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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Semana dedicada ao escritor e pesquisador do cangaço Alcino Alves Costa - Parte III

Os amigos de Alcino


CONTINUA...

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Casa das André; nova Casa da Cultura de Barro


A mais antiga casa da cidade do Barro, conhecida como casa das André, a primeira edificação dessa urbe, construída em 1894 por André Rodrigues dos Santos, filho de Pedro Rodrigues dos Santos, o primeiro a habitar essas terras, toda em pedra rocha arenosa extraídas de lajeiros existentes nos arredores, é por se só testemunha de um passado de lutas de todos que ali habitaram. Quer fosse pelo desenvolvimento educacional ou religioso a casa das André era referência na macha fleumática pelo progresso desde muito tempo. Era lá a hospedaria de Bispos, Padres, Monsenhores e educadores em geral.

Mesmo antes do centenário de sua construção, um membro dessa conceituada família, um homem de uma visão admirável, que nasceu em um pequenino quarto daquelas dependências, abriu mão de interesses outros e planejou tornar aquela vivenda em ruinas, em algo que pudesse ofertar as novas gerações da cidade, aquele desígnio de seus antepassados, transmitir conhecimentos. José Nello Zerinho Rodrigues planejou e com recursos próprios restaurou a velha casa e a deu de presente aos seus conterrâneos.

A CASA DA CULTURA

119 anos se passaram e em uma parceria extraordinária constituída entre a fundação Zerinho e o poder público municipal de Barro, ofertou a toda a população nesse dia 1º de maio, dia do trabalho, a comemoração de sua inauguração.

Um ato celebrado com muita festa!  A brilhante apresentação da banda marcial Eliel Nunes Rodrigues do IFPB (Instituto Federal de Educação Ciência e tecnologia da Paraíba) veio da cidade de Souza abrilhantar o evento seguido pela banda de musica do município do Barro que fizeram a alegria da sociedade que veio prestigiar.

A casa da cultura denominada “André Rodrigues” uma homenagem as duas famílias que muito fizeram pelo município, será um ponto de encontro de artistas de diversos segmentos como: teatro, cinema, musica, dança, artesanato, fotografia e artes folclóricas em geral.

Os visitantes poderão despertar a curiosidade apreciando relíquias históricas do município e vários objetos que divulgam o sertão nordestino na parte mais antiga da casa, toda mantida na sua originalidade.

A Casa da Cultura André Rodrigues estará sempre a serviço da arte e da cultura, da história e da memória do povo barrense. cerimônia contou com a presença do ilustre filho do Barro José Nello Zerinho Rodrigues, instituidor da Fundação Zerinho e sua família, alem de várias autoridades Paraibanas como: O Deputado Estadual José Aldemir, Prefeita de Cajazeiras Dra. Denise e seu esposo Dr. Carlos Antonio, Secretario de Cultura de Cajazeiras Professor Chagas Amaro, Professor Francisco Pereira e o Professor Otávio Júnior, alem de empresários Paraibanos de vários segmentos.


Estiveram prestigiando também prelados de vários municípios cearenses, historiadores, filhos ilustres do Barro e autoridades locais como o Prefeito Municipal de Barro Francisco Luiz Tavares de Araújo (Neneca), Presidente da Câmara Municipal, Vereador Eurandir (Koringa), vereadores, Secretários municipais e o Pároco do nosso 

Santuário da Divina Misericórdia, Padre Arnaldo Pereira.

Veja mais:



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Conflitos Históricos Assalto à casa do alto Alegre

Por: Heitor Feitosa Macêdo
Ruínas da Casa do Alto Alegre.

O Alto Alegre era uma das fazendas pertencentes a Joaquim Solano Alves Feitosa, descendente da mais ilustre cepa do sertão dos Inhamuns, sendo o seu pai, o Coronel Joaquim Alves Feitosa (Coronel Quim),  Comandante Superior do Batalhão da Guarda Nacional, chefe político do partido liberal, e Deputado Provincial no biênio 1868/1869. [1] A fazenda localiza-se entre os municípios cearenses de Aiuaba e Campos Sales, na divisa com o Piauí. Um lugar ermo, como quase todos naquela hinterlândia.

O titular da casa era um homem abastado, pois descendia da fina flor de sua estirpe. Pela linha paterna era neto do capitão Pedro Alves Feitosa, senhor da fazenda Cococá (Cocá) e de sua esposa Maria Madalena de Castro. [2] Já pela linha materna o garbo era maior, pois sua mãe, Maria Madalena, era neta do Major José do Vale Pedrosa [3], senhor de 64 fazendas [4], e possuidor da maior escravaria [5] de todo o Inhamuns, quiçá também do Ceará.

Joaquim Solano era fruto da endogamia praticada em sua família a mais de século, onde primo casava com primo, às vezes tio com sobrinha, e assim por diante, geração após geração. Dificilmente rompia-se esse hermetismo matrimonial, pois as poucas famílias que se agregaram foram praticamente dissolvidas ao longo das gerações.

