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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

FINALMENTE

Clerisvaldo B. Chagas, 16/17 de outubro de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.199

Finalmente, após décadas de críticas, um tapume de madeira envolve a Praça da Matriz – Coronel Manoel Rodrigues da Rocha. O prefeito de Santana do Ipanema, resolveu atender os apelos do povo santanense, extinguir e construir uma nova praça que corresponda aos anseios da sociedade. Dizem que o tapume é para que seja uma surpresa, embora seja temerário construir uma obra sem o aval de perto da população. Esperamos que essa reforma tão aguardada pelos munícipes agrade a todos e conserve o busto de bronze do Cônego Bulhões e as denominações das praças emendadas, Coronel Manoel e Senador Enéas.

CASA DO CORONEL. (FOTO: B. CHAGAS).
O coronel Manoel Rodrigues da Rocha foi o homem mais importante de Santana até 1920. Comerciante, industrial e grande empreendedor no município. O cônego Bulhões foi por sua vez, a figura mais importante e ilustre em Santana do Ipanema entre 1920 e 1953, aproximadamente. O coronel era sapateiro filho de Águas Belas, enriquecido com o comércio de couros, no Baixo São Francisco. O cônego Bulhões era natural do povoado de Piranhas, Entre Montes.  Já o senador Enéas Araújo, várias vezes no cargo, foi o primeiro professor de Santana do Ipanema, juntamente com sua esposa.
Esperamos que o prefeito Isnaldo Bulhões, também profundo conhecedor da história municipal, conserve os merecidos títulos das praças e o busto do homem que reformou a Igreja Matriz de Senhora Santana, que demonstra a atual apresentação, o mais belo templo do interior. O povo aguarda com certa ansiedade os resultados dos esforços empreendidos em favor do mais importante logradouro da urbe.
Esperamos que o gestor acerte em cheio e a praça saia à altura do Comércio, da Matriz e do gosto sofisticado do povo santanense.
Almejamos o melhor para todos e parabenizamos a iniciativa.
   

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A PALAVRA NUA

*Rangel Alves da Costa

O leite puro, grosso, ainda quente, esguichado do peito da vaca ainda no curral, é muito mais encorpado, mais saboroso e apetitoso. A fruta madura, pendendo nos pés de mangueira, goiabeiras e mamoeiros, é deleitosa demais à avidez do doce paladar. Comida de fogão de lenha, em panela de barro e preparada pela maestria da velha senhora, é de inigualável sabor.
Como visto, tudo na simplicidade e na originalidade, como se na raiz é que estivesse a verdadeira verdade de tudo. Depois da transformação, a autenticidade perde sabor e sentido, perde o gosto e o prazer. Do mesmo modo com relação à palavra, que deve fugir do academicismo e ser expressa apenas na pureza do próprio falar do povo, sem retoques e rebuscamentos.
Daí que prefiro a palavra matuta. Uma escrita que berre, que cacareje, que relinche alto. Prefiro essa palavra suada, encourada, de gibão e roló. Uma escrita que tenha mato e espinho, que tenha chão e mandacaru. Prefiro não ter nome de poeta ou de escritor. Apenas sertanejo. O que sempre sou.
Prefiro a palavra troncha, mal pronunciada, até errada. Uma escrita com flor de cacto e também com o queimor da urtiga e do cansanção. Prefiro a palavra no calor do sol, na dureza do barro do fundo do tanque, na desvalia de tudo. Prefiro não ser visto como poeta ou escritor. Apenas das distâncias matutas. O que sempre sou.
Prefiro a palavra pouca, miúda, quase sem falar. Uma escrita humilde, de roupa rasgada, de chapéu na cabeça e bolso vazio. Prefiro a palavra sem luxo, sem arrogância, sem petulância, sem anel dourado. Uma palavra que venha como sopro de vento e consigo traga o cheiro bom da natureza. Prefiro escrever para ser compreendido ou mesmo apenas imaginado pelo meu irmão sertanejo.
Prefiro a palavra cheirando a bolo de feira, a mungunzá, arroz-doce e doce de leite. Uma escrita doce sem ser enjoativa, temperada na panela de barro e não no vasilhame de cozinhas desconhecidas. Uma palavra que seja colocada no meio do pão, que seja tomada com café batido em pilão, que desça na garganta como um amém. Prefiro a palavra de mesa tosca e de tamborete, de rede armada e de lua maior. Um dizer bem sertanejo.


