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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

EXPOSIÇÃO DO QUADRO DA ARTISTA PLÁSTICA FRANCI DANTAS


Exposição do quadro denominado Agreste, obra-prima da artista plástica Franci Dantas, encontra-se exposto na Sala de Reuniões do DGE/FAFIC/UERN. 

Está exposto na sala de reuniões do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Obrigado à equipe marceneira por ter viabilizado integralmente a fixação, pregando-o com competência singular na sala de reuniões do DGE.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso.

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VEM AÍ O NATAL.!

Por José Bezerra Lima Irmão

Se você quer presentear alguém, ofereça-lhe algo que venha engrandecer a pessoa a ser presenteada, dê-lhe algo que a faça lembrar-se de você toda vez que olhar o objeto recebido. Ao dar um presente, você, mesmo de forma inconsciente, deixa transparecer o que pensa da pessoa a quem está presenteando: denota se você a considera uma pessoa frívola ou uma pessoa inteligente. O melhor presente continua sendo um bom livro: Machado de Assis (Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas...); Jorge Amado (Gabriela Cravo e Canela, Mar Morto, Tenda dos Milagres, Tocaia Grande...); João Ubaldo Ribeiro (Viva o Povo Brasileiro, Sargento Getúlio...); José Eduardo Goes (Uma Vida Itinerante); Carlos Magno (Um Voo sobre Frei Paulo); Domingos Pascoal (Experimente mudar, A Mudança Começa em Você - autoajuda); Oleone Coelho Fontes (Um Jagunço em Paris); Antônio Francisco de Jesus (Os Tabaréus do Sítio Saracura, Tambores da Terra Vermelha, Os Ferreiros...); Jorge Henrique Vieira Santos (Mutante in Sanidade, Glória Cantada em Versos, A Polidez no Discurso sobre a Inclusão da Pessoa com Deficiência na Escola); Prof. Vasko Vasconcelos (Busílis – o x da questão); Tinho Santana (Versos Sertanejos); Leunira Batista (O Espelho da Felicidade); Edivan Santtos (Reflexões); Lucas Lamonier (Janelas da Alma); Valduílio Vieira da Rocha (Martirizado pela Solidão).

Estou falando essas coisas porque também estou vendendo o meu peixe... Sou autor de “Lampião – a Raposa das Caatingas”. Veja bem: seu pai, sua mãe, seu tio, sua tia, seu amor, seu amigo (inclusive seu "amigo secreto"), enfim, qualquer pessoa que tenha algum vínculo com a cultura e a história do sertão nordestino certamente adorará receber neste Natal uma obra que, mais do que a simples história do rei do cangaço, vem sendo considerada pelos estudiosos do tema como sendo uma síntese da história do Nordeste na virada do século XIX até a metade do século XX. A história do Nordeste resume-se a esses três personagens: Lampião, Padre Cícero e Antônio Conselheiro. “Lampião – a Raposa das Caatingas” é um livro concebido e realizado com seriedade, deixando de lado as lendas, mitos e invencionices sobre a figura do legendário guerrilheiro do Pajeú. Além da farta bibliografia sobre o cangaço, baseei-me nos jornais da época, entrevistei dezenas de personagens ligadas aos fatos. O livro contém fotos e dezenas de mapas, indicando os lugares onde os fatos ocorreram. Indica até as coordenadas geográficas. Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda. Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês. Destaca os principais precursores de Lampião. Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço. Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados. A leitura desse livro, espero eu, fará com que o Natal da pessoa presenteada se prolongue por mais tempo, durante o Ano Novo, já que a obra tem exatamente 736 páginas. Feliz Natal! Boas Festas! E que em 2017 e nos anos vindouros se mantenha sempre acesa a chama do interesse pela história e pela cultura do nosso querido Nordeste. A melhor forma de demonstrarmos amor à nossa terra é estudando a sua geografia e a sua história. 

Um fraternal abraço. José Bezerra
josebezerra@terra.com.br

Vendas presenciais: Livraria Saraiva, do Shopping Salvador (Bahia) e do Shopping Rio Mar (Aracaju); Livraria Escariz (Aracaju); Livraria Leitura, do Shopping Vela Vista e do Shopping Salvador Norte (Salvador). Também com Jose Rezende contato zap. 79.999521775


Além destes endereços acima você encontrará esta obra com o  professor Pereira lá em Cajazeiras no Estado da Paraíba, através deste e-mail:  
franpelima@bol.com.br. 
A entrega será feita em qualquer parte do Brasil.

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UMA NOITE ESPECIAL

Por: Piedade Farias
Fonte da imagem - Tia Ju - Ministério Infantil

Desde criança eu já trazia comigo a alma assim, volátil. Alma de soltar-se aos sonhos, de imaginar. Era esquisita, como diziam os mais velhos, vivendo mais no quintal de casa onde, bem à sombra do chuchuzeiro que se debruçava sobre os fios estendidos, eu tinha o meu cantinho, o lugar de me recolher toda vez que os pensamentos voltavam atropelando as brincadeiras, impondo-se a elas. Ali eu ficava cismando horas e horas até que o chamado de minha mãe me trazia de volta:
       
- Entra pra dentro, menina! Não tá vendo que já é quase de noite?
       
Lembro-me bem de um dia quando, ao ouvi-la me chamando, fechei o livro de Contos Infantis e deixei o meu refúgio ainda absorvida pela leitura do conto de Andersen A MENINA DOS FÓSFOROS. Empoeirada e com ar de quem acabou de fazer algo errado, entrei correndo em casa, na direção do quarto de costura onde minha mãe ainda estava na máquina, reformando o vestido da minha irmã mais velha para que eu tivesse o que vestir naquela noite. 
       
