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quinta-feira, 5 de outubro de 2023

RISOS

Por Hélio Xaxá


O riso por vezes é uma arma
Use-o sempre contra o mal
Um sorriso manso desarma
Acalma a fera no irracional.
Ria contra o que não pode
Ria para o que não agrada
Se ri de si mesmo sacode
A sociedade mais regrada.
Um rio de lágrimas afogaria
O que um riso frouxo salvaria
O mundo não merece isso...
Então rio só por malvadeza
Rio de minha própria tristeza
Do sorriso sou submisso.

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MISTÉRIO DA VIDA

Autor José Di Rosa Maria

Legiões de apaixonados
Que amaram feitos ''chucro'',
Vertem lágrimas no sepulcro
Dos sonhos dilacerados,
Ao pé da cruz dos pecados
Rezam perante uma vela,
Comparando-se com ela
Que aos poucos perde os perfis,
O tempo de ser feliz
Nem a ciência revela.
No ápice da mocidade
Ninguém pensa na velhice;
Na minha ninguém me disse
Nada sobre a alta idade,
Busquei a felicidade
No corpo duma donzela
Que Deus a fez meiga e bela;
Mas não achei o que quis,
O tempo de ser feliz
Nem a ciência revela.
O prazer do coração
Não parece descritível,
De certo não é visível
A sua satisfação...
Porque de cada ilusão
Com a própria dor pincela
Em forma de aquarela
Algo que o tempo não diz,
O tempo de ser feliz
Nem a ciência revela.
Pelo poder da palavra
Muitos corações se rendem,
Àqueles que não se prendem
São terra que não se lavra;
O que não ama escalavra
O que ama e não flagela,
O que por tudo atropela,
Com a razão não condiz,
O tempo de ser feliz
Nem a ciência revela.
Talvez a velhice prime
Pelos corações sofridos;
A dor dos desiludidos
Somente o amor redime;
Se a traição for crime
Poucos se livrarão dela...
Há tanta doçura nela
Que quem trai deseja bis,
O tempo de ser feliz
Nem a ciência revela. FIM.

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JÁ SUBI EM...

Por José G. Diniz


Já subi em uma montanha
Fiquei preso nos pináculos
Neste caminho embaraçado
Superei vários obstáculos
Uns grandes outros pequenos
Que um a mais outro a menos
Não vai alterar os meus cálculos

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MINHA VIAGEM DA ILUSÃO

Por Veridiano Dias Clemente

Com essa minha ilusão
Peguei o trem , fui embora
Mas não contei as horas
De ficar sem ter você
Pois o trem perdeu o freio
E eu aqui nesse anseio
De saudades vou morrer
Verí Poeta

05 / 10 / 2023 Às 11h43 

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FOGÃO QUE SE USA LENHA, ME FAZ LEMBRAR DE UMA FACADA QUE LEVEI DE RITA PEREIRA, PRIMA MINHA.

 Por José Mendes Pereira

Há muitos anos que isso aconteceu. Eu tinha 13 anos mais ou menos, e minha prima chamada Rita Pereira, ou simplesmente Rita de Tia Nísia, possivelmente, com 12 anos de idade, quando fui golpeado por ela com uma faca peixeira, na casa da minha avó Mamãenana.  

Minha avó Herculana Maria da Conceição. Era Xaxá da gema. Filha de Galdino Pereira Xaxá e Maria Joana do Vale Xaxá. Ela era a mãe do meu pai Pedro Nél Pereira, o único Néo da família escrito com "L".

Era tarde e muito tarde. Rita fazia canjica ao pé do fogão a lenha, e eu, ali ao seu lado, fiquei exigindo que ela colocasse uma porção da canjica em um prato, porque, já estava se aproximando da noite, e eu precisava chegar na casa da minha mãe, antes do escurecer. Um pouco de medo, sempre me fazia chegar ainda com claro do sol.

Ela ficou dizendo que não colocaria de forma alguma porção de canjica isolada para mim, só quando ela terminasse de cozinhar toda canjica. Mas eu fiquei ao seu pé, exigindo que ela separasse a minha canjica. 

Mas ela me alertava que se eu não deixasse daquela exigência, iria me furar com uma faca que estava próxima a ela. Eu continuava na insistência dizendo-lhe:

- Ponha Rita, a minha canjica no prato.

E ela: 

- Eu não ponho. Você só irá comer a canjica quando eu terminar de ferver toda...

E eu:

- Mas já está ficando escuro, e eu preciso ir embora...

- Vá embora - dizia ela com muita ignorância.

Em um momento, ela disse:

- Se você continuar com esta insistência, eu meto-lhe esta faca do Presidente.

Presidente era nosso tio José Néo Pereira (1914-2000), que usava a sua faca bastante amolada. Eu jamais imaginava que ela tinha esta coragem de me furar.

Sem menos esperar, porque eu não acreditava no que ela dizia, partiu para cima de mim, e eu com medo, me protegi com o braço, fui furado pela minha prima. Foi tanto sangue que o meu corpo perdeu. Até hoje eu tenho a marca no meu braço.

Mas nada de ódio e nem de rixa, a Rita sempre foi a nossa prima querida por todos os seus primos. Ela fez por ingenuidade. Grande Rita de tia Nísia.

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