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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

MARIA DAS LÁGRIMAS

*Rangel Alves da Costa

Uns diziam que era por safadeza, outros diziam que a mulher era chuvarada mesmo, mas de qualquer modo nunca se viu nada igual: a mulher chorava tanto, mais tanto mesmo, que enchia até tanque e açude.

Num momento estava seca de secura da terra e estiagem, já no outro ao desabrido chuveiro de mil soluços. Num instante e seu olhar apenas olhar, sem nada além que o molhado dos olhos, mas já no outro com todas as comportas abertas e aquele mundão de água querendo tudo devorar.

Mulher choradeira da gota serena, dizia um. Já outro acrescentava: Deus me livre de estar perto dela quando começar a chorar. E era realmente de admirar e espantar aquela propensão ao choro e a forma de chorar. Ora, não chorava, apenas derrama dos olhos um carro-pipa a cada segundo.

Para se ter uma ideia, a casa dela ficava numa encosta, com o chão pendido de lado e com abertura por quase todo o pé de parede. E assim para que as águas de suas lágrimas escorressem adiante assim que começasse a chuvarada nos olhos. Providência mais que necessária diante do tsunami de repente surgido.

A chuvarada escorria dos olhos e se derramava encosta abaixo, levando em enxurrada tudo o que encontrasse pela frente. Acaso as águas não encontrassem pronta saída, não demorariam muito para encher a casa inteira, subindo pelas paredes até o telhado, deixando submersa a choradeira. E o pior é que a dona do mar aberto não sabia nadar.

Chorava por tudo, a mulher. E chorava em demasia. Viúva, Maria das Lágrimas, como assim era chamada, estava permanentemente proibida de chorar sua viuvez dentro de casa. Não só a viuvez como qualquer choro. Os moradores debaixo da encosta providenciaram abaixo-assinado para impedi-la de despejar quaisquer tipos de lágrimas lá de riba.

Por isso mesmo que só podia recordar do falecido esposo após descer a ladeira e se postar rente a um riachinho que havia por ali. Levando na mão um retrato ou qualquer peça de roupa do defuntado esposo, logo começava a chorar e a derramar água no leito adiante. Não demorava muito e o riachinho já estava em correnteza.

Certa feita, enquanto estava lamuriando sua saudade da vez e pensando nos dotes camísticos de seu falecido, avistou uma cueca samba-canção num varal adiante e logo lhe veio à mente aquele que ele mais gostava de usar para fazer safadeza. Então ela se derramou de vez. E desta feita a cheia do riachinho derrubou mais de dez casas pelos arredores.

Mas não demorou muito e pessoas da comunidade encontraram um meio de proporcionar utilidade àquelas enxurradas de lágrimas. Como a região estava seca demais, com a terra esturricada e os tanques já rachados no barro, então resolveram que Maria das Lágrimas poderia ser a salvação de muita gente e de muito bicho.

Tramaram, maquinaram, resolveram colocar em prática a ação. Cremêncio foi incumbido de despertar paixão naquele viúvo coração. Bateu à porta de Maria das Lágrimas com uma rapadura à mão e olhar adocicado que só. A mulher se encantou na hora. No mesmo instante se apaixonou pelo solteirão. Na mesma hora, ele tacou-lhe um beijo que a viúva quase desmaia.

Um encontro amoroso foi marcado na manhã do dia seguinte, bem ao lado da barragem seca que abastecia a povoação. O safado do Cremêncio já sabia o que fazer para que em pouco tempo a barragem novamente ficasse cheia. Chegou no horário combinado e ela já estava lá por detrás de uma moita, toda afoita e tremelusca, doida pra dar.

O safado logo acenou para que ela se aproximasse da beirada da barragem. Assim que ela quase pula em seus braços, ele recuou e disse que, pensando bem, era melhor que aquilo não acontecesse, pois ela era mulher viúva e respeitada, e por isso mesmo não poderia trair sua honra. E foi se afastando. Ali em pé, sem acreditar no que ouvia, a fogosa se derramou em tamanho pranto que mais parecia mil trovoadas caindo de uma só vez.

Em dois minutos a barragem estava cheia. Daí em diante foi uma fila imensa de homens a encher barragens, tanques e lagoas, com as lágrimas da mulher sempre enganada. Mas um dia ela não chorou. Não chorou por longo tempo a partir desse dia. De tão enganada, acabou ressecando tudo por dentro. Numa tarde, abriu a porta da casa lá no alto onde morava e olhou adiante para aquele mundo de mentiras, falsidades e enganações.