Era 24 de dezembro. Assustada, eu tentava prestar atenção ao vai-e-vem da agulha no pano, mas o olhar, embaçado pelas lágrimas e poeira, teimava em escapar pela janela na direção do céu onde brilhavam as estrelas vespertinas. 
       
A noite prenunciada descia fortalecendo o sentimento dolorido que viera, daquela leitura se aninhar em meu peito, embora eu procurasse afastá-lo, desviando o pensamento para todo o movimento que a antecedera. 
       
Reconstruí na lembrança o peru chegando da feira com os pés amarrados para cima, depois sendo cevado, engordando com o milho colocado bico adentro e a cachaça para a carne ficar macia; a árvore na sala, improvisada com um galho de goiabeira pintado com tinta prateada e decorado com tufos de algodão salpicados sobre as bolas coloridas; a figura do Menino Jesus quietinho, acomodado nas palhinhas desenhadas dos cartões trazidos pelo carteiro. 
       
Presente não haveria que éramos pobres e, quanto à roupa nova, tão comum nesta data, menino não tinha luxo. Tantas vezes ouvi minha mãe dizer isto que aprendi a não esperar uma coisa nem outra. Fato é que tal condição não me incomodava, absolutamente. Menos ainda naquele momento em que não adiantava pensar noutra coisa que não fosse aquela menininha do conto de Andersen, de pezinhos gelados acendendo, um a um, os fósforos que não conseguira vender, tentando se aquecer numa noite fria, escura e de natal.
       
Bastava olhar pela janela as nuvens que passeavam no céu, densas e brancas, que lá vinha a menina com seus pezinhos descalços sobre a neve... Sim, as nuvens viravam menina e neve, e somente a lua correndo no céu acompanhava os passos da menininha que tinha medo de voltar para casa sem ter vendido um fósforo sequer. Certamente seria castigada.
       
Minha angústia era a vastidão do céu já escuro com aquela menina tão só. O nariz gelado colado na vidraça de uma janela onde, do lado de dentro, uma mesa fartamente posta para a ceia ostentava um ganso assado. 
       
Eu tentava voltar a me interessar pela brincadeira com minhas irmãs quando senti o cheiro do peru torrando no alguidar sobre as brasas do fogão e me lembrei do ganso assado da estória, da menina com fome e com frio, observando os pratos e talheres alinhados, a chama do último fósforo iluminando o ganso sobre a mesa. No dia seguinte encontraram, junto aos fósforos queimados, um corpinho inerte.
       
Quando iriam acabar aquelas imagens que voltavam com tanta insistência? Era tirar os olhos da janela, acabar com a imaginação, parar de associar figuras aos formatos daquelas nuvens no céu, desenhando a mesma cena do livro, esquecer o cheiro que vinha da cozinha. Inútil, as cenas cresciam dentro da noite! Era tirar os olhos do céu...
       
De volta com o olhar na máquina de costura, fui surpreendida pela visão do paninho esgarçado da roupa daquela menininha e as lágrimas me vieram aos borbotões sob o protesto de minha mãe, gritando que não queria menino com luxo e aquele vestido estava bom demais, podia chorar se quisesse, mas outro não tinha, era aquele e pronto. Os gritos de mamãe se misturavam à música vinda do rádio, às vozes e algazarra dos meus irmãos. A casa estava cheia de gente e eu nunca me senti tão só nem tão incompreendida. 
       
Naquela noite eu não quis falar com mais ninguém. Corri de volta para debaixo da latada do chuchuzeiro. Sentada junto à cerca que separava o galinheiro do pé de chuchu fiquei por um tempo, algumas horas talvez... Pareceu uma eternidade. 
       
O luar prateava as folhas debruçadas sobre os fios alteados, bordando no chão uma renda de sombras que a brisa movia lentamente... Essa visão me aqueceu a alma como um fósforo aceso, até que o sono me venceu.

Piedade Farias

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero Araújo Cardoso.

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

SOBRE SAUDADES E LOBOS

*Rangel Alves da Costa

A saudade é mamífera, é animal, grunhe, uiva, berra, chilra, muge, lancina, lateja. A saudade é assim um grito de dor saído de uma incompreendida voz.

A saudade tem patas, garras afiadas, caninos vorazes, bocas sedentas, olhos brilhosos, cheiro de bicho, de bicho feroz. Mas também de bicho acuado na armadilha de si mesmo.

Saudade no telhado no meio da noite, nos esconderijos enegrecidos da noite, nos picos e colinas da escuridão, nos descampados sombrios e entre os tufos que escondem as dolorosas realidades.

A saudade é gato, é boi, é vaca, é cachorro, é coruja, é raposa, é mãe-da-lua, é gavião, é carcará, é lobo. Principalmente lobo e sua saudade noturna, fechada, tristonha.

A saudade é lobo de estepe, é lobo uivante, é lobo no mais alto da montanha, soltando seu grito lamento em direção às distâncias enluaradas. E somente ele sabe a saudade sentida.

A saudade é lobo em meio à escuridão, nos negrumes escondidos, nos altares dolorosos da mata silenciosa. É aí que seu uivo brada a saudade mais medonha que possa existir.

