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quinta-feira, 22 de junho de 2017

MORTE E VIDA SEVERINA: UM POEMA À ESPERANÇA

Por José Gonçalves do Nascimento*

Na história da poesia, poucas obras obtiveram tanto sucesso quanto “Morte e vida Severina”. Escrito há mais de sessenta anos, o belo poema de João Cabral de Melo Neto é um marco da cultura brasileira, capaz de arrancar aplausos dos mais diferentes públicos.

O autor, diplomata de carreira, mas sem se desvencilhar da realidade sertaneja, em especial do seu estado, Pernambuco, busca no retirante nordestino a inspiração para a sua obra maior. A figura do retirante, já presente em Raquel de Queiroz, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Cândido Portinari, dentre outros, atende aqui pelo nome de Severino. Severino que, aliás, “é santo de romaria”, venerado em grande parte do nordeste.

Como tantos brasileiros, Severino larga seu torrão natal e vai para a cidade grande. Vai não por “cobiça”, mas com o propósito de “defender a vida”. Não por acaso, a trilha escolhida é a do rio Capibaribe (o “fio” da “vida”), que após serpentear entre sertão, agreste e zona da mata, desemboca preguiçoso no mar do grande Recife.

Tão logo principia sua caminhada, o esperançoso retirante começa a deparar-se com a triste realidade da morte. Morte que o acompanhará até o fim da longa jornada. O próprio Capibaribe, “o caminho mais certo” e “o melhor guia”, está seco, morto, pois como “ os rios lá de cima”, na seca ele também “corta”.

No primeiro momento, encontra Severino dois homens que carregam um defunto, aos gritos de “irmãos das almas”. O "finado", que também se chama Severino, morreu de “morte matada”, “numa emboscada”. Tinha ele “somente dez quadras” de terra, “todas nos ombros da serra, nenhuma várzea”. “Queria mais espalhar-se”, “voar livre”, num mundo dominado pela força do latifundiário. Queria “ter uns hectares de terra”, “de pedra e areia lavada”. Por isso o mataram de “bala” de “espingarda”.

Andando mais adiante, depara-se o retirante com um velório onde se cantam “excelências” ao morto, que, de novo, se chama Severino. Por último, assiste ao enterro de um lavrador de eito, sem exagero a cena mais dramática da peça. A passagem, magistralmente musicada por Chico Buarque, narra a descida do morto à sua “cova”; “cova” que nem é “larga” nem “funda”, é apenas a parte que lhe “cabe” nesse imenso “latifúndio”. “Não é cova grande, é cova medida, é a terra que (ele) queria ver dividida”.

Trata-se de mais uma vítima do “latifúndio”; “Latifúndio” que nunca foi “dividido”, privando o nordestino (da “caatinga” ao “agreste”, do “agreste” à “zona da mata”) do direito sagrado da terra – seu único meio de subsistência. Latifúndio que tirou do camponês o direito ao “brim”, à “camisa”, ao “sapato”, ao “chapéu”, ao “xale ou véu”, à “roupa melhor”, à “fazenda”. Latifúndio que é responsável por tanto “sangue” de “pouca tinta”; por tantas “mortes e vidas severinas”.

Cansado da árdua viagem, e tomado pelo espectro terrível da morte, resolve o anti-herói buscar “um trabalho" de que possa "viver”. Mas como “a morte é tanta” por aquelas paragens, “só os roçados da morte” “compensam” “cultivar”. Os únicos ofícios que lhe são oferecidos são aqueles relacionados à morte: “benditos”, “rezas” “excelências”, “ladainhas”, “enterros”. Ou seja, como “a morte é tanta” por “lá”, “só é possível trabalhar nessas profissões que fazem da morte ofício ou bazar”.

Ao longo do caminho, Severino encontrará outros Severinos. Assim, o retirante funde sua saga à saga dos demais retirantes que, como ele, resolvem partir em busca de melhores condições de “vida”. Nessa realidade social marcada pela fome, pela pobreza e pela morte, todos são Severinos, “iguais em tudo e na sina”.

