Seguidores

Mostrando postagens com marcador Antonio Silvino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Antonio Silvino. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Charges históricas Silvino e a critica politica nos jornais sulistas

Colaboração de Raimundo Gomes - (Fortaleza,CE)

Recentemente descobri várias charges, tendo Lampião como tema, na revista ilustrada Fon-Fon. Desta vez, descobri outras, mas do cangaceiro Antonio Silvino, na revista carioca "O Malho" do período 1907 e 1914, quando da prisão do bandido.

Ei-las:



Charge de 23 de fevereiro de 1907,que ironizava o assalto de Antônio Silvino à Mesa de Rendas(fisco) da cidade de Barra de São Miguel, onde após o saque deixou os funcionários nus. (Revista ilustrada O Malho).



Desta vez, a ironia é com relação a Antonio Silvino e sua interferência junto às ferrovias inglesas da Great Western. (Revista O Malho, 5 de outubro de 1907).



Desta vez aparece o Governador de Pernambuco, Dantas Barreto, travando interessante diálogo com um homem do povo. Na conversa, cobra-se mais ações não só de Pernambuco, mas de outros estados para o fim do cangaceiro. (Revista O Malho, 27 de julho de 1914).



Com o cangaceiro ferido e preso, o Governador de Pernambuco, Dantas Barreto, exulta de felicidade e lamenta não poder prender outros bandidos, em especial no Ceará. Quem seriam ? (Revista O Malho, 5 de dezembro de 1914).



Outra charge feita após a prisão do cangaceiro, com o tenente Theophanes Ferraz trazendo Silvino numa coleira. Novamente o Ceará é mencionado, como ainda tendo muitos bandidos que precisavam ser presos. Era a época da sedição do Juazeiro, cujos jagunços do Floro Bartolomeu e do Padre Cícero derrubaram o Governador do Ceará, coronel Franco Rabelo. (Revista O Malho,19 de dezembro de 1914). 

http://lampiaoaceso.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Foi Silvino... O Rei do cangaço antes de Lampião

Por: Paulo Goethe
O cangaceiro Antonio Silvino

No dia 16 de janeiro de 1907, o Diário registrou que os cangaceiros estavam preocupando as autoridades. Aterrorizando os sertões estava o bando de Antonio Silvino. Forças policiais da Paraíba e do Rio Grande do Norte foram mobilizadas para perseguir o grupo.  O capitão Carlos Formel informou, através de carta, que estava no encalço dos cangaceiros. Durante todo o mês, o jornal divulgou notícias sobre a atuação das volantes. Ao longo das décadas seguintes, o combate ao cangaço seria um tema comum no cardápio de assuntos oferecidos ao leitor.


No primeiro registro do ano, o Diário sinalizava que um dos companheiros de Antonio Silvino havia sido preso no interior de Pernambuco. “Perseguido pela força volante, apresentou-se, há poucos dias, ao delegado de Bom Jardim, o celebre cangaceiro Barra Nova. Durante o tempo em que fez parte do grupo desse facínora, tornou-se celebre pelas suas perversidades. Em São Vicente, na ocasião de um ataque do grupo, foi Barra Nova quem atirou no sargento José Pedro, subdelegado local. Actualmente ele está recolhido á cadeia de Bom Jardim, devendo ser em breve transportado para a casa de detenção”.



Antes de Lampião, ele era o cangaceiro mais famoso e seu apelido mais conhecido foi “Rifle de Ouro”. Nascido no dia 2 de dezembro de 1875, em Afogados da Ingazeira, Manoel Batista de Morais entrou para a história como Antonio Silvino. Durante 16 anos, driblou a polícia, praticou saques e assassinou inimigos, mas era tratado pelos poetas populares como um “herói” por respeitar as famílias.
Ainda jovem, integrou o bando liderado por seu tio, Silvino Aires Cavalcanti de Albuquerque. Com a prisão deste em Custódia, assume o comando e muda o nome e sobrenome, homenageando o parente.
Antônio Silvino entrou para o cangaço aos 21 anos de idade, com o irmão, Zeferino, depois da morte do pai, Batistão do Pajeú, em plena feira de Afogados da Ingazeira, em dia 3 de janeiro de 1897. Procurado pela polícia, Batistão ousou entrar na cidade no dia mais movimentado da semana e foi alvejado por um tiro de bacamarte disparado por Desidério Ramos, desafeto e contratado pelo coronel Luís Antônio Chaves Campos, chefe político local.