Prefiro a palavra montada em cavalo, correndo na mataria, sacolejada no lombo do animal sobre a estrada de chão. Uma escrita povoada de bicho do mato, de ninho de passarinho, de sombreado de arvoredo, de fonte d’água escondida. Prefiro a palavra oca, seca, vazia como o fundo do poço. Uma palavra que não precise de rebuscamento para ser entendida nem escrita com pontos e vírgulas para se mostrar importante. A palavra sertaneja, apenas.
Prefiro a palavra da mocinha tímida, do velho vaqueiro, da rezadeira, do curador, da benzedeira. Uma escrita milagrosa como a folha do mato, a raiz de pau e a reza mais forte. Prefiro a fé na escrita à descrença do palavreado bonito, quero mais a letra caída como gota d’água num sertão esturricado ao caderno aberto para o que jamais será lido. Uma escrita tão terna e cativante que seja como um dengo, que seja como um cafuné. Uma palavra que vingue do fundo do pote e seja bebida com a maior sede do mundo.
Prefiro a palavra fugida da tocaia e da emboscada e renascida na força de sua própria crença. Uma escrita nascida como benzimento, como prece e oração daquele que sabe o valor de um povo. Prefiro carregar minha dita no fundo do embornal e do aió, derreada na cangalha e no cantil, de modo que esteja ao meu alcance toda vez que eu deseje mostrar ao mundo como é o viver sertanejo. Em cada palavra minha não estará além do que a fundura da terra e a superfície do espinho pontudo.
Prefiro a palavra no com de pau, na loca da pedra, no tudo do mato. Escrito balançada na cabeça da lagartixa, escondida e ardilosa como cobra de beira de estrada, perigosa e voraz feito a raposa faminta. Prefiro a palavra com medo de lobisomem, bicho-papão e fogo-corredor. Uma escrita que não seja lida com dicionário nem falada com a boca torta. A fala é pra ser dita do jeito que ela. Anéis só servem para as mãos.
Prefiro a palavra preguiçosamente deitada na rede, sentadinha num tamborete, descansando por riba de um tronco de pau. Uma escrita que beba da quartinha, que venha do fundo do pote, que seja bebida como um sedento depois da cocada de frade. Escrita que seja espinhenta, pontuda, cortante, mas que seja tão cheia de si como a lua grande. Palavra que se faz pouca, mas que é tudo, que abre a boca sem medo de dizer o que quer dizer. Que compreendam ou não, mas sempre palavra.
Prefiro escrever vosmicê, oxente, vixe, cumé, adispois, munto, quarque, quartinha, estambo, prumode, perfessor, arriba, fi da peste, cabrunco, lambisgóia, mio e mió. Prefiro uma palavra assim. Escrita desconhecida da cidade grande. Uma palavra que não seja nada. Mas que seja tudo pela feição descrita da terra sertão, ou em qualquer terra cuja língua seja a língua do povo.

Escritor
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VEJA LAMPIÃO AO VIVO. OS CANGACEIROS QUE APARECEM NO VÍDEO NÃO SÃO ATORES

Por José Mendes Pereira

Dizem os pesquisadores que o cangaço é um dos temas mais explorados na literatura de cordel, onde o cangaceiro é retratado como se fosse herói. Literatura de Cordel é como qualquer outra forma artística, uma manifestação cultural. Por meio da escrita e da voz acompanhado por viola os poetas  cantam o cangaço, através de poemas e as histórias do povo pelo próprio povo. O nome de Cordel teve origem em Portugal, porque os livretos eram expostos em cordéis como se faz com as roupas nos varais.

LAMPIÃO O REI DO CANGAÇO (BENJAMIN ABRAHÃO, 1936-1937)


Imagens realizadas por Benjamin Abrahão entre 1936 e 1937, com o apoio de Adhemar Bezerra de Albuquerque. Editado inicialmente em 1937, o filme gerou grande expectativa nacional e internacional, mas foi apreendido pelo órgão de censura do governo de Getúlio Vargas e ficou esquecido nos porões da ditadura. Em 1955, parte dele foi recuperada por Alexandre Wulfes e reeditada por Al Ghiu, que incluiu uma narração e lançou o filme "Lampeão (o rei do cangaço)", com dez minutos de duração, exibido nos cinemas com grande sucesso. Em 2007, a Cinemateca Brasileira, com patrocínio da Petrobras, restaurou fotoquimicamente a versão reeditada por Al Ghiu. Esta edição, feita especialmente para o livro Iconografia do Cangaço, da editora Terceiro Nome, é uma remontagem de Ricardo Albuquerque realizada a partir do material restaurado em 2007 pela Cinemateca Brasileira, acrescido de quatro minutos de imagens inéditas.

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A RAPADURA QUE SALVOU VIDAS


Do acervo do José João Souza

No combate de Serra Grande, em 1926, grande vitória do cangaço, um dos primeiros soldados atingidos por tiro cangaceiro foi o Sargento Raimundo, sendo que a bala acertou seu embornal que continha dentro uma rapadura que o salvou do ferimento e morte continuando na luta

O Tenente Manoel Neto no decorrer do combate levou três tiros nas pernas e caiu, sendo resgatado e carregado nos ombros pelo mesmo Sargento Raimundo, que tinha se livrado do pior graças à sua rapadura e graças a ela estava também salvando seu Tenente da morte iminente, que de cima de seus ombros esbravejava de ódio e atirava sem parar contra os cangaceiros, sendo assim salvos os dois pela bendita rapadura. 

