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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A DESINFORMAÇÃO! MAIS UMA ESTRATÉGIA USADA POR “LAMPEÃO”


O início da divisão do bando em subgrupos

Longe de nós leitores, estudantes, pesquisadores e escritores do tema cangaço fazermos apologia ao crime nem a criminosos. Pelo contrário. Pesquisamos, estudamos e lemos obras sobre o Fenômeno Social que existiu desde meados do século XVIII até seu desaparecimento no início dos anos 1940, quase meados do século XX.

No decorrer dos estudos nos são apresentados os fatos, com os atos ocorridos e suas personagens, os quais estão afixados nas barreiras do riacho permanente da história. Sendo a imaginação humana por demais fértil, principalmente em prol de si própria, logicamente que a narração desses acontecimentos foram, e são, alterados ao longo do tempo, para mais ou para menos, e até foram algumas fantasias, causos, lutas e combates, criadas por alguns. Infelizmente, dentre os próprios escritores, pesquisadores e historiadores vemos em suas entre linhas, inúmeras criações fantasiosas sobre o tema cangaço.

Cada um tem sua ‘maneira’ de ver a história. Muitas vezes ela segue para determinado ponto, e esses só a vem em outra direção.


Uma das coisas ocorridas no desenrolar desse Fenômeno Social que nos chama por demais a atenção, referindo a era lampiônica, são as artimanhas, táticas e estratégias planejadas, montadas e executadas por um sertanejo nascido no Pajeú das Flores, região do sertão pernambucano, que pouco frequentou escola alfabetizadora, na infância, e nunca, jamais, esteve em uma escola militar. No entanto, usou práticas de guerrilhas em sua guerra particular contra as Forças Militares de vários Estados da Região Nordeste que o perseguia que são por demais admiráveis.

Lampião e seu bando estão ‘curando’ as feridas da derrota sofrida em Mossoró, RN, na cidade cearense de Limoeiro do Norte. Seu bando a partir daí, já bastante desfalcado, começa a desmantelar-se por inteiro. Nos dias vindouros, após a estada naquela metrópole cearense, muitos são pegos e presos, outros são mortos e vários debandam, tendo ainda aqueles que resolvem se entregarem. Por fim, resta apenas cinco ‘cabras’ e ele. Decidido a continuar no ‘trono’, resolve o “Rei dos Cangaceiros” transpor as águas do Velho Chico e, em terras baianas, dá sequência a seu reinado. Esse fato ocorre no ano de 1928. Lá estando, entra em contato direto com Corisco, cangaceiro que atuou em seu grupo em terras pernambucanas.

Captura do bando do "Diabo Louro", subgrupo comandado por Corisco

Mais ou menos um ano que estavam no Estado da Bahia, Lampião resolve recomeçar suas extorsões, roubos e mortes, só que, dessa vez, ele muda seu modo de agir. Em determinadas cidadelas baianas, ele não permite que seus homens façam alguma ‘travessura’, já em outras, a coisa coloca-se como uma verdadeira carnificina.

Após estarem juntos, o grupo de Lampião e o pequeno grupo do “Diabo Louro”, fazendo um só bando, isso já no ocaso de 1929, o chefe mor dos cangaceiros dá instruções a seu, agora, lugar tenente, Corisco, para ele ir com parte do bando para determinada região do sertão baiano, comece a fazer muitas estripulias por lá, usando a rapidez nos ataques e, principalmente, nas retiradas, sem nem mesmo terem o tempo de roubarem algo, só com o intuito de chamar a atenção das autoridades estaduais. Começando assim, a ação dos subgrupos, propriamente dito.

“(...) a atuação do subgrupo por ele (Corisco), comandado, naquele momento, tem a finalidade exclusiva de confundir a polícia e nisso o recém-nomeado ‘chefe’ vem obtendo sucesso (...).” (“CORISCO – A Sombra de Lampião” – DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. 1ª Edição. Natal, RN. 2015)

A ação é muito bem praticada por Corisco. Além de atacar determinados povoados e pequenas cidades, ele manda ‘avisos’ que atacará outros (as). Com isso são formadas, às pressas, defesas para as mesmas e as autoridades são informadas. O plano dá resultado positivo, tanto que a própria imprensa também cai nele, e sabedora do conteúdo dos boletins militares, publica notícias de por onde estão os cangaceiros atuando.