Alguém já ouviu o lobo uivando no meio da noite? Alguém já se aproximou de seu pedestal de tristeza e solidão para sentir de perto sua dor lancinante? Alguém já mirou naquele olhar profundo, naquela boca cheia de garras trêmulas, naquela posição solenemente angustiada?

A saudade do lobo é a mais terrível saudade. Não uiva por que assim acostumou quando a noite cai, não berra por que está fisicamente doente, não ulula anunciando aos demais sua presença. Não.

Seu uivo é de dor sentimental, da alma, do pensamento. Querer ter e não ter, ou ter e se prostrar na distância, ou simplesmente não ter nada além de uma desesperança de jamais poder sentir a presença.


Por isso mesmo que o lobo age assim no meio da noite. Cantando sua saudade tanta, bradando sua saudade grande, chorando sua solidão. Enquanto a lua desce o uivo sobe, se espalha, luzindo na noite seu anúncio de existência.

Por isso que o lobo uiva. Uiva, grita, berra, brada de saudade. Basta sentir na entonação do seu uivo, num acorde que começa baixo e vai se alongando, para saber que não é sem motivos que tamanha dor ecoa com tão intensa profundidade.

Vejam a fotografia do lobo noturno uivando no alto da montanha. Os olhos apertados, fechados, parecem vertendo lágrimas. A boca aberta, os caninos pontudos, o nariz voltado ao alto, tudo emoldurando uma angústia sem fim. E na sua posição, como se no alto estivesse para ser melhor ouvido, afeiçoa-se a uma sombra que desesperadamente quer voar.

Mas os lobos não são apenas os lobos. O homem é o lobo de sua solidão, o homem é o lobo de sua angústia, o homem é o lobo de seu desalento. E animal que sofre, que chora, que se angustia e padece de doer na alma.

Homem na dor do lobo, lobo no sofrimento humano. O homem uivando na sua noite, subindo na sua montanha do passado e de relembranças, para soltar sua voz mais triste, que é aquela silenciosa e torturante. A voz de uma saudade que faz gritar por dentro igual o lobo.

Quantas montanhas e estepes ao redor do homem. No quarto fechado, na janela entreaberta, perante as vagas da noite, mirando a lua e as estrelas, ou simplesmente de olhos fechados e apertados de dor, o homem uiva.

Noites de ruas vazias, quartos fechados e janelas entreabertas. E os uivos anunciando as saudades. Mas ninguém pode ouvir, pois cada um sentindo a força de seu próprio bradar, por dentro, no âmago, na exata dimensão de sua solidão.

Tudo sei sobre saudades e lobos. Sou um solitário lobo. E ainda ouço o meu uivo na solidão da noite passada.

Escritor
Membro da Academia de Letras de Aracaju
blograngel-sertao.blogspot.com

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REUNIÃO 11º ANIVERSÁRIO DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRAPHICO DO CARIRY

Cariri Velho
Data: 10 de dezembro de 2016

8:00 h – Concentração na Sede do IHGC (Sobrados dos Árabes).

8:20 h – Condução do público ao Museum Regional do Cariry Balduíno Lellys pela Phylarmonica Nª Sª dos Milagres.

8:40 h – Condução do público a sede do evento Antiga Escola Estadual Jornalista José Leal Ramos pela Phylarmonica Nª Sª dos Milagres.

9:00 h – Formação da Mesa e abertura da Reunião com um minuto de silêncio em homenagem ao Sócio Fundador Professor José Tavares.

9:20 h – Execução do Hino Nacional, Hino de São João do Cariri e Hino de Nª Sª dos Milagres.

9:30 h – Homenagem ao Professor José de Farias Tavares pela sua esposa  Professora Maria do Socorro Tavares Meira , Dr. Manoel  Paiva e pelos Confrades Leidson Farias e Celeide Farias.

9:50 h – Exposição sobre o Santuário de Nª Sª dos Milagres pelo Confrade e Vigário Valdir Campelo.

10:10 h – Exposição sobre Vivências de Educação Ambiental nas Escolas do Cariri Paraibano - 10 anos de história e Lançamento do livro Diamante Bruto: História, Política, Educação e Cultura do Sertão Paraibano pelo sócio honorário Professor Francisco Pegado. UFPB.

10:30 h – Lançamento do livro de poesias  “Luas de Abril” pela Confreira Maria Conceição Araújo com fotografias do Sócio Honorário Egberto Araújo.

10:50 h - Lançamento do livro “História Colonial da Paraíba” pelo Sócio Honorário Erick Brito;

11:10 h – Lançamento dos Livros  “Quando Adolf Hitler Exilou-se na Paraíba” e “O Cabra da Paraíba e o Cavalo de Tróia” pelo escritor Horácio de Almeida Lima..

11:30 h - Submissão a assembleia do Hino do IHGC pelo Sócio Honorário Roniere Leite Soares.

11:50 h   – Entrega de títulos de Sócios Honorários.

12: 00 h - Encerramento.

Em paralelo haverá exposição da obra do artista plástico e Sócio Honorário Francisco de Almeida (Chicão) e mostra de artesanato e gastronomia dos artesãos, artistas plásticos e doceiros de São João do Cariri.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero Araújo Cardoso.

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EX-CANGACEIRA DULCE E SUA FILHA MARTHA MENEZES..

Por Volta Seca
Foto cortesia: Martha Menezes

Atualmente, DULCE, que tem mais de 90 anos, é a unica cangaceira viva, que se tem notícia. Mora em SP.

Ano passado, a TV-Record/SP, fez um documentário com ela.