(João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce).


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NOVA ORDEM DO CANGAÇO

 Por Raul Meneleu

A partir do ano de 1929, passou a acontecer uma das mudanças mais radicais no modo do famoso cangaceiro portar-se perante seus inimigos, vindo a tornar-se muito mais perigoso ainda. Mulheres passaram a integrar seu bando e ele passou a dividi-lo em grupos e subgrupos. Que estratégia incrível para os padrões ‘cangaceirísticos’ daquela sua época. Ninguém ainda tinha feito isso. Eram uma espécie de clãs familiares e autônomos sob a direção de homens de sua inteira confiança. Era a Nova Ordem do Cangaço que se apresentava. Chamava menos atenção e seus inimigos não tinham a menor ideia onde ele se encontrava, pois o bando dividido, a população os via em muitos lugares e as autoridades ficavam sem saber onde centrar fogo, com números maiores de contingente.

Essa estratégia, ou por querer ou por necessidade e imposição do destino, fez que Lampião, perseguido sem descanso pelas Forças Volantes de Pernambuco, tivesse que fugir e refugiar-se na Bahia com cinco companheiros que lhe restavam e maltrapilhos e famintos ali chegaram para a recomposição mais espetacular de sua vida. Era o ‘Fênix’ que retornava mais forte e das cinzas ressurgia sua têmpera de ‘cabra macho’ que não temia ninguém .


Arte de Mário Cravo Júnior

Lampião veio a entender por conta da situação em que seus inimigos contavam com armas melhores e poderosas, que deveria mudar de estratégia. Em sua mente de guerreiro privilegiado e líder, compreendeu que já não tinha condições de dirigir um número considerável de cangaceiros. Além disso o  sertão ficava aos poucos modernizado, com estradas, vias férreas e pipocava o progresso. Sua vida e de seus cabras agora dependiam mais da ‘inteligence’ que de seus músculos, coragem e pontaria pois deixava aos poucos de ser um território virgem e impenetrável. O Governo estava agora em toda a parte com suas construções de progresso e sua ‘gana’ de exterminar o banditismo naquela região.

Élise Grunspan Jasmin em seu livro ‘Lampião, Senhor do Sertão’, veio a tecer um comentário de pé de página onde o chama de ‘O Guerreiro Sedentário’ justamente por substituir seus ataques violentos, embora vez em quando o fizesse, por essa nova ordem familiar tornando-se menos nômades. Em suas notas, Élise Grunspan Jasmin aponta para António Silvino que tentara “resistir a construção da estrada de ferro pela companhia Great Western no sertão da Paraíba. Em 1906, ele perseguia os engenheiros ingleses encarregados de executar os trabalhos, ameaçava os operários, cortava os fios telegráficos, deteriorava as vias já instaladas e extorquia os passageiros do trem. Constatando a ineficácia de sua empresa, enviou uma carta aos diretores da Great Western por meio de Francisco de Sá, um de seus empregados, dizendo que permitiria a construção da estrada de ferro mediante uma indenização de 30 contos de réis. Ver, a esse respeito.

Virgulino Lampião

Sempre que tinha oportunidade. Lampião ameaçava ou assassinava os operários que trabalhavam nos canteiros. Em 1929. fez interromper a construção de uma estrada que devia ir de Juazeiro a Santana da Glória, CE, e que devia passar por seu refúgio predileto, o Raso da Catarina. Em outubro desse mesmo ano, constatando que sua ameaça não tinha sido levada em consideração, matou um dos operários. Em 1930, perto de Patamuté. BA. atacou um grupo de operários e matou um deles. Em 1932. no sitio Carro Quebrado, entre Chorrochó e Barro Vermelho, na Bahia. Lampião executou nove operários.

No Estado de Sergipe. em fevereiro de 1934, atacou operários e paralisou a construção da estrada. As autoridades governamentais nunca levaram em conta as ameaças de Lampião, e a partir de 1930 intensificaram os projetos de abertura do sertão ao "progresso". No dia 9 de junho de 1935, por ocasião de uma reunião organizada em Águas Vermelhas, na fronteira de Pernambuco. Carlos de Lima Cavalcanti, governador desse Estado, e Osman Loureiro, governador de Alagoas propuseram um plano de construção de estradas e vias férreas nas zonas do sertão afetadas pelo cangaço. 


Elas deviam cortar sistematicamente em diversos eixos as regiões mais freqüentadas por Lampião e facilitar o transporte das Forças Volantes por caminhão, enquanto os cangaceiros se deslocavam quase sempre a pé. Os canais e as vias fluviais também deveriam ser controlados, pois permitiam o envio de armas aos cangaceiros. Lampião sabia que as conquistas tecnológicas com as quais as Forças Volantes tinham sido municiadas e a penetração das vias de comunicação através do sertão poderiam anunciar seu fim próximo e pôr em perigo sua autoridade na região (Informações extraídas das obras de Frederico Pernambucano de Mello, op. rir., 1985, e Quengo: !Amplio?, 1993).