Silvino e o irmão juraram vingar a morte do pai, assaltando e matando todos os que colaboraram com o mandante do crime. “Para o sertanejo não havia Justiça. Se um parente era morto, de imediato lhe sobrevinha o ‘direito’ de pôr termo à vida do assassino. Por vezes, essa vingança implicava em cruzar um punhal à cintura, portar rifle e munição, usar um chapéu de couro de aba batida. A cada crime não punido pelas instituições policiais e judiciárias, em regra, lançava-se a semente de um futuro bandoleiro profissional”, narra Sérgio Augusto de Souza Dantas emAntonio Silvino: o cangaceiro, o homem, o mito, uma das mais completas biografias sobre o “Rifle de Ouro”.


Mesmo tendo participado de um ataque à usina Filonila, em 1899, no qual resultou na morte de uma menina de 13 anos, filha do coronel Antônio dos Santos Dias, a fama de Antonio Silvino apenas cresceu como “bandido cavalheiro”. Em 1903, o Jornal Pequeno, do Recife, publica a sua foto. No ano seguinte, Francisco das Chagas Batista lança o cordel A canção de Antônio Silvino, que teve grande vendagem.


A invencibilidade de Silvino terminou no dia 28 de novembro de 1914, quando ocorreu o seu último tiroteio com a polícia. Atingido no pulmão direito, conseguiu se refugiar na casa de um amigo e disse que ia se entregar. Da cadeia de Taquaritinga seguiu, dentro de uma rede, até a estação ferroviária de Caruaru, onde um trem especial da Great Western o levou para o Recife. Uma multidão o aguardava na Casa de Detenção, atual Casa da Cultura.
Antonio Silvino tornou-se o detento número 1.122, condenado a 239 anos e oito meses de prisão. Em 4 de fevereiro de 1937, depois de vinte e três anos, dois meses e 18 dias de reclusão, foi indultado pelo presidente Getúlio Vargas.
Na foto acima, ele é o de chapéu e bengala. O ex-rei do cangaço morreu em 30 de julho de 1944, em Campina Grande, na casa de uma prima.

Paulo Goethe, 44 anos, no Diário de Pernambuco de 1990 a 1997 e desde 2001.

http://lampiaoaceso.blogspot.com

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Faca cega... Fé amolada


Antônio  Silvino e a Rolinha "menininha"

O célebre "Governador do Sertão" foi o cangaceiro que cumpriu maior pena, pelos crimes cometidos durante o ciclo do cangaço em que conviveu. 


Pagara pelos seus crimes 23 anos, dois meses e 18 dias de prisão, nas dependências imundas da velha Casa de Detenção do Recife.

Cliquem para melhor visualização e leiam abaixo um texto extraído do magnífico livro: "Antônio Silvino, o cangaceiro, o homem e o mito", página 238,  do renomado autor  e pesquisador, Sérgio Augusto de Souza Dantas.


Matéria sugerida pelo confrade: Ivanildo Alves  Silveira
Colecionador do cangaço, Membro  da  SBEC e do Cariri-Cangaço
Natal/RN

Extraído do blog: 
ampiaoaceso.blogspot.com

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sob a proteção do Cel. Santana - Antônio Silvino em Missão Velha, CE

Por: João Bosco André
Bosco André

O afamado cangaceiro Paraibano, Antonio Silvino, esteve também por estas bandas de Missão Velha, sob a proteção do Cel. Antonio Joaquim de Santana, juntamente com alguns dos seus irmãos. Um dos irmãos de Silvino, de nome Pedro Silvino, mantinha uma casa de comércio na Cidade, isso entre os anos de 1902 para 1904 e tendo um dos irmãos do cangaceiro Paraibano, andado metendo os pés pelas mãos em Missão Velha, um belo dia do mês de abril, 


