. Casa-se com Angélica Ferreira da Silva, irmã dos cangaceiros “Esperança”, “Vassoura” e “Lampião”. Quando da morte dos sogros, Virgínio vai, junto aos cunhados e primos de Lampião, para cidade de Juazeiro do Norte, CE, onde estabelecem moradia. Segundo alguns escritores, sua esposa vai a óbito por motivos de problemas de parto ou mesmo de problemas no período puerpério, pós-parto. Quando a Carta Precatória é enviada pelas autoridades de Vila Bela, PE, para as autoridades cearenses, e a família tem que voltar debaixo de ordem, presa mesmo, para Pernambuco, e o sargento encarregado da escolta revela aos Ferreira um plano de os assassinarem, Virgínio e Ezequiel, irmão mais novo de Lampião, desgarram e entram no cangaço. Virgínio passa para história como o cangaceiro “Moderno” e Ezequiel, seu jovem cunhado, como o cangaceiro “Ponto Fino”.

Ezequiel Ferreira  futuro cangaceiro Ponto Fino

Moderno ganha a confiança total do “Rei dos Cangaceiros” e passa a ser a pessoa que vai buscar os valores que Lampião extorquia dos fazendeiros, coronéis e autoridades de pequenas cidades, Fazendas, Vilas e Povoados no sertão nordestino.

Moderno também se encarrega de que se alastre o terror entre os sertanejos, o medo toma conta da população quando se fala no bando de Lampião. Muito antes da divisão, propriamente dita do bando de cangaceiros em subgrupos, Virgolino deixa alguns cabras sob o comando do cunhado, e esse passa a agir no Moxotó pernambucano e Cariri paraibano.

Durvalina e Virgínio Fortunato da Silva

Certa feita, Moderno, estando no município de Buíque, PE, em Catimbáu, próximo ao Povoado de Morro Redondo, sequestra três cidadãos, “Firmino Cavalcante, Eurico Monteiro e Domingos Deletriei”, e exige quinze contos de réis. Os familiares não tinham como pagar, ou não quiseram, enviar uma quantia tão alta, então, o próprio cangaceiro manda segurarem um jovem de 22 anos, Manuel Luiz Bezerra, tira-lhe as calças, saca da ‘viana’ e arranca fora o saco escrotal do pobre rapaz.
“(...) a quantia de cinco contos de réis de cada um (dos três), não sendo atendido, prendeu o jovem Manuel Luis Bezerra, “Mané Lulú”, rapaz de 22 anos de idade e o castrou, em resposta ao negativo retorno do seu pedido (...).” (MORENO & DURVINHA - Sangue, Amor e Fuga no Cangaço” – LIMA, João De Sousa. 1ª edição. 2007)

Lampião e seu bando. Versão da foto estendida por Rubens Antônio. Identificando: em pé - da esquerda para direita: Mariano, Calais, Revoltoso ou Fortaleza, Mourão e Volta Seca. Sentados, da esquerda para direita: Lampião, Moderno, Zé Baiano, Arvoredo. Identificação sujeita a retificação. - Esta foto do bando de Lampião na fazenda Jaramataia, Joãozinho Caixeiro, foi colorizada digitalmente por nosso amigo, Professor Rubens Antonio.

O cunhado de Lampião continua sua senda aterrorizando a população rural entra Buíque e Rio Branco. Extorque, rouba, toma e assassina a população indefesa. Transpõe a divisa para o lado paraibano e chega ao município de Umbuzeiro, adentra e saqueia uma casa comercial da cidade. Faz dois jovens de reféns e passa a tortura-los com a ponta do punhal na altura do abdômen e em seus dorsos, costas. Na base do ferro, entrando, perfurando a carne, os cidadãos “Pedro de Alcântara Filho e Sebastião Sebas”, abrem o jogo, e falam que estavam indo em busca de socorro. São executados, assassinados a sangue frio, naquele momento.

Pedro Batatinha, mostrando não ter mais o saco escrotal.