Solano não era um patronímico, mas apenas uma homenagem que o pai de Joaquim fizera ao intimorato general Francisco Solano López, presidente vitalício do Paraguai. E, apesar de o Coronel Joaquim Alves Feitosa ser responsável pela arregimentação dos soldados para a Guerra do Paraguai [6], resolveu pôr a alcunha do inimigo de seu país em um de seus filhos [7], mostrando-se ser admirador do general paraguaio.

A principal riqueza naqueles tempos era terra, gado e ouro, e nenhum destes faltava àquela gente que pouca importância dava a agricultura.


Quando da morte da esposa do Coronel Joaquim, fora dividido por ele todo o ouro que pertencia à finada. Diz-se que se puseram várias quartas do precioso metal, até cobrir a enorme superfície de uma mesa. Então, ele ordenou que as filhas fossem as primeiras a retirar o que lhes aprouvesse, depois disso, os filhos rateariam o restante. Talvez por isso a fazenda Barra do Puiú, berço de Joaquim Solano, fosse também conhecida como a “Barra do Ouro”, fama que traria consequências nefandas aos descendentes desta casa.

Por volta de 1925 [8], Antônio do Jerimum (Antônio Soares), promoveu um assalto a Joaquim Solano Alves Feitosa, na Fazenda Alto Alegre. O autor do roubo era oriundo do Pernambuco, mas residia nos Inhamuns, na fazenda Jerimum, pertencente a Leandro da Barra (Leandro Custódio de Oliveira e Castro). Este costumava acoutar em suas propriedades gente que dele se valia, conforme o costume da época. [9]

Muitos dos indivíduos que se homiziavam nos Inhamuns, estigmatizados em suas vidas pregressas, buscavam a proteção dos chefes locais, pois o poder encerrado por estes amalgamava o público e o privado.

Naqueles tempos, nas primeiras décadas da República, a política sustentava-se em exércitos particulares, só ascendendo ao governo através da força, o qual, depois de conquistado, só poderia ser mantido a ferro e fogo. Assim, cada qual que se municiasse de homens suficientes ao seu prestígio político, fato que a pouco convulsionara o Sul do Cariri [10].

Tais práticas reverberaram em todo o Ceará, sobretudo após a sedição de Juazeiro, em 1914. Os irmãos do célebre cangaceiro Antônio Silvino [11] (Vicente, José e Miguel) haviam deixado Pernambuco fugindo das perseguições movidas contra eles, e foram recebidos também pelo coronel Leandro da Barra, que os acolheu sob a condição de abandonarem o cangaço. [12]

Paralelamente a isso, o Coronel Lourenço Alves Feitosa e Castro também dera proteção a um desses pernambucanos, especificamente a Vicente Silvino, do qual se tornou compadre. Contudo, Dr. Floro Bartolomeu terminou aliciando Vicente, e, por questões políticas, peita-o para dar cabo da vida do Coronel Lourenço, no que não obteve sucesso. [13] E essa era a forma pela qual se dava a dinâmica das relações no poder.

Da mesma forma que Vicente Silvino, os indivíduos que acorriam a esses rincões haviam sujado as mãos por questões de honra, ou simplesmente por conta da nômade vida do cangaço. [14] Sendo que Antônio do Jerimum mais se perfilava nesta segunda categoria, e, além disso, há tempo andava furtando animais desbragadamente nos sertões do Ceará.

José Valadão, filho de Francisco Valadão e testemunha do assalto.

O larápio já havia surripiado dois cavalos de Joaquim Solano. Animais, estes, “da sela” de Manel Cariri e Francisco Valadão, vaqueiros e moradores no Alto Alegre. Cabendo a este último desvendar a subtração, quando andava pelas veredas da Cachoeira do Cachorro, localidade lindeira ao Jerimum. Aí encontrando o rastro dos equinos subtraídos, Dourado e Calçadinho, além de pegadas humanas.

O feito criminoso fora atribuído a Antônio do Jerimum, que por tal imputação, iracundo, prometeu voltar para acertar contas com os seus delatores, talvez por julgar um opróbio, ou mesmo para fazer calar a acusação. Sendo que a ameaça foi escrita em uma carta, feita em Juazeiro do Norte, e remetida ao seu destinatário nos Inhamuns, a Joaquim Solano. [15]

Um ou dois anos depois da promessa de vingança [16], Seu Chico da Fazenda Nova (Francisco de Sales Castro) [17] manda um portador avisar a Joaquim Solano sobre a presença dos abigeatários na região, e acrescentou que a súcia compunha-se de vários elementos, que se deslocavam em direção ao Alto Alegre.

De sobreaviso, Joaquim Solano reúne-se com seus moradores, amigos e parentes, dentre os quais estavam: Francisco Valadão, Antônio Valadão, Pedro Valadão, Quinco Pepê, Antônio Ruberto, Calixto (oriundo do Cariri); além de seus filhos, Zé Solano, Deolindo Solano e Senhorsino Solano. Na presença destes Joaquim comunica a ameaça do possível ataque, porém, incautamente não entrega as armas aos circunstantes, deixando todo o material bélico trancafiado no quarto dos arreios.