Lúcida, ativa e, dona de uma boa memória, essa ex-cangaceira, encanta a todos que a conhecem. Há um projeto familiar de se escrever um livro sobre a vida dessa famosa personagem da história.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=600208703514441&set=gm.567899413419007&type=3&theater

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HOMENAGEM À PROFESSORA DOUTORANDA MARIA JOSÉ COSTA FERNANDES (UERN/FAFIC/DGE)

Por José Romero de Araújo Cardoso

Ser humano que resplandece em energia positiva, profissional de competência ímpar, Maria José Costa Fernandes é referência quando o assunto é geografia do Rio Grande do Norte, ensino e tudo que se relaciona ao regionalismo nordestino, além de outros assuntos referentes à Ciência elaborada de forma científica na Alemanha conturbada pela unificação tardia, embora no presente venha destacando-se mudanças significativas no que tange as teorias, métodos e metodologias. Zezé, como carinhosamente a chamamos, é um dos orgulhos do nosso Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais do Campus Central da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Mãe zelosa e cuidadosa, esposa dedicada, professora extraordinária, grande amiga e colega uerniana, sua dissertação de mestrado sobre assentamentos rurais é um dos momentos brilhantes da produção científica nas terras potiguaras. Certa vez, trabalhando artigo sobre as origens dos topônimos de municípios norte-riograndenses, pesquisei, sem obter sucesso, a razão pela qual  São José do Seridó era conhecido em épocas pretéritas como Poço da Bonita. Indaguei à grande geógrafa sobre o motivo do topônimo, vindo a resposta de imediato, Bonita tratava-se de uma índia de beleza ímpar que costumava se banhar em um dos inúmeros poços naturais que existem em sua terra natal. Fazendo uso profuso de metodologias dinâmicas e bem adaptadas á realidade nordestina, como cordéis e músicas regionais, Zezé vem inovando no âmbito do ensino de geografia de formas brilhante e louvável. Doutoranda em Programa Interinstitucional UFPE-UERN, temos absoluta erteza que a tese de Zezé tornar-se-á referencia a exemplo de sua dissertação impecável que veio contribuir de forma enfática para a compreensão da política de assentamentos rurais no Estado do Rio Grande do Norte. Minha homenagem a essa grande mulher, cujo respeito e admiração vão a níveis estratosféricos.
    
José Romero Araújo Cardoso











Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero Araújo Cardoso.

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78 ANOS DEPOIS….

Por Wanessa Campos

Maria Bonita jamais poderia imaginar que os versos da música que a chamava para tomar café, iriam ser tão reais. Ela acordou sim, mas não tomou o café, porque a polícia chegou, pois já “estava de pé ”. Assim cantava a música e assim aconteceu.

Foi numa quinta-feira chuvosa, ao amanhecer de 1938, julho, dia 28.

Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, ainda sonolentos foram “acordados” com a rajada de metralhadora em cima deles. Assustados, alguns conseguiram escapar do massacre correndo por trás da grota.  


Lampião e sua Maria foram os primeiros a morrerem, inclusive degolados. Maria, a bonita, foi degolada ainda viva. A notícia se espalhou com rapidez, mesmo numa época de comunicação precária. A partir daí, o casal ganhou notoriedade, versões sobre morte e vida, sobretudo no Cordel. E nasceu o mito.

E hoje, 78 anos depois (parece que foi ontem), a fama de Lampião permanece acesa. No Nordeste, as lembranças pipocam em forma de teatro, palestras, missas, documentários etc. E Maria Bonita faz parte desse contexto.


A grota de Angico, fica em Sergipe nas proximidades do Rio São Francisco e era “porto” seguro para o bando, mas a traição de um coiteiro deu um final trágico a essa história.  Insatisfeitos com as mortes, a volante se voltou para a caça ao tesouro levando todas as joias e dinheiro guardados nos bornais. As orações de proteção, entre elas, a da Pedra Cristalina que o casal levava junto foram deixadas no chão sangrento junto com os corpos e os cachorros ensanguentados. As cabeças foram cortadas e exibidas em público como troféus conquistados numa olimpíada. Foi uma vitória do então governo Vargas que perseguia os cangaceiros.

Os “troncos” de Maria Bonita e Lampião ficaram lá amarrados um ao outro significando que o amor deles era eterno. E foi. Os versos do poeta Marcos Accioly retratam bem: “Não sei se é lenda ou verdade\Seu moço, falo por mim\ A lenda sempre começa\Quando uma história tem fim….”

Ilustração de Vladimir Barros e José Mendes Pereira

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A IRMÃ DE LAMPIÃO

Maria Ferreira de Queiroz era a sétima irmã de Virgolino  também nascida no Sítio Passagem das Pedras, zona rural de Serra Talhada, Pernambuco, às margens do Riacho São Domingos.  Recebeu o apelido de Mocinha e chegou aos 102 anos de idade sendo chamada de Mocinha. 

Foto das ruínas da casa onde nasceu Lampião, no livro !Lampião, cangaço e Nordeste”, de Aglae Lima de Oliveira, pág. 33, Edições O Cruzeiro, Rio, 1970.

Ela não viveu o Cangaço, mas acompanhava a vida perigosa do irmão famoso. Confessou, que só esteve com ele apenas uma única vez quando sua fama ultrapassava fronteiras. Para ela, Lampião “era tudo” e nunca se conformou com o seu assassinato. 

”Mataram ele como se mata um bicho, e isso não se faz com ser humano”.

