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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O ACENDENDOR DE VAGA-LUMES

*Rangel Alves da Costa

Não era acendedor de lamparinas ou luminárias em postes antigos não, mas acendedor de vaga-lumes. Contudo, nem todo mundo sabe acender o lustre do inseto.

Hoje está em total desuso, é ofício que não se pratica mais, mas nos tempos antigos a arte de acender vaga-lumes era uma nobre e valorosa ocupação.

E tão valorizada era a arte que os acendedores de vaga-lumes só eram encontrados entre os sábios, filósofos, aqueles mais judiciosos e prudentes.

E havia razões para ser assim: só consegue acender vaga-lumes que tem o espírito iluminado, quem consegue enxergar o dia na escuridão, quem vive buscando explicações para a realidade do mundo.

Só consegue acender vaga-lumes quem não se contenta com o dado e vive perquirindo outras respostas, quem encontra motivos para conversar e ouvir a pedra ou dialogar com as forças da natureza.

Só faz surgir a luminescência no pequeno inseto coleóptero da família Elateridae, Fengodidae ou Lampyridae aquele que não necessita de um pirilampo voando ao redor para fazê-lo fosforescer. A luz é ideia, e o vaga-lume idealiza o mundo na sua imperfeição, devendo ser aceso para proporcionar os sinais.

A luz é a consciência, o conhecimento, e o vaga-lume o próprio homem que avista aquilo pelos demais ainda em obscuridade. Uma luz de vaga-lume que significa a compreensão do real dentre as contradições e obscurantismos do mundo.

Muitas vezes, em meio ao negrume da noite, debaixo do mais tenebroso breu, o sábio chamava o seu discípulo e ensinava-lhe como encontrar a luz em momentos difíceis, como avistar uma réstia quando tudo já está desesperançado. E o discípulo começa a avistar vaga-lumes.


Outras vezes, caminhando solitário pela via escura, o filósofo encontrava pessoas que logo lhe perguntavam aonde ia assim debaixo de tamanha escuridão, onde apenas os grilos cantam nos escondidos e os vaga-lumes nem ousam aparecer. Vou acender vaga-lumes, respondia ele.

Alguns seguiam adiante dizendo da loucura encontrada, outros apenas ouviam para dizer que ali era mais fácil encontrar os seres maldosos da noite a um só vaga-lume. Mas houve alguém que se interessou pela resposta do filósofo e indagou-lhe como era possível encontrar vaga-lumes para acendê-los se ao encontrá-los logicamente já estariam piscando.

O velho filósofo logo entendeu aquela indagação e intimamente se encheu de uma felicidade indescritível. Até que enfim encontrei um vaga-lume, disse a si mesmo. Mas ao abrir a boca perguntou se a pessoa estaria disposta a ajudá-lo nessa difícil empreitada. Com a afirmação positiva, só restava dizer o que deveriam fazer.

E continuando ali mesmo, os dois em pé envoltos na escuridão, o filósofo disse: Creio que os vaga-lumes nem sempre estão piscando, nem sempre estão emitindo aquelas luzes fosforescentes. Deve haver um motivo para que continuem apagados, em repouso, como deve haver um motivo para que comecem a piscar.

E continuou. Portanto, pode haver vaga-lumes ao redor e que, por estarem em inércia, nossos olhos não conseguem enxergar. Mas mesmo que continuem assim será possível avistá-los. Se você acha que eles estão por aqui, haverá sempre uma grande possibilidade de eles estarem realmente por aqui. Mas se você tem certeza que eles estão aqui, então não demorará muito para que comecem a piscar.

E disse mais. Eis a noite do vaga-lume e a noite do homem. Tudo uma possibilidade, mas também tudo impossível, se assim desejar. O homem que teme a noite, que concebo como a realidade desconhecida, jamais encontrará vaga-lumes. Tão preguiçoso é para buscar respostas, tão inerme é para descobertas que permanecerá na escuridão diante de milhões de pirilampos incandescentes.

Então, a pessoa que permanecia ao lado ouvindo as explicações, ansiosa para dizer que talvez tivesse entendido tudo, humildemente falou: Palavras tão sábias e verdadeiras chegam a mim como luz. E só agora sei como posso iluminar a noite do medo, do desconhecimento, da incerteza. Basta seguir adiante, ter determinação e perseverança, procurando sempre a razão em tudo que possa existir, e certamente encontrarei vaga-lumes.

E depois disso os dois seguiram adiante, tão iluminados como pirilampos.

Escritor
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A CHEGADA DE LAMPIÃO A TERRAS BAIANA. COM AMIZADES E INIMIGOS PÚBLICOS...!!!

Por Guilherme Machado

Em 21 de agosto de 1928 Lampião cruzou a fronteira do São Francisco e adentrou na Bahia para homiziar-se durante algum tempo no sertão. Fugia da implacável perseguição de policiais de vários Estados desde quando ousará invadir Mossoró, em junho do ano anterior, então a maior cidade do Rio Grande do Norte. Iniciativa esta atrevida e mal sucedida.