Depois de penosa via crucis, “saltando de conta em conta” o “rosário” da “morte”, finalmente, aporta em Recife, “onde o rio some” e a “viagem se fina” O retirante, que antes só pensava em “defender a vida” encontra-se de todo desiludido. Ele, que almejava “aumentar” a “água pouca” “dentro da cuia”, “a farinha, o algodãozinho da camisa”, agora se dá conta de que desde que partira do “sertão”, “seguia” seu “próprio enterro”. E, numa espécie de crise existencial, chega a cogitar a possibilidade de “saltar” “fora” da "vida”.

É quando, num jogo de antítese extraordinário, uma mulher noticia a “explosão” da “vida”. Uma criança acabara de nascer, “saltara” “para dentro da vida”. O nascimento que ora se anuncia opõe-se à desesperança de Severino, que, a partir daí, assiste a tudo em silêncio, como que inebriado com a “beleza” da vida que “brota”.

A afinidade com o evento natalino não é casual, haja vista que a peça é um “auto de natal” (pernambucano). O pequeno Severino que acaba de nascer é comumente associado ao menino Jesus, que surge dos manguezais recifenses, e que tem como pai um carpinteiro (Seu José Mestre Carpina), filho de Nazaré (Nazaré das Matas), nordeste do Brasil.

As últimas palavras (proferidas pelo velho Carpina) “celebram” a “explosão” da “vida”, que vence a morte e a desesperança: “não há melhor resposta/que o espetáculo da vida:/vê-la desfiar seu fio/que também se chama vida/vê-la brotar como há pouco/em nova vida explodida/mesmo quando é a explosão/de uma vida Severina”.

Deste modo, a morte, que pareceu sempre "ativa", acaba vencida pela "vida" "com sua presença viva". E é isso que confere maior sentido a "Morte e vida Severina", transformando o poema num belo hino à esperança.


*Poeta e cronista

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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UM ANDARILHO LUTA POR MOSSORÓ

Por Geraldo Maia do Nascimento

Em 11 de março de 1927 chega a Mossoró o andarilho gaúcho Álvaro da Costa Lopes, procedendo da Bahia, num 'raid' pedestre com destino a América do Norte. Encontra, porém, a cidade agitada. Boatos davam conta de que a cidade seria atacada por um bando de cangaceiros, liderados pelo famigerado Virgolino Ferreira da Silva - o Lampião, - e a população preparava a sua defesa. 


No dia posterior a sua chegada compareceu a redação do jornal ”O Nordeste”, que era publicado pelo jornalista J. Martins de Vasconcelos, a quem se apresentou, mostrando a documentação dos lugares percorridos. Definia o 'raid' como “uma excursão a pé, ao longo de muitos caminhos e muitas surpresas, do Brasil aos Estados Unidos”.

O jornalista José Martins de Vasconcelos era da cidade de Apodi-RN

O percurso, por ele calculado em 14.250 quilômetros, estava programado para ser coberto em 475 dias, acrescido de mais 125 dias para descanso, o que totalizava 600 dias de viagem a pé, ou seja, um ano e oito meses.  Pela iminência do ataque, resolveu permanecer na cidade, juntando-se aos voluntários que organizavam a defesa, capitaneados pelo Prefeito Rodolfo Fernandes.  