Na fazenda Ribeirão, propriedade do Sr. Gedeão Hipólito Neves, Moderno mata mais duas pessoas, o dono e um senhor chamado Zé Lourenço. Assim prossegue o cangaceiro vaidoso aprontando das suas em terras paraibanas. Até dar de cara com a volante do nazareno Manuel Neto, nas terras da fazenda Fundão, travar um tiroteio e fugir sem deixar rastros. Voltando ao Estado do Leão do Norte, sequestra um cidadão e o faz de guia, obrigando-o a levar o pequeno grupo para terras alagoanas.

Moderno, lá pelos idos de 1930, já aos 27 anos de idade, viúvo, conhece Durvalina Gomes de Sá, na fazenda Arrasta-pé, propriedade do pai da moça e coito de Lampião, caindo de quatro por ela. Segundo vários escritores a moça, de apenas 15 anos, também se apaixona pelo cangaceiro. Formam assim, mais um casal de cangaceiros na caatinga sertaneja.

Pedro Batatinha mostrando a sua orelha costada

A companheira de Moderno, cangaceira “Durvinha”, como ficou conhecida, conta ao pesquisador/historiador João de Sousa Lima ter lembranças de uma castração que seu amado fizera em um rapaz apenas por ele não lhe ter respondido a uma pergunta, assim como, arrancado a língua de uma senhora por ela ter se assombrado com o terrível ato.

“(...)O cangaceiro aproximou-se, segurando o homem pelo colarinho (...)forçando ele a se ajoelhar. Outros cangaceiros juntaram-se ao chefe e extraíram o saco escrotal da vítima. Diante da situação, uma mulher gritou:

- Valei-me, minha Nossa Senhora!

Virgínio segurou a mulher, forçando ela abrir a boca e puxando a língua para fora. O órgão do palato foi cortado, deixando a senhora com a boca pastosa por grande quantidade de sangue (...).” (Ob. Ct.)

Essas e outras façanhas terríveis foram cometidas pelo cangaceiro Moderno. Moderno era, como seu cunhado o "Capitão Lampeão", chefe mor do cangaço, vaidosíssimo, então, manda colocar alguns dentes de ouro. 

Lampião o dono da "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia"

Contam alguns autores, que Moderno, em um confronto contra a volante do tenente Pompeu, fora atingido por um projétil em um dos joelhos. Desse ferimento, ou por esse ferimento, jorra grande quantidade de sangue. A hemorragia leva-o a óbito.

Particularmente, temos dúvidas dessa morte por apenas esse ferimento, já que sabemos de ex-cangaceiros mencionarem um ferimento na altura do tórax, causado por uma bala de mosquetão, tão grande que dava para ver alguns dos órgãos internos do famigerado facínora. Sabemos também que ao penetrar, a bala de fuzil faz certa ferida, no entanto, ao romper os tecidos e sair, o ferimento é várias vezes maior. Ficando uma centelha de dúvida, pois, quem relatou, cita ver o cangaceiro de frente, pela frente. Mas, talvez, esse seja mais um, dos vários mistérios que encontramos na longa saga das trilhas históricas do Fenômeno Social Cangaço.

Fonte MORENO & DURVINHA - Sangue, Amor e Fuga no Cangaço” – LIMA, João De Sousa. 1ª edição. 2007
Tokdehistória.com
Foto Ob. Ct.
Benjamin Abrahão
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Pinterest

PS// O registro fotográfico da vítima de castração é uma ilustração. Trata-se do Sr. Pedro Batatinha, que não fora castrado por Moderno, e sim pelo cangaceiro de alcunha “Cordão de Ouro”, no lugar chamado Lagoa dos Tamboris, em 1930. A vítima ainda tem sua orelha esquerda cortada pelo próprio Lampião.

Fonte Ranulfo Prata.

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NOVO LIVRO NA PRAÇA "O PATRIARCA: CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO, IOIÔ MAROTO".


O livro "O Patriarca: Crispim Pereira de Araújo, Ioiô Maroto" de Venício Feitosa Neves será lançado em no próximo dia 4 de setembro as 20h durante o Encontro da Família Pereira em Serra Talhada.

A obra traz um conteúdo bem fundamentado de Genealogia da família Pereira do Pajeú e parte da família Feitosa dos Inhamuns.

