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segunda-feira, 21 de junho de 2021

O CANGAÇO E OS RIFLES WINCHESTER EM UMA REPORTAGEM NOS ESTADOS UNIDOS

 

Rostand Medeiros – IHGRN

Abordar as armas de fogo e sua relação com episódios importantes da História do Brasil é algo que se tornou um tanto raro nos últimos tempos. Acredito que isso ocorre porque em nosso país o tema ligado a armas de fogo acaba de uma forma ou outra, se mesclando com o atual e complicado debate político. Mas abordar a utilização desses instrumentos de ataque e defesa ao longo de nossa tumultuada história é algo interessante. Creio que significa simbolicamente reconhecer as maneiras pelas quais as armas surgem como instrumentos poderosos que, em determinados níveis, moldam a história, a política, a geografia, a economia, a mídia e a cultura brasileira.

Dito isso, acredito que a recente publicação nos Estados Unidos de uma interessante e bem ilustrada reportagem sobre a utilização dos rifles da marca Winchester pelos cangaceiros nordestinos atenua essa carência. Melhor ainda quando isso acontece através do trabalho de pessoas competentes e conhecedoras do tema.

Esse material é o resultado de uma parceria entre o pesquisador paulista Douglas de Souza de Aguiar Junior e o escritor americano Luke Mercaldo, tendo sido publicado na revista The Winchester Collector, o principal veículo de comunicação de pesquisadores e colecionadores das armas fabricadas pela tradicional empresa Winchester naquele país. Essa revista é publicada e mantida pela Winchester Arms Collectors Association (WACA – https://winchestercollector.org/ ), a maior associação de colecionadores nesse tipo de armamentos, com membros em todo o mundo e atuando desde julho de 1977. Esse texto mostra para um público especializado, os detalhes do que foi o universo do cangaço e dos cangaceiros.

Reconhecidamente Douglas Aguiar possui total capacidade e cabedal mais que suficiente para escrever textos e artigos que ligam armas de fogo e a nossa história. Ele é bacharel pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP) e possui pós-graduação na mesma área pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Mas seu maior interesse por armas de fogo flui através do trabalho voluntário que realiza desde outubro de 2016 no Museu da Polícia Militar do Estado de São Paulo, onde atua como Diretor Jurídico da Associação de Museus e curador de armas.

Já Luke Mercaldo é um pesquisador norte-americano, nascido em Nova York e residente em Chicago, sendo autor do livro Allied Rifle Contracts in America, publicado pela Wet Dog Publishing, além de vários artigos em revistas especializadas nos Estados Unidos e Inglaterra.

Segundo Douglas, até o presente momento nenhuma revista especializada em armamentos nos Estados Unidos havia publicado algo sobre o cangaço e os cangaceiros. Para ele existe um grande “buraco negro” para estudiosos de outros países sobre o tema, ou que desejam saber mais sobre armamentos utilizados no Brasil durante vários episódios da nossa história.

Através do WhatsApp ele me comentou que vem investindo bastante nessa ideia de divulgar lá fora a história militar brasileira e a história dos armamentos por aqui utilizados, sempre em parceria com o Museu da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Um dos materiais produzidos por Douglas Aguiar e Luke Mercaldo nos Estados Unidos, desta vez com o foco na Revolução Constitucionalista, que ocorreu entre 9 de julho e 2 de outubro de 1932.

Apesar da tarefa quixotesca de escrever sobre as armas brasileiras e da sua utilização em nossa história, os autores Douglas Aguiar e Luke Mercaldo emplacaram em revistas americanas outras matérias que giram em torno da mesma temática, ou assuntos correlatos.

Winchester modelo 1873.

Eles produziram duas matérias sobre as medalhas da FEB (Força Expedicionária Brasileira), que foram publicadas no na revista Military Trader e no jornal da Orders & Medals Society of America (OMSA – https://www.omsa.org/ ), sendo que esse último trabalho foi muito bem avaliada pela OMSA e os autores foram agraciados com a Literary Medal – a primeira vez que esse prêmio é conferido a autores que não são membros dessa Sociedade.

Outros artigos foram publicados junto à Associação de Colecionadores de Armas Colt (Colt Collectors Association) e na prestigiada American Rifleman – a revista da National Rifleman Association (NRA).