Lampião aportou na Bahia com o propósito de dar um tempo, recompor forças, restaurar o seu bando e planejar novas investidas longe das fronteiras pernambucanas que a polícia desse Estado se apressou em controlar temendo o retorno do Capitão Virgulino. Lampião chegou na Bahia faminto, cansado, porém com muito dinheiro na mochila; assim declarou na época ao Coronel Petronilo de Alcântara Reis, chefe político de Santo Antônio da Glória.


Entenderam-se o bandido e o Coronel em torno de um acordo de proteção, cogitaram negócios em comum, desentenderam-se mais tarde. Em represália o Rei do Cangaço botou fogo nas propriedades do chefe político e matou várias cabeças de gado. Este reagiu, segundo conta Oleone Coelho Fontes no seu livro “Lampião na Bahia”, contratando mais de 50 jagunços em Pernambuco, a maioria criminosos comuns, para defender seu patrimônio.


Os primeiros dias de Lampião na Bahia sequer foram percebidos pelo governo e pela imprensa. Contribuiu para isso a atitude pacífica do cangaceiro que encarou essa etapa de sua vida como um momento para relaxar, mantendo-se por um tempo longe das forças policiais determinadas a capturá-lo. Então, descreve Oleone Coelho Fontes, assistiu festas de casamento, bebeu na companhia de soldados, foi perdulário nos gastos, promoveu vaquejadas e rodeios com ele mesmo como protagonista e ainda organizou animados arrasta-pés em concorridas festas com a sua sanfona de 8 baixos marcando o tom.

Durou pouco esse estado de espírito do Rei do Cangaço. Meses depois, em dezembro de 1928, reaparecia em público na Vila do Cumbe (hoje Euclides da Cunha) para extorquir dinheiro dos fazendeiros da região e retomar a sua rotina de saques e violência. Os primeiros dias de Lampião na Bahia poderiam ser interpretados, no contexto aqui retratado, como um período de férias...!!!!

Fontes: Lampião na Bahia. Oleone Coelho Fonte, e Caminhos De Lampião Rubens Foto de João de Souza Lima e Museu do Cumbe.

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O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO

Autor Luiz Serra

Serviço

“O Sertão Anárquico de Lampião” (de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016)
Valor do livro: R$ 50,00 (Frete fixo: R$ 5,00), através do e-mail anarquicolampiao@gmail.com

Informações: Luiz Serra – (61) 99995-8402 

Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com

Um dos pontos de venda avançados no sertão histórico de Cajazeiras, é do professor Francisco Pereira, que envia para todos os lugares. O e-mail de base de vendas: 
"franpelima@bol.com.br" 

Peça logo o seu para não ficar sem ele: Livros sobre cangaço se demorar adquiri-los ficará sem eles, porque são arrebatados pelos colecionadores.

Fontes:


https://tokdehistoria.com.br/2016/08/17/na-capital-federal-lancamento-do-livro-o-sertao-anarquico-de-lampiao-de-luiz-serra/

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FILHO DO CRIADOR DA SANDÁLIA DE LAMPIÃO VIRA ÍCONE DO MUNDO FASHION


Matéria da Folha de São Paulo (30/12/2015) que conta a história do Raimundo Seleiro pelo filho Espedito Seleiro com Lampião!

--Se é ficção ou não o problema é do Jornal, aliás um dos 2 melhores jornais de SP, o outro jornal é o Estado de São Paulo!

Além desse jornal essa história está contada no livro "Lampião" de Luiz Luna!

--Abços Cabroeira!

"O cabra chegou para meu pai e disse que queria uma sandália diferente, de solado quadrado, sem marca da curva da sola do pé. Mostrou um modelo desenhado. Meu pai disse que fazia. Dias depois o cabra veio buscar a encomenda e perguntou a meu pai se ele sabia para quem era a sandália. 'Não é para você?', meu pai perguntou. 'Não, é para o Capitão Virgulino'. 'Pois leve a sandália e nem precisa pagar'".

É assim que Espedito Velozo de Carvalho, o Mestre Espedito Seleiro, 77 anos, resume como surgiu a sandália mais famosa de tantas de seu ateliê em Nova Olinda, cidade do interior do Ceará, a 500 km de Fortaleza.

A sandália de solado quadrado era mesmo para o Capitão Virgulino Ferreira, o Lampião, chefe do bando de cangaceiros que impunha medo, respeito e fascínio no interior do Nordeste nos anos 1930"...

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/12/1724368-filho-do-criador-da-sandalia-de-lampiao-vira-icone-do-mundo-fashion.shtml?cmpid=compfb

https://www.facebook.com/groups/ocangaco/1481045261908587/?notif_t=like&notif_id=1488308793068536

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ANIMAIS DE PEQUENO PORTE CRIADOS EM ASSENTAMENTOS RURAIS DE MOSSORÓ/RN SENDO COMERCIALIZADOS NA FEIRA DO BODE

Por José Romero de Araújo Cardoso

Animais de pequeno porte criados em assentamentos rurais de Mossoró/RN sendo comercializados na Feira do Bode, localizada no Parque Armando Buá, entre a Av. Leste - Oeste e a Universidade Federal Rural do Semiárido (Antiga Escola Superior de Agricultura de Mossoró - ESAM). 