Mas vem também, recheado de informações de Cangaço, Coronelismo, História local dos municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, São Francisco, Bom Nome, entre outros) e a tão badalada rixa entre Pereira e Carvalho, no vale do Pajeú.

O livro tem 710 páginas. 
Você já pode adquirir este lançamento com o Professor Pereira ao preço de R$ 85,00 (com frete incluso) Contato: franpelima@bol.com.br 
fplima1956@gmail.com

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"OS JORNAIS CARIOCAS DO RIO DE JANEIRO E A MORTE DE LAMPIÃO."


Depois da morte de Lampião em 1938, o Jornal Carioca do Rio de Janeiro. "A noite" fez grande sensacional furo de reportagem exclusiva da época. Aqui eu cap cangaceiro, posto um pouco desses jornais da época.




 Fonte: facebook
Página: Cap. Cangaceiro

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HOMENAGEM AO GEÓGRAFO PROF. DR. JIONALDO PEREIRA DE OLIVEIRA


Ser humano extraordinário, simples, educado e dedicado que vem se notabilizando como um dos maiores geógrafos potiguares. 


Minha homenagem ao colega e amigo, nosso chefe do Departamento de Geografia do Campus Central da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Ramalho de Araújo Cardoso.

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A MORTE DE SERRA BRANCA, ELEONORA E AMEAÇA.

Por Geziel Moura

O acontecimento de Angico sempre foi polêmico, e nunca deixará de ser, até desqualificar o chefe da volante, que deu cabo a Lampião, virou enunciado, por alguns textos a que tive acesso, sendo que um desses enunciados, é que o coronel João Bezerra não merecia sair vitorioso nesta empreitada, pois não tinha currículo para isto, ou seja, era um "novato".

Deixando de lado, qualquer intuito de polemizar, sentimentos românticos e tentando ser o menos piegas possível, e ainda, utilizando os óculos da história, é possível flagrar, que no quesito "experiência", Bezerra não era nenhum infante.


Assim, Irei destacar três combates, antes de Angico, e resumir um, em que a volante de Bezerra, ou de seus comandados, estavam presentes: Em setembro de 1936, na Fazenda Picos, região de Pão de Açúcar (AL), com a prisão de Inacinha, companheira do cangaceiro Gato, e que ensejou, no dia seguinte, a Invasão de Piranhas (AL) pelo grupo de Corisco, Gato, Virgínio e Português, e culminou com a morte de Gato; Fevereiro de 1938 na Fazenda Retiro, Água Branca (AL), resultado, a morte de dois cangaceiros, Ricardo "Pontaria" e Catingueira.


O terceiro combate, de meu destaque, ocorreu também em Fevereiro de 1938, com o grupo de cangaceiros, chefiado por Serra Branca, segundo, a história, ocorreu assim: A volante de João Bezerra, neste momento, comandada pelo sargento Juvêncio, estava estacionada perto de espécie de cacimba, na região de Inhapi (AL), e desequipados, sem bornais, armas, cartucheiras etc.

Ao amanhecer, o volante Antônio Jacó (o mesmo que matou Luiz Pedro, em Angico) percebeu movimento de cachorro, na cacimba, pois a coleira do animal chamava atenção, por sua beleza, desconfiou que era de cangaceiros, e estava certo, era do grupo chefiado por Serra Branca que se aproximava do lugar, juntamente com sua companheira Eleonora e o cangaceiro Ameaça.

Ato continuo, os volantes se equiparam, como puderam e abriram fogo, Antônio Jacó quase sem roupa, correu atrás de Serra Branca, que era acompanhado por Eleonora, o primeiro que tombou foi o chefe, abatido pelo volante, Zé Baixinho que acompanhava, Antônio Jacó na correria, matou Eleonora, que já estava rendida. Ao voltar, à cacimba com as cabeças dos dois cangaceiros, a dupla de soldados encontraram, o resto da tropa, inclusive João Bezerra, e o soldado Cornélio com a cabeça decepada, de Ameaça, que havia matado, pouco antes.