Então chorou toda a mágoa do mundo. E toda a cidade foi destruída e levada pelas enchentes.

Escritor
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HERCULANO BORGES DESCAPELADO VIVO PELO TERRÍVEL CORISCO.

Material do acervo do pesquisador Guilherme Machado Historiador Pesquisador

Crime horripilante cometido por Corisco ao delegado Herculano Borges, que teve sua filha na cidade de Serrinha-Bahia, como testemunha viva, até 2 anos atrás... Um terror causado por Corisco.

A raiz mais antiga da história aponta para uma ascendência mais antiga pernambucana, que migrou para a Bahia no final do século XVIII, aparecendo a família em 1812, em Monte Santo, na Bahia, com Rafael dos Anjos.

Este era proprietário de uma posse de terra na fazenda Abóbora, onde, mais tarde, se desenvolveu o cenário de um embate em que morreu o cangaceiro Mergulhão.

O cangaceiro Mergulhão

A partir daí, a família se espalhou rumo Uauá e Vila Nova da Rainha, com Joaquim Cardoso da Silva Matos, filho de Rafael dos Anjos, sendo avô de Francisco Borges.

Entre seus descendentes destacaram-se os Borges de Sá, de Uauá, dentre os quais emergiram sete prefeitos dessa cidade.

Entretanto, o filho de Francisco cujo nome assumiu maior significado na história do cangaço foi Herculano Borges, nascido em Uauá, cerca de 1881.

Herculano Borges, que se casou com Marta Moraes Salles, mais conhecida como a dona Os santa. Dona Ossanta morreu em Serrinha, deixando um filho o Geraldo Bucão.

Foi este Herculano Borges que, em 1931, aos cinquenta anos de idade, foi trucidado por Corisco...

2 de outubro de 1931, no “Diário de Noticias”

Um negociante cortado em postas!

Corisco e seu grupo torturaram uma ex–autoridade policial

GUERRA IMPLACÁVEL AOS BANDOLEIROS ATÉ QUE O SERTÃO SE LIBERTE DA PRAGA SINISTRA

Santa Rosa é um distrito de paz do ex–município de Jaguarari, ultimamente anexado a Bonfim, de onde dista cerca de 12 léguas. Não é um lugar prospero: caracteriza–o o abandono em que jazem as localidades do Nordeste, onde apenas as feiras conseguem ofereceram pouco de vida, de movimento, de intensidade comercial, um dia em cada semana.

Em Santa Rosa residia o sr. Herculano Borges, sobrinho do coronel João Borges de Sá, de Uauá. Negociava com relativo êxito, vivendo vida corrente e tranquila com sua mulher e filhas. Era estimado e possuía amigos. Nada mais que isso desejava, para se considerar feliz.

NO “INDEX” DO BANDIDO

Um dia, indicaram–no para as funções de subdelegado local. Relutou ele em aceitar, porque não era político: disseram–lhe que esse seria um relevante serviço que ia prestar ao governo e à população local, cooperando na campanha empenhada contra Lampião.

Herculano Borges pensou melhor e aceitou o cargo; no exercício do mesmo, fez–se uma autoridade útil aquela campanha, trazendo o sicário apertado e, por isso mesmo, caiu–lhe no rol das pessoas condenadas.

Além disto, o seu tio coronel João Borges de Sá é velho inimigo de Virgolino, tendo–o mentido, certa feita, na cadeia, em Uauá, quando elle era, apenas, tropeiro de Delmiro Gouveia.

PRIMEIRO, OS BENS INCENDIADOS

Lampião, chefe dos bandidos, e como tal tido e obedecido por eles, conseguiu, ha tempos burlando a vigilância da autoridade de Santa Rosa, penetrar, de surpresa, nessa localidade.

Herculano mal teve tempo de fugir com a família, numa inevitável viagem desabalada, vindo a fixar residência, com suas cinco filhas menores, na cidade de Bomfim. Mas perdeu quanto possuía. O grupo sicário quebrou, espatifou, os moveis do seu perseguidor policial; na loja que ele possuía, praticou um saque de vândalos e depois, ateou fogo á casa com todo o “stock” nela existente.