O autor desse texto junto com Douglas Aguiar na Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, em São Paulo.

O responsável pelo blog TOK DE HISTÓRIA e autor dessas linhas, fiquei muito agradecido pelo reconhecimento dos autores com a minha pequena contribuição nesse inédito trabalho.

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros.

https://tokdehistoria.com.br/2021/06/21/o-cangaco-e-os-rifles-winchester-em-uma-reportagem-nos-estados-unidos/

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INVERNO

 Clerisvaldo B. Chagas, 21 de junho de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.558


Finalmente chegou o inverno para a nossa região. Após um outono rico intercalando sol e chuva, a estação das águas encorpadas anuncia boas esperanças para o sertanejo. Mesmo em tempo de pandemia, o povo vai engrossando as feiras e, os produtos ainda frescos vindos do campo, fazem sucesso na cidade. Não deixamos, porém, de destacar o milho, muito procurado neste mês de junho e que não deve faltar nem na tapera do pobre nem na mansão do rico. O milho é uma unanimidade nordestina e o seu gosto se derrama por humanos e animais. Isso nos faz lembrar a saudosa “irmã” holandesa Letícia (Colégio Sagrada Família) bebendo café sem açúcar e dizendo que na Holanda o milho é somente para ração animal. E ela mesmo comprovava as delícias eleboradas com o produto.

O mato verde, os matizes da tela da Natura, o cheiro gostoso do mato, a chuva cortando devagar à noite inteira e o orvalho estilizado das manhãs são bênçãos divinais que grudam na alma sertaneja. À noite, a frieza aperta pelos lugares de altitude, o camponês cerra às portas logo cedo e fica a escutar tomando seu café quente, os ruídos das aves que povoam às trevas, o soprar do vento gelado nas árvores da redondeza. O cachorro dorme encolhido, o gato procura à beira do fogão, a cabocla sertaneja esquenta a cama e o dono da casa procura o calor abençoado da costela. No aproximar do arrebol, o galo pula para a estaca mais grossa, estica o pescoço e abre a garganta anunciando a dia. O cheiroso cuscuz fumega à mesa e o aroma do café coado desperta os arredores.

Ontem à noite, último dia de outono, foi dia chuvoso e devagar, porém, ao anoitecer, o tempo lembrou-se de caprichar na entrega da próxima estação. Um pé-d’água daqueles gigantes fez rios nas biqueiras, nos telhados, nas sarjetas das ruas de Santana do Ipanema, no Médio Sertão Alagoano. Provavelmente o benefício divino deve ter atingidos o geral da região. Lá dentro das 20.30 horas, a faca enorme do tempo cortou a chuva de vez e um silêncio molhado invadiu o mundo. “Preste atenção, compadre, que o tempo não está de confiança”.  E olhe que ainda faltam a roqueira de São João e o olear da chave titã de São Pedro, o porteiro do céu.

Um cafezinho vai bem, não é, minha amiga.

Fartura no Sertão e Deus nos comando.


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AS MULHERES NO CANGAÇO

 Por Teresa Raquel

Agora ele está em E-PUB e logo será Vendido na Amazon, Apple, Rakuten Kobo, Google Play e Livraria Cultura por um preço que cabe no seu bolso, apeninhas 19,80 o que que vocês acham? Uma titica de nada, minha gente.

É só ir na clube de autores no link abaixo.

https://clubedeautores.com.br/.../as-mulheres-no-cangaco-14

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LAMPIAO PÔE FOGO NAS FAZENDAS DO CORONEL PETRO

Tal como acontecera quando morreram Levino e Antonio Ferreira, a suposta morte de Ezequiel desencandeou em Virgulino uma incansável sede de vingança, passando a matar mesmo sem motivos, atirando nas pessoas que encontrava pelas estradas. Seu estado de espírito contagiou os cabras, já por natureza violentos. a todo instante, repetiam-se cenas de destruição e morte. Iam pelas estradas atirando em árvores, cercas, cancelas, até no vento. Só numa noite os cangaceiros mataram mais de 10 pessoas. Labareda contou que faziam aquilo pela força da cachaça. 