Como toda biografia dos cangaceiros é controvertida, a de Mocinha não foge à regra, mesmo sem ter entrado no bando, pois há contradições com relação a sua idade. Ela tinha dois documentos com datas diferentes no ano de nascimento. Um, de 1910 e outro de 1906. Assim, ela teria morrido com 106 anos e não aos 102 como foi divulgado.

Estava morando em São Paulo, no bairro de Santana na companhia de dois filhos: Expedito e Valdeci. Em 2009, dona Mocinha teve uma grande alegria, veio ao Recife conhecer parte dos descendentes dos Ferreira. Eram sobrinhos, primos, netos e bisnetos. Foram cinco dias de confraternização. Entre as netas, Sandra Queiroz, da Polícia Civil.

Dona Mocinha morreu em 2012 de insuficiência pulmonar.


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“... SE CORRER O BICHO PEGA, SE FICAR O BICHO COME”


Lampião como todo sertanejo, gostava de uma forrozeada ao som do fole, zabumba, pandeiro e triângulo. Passar as noites dançando, tocando e dizendo versos, são, ainda, costumes de muitos cidadãos que moram nas quebradas desse imenso sertão.

Como fugitivo e sabedor de que as volantes estavam em seus rastros o “Rei dos Cangaceiros” sempre procurava estar o mais próximo possível de uma via de fuga. Em sua fase baiana, ele faz do imenso Raso da Catarina seu esconderijo maior.

Raso da Catarina - http://www.pauloafonso.ba.gov.br

Muito farrista, procura sempre as propriedades próximas ao Raso para qualquer eventual ataque, cair fora e adentrar nas terras arenosas daquele deserto, onde, para quem não o conhecesse, corria o risco de morrer de fome e/ou sede, porém, sempre procurava fazer uma festança.

Em meados do ano de 1930, lá pelo mês de São João, no povoado Várzea, Lampião e sua turba vão festejarem a festa do santo, na casa de um dos grandes coiteiros da região, o Sr. Quinca, Joaquim Teixeira Lima, que era esposo da senhora Aristéia Teixeira Lima, que lhes tinham grande apreço e serem compadre do ‘Homem’, assim Lampião era conhecido na Bahia, pelo mesmo ser padrinho de uma de suas filhas, Alexandrina Teixeira Lima.

Os forrós na casa de Quinca eram de lascar de bons. Não tinham hora para findarem-se. Assim, naquela noite, o samba vira a noite e prossegue durante todo o dia. O sol há muito havia rompido a aurora quando já se notava que os cangaceiros estavam totalmente de pileque. O chefe ordena que todos peguem seus atavios e se preparem para seguirem viagem até as terras da Lagoa do Rancho onde almoçariam. Toda a cabroeira se aprontou e colocaram os pés no caminho.

Como sempre, naquela ribeira a comida era preparada pelo casal, o Sr. João Caraíba da Silva e dona Maria Pereira da Silva, sendo conhecidos por todos como João Caraibeira e Maria Grande. Casal que, por sinal, estava levando ao pé da letra o mandamento ‘crescei e multiplicai-os’, pois já eram dez as suas descendências. Desses, cinco era homem, ”Antônio. Olisso, Virgínio, Enoque e João”, e o restante mulheres, “Alvina, Cândida, Rosa, Marciana e Rita”.

Após saírem da casa onde houvera o ‘samba’, talvez devido ao mé ingerido, o grupo se dispersa muito. Alguns parece pegarem corrida, outros se atrasam muito e o restante vai ao meio. Daqueles que muito se adiantaram, chegando mesmo a ser o primeiro, foi o cangaceiro de alcunha Sabiá. Conhecedor do terreno, não teve dificuldades de sair no terreiro da casa de João Caraibeira. Na casa, naquele momento, só encontravam-se alguns dos filhos do casal cozinheiro. Um deles, era a adolescente Rira Maria de Jesus, que com seus 15 anos de idade, já tinha um corpo sedutor.

Rira Maria de Jesus vítima de estupro pelo cangaceiro Sabiá

A fera alojada no interior do cangaceiro desperta ao ver a jovem. Com perversos instintos, imaginários e obscenos, pega-a e a arrasta para fora da casa, levando a indefesa criança em direção à mata próxima a um dos lados da casa. Seus irmãos abrem o berreiro no meio do mundo e saem em uma carreira só, sem descanso, para a casa do senhor Silvestre Torres, onde seus pais encontravam-se. Lá chegando dizem o que estavam se passando em casa. Seu pai sai em toda velocidade que suas pernas podem alcançar, a fim de proteger sua filhinha.

Chegando a casa, já ciente do que se passara João Caraibeira ver Lampião chegando com o restante de seus homens. Corre para junto dele e diz o que se passa. Lampião, de imediato, ordena que Luiz Pedro e Arvoredo vão e prendam o cabra. Os dois saem para cumprirem a ordem e levam o pai de Rita com eles. Lá, Luiz Pedro pega o cabra, dar-lhes uns sopapos, joga-o no chão e quebra-lhe os dentes com a coronha do fuzil. Depois o amarra debaixo de um pé de mulungu ali perto. Vendo seu destino de frente, o cabra pede para seus companheiros o matar antes da chegada do chefe. 


Lampião chega saca da pistola e atira duas vezes no cangaceiro Sabiá, e manda que Luiz Pedro o sangre. Luiz Pedro cumpre a ordem. Saem e vão comeram em quase total silêncio, deixando o corpo inerte ali desprezado, só quebrado pelo cangaceiro Mariano, que diz para o chefe mor, não concordar com o que ele fez. 