Era o inicio da vingança.

Herculano experimentou, assim, o castigo de haver sido um homem de bem, que não compactuou com o crime, na sua vida de cidadão. Ficou residindo em Bomfim, não sem ir, de vez em quando, a Santa Rosa, menos para enfrentar o risco ou matar saudades, que por irrecusável necessidade de ali comerciar, na feira local, ás sextas feiras, como negociante ambulante.

A ESMAGADORA SURPRESA!

No dia 19, penúltimo sábado de setembro, Herculano Borges, feita a feira na véspera, regressava, pela estrada quente, interminável, a serpentear entre capoeiras sombrias, descampados nus de vegetação, a subir encostas fatigantes e a descer serrotes. Vinha montado e trazia suas mercadorias no lombo da burrama dócil à voz do “pajem”...

Fazia calor e Herculano, cansado da viagem, fez uma parada, Apeou. Perto havia uma “cacimba”. Para ela encaminhou–se e, descuidado, pensando certamente na família, que ia rever satisfeito, abaixou–se mitigando, no fio claro d’água corrente, a sede que lhe secava a garganta.

Surpreendeu–o nessa posição o tropel de cavaleiros inesperados. Ele voltou–se, na convicção de que talvez se tratasse de algum caixeiro viajante. Mas, não; a dívida durou o tempo de um relâmpago, porque alguém, do grupo, despertava–o para a negra realidade:

– Cel. Herculano, levante–se para morrer, que você está com “Corisco” pela frente”


VERDADEIRO SUPPLICIO

Era, realmente, aquele grupo composto do emulo de Lampião, e de mais 9 cãibras, que detinham o infeliz sertanejo.

O crime deste era não ser “costeiro”, era o de haver servido á sociedade contra salteadores e assassinos; era o de haver cumprido com o dever que assiste a todos os sertanejos, nessa luta contra os bandidos de Lampião.

Não descreveremos o suplício pelo qual padeceu, como um mártir cristão, o sr. Herculano Borges.

Amarraram–no. Cortaram–lhe os braços. Cortaram–lhe os pés. Degolaram–no.

E, esquartejado, feito em postas, os pés sangrentos dentro das botinas, foram seus restos mortais enfiados em estacas, como demonstrações do quanto é perverso o ódio da horda de Lampião...

PELO SANGUE DERRAMADO, GUERRA AOS SICARIOS!

O doloroso fim desse sertanejo deve inspirar ás populações do Nordeste um compromisso sagrado – o de lutar, ao lado da Força Pública, contra os sicários.

Pelo sangue que eles tem derramado das vítimas que surpreendem, o de prestigiar os perseguidores da gente de Lampião, denunciando–lhes os seus “coiteiros”.

É proposito do Governo do Estado não dar tréguas a Lampião, lançando em pratica um traçado modo de campanha que não pôde ser divulgado, mas que deve ser facilitado.

O Capitão Facó espera, conforme ainda hoje declarou ao DIARIO DE NOTICIAS, que os sertanejos favoreçam as tropas volantes com um ambiente de facilitações, contando para isso com o auxilio da imprensa. É o que fazemos – apontando esse novo bárbaro crime á execração geral!
.
Aparece em Felipe de Castro (1975), a narrativa do início do problema:
Corisco foi para a cidade de Bonfim, corrido, afastando-se para sempre da região de Glória e Pedra de Delmiro. Na nova cidade que passou a residir iniciou vida nova, negociando com bugigangas na feira - era camelô - aos dezessete anos.

Certo dia, Herculano Borges, delegado de polícia daquela cidade, homem, segundo conceito popular, de maus bifes, recebe de um dos fiscais da feira uma queixa contra o camelô, acusando-o de sonegação de imposto, naquela época, cinquenta réis de ocupação do solo. Apresentado ao delegado, este indaga-lhe o motivo da protestada recusa, tendo o acusado se justificado, alegando já ter pago a outro fiscal, por isso que a acusação era injusta. Não se conformando, todavia, o delegado, mandou recolhê-lo ao xadrez debaixo d impropérios ofensivos, culminando por agredi-lo com um pontapé nas nádegas. Sabe-se que no percurso da feira ao quartel, onde ficava o xadrez, os soldados da escolta espancaram o rapaz que, raivoso com o ato injusto e violento, prometeu vingar-se declarando, em presença do próprio delegado, chorando de ódio: “Quando eu saí daqui o sinhô me paga seu Herculano”. Só depois de vinte e quatro horas soltaram-no.