Era prefeito de Mossoró quando da tentativa de assalto pelo capitão Lampião

Apresentou-se às autoridades e depois de devidamente identificado e comprovado a confiança que passou a merecer, foi imediatamente incorporado ao exército de defensores. Tomou parte em todos os preparativos de defesa, e ocupou lugar na trincheira do Telégrafo, de arma na mão. O gesto de Álvaro não passou despercebido. Foi recompensado pelo Prefeito do Município, que reconheceu nele a espontaneidade e o espírito cooperativo. O Sr. Mirabeau Mello, que chefiava a defesa do Telégrafo Nacional, ofereceu ao jovem andarilho uma comenda com dizeres: “Ao raidman Álvaro da Costa Lopes, o Telégrapho Nacional – Mossoró, 13-6-1927 – Homenagem”. Embriagado pela emoção dos momentos vividos em Mossoró, Álvaro deixa fluir a veia poética de que é dotado. E recolhendo-se ao quarto de hotel onde estava hospedado, passou a descrever em versos a epopeia de que fora testemunha. Foi a sua homenagem a Mossoró pela vitória alcançada sobre o bando de Lampião no ataque de 13 de junho de 1927. “Amor Omnia Vincit” é o nome do poema por ele composto. Esse poema passou a ser cantado em todo o Nordeste, como uma paródia da “Ave Maria”, a imortal canção de Erothides de Campos. Eis os versos: Mossoró era um ninho florido -Paraíso num festim de amores Onde tudo era sonho e candura Trescalando o aroma das flores. Veio um dia o terrível bandido, O assombro de todo o Nordeste, Esmagar a calma santa e pura Deste Éden grácil e celeste.   Jesus, lá do céu, ouvindo os clamores, Quais hinos febris e cheios de dores, Enviou a sua bênção piedosa A esta terra fértil e formosa. E o bando sinistro, furioso a correr, Fugiu disperso, covarde e a tremer, Com medo das balas certeiras Saídas das nossas trincheiras.   Mossoró, varonil, denodado. Ó Titã dos combates renhidos! Celebraste pelo mundo inteiro O valor dos teus filhos queridos. E assim venceste o celerado, Dando exemplo de grande civismo, Rechaçando o vil bandoleiro, No mais alto grau de heroísmo.   Acalmados os ânimos e depois de uma temporada de descanso na cidade, Álvaro da Costa resolve retomar a viagem, seguindo o rumo traçado em seus planos. E assim, na manhã de 06 de julho de 1927, parte de Mossoró a caminho do seu sonho, levando lembranças de umas gentes destemidas, deixando saudades na terra que ajudou a defender, e que ainda hoje canta os seus feitos.   

Geraldo maia do Nascimento

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O PALACETE DE ANTÔNIO FLORÊNCIO

Por Geraldo Maia do Nascimento

O prédio onde funciona atualmente a Secretaria Municipal de Finanças, na esquina da Av. Alberto Maranhão com a Av. Augusto Severo, no centro de Mossoró, foi construído em 1930 para servir de residência ao seu proprietário, o 


industrial Antônio Florêncio de Almeida, e tem uma particularidade: foi o primeiro prédio construído em Mossoró usando-se em suas estruturas, vigas de cimento armado, assinalando assim o começo de uma nova era no setor de construção, haja vista que até então todos os sobrados da cidade tinham vigas de madeira, principalmente de carnaúba, madeira abundante na região. 