O cangaceiro Mariano

Lampião então manda que Silvestre vá e enterre o corpo de Sabiá. O que faz o coiteiro acompanhado de seus filhos “Pedro, Jovino, Manuel, Joventino e Gabriel juntamente com seu genro José Justino”.

Dois anos depois, em 1932, o tenente Zé Izídio manda dizer que o senhor Silvestre vá à cova do cangaceiro, retire o crânio e leva até a cidade de Jeremoabo, BA. Assim faz o sertanejo e voltou para sua casa na Lagoa do Rancho. 

Passado algumas semanas, a volante do tenente Luís Mariano chega a sua residência, na Lagoa do Rancho. Os soldados, a mando do tenente, prendem o velho José Silvestre Torres, o levam para o mato e começam uma sessão de torturas a base de pontas de punhais, facas e canivetes. 

Os soldados tinham a ordem de executar o velho após as torturas, porém, de tanto cacete que levou, o velho balbuciava palavras sem nexos. Terminando por fugir pelo mato. Resolvem então, os soldados, a deixarem ele pra lá, pois acreditavam que estivesse louco, devido à ‘madeira’ que tomou.

Saindo a caminhar sem rumo, o velho Silvestre vai de um lado para outro dentro da mata, e só atina com sua casa dois dias depois. Lá chegando, é ciente de que José Justino, Jovino e Gabriel tinham levado uma grande surra. Depois da sova que levaram, foram presos e levados para Santo Antônio da Glória. De lá foram transferidos para Salvador. Só após alguns dias, é que foram libertados e puderam retornar para seus familiares.

“(...) Difícil para os sertanejos era decifrar as leis que eram impostas pelas diversas facções que percorriam os sertões nordestinos (...).” (“Lampião em Paulo Afonso” – LIMA, João De Sousa. 2ª Edição (revisada e ampliada). 2013).

Era, caros amigos, nessa situação que os catingueiros, roceiros, vaqueiros e moradores viviam. Se não cumprissem o que ordenavam os cangaceiros, o pau comia e suas vidas poderiam serem ceifadas. Se cumprissem, a volante aplicava um tratamento semelhante, ou pior, os incluíam como coiteiros e a madeira comia de esmola, o sangue jorrava e a morte vinha a galope... Nas quebradas do Sertão baiano.

Adquira este através deste e-mail: joao.sousalima@bol.com.br

Fonte “Lampião em Paulo Afonso” – LIMA, João De Sousa. 2ª Edição (revisada e ampliada). Editora Fonte Viva. Paulo Afonso, BA. 2013

Foto Ob. Ct.

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COMUNICADO!

Por Benedito Vasconcelos Mendes

O Presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço-SBEC, do Instituto Cultural do Oeste Potiguar-ICOP e Fundador e Curador do Museu do Sertão, Professor Benedito Vasconcelos Mendes entregou ontem, terça-feira (6-12-2016), nas dependências do Museu do Sertão Fazenda Rancho Verde), em Mossoró-RN, os Diplomas de Honra ao Mérito Cultural da SBEC e  de Sócio Honorário do ICOP à Presidente da União Brasileira de Escritores-UBE-RJ, Médica, Escritora e Artista Plástica, Juçara Regina Viégas Valverde. A Dra. Juçara,  idealizadora do II Seminário Internacional Encontro das Américas, que está sendo realizado em Natal e Mossoró em sua fala,  por ocasião da visita ao Museu do Sertão dos participantes do referido evento, externou sua alegria em visitar o Museu do Sertão, considerando-o como um dos mais importantes equipamentos culturais brasileiros para a divulgação da cultura nordestina.



Enviado pelo professor e escritor Benedito Vasconcelos Mendes

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ASCRIM/PRESIDENCIA INSCRICIONÁRIO OFÍCIO Nº 307/2016 MOSSORÓ(RN), 06.DEZEMBRO.2016,



PREZADOS PRESIDENTES DE ACADEMIAS DE LETRAS,
PREZADOS PRESIDENTES DE ENTIDADES CULTURAIS CONGÊNERES,
PREZADOS ASSOCIADOS,
PREZADOS CANDIDATOS A POTENCIAIS ASSOCIADOS DA ASCRIM,
PREZADOS  PARTICIPANTES DO I FORUM HISTORIOGRAFIA PERMANENTE ORIGEM E CONTINUIDADE DO POVOAMENTO DE MOSSORÓ-I FOPHPM,

CONFORME ANUNCIADO REITERADAS VEZES, VIA EMAIL, COMUNICAMOS QUE AMANHÃ, DIA 07.12.2016(QUARTA-FEIRA), CONFORME PROGRAMAÇÃO DO II SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENCONTRO DAS AMÉRICAS:

08:30HS – A ASSOCIADA, ELEITA 1ª SECRETÁRIA  DA ASCRIM(BIÊNIO 2017/2018), LUDIMILLA CARVALHO SERAFIM DE OLIVEIRA, PARTICIPARÁ DA 1ª MESA, PROFERINDO PALESTRA SOBRE “RELAÇÃO/INTEGRAÇÃO ENTRE A UNIVERSIDADE, AS ACADEMIAS DE LETRAS E ENTIDADES CULTURAIS AFINS ENTRE SI E COM A COMUNIDADE

10HS, O PRESIDENTE EXECUTIVO DA ASCRIM(REELEITO BIÊNIO 2017/2018), FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO, COORDENARÁ  2ª MESA temática “UM RESGATE À HISTÓRIA DE MOSSORÓ”. SERÃO PALESTRANTES: O VICE-PRESIDENTE DA ASCRIM MILTON MARQUES MEDEIROS, RAIMUNDO NONATO SANTOS DA COSTA, JOSÉ ROMERO DE ARAÚJO CARDOSO E GERALDO MAIA NASCIMENTO, ALÉM DA PARTICIPAÇÃO DE LUDIMILLA CARVALHO SERAFIM DE OLIVEIRA. NO EVENTO SERÁ LANÇADA A PLAQUETA “I FORUM HISTORIOGRAFIA PERMANENTE ORIGEM E CONTINUIDADE DO POVOAMENTO DE MOSSORÓ-MARCO ZERO DO INÍCIO DO POVOAMENTO DE MOSSORÓ”.