Desesperado com os maus tratos que lhe deram, injustamente, resolveu vender o que tinha e com o produto desse negócio comprou um rifle e internou-se nas caatingas.”

Fonte Livro Lampião na Bahia e o Cangaço na Bahia.
(Foto abaixo do Cangaceiro Corisco e do Sr. Geraldo Bulcão Filho ou entiado do Delegado Herculano Borges.

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COMEMORAÇÕES!

‎Por Benedito Vasconcelos Mendes

O ICOP - Instituto Cultural do Oeste Potiguar, a mais antiga instituição cultural de Mossoró, está completando neste ano (2017) 60 anos de fundação. O Presidente do ICOP, Professor Benedito Vasconcelos Mendes, juntamente com os demais membros da Diretoria, já escolheu o Presidente da Comissão Organizadora das Festividades, o escritor Clauder Arcanjo. O sexagésimo aniversário do ICOP será comemorado no próximo dia 30 de setembro, com muito esmero, pelo povo e pelos intelectuais de nossa cidade, pois o ICOP é um importante patrimônio cultural dos mossoroenses. Conclamamos as Academias e instituições congêneres  ( AMOL-Academia Mossoroense de Letras, ACJUS-Academia de Ciências Jurídicas e Sociais, AFLAM-Academia Feminina de Letras e Artes Mossoroense, AMLERN-Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Norte, ASCRIM-Associação dos Escritores Mossoroenses, COMFOLC  -Comissão Mossoroense de Folclore, SBEC-Sociedade Brasileira de Estudo do Cangaço, ALAM-Academia de Letras e Artes de Martins, APLA-Academia Patuense de Letras e Artes, AAL-Academia Assuense de Letras e outras ), bem como as instituições  civis ( LIONS, ROTARY, OAB-Mossoró, MAÇONARIA, ACIM, CDL etc ) e a Prefeitura Municipal de Mossoró e Governo do Estado, para se juntarem aos organizadores das festividades do ICOP, para comemorarmos condignamente esta data.


A SBEC - SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DO CANGAÇO comemorará os 90 ANOS DA EXPULSÃO DE LAMPIÃO. MOSSORÓ, a Cidade da Resistência, a Capital Cultural do Semiárido, a Cidade dos Feitos Históricos, comemorará, este ano ( 2017 ), os 90 anos da invasão do Bando de Lampião. Os mossoroenses querem fazer justiça aos seus heróis que, com coragem e determinação, defenderam no dia 13 de junho de 1927 a cidade da sanha sangrenta de Lampião e seu bando de facínoras. O povo, o poder público e as entidades vivas da sociedade vão se juntar, para rememorar o heroísmo dos nossos conterrâneos do passado. Conclamamos as instituições culturais ( AMOL, ACJUS, AFLAM, AMLERN, ICOP, ASCRIM, COMFOLC, Museu  do Sertão e outras), ACIM, CDL, LIONS, ROTARY, Maçonaria, OAB, SEBRAE e entidades de classe (Sindicatos e Associações) para, em um esforço comum, fazer uma grande festa de reconhecimento dos méritos heroicos dos que, de arma em punho, defenderam a nossa cidadela. O Presidente da SBEC, Professor Benedito Vasconcelos Mendes está escolhendo o Presidente da Comissão Organizadora das Festividades, para conclamar as forças vivas da sociedade a se engajarem na organização deste importante evento histórico-cultural.

Enviado pelo professor e escritor Benedito Vasconcelos Mendes

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INÍCIO DO AMOR ENTRE LAMPIÃO E MARIA BONITA


INÍCIO DA HISTÓRIA DE AMOR ENTRE MARIA DÉA (DEPOIS MARIA BONITA) E LAMPIÃO. 

In livro "LAMPIÃO, A RAPOSA DAS CAATINGAS" do grande pesquisador JOSÉ BEZERRA LIMA IRMÃO, página 375.


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UMA DAS ÚLTIMAS FOTOGRAFIAS DA CANGACEIRA DADÁ


Uma das últimas fotografias da cangaceira Dadá, em Riachão do Jacuípe Bahia... Com o jornalista Evandro Matos, e o Escritor Nelci Lima da Cruz... A foto foi feita na residência do jornalista, onde Dadá se preparava para uma palestra no Ginásio Municipal.