Essas fotografias fazem parte do acervo iconográfico da dissertação de mestrado por título de A IMPORTÂNCIA DA CAPRINO-OVINOCULTURA EM ASSENTAMENTOS RURAIS DE MOSSORÓ, defendida junto ao PRODEMA-UERN em 02 de julho de 2002, orientada pelo Prof. Dr. Benedito Vasconcelos Mendes.

Crédito das fotos: José Romero Araújo Cardoso

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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O COMBATE DE JOÃO SABINO

Por Clauder Arcanjo

— Clauder Arcanjo, seu João teve um AVC. Ligue-me com urgência.

Era manhã do dia 4 de janeiro de 2017. Eu havia desembarcado no aeroporto de Fortaleza, pela madrugada, retornando de mais um quinzena de trabalho em alto-mar, e deixara o telefone desligado. Quando acordei e liguei-o, a terrível mensagem do amigo Raimundo Antonio de Souza Lopes.

Ao contactar com os amigos comuns, Ângela Rodrigues Gurgel e Raimundo Antonio, colhi detalhes da péssima notícia. João Sabino convalescia de um acidente vascular cerebral, os movimentos do lado esquerdo do corpo foram atingidos e ele estava na UTI do hospital sob cuidados médicos.

A minha cabeça parou, a mente circunvaga sem rumo e sem prumo. Um pouco tonto, confesso, com a “porrada” que eu recebera. Cuidei de me sentar na poltrona da sala do apartamento em Fortaleza. Não imaginava aquele valente sertanejo alquebrado e em cima de um leito. Como levo sempre um terço no bolso da calça, retirei-o e fiz uma oração pela rápida recuperação do meu amigo. Sua máxima, forte nos meus ouvidos: “Se o Sol nascer na frente, então é dia de trabalho!”.


João Sabino de Moura: um homem de sonhos, esperança e realizações. Este é o título de uma das biografias mais interessantes que li nos últimos anos.

Num país infestado de relatos de tipos mais próximos à categoria de santos do pau oco, de homens com vitórias chinfrins, ou de historietas de timoneiros (ou de descendentes) de clãs tradicionais, é sempre gratificante ler, e vibrar, com o relato de um cidadão que veio do povo. De um filho das quebradas do sertão potiguar, de um menino que sentiu na própria pele (e no estômago vazio) o caroço duro da fome, de um garoto que palmilhou as veredas espinhentas de nossos tabuleiros áridos, de um rapaz que teve que engolir o pão que o diabo amassou na cidade para sentir o prazer de uma boia um pouco mais farta.

Acompanhei, como editor-executivo da Sarau das Letras, cada capítulo dessa magnífica obra. O autor e o biografado tornaram-se confidentes e amigos íntimos. Toda vida que eu entrava no escritório do Seu João Sabino para um encontro com eles, flagrava-os em gaitadas estupefacientes.

— Seu João, conte aquela para o Clauder Arcanjo. Sim, aquela da sua afilhadinha! Sim, da bichinha que sempre precisava de um novo remédio... — Raimundo, a rir, espetava o biografado.

— Desse jeito, Raimundo, ele vai saber de tudo; e nem vai querer mais comprar a nossa obra depois de publicada! — devolvia Seu João, enquanto eu, editor curioso, sorvia o meu cafezinho e esperava mais uma travessura daquele menino-homem.

Ficávamos horas a revisitar os fatos, os casos e os causos desse empresário que, a tudo nos relatar, ria das próprias desventuras que superara, ao tempo em que emanava um brilho de decência e de crença no valor do trabalho para construir um futuro de esperança e fé.

Numa de nossas últimas reuniões para fechamento da obra, a convocação:

— Cuide de escrever um texto seu para “compadre” Raimundo colocar na capa de trás da biografia. Você já está sabendo muita coisa sobre mim, sabia?

— Mas, Seu João...

Ele me interrompeu, atalhando-me logo:

— Veja tudo com o Raimundo. Prazo e tudo mais — e pediu outra rodada de café, já nos avisando que havia nos escondido algumas coisas da sua vida — Ninguém pode dizer tudo de uma vez, não! Quem sabe não teremos uma segunda edição. Sou ainda muito novo, gente! — e, rindo, nos entregávamos à zombaria, tradicional algazarra de nossos encontros de fim de tarde.

Voltei para casa, e frente ao computador, deixei que o coração ditasse a minha prosa acerca do homem João Sabino de Moura:

COMBATE CONTRA O TEMPO

Numa releitura de Conta corrente, diário do escritor português Vergílio Ferreira, deparo-me com a máxima: “... toda a obra de arte é um combate contra o tempo, contra a morte, a decadência de nós, a estupidez e opacidade do mundo. Assim o parar é dar razão ao que nos nega, é sermos o que não somos...”.

Raimundo Antonio de Souza Lopes, com mais esta biografia, desta feita acompanhando e desvendando a saga do empreendedor potiguar João Sabino de Moura, evita que caiamos no rio turvo do esquecimento, deixando fenecer a rica memória de nossa gente, ainda tão carente de relatos acerca da história de homens e mulheres valorosos. Aqui João Sabino confessa-se, entrega-se e revela-se de todo — algumas páginas trágicas, outras líricas e telúricas, sem falar nas eivadas de comicidade. Enfim, uma biografia assentada e focada no humano, obra de um escritor competente, audaz, inquieto e profícuo na arte de combater a decadência, a estupidez e a opacidade do mundo.