Raul Meneleu Mascarenhas
Blog Caiçara do Rio dos Ventos


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QUEM REALMENTE FOI O MATADOU DE LAMPIÃO?

Por Sálvio Siqueira

Toda citação histórica que destrói, distorce, aniquila ou diferencia aquelas que já se encontram alicerçadas na historiografia de algum tema histórico, têm por obrigação que vir acompanhada de um embasamento fidedigno. Até a presente data, 16 de outubro de 2019, o escritor acima. 

Frederico Pernambucano de Mello, não apesentou nenhuma parte, ou mesmo um pedaço, da tal fita a que se refere. Além disso, quais os pesquisadores contatados pelo escritor e, principalmente, quais suas versões, análises, sobre as declarações do ex militar? Vemos que o escritor estava sentindo-se bastante incomodado com as perguntas, necessárias do amigo Geraldo Antônio De Souza Júnior

Quase que não faz referências alguma, fez menção de largar a entrevista pela metade, ou melhor largou, e as respostas não convenceram nem ele, imagina a gente. Quero aqui parabenizar o entrevistador pela coragem de fazer tais perguntas, as quais todos nós a fazemos, porém, pouquíssimos tem essa coragem. Essa de ter usado um laser no punhal foi de lascar. 

O próprio escritor declara em suas entrelinhas que a perícia realizada pelo perito em Brasília foi tão somente através de fotografias.

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ERONIDES FERREIRA DE CARVALHO



Nome: CARVALHO, Erônides de

Nome Completo: ERONIDES FERREIRA DE CARVALHO

Tipo: BIOGRAFICO

Texto Completo:

CARVALHO, Erônides de

*militar; rev. 1930; gov. prov. SE 1930; gov. SE 1935-1937; interv. SE 1937-1941; juiz TSN 1942-1943.

Erônides Ferreira de Carvalho nasceu em Canhoba, então povoado do município de Propriá (SE), no dia 25 de abril de 1895, filho de Antônio Ferreira de Carvalho e de Balbina Mendonça de Carvalho.

Realizou seus estudos básicos em Maceió, no Colégio 11 de Janeiro e no Liceu Alagoano, onde concluiu o secundário em 1910. No ano seguinte, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia e, pouco tempo depois, começou a trabalhar em atividades ligadas ao curso que freqüentava. Foi auxiliar de laboratório da cadeira de terapêutica, estagiário do Hospício São João de Deus, diretor da Beneficência Acadêmica e auxiliar de clínica hospitalar do cirurgião Antônio Borja, seu professor. Diplomou-se em 1917, defendendo a tese intitulada Do ópio em terapêutica mental, aprovada com distinção, tornando-se assim membro da Sociedade Médica dos Hospitais da Bahia.

Em novembro de 1918 foi nomeado diretor-geral interino de Higiene e Saúde Pública de Sergipe, dirigindo os trabalhos de profilaxia da epidemia que ficou conhecida como “gripe espanhola”. Diretor interino do posto de assistência pública do estado durante o ano de 1919, Erônides exerceu as funções de inspetor médico do sistema escolar entre fevereiro e outubro do ano seguinte, quando foi comissionado para representar seu estado natal no Congresso de Proteção à Infância que seria realizado no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Em virtude do adiamento desse conclave, Erônides recebeu a missão de estudar o funcionamento do Serviço de Inspeção Médica Escolar do estado de São Paulo.

Em agosto de 1921, foi nomeado para o corpo de veterinários do Serviço de Indústria Pastoril, ligado ao Ministério da Agricultura Indústria e Comércio, passando a exercer essas funções em seu estado natal. Aprovado em concurso para o Corpo de Saúde do Exército em fevereiro de 1923, foi classificado como segundo-tenente no 1º Regimento de Cavalaria Independente, localizado em Bela Vista (MT). Dois meses depois, foi transferido para o 28º Batalhão de Caçadores, em Aracaju, e, no ano seguinte, tornou-se primeiro-tenente. Nessa patente, acompanhou as tropas que, em 1926, perseguiram a Coluna Prestes em sua passagem pelo Nordeste.

Ingresso na política

A Revolução de 1930, no Nordeste, teve início na Paraíba, onde se encontrava o capitão Juarez Távora, seu principal articulador na região, e um importante grupo de oficiais ligados ao movimento tenentista. Depois da ocupação da capital paraibana, as colunas rebeldes marcharam para o sul, conseguindo adesões e depondo, sucessivamente, os governos de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. A unidade em que Erônides de Carvalho servia colocou-se ao lado dos revolucionários e, em 17 de outubro, com a deposição de Maurício Graco Cardoso, presidente de Sergipe, Erônides assumiu o governo estadual, entregando-o três dias depois ao general José de Calasans, conforme critério adotado por Juarez Távora.