O Diabo Louro ataca Rio do Peixe, depois segue para a Vila de Saúde, aí trava combate com volantes, solta a ‘notícia’ que atacará Caem, depois que irá até Jacobina... E assim Corisco vai cumprindo a missão determinada pelo “seu capitão”. Segue fazendo destino a Vila de Riachuelo, nessa é formada uma tropa de combate que vai para a mata, de encontro o bando que está vindo. Mas, mais uma vez, são boatos. A turba segue para outra ‘freguesia’. Em 16 de outubro de 1929. Corisco está as portas da cidade de Miguel Calmon. Muda de rumo e seguindo de noite adentro, cai em um piquete armado pela polícia baiana, isso já no município de Morro do Chapéu, em um povoado chamado Tábuas. Em pouco tempo, dias apenas, há notícias de Corisco vinda de uma estação ferroviária em um Distrito denominado Barrinha. São comunicadas as autoridades de Jaguarari e Bonfim e a imprensa começa a cobrar mais participação da Força. E assim seguiram aqueles cangaceiros chamando atenção, muito mesmo, por onde passaram.

Com todos os olhares das autoridades, imprensa e população voltadas para as ações praticadas por Corisco e seus cangaceiros, Lampião está prestes a cumprir uma promessa que fizera aos trabalhadores de uma estrada rodagem num lugar chamado Carro Quebrado. Virgolino, anteriormente havia prevenido que, se retornasse a ver homens trabalhando na construção da dita estrada, a qual ligaria Juazeiro a Santo Antônio da Glória, mataria todos, aqueles que estivessem trabalhando pagariam com a vida. No dia 18 de outubro de 1929, Lampião executa a tiros e sangrados, nove trabalhadores que trabalhavam na construção da estrada. O crime é bárbaro e desnecessário. Chama bastante atenção. Após mais outras investidas do “Rei Vesgo”, a imprensa e as autoridades começam a desconfiar do porquê do ‘furacão’ que Corisco andou levantando bem distante de onde começava a agir seu chefe. Ocorrem ataques, roubos, extorsões e mortes em lugares muito distantes e ao mesmo tempo.

““ Convencida, agora, de que os bandidos se acham, efetivamente, divididos em dois grupos, do que lhe deu certeza terem ocorrido, quase nas mesmas horas, o tiroteio de Morro do Chapéu e a façanha de Carro Quebrado, a chefia da Polícia, ao que sabemos, vai mudar de plano, já tendo, nesse sentido, telegrafado aos comandantes das forças volantes dando as necessárias instruções”. (Diário de Notícia, outubro de 1929)”(Ob.Ct.)

Mas, para as autoridades começarem a agirem dividindo as tropas, se faz necessário algum tempo para adaptação. Enquanto isso, os dois grupos continuam agindo em pontos longínquos. 

No mês seguinte a chacina dos trabalhadores, novembro de 1929, Lampião faz visitas amigáveis as cidades de Nossa Senhora das Dores e Capela, no Estado sergipano.

Grupo de Lampião - captura de Benjamin Abrahão - 1936/37

De volta a terras baianas, já em dezembro do mesmo ano, Lampião ataca a vila de Cansanção e, em seguida pratica mais uma chacina na de Queimadas, onde executam sete militares, execuções essas que até os dias de hoje, não sabemos seu significado, razão ou motivos. Em Queimadas, uma pequena vila na época, Lampião dá prosseguimento ao plano anteriormente arquitetado, soltando para os quatro ventos, que matou Corisco por ele estar querendo tomar seu poder. Se pesquisarmos as datas das ações cometidas pelos dois grupos, veremos que haverá dentre elas, algumas terem ocorrido os seus fatos no mesmo dia, e até na mesma hora, ou próxima a essa, só que muito distante uma da outra.

“(...) fora uma ação planejada com intuito de confundir a polícia. O intento, claro, fora conseguido (...).” (Ob. Ct.)

Com as ações executadas com total êxito pelos dois bandos, de repente, todos os cangaceiros somem do ‘mapa’. Todos se refugiam dentro da imensidão do Raso da Catarina, e por lá permanecem por vários e vários dias...  Nas quebradas do Sertão baiano.

Fonte “CORISCO – A Sombra de Lampião” – DANTAS, Sérgio Augusto de Souza.