De repente, no arrebol do entardecer, quando a penumbra esmaecia os últimos fulgores do ocaso, a malta sub-reptícia, composta em silhuetas indistintas, adentra o pátio da fazenda prolatando “boa noite”, sucedendo-se a seguinte perquirição: “quem é o dono da casa”. Quando prontamente o titular do velho solar, no frontispício deste, sentado lateralmente à soleira da porta, juntamente com a esposa e filhos, responde-os: “sou eu”. Dito isto, dispara-se um tiro contra Joaquim Solano, que rapidamente se agacha, evitando ser varado pela bala nivelada na altura de seu tronco.

Em seguida, deslocando-se para o interior da casa, evita que um novo disparo o atinja, sendo que o projétil desta vez esbarrou em uma meia parede, no âmago da residência. Os tiros rebentavam com tal intensidade que as lamparinas, já acesas na boca da noite, ameaçavam apagar, diminuindo suas labaredas ante o vento soprado pelo deslocamento das balas. [18]

Os filhos e a esposa da vítima, nesse ínterim, também se recolhem à guarida do lar, prestes a ser devassado. Os moradores da fazenda vão buscar refúgio na vegetação ao derredor. Mas, antes disso, Antônio Valadão “dá de mão” a um rifle, enquanto Quinco Pepê muniu-se de um fuzil que não soube “manobrar”. Este se posicionou no oitão da casa, adjunto das laranjeiras que flanqueavam a velha construção, e debalde disparou os três tiros que a arma dispunha. Os celerados perceberam o esgotamento precoce da munição pilheriando: “manobrou o rifle seco, cabra do diabo”. [19] Nada mais obstava que a corja violasse o interior daquele solar.

Francisco Valadão, em uma atitude fiel e corajosa, escondeu-se em um dos quartos a fim de socorrer o velho patriarca, pulando uma meia parede para alcançar o corredor, que ia dar no quarto em que se fizera o calabouço do chefe daquela família. Enristando uma faca, o fiel Francisco não obteve êxito, pois fora capturado pelos facínoras, melhormente armados, e ao ser indagado ironicamente sobre a desproporção bélica: “o que está fazendo com esta faca, negro”, logo respondeu: “vim morrer com meu padim”. [20]

Dona, esposa de Joaquim Solano.

Enquanto isso, Dona (Maria da Glória Ferrer Feitosa), a esposa de Joaquim Solano, segurando uma imagem do Senhor Jesus Cristo, apelou para que os malfeitores não fizessem nenhum mal ao seu marido. Mas os invasores escarcavelavam todos os cômodos em busca de algum valor, a ponto de tentarem arrancar à força os brincos das orelhas de Candóia (Cândida Solano Feitosa, “Dodóia”), filha primogênita do casal refém, a qual se despojou das joias antes que suas orelhas fossem rasgadas.

Dona findou entregando aos bandidos um dos dois baús repletos de de ouro e prata que estavam guardados na casa, arrefecendo o animus nocendi daqueles bandoleiros.

Enquanto isso, Antônio Valadão, depois de deflagrar os três parcos tiros, foi até a propriedade vizinha, a Fazenda Salão, pedir auxílio a Antônio “Tragino” (Targino), que enviou rapidamente um emissário à Fazenda Nova, onde residiam os parentes mais próximos de Joaquim Solano. Pela manhã, já de volta ao Alto Alegre, Antônio Valadão, participando dos comentários sobre o ocorrido na noite anterior, foi indagado por Joaquim Solano onde teria dormido, respondendo ter passado a noite perto da casa grande, depois de haver procurado auxílio nas terras limítrofes.

Então, nesse intervalo, Joaquim Solano trouxe as mãos cheias de balas, mas extemporaneamente, como foi admoestado por Antônio Valadão que nessa hora disse: “não seu Joaquim. Foi tarde! O senhor devia ter dado esta mão de bala esta noite”. [21] Acrescentou, segundo a logística sertaneja, rude, mas sábia, que estando o grupo na defensa da casa em maior número, dentre eles, alguns exímios atiradores, como Francisco Valadão, e estando entrincheirados no solar, seria fácil ter desbaratado os cangaceiros que lutavam no “campo da honra” (em campo aberto). [22]

O séquito dos bandoleiros se evadiu depois de subtrair o ouro e de ter seviciado o pater familias de tão distinta morada. Durante a fuga, ao alcançarem a parede do açude, Pedro do Jerimum, filho de Antônio do Jerimum, propôs aos comparsas que voltassem para matar Joaquim Solano, deblaterando: “nois demo uma pancada numa cobra, e deixemo viva”. [23] Todavia, elementos que compunham tal grupo negaram-se a voltar, não dando ouvidos às proféticas palavras do pretenso sicário.