Antonio Silvino recebeu um recado do Cel. Santana, convocando-o até o seu Quartel General na Serra do Mato. Antonio Silvino, imediatamente selou um animal e se pôs à viagem, ali chegando, já se encontrava à mesa para o jantar o Cel. Santana, que o convidou para sentar-se e jantar, Silvino atendeu ao convite, se sentado para jantar, mais com o seu rifle nas pernas. Terminado o jantar o Cel. Santana, usando o seu linguajar roceiro, disse:


“Sim senhor Antônio Silvino, mandei lhe chamar aqui, para lhe dizer que você não tem mais a minha proteção em missão velha”; “O lugar do seu rifle aqui na minha casa, era ali no canto daquela parede, hoje você jantou na minha mesa com o rifle nas pernas”.

Imediatamente Antônio Silvino se levantou e convidado pelo cel. Santana, para tomar o café, Antônio Silvino respondeu-lhe: “na sua casa eu não tomo mais, nem água” e de rifle em punho e já engatilhado, saiu de costas até o alpendre onde se encontrava o seu animal amarrado e pulando de costas em cima do animal, cortou-lhe a corda que o amarrava na varanda do alpendre e desceu para missão velha, isso já tudo escuro, pois já era noite e chovia muito, só via a estrada quando o relâmpago abria.

Chegando em Missão Velha, já noite velha, foi acordar os irmãos e ordenou-lhes que deveriam deixar Missão Velha, antes do dia amanhecer, pois temia um ataque do Cel. Santana. O seu irmão que era comerciante, foi acordar os seus vizinhos para vender as mercadorias existentes na sua bodega. Os colegas de comércio, sabendo que os Irmãos Silvinos, tinham que deixar Missão Velha às pressas, ficaram se amarrando para ficar com as mercadorias de graça, foi quando  Pedro Silvino, notando a matreirice dos seus colegas de comércio, começou a espalhar umas latas de gás dentro da sua mercearia e começou a furá-las a punhal. Perguntaram o que ele iria fazer, ao que ele respondeu-lhes:

“- Vocês acerem o que é de vocês, porque eu vou queimar o que é meu”; “não vou deixar nada de graça prá ninguém”.

Neste instante, os comerciantes que eram seus vizinhos, resolveram a comprar as mercadorias de Pedro Silvino, más o que é certo que antes de amanhecer o dia seguinte, os irmãos Silvinos desocuparam Missão Velha e nunca mais voltaram aqui.
História que me foi contada pelo Sr. José Gonçalves de Lucena. O comércio de Pedro Silvino ficava localizado na Rua Cel. José Dantas, onde hoje funciona atualmente o Café de Dona Didi Fideles.

http://lampiaoaceso.blogspot.com

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Novo Livro na praça

Por: Rômulo José Francisco de Oliveira Júnior

Antônio Silvino - de Governador Dos Sertões a Governador da Detenção

Este livro apresenta a trajetória do cangaceiro Antonio Silvino e conta as várias versões que foram construídas pelos jornais, pelos folhetos de cordel e por fontes judiciais sobre as ações, a vida, o nome e o corpo de Silvino, desde quando esse chefiava um bando de cangaceiros em suas correrias, façanhas, venturas e desventuras por alguns estados da região Nordeste até quando foi ferido e preso passando a viver uma longa permanência de vinte e três anos num cárcere recifense, só saindo de lá indultado pelo presidente Getúlio Vargas, que pretendeu com o gesto simbolizar o fim do cangaço terminando seus dias na mais obscura miséria na cidade de Campina Grande.

Por R$ 30,00 nas
Livrarias Siciliano

lampiaoaceso.blogspot.com


terça-feira, 14 de junho de 2011

Antônio Silvino e o Coronel Santana em Missão Velha

Por: Bosco André


         O afamado cangaceiro Paraibano, Antonio Silvino, esteve também por estas bandas de Missão Velha, sob a proteção do Cel. Antonio Joaquim de Santana, juntamente com alguns dos seus irmãos.