Clauder Arcanjo
Escritor e editor

A biografia foi publicada, e os leitores brindados com páginas antológicas.

Retornamos a Mossoró e Luzia e eu fomos visitar Seu João Sabino. Já deixara o hospital, e se encontrava num dos apartamentos do seu hotel.
À entrada, ao ver meu amigo numa cadeira de rodas e com o olhar baixo, uma lágrima traiçoeira assoma à minha face. Abraçamo-nos e... choramos juntos.

Somente hoje, caro leitor, já findo fevereiro, reuni coragem para escrever sobre o novo combate de João Sabino. A sua recuperação está sendo com muita luta e sofrimento; ao tratamento fisioterápico ele se entrega como um Aquiles nos campos de Tróia. Contudo, que ninguém duvide, ele vai vencer. João Sabino é, antes de tudo, um forte.

Por fim, uma curiosidade: Seu João Sabino já começou a escrever a continuação de sua biografia. O Sol continua a nascer na frente para este grande Filho de Deus.

Abro o Livro dos Livros, e, lá, reencontro-me com a palavra do Evangelhista João:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus.

Clauder Arcanjo
clauderarcanjo@gmail.com

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso


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ÁGUA BRANCA E A TRILOGIA MAIS ESPERADA DO ANO...


Uma das mais belas cidades das Alagoas, a acolhedora Agua Branca, começou a testemunhar na manha deste último sábado, dia 25 de fevereiro a consolidação de uma das mais esperadas agendas Cariri Cangaço para o ano de 2017. Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço capitaneou ao lado dos Conselheiros Edvaldo Feitosa e Archimedes Marques, um conjunto de visitas e reuniões que marcaram o inicio do consórcio intermunicipal que realizará entre os dias 7 e 10 de setembro de 2017, o grande Cariri Cangaço envolvendo os municípios de Água Branca, Delmiro Gouveia e Piranhas.

 Manoel Severo, Professor Heládio e Edvaldo Feitosa
Heldemar Garcia, Manoel Severo e Rafael e Katiane Toledo
Cariri Cangaço em Agua Branca
Edvaldo Feitosa, Manoel Severo e Elane Marques
Ingrid Rebouças

A Caravana Cariri Cangaço após visitar o patrimônio histórico e arquitetônico da encantadora Água Branca foi recebida em reunião no paço municipal pelo prefeito  José Carlos, pelo vice-prefeito Maciel, que reuniram os principais colaboradores da gestão; os secretários municipais de educação, professora Vitoria, o secretário de saúde, Rafael Toledo, o secretário de cultura, Professor Heládio, e representante da câmara municipal, vereador Orlando, para uma grande reunião de trabalho que contou ainda, além de Manoel Severo e os Conselheiros Edvaldo Feitosa e Archimedes Marques, com a escritora Elane Marques, o jornalista e assessor de marketing institucional do Cariri Cangaço, Heldemar Garcia, Ingrid Rebouças, Micheline Garcia, dona Zilda e Dra Katiane Toledo.

No encontro foram delineadas as principais linhas de atuação tanto da municipalidade como do Instituto Cariri do Brasil, para realização do grande empreendimento que reunirá três dos mais importantes municípios alagoanos; Manoel Severo reafirmou o compromisso e o legado do Cariri Cangaço em realizar um evento “responsável e inovador, reunindo os maiores pesquisadores do Brasil, numa das regiões mais ricas em historia e tradição”. Para o prefeito de Água Branca, José Carlos, “será a maior honra receber de forma oficial o Cariri Cangaço em Água Branca, faremos tudo que estiver ao nosso alcance para proporcionar uma grande festa a todos os que virão do Brasil inteiro ao nosso Cariri Cangaço”.

 Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço apresenta o Projeto para o prefeito José Carlos e o vice Maciel, além dos secretários Rafael Toledo, Professora Vitoria, Professor Heládio e demais participantes do Encontro.
 Reunião do Cariri Cangaço na Prefeitura de Água Branca 

Para o Conselheiro Cariri Cangaço, Archimedes Marques: “Hoje testemunhamos o grande compromisso do prefeito de Água Branca com o Cariri Cangaço, quando reuniu seu principal secretariado, num sábado de carnaval, para essa importante e vital reunião, sem dúvidas saímos daqui impressionados com a confiança depositada pelo município no Cariri Cangaço, isso é maravilhoso”. Edvaldo Feitosa, Conselheiro Cariri Cangaço e coordenador e principal responsável pelo Cariri Cangaço Água Branca, reforça: “Sem dúvidas todos que vierem ao Cariri Cangaço em Setembro, terão uma grande surpresa, faremos o maior evento já realizado na região, principalmente agora com a união de Delmiro Gouveia e Piranhas, será uma festa inesquecível”.

O vice-prefeito Maciel, revelou a surpresa com a grandiosidade do Cariri Cangaço: “Ano passado podemos testemunhar a grandeza do evento, estiveram em Água Branca, pessoas de todo o Brasil, para nós é uma grande honra, vocês vão contar com nosso esforço e faremos um grande evento”. Os secretários municipais presentes ao encontro reafirmaram o compromisso de suas pastas no trabalho articulado para o Cariri Cangaço. A escritora Elane Marques lembrou “a inciativa a partir dos secretários de educação, professora Vitoria e de cultura, Heládio, em realizarem um grande concurso de redação com a rede municipal de ensino para o Cariri Cangaço, isso só confirma a responsabilidade e capilaridade do Cariri Cangaço no município, todos estão de parabéns”.