Sem demora, iniciou-se perseguição aos facínoras, liderada por Nonô (Epaminondas Ferreira Ferro), irmão de Dona, esposa da vítima do assalto, e de muito afeito a essa labuta, porque de quando em quando se embrenhava na adusta caatinga à procura de criminosos, com fito de prendê-los, comumente na cadeia de Tauá.

Parede do açude onde os bandidos passaram durante a fuga.

Nessa cidade era chefe político o Coronel Lourenço Alves Feitosa, a quem Epaminondas dispensava bastante atenção, porquanto sempre atendia aos chamados do velho caudilho nas horas de grande necessidade, quando a inteligência não bastava para dirimir os conflitos, sem antes lançar mão da força.


Epaminondas era um homem testado nas ásperas perseguições a cangaceiros, pois fora ele, juntamente com seu irmão Bimbim (Salústio Feitosa Ferro), um dos chefes que havia perseguido Vicente Silvino, pelo fato deste ter intentado matar o Coronel Lourenço a mando de Floro Bartolomeu. [24]



O grupo formado para ir ao encalço dos ladrões demorou seis meses em suas diligências, tempo gasto para capturar o último dos gatunos, os quais iam se dispersando nos sertões como que areia ao vento. Além de Nonô, compunham o mesmo grupo: Pedro de Sousa, cabra cedido pelo coronel Leandro da Barra; Joaquim Caboclo (Tio Onça); João Lopes; “Manel” Antônio e Chiquim de Sousa (filho de Manoel Alves Feitosa Sousa, da Cabeça do Boi).



O primeiro dos cangaceiros a ser pego foi Zuza Gavião, que confessou ter os elementos do bando o escopo de se apearem em Dom Quintino, a fim de participar de uma festa nessa localidade.



Assim, quando Epaminondas chegou ao dito lugar, o tenente João Canário fazia as vezes de delegado, e, ao encontrar Nonô, disse-lhe que tivesse bastante cuidado, pois que Zuza era um homem perigoso, assassino cruel e muito habilidoso, não sendo possível prendê-lo sem ajuda. No entanto, Epaminondas retrucou que Zuza não brigava, pois, sozinho, já o tinha rendido sem ter havido resistência por parte do aprisionado. Ante a resposta o Tenente João Canário remendou suas palavras afirmando que Epaminondas não era só, creditando o feito à metafísica, coisa comum naqueles sertões, em se atribuir forças sobrenaturais a certas orações e amuletos. Forma singela de explicar o imprevisto!



Durante a perseguição, uma renhida batalha foi deflagrada no sopé da Serra das Guerrilhas, em Assaré. Nesse combate os larápios buscavam alcançar o Cariri. Em um altiplano, já em elevada posição, os bandidos atacaram de cima, enquanto seus antagonistas, liderados por Nonô, abriam fogo um pouco mais abaixo.

 Epaminondas Ferreira Ferro.

Nesse momento, Pedro de Sousa, cabra de Leandro da Barra, acostumado a usar um chapéu com dois barbicachos, um na frente e outro atrás; teve um rasgado à bala, a qual tirou um fino de atingi-lo na altura da cabeça. Imediatamente, aos saltos, pôs-se a atirar entoando a mulher rendeira, postergando o encarniçado embate.


O derradeiro dos criminosos a ser pego, foi o Baliza, que se encontrava no Icó, prestes a tomar o trem para Fortaleza. Na ocasião da sua captura, portava um rifle desmontado, mais um dos objetos que havia roubado no assalto à casa de Joaquim Solano.


A captura dos delinquentes contou com o auxílio de outros indivíduos fora da parentela, dentre eles, homens de confiança de Domingos Arrais, delegado que era em São Domingos. Este cedera dois dos seus homens de confiança, os gêmeos Fenelom e Salomão, que aprisionaram Pedro do Jerimum, e antes de o remeterem preso aos auspícios do Estado, na Cadeia Pública de Tauá, deram cabo da vida do cangaceiro brutalmente, enterrando-o na ladeira das Guerrilhas, onde jaz, sob a indicação de uma diminuta cruz. Nesse episódio, um comparsa do Pedro também foi morto pelos mesmos irmãos.


Sobre esse episódio, Gustavo Barroso Barroso diz ter sido cometido pelo destacamento policial de Tauá, acrescentando [25]:


Há menos de dois meses atrás, um grupo de facínoras, tendo à sua frente o terrível bandido Antonio do Gerimun, atacou inopinadamente a residência do Coronel Joaquim Solano.A “heroica” polícia seguiu no encalço dos famigerados, matando dois homens dos que obedeciam ao tal Gerimun. Animados por este sucesso, os novos policiais revestidos com a couraça da “barbaridade” e convencidos dos seus deveres partiram para Arneiroz, de onde trouxeram um indivíduo, que se chamava Asa Branca (por infelicidade tinha nome de pássaro). O “valente” cabo Joaquim Maria foi o chefe da “canoa”, que além de maltratar o criminoso que levava em sua companhia (Asa Branca), manchou de sangue a farda da nossa Polícia. Retirando o bandido da infecta cadeia de Arneiroz, rumaram em direção ao Tauá. Depois duma longa caminhada cheia de trabalhos penosos, porque a cada passo que davam esbofeteavam a pobre vítima, chegaram afinal à Barra do Puiú, onde se arrancharam. Aí, em lugar de minorar, ou melhor, diminuir os seus padecimentos, pelo contrário, os aumentaram. Os “valorosos” soldados que mantém a ordem naquela infeliz região levaram as suas violências ao extremo. Tiraram-lhe os olhos e em seguida obrigaram-no a caminhar. Os nossos “mantenedores” da ordem riam e troçavam diante daquele ato que acabavam de praticar. E para diminuírem os seus padecimentos e o seu crime restava apenas um meio – era assassiná-lo, e foi o que fizeram. Poucos dias depois, os incumbidos de capturar o referido bandoleiro chagavam àquela localidade e depositavam no necrotério os restos mortais da infeliz presa.


No entanto, a vida do restante dos bandidos foi poupada, algo incomum naquela época, pois o líder da captura agia com recursos privados, ao bel-prazer da vindita, fato recorrente na maioria dos sertões, já que a mão do Estado não alcançava tão longe, deixando aos particulares o arbítrio de judiciar divinamente sobre a vida e a morte de seus membros.


Para melhor exemplificar, deu-se que Joaquim Caboclo (Tio Onça), ao escoltar os cangaceiros presos para Tauá foi interceptado por Calixto, apaniguado de Joaquim Solano, que desejava imolar tais presos. Entretanto, Joaquim Caboclo cumpria ordens expressas de Nonô, e não poderia contrariá-lo, logo, o meio mais eficiente que encontrou para obliterar o assassínio daqueles homens reduzidos ao cativeiro, foi fazer mira com seu rifle visando Calisto, que também não cedeu brandamente, pois, de forma recíproca, mirava o cano de sua arma em direção do renitente Joaquim Caboclo.

Entretanto, a contumácia pela manutenção da vida dos delinquentes prevaleceu, sendo três deles remetidos à cadeia de Tauá, o Baliza, o Conrado e o “Manel” Gavião (Zuza Gavião). Cabe salientar que o autor intelectual do assalto, Antônio Soares (Antônio do Jerimum) não participou da execução do crime, apenas seu filho, Pedro, homenzarrão, jovem e com ares de valente. Diz-se que os bandidos resumiam-se a seis membros, no entanto, o nome de um deles permanecia desconhecido da tradição, no que fora complementado por Gustavo Barroso, revelando ser esse sexto bandido o Aza Branca. [26]

Por fim, os objetos foram recambiados em ínfima quantidade, e sempre que os bandidos eram pegos, afirmavam ter entregado as jóias a Pedro Silvino Alencar, régulo na cidade de Araripe, que devolveu pequena parte da quantia subtraída.

Assim, Joaquim Solano deixa o Alto Alegre e vai residir mais adjunto dos seus parentes, desta vez na fazenda Poço do Boi, onde terminou de criar seus 15 filhos.


BIBLIOGRAFIA:


Barroso, Gustavo. Almas de Lama e de Aço: Lampião e outros Cangaceiros, Rio - São Paulo – Fortaleza, Editora ABC, 2012.
Barroso, Gustavo. Terra de Sol, 8ª Ed., Rio - São Paulo - Fortaleza, ABC Editora, 2006.
Chandler, Billy Jaynes. Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns, Forteza, UFC, 1981.
Feitosa, Leonardo. Tratado Genealógico da Família Feitosa, Fortaleza, Imprensa Oficial, 1985.
Freitas, Antônio Gomes de. Revista do Instituto do Ceará, 1972.
Freitas, Antônio Gomes de, Inhamuns: Terra e Homens, Fortaleza, Henriqueta Galeno, 1972.


NOTAS:


[1] Freitas, Antônio Gomes de, Inhamuns: Terra e Homens, Fortaleza, Henriqueta Galeno, 1972, p. 157.
[2] Feitosa, Leonardo, Tratado Genealógico da Família Feitosa, Fortaleza, Imprensa Oficial, 1985, p. 39.
[3] Feitosa, op. Cit., p. 84.
[4] Chandler, Billy Janes, Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns, Forteza, UFC, 1981, p.158.
[5] Chandler, op. Cit., p. 181.
[6] Feitosa, Leonardo, op. cit., p. 107.
[7] Joaquim Solano foi o primeiro a ostentar tal alcunha, Solano, dentro da família Feitosa, e o único entre os dez irmãos ( Leonardo Feitosa, TGFF, p. 101-102).
[8] Quanto à data deste acontecimento, há uma imprecisão, pois, enquanto Hilário Feitosa (irmão do historiador Pe. Neri Feitosa) diz ter ocorrido em 1924; José Valadão, que presenciou tal assalto, ainda criança, afirma ter ocorrido tal episódio em 1925. Já Gustavo Barroso, diz que o cangaceiro Aza Branca fora morto aproximadamente em maio de 1927 (In Almas de Lama, p. 52).
[9] Leandro da Barra também era Feitosa, filho do homônimo Leandro Custódio de Oliveira e Castro e D. Maria, filha de José de Sousa Rego (Leonardo Feitosa, Tratado Genealógico da Família Feitosa, Fortaleza, Imprensa Oficial, 1985, p. 86 e 98).
[10] Sobre as deposições políticas no Sul do Estado do Ceará, ver Joaryvar Macêdo em “Império do Bacamarte”, Fortaleza, UFC, 1990.
[11] Disse Gustavo Barroso que Antônio Silvino (Manuel Batista de Morais) “é o maior chefe de cangaceiros que tem produzido o sertão do Norte. É um verdadeiro senhor da zona que se estende das fronteiras de Pernambuco aos limites do Ceará...” (Terra de Sol, 8ª Ed., Rio - São Paulo - Fortaleza, ABC Editora, 2006, p. 102).
[12] Freitas, Antônio Gomes de, Revista do Instituto do Ceará, 1972, p. 93.
[13] Freitas, Antônio Gomes de, Revista do Instituto do Ceará, 1972, p. 89.
[14] Segundo Gustavo Barroso, “o termo cangaceiro estende-se a todas as modalidades do criminoso nos sertões...” (Terra de Sol, 8ª Ed., Rio – São Paulo – Fortaleza, ABC, 2006, p. 83).
[15] Sobre a carta, as informações foram dadas por Manoel Feitosa Sousa (Manim), com base nos depoimentos de seu pai, Zezé (José do Vale Pedrosa), filho de um dos protagonistas, Epaminondas Ferreira Ferro.
[16] Manoel Feitosa Sousa (Manim) também afirma, com base na tradição, que o intervalo entre a ameaça e a invasão da fazenda foi de seis anos.
[17] Francisco de Sales Castro pertencia à família Feitosa, sendo filho adotivo do Tenente-Coronel Manoel Martins Chaves e Vale (Seu Martins da Fazenda Nova) e de Dona Maria Madalena de Castro Chaves (Leonardo Feitosa, Tratado Genealógico da Família Feitosa, Fortaleza, 1985, p. 95). A prova da adoção é atestada em uma carta de doação, feita pela viúva de Seu Martins, em benefício de Francisco no ano de 1903.
[18] Mariêta Solano Feitosa, filha de Joaquim Solano, presenciou a ação criminosa, ainda menina, e relatou a violência dos tiros no interior da casa de seu pai, que quase apagavam as lamparinas.
[19] Os termos utilizados pelo entrevistado, José Valadão, para reproduzir a fala dos protagonistas, foram mantidos. O entrevistado também presenciou o assalto. Ademais era filho de Francisco Valadão, o mesmo que encontrou os rastros dos animais furtados.
[20] Essa narração foi colhida no seio da família Feitosa-Solano.
[21] Depoimento de José Valadão.
[22] Ibidem.
[23] Ibidem.
[24] Freitas, Antônio Gomes de, Revista do Instituto do Ceará, 1972, p. 95.
[25] Barroso, Gustavo, Almas de Lama e de Aço: Lampião e outros Cangaceiros, Rio - São Paulo – Fortaleza, Editora ABC, 2012, p. 52-53.
[26] O Baliza, anos depois foi solto, mas acabou por ser assassinado no fronteiriço estado do Piauí. Já o Conrado, depois de liberto, foi ser operário na construção da estrada em cima da Serra Grande (Ibiapaba).

Pescado in: www.familiafeitosa.com

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Praça da Redenção, Mossoró, RN.

José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo

Logradouro histórico, localizado no Centro da cidade de Mossoró-RN, denominado por Praça da Redenção, cujo quadrilátero é ladeado pelas Ruas 30 de setembro, a oeste; Dr. Almeida Castro, a leste; Almino Afonso, ao norte; e ao sul, o prédio da União Caixeiral onde funciona a Biblioteca Municipal Ney Pontes. Anteriormente, esta praça foi denominada de Praça da Independência e de Praça da Liberdade. Em 08/10/1883, passou a chamar-se de Praça da Redenção, em homenagem à data da Libertação dos Escravos em Mossoró, 30/09/1883, sendo esta praça o palco destes históricos eventos.

Em 30 de setembro de 1904, deu-se a inauguração do Momento à Liberdade, nesta praça, em homenagem a data da Abolição da Escravatura da cidade de Mossoró. A construção do monumento e do coreto deveu-se a iniciativa do promotor público da Comarca de Mossoró, Sebastião Fernandes de Oliveira, (1880-1941), que na época, dirigia a Comissão de Socorros Públicos, órgão responsável por estas obras.

Monumento à Liberdade, Pça. da Redenção, em 2010.