          Um dos irmãos de Silvino, de nome Pedro Silvino, mantinha uma casa de comércio na Cidade, isso entre os anos de 1902 para 1904.

Coronel Antônio Joaquim de Santana

             Tendo um dos irmãos do cangaceiro Paraibano, andado metendo os pés pelas mãos em Missão Velha, um belo dia do mês de abril, Antonio Silvino recebeu um recado do Cel. Santana, convocando-o até o seu Quartel General na Serra do Mato. Antonio Silvino, imediatamente selou um animal e se pôs à viagem, ali chegando, já se encontrava à mesa para o jantar o Cel. Santana, que o convidou para sentar-se e jantar, Silvino atendeu ao convite, se sentando para jantar, mais com o seu rifle nas pernas.

             Terminado o jantar o Cel. Santana, usando o seu linguajar roceiro, disse-lhe:
          
          - Sim senhor Antonio Silvino, mandei lhe chamar aqui para lhe dizer que você não tem mais a minha proteção em Missão Velha; o lugar do seu rifle aqui na minha casa, era ali no canto daquela parede. Hoje você jantou na minha mesa com o rifle nas pernas.

Antonio Silvino
             
           Imediatamente Antonio Silvino se levantou e convidado pelo coronel Santana para tomar o café, que se estava sendo colocado na mesa, respondeu-lhe:

           - Na sua casa eu não tomo mais, nem água.  

              E de rifle em punho e já engatilhado, saiu de costas até o alpendre onde se encontrava o seu animal amarrado. E pulando de costas em cima do animal, cortou-lhe a corda que o amarrava na varanda e desceu a Serra rumo a Missão Velha, isso tudo já no escuro total, chovendo muito.

          Chegando em Missão Velha, já noite alta, foi acordar os irmãos e ordenou-lhes que deveriam deixar Missão Velha, antes do dia amanhecer, pois temia um ataque do Cel. Santana.

           O seu irmão que era comerciante, foi acordar os seus vizinhos para vender as mercadorias existentes na sua bodega. Os colegas de comércio, sabendo que os Irmãos Silvinos tinham que deixar Missão Velha às pressas, ficaram se amarrando para ficar com as mercadorias de graça. Foi quando Pedro Silvino, notando a matreirice dos seus colegas de comércio, começou a espalhar umas latas de gás dentro da sua mercearia e começou a furá-las a punhal.
             
            Perguntaram o que ele iria fazer, ao que ele respondeu-lhes:

            - Vocês acerem o que é de vocês, porque eu vou queimar o que é meu; “não vou deixar nada de graça prá ninguém”.

            - Neste instante, os comerciantes que eram seus vizinhos, resolveram a comprar as mercadorias de Pedro Silvino. Mas o que é certo que antes de amanhecer o dia seguinte, os irmãos Silvinos desocuparam Missão Velha e nunca mais voltaram aqui.

José Gonçalves de Lucena

                História que me foi contada pelo Sr. José Gonçalves de Lucena. O comércio de Pedro Silvino, ficava localizado, hoje, Rua Cel. José Dantas, onde hoje funciona atualmente o Café de Dona Didi Fideles.


Bosco André é Historiador e um dos palestrantes
do Cariri Cangaço.

Extraído do blog: "Lampião Aceso", do amigo Kiko Monteiro

sábado, 21 de maio de 2011

Antônio Silvino visitou Pedra Lavrada, PB.

Por Clodoaldo Melo

A pedra de hoje. Foto de Sávio Perazzo Tavares Cavalcanti


PRIMEIRA VISITA EM 1912


           Pedra Lavrada pode não ter tido o delegado mais valente do mundo, mas já teve o mais “hospitaleiro”, João Jerônimo da Costa. Tratava o cangaceiro Antônio Silvino com a maior deferência do mundo.