No dia 24 de outubro, consolidou-se a vitória da revolução com a deposição, no Rio, do presidente Washington Luís, e em 16 de novembro Augusto Maynard Gomes — líder de duas sublevações militares em Sergipe na década de 1920 — foi nomeado interventor federal no estado.

Nos anos seguintes, descontente com a administração estadual, Erônides de Carvalho passou a fazer oposição ao interventor, consolidando essa opção quando, em fins de 1932, o Governo Provisório chefiado por Getúlio Vargas convocou eleições para a formação de uma Assembléia Nacional Constituinte. Nessa época, Erônides, Gonçalo Rollemberg do Prado e Augusto César Leite foram os principais articuladores da União Republicana de Sergipe, fundada em 5 de março de 1933, enquanto Maynard Gomes apoiou a criação do Partido Republicano de Sergipe, que indicou candidatos à Constituinte pela lista “Liberdade e Civismo”. Nas eleições, realizadas em maio de 1933, Erônides de Carvalho, promovido a capitão no mês anterior, tornou-se suplente de Augusto César Leite, único deputado eleito na legenda de seu partido para a bancada sergipana na Constituinte, composta de oito membros.

Entretanto, em outubro de 1934 a União Republicana de Sergipe obteve a maioria das cadeiras da Assembléia Constituinte estadual que, em março do ano seguinte, encerrou seus trabalhos elegendo Erônides de Carvalho para governador. Inconformado com esse resultado, Maynard Gomes, a princípio, recusou-se a transmitir o cargo para seu sucessor, sem contudo conseguir impedir sua posse.

No governo do estado

No início de sua gestão, Erônides de Carvalho procurou saldar o débito do estado para com o Banco do Brasil, herdado da administração anterior, cujos atos foram sistematicamente desfeitos pelo novo governo. Baseado em pareceres do ex-presidente Epitácio Pessoa e dos juristas Heráclito Sobral Pinto e Mendes Pimentel, o governador anulou os decretos de criação do Tribunal de Contas e de alteração do funcionamento do Tribunal de Justiça, então chamado de Corte de Apelação do Estado, aumentando o número de desembargadores. Realizou também melhorias na Biblioteca Pública e reaparelhou a imprensa oficial, além de construir escolas, estradas, pontes, a cidade de menores “Getúlio Vargas” e o quartel do Corpo de Bombeiros. Vinculado profissionalmente à área de saúde pública, Erônides de Carvalho ampliou significativamente a capacidade da rede hospitalar do estado e realizou uma reforma geral no sistema de esgotos da capital. Conseguiu também uma verba de trezentos contos de réis da Câmara Federal para aumentar o combate ao banditismo que agia no interior do estado, especialmente o bando de Lampião.

Em novembro de 1935, ofereceu ao presidente da República tropas da Polícia Militar de Sergipe para colaborarem na repressão ao levante comunista deflagrado nesse mês em Natal, Recife e Rio de Janeiro. Rapidamente dominada, a rebelião deu lugar a uma das maiores ondas de repressão até então havidas no país submetido ao estado de sítio e, depois, ao estado de guerra até junho de 1937. Erônides determinou a realização de diligências policiais para descobrir possíveis ramificações da sublevação em Sergipe, concluindo que elementos ligados ao ex-interventor Maynard Gomes, seu adversário político, estavam envolvidos com os comunistas. Baseado nessas considerações, escreveu ao presidente Getúlio Vargas, solicitando a transferência de alguns oficiais que não gozavam de sua confiança. J. Pires Wynne, em seu livro História de Sergipe, nega a existência de qualquer vínculo entre Maynard Gomes e os comunistas, lembrando que, mais tarde, ele integrou o Tribunal de Segurança Nacional, encarregado de julgar os envolvidos no levante de 1935.

Em março de 1936, Erônides de Carvalho viajou para o Rio de Janeiro a fim de obter auxílio para o combate aos efeitos das secas e enchentes que assolavam regiões do estado, bem como para a realização de obras na barra de Aracaju, conseguindo a quantia de seiscentos contos para iniciar a dragagem. Em 1937, posicionou-se a favor da candidatura de José Américo de Almeida às eleições presidenciais previstas para o ano seguinte. Apesar de apoiar oficiosamente esse candidato, Vargas já articulava um golpe de Estado de caráter continuísta e, no início de outubro desse ano, conseguiu autorização do Congresso para decretar novamente o estado de guerra sob a alegação de que havia sido descoberto o chamado Plano Cohen, pretensamente elaborado pelos comunistas visando à tomada violenta do poder. Conforme comprovação posterior, tratava-se de um documento forjado, utilizado pelo governo e sua alta cúpula militar para favorecer a concretização do projeto golpista.