Vice prefeito Maciel, Manoel Severo, Prefeito José Carlos e Edvaldo Feitosa
 Ingrid Rebouças e Dona Zilda
Archimedes Marques e Manoel Severo
Rafael Toledo e Manoel Severo

Água Branca que sediou um dia por ocasião da Edição do Cariri Cangaço Piranhas 2016, agora receberá dois dias do Cariri Cangaço em setembro, nesta nova formatação reunindo os três municípios, numa autentica festa genuinamente nordestina. Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço fala: “Hoje realmente nos sentimos mais que felizes, a forma como fomos recebidos pelo prefeito José Carlos e sua equipe de trabalho, o compromisso assumido, a disposição e mais do isso, a convicção de juntos realizarmos esse grande empreendimento, nos enche de alegria, mas também de responsabilidade, avante Água Branca, até setembro!”

 Cariri Cangaço e o Mirante de Água Branca
Manoel Severo e Dona Dora, guardião do Mirante
 Micheline Andrade
 Prefeito José Carlos e Elane Marques
 Secretario de Cultura Professor Heládio e Elane Marques
 Cariri Cangaço chega a Água Branca

Após a reunião de trabalho que reuniu os principais colaboradores da gestão municipal de Água Branca com representantes do Conselho do Cariri Cangaço, todos participaram de almoço festivo oferecido pelo prefeito municipal José Carlos, coroando o dia em que se começava a construir mais um inesquecível Cariri Cangaço em Alagoas.

Heldemar Garcia, jornalista, especialista em Marketing
Assessor de Marketing Institucional do Cariri Cangaço
Água Branca, 25 de Fevereiro de 2017. 

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FUTURO REAL

Por José Ribamar

Alimentarei os vermes
Que há de escaveirar-me,
Quando no real estado
De putrefação achar-me
No íntimo do bojo eterno
Onde o juizado externo
Não terá voz pra julgar-me.

Soterrado num esquife
 Verei os meus ossos serem,
Divorciados das carnes
Que torrões há de comerem...
Inútil pro mundo fútil
Sentirei na terra útil
Os micróbios me vencerem.

Do meu sangue congelado
A cova usufruirá,
Que ente reencarnado
De volta ao mundo trará?
Meu QI como tesouro
Que nem mesmo a voz do ouro
O seu brado calará.

Imóvel feito uma pedra
De mármore, dentre os talhados,
Serei mais um grão de carne
Chagado pelos pecados,
Que para o pai Jeová
Por séculos sem fim, será
Mais um sonho esfacelado.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso


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PRIMEIRA PALESTRA QUE REALIZEI, QUANDO DO II FÓRUM DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DO CANGAÇO, REALIZADO EM MOSSORÓ/RN NO ANO DE 1994

Por José Romero de Araújo Cardoso

Primeira palestra que realizei, quando do II Fórum da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, realizado em Mossoró/RN no ano de 1994, quando dos 67 anos da tentativa de ataque do bando de Lampião à Capital do Oeste Potiguar. O tema da minha palestra foi O CANGACEIRISMO NO ESTADO DA PARAÍBA, a qual ampliei e inseri Coluna Prestes e Revolta de Princesa. Na ocasião estava sendo apresentado pelo estimado amigo Kydelmir Dantas, na época vice-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC. A palestra foi realizada no Museu Lauro da Escóssia no dia 13 de julho de 1994, exatamente quando completavam-se 67 anos do malogrado ataque do bando de Lampião a Mossoró. Nesse ano de 2017 está completando 90 anos da tentativa sem sucesso de invasão cangaceira.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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PROFESSOR E ESCRITOR LUIZ SERRA


Recebemos esta lembrança amabilíssima de dois leitores de Pirenópolis, evento impulsionado pela escritora e livreira Íris Borges.


Foto Paulo de Araújo. — com Maria Clara Arreguy Maia.


Na Rádio Senado. Entrevista com Margarida Patriota, escritora, professora, notável estudiosa de nossa literatura.


Bienal do Livro Brasília 2016

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REVISTA "REGIÃO" DE CRATO/CE - A VINGANÇA DO TENENTE ANTÔNIO .

Reportagem de Osvaldo Alves

Dizendo chamar-se legitimamente Antônio Manuel Filho, o tenente Antônio de Amélia, famoso por haver vingado a morte de um sócio, matando três cabras de Lampião, recebeu o repórter na sua Fazenda Piau, a cinco quilômetros da cidade de Ouricuri. Naquela visita fizemo-nos acompanhar do Dr. Edilton Luna, Promotor de Justiça de Bodocó e do jornalista Francisco Rocha, correspondente de "Região" no estado de Pernambuco.

A historia do tenente Antônio é longa e cheia de lances perigosos. Nascido em Alagoas, na cidade de Mata Grande, AL pertenceu a Policia pernambucana, na época de Lampião. Hoje é tranquilo fazendeiro em Ouricuri, somente molestado pela insistente curiosidade de algum repórter da revista Região, pois fomos os únicos, até agora, a localizar, no seu retiro, o valente oficial reformado da Policia pernambucana, muitos anos depois de sua arriscada aventura.