O cangaceiro Antonio Silvino

              Era o cicerone de “Fuzil de Ouro” nas duas vezes que ele visitou a cidade, levando-o de casa em casa e apresentando-o às pessoas mais importantes e prestando continência ao bandoleiro. Aí é o que se pode chamar de desvio de função! Aquela autoridade local era para proteger a cidade dos cangaceiros, mas convivia pacificamente com os facínoras.
             Em 1912, o casal D. Ernestina Carrilho de Oliveira, D. Doninha, e Manoel Júlio Rodrigues de Lima, ambos de Catolé do Rocha, moravam em Pedra Lavrada. Eles tinham um pequeno hotelzinho na cidade. D. Doninha era, e ainda hoje é lembrada pelos netos, como a pessoa mais ignorante, estúpida e inconsequente deste mundo de meu Deus. Nunca levou desaforo para casa. Fazer pergunta descabida ou dar palpites fora de tom ou da hora, era pedir para ouvir o diabo de D. Doninha. Era valente mesmo e não abria para um trem não.   
             Manoel Júlio, um neto, diz sobre ela: “Minha vó, Mãe Doninha, era danada. Não se sabe como se vem ao mundo daquele jeito não – e rindo termina – ou velha ruim danada!” Agora que era direita e honesta, era. Essas duas virtudes chegaram nela e pararam.
            Nessa primeira visita de Antônio Silvino à cidade, D. Doninha enviuvara e tocava o hotelinho, sozinha. Antônio Silvino chegou acompanhado do delegado João Jerônimo no estabelecimento de D. Doninha por volta das nove horas da manhã. O delegado fez a apresentação:
            - D. Doninha este é o capitão Antônio Silvino. Capitão, esta é D. Doninha, a mulher que faz o melhor arroz doce do mundo que lhe falei.
            -Silvino olhou o arroz doce e disse:
            - Vou comer do seu arroz, coloque dois pratos.
            D. Doninha colocou dois pratos cheios de arroz na mesa.
            O Cangaceiro olhou-a e ordenou:
            - D. Doninha pode começar comer o seu!
            D. Doninha perguntou:
            -O que? Comer o quê homem?
            Respondeu o bandoleiro:
            -Não ouviu bem, D. Doninha? Mandei comer do arroz.  Eu só como quando quem prepara minha comida come primeiro.
            D. Doninha lhe respondeu alto e bom som:
            - Pois não vai comer não ou coma se quiser. Eu já comi hoje de manhã e só como na hora certa e quando quero. A essa hora não como nada e não tem quem me faça comer à força!

O impasse estava criado


             Foi quando o delegado engolindo em seco balbuciou pisando macio que só cabra procurando penico cheio com o pé em noite escura:   
            -“Caaapiitão, o seeenhor esesestá diante e uma das mulheres mais direeeita da reeegião. Se ela diz que não vai comer, não comerá mesmo. Eu confiiiiiio nessssta mulheeeeer. Diga qual é o meu prato dos dois, Capitão, que comerei por ela. Esssta coomiidaa não tem veneno não!
           O Capitão Silvino trocou os pratos, deu um ao delegado e os dois homens começaram a comer.
           Comeu, gostou e elogiou o arroz doce depois disse:
           - D. Doninha a senhora tem muito dinheiro!
           D. Doninha responde-lhe:
           -Tenho. Posso não ter o valor que lhe disseram, mas tenho dinheiro.
           Silvino continuou:
           - D. Doninha a senhora tem 200 mil réis para me dar?
           E a senhora disse:
           -Tenho sim.
           Enfiou a mão num bolso de um avental e puxou uma nota
esverdeada e grande, uma nota de 200 mil réis.
           - Tome! - estendeu-lhe a mão com o dinheiro D. Doninha.
           Foi quando o cangaceiro, disse balançando a cabeça:
           - Não, não Dona eu não recebo dinheiro de criança, nem de mulher e muito menos de viúva...
           Aí foi quando D. Doninha rodou a baiana, e disse:
           - Capitão Antônio Silvino, se experimenta fumo, mulher de verdade não!
           O Capitão Antônio Silvino saiu rindo e dizendo ao delegado:
           - Tudo como você me falou. O arroz doce é o melhor do mundo e D. Doninha é a mulher mais malcriada ou valente que já conheci