NA  OPORTUNIDADE, O PRESIDENTE DA ASCRIM ANUNCIARÁ A ENTREGA DOS CERTIFICADOS DE PRESENÇA AO I FORUM PERMANENTE ORIGEM E CONTINUIDADE DO POVOAMENTO DE MOSSORÓ, REALIZADO NO AUDITÓRIO DA BIBLIOTECA MUNICIPAL NEY PONTES DUARTE, NO DIA 1º DE SETEMBRO DE 2016.
   
DESTA FORMA, CONCLAMAMOS, TAMBÉM, PELO COMPARECIMENTO DE TODOS ASSOCIADOS E POTENCIAIS CANDIDATOS A ASSOCIADOS DA ASCRIM, POR TRATAR-SE DE ASSUNTOS DO ALTO INTERESSE DOS ESCRITORES MOSSOROENSES.
    
COMUNICAMOS, OUTROSSIM, QUE OS ASSOCIADOS REGULARES ATIVOS DA ASCRIM DEVERÃO  COMPARECER PORTANDO O COLAR E MEDALHÃO OFICIAL, DECÔRO INTELECTUAL DO PRECEITO ESTATUTÁRIO.  

SAUDAÇÕES ASCRIMIANAS,
FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO
-PRESIDENTE DA ASCRIM-

C/CÓPIA PARA OS PRESIDENTES DE ACADEMIAS DE LETRAS,
C/CÓPIA PARA OS PRESIDENTES DE ACADEMIAS DE LETRAS,PRESIDENTES DE ENTIDADES CULTURAIS CONGÊNERES,
C/CÓPIA PARA OS PRESIDENTES DE ACADEMIAS DE LETRAS,
C/CÓPIA PARA OS CANDIDATOS A POTENCIAIS ASSOCIADOS DA ASCRIM,

C/CÓPIA PARA OS PARTICIPANTES DO I FORUM HISTORIOGRAFIA PERMANENTE ORIGEM E CONTINUIDADE DO POVOAMENTO DE MOSSORÓ-I FOPHPM,

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero Araújo Cardoso.

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O ASSASSINATO DE DELMIRO


Recife, 14 de setembro de 1968

A noite era quente e abafada como costumam ser as noites de verão no sertão nordestino. Firmino Rodrigues Pereira, a última pessoa que falou com o coronel Delmiro, declara tê-lo deixado a ler tranquilamente o “Jornal de Alagoas” no alpendre da casa de “Dona Jovem”.

Algumas pessoas asseguraram que a luz elétrica foi cortada por alguns segundos e, nesse ínterim, passou um desconhecido com um lampião a querosene aceso diante da varanda de D. Jovem. Então, ouviram-se os tiros.

Os pesquisadores não acreditam muito no corte de luz, porque Delmiro era um homem prevenidíssimo; o corte o teria alertado.

Diz ainda Firmino, um dos acusados de mandante do crime, apesar de sua amizade com o Pioneiro, que ao chegar em casa aquela noite, antes de tirar o paletó, ouviu ruídos como de pancada. “Que pancadas são essas?”, teria perguntado a sua mulher, ao que ela respondeu: “que pancada que nada! Foi tiro, e no Coronel Delmiro”.

Firmino chegou ao local do crime ainda a tempo de amparar a vítima. Dizem que ao cair Delmiro perguntou: “Já prenderam os cabras?”.

Levado para um quarto, Delmiro pediu que lhe tirassem o paletó. Firmino Rodrigues estava nervoso e desorientado, naquele momento de aflição, demorando-se um pouco em cumprir o pedido. O industrial solicitou então que o paletó fosse rasgado, o que se fez. Logo depois ele pedia que lhe rasgassem a camisa. Os presentes viram então, no peito, bem em cima do coração, orifício de uma bala, do qual saia um pouco de sangue. Delmiro morreu antes de ser socorrido pelo médico. Dizem os presentes que suas últimas palavras foram: “Valha-me... Nossa... Senhora...”, ditas compassadamente, muito devagar.

O impávido industrial sepultado no dia seguinte, sem pompas, conforme ele mesmo determinara em seu testamento. A morte de Delmiro foi chorada em prosa e verso pelo povo que inclusive, denunciava os criminosos:


“Quando o enterro de Delmiro
Foi pela rua passando,
parece que a gente ouvia
a cachoeira chorando

Mataram senhor Delmiro
num dia de quarta-feira
mandada por Zé Rodrigues
Foi aquela cabroeira.”


Coronel José Rodrigues de Lima, chefe político e intendente de Piranhas - AL, foi um dos acusados, devido a interesses contrariados e aborrecimentos por questões de fornecimento de lenha a Paulo Afonso. Era comprador de peles e de certo vira diminuir-se seu movimento comercial desde que Delmiro se instalara em Pedra.