O artista escultor foi Francisco Paulino da Silva, (1872-1927), não era um arquiteto, mas um mestre-de-obras muito talentoso, "o hábil artista que de uma argamassa de cimento construiu uma bela estátua da liberdade", assim descreve a ata da Câmara que registrou este evento. Informações diversas, em diferentes autores, atestam que este monumento foi inspirado na Estátua da Liberdade, do Estado de Nova Iorque, EUA.  Conforme Câmara Cascudo, na obra abaixo referenciada, esta data foi celebrada com "festa ruidosa pelos discursos e poesias, ao som das músicas sonhadoras da banda musical Fênix Mossoroense, do Mestre Alpiniano Justiniano de Albuquerque, (1862-1909)". A imagem 02 retrata o Monumento da Liberdade.

Atualmente, tanto Alpiniano Justiniano quanto Francisco Paulino são patronos de ruas nesta cidade.

Na foto ilustrativa 01, vê-se, à direita, a Rua Almeida Castro, com o casario antigo, e ao fundo, uma edificação maior, que deva ser a Cadeia Pública que foi a sede do antigo Paço Municipal, e hoje, o Museu Municipal. Contudo, o fotógrafo preferiu priorizar a rua, à direita, do que a praça, pois, dela, vê-se apenas, à esquerda, uma pequena parte com as árvores, ou, ao ser escaneada, uma parte da imagem foi indevidamente "cortada". Pela projeção das sombras, a foto foi feita em torno do meio-dia. É uma imagem, provavelmente feita por fotógrafo de algum jornal, já que a mesma mostra certos aspectos técnicos, como o enquadramento, perspectiva aplicada, e também, nota-se que a câmera utilizada possuía lentes de longo alcance. Mas, não foram obtidos dados sobre a autoria da mesma.

A data de 1918 foi considerada, de maneira aproximada, para esta imagem, levando-se em conta os seguintes detalhes mostrados pela mesma: os postes de iluminação elétrica, pois em 30/12/1916 foi a data que a cidade recebeu iluminação de energia elétrica. Após aplicação do zoom na imagem, constatou-se que o chão da rua está na condição de chão batido, sem calçamento, e, de acordo com as pesquisas feitas, nesta data, a cidade contava apenas com umas 4 ruas pavimentadas, somente a partir de 1935, as demais ruas principais receberam pavimentação. A importância da imagem fotográfica é justamente por ela mostrar uma realidade inquestionável.

Não foi possível adicionar mapa ilustrativo, pois, a Praça da Redenção não consta do Google Maps. Desafortunadamente, a cidade de Mossoró-RN, gradativamente vem perdendo a nomenclatura histórica dos seus logradouros, e substituindo-a por nomes comuns que nada representam para a história local.

Atualmente, a administração municipal local conseguiu descaracterizar o sentido histórico e iconográfico desta praça. Para prestar uma homenagem póstuma ao jornalista mossoroense, Dorian Jorge Freire, (1933-2005), a administração tapou o sol com uma peneira, rebatizou o logradouro com a denominação Praça da Redenção Dorian Jorge Freire, aplicou uma solução simplista como se acrescentasse mais um sobrenome a alguém.  O descaso cultural que assola as terras tupiniquins é incomensurável.


Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos.

Fontes: 1. Cascudo, Luís da Câmara.  maio de 2001; 2. Centro de Memória-TRE-RN; 3. Memorial do Ministério Público do RN; 4. Fonte do arquivo fotográfico P&B. 5. Anotações do Comércio de Mossoró; 6. Imagem 2 - Blog do Mendes & Mendes; 7. Instituto Federal do Rio Grande do Norte. Este artigo foi postado originalmente em novembro/2009, no telescope.zip.net.
Posted 4th January by Télescope

Enviado por:

José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo
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O cantor João Mossoró fará Show no "Mercadão Cadegue" - Rio de Janeiro


O cantor João Mossoró estará se apresentando (amanhã - sábado - dia 04 de Maio), no Mercadão Cadegue, no restaurante "CANTINHO DAS CONCERTINAS", no Rio de Janeiro.

UMA FESTA PORTUGUESA

Prestigie o artista participando desta grande festa.

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Matriarcas do Sertão: Marica e Fideralina no Cariri Cangaço

Por: Por: Jose Cícero
Kiko Monteiro ao lado de José Cícero

"Foram elas matriarcas semi-lendárias, proprietárias de terra e gado no interior do sertão longe das pretensões fidalgas das Casas Grandes da zona açucareira. Levavam uma vida rústica relativamente distante dos padrões culturais europeus que, na época, moldavam as sociedades do litoral nordestino. No sertão, exerciam grande poder de liderança, tendo controle total de seus feudos regionais".
   