A SEGUNDA VISITA EM 1913


             Na segunda visita do bandoleiro a Pedra Lavrada ele foi recebido pelo delegado João Jerônimo. O coronel Eugênio Vasconcelos, irmão de Chico Ferreira, tinha uma loja e vendia chapéus.
             Antônio Silvino parou na loja viu um chapéu marca Ramezzoni 3X (o melhor que existia, hoje, seu preço varia entre R$ 174,00 a R$ 240,00), e perguntou o preço:
             - Dez mil réis – respondeu o coronel Eugênio.
             O cangaceiro não regateou e deu uma nota de vinte mil réis para o Coronel. Este conheceu a nota falsa e disse acompanhado de gestos de toda gentileza:
             - Ora, Capitão Antônio Silvino, o senhor acha que eu vou cobrar um chapéu a você. Ora, ora...
             O bandoleiro agradeceu o presente (era educado) e, além de levar o chapéu passando a nota falsa, ainda queria mais dez mil réis de quebra. Mas, com o Coronel Eugênio não conseguiu tal proeza.
             À noite o delegado João Jerônimo fez um baile para os facínoras dançarem. A cidade transformou-se numa festa. A sanfona roncava, o xaxado comia no centro e os bandidos bebiam e dançavam. Às quatro horas da manhã Antônio Silvino chamou o delegado e disse:
              - João, eu vou indo e estou sentindo cheiro de macacos (soldados) por perto, mas me dê um recado a eles. Diga ao Comandante da Volante que não vão atrás de mim não que eu estou cansado, pois dancei à noite toda e um homem cansado não corre, briga! Disse isso e saiu logo.          
              Depressa como os cangaceiros chegaram depressa se foram. Na hora de partir não faziam rodas para não atraírem disparos em cima deles e nem se despediam. Eram como ciganos num instante arribavam, era como serpentes escorregavam e sumiam. De repente nenhum cangaceiro no meio do povo.
             Mais ou menos às sete horas da mesma manhã, a volante comandada pelo tenente Joaquim Henrique e auxiliado pelo cabo Piaba chegaram a Pedra Lavrada. O tenente Joaquim Henrique ainda sentiu nas ventas o cheiro de perfume dos cangaceiros (eles andavam muito perfumados) e mandou localizar depressa o delegado.
              O delegado João Jerônimo às pressas ainda ajeitando o cinturão e o chapéu, disse que o bando de Antônio Silvino esteve ali sim, e tinha deixado um recado. E deu o recado sem tirar nem por, sem engordar, sem emagrecer, nem esticar e nem encolher, ele deixou dito para eu dizer a vocês:
             - João, eu vou indo... etc.
             O delegado João Jerônimo era bom de recado, pois só acrescentou o seguinte:
             - Eles saíram para o lado de Parelhas.