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90 ANOS DA INVASÃO DE LAMPIÃO

Por Benedito Vasconcelos Mendes

A SBEC- SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DO CANGAÇO comemorará os 90 ANOS DA EXPULSÃO DE LAMPIÃO. MOSSORÓ, a Cidade da Resistência, a Capital  Cultural do Semiárido, a Cidade dos Feitos Históricos, comemorará, este ano (2017), os 90 anos da invasão do Bando de Lampião. 

Os mossoroenses querem fazer justiça aos seus heróis que, com coragem e determinação, defenderam no dia 13 de junho de 1927 a cidade da sanha sangrenta de Lampião e seu bando de facínoras. O povo, o poder público e as entidades vivas da sociedade vão se juntar, para rememorar o heroísmo dos nossos conterrâneos do passado. 

Conclamamos as instituições culturais (AMOL, ACJUS, AFLAM, AMLERN, ICOP, ASCRIM, COMFOLC, Museu  do Sertão e outras), ACIM, CDL, LIONS, ROTARY, Maçonaria, OAB, SEBRAE e entidades de classe (Sindicatos e Associações) para, em um esforço comum, fazer uma grande festa de reconhecimento dos méritos heróicos dos que, de arma em punho, defenderam a nossa cidadela. 

O Presidente da SBEC, Professor Benedito Vasconcelos Mendes está escolhendo o Presidente da Comissão Organizadora das Festividades, para conclamar as forças vivas da sociedade a se engajarem na organização deste importante evento histórico-cultural.

Enviado pelo professor e escritor Benedito Vasconcelos Mendes

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O DIA EM QUE SEBASTIÃO PEREIRA DA SILVA O EX-CANGACEIRO SINHÔ PEREIRA, DEPOIS DE MUITOS ANOS DISTANTE, VOLTOU À SUA AMADA SERRA TALHADA.

Por José Mendes Pereira
Segundo o escritor Sousa Neto esta moça Dulce  é filha /neta de Sinhô Pereira, e ela faleceu em junho de 2015 em uma manhã do dia 26, em Lagoa Grande, no Estado de Minas Gerais. "Disse o escritor Sabino Bassetti: Após a morte de Sinhô Pereira era Dulce quem dirigia a famosa farmácia do avô. Até hoje, naquela região, muitos falam nas garrafadas feitas pelo seu "Chico Maranhão.

Ninguém ainda sabia da  chegada do Sebastião Pereira da Silva o ex-cangaceiro Sinhô Pereira à querida terra que o viu nascer e crescer, juntamente com os seus parentes, amigos, aderentes, e principalmente, uma rega de inimigos, todos querendo a sua cabeça. 

Que medo! Que susto! Valha-me, minha Nossa Senhora! Estas frases eram ditas pela população de Serra Talhada, quando soube da futura chegada do Sinhô Pereira.


Ninguém sabia o que ele queria fazer ali depois de tantos anos. Fora embora da sua terra devido as suas desordens, por desejo de satisfazer o seu eu, através de assassinatos, destruições de fazendas, fogos e propriedades, mortes de gados, vinganças..., agora queria que a Serra Talhada o recebesse de braços abertos como filho mesmo dali, que na verdade, era. 

O que lhe fez desistir do cangaço e sumir da sua terra querida, foi: que andava meio adoentado fisicamente e psicologicamente, e a pedido do religioso do Crato/Juazeiro do Norte, o Padre Cícero Romão Batista, que o aconselhou, que abandonasse a vida que levava, deixasse a vida de crimes, crimes, e fosse morar em Goiás. Lá, ele estaria mais seguro, e além do mais, não era mais um homem que estava em pleno gozo com a juventude, aliás, estava, mais os seus problemas de saúde na coluna vertebral, não lhe deixavam como um homem para topar qualquer parada.  

O seu estado de espírito estava de tal forma desajustado, que já não tinha mais condição de conduzir as ações do grupo que comandava. No começo tudo o que ele fazia errado, dava certo. Com o passar do tempo tudo o que ele fazia certo, dava errado. Uma das maldades que ele fez, diz ele, e que muito sentia, foi uma estupidez. Ele e seus cabras atearam  fogo na Fazenda Santa Rita, deixando em cinzas o roçado, o canavial, o engenho, os currais e a casa da fazenda. 