Foto Ob. Ct.
Benjamin Abrahão
Santo Antônio das Queimadas-Bahia

Fonte: facebook
Página: Sálvio Siqueira
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VILAR ARAÚJO PÓVOA FOI AO ENCONTRO DE DEUS!

Por Francisco Pereira Lima
Sousa Neto e Vilar Araújo Póvoa

O amigo Vilar honrou a sua vida, aqui na terra, com dignidade, trabalho, humildade e honestidade. Homem simples de conversa agradável e muita, mas muita sabedoria. 

Sinhô Pereira e Luiz Padre

Sabia como ninguém da história de seu pai, Luiz Padre o seu Tio Chico (Sinhô Pereira) e seu Tio Quinzão (Cajueiro). Partiu deixando muitas saudades, mas certeza, da missão cumprida. 

Tive o prazer de conhecê-lo, em Dianópolis-TO, ao lado do amigo Sousa Neto. Vilar vá em paz. Deus reservou um ótimo lugar para ele na eternidade. 

A nossa solidariedade a toda família neste momento de dor. 

Forte abraço. Prof. Pereira e Fátima Cruz.

Fonte: facebook
Página: Francisco Pereira Lima
Grupo: OFÍCIO DAS eSPINGARDAS
Link: https://www.facebook.com/groups/545584095605711/?fref=ts

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O CANGACEIRO JURITI

Por Carlos Henrique

O cangaceiro Juriti, Manoel Pereira de Azevedo, cangaceiro de Lampião. 


Fonte: facebook

O LIVRO O FOGO DA JUREMA JÁ ESTÁ À VENDA COM O PROFESSOR PEREIRA


Se você está interessado no livro "O FOGO DA JUREMA" é só entrar em contato com o professor Pereira lá da cidade de Cajazeiras, no Estado da Paraíba,  que ele tem e está disponível aos amigos. 

São 318 páginas, preço R$ 50,00 com frete incluso.
Pedidos: franpelima@bol.com.br e fplima156@gmail.com

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MENSAGEM AOS FAMILIARES DO SENHOR VILAR ARAÚJO PÓVOA POR ANTONIO JOSÉ DE OLIVEIRA

Escritor e pesquisador do cangaço Sousa Neto e Vilar Araújo Póvoa
Os meus sentimentos aos familiares do senhor Vilar Araújo Póvoa - filho do cidadão Luiz Padre, que na outra esfera de vida, o senhor Vilar seja muito bem recebido, e esteja com a mesma alegria e elegância que lhe dominou na vida terrestre.



Antonio Oliveira - Serrinha-Bahia.



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NOTA DE FALECIMENTO!

Por Sousa Neto
Escritor e pesquisador do cangaço Sousa Neto e Vilar Araújo Póvoa

Faleceu nessa noite o amigo Vilar Araújo Póvoa. Vilar era filho de Luiz Pereira da Silva Jacobina (Luiz Padre). O mesmo contava com a idade de 88 anos. Sujeito pacato e de uma sensibilidade e elegância sem limites. 

Sinhô Pereira e Luiz Padre

Tive o prazer de contar com a sua amizade e poder colher muitas informações acerca da vida de seu pai e do célebre Sinhô Pereira em suas muitas lutas no Nordeste e na região central do Brasil. 

Estou enlutado juntamente com toda a família, por quem tenho um apreço e carinho muito grande. Rogo a Deus que lhe conceda um merecido lugar no seu reino. Eternas saudades!!!

Adendo - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O escritor Sousa Neto tem uma amizade com esta família do ex-cangaceiro Luiz Padre. Aqui está um e-mail que eu recebi de Moema Covello neta do Luiz Padre pai de Vilar Araújo Póvoa.

"Oi, Mendes!

Em 2013 estivemos no Barro a convite de Souza Neto para a inauguração da Placa em homenagem a bisavó Chiquinha. Na ocasião, meu pai e seu irmão Wilson presentearam Souza Neto com o coldre do meu avô. Ele tem um acervo exposto na sua cidade Barro/CE. Se tiver mais fotos interessantes como estas, agradeço por me enviar.

Abraço 
Moema" 

Outro e-mail de Moema Covello:

"Olá, Mendes!

Respondendo sua pergunta, quem é filho de Luiz Padre é meu pai: Hagahús Araújo e Silva.