Trajando calça escura e camisa branca, óculos de grau a ponta do nariz, foi assim que encontramos Antônio de Amélia no alpendre da Casa Grande da Fazenda Piau. Inicialmente meio arredio, mas logo se derramou em cordialidade e falou com toda franqueza contando sua historia, suas proezas, suas aventuras, finalmente o desfecho com a morte de quatro elementos do grupo de Lampião. Foi bate-papo longo, aqui e acolá entremeado de risos do nosso entrevistado, quando recordava um episódio cômico ocorrido em meio a mais terrível expectativa, nas horas de maior perigo.

Corisco sangra Mizael e desfecha-lhe dois tiros na cabeça.


Primeiro veio a noticia: mataram Antônio Mizael. Corisco - Conta-nos o Tenente Antônio - Tocaiou o meu sócio Mizael. Ele tinha uma propriedade - O sitio Catinga. Deu feira em Inhapi, e depois foi empreitar umas terras para plantação de feijão. Em lá chegando deparou com Corisco, cabra do grupo de Lampião. Com a ajuda de outros três bandidos Corisco amarrou o meu sócio, em seguida sangraram-no e depois deu dois tiros na cabeça. Recebi telegrama em Caruaru comunicando o fato. Meio tonto com a noticia fui a Inhapi e comuniquei ao Prefeito Antônio Mota que iria fazer uma tragédia com a morte de Mizael. Só Deus evitaria de matar um dos cangaceiros. Mizael será vingado, custe o que custar. E preparei o plano.

Familiares do Tenente eram amigos de Lampião.

Após um cafezinho servido as visitas, Antônio de Amélia prossegue no seu relato: "Estando, certo dia, em uma firma comercial, em Inhapi, em companhia do meu amigo corretor Pedro Paulo, expliquei para ele o meu desgosto por ter sabido da grande amizade de pessoas de minha família com Lampião e seus cangaceiros. Sendo eu da família, prefiro ir embora a ver acontecer alguma coisa desagradável com eles. A uma perguntas de Antônio Paulo, que o maior relacionamento de Lampião era com o meu parente Sebastião. Soube até que ele tem um rifle do bandido para consertar, além de um cantil que eles mandaram fazer de zinco e tem ainda umas cartucheiras enfeitadas de metal, também para conserto.

O encontro com Sebastião

Sem mencionar o sobrenome de Sebastião, Antônio de Amélia conta as providências tomadas na articulação de seu plano para vingar a morte do sócio Mizael. Protestando, de inicio, suas ligações com o grupo de Lampião, Sebastião findou concordando com Antônio de Amélia. No momento travou-se este dialogo, entre os dois:

- Sebastião, vamos liquidar esses cabras?

- Não, porque ninguém pode. Eles são muito desconfiados e valentes como cobras venenosas.

- Confie no meu plano. Garanto que dará certo.

- Estou até esperando por alguns deles, para entregar umas encomendas.

A longa espera

Atendendo a uma sugestão de Sebastião, Antônio de Amélia conta que, em companhia de pessoa indicada por Sebastião, se dirigiu para o local não muito distante do sitio onde o seu parente teria encontro com os cabras de Virgolino. Ali aguardaria as noticias de Sebastião ou a ordem para se apresentar na casa onde estavam os bandidos. Antônio de Amélia conta que, durante oito horas, escondido no mato, ficou a espera de Sebastião, que só apareceu as dez da noite, esclarecendo que teve que realizar algumas compras em Inhapi e, de volta, demorou numa festinha de casamento.

- Pensei - disse Antônio de Amélia - que você tivesse denunciado o plano e nós é que iriamos morrer: A seguir Sebastião meio pessimista quanto ao bom resultado do plano do seu parente:

- Não vai dar jeito para vocês, apesar de Lampião não ter vindo com os cabras que já estão aqui. Quem veio comandando os cangaceiros foi Luiz Pedro, agora, tem muita gente. Estão distante daqui, uma légua.

Fingiram haver morto um soldado para gozar da confiança dos cangaceiros.


Distante uma légua do sitio onde se encontravam Antônio de Amélia, seu primo Sebastião e Antônio Tiago, compadre do primeiro e amigo para enfrentar as mais difíceis situações, estava acampado um dos grupos do famoso bandoleiro do Pajeú. Foi neste local, conta Antônio de Amélia, que Sebastião, conhecido do grupo, pois para eles trabalhava em serviço de consertos de armas, costura de embornais e outras atividades de sua profissão, apresentou-me a mim e ao compadre Antônio Tiago: - Aqui é gente minha - esclareceu na hora da apresentação, adiantando: - Eles mataram um soldado e estão refugiados na Casa de João Aires. A policia os anda perseguindo, embora não saiba onde eles se encontram.

A historia da "morte" do soldado, ardilosamente criada por Antônio de Amélia, foi o bastante para que os estranhos passassem a gozar da simpatia e confiança do grupo. Para eles, cabras de Lampião era herói quem assassinasse um soldado e duas vezes herói quem matasse um oficial.