AS SERPENTES E A SUSSUARANA


             O tenente Joaquim Henrique bradou:
             - Atenção, os bandidos estão por perto, estão de cavar com a unha. Vamos pegar esses filhos das putas e de mão... - Sigam-me!
             E saíram em marcha acelerada pelo caminho que levava qualquer um que fosse muito disposto à Parelhas no rio Grande do Norte. O caminho era estreito, tortuoso, acidentado, cheios de pedra, com pedras gigantes que surgiam para fechar o caminho ou deixá-lo quase despencando nas escarpas dos riachos que só tinham águas no inverno.
            A cerca de seis quilômetros do então povoado de Pedra Lavrada fica a Fazenda Maxinaré, do Coronel Graciliano Fontini Lordão. Casa grande edificada no sentido Sul-Norte, com duas portas nas laterais da frente e uma janela no meio e alpendrada; a casa ficava de fronte para o povoado, mas não o avistando por conta das serras entre ela e a cidade. O terreno é muito acidentado.
            O cansaço dos cangaceiros era tanto que só aguentaram chegar até em Maxinaré. O Coronel providenciou logo a matança de um carneiro, galinhas, capões e peru. Mas Antônio Silvino e seus cabras, não ficaram na sede da fazenda. Preferiram ficar mais adiante onde depois de se atravessar um riacho, segue-se pela trilha aberta com o lado esquerdo da vereda, sendo uma escarpa de até trinta metros de despenhadeiro e, o direito, uma elevação de mais de 10 metros de altura sem nenhuma pedra capaz de esconder um homem.
            Ao começar descer a vereda em busca do riacho que dobra à direita, têm-se uns blocos de pedras mais ou menos da altura de um homem dispostos na forma de dominós postos de lado e distantes dos outros em distâncias variadas. Homens, as pedras assim dispostas são trincheiras naturais, colocadas ali pela natureza! Os cabras do Capitão Antônio Silvino dormiam atrás delas como se fossem serpentes prontas para o bote e injetar o veneno mortífero da mais terrível delas. Vir na vereda em buscas daquelas trincheiras rochosas era como ir entrando num funil: de um lado o despenhadeiro, do outro, a subida íngreme; em frente, o encontro com a morte!
           A polícia ia de marcha batida. O rastejador na frente comia a distância entre eles e os cangaceiros. Assim passaram no terreiro da casa grande da Fazenda Maxinaré. A ânsia de pegar os cangaceiros era tanta que nem sentiram o cheiro das carnes nas panelas. Nunca tinha pegado tanta moleza - talvez pensasse consigo o rastejador - pois os rastros eram fresquinhos, os galhos quebrados ainda soltavam o aroma característico de sua planta, as pedrinhas deslocadas pelo solado de couro dos bandidos, o horário era bom porque ainda era de manhã e, como estavam tão perto deles, a noite não os cobririam antes que eles pusessem as armas em cima daquele bando de malfeitores. O Capitão Joaquim Henrique experiente já tinha pegado o coice da tropa. Seus homens estavam com ânimos e o combate estava próximo.

Antonio Silvino

           Quem sabe, se ao começar descer o riacho depois daquelas pedras postas como se fossem dominós, não descem com a vista no bando de criminosos que fugia entre pedras, feitos cabritos saltadores, pulando sobre e entre elas, com medo da onça suçuarana. Ele, Capitão Joaquim Henrique, era a verdadeira onça suçuarana!


O COMBATE DA FAZENDA MAXINARÉ


          O vigia que tinha ficado entre a casa grande da Fazenda e as trincheiras de pedras onde repousavam os bandidos, ao ver a volante, saiu em disparada e avisou a Antônio Silvino. O Capitão que ficava fora do grupo mandou o portador da má notícia avisar a todos: - Eu mandei avisar ao macaco-chefe que não viesse atrás da gente. Se veio, o diabo vai se soltar. Não quero ninguém nem pensando em fugir. O sangue vai dar no meio da canela. Querem briga e vão ter! O Cabra escorregou do esconderijo do Chefe e deu a notícia aos demais cabras. Eram cerca de 20 homens que há dias não brigavam. Estavam com a brigada toda dentro e muitos ressacados da cachaça da noite anterior. Todos se prepararam.
           Os cangaceiros começaram a ouvir as tropeladas da tropa. Pássaros emudeceram, o vento parou. As primeiras cabeças da volante surgiram na ladeira que antecede ao funil descrito antes, que era a chegada nas pedras em forma de pedaços de muralhas. Vinham quase num trote, arma em punho, vontade de brigar. A vereda estreita deixava os soldados em fila indiana e caminhavam perto demais um do outro. Era quase um tirando o pé e o outro botando no mesmo lugar.
           Os primeiros homens chegaram a quase 10 metros dos primeiros paredões de pedras quando ouviram o grito do Capitão Antônio Silvino:
            - Fogo na macacada! O final de seu comando foi abafado pelo som dos disparos em cima dos soldados. Nem bem terminou os primeiros tiros já vários soldados rolando pelo chão: uns feridos outros tentando escapar da carga mortífera cuspida pelas armas dos cabras de Silvino
              Nesse tiroteio os impropérios gritados eram só dos cangaceiros.
             Os soldados não tiveram tempo de esculhambar as mães e irmãs de cangaceiros como era comum nos combates. Mas, ouviram as risadas, os gritos de deboche e de provocações dos cabras: - Tomem macacada filha de aumenta roxa! Vamos matar todos e se amancebar com as quengas mães de vocês! Ainda hoje dormirei com sua irmã mais nova, macaco filho de uma égua! A tropa só tinha tendência para tentar correr, se livrar das balas inimigas, da carga mortal.
             Os tiros dos cangaceiros se repetiam e quase à queima roupa. Em minutos eram soldados feridos, caídos, fora de combate; tinha também soldados feridos sem ser de tiros, mas da tentativa de fuga e acabaram caindo no barranco com pernas e braços quebrados.
             Era dia, quase meio dia, e foi por isso, talvez, que o local não escureceu de tanta fumaça de tiros. Cascas de paus voavam nos resvalar das balas. Além dos gemidos dos soldados ouvia-se o grito longe do Comandante da Volante, Joaquim Henrique:
              - Recuar, recuar, recuar......recuar!