Lampião dizia que o responsável pela morte do irmão era o coronel Petronilo Reis, conhecido como coronel Petro, aquele que lhe ajudou anos antes, quando o bando se mudou para a Bahia, fugindo das forças pernambucanas. isso em 1928, onde Lampião se refugiou na Fazenda Gangorra e depois na fazenda Três Barras, do coronel Petro, onde durante alguns meses descansou em paz e segurança. Falo-se até que Petro teria proposto a Lampião a compra de umas fazendas em sociedade na região de Várzea da Ema. 

Coronel Petronilo de Alcântara Reis

Correram também boatos de que sido Petro quem indicou ao sargento Manoel Neto o paradeiro do bando. Dizia-se que Petro queria se apoderar das terras que teria comprado em sociedade com o cangaceiro. 

Num combate com uma volante baiana, tinha morrido um sargento chamado Afonso e no bolso dele os cangaceiros encontraram um bilhete assinado por Petro, dando indicações sobre os locais frequentados pelo bando e instigando a policia a eliminar Lampião. O fato é que, apartir de então redrucedeu o ódio de Lampião ao poderoso mandachuva de Curral dos Bois. 

Como não podia pegar Petro que vivia na cidade muito bem protegido, Lampião decidiu arruiná-lo economicamente, intencificando os ataques às suas fazendas e aos povoados controlados por ele. Pelo menos 14 fazendas do coronel foram incendiadas. muitos animais foram abatidos a tiros ou sangrados a punhal, fora os que Lampião ofereceu ao povo, dizendo:

"Quem quisé pode apruveitá, qui tudo é meu"

Temendo represálias, os amigos de Petro sumiram. Os vaqueiros também, ninguém queria mais trabalhar pra ele. A perseguição a Petro também foi uma forma indireta que Lampião encontrou para desmoralizar o governador-interventor Juracy Magalhães, já que o coronel Petronilo de Alcântara Reis, na condição de chefe político de Santo Antonio da Glória (hoje Gloria-BA) era amigo e aliado de Juracy, exercendo grande influência na região. Afinal de contas, Petro era um dos homens mais ricos do nordeste baiano, dono de mais de 30 fazendas.

Lampião anunciou:

"Eu vou infiá o coroné Petro im ua garrafa. mais antes eu capo ele"

(Fonte, Jose Bezerra Lima Irmão).

https://www.facebook.com/groups/508711929732768

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ANÉSIA ADELAIDE CAUAÇU

 Por Cristian Lucas Empreendimento

Anésia Adelaide Cauaçu foi uma cangaceira que viveu no município de Jequié e redondesas, no início do século vinte.

Em sua juventude foi uma simples mulher casada dedicada ao marido e à filha. Depois, abandonou o lar, juntou-se aos seus tios e irmãos. integrando o famigerado bando dos Cauaçus.

Consta que os Cauaçus antes de serem cangaceiros eram fazendeiros, donos de muitas cabeças de gado em Jequié, Brejo Grande, Conquista, Maracás, Amargosa e Boa Nova. Eram valentes, corajosos. Dizem os mais antigos que eles “foram empurrados para o cangaço depois que um de seus membros foi assassinado a mando de Zezinho dos Laços, personagem que aterrorizou a região por várias décadas”. Zezinho acabou morto pelos Cauaçus.

Alta, esguia, valente, extremamente bonita, carismática, Anésia possuía uma pontaria infalível. Era exímia copoeirista e possuidora grande habilidade para a tática de guerrilha. Transformou-se, em pouco tempo, no membro mais famoso do grupo.

Certa feita acertou com um tiro disparado a mais de 300 metros de distância, o dedo de um delegado durante um enfrentamento com a polícia no centro da cidade de Jequié.

Nas lutas em que se envolveu viu morrerem seus pais e irmãos, além de outros membros de sua famíla. Presenciou sua mãe ser presa e torturada, mas nunca se deixou abater ou se acorvadar.

Anésia foi presa em 1916, e solta logo em seguida. Valendo-se da proteção de um fazendeiro amigo, abandonou o cangaço e voltou a viver com a sua família.

Dizem que traída pelo protetor, foi entregue à polícia, encerrando assim sua vida de embates e aventuras.

De concreto sabe-se apenas que os Cauaçus apoiaram o movimento revolucionário de 1930, pelo que foram anistiados pelo Governo.

É possível que tenha falecido em Jequié, em 1987, aos 93 anos de idade.

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