Meu avô Luiz Padre teve 4 filhos homens: Antonio (Faleceu em 2014), Hagahús, Vilar e Wilson.  Todos nasceram em Patos de Minas - MG, para onde meu avô se refugiou após casar com Amélia Póvoa (com 13 anos de idade) em Dianópolis - TO.

Nenhum dos filhos fez medicina. Segundo meu pai, meu avô deu todas as condições para que os filhos estudassem. Mas somente o caçula, Wilson formou-se em Odontologia em Uberaba - MG.  Antonio formou-se em Contabilidade já depois dos 50 anos, em Goiânia - GO. Meu pai e Vilar terminaram o ginasial, o que corresponde a oitava série atualmente.

Meu pai, apesar de não ter curso superior, fez muitas pontes e bueiros nas rodovias do antigo Goiás, hoje Tocantis. Orgulho em dizer que nenhuma caiu. Rsrsrs.

Apesar de nenhum filho ter cursado medicina, o neto (meu irmão mais velho) é médico, formado pela UFMG. E duas bisnetas concluíram Medicina recentemente. 3 netos e 2 bisnetos formaram em Engenharia Civil e 7 são advogados.

Estou fazendo a árvore genealógica do tronco do meu avô e sua esposa Amelia. Quando finalizar, lhe enviarei.

Abraço

Moema Covello

Fonte: facebook
Link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1507216162640416&set=a.541669629195079.137407.100000561415872&type=3&theater

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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

VALORIZANDO O CERTO

Por Clerisvaldo B. Chagas, 17 de janeiro de 2017. - Escritor Símbolo do Sertão Alagoano - Crônica 1.620

Nada custa reconhecer o que é certo e demolir o errado. As anunciadas vias paralelas para desafogar a Avenida Fernandes Lima, estão sendo apontadas como quase prontas. Não era mais possível a continuação de um problema que parecia eterno, um único corredor entrada-saída de uma capital que possui atualmente mais de um milhão de habitantes. Entrou no clube das chamadas, geograficamente, de cidades milionárias. Trafegar pela Moreira Lima diariamente, como motorista, é coisa de doido. Muitos taxistas desistiram da profissão por não aguentarem o estresse feroz da via. Muitas outras pessoas foram para lugares onde não enfrentam a pressão daquele corredor.

(Foto - governamental)

O relativo barateamento do automóvel permite o aumento contínuo da frota brasileira. Assim vão aparecendo soluções criativas para o hoje, pois o amanhã ainda é interrogação.

“Na via que corta o Portugal Ramalho, 80% dos trabalhos de reestruturação estão finalizados. ‘Este trajeto, em específico, segue em etapa de pavimentação e faz parte de um dos trechos de obras do Eixo Cepa. Neste ponto, prosseguimos com as produções de passagem de nível por meio da implantação de rampas de acesso, impermeabilização de peças pré-moldadas e concretagem do piso’, esclarece o secretário executivo de Transporte e Desenvolvimento Urbano, Alcides Tenório”.

“Com os serviços também avançados no Eixo Quartel, a equipe de engenharia da Secretaria de Estado de Transporte e Desenvolvimento Urbano (Setrand) começa nesta semana as etapas de pavimentação, drenagem e terraplenagem. A regularização e compactação dos passeios, que antecedem a fase de concretagem, já foram iniciadas neste ponto”.

No interior, a nova rodovia ligando a Colônia Pindorama ao povoado Bolívar, é mais um verdadeiro presente para os que circulam por ali. Leva-se em conta a Colônia, uma das mais respeitadas do Brasil e sua variada produção. Aprendi a admirá-la desde quando produzia apenas suco de maracujá. Um exemplo e um orgulho para Alagoas.


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OLHANDO RETRATOS ANTIGOS

*Rangel Alves da Costa

Toda vez que olho um retrato antigo de feição enraizada na alma, é como se voltasse no tempo e somente assim poder ter aquela ausência tão sentida. Toda vez que meus olhos encontram os olhares de ontem, com seus silêncios e suas palavras mudas, é como se pudesse avistar a chegada e o encontro, o abraço e o diálogo de vida. Toda vez que avisto retratos em paredes é como se as portas estivessem novamente se abrindo para que venham me visitar.

Não somente nas paredes, mas em qualquer lugar onde eu possa encontrar os meus - e até eu - noutros instantes da existência. Olho ainda no olhar de minha mãe e sinto o quanto se compraz em reencontrar a feição do filho. Olho ainda no olhar de meu pai e sinto o brilho vivo que muito quer me dizer. E diz, pois os retratos falam, os retratos sorriem, os retratos entristecem. Os retratos de minha mãe e de meu pai sempre parecem mais tristes quando diante deles chego carregando tristezas.