Outro apontado como mandante do crime foi José Gomes, chefe político de Jatobá, hoje Tacaratu, Pernambuco, cuja filha de criação Delmiro raptara quinze anos antes. Hipótese completamente fantasiosa. Firmino Rodrigues foi acusado por motivos tão fantasiosos quanto os que justificaram a acusação de José Gomes.

A Machine Cottons apenas foi apontada dez anos depois do assassinato, quando, “discretamente”, conseguiu comprar a maquinaria da fábrica de linhas de Pedra, sua única concorrente, inutilizando-a e jogando-a no Rio São Francisco. Este procedimento, que lembra o de Roma na conquista de Cartago, chamou atenção dos interessados no caso.

As autoridades encarregadas de investigar o homicídio prenderam os três supostos mandatários: Róseo Morais do Nascimento, José Inácio Pia, vulgo “Jacaré” e Antônio Felix do Nascimento, conhecido como Leão.

Róseo e Jacaré

A princípio, Róseo e “Jacaré” acusaram José Rodrigues como mandante do crime, concordando com uma versão da política segundo a qual teriam encontrado aquele chefe político às margens do Rio Piranhas (não confundir com Ipiranga) e combinado os detalhes do atentado. Interrogados separadamente, a pedido do advogado de José Rodrigues, caíram em contradição. Enfim declararam ter confessado o crime sob coação e espancamento. Retiradas as camisas que vestiam, todos viram que os homens tinham sido impiedosamente seviciados.

Foram condenados a 30 anos de prisão simples. Por ocasião da transferência dos supostos criminosos de Água Branca para Maceió, os jornais de Alagoas noticiaram: “Aí vem três feras – Somente anteontem partiram de Água Branca para serem recolhidos à Casa de Detenção os perversos assassinos de Delmiro Gouveia, os quais acabam de, pelo moralizado júri daquela comarca, receber a confirmação do devido castigo que mereciam. Conduz as feras o Tenente Manoel Lucena”.

Uma das “feras”, a mais perigosa era José Inácio Pia, “Jacaré”, homem franzino e doente “pois tinha uma costela quebrada a coice de fuzil e uma cicatriz no lado superior da vista esquerda, de tacão de botinas dos soldados do Capitão Pedro Nolasco”. Evadiu-se da penitenciária duas vezes, sendo morto em tiroteio com a polícia, quando de sua captura, Jacaré jamais admitiu ter assassinado Delmiro Gouveia. Por ocasião do júri, declarou nunca ter confessado o crime. O seu compadre Róseo, não aguentado mais o “interrogatório” do Capitão Nolasco, foi quem confessou, para se contradizer logo depois. A “fera” Róseo Morais do Nascimento é um homem que não fez queixa, “não demonstra ódio ou hostilidade. Notei apenas que estremeceu e ficou com as feições alteradas quando falei de Capitão Pedro Nolasco”, diz Lima Júnior no seu livro.

Róseo – que ainda hoje se diz inocente – cumpriu apenas 14 anos, 9 meses e 15 dias de prisão, sendo solto imediatamente por decreto de Tasso de Oliveira Tinoco, que reduziu e comutou diversas penas, entre elas a de Róseo para 10 anos de prisão simples.

Na noite do assassinato, os “criminosos” dormiam na estação de Jarapatuba, rumo à Bahia. Na tarde de 11, saltaram em Maroim lá começando a trabalhar como pedreiros. Cientes de sua acusação, conseguiram declaração do industrial que os empregara, dizendo ser impossível a autoria do crime, pois Róseo e “Jacaré”, naquele dia, estavam bastante longe de Pedra, depois de lhes ter prestado serviço por alguns dias. De nada adiantou a declaração nem outros testemunhos evidentes.

O importante para a Polícia era achar um bode expiatório, não importa quem, contanto que ela dê impressão de competência e bons serviços. Aliás, isto não é peculiaridade da polícia brasileira, não. Os Estados Unidos, protótipo da civilização ocidental, empregam amiúde este “método” de investigação e tem dado sobejos exemplos de sua eficiência: desde a tragédia de Sacco e Vanzetti, passando pelo Barbara Gran, o assassinato das oito enfermeiras, culminando com a tragédia da “Família Kennedy”.


Nascido a 5 de junho de 1863, em Ipu, Ceará, Delmiro Gouveia, instalou o primeiro Mercado Modelo do Brasil, nesta capital, Recife, onde é hoje o parque Derby. Em Alagoas construiu 520 quilômetros de estradas. Na cidade de Pedra, Alagoas edificou uma fábrica de linha de cozer que, no início do século abasteceu todo o mercado brasileiro e os dos países vizinhos. Aí está a razão de sua morte. Se alguém perguntar a qualquer nordestino, quem matou Delmiro Gouveia, ele responderá: “A Machine Cottons”. Para as autoridades, porém o assassinato continua sendo um mistério. Mas, justiça se faça a Cia. Inglesa: ela deve ter ponderado que o pioneiro nascera fora de tempo, e cuidou de providenciar o acerto das coisas. Se fosse ainda o tempo da Inquisição Delmiro seria assado vivo numa monumental fogueira erigida pela Machine Cottons. Fácil seria provar ser Delmiro feiticeiro; não vivia o homem a fazer diabruras. Coisas incríveis? O seu mercado modelo, no Derby, e sua fábrica de linhas em Pedra, não eram eletrificadas por ele, quando no Brasil ainda nem se ouvia falar em luz elétrica?

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