Padre Cícero Romão

- Vá embora deste Nordeste o quanto antes, Sebastião! Vá embora! Toma esta carta e procura os meus amigos no Goiás! Os seus nomes e endereços estão gravados na carta! - Dizia Padre Cícero em tom de abuso ao célebre cangaceiro. Não recuse o meu conselho! Eu estou lhe dizendo! Não me venha mais para o Nordeste! Deixa o povo do sertão nordestino em paz.

E foi-se embora Sebastião Pereira da Silva o Sinhô Pereira para bem distante do Nordeste Brasileiro. Os conselhos do religioso lhe serviram mesmo. Lá, era o Chico Maranhão, e era farmacista, dono de uma farmácia no Goiás.

Um dos seus melhores amigos era o primo Luiz Padre, homem decidido, primo que ele poderia confiar, primo que não estava em sua companhia para lhe tomar algo, ou ficar na aba do seu chapéu, primo que tantas batalhas foram feitas juntos, que nunca discutiram por nada, eram dois verdadeiros amigos, tanto no cangaço como fora dos serrados das caatingas. O Luiz Padre faleceu primeiro e a tristeza tomou de conta do velho e ex-cangaceiro Sinhô Pereira.


Sinhô Pereira sentado e Luiz Padre em pé
Mas quem é filho nunca esquece os seus pais ou as suas raízes, 50 anos depois, Sinhô Pereira vem visitar o seu Pajeú. Apesar do que havia praticado, causando mortes e mais mortes, tanto de gente como de animais, a população que o perdoasse pelos seus erros, pois afinal, dizia ele, era humano igual aos outros, e o "erro", só quem pratica é o ser humano, e ele não era diferente dos outros, apenas havia ultrapassado um pouquinho os seus erros dos demais, mas era uma pessoa que fazia parte daquelas terras, e era filho do Nordeste, nascido no município de Serra Talhada, na linda região do Pajeú, e tinha todo direito de visitar a sua terra querida, e ser perdoado os seus erros pelos conterrâneos. 
 
ACIMA: Inauguração da estação de Serra Talhada no início de 1957 (Acervo Dierson - http://www.estacoesferroviarias.com.br/efcp_pe/serra.htm

Quando a população soube da notícia que o Sinhô Pereira já estava chegando de trem em Serra Talhada, ela ficou inquieta. Os mais fracos corriam em busca de abrigos, as mães corriam procurando os seus filhos por toda parte. 

Sebastião Pereira da Silva

Só o tamanho do ex-chefe de cangaceiros, inclusive comandante de Lampião, Sinhô Pereira, fazia qualquer homem tremesse todo. Na sua face estava estampada  uma espécie de ódio, e não abria um sorriso de forma alguma. 

O padre da paróquia quando tomou conhecimento do ex-cangaceiro em Serra Talhada, foi visitado pelo presidente do Conselho Comunitário, mais outros da diretoria, e solicitaram providências o quanto antes, para ter uma conversa com o ex-cangaceiro em forma educativa:

- O reverendo tem que ir falar com o Sinhô Pereira antes que ele bagunce tudo aqui em Serra Talhada. - Dizia o presidente do Conselho Comunitário  ao revendendo.

O padre já meio trêmulo, fez-lhe a seguinte pergunta:

- E é o Sinhô Pereira que está chegando à cidade de Serra Talhada, aquele que tem problemas com os Carvalhos?

- Sim, Senhor! - confirmou o presidente.


- Deus me livre deste homem aqui na minha Paróquia! Deus me livre! Em terras que o ex-cangaceiro Sinhô Pereira faz visitas, eu não mais dirijo os trabalhos religiosos de igreja! - Dizia ele retirando a batina e fez carreira, fugindo da cidade.


Uma meretriz que passava no momento em que o padre fez carreira, ela gritou firme:

- Mas que padre frouxo! Eu nunca tive medo de homem e nem terei. - Dizia a meretriz em gargalhadas, zombando do pobre padre que desaparecera dos altares da igreja.

O delegado da cidade fez vista grossa, e idealizou às pressas, uma viagem para Recife, pois precisava participar de uma reunião com os seus comandantes. 