Integrados ao grupo, Antônio e seus companheiros passaram a dar os últimos retoques no plano. Pelo menos já haviam conseguido penetrar no bando, o que muito facilitaria a execução de tudo quanto imaginaram perpetrar para vingar a morte do sócio Mizael. Naquele mesmo dia, a sombra das árvores, comeram, beberam e dançaram, homem com homem.


Antônio de Amélia é o quarto à direita.

Interessante observação nos fez o Tenente Antônio de Amélia, a nos explicasse que mesmo sendo em pequeno grupo, os cabras de Lampião jamais dormiram todos agrupados num mesmo local. Na hora de dormir se espalhavam a fim de garantir uma reação no caso de serem surpreendidos por uma visita desagradável dos volantes policiais.

Encontro com Lampião.

Reunidos ao grupo chefiado por Luiz Pedro, prossegue Antônio de Amélia na sua narração - Fomos a Fazenda de Pedro Ferreira, um amigo de Lampião.

Ali recebidos com muito queijo e carne seca de bode. Neste local os cabras demoraram pouco tempo. Daí seguiram ao encontro do chefe. A apresentação da mais nova aquisição do bando foi feita por Luiz Pedro.

- É gente de Sebastião - explicou o apresentador sob o olhar meio desconfiado de Lampião. Dada a grande confiança que gozava Sebastião junto a Lampião e seus cabras, os visitantes logo puderam ficar a vontade.

Grupo se divide para confundir as volantes 

Contou-nos Antônio de Amélia: Todos os elementos do grupo estavam reunidos. Lampião, tendo ao seu lado a companheira inseparável Maria Bonita, começou a distribuir ordens. Precisava demorar, por muito tempo, naquele acampamento, para repouso, depois de longas caminhadas e reiterados encontros com as volantes policiais e de ataques a indefesas cidades nordestinas. Chamando Suspeita, um dos seus fiéis comandados, ordenou que fosse a cidade de Mata Grande. E prosseguiu o Rei do cangaço:

- Receba umas encomendas de Sebastião e depois, da Mata Grande mate Alfredo Curim, Zé Horácio da Ipueira e faça 6 ou 7 mortes na família dos Bentos que é para ficarmos aqui despreocupados. De lá viaje para onde quiser, que passe fora uns 15 dias a um mês. 

Alegando Suspeita, que os cangaceiros do seu grupo precisavam arrumar certas coisas, Lampião autorizou que retirasse elementos de outros grupos. Foi aí que Fortaleza, que era do grupo de Luiz Pedro, Medalha, que sempre acompanhava o chefe, e Limoeiro, que pertencia a outro, passaram a compor o pessoal de Suspeita para o cumprimento daquelas ordens. Ao mesmo grupo nos incorporamos. Isto é, eu, Sebastião e Antônio Tiago. Mais tarde, quando estávamos de passagem pelo município de Santana, Zeca, irmão de Sebastião e Alfredo, seu primo, se reuniram a nós, após as necessárias apresentações.

Em diferentes direções outros grupos saíram.

Seguindo as ordens do capitão Virgolino, diversos grupos seguiram em diferentes direções, com o mesmo objetivo de desviar a atenção das volantes e facilitar a permanência de Lampião, naquele local: Um deles, disse-nos Antônio de Amélia, se dirigiu a Matinha de Agua Branca, terra da famosa baronesa, cujas jóias foram roubadas por Lampião, no inicio de sua carreira.

Cangaceiros deram para desconfiar.

Acampados no meio da mata, Suspeita e sua gente aproveitaram a presença de Zeca, primo de Sebastião, que era bom rabequista, para, ao lado de uma fogueira, dançarem e beberem durante toda a noite.

Antônio de Amélia prossegue na sua narração: Aproveitando os cabras entretidos na dança, chamei Sebastião e disse para ele: vamos ter um pouquinho de cuidado com os cabras. Parece que eles estão um pouquinho desconfiados. Chamei depois o meu compadre Antônio Tiago e combinamos:

- O primeiro tiro será dado por mim em "Fortaleza". Compadre Antônio cuida de "Limoeiro" e Sebastião de "Suspeita".

Aguardaremos, com cuidado a melhor oportunidade. Neste momento pude observar que Suspeita e Fortaleza se isolaram do grupo e, todos equipados, se dirigiam a um riacho nas proximidades do lugar de nosso acampamento.

Foi aí que Sebastião se dirigiu até o local onde os dois se achavam e perguntou:

- O que está havendo com você, Suspeita, que está triste e capiongo? 

Ao que Suspeita exclamou:

- Nada não, companheiro. Quem anda nessa vida precisa ter todo cuidado. Precisa confiar desconfiando.

Sebastião retrucou:

- Então está desconfiando de mim que tudo tenho feito por vocês e gosto de você e do Capitão? Neste caso não mande mais me chamar para coisa nenhuma. E saiu para perto da fogueira.

Diante da reação de Sebastião tudo voltou ao normal no acampamento, mesmo porque advertir, - disse Antônio de Amélia - para cessar a dança e o barulho da rabeca, pois dada a pequena distancia daquele local para a estrada, poderiam ser surpreendidos por alguma volante.

Tentativa frustrada.