Minha mãe sorri pra mim quando avista minha felicidade. Meu pai sorri para mim quando encontra contentamento no meu olhar. E sempre há um diálogo silencioso entre nós. Ouço a voz de minha mãe, ouço a voz de meu pai. A eles tudo confesso num breve instante. Não lhes escondo as tristezas nem as alegrias. Sei que de minhas tristezas e de minhas alegrias é que dependem as tristezas e as alegrias daquelas feições retratadas em toda vivacidade. Juro por Deus que os retratos também chorariam se me vissem chorando. Filho meu, filho meu, por que choras assim?

Muita gente não se importa mesmo com os retratos antigos. Estejam nas paredes da casa, por cima dos móveis em porta-retratos, escondidos e esquecidos nos velhos e amarelados álbuns, dentre as gavetas e noutros lugares, tanto faz que passem e avistem ou não. Parece que nenhuma recordação transforma as indiferenças da mente e do coração.

Outros, contudo, buscam nas velhas fotografias, sejam em preto e branco indefinidos ou descoloridas pelo tempo, o reencontro e até o reviver com a pessoa retratada. Ali o avô, o bisavô, o pai, a avó, a irmã, a mãe, o irmão, a parente, o amigo ou o apenas conhecido, em feições que fazem voltar ao passado. Tem gente que apenas se enternece, tem gente que se aflige, tem gente que sofre e que chora.

Os retratos representam a fixação de um momento para a posteridade. Toda vez que um retrato é retido pela lente, acaso não seja rasgado depois ou simplesmente apagado, sobreviverá muito além da pessoa retratada e do fotógrafo. Assim por que os retratos não se submetem aos acasos ou desvãos da vida senão pela força do tempo. Quando preservados, podem possuir a idade de séculos. Embaçados, amarelados, mas ainda contando histórias de pessoas e vidas.

Alguém já disse, e com razão, que os retratos passam a ter as idades que as pessoas tanto desejariam ter. Quantas vezes as infâncias são novamente desejadas apenas pelo fato de as pessoas se avistarem como crianças brincando em parques, correndo atrás de uma bola ou penteando uma boneca de pano? Quantas vezes as raízes familiares - principalmente pai, mãe e irmãos - são novamente desejadas como presenças perante uma simples fotografia amarelada que jaz pendurada numa parede?

Quando os velhos álbuns são abertos e diante do olhar, folha a folha, vão surgindo aquelas imagens antigas, sempre surpreendentes e maravilhosas, dificilmente que as sensibilidades e as saudades não chamem aos olhos um tiquinho de molhação. Quando as gavetas são remexidas ou cadernos velhos são reabertos e de repente surge uma fotografia de pessoas tão íntimas ao coração, em instantes assim não há quem não se comova, quem não se sinta diante daquele passado retratado.

Os olhos reconhecem as pessoas e o coração estende sua mão em carinho, em afeto, em saudade. Então a pessoa diz, no silêncio mais gritante da alma: como minha mãe era bonita, que olhar tão meigo e encantador, como meu pai possuía uma beleza que jamais tive tempo de confessar ao seu lado, como meu sorriso era bonitinho e como era engraçada essa roupinha de vestir aos domingos. Palavras assim vão surgindo como inevitáveis. Palavras assim representam o reencontro e o amor ao passado e ao que está representado nas fotografias.

Quem não se lembra daqueles velhos binóculos, onde a fotografia somente era avistada quando a pessoa trazia para pertinho dos olhos aquele quadradinho de plástico? Quem não se lembra das velhas fotografias em preto e branco, mais comumente chamadas 3X4, tão imprescindíveis aos documentos? Quem não se lembra dos retratistas de feira e suas cabines com cortinas floridas e máquinas de tripé para fotografar? O mesmo paletó usado por todos para fotografar. Quanto foi? Dois contos.
Dois contos apenas. E a eternidade.