A volante seguiu com as cabeças para o centro de operação contra o banditismo em Alagoas, isto é, Santana do Ipanema. Provável, lugar das fotos.

https://www.facebook.com/profile.php?id=100011331848533&fref=ts

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EXPEDITA FERREIRA FILHA DE LAMPIÃO E MARIA BONITA

Foto: revista O Cruzeiro, matéria "Lampião é Nosso Sangue", edição de 26 de setembro de 1953.

Esta é a Expedita Ferreira a filha de Virgolino Ferreira da Silva o rei do cangaço Lampião, e de Maria Gomes de Oliveira a rainha do cangaço Maria Bonita, ao lado do seu marido Manuel Messias, e de seu filho Dejair. Quando ela fez esta foto estava com 21 anos de idade.

Dona Expedita Ferreira reside na cidade de Aracaju, no Estado de Sergipe, e é a única filha reconhecida do casal de cangaceiros Lampião e Maria Bonita. 

Não se tem notícia de outra ou outro filho do casal, apesar que já apareceram pessoas se dizendo que eram filhos do casal, mas nada foi comprovado.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=889232554547621&set=gm.1683463625299475&type=3&theater

SAIBA MAIS SOBRE SUPOSTOS FILHOS DE LAMPIÃO

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1313707-5598,00-MORRE+EM+SP+O+IRMAO+DE+MARIA+BONITA+AOS+ANOS.html

http://lentescangaceiras.blogspot.com.br/2008/12/os-filhos-do-rei-do-cangao.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2012/09/joao-ferreira-da-silva-suposto-filho-de.html

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FIDEL CASTRO, EX-PRESIDENTE DE CUBA, MORRE AOS 90 ANOS

Do G1, em São Paulo

Anúncio foi feito pelo irmão Raúl; país declarou 9 dias de luto oficial. Líder da Revolução Cubana foi figura internacional polêmica por décadas.

O ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, morreu à 1h29 (hora de Brasília) deste sábado (26), aos 90 anos, na capital Havana. A informação foi divulgada pelo seu irmão Raúl Castro em pronunciamento na TV estatal cubana.

https://www.youtube.com/watch?v=MdWBp3_6PIM

"Com profunda dor compareço para informar ao nosso povo, aos amigos da nossa América e do mundo que hoje, 25 de novembro do 2016, às 22h29, faleceu o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz", disse Raúl Castro.

"Em cumprimento da vontade expressa do companheiro Fidel, seus restos serão cremados nas primeiras horas" deste sábado, prosseguiu o irmão.

Na segunda e na terça, a população da capital cubana poderá render homenagens a Fidel no Memorial Martí. Na própria terça, as cinzas de Fidel partem para a caravana de quatro dias pelo país. No dia 4 de dezembro, a cerimônia para enterrar as cinzas no cemitério Santa Ifigenia, em Santiago de Cuba, começa às 7h, pela hora local.
Figura controversa

Visto como um grande líder revolucionário por uns, e como ditador implacável por outros, Fidel foi saindo de cena progressivamente ao longo da última década, morando em lugar não divulgado e fazendo aparições esporádicas nos últimos anos.

As últimas imagens de Fidel Castro são do dia 15, quando recebeu em sua residência o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang. Antes, ele foi visto em um ato público foi no dia 13 de agosto, na comemoração de seu 90º aniversário. A festa reuniu mais de 100 mil pessoas. Na época, Fidel apresentou um semblante frágil, vestido com um moletom branco e acompanhado pelo seu irmão Raúl e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/11/morre-aos-90-anos-fidel-castro-ex-presidente-de-cuba-diz-tv.html

Biografia de Fidel Castro

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fidel_Castro

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A ROMARIA DA PENHA

Por José de Sousa Dantas e Daudeth Bandeira

Último domingo do mês
de novembro que acontece
A ROMARIA DA PENHA,
onde o povo comparece
segue a imagem da Santa,
faz promessa, reza e canta,
e honrosamente agradece.

O SANTUÁRIO DA PENHA
está bem localizado
onde o sol nasce mais cedo
no litoral do Estado,
um lugar maravilhoso,
sagrado e religioso,
pelo povo cultuado.

De onde estiver, viaje,
um destino certo, tenha,
dentre os locais preferidos,
para João Pessoa, venha,
no Seixas, no litoral,
no extremo oriental, 
conheça a PRAIA DA PENHA !