In Rachel de Queiroz e Heloisa Buarque de Hollanda

Num tempo em que a figura da mulher invariavelmente era sinônimo de submissão, dado um regime patriarcal que praticamente a relegava a uma posição inferior não apenas nos sertões nordestinos. Porquanto, seu papel social era, por assim dizer, quase que exclusivamente familiar, ou seja, apenas o de gerar filhos aos seus varões e dá conta dos afazeres domésticos. Mas eis que, contrariando esta regra, nos sertões do Cariri cearense surgiram duas mulheres que logo passariam à história como personagens que desafiariam os padrões, assim como a arrogância dos chamados coronéis. Mas  também os imitariam em seus modus operanditrazendo para si o status quo de toda uma época no que tange ao seguimento à risca da velha cartilha atinente a lida sertaneja. Duas mulheres ousadas e valentes. Duas matriarcas, cuja coragem e determinação as fizeram poderosas, temidas e respeitadas, inclusive  pelos potentados de então. Tanto que suas ordens, palpites e conselhos tinham em seus territórios,  verdadeira força de lei. 

Trata-se de Fideralina Augusto Lima  em Lavras da Mangabeira e Maria da Soledade Landim – ‘Marica Macedo’ do Tipi em Aurora. Tão famosas que até hoje, muitos ainda se admiram diante dos seus feitos e suas histórias, ao passo que alguns até as chamam de “os coronéis de saia” do Cariri. Mas, o certo é que, sem ranço de qualquer medo, ambas foram consideradas  mulheres  do seu tempo. De tão notórias e palpitantes  as história e estórias relacionadas a estas duas bravas sertanejas, ainda agora extrapolam as fronteiras do do Cariri e do Nordeste em geral.

Dona Fideralina

E suas narrativas de fatos, casos e causos quase sempre se aproximam (dada a popularidade), as do próprio Lampião, Bárbara de Alencar, Conselheiro, Zé Lourenço e Padre Cícero, que, resguardadas as devidas proporções, têm conseguido projetar os nomes destes rincões, muito além das fronteiras do mundo. O que por sua vez, também remete, talvez pela ocorrência temporal da época, a própria história marcante do cangaço e dos jagunços que pulularam durante décadas por estas bandas do Cariri cearense. Histórias e estórias que igualmente fazem parte do imaginário popular sertanejo, assim como do próprio folclore da região.

Acontecimentos espetaculares que definitivamente ocuparam com folga o seu lugar na história do Ceará. Mandonas e autoritárias, mesmo assim  alguns as tem como verdadeiras heroínas. Porém, o certo é que malgrado qualquer polêmica, cada uma delas ao seu tempo e ao seu jeito encarnaram a valentia e a altivez humana como mais um mecanismo de superação e sobrevivência num contexto de ingentes injustiças, opressão e  contrariedades de toda sorte. Num cenário em que todas as variantes lhes eram contrárias. Além das injunções sociopolíticas de então que tinham tudo para as colocarem ao rés do chão,  conquanto,  sem nenhuma chance real de liberdade e independência fazendo com que seus nomes se perdessem como tantas outras, nas brumas escuras do tempo e da história, no mais das vezes escrita pelos vencedores. Mas não foi exatamente isso que ocorreu.

Sítio Mel no Tipi da Aurora e de Marica Macedo

Fideralina e Marica escreveriam sua própria história e de um jeito realmente inusitado e diferente. Rompendo assim os velhos padrões de toda uma época de supremacia machista. Ficaram eternizadas nas longas e inesquecíveis narrativas da boa verve sertaneja. Elas simplesmente fizeram história. E a história que fizeram com as próprias mãos até agora permanece quase  indelével na memória do Cariri.  Foram, portanto, como se percebe, mulheres que se situaram muito além do seu tempo.  De modo que, mesmo entre polêmicas, controvérsias, saias, anáguas, véus e bacamartes esta história sobreviveu, e a duras penas conseguiu chegar até nós. E, em nome das gerações futuras haveremos de preservá-la.

Destarte, quem acaso desejar conhecer um pouco mais sobre a esta verdadeira odisséia sertaneja, protagonizada por duas 'amazonas dos sertões', que venham conferir de perto todas as discussões relativas ao Cariri Cangaço 2013 que acontecerá de  17 a 22 de setembro em várias cidades desta região.  Além da avant premier,  que será celebrada dias 18 e 19 de maio em Lavras da Mangabeira, cuja palestra será feita pelo Dr. Dimas Macedo, por sinal parente da matriarca lavrense. E dia 20 de setembro do 3º Seminário Cariri Cangaço, edição de Aurora; sobre a incrível história de Marica Macedo, proferido pelo Dr. Vicente Landim de Macedo – neto da brava aurorense do Tipi.

Praça Central do Distrito do Tipi

E tem mais: As prévias do Cariri Cangaço ocorrerão ainda na Paraíba precisamente nas cidades de Sousa e Nazarezinho, assim como nas históricas Piranhas  e Canindé de São Francisco no Estado de Sergipe. É bom sabe. Razão porque eu participo e também recomendo. Venham todos dividir conosco mais um   Cariri Cangaço – O  grande momento de profundo reencontro de Aurora, Lavras, o Cariri e o Nordeste com a sua própria história. Por sinal, uma história que não quer calar... 


José Cícero  - Pesquisador do Cangaço
Conselheiro do Cariri Cangaço
Secretário de Cultura e Turismo Aurora – CE.


http://cariricangaco.blogspot.com