Erônides de Carvalho foi nomeado executor, em Sergipe, dos poderes excepcionais conferidos ao Executivo durante a vigência do estado de guerra, o mesmo acontecendo com todos os outros governadores estaduais, à exceção dos de São Paulo, Rio Grande do Sul e do prefeito do Distrito Federal. Em fins desse mês, o deputado Francisco Negrão de Lima, secretário-geral do comitê diretor da campanha eleitoral de José Américo, visitou vários estados do Norte e Nordeste, inclusive Sergipe, em missão secreta com o objetivo de arregimentar, em nome do governo federal, o apoio dos governadores ao golpe de Estado que, em 10 de novembro, implantou o Estado Novo, decretando a suspensão das eleições e o fechamento do Legislativo e dos partidos políticos.

Partidário do novo regime, Erônides foi confirmado no posto, convertido em interventor federal em Sergipe. Na nova fase de sua gestão, vários estudantes foram presos e condenados pelo Tribunal de Segurança Nacional, encarregado do julgamento dos opositores do Estado Novo.

Substituído pelo capitão Mílton Pereira de Azevedo em junho de 1941, Erônides de Carvalho declinou do convite para se tornar adido comercial brasileiro em um país africano, sendo então nomeado, em março de 1942, para a vaga de Maynard Gomes no Tribunal de Segurança Nacional, representando o Exército. Integrou o corpo de juízes desse tribunal até agosto de 1943, ano em que foi promovido a major médico, transferido para a reserva e nomeado tabelião do 14º Ofício de Notas da Justiça, no Rio de Janeiro.

Em 1945, com a reorganização da vida política nacional, tornou-se presidente do diretório regional de Sergipe e membro do diretório nacional do Partido Social Democrático (PSD).

Em fevereiro de 1952, foi promovido a tenente-coronel na reserva.

Faleceu no Rio de Janeiro em 19 de março de 1969.

Foi casado com Ivete de Melo Góis.

Publicou discursos e relatórios técnicos sobre saúde pública. Seu correligionário Augusto César Leite escreveu Em defesa do governador Erônides de Carvalho (1937).

Robert Pechman

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; ARQ. MIN. EXÉRC.; ARQ. PÚBL. EST. SE; ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais; CABRAL, O. História; Correio da Manhã (15/6/39); Diário do Congresso Nacional; Encic. Mirador; GUARANÁ, M. Dic.; INST. NAC. LIVRO. Índice; PEIXOTO, A. Getúlio; POPPINO, R. Federal; SILVA, H. 1937; WYNNE, J. História.


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JOSÉ SATURNINO 1

Por Aderbal Nogueira


João Saturnino, filho do 1º inimigo de Lampião, Zé Saturnino, narra momentos da vida de seu pai em briga com Lampião.
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ANTONIO FERREIRA

Por Aderbal Nogueira

Luiz de Cazuza fala um pouco sobre Antônio Ferreira, irmão de Lampião, e da origem da família Ferreira. Gravado nos idos dos anos 2000.

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LUIZ RUFINO FILHO DE ZÉ RUFINO

Do acervo do cineasta Aderbal Nogueira
https://www.youtube.com/watch?v=3-mPGcR-XRU&feature=youtu.be&fbclid=IwAR0krroJxT3jMBjY_pj-FtkQRJJq9Be45hxPce3wptUpoNKuucWaUu7qz40   

Depoimento de Luiz Rufino. Esse vídeo não é de minha autoria, tenho ele a mais de 10 anos e infelizmente não sei quem são os autores. Como é importante estou postando. Parabéns a quem o produziu. OBS: a parte referente a Angico não postei, melhor assim.

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MAIS UMA HISTÓRIA DE LUIZ GONZAGA, O REI DO BAIÃO



Seu Reginaldo Silva, 59, trabalhou produzindo os shows do Mestre Lua durante 12 anos, entre 1977 e 1989, quando Luiz Gonzaga faleceu. Mora em Juazeiro do Norte e hoje dirige a Fundação Vovô Januário, criada para ajudar as crianças pobres de Exu.

Os patos

Fomos fazer um show em Jardim (CE), em 1984, 1985, por aí. Era um show filantrópico, uma parceira com a igreja do padre Adauto, Vigário da cidade. O dinheiro ia ser dividido metade para a gente e metade para as crianças do orfanato. Ele tinha ido com uma caminhoneta e apareceu carregado de rapadura, que ia levar para os meninos de Exu. Na hora de se apresentar, ele chegou por trás de mim, cochichou do meu ouvido: 

“Tem pouca gente, né? Não receba nada do padre não”.

E fez o show, artista de grande valor como era ele. Os artistas da mídia nem fazem shows desses tipo. Nem vão nas cidades pequenas, com o sentido de ajudar um orfanato. No dia seguinte, o padre achava que ele ainda estava na cidade e chamou para tomar café da manhã, mas Seu Luiz já tinha ido embora.

- Não, ele não foi embora. A carrada de rapadura ainda está aqui. Mais tarde vem buscar.