CORDEL de minha autoria com o poeta repentista Daudeth Bandeira, com 48 estrofes que preenchem importante lacuna de informações sobre a origem e a história do SANTUÁRIO DA PENHA no Estado da Paraíba, e o seu profundo significado para a fé popular.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Ramalho de Araújo Cardoso.

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BATALHA DA SERRA GRANDE - COMPLETA 90 ANOS

Por José João Sousa

Em 26 de novembro de 1926, ocorreu a Batalha da Serra Grande, a maior da história do cangaço. Dois dias antes do combate, Lampião tinha sequestrado Pedro Paulo Magalhães Dias, um inspetor da Standard Oil Company (ESSO). 

O fato aconteceu na estrada de Triunfo para Vila Bela (atual Serra Talhada). Pedro Paulo era natural da cidade de Sabará, em Minas Gerais, e, por isso, ficou conhecido como Mineiro. Lampião pedia vinte contos de réis para libertá-lo, o dinheiro deveria ser entregue na Fazenda Varzinha, localizada a 20 km de distância de Vila Bela e 5 km da Serra Grande.

Quando o bando chegou a Fazenda Varzinha, foi direto à residência de Silvino Liberalino, o qual tinha sido subdelegado de Vila Bela. Logo que viu a tropa, Silvino não percebeu que estava diante dos comandados de Lampião, pois, naquela época, as roupas dos cangaceiros eram iguais às da polícia. Então, saltou na calçada, com um rifle na mão, e fez a seguinte pergunta:

- É Lampião ou é Força?

O bando respondeu:

- É a Força Volante.

Silvino Liberalino se sentiu mais seguro e disse:

-Então podem entrar. Se fosse Lampião, ia comer bala.

Os cangaceiros entraram e pediram água para beber, quando Silvino colocou a mão no pote para retirar água, os cangaceiros o seguraram e se identificaram:

- Você está falando é com Lampião cabra. E o prenderam, e para comemorar, deram alguns tiros em frente da residência, ainda hoje, existem algumas marcas de balas nas portas da casa. Os bandoleiros, que já vinham com o refém, Pedro Paulo Magalhães Dias (o Mineiro), levaram também, Silvino Liberalino, os dois presenciaram a Batalha na Serra Grande.

A intenção do bando de Lampião na Fazenda Varzinha, além de receber o resgate, era uma vingança por um antigo assassinato, ocorrido na Serra Negra, no município de Floresta, cometido por José de Esperidião, que se mudara para Varzinha. O resgate foi levado por intermédio de Manuel Macário, homem da confiança do coronel Cornélio Soares, no entanto, já na Fazenda Varzinha, o portador foi flagrado pela força policial do sargento Manuel Neto, que lhe aplicou severas torturas e recolheu o dinheiro.

O bando seguiu em direção à casa de José de Esperidião, cuja esposa, Rosa Cariri de Lima, ao ver de longe, a multidão, avisou o marido, alertando-o para que se retirasse.

José de Esperidião perguntou:

- Quantas pessoas você acha que vêm?

Ela respondeu:

- Uns vintes homens.

Ele disse:

- Não corro com medo de vinte homens.

A mulher calculou muito mal, o quantitativo do bando era de aproximadamente, 70 cangaceiros.

José de Esperidião pegou seu rifle e dois bornais de balas e ficou entrincheirado no quarto. O tiroteio foi grande, de toda ribeira se ouvia o barulho das balas, após certo tempo de tiroteio, o bando resolveu colocar fogo na casa. Para tanto, retiraram toda madeira do curral, que ficava em frente da residência. Segundo o livro, o Canto do Acauã de Mariloudes Ferraz, na Varzinha o bando encurralou um rapaz que, sozinho, lutou até esgotar a munição.

No dia seguinte, foram retirar o corpo de José de Esperidião para fazer o sepultamento, não encontraram marcas de balas no corpo dele, portanto, chegou-se à conclusão de que a morte fora por asfixia provocada pela fumaça.