Escritor
Membro da Academia de Letras de Aracaju
blograngel-sertao.blogspot.com

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LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345
Ou com Francisco Pereira Lima através deste e-mail: 
franpelima@bol.com.br
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A CONDUTA DA MULHER CANGACEIRA


As mulheres que se tornavam cangaceiras tinham que cumprir as normas do bando para que sua estadia no Cangaço fosse tranquila. Em relação a convivência coletiva, essas mulheres deveriam manter bom relacionamento com os demais integrantes do bando evitando desentendimentos. No que diz respeito ao seu companheiro, deveriam se manter fiéis e não cometer traição. Não havia perdão para a traição feminina. A mesma trazia desmoralização a figura do cangaceiro e deveria ser punida com a morte da mulher. 


A mulher cangaceira deveria se adaptar ao cotidiano do bando que se caracterizava por: longas caminhadas, situações de privação de água, de alimentos, as perseguições das volantes, não deveriam fazer reclamações e nem demonstrar fraqueza. Tinha também os dias de fartura de comida, as festas e o descanso nos coitos seguros onde muitas vezes elas bordavam e costuravam. 

As mulheres não podiam se meter nos negócios dos cangaceiros. Diferente do que muitos imaginam, não havia interferência frequente das mulheres para salvar a vida de pessoas. Isso foram casos raros e que não devem ser vistos como uma prática comum. Mesmo com a presença das mulheres os cangaceiros cometeram crimes violentos. 

Cangaceiros Adília e Canário

Inclusive temos o relato da ex cangaceira Adília que ao tentar interferir para que Canário não executasse um rapaz, acabou sendo ameaçada de morte pelo seu companheiro, Canário em outra ocasião tentou enforcar Adília que só escapou da morte porque foi socorrida por outro cangaceiro. Caso desagradassem seus companheiros podiam sofrer ameaças ou até mesmo agressão física. Embora vivessem de forma nômade, as relações entre homens e mulheres no Cangaço reproduziram as relações da sociedade patriarcal. 

Não houve essa emancipação feminina que muitas imaginavam que conseguiriam. Elas continuaram sujeitas aos seus companheiros e sem gozar dessa tão sonhada liberdade.


Foto: Benjamin Abrahão
O casal de cangaceiros Gato e Inacinha

Perdi a fonte  

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QUAIS SÃO AS SEMELHANÇAS ENTRE A GUERRA DO CONTESTADO E A DE CANUDOS?

Por Paulo Machado

Pergunta enviada por Maria das Graças de Abrantes, São João do Rio do Peixe, PB

Guerras

Ambas ocorreram nos primeiros anos após a proclamação da República (1889). A de Canudos aconteceu na Bahia, entre 1896 e 1897. A do Contestado, na divisa do Paraná com Santa Catarina, de 1912 a 1916. 

Nos dois casos, o pano de fundo foi uma grave crise econômica e social que assolava o país - inflação, desemprego incrementado pela libertação dos escravos (1888) e avanço das oligarquias sobre os pequenos proprietários de terras. 

Não por acaso, a origem dos conflitos acabou sendo mais ou menos a mesma também: disputas fundiárias. Tanto em um como em outro episódio, o comando dos rebeldes coube a um líder religioso (Antônio Conselheiro e José Maria de Santo Agostinho, respectivamente). Acusados de fanatismo e de pregar a volta da monarquia, os dois movimentos foram trucidados pelas forças oficiais republicanas. 

Ao lado da Revolução Federalista, as guerras de Canudos e do Contestado entraram para a história como as maiores chacinas praticadas durante a Primeira República.

Consultoria Paulo Machado, professor de História da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

https://novaescola.org.br/conteudo/2440/quais-sao-as-semelhancas-entre-a-guerra-do-contestado-e-a-de-canudos

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UM TERRÍVEL CRIMINOSO QUE SE COMOVEU COM AS AVES

Acervo do pesquisador Antonio Corrêa Sobrinho


Antônio Silvino regenerado aos 72 anos de idade 
e condenando os crimes de “Lampião”


Como o famoso facínora alude ao sentido humano de sua vida de vinganças e atrocidades.


Em visita que fez à Cadeia Pública de Recife, onde se acha recolhido, em cumprimento da pena de 30 anos, o famoso Antônio Silvino, teve o Dr. Washington Garcia, nosso antigo colaborador, oportunidade de entreter larga entrevista com aquele sentenciado, que trocou mui curiosas impressões acerca de sua atual situação e procurou mesmo estabelecer um confronto entre as suas atitudes quando cangaceiro e as de outros que, atualmente, infestam os sertões do nordeste do Brasil.