- A rapadura é sua, padre, para o senhor dar para os seus meninos. Também disse para fazer o mesmo com o dinheiro.

- Não é possível! Mas, e você?

- Não, obrigado. Eu não como dinheiro não.

- E os músicos?

- Se ele não aceitou, os músicos também não vão aceitar não… Então, para eu não sair daqui sem nada, me dê esse casal de patos.

Aí deixei os patos na fazenda de Seu Luiz, para se criarem. Quando eu lembrei dos patos e fui lá pegar, ele já tinha comido os bichos.

- Mas Seu Luiz, eram os meus patos…

- Mas o açude é meu. - dizia ele.

- Mas não tava acertado que a gente ia criar os patos na meia [dividindo pela metade]?

- Meia eu não vi não. Só comi os patos - ele me disse.

http://iurirubim.blog.terra.com.br

Informação ao leitor: O site deste texto não está funcionando. Possivelmente o autor o excluiu.

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SERRA TALHADA RECEBE O 14º ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO


Evento em Serra Talhada atrairá grupos de xaxado de todo nordeste e convidados do norte e sul do país.

O Xaxado vai tomar conta do Sertão do Pajeú. De 6 e 10 de novembro acontece a 14ª edição do Encontro Nordestino de Xaxado, em Serra Talhada. O evento vai ocorrer na Estação do Forró, escolas da rede pública de ensino e nos distritos da Zona Rural. O acesso ao público é gratuito.

O Encontro Nordestino de Xaxado, promovido pela Fundação de Cultura Cabras de Lampião de Serra Talhada, é um dos mais importantes eventos do interior e reúne apresentação de grupos de várias regiões e Estados. O Encontro inclui, além das apresentações do ritmo, outras linguagens, entre elas, oficina de dança, feira de artesanatos, mostra de comedoria sertaneja, shows musicais e passeio turístico e ecológico ao Sitio Passagem das Pedras (onde o cangaceiro Lampião nasceu) e à Fazenda Pedreira (local onde morava o primeiro inimigo de Lampião, o Zé Saturnino).

De acordo com a presidente da Fundação de Cultura Cabras de Lampião, Cleonice Maria, este ano, o Encontro vai ocupar os espaços emblemáticos na batalha cultural de Serra, como: na Estação do Forró, principal polo de apresentações, onde está instalado o Museu do Cangaço; no Parque de Esculturas Ronaldo Aureliano e na Academia Serra-Talhadense de Letras. “O Pátio da Feira Livre tem uma relação íntima com a história do grupo, que foi onde tudo começou, e onde os Cabras de Lapião fizeram sua primeira apresentação. As escolas são lugares que sempre abriram as portas para que pudéssemos ensaiar, nos reunirmos e construir essa história. E no Sítio Passagem das Pedras, expressão de conquista por espaço de qualidade para fruição de produção artística”, comemora Cleonice Maria.

Toda programação do 14º do Encontro Nordestino de Xaxado já está disponível no site da Fundação de Cultura Cabras de Lampião, www.cabrasdelampiao.com.br.

O 14º Encontro Nordestino de Xaxado tem o incentivo cultural do Funcultura; Fundarpe; Secretaria Estadual de Cultura e do Governo de Pernambuco.

Serviço:

14º do Encontro Nordestino de Xaxado
Quando: 6 a 10 de novembro
Locais: Estação do Forró, Escolas da rede pública de ensino e nos Distritos da Zona Rural de Serra Talhada
Acesso gratuito
Programação completa: www.cabrasdelampiao.com.br

Best regards / Mvh,

Valeska Araújo
Journalist
Phone: +55 81 9 92520062 | +46 072 947 9889


 Enviado por  Valeska Araujo

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terça-feira, 15 de outubro de 2019

“LAMPIÃO NA PARAÍBA – NOTAS PARA A HISTÓRIA” É A MAIS NOVA E IMPECÁVEL CONTRIBUIÇÃO DE SÉRGIO DANTAS


Para adquirir esta obra entre em contato com o professor Francisco Pereira Lima através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br

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LAMPIÃO NA CAPELA E O CANTADOR DA FEIRA


Por Raul Meneleu

Em minhas pesquisas a respeito da Revolução de 1930, em Sergipe, deparei com fatos que chamaram-me atenção, que foi a posse do Tenente Eronides de Carvalho, como Interventor, que se deu em 17 de outubro do referido ano e a tentativa malograda de Lampião invadir a cidade de Capela em Sergipe nos mesmos dias, aproveitando que na cidade não tinha soldados, que foram chamados a Aracaju, pelo Governador Manuel Dantas, que foi deposto.

Juntando os fatos históricos em consultas a arquivos nacionais, livros, artigos particulares e também por escritos de minha safra, sobre tal revolução, achei por bem focar e escrever sobre uma caso específico onde estou contestando parte da história envolvendo Eronides de Carvalho e Lampião.