José Pereira Lima, conhecido por Cazuza, filho da vítima, com apenas sete dias de nascido, encontrava-se deitado em uma rede na sala, no momento do tiroteio. Foi baleado, ficando com uma marca no pé pelo resto de sua vida. Geralmente, quando ia comprar sapatos, adquiria dois pares, um par 41 e outro par 42, pois o pé defeituoso ficara menor. O bando seguiu viagem rumo às ribeiras do tamboril, ao chegar ao sítio Morada, hoje município de Calumbi, Lampião já estava ciente que a policia estava no seu encalço, portanto, ali mesmo, abasteceu o bando e pegou o rumo da Serra Grande.

O sequestro de Pedro Paulo Magalhães Dias e os fatos acontecidos na Fazenda Varzinha foram interpretados como sendo um desrespeito às autoridades, por terem ocorridos na comarca de Vila Bela, na época, a sede do comando militar de combate ao cangaço no interior de Pernambuco. Portanto, foi preparado um destacamento com aproximadamente 300 soldados, chefiados por seis comandantes de volantes, todos fortemente armados, inclusive com duas metralhadoras Hotchkiss, e muita munição, era um verdadeiro exército. Tudo inspirava confiança e dava a certeza da vitória.

Lampião estrategicamente com seus 70 cangaceiros, subiram a serra, e prepararam uma emboscada, em um local onde existem grandes pedras e fendas profundas, que lhe dava uma visão completa sobre o campo da batalha. O combate teve início antes das 9 horas da manhã e terminou ao anoitecer, a polícia mesmo com um quantitativo superior, e os soldados atacando corajosamente, não conseguiram vencer a resistência do capitão Virgulino Ferreira e seus comandados.

A localização dos cangaceiros era ótima, conforme disseram os policias. Segundo o cangaceiro Ventania, no local que Lampião estava, nem canhão tirava ele de lá, no entanto, a posição dos soldados era extremamente precária, entrincheiravam-se como podia, sem comando, sem tática, salve-se como puder. Arlindo Rocha recebeu um balaço no rosto que lhe fraturou o maxilar inferior, ainda no início do tiroteio, Manuel Neto foi baleado nas pernas, Luiz Careta de Triunfo faleceu com uma bala na cabeça, Euclides Flor recolocou ainda em combate as vísceras abdominais de Vicente Ferreira (Vicente Grande), atingido na altura do umbigo, o soldado Luiz José sofreu um ferimento na coxa.

Para provocar os policiais, o cangaceiro Genésio deu um aboio triste e sonoro, os soldados se sentiram encurralados como gado, Antônio Ferreira não se conteve e se expôs totalmente, gritando como vaqueiro: Ei, booooi... Nesse momento, o sargento Filadelfo Correia de Lima, deu-lhe uma rajada de metralhadora, a partir de então, a polícia acreditava que Antônio Ferreira tinha morrido no combate. Com a chuva de balas vindas de cima da serra, os soldados ficaram desesperados, portanto, aproveitavam a cobertura de fogo das metralhadoras para se debandar na caatinga, deixaram grande quantidade de armas, munições, cartucheiras, cantis, bornais, etc. Levavam apenas alguns companheiros feridos, quando podiam. Após a batalha, os cangaceiros recolheram 27 fuzis e mosquetões. A Batalha da Serra Grande é considerada a mais violenta da história do cangaço, segundo o historiador Frederico Bezerra Maciel, morreram 26 policias e 38 saíram feridos, no bando dos cangaceiros não houve registrado de morte.

Foram a Serra Grande verificar os fatos de perto, o Major Theophanes Torres comandante de Vila Bela, o juiz de direito Dr. Augusto de Santa Cruz e o promotor de Salgueiro. Antes do regresso para Vila Bela, o Tenente Higino ainda providenciou o sepultamento de sete corpos em uma única cova, no rancho de Pedro Rodrigues (proprietário local).