Uma beata que puxava um terço dentro da igreja, ao saber da notícia da presença do Sinhô Pereira no lugar, não soube mais a sequência do terço, e a todo instante, falava o nome do ex-cangaceiro. Sentindo-se nervosa, abandonou o seu rosário sobre um banco, e fez carreira para casa, deixando as suas fiéis em pânico.


O Mercado Central nesse dia não mais vendeu nada, porque o guarda da Prefeitura, antecipou o seu fechamento, fazendo com que os marchantes e comerciantes fossem embora. 

Mas não precisava disto tudo, o Sinhô Pereira chegara em Serra talhada simplesmente para rever os parentes e alguns amigos que ainda estavam vivos. Sua visita era intencionalmente pacífica, nada de novos movimentos e nem de correrias. Afinal, ele era filho dali, do Pajeú que tanto amou, que tanto respeitou.

A maior alegria do Sinhô Pereira segundo ele, foi chegar a Serra Talhada 50 anos depois, e ser recebido por todos os parentes com carinho, e que todos dispensaram os seus erros, foi na verdade motivo de muita alegria. Ele foi embora para Goiás no ano de 1922, e só voltou para Pajeú no mês de junho de 1971, quando veio visitar a família em Serra Talhada, PE. 

O que eu escrevi não tem nenhum valor para a literatura lampiônica.

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05 DE ABRIL DE 1924 O “ESTADO DE S. PAULO”

Material do acervo do pesquisador Antonio Corrêa Sobrinho

O “ESTADO DE S. PAULO”, dos mais respeitados jornais do Brasil, fundado em 1875, FAZ MENÇÃO PELA PRIMEIRA VEZ ao nome do cangaceiro LAMPIÃO, curiosamente, para informar do boato de sua morte. A nota, publicada em 05/04/1924, referia-se, do que se soube depois, ao embate que ocorreu, em março deste ano, entre o grupo de Lampião e as volantes comandadas pelo famoso major Teófanes Torres, nas imediações da Serra do Catolé, proximidades da Lagoa do Vieira, região fronteiriça dos estados de Pernambuco e Paraíba, ocasião em que o já notável bandoleiro do Pajeú foi ferido no pé e por muita sorte não perdeu ali a vida. 


A MORTE DO BANDIDO “LAMPIÃO”

RECIFE, 2 – Circula, nesta capital, o boato da morte do bandido Lampião: que teria travado violento combate com a polícia pernambucana, constando ter ficado gravemente ferido o major Teófanes Torres, que anteriormente havia prendido o célebre bandido Antonio Silvino e que agora estava no encalço de Lampião.

https://www.facebook.com/josemendespereira.mendes.5

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JORGE AMADO FALA DAS CABEÇAS DE LAMPIÃO E CORISCO

https://www.youtube.com/watch?v=msPrhFa4tno

O grande escritor baiano JORGE AMADO fala sobre o enterro das cabeças de Lampião e Corisco e, sobre a cangaceira DADÁ...

OBS:

Poucos sabem disso, mas foi esse grande escritor, que doou o Jazigo e o caixão para que DADÁ sepultasse os ossos de Corisco, seu ex-companheiro de vida no cangaço.

Vídeo feito em 1977... Pedro Urizzi - Youtube

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?fref=ts

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ICOP-INSTITUTO CULTURAL DO OESTE POTIGUAR

Por Benedito Vasconcelos Mendes

O ICOP-Instituto Cultural do Oeste Potiguar, a mais antiga instituição cultural de Mossoró, está completando neste ano (2017) 60 anos de fundação. 

Professor Benedito Vasconcelos Mendes

O Presidente do ICOP, Professor Benedito Vasconcelos Mendes, juntamente com os demais membros da Diretoria, já escolheu o Presidente da Comissão Organizadora das Festividades, o escritor Clauder Arcanjo. O  sexagésimo aniversário do ICOP será comemorado no próximo dia 30 de setembro, com muito esmero, pelo povo e pelos intelectuais de nossa cidade, pois o ICOP é um importante patrimônio cultural dos mossoroenses. Conclamamos as Academias e instituições congêneres  (AMOL-Academia Mossoroense de Letras, ACJUS-Academia de Ciências Jurídicas e Sociais, AFLAM-Academia Feminina de Letras e Artes Mossoroense, AMLERN-Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Norte, ASCRIM-Associação dos Escritores Mossoroenses, COMFOLC  - Comissão Mossoroense de Folclore, SBEC -Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, ALAM-Academia de Letras e Artes de Martins, APLA-Academia Patuense de Letras e Artes, AAL-Academia Assuense de Letras e outras), bem como as instituições  civis (LIONS, ROTARY, OAB-Mossoró, MAÇONARIA, ACIM, CDL etc) e a Prefeitura Municipal de Mossoró e Governo do Estado, para se juntarem aos organizadores das festividades do ICOP, para comemorarmos condignamente esta data.