Observando no presídio conduta irreprimível, a par da revelação de sentimentos nobres e exemplares, são os serviços de Antônio Silvino aproveitados como auxiliar de chaveiro da cadeia, prestando aos visitantes toda a sorte de esclarecimentos e informações de que careçam.

Recebido à porta da Cadeia Pública por Antônio Silvino, e na insciência de a quem falava, pediu-lhe o Dr. Washington Garcia a fineza de leva-lo à presença do diretor da Cadeia Pública, a fim de obter a necessária permissão para a visita almejada.

Satisfeita a pretensão, não foi sem surpresa que, ao pedir o visitante lhe fosse indicada a cela de Antônio Silvino, pelo chefe dos guardas lhe foi dito que tal sentenciado era justamente o introdutor do visitante, que gozava das regalias de tal natureza em face do seu irrepreensível procedimento. Interpelado sobre a sua vida no cárcere, declarou que hoje se entrega a prazeres de ordem espiritual e apontou a sua pequena biblioteca, constituída de livros de espiritismo, os quais jaziam sobre uma pequena mesa ali existente. Ao ser interrogado sobre os desejos de liberdade, de que certamente estaria animado, disse que de tal não cogita e que, ao contrário, considerando dupla a sua prisão, isto é, a do espírito à matéria e a desta ao ergástulo, anseia apenas pela liberdade do espírito. E, completando o seu raciocínio meio filosófico, acrescentou que os seus 72 anos de idade já lhe não permitiam alimentar a esperança de suportar o cumprimento total da pena imposta e para cujo termo ainda lhe faltam 17 anos. Declarara mais que não o magoava a reclusão, pois já se identificava com a prisão, mas não podia perdoar a justiça, que, a seu ver, lhe não concedera o uso dos recursos a que se julgava com direito. Manifestou mesmo Antônio Silvino o seu menosprezo pelos atos e sentenças do poder judiciário.

Abordado no sentido de emitir opinião acerca dos atos cometidos pelo já célebre cangaceiro “Lampião”, declarou que os intuitos que, em tempo, o animaram a ele Silvino, em sua atividade no interior dos estados de Pernambuco, Paraíba, Piauí e Ceará, eram bem diversos dos daquele que, sem poder justificar o seu procedimento ao contrário, comete atrocidades e desatinos que bem definem os seus desígnios e sentimentos.

Afirmou Antônio Silvino que, a princípio, agiu no exercício de um direito, a seu ver, muito nobre, o da vindita privada, pois seu pai fora morto e ele jurara vingança, o que levou a efeito em membros da família do mandante da morte de seu pai. Posteriormente, perseguido por tal procedimento, se viu na contingência de organizar a sua defesa, e assim, de dificuldade em dificuldade, foi obrigado pelas circunstâncias criadas a tomar a atitude que durante muitos anos teve de assumir no sertão do Brasil, não podendo calar que o seu proceder não era devidamente interpretado, pois nunca tivera como objetivo o morticínio e outros atos reprováveis. Se, por vezes, a tal foi forçado, assim fizera ou em legítima defesa, quando atacado, ou para estabelecer uma norma de moral entre os seus “cabras”, que, constituindo seu séquito, deveriam observar conduta regular, sendo castigados sempre que se afastavam dos princípios pregados por Antônio Silvino.

Aludindo à pilhagem que se lhe imputava, declarou ser falsidade, pois dos abastados e fazendeiros só exigia o necessário e suficiente para sua manutenção e dos seus “cabras”, em um verdadeiro regime de igualdade; disse mais que, quando tal as dava em localidades de gente pobre, obrigava os comerciantes a partilharem víveres e vestuário com a população que não dispunha de recursos pecuniários. Fez referências também a certos fatos, talvez inéditos, nos quais Antônio Silvino teve de agir violentamente, já em defesa alheia, já para corrigir excessos dos seus “cabras” e dar o exemplo necessário para evitar a repetição de cenas desagradáveis. Contou a morte trágica e impressionante de “Negrão”, indivíduo façanhudo e ladrão-homicida, que, em suas ações no sertão, fazia constar ser autor das mesmas Antonio Silvino. Disse que, de uma feita, o “Negrão”, tendo invadido um lar, cujo chefe estava ausente, fez exigências de toda a ordem e recolheu-se aos aposentos particulares, onde se acomodara. Eis que, por acaso, surge Antônio Silvino, que, informado, à porta, da presença do referido individuo no interior do lar, ali penetrou, tendo descarregado o seu rifle em pleno peito do famigerado bandido.