Prosseguindo na entrevista, comenta Antônio de Amélia: todos reunidos ao pé da fogueira contavam anedotas ou relembravam fatos pitorescos ocorridos em outras ocasiões. Medalha levanta-se e se encontra a um pé de catingueira, enquanto Fortaleza se ampara em um toco escorou o embornal e ficou voltado para o fogo. Limoeiro, ao lado de Antônio Tiago, ouvia as historias que outros contavam. Foi neste momento que, ao me aproximar cautelosamente de Fortaleza, baixei o mosquetão em cima dele mas pinou a bala. Foi quando procurei despistar colocando rápido o rifle as costas e fui passando debaixo dos galhos das árvores.

Nisto gritou Limoeiro:

- O que foi?

- Foi o galho que pegou aqui na mira do rifle.

Passando o episódio, frustrada a primeira tentativa de liquidar os bandidos, pude distanciar-me um pouco e sacudi a bala fora, colocando outra na agulha. Antes, justifiquei o caso afirmando inexperiência no uso de armas daquele tipo.

A hora da vingança.

O momento da vingança chegou: disse o tenente Antônio, de volta após mudada a bala que falhou e colocada outra na agulha, desci o mosquetão e o primeiro tiro pegou na cara do bandido Fortaleza, que enterrou os pés e caiu em seguida por sobre os paus. Dei o segundo tiro que o atingiu no ombro. Nisto ouvi disparo: Era compadre Antônio Tiago havia atirado em Limoeiro, enquanto numa sequência rápida, Sebastião pegou Suspeita pelo meio.

Alfredo ataca Medalha e saíram aos trancos e barrancos numa luta corporal danada. Corri para lá e encontrei suspeita com Sebastião imprensado na ribanceira do riacho tentando puxar o punhal que, por ser grande demais, não dava para arrancar da cintura. Sebastião então grita para mim: chegue se não este cabra me mata. Bati com a boca do mosquetão no pé do ouvido do cabra que o sangue acompanhou. Nisso Sebastião pode dominar Suspeita e joga-lo no chão. Quis usar novamente o mosquetão, mas Sebastião gritou:

- Não atire que você pode errar e me atingir, e mesmo o bandido já está morrendo.

Em seguida corremos para o lugar onde António Tiago e Limoeiro se engalfinhavam numa luta de gigantes. Eram dois negros enrolados numa luta feroz.

Nisso Sebastião pegou nos cabelos de Limoeiro e exclamou: 

- Foi este bandido que sangrou o finado Mizael. 

- Fui mandado, disse Limoeiro. Pelo amor de Deus não me sangrem. Atirem na minha cabeça, mas não me sangrem. 

Um tiro reboou na mata. Caia morto o terceiro bandido. Estava vingada a morte do amigo de Antônio de Amélia. Partimos para o lugar onde Alfredo, pegado com medalha, tentava matá-lo. Alfredo é desses cabras vermelhos de cabelo ruim que quando pegam um não soltam. Ao nos ver disse:

- Decá uma faca. Deixem eu matar este peste.

Não permiti que matasse, explicando que deveria levá-lo para ser entregue as autoridades.

O diálogo entre Sebastião e Medalha

Outro episodio que nunca foi citado nos livros e reportagens sobre o rei do cangaço foi o que passamos a enfocar: já amarrado, pés e mãos, Medalha exclamou para Sebastião a que passou a tratar de Tião:

- Como é que você faz dessas... chamar seus parceiros para vir matar a gente?

Ao que Tião responde:

- Vocês estão acostumados a matar com facilidade, nós também podemos matar vocês na facilidade.

- Eu não sou homem para ser preso, me atirem na cabeça... me sangrem que eu fico satisfeito.

- Você está preso e garantido, explicou Tião.

No meio da luta uma segunda vingança

Praticamente encerrado o impasse entre matar ou prender, entra em cena novamente Alfredo, de arma em punho. Com revólver colocado por cima dos ombros de Tião, desfechou um tiro certeiro na cabeça de medalha. Tombou o quarto bandido. É o próprio Tenente Antônio de Amélia, explica a interferência de Alfredo no caso Medalha:

No meio da luta o velho Felix, pai de Alfredo, ao se aproximar do local do acampamento foi atingido por uma bala no peito esquerdo e foi fulminado na hora. O filho, como um louco, viu o pai cair morto e não teve outra alternativa a não ser a de matar, com a pistola de Limoeiro, mais um bandido do grupo sinistro de Lampião.

Exposição macabra dos bandoleiros e no caixão Félix Alves, pai de Alfredo.



O enterro coletivo dos quatro cangaceiros no cemitério de Mata Grande.
Noite Illustrada, Edição 319 de 12 de outubro de 1935. Página 10
 Cortesia do scanner: Robério Santos

Créditos: Roberto de Carvalho
Transcrição Antonio Moraes para o Blog do Sanharol
Correções e adição de imagens: Lampião Aceso

Adendo Lampião Aceso

A literatura nos diz que este grupo foi orientado pelo tenente Joaquim "Grande", mas em nenhum momento este ou outro oficial é citado por Antônio de Amélia. De acordo com a legenda das duas primeiras fotografias o fato ocorreu entre 18 e 19 de setembro de 1935 em Mata Grande Alagoas.

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