Enviado pelo presidente do ICOP professor e escritor Benedito Vasconcelos Mendes.

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domingo, 19 de fevereiro de 2017

LIVROS DO ESCRITOR GILMAR TEIXEIRA


Dia 27 de julho de 2015, na cidade de Piranhas, no Estado de Alagoas, no "CARIRI CANGAÇO PIRANHAS 2015", aconteceu o lançamento do mais novo livro do escritor e pesquisador do cangaço Gilmar Teixeira, com o título: "PIRANHAS NO TEMPO DO CANGAÇO". 

Para adquiri-lo entre em contato com o autor através deste e-mail: 
gilmar.ts@hotmail.com


SERVIÇO – Livro: Quem Matou Delmiro Gouveia?
Autor: Gilmar Teixeira
Edição do autor
152 págs.
Contato para aquisição

gilmar.ts@hotmail.com
Valor: R$ 30,00 + R$ 5,00 (Frete simples)
Total R$ 35,00

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CANGAÇO NO PIAUÍ


 Mais um livro do escritor e fundador da SBEC -  (Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço) Paulo Gastão.


Entre em contato com o autor através deste e-mail: 

paulomgastao@hotmail.com

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LIVRO “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO”

Por Antonio Corrêa Sobrinho

O que dizer de “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO”, livro do amigo Ruberval de Souza Silva, obra recém-lançada, que acabo de ler, senão que é trabalho respeitável, pois fruto de muito esforço, dedicação; que é texto bom, valoroso, lavra de professor, um dizer eminentemente didático da história do banditismo cangaceiro na sua querida Paraíba. É livro de linguagem simples, sucinto e objetivo, acessível a todos; bem intitulado, pontuado, bem apresentado. E que capa bonita, rica, onde nela vejo outro amigo, o Rubens Antonio, mestre baiano, dos primeiros a colorizar fotos do cangaço! A leitura de “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO” me fez entender de outra forma o que eu antes imaginava: o cangaço na terra tabajara como apenas de passagem. Parabéns e sucesso, Ruberval!

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ENTREVISTA COM LUIZ GONZAGA - BAR E ACADEMIA

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Publicado em 28 de fevereiro de 2013
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CONVERSA COM CANDEEIRO, CANGACEIRO DE LAMPIÃO

https://www.youtube.com/watch?v=157_iouWgyU

Publicado em 14 de jul de 2014
Em agosto de 2012 tivemos a honra de conhecer o senhor Manoel Dantas Loiola, O CANDEEIRO, na época, um dos dois cangaceiros vivos de LAMPIÃO. Seu Né como era conhecido no distrito de São Domingos, cidade de Buique-PE, estava um homem sereno, calmo e ainda lúcido, recordando as histórias do cangaço.
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Por Ruberval Sousa

QUASE NÃO APARECEM NA LITERATURA DO CANGAÇO ÀS CRIANÇAS CANGACEIRAS.

ELAS FIZERAM PARTE DO BANDO DE LAMPIÃO E FORAM BEM USADAS A FAVOR DO REI DO CANGAÇO SERVIAM ENTRE OUTRAS COISAS COMO ESPIÃS, OLHEIROS, TRATAVAM DOS ANIMAIS LIMPAVAM OS COITOS ERAM COMPANHEIRAS E MUITO MAIS.
FOI O CASO DE:
DULCE
DADÁ
VOLTA SECA O MENINO MONSTRO
JOSÉ ROQUE IRMÃO DE ÂNGELO ROQUE
BENICIO SARA CURA
BEIJA FLOR
ANTÔNIO ROUXINHO
DEUS TE GUEI
E MUITOS OUTROS
MUITOS ENTRARAM NO CANGAÇO AOS 8.9 .
10.11.12 ANOS.

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