Referindo-se à sorte de vários companheiros de cárcere, Antonio Silvino diz que se apieda dos mesmos, por ver que aspiram à liberdade e, fazendo considerações sobre a organização da sociedade, diz que prefere o isolamento ao convívio social sem se lhe fazer a devida justiça. Disse mais que só fora preso, em tempo, por haver sido ferido e que os seus planos de evitar a captura são infalíveis e que, com prazer, só revelaria a um patrício em quem reconhecesse qualidades excepcionais. Acrescentou que, por ocasião de visitas de curiosos, tem falado a pessoas que lhe pareceriam argutas e capazes de assenhorar-se dos seus planos, mas que, infelizmente, tem depois reconhecido serem as mesmas incapazes de agir como ele. Nessa asserção como que se lhe descobre a pretensão de ter sido grande estrategista e tático, não tendo ainda, segundo pensa, encontrado um êmulo.

Do ponto de vista afetivo, não é demais aqui referir que Antonio Silvino muito se preocupa com os filhos, principalmente com dois menores, recolhidos à Escola Correcional de Recife, contígua cadeia, aos quais carinhosamente ele leva todos os duas uma parte de suas refeições melhoradas.

Um fato também digno de menção é o que diz respeito à tristeza que durante muitos dias lhe causou a súbita morte de uma pombinha, companheira do sentenciado, a que, por extravagância chamava “Cascavel” no jardim da Cadeia Pública, o que lhe foi ferido.

E, para encerrar a visita o Dr. Washington Garcia percorrera com a vista as paredes da cela, havendo observado ali várias gaiolas de pássaros e chicotes de crina de cavalo. É esta a matéria-prima de que lança mão Antônio Silvino para, em horas de labor, fazer interessantes abotoaduras para punhos e cadeias de relógio, que vendo aos visitantes, a preço módico e mediante uma declaração autografa. Em suma, Antônio Silvino se afigura um regenerado e procura fazer a prova de que a sua ação de delinquente foi menos dolosa do que culposa.

Jornal O GLOBO – 30/09/1927

Imagens ilustrativas da matéria.

O rio Capiberibe, vendo-se ao fundo, à margem esquerda do mesmo, o amplo edifício da Detenção, onde está Antônio Silvino; e Dr. Washington Garcia.

Fonte: facebook

Grupo: Lampião, Cangaço e Nordeste
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VOLTA SECA EM LIBERDADE!

Acervo Rubens Antonio

04 de abril de 1952, Antonio dos Santo  o cangaceiro do grupo de Lampião "Volta Seca" ganha liberdade. 

O pesquisador do cangaço Sálvio Siqueira disse o seguinte: 

Volta Seca depois de cumprir pena. Sai da prisão, casa-se, se não me engano, fica algum tempo no Rio de Janeiro e depois vai para o Estado das Minas Gerais, criar uma 'ruma' de filhos.

Fonte: facebook
Página: Rubens Antonio
Grupo: Ofício das Espingardas

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QUATRO LIVROS DO ESCRITOR SÉRGIO AUGUSTO DE SOUZA DANTAS


SILVINO, VIRGULINO E CRISTINO.
EM COMUM, DENTRE MAIS COISAS,
OS NOMES TERMINADOS EM ‘INO’,
DE TINO, DESATINO E DESTINO.
O PRIMEIRO, MEU XARÁ;
O SEGUNDO, LAMPIÃO,
O TERCEIRO, CORISCO.
COM SANGUE, FERRO E FOGO ESTES TRÊS MARCARAM O SERTÃO.
POIS BEM, QUEM QUISER VÊ-LOS SOB UMA SÓ VISÃO,
É SÓ MERGULHAR NESTA RICA E ILUSTRADA TRILOGIA,
CUJO AUTOR É UM CERTO MAGISTRADO POTIGUAR
CHAMADO SERGIO AUGUSTO DE SOUZA DANTAS,
A QUEM, AQUI, EU CONGRATULO PELA ENRIQUECEDORA OBRA.




Adquira estes livros através do professor Pereira, lá da cidade de Cajazeiras, no Estado da Paraíba.

E-mail: franpelima@bol.com.br


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