Tomaram parte na batalha os seguintes cangaceiros: Luiz Pedro, Maquinista, Jurema, Bom Devera, Zabelê, Colchete, Vinte e Dois, Lua Branca, Relâmpago, Pinga Fogo, Sabiá, Bentevi, Chumbinho, Ás de Ouro, Candeeiro, e seu irmão Vareda, Barra Nova, Serra do Mar, Rio Preto, Moreno, Euclides, Pai Velho, Mergulhão, Coqueiro, Quixadá, Cajueiro, Cocada, Beija-Flor e seu irmão Cacheado, Jatobá, Pinhão, Mormaço, Ezequiel e seu irmão Sabino, Jararaca, Gato, Ventania, Romeiro, Tenente, Manuel Velho, Serra Nova, Marreca, Pássaro Preto, Cícero Nogueira, Três Coco, Gaza, Emiliano, Acuana, Frutuoso, Felão, Biu, Cordão de Ouro, Genésio, Ferreirinha, Antônio Ferreira, Lampião e outros.

No dia seguinte à Batalha da Serra Grande, já na Fazenda Barreiros, Pedro Paulo é libertado, Lampião lhe entregou uma carta endereçada ao então governador de Pernambuco, Dr. Júlio de Melo, propondo dividir o estado em dois, com os seguintes limites: Governo o sertão até as pontas dos trilhos em Rio Branco (Arcoverde), e vosmecê daí até a pancada do mar no Recife.

O relato sobre a Batalha da Serra Grande encontra-se no processo criminal contra Virgulino Ferreira et al., de 28 de novembro de 1926, 1° Cartório de Serra Talhada PE.

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AS PERNEIRAS

Por Geziel Moura

É possível enxergar o mundo do cangaço como ambiente militarizado?

A maioria dos cangaceiros eram forjados por homens que trabalhavam a terra e cuidavam da pecuária, isto é, nunca participaram de treinamentos militares formais, exceção se faz, em Jararaca e Corisco por terem servido ao exército. Entretanto, mesmo na condição de civil, podemos pensar na militarização nos grupos ou bandos, a partir de elementos que remetem aos usos e costumes da caserna, e que eram praticados por aqueles.

O cangaceiro Corisco

Nessa direção, a hierarquia militar que se constituiu em cadeia de comando, se fez presente em tais grupos de cangaceiros, na medida em que, sempre havia a figura dos comandantes, dos lugares-tenentes e dos subalternos, inclusive com promoções na forma criada por eles.


Além da hierarquia, pode-se verificar que as patentes militares se materializavam no cotidiano do cangaço. No conhecido encontro do bando de Lampião com Padre Cícero, em março de 1926, na cidade de Juazeiro - CE, para compor as linhas do batalhão patriótico, fora franqueando de forma embusteira, a Virgolino Ferreira, Antônio Ferreira e Sabino Gomes, as patentes de capitão, tenente e sargento respectivamente, o que foi aceito de bom grado.

Lampião e Antonio Ferreira

A patente de capitão nos parece adequada, pois no uso militar ela se configura a posto de oficial, comum na maioria dos exércitos do mundo, e que corresponde ao comandante de companhia de soldados, portanto não mais justo diante do ofício de Lampião.


Outro elemento militar que podemos destacar nos bandos, era espécie de ordem unida, que são movimentos cadenciados, harmoniosos e equilibrados de marchas militares, cuja visibilidade se encontra no filme de Benjamim Abraão, de 1926.


Podemos, ainda, pensar outros elementos militares, como armamento, táticas de guerra e atitudes militares. No entanto, para este momento me deterei em analisar a utilização do item militar, que para mim, se tornou um dos mais emblemáticos, as Perneiras.


É razoável pensar que as Perneiras ou Polainas, como artefato militar, surgiu para compor a indumentária do soldado, desde o século XVIII. Assim, sua função é/era proteger as pernas e joelhos, pois é instalada da parte inferior do joelho até o peito do pé.

Cangaceira Inacinha companheira de Gato

Assim, por meios de diversas imagens, é possível ver o uso das perneiras, dentre os cangaceiros e volantes, infestadas de ilhoses, unindo a função de segurança com a expressão estética do cangaço.


Corisco era contumaz utilizador das perneiras, provavelmente, o Diabo Louro a tenha conhecida na época em que serviu ao Exército, em Aracaju, no ano de 1923, tendo a adotada durante sua trajetória no cangaço, pura conjectura minha.

Fotos: Benjamin Abrahão
Texto: Geziel Moura

Página: Geziel Moura
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