A SAÍDA DE ANTÔNIO SILVINO E O SALDO DA VOLANTE

             Pelo estrago da soldadesca e a condição de vencedor do cangaceiro Antônio Silvino, vê-se que ele não era um facínora sanguinolento. Qualquer cangaceiro, exceto Jesuíno Brilhante, teria caído de assalto sobre a tropa destroçada e ferida e sangrado muito militar. Antônio Silvino preferiu sair escorregando entre as pedras e sumindo em busca de Parelhas. Os cangaceiros não tiveram uma baixa e nem pequenos ferimentos. O prejuízo maior foi não terem se saciado no almoço da Fazenda Maxinaré.
             Já a volante perdeu um homem no local e um gravemente ferido que morreu a caminho de Soledade carregado pelos companheiros em uma rede. O cortejo triste que saiu de Pedra Lavrada em busca de Soledade era desalentador. Os mais feridos em redes; os menos, à cavalo e, os que podiam andar, à pé.
             E o pior de tudo, eram os gemidos dos doentes abaixando ainda mais o moral da tropa destroçada.
             Silvino saiu danado. Passou na Fazenda Retiro, de Zé Gato. Aproximou-se sorrateiramente. O dono da Fazenda estava dentro de casa e escorado numa das janelas, de costas e escorado nos cotovelos e virado para dentro de casa com quem conversava com alguns familiares. Antônio Silvino ao chegar perto da janela, bateu com rifle com força nas pedras do alpendre. O rifle disparou. Seu Zé Gato deu um pulo com o tiro e já caiu de frente para o cangaceiro.
           Silvino impaciente e a ainda movido pela adrenalina do combate, perguntou:
           - Teve medo, Zé Gato?
           - Não – respondeu Zé Gato
           - Eu tive um susto!
          Silvino o encarou, e disse:
          - Zé Gato, hoje estou com o diabo no couro. Matei um bocado de macacos agora, agorinha mesmo. Quero tomar um café amargo. Mande preparar comida e devagar que aquela macacada não vem atrás de mim não. O estrago que fiz na tropa foi grande!
           Completou Zé Gato:
           - Eu escutei os tiros, Capitão. Num se avexe que vai ter café quente e comida pra todo mundo.
           Depois, Silvino alimentado, subiu o Seridó.

 
DEPOIMENTOS


            Manoel Júlio foi quem me falou sobre as visitas de Antônio Silvino e o local do combate. “Na década de sessenta cheguei a visitar o local e cheguei a ver várias árvores, como juremas, pereiro e craubeiras com ferimentos das balas do combate. Manoel Gomes Calisto de Macedo, Manoel Belo, proprietário da Fazenda Maxinaré, nos disse que as árvores feridas no tiroteio entre bandidos e policiais morreram todas. Ficou uma craubeira gigante já na beira do rio, perto do Poço da Menina que a cheia de 1981, que arrombou dozes açudes no mesmo rio, carregou-a.
           O professor Graciliano, neto do professor e coronel Graciliano Fontini Lordão, disse-nos: - De vez em quando achamos cascas de balas quando estamos arrancando macambira para dar ao gado. E acrescentou mais: - Ano passado, encontramos a última e um visitante de Natal, numa hora em que só estava mãe em casa, pediu e ela a deu ao visitante como souvenir.”

Extraído do blog: "Lampião Aceso", do amigo Kiko Monteiro