Livro Ebook que pode ser lido em 30 minutos pois deixei-o com letras entre 20 e 22 de corpo o que torna fácil a leitura e não precisa nem de óculos.

Trago também o Cantador de feira, repentista, Manuel Serafim da Rocha, vulgo Manuel Pitombeiro, que andava por Capela alguns dias depois do ataque de Lampião, tomando conhecimento das ocorrências, da resistência de uns e das correrias de outros, logo, improvisando, espalhava as estrofes humoristicas, de verdadeiro valor histórico, que está registrado no livro HISTÓRIA DE SERGIPE (1575-1930) de J. P. Wynne.

Aproveitando, encontrei o ALMANAK LAEMMERT de 1929 que traz o histórico Comercial, Industrial, Agrícola, Profissional e Administrativo dos municípios de Sergipe.

A capa é uma pintura em azulejos feita pela saudosa historiadora Rosa Faria, a quem faço homenagem. Tive o prazer e privilégio de conhece-la em vida e visitar seu museu próximo à Catedral.

Hoje o Museu de Arte e História Rosa Faria compõe uma das salas do Memorial de Sergipe. Foi criado em 1968 pela professora, pesquisadora e artista plástica Rosa Faria, em sua própria residência, funcionando inicialmente como “Galeria Rosa Faria”, e passou a ficar sob responsabilidade da Universidade Tiradentes (Unit) em 1997, ano de falecimento da artista. A instituição se comprometeu em proteger e divulgar o acervo, fonte de pesquisa de caráter histórico, que contempla desde óleos sobre telas, pintados no início da carreira da artista, até a vitrificação de barro e vitrôs, retratando fatos, locais e personalidades marcantes da história do Brasil e especialmente de Sergipe.

Como ficou pesado (401 MB) não dá para postar no arquivo do Grupo EBOOK CANGAÇO E NORDESTE . Aquele amigo que quiser uma cópia, mande-me mensagem in-box com nome, cidade e endereço de e-mail e terá o livro totalmente gratuito e se ler no celular facilmente.

Forte abraço a todos!


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MAJOR TIBURTINO UM DOS MORADORES MAIS ILUSTRES DE CANHOTINHO.


 Acervo da Verluce Ferraz


A foto é da família Tiburtino Vicente da Costa com a esposa dona Rosenda da Costa Lima, (filhos: Claudomira, Alonso, Manassés, Jonatas, Helena e Rina).



As fotos do livro: Bíblia e Bisturi - Edijéce Martins Ferreira. Texto de Emylle. Parabéns por um trabalho tão bonito.
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VIDA E MORTE DE UM CINEMA

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de outubro de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.198

 Entusiasmado com o êxito do Cine Glória, à Rua Coronel Lucena, o empresário Tibúrcio Soares, resolveu construir um cinema mais poderoso. Assim ergueu o gigante na Rua Barão do Rio Branco, em pleno centro comercial. Belíssima fachada, oitocentos lugares, cadeiras não acolchoadas de primeira, marca CIMO. Tela enorme, toalete, galeria e saída lateral para os espectadores. Alcançava-se a sala de projeção galgando alguns degraus passando-se por sala de espera espelhada, com poltrona longa e única. Recebendo ingressos, o porteiro do antigo cine, índio Fulni-ô de Águas Belas, Sinésio, conhecido como “Caboclo”. Houve concurso para o nome do prédio, ganhando a concorrência o título Cine Alvorada. Santana do Ipanema, sertão de Alagoas, ganhava assim seu segundo cinema de luxo.

LARGO DA FEIRA, SANTANA. (FOTO: B. CHAGAS/ARQUIVO).
       As paredes internas foram decoradas com estampas de motivos regionais: mandacaru, forrozeiro, carro de boi... Em pintura moderna. Fez o trabalho de arte o desenhista de fachadas e artista plástico denominado Zezinho Bodega. Pelas vidraças eram vistos alguns cartazes dos próximos filmes. Mas o cartaz de compensado que ficava no poste de esquina do Hotel Central, continuava anunciando. Tibúrcio Soares, também era proprietário de loja de tecidos denominada “Rainha do Norte”, entre o prédio do meio da rua e o sobrado do meio da rua. Ali também se vendia todos os artigos carnavalescos.
       Com o advento da televisão, divertimento em casa, houve forte abalo em outras atrações: clubes, cinemas, teatros... Levando ao fechamento de vários deles no Brasil inteiro. Não foi diferente com o gigantesco Cine Alvorada. Passou para outro empresário, mas os dias do cinema já estavam contados. Havia uma lanchonete ao lado, fechou e virou barbearia por muito tempo.
       O cinema, orgulho do interior, ficou ocioso por longa data e aos poucos foi sendo transformado em casa comercial. O interessante é que daquele mundo todo, não se tem notícia de que uma só peça esteja no Museu Darras Noya.
       É muito difícil se conservar a história de um município quando ele próprio não se interessa por ela.