O seu construtor foi o mestre de obras Joãozinho de Zuza, que ao lado de outros grandes construtores, como Francisco Paulino, João Dias, o velho Darico e de outros da mesma estirpe, tanto contribuíram para o embelezamento da cidade, à época em que viveram. Os salões do palacete abrigaram, por várias vezes, a sociedade mossoroense em suntuosos bailes e luxuosos banquetes, numa prática muito usada na época, não somente ali, mas em outras mansões. A professora Ozelita Cascudo, em um depoimento sobre como era a vida social de Mossoró no passado, diz: “Li, certa vez, que as cidades também têm alma. Acho que Mossoró, naquela época, tinha mais vida, tinha alma, era mais alegre, sentia-se nela a alegria de viver. (...) A vida social do meu tempo era mais intensiva, havia mais entusiasmo, mais cultura. Lembro-me de que as festas se realizavam nas residências, como a de Antônio Florêncio de Almeida, onde haviam bailes carnavalescos, saraus dançantes, etc.” Esse mesmo palacete, em épocas passadas, serviu de sede à Prefeitura Municipal durante as gestões do prefeito Antônio Rodrigues e Raimundo Soares de Souza, bem como a Câmara Municipal, segundo nos informa o historiador Raimundo Soares de Brito, em seu livro “Casarões e Monumentos Contam a História (Coleção Mossoroense – Série B – Nº 1085 – 1991). Dos velhos casarões da cidade, o palacete de Antônio Florêncio é um dos mais bem preservados, haja vista que muito pouco dos seus traços originais foram modificados. A fachada foi preservada original, tendo apenas as suas cores modificadas. No interior, poucas modificações para se adequar ao uso atual, mantendo as portas e o piso originais. É interessante lembrar de como se construía casas naquela época. Não havia loja de material de construção que vendesse tijolos, telhas, fornecesse areia, barro, cal ou qualquer outro material primário para a construção. Escolhia-se, portanto um local onde existisse material argiloso, dali tiravam o barro para moldar os tijolos e telhas. No mesmo local esse material era queimado para se tornar resistente, como ainda hoje vemos em locais próximo ao município de Assu, que mantem essa prática de confecção de tijolos artesanais. A areia era trazida da beira do rio, principalmente na época de seca, pois no inverso o rio alagava todas as margens, tornando-as lamacentas; e a cal sempre houve em abundância aqui na região, mas tinha-se que queimar a pedra para extrai-la. Não existindo cimento, a argamassa usada nas construções era feita de areia, barro e cal, que servia para juntar os tijolos e também para o reboco e acabamento final. E como ainda não se conhecia a técnica de construção de pilares de ferro, as paredes tinham que ser dobradas, ou seja, com tijolos duplos, para que a estrutura suportasse o peso de telhado. Toda a estrutura de madeira era feita, principalmente de tronco de carnaúba, tanto pela abundância dessa madeira na região, como por ser bastante resistente e difícil de ser atacada por cupim. O palacete de Antônio Florêncio, como já citamos, foi um marco para a construção em Mossoró, pois nela, pela primeira vez se usou estrutura de concreto, o que era uma novidade para a região. Quase noventa anos se passaram e o palacete de Antônio Florêncio continua forte e belo. Um exemplo para os demais que continuam sendo demolidos sem nenhum respeito pela história que eles encerram.
20/05/2017

Geraldo Maia

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VEREMUNDO SOARES COM ZÉ DANTAS E LUIZ GONZAGA


Veremundo Soares é natural de Salgueiro no Estado de  Pernambuco, Coronel da Guarda Nacional, filho do padre A. Joaquim Soares, que, saindo de Minas Gerais, subiu pelo São Francisco e acabou por se fixar em Salgueiro. O padre Soares emigrou em busca dos currais sanfranciscanos de gado.


Fonte: “Coronel. Coronéis – Apogeu e declínio do coronelismo no Nordeste”, Marcos Vinícios Vilaça e Roberto Cavalcanti de Albuquerque, Bertrand Brasil, 2003.

http://www.onordeste.com/portal/veremundo-soares/

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LAMPIÃO E A CARTA ENDEREÇADA AO CORONEL VEREMUNDO SOARES


Lampião escreveu uma carta para o Coronel Veremundo Soares, a fim de alertar sobre sua passagem pela região e, na mesma carta, acentua sua vontade de querer virar santo.

Abaixo transcrevemos a "correspondência" do Rei do Cangaço, capitão Virgulino Ferreira, endereçada ao Coronel Veremundo Soares, de Salgueiro.


“O fim desta somente para saber, qual seu plano. Que após em minha passagem o senhor mandou uma força atrás de mim e mesmo pilheriou bastante de mim. Em outrora nós já fomos inimigos, porém para o presente eu pensava que nós éramos amigos, para mim eu era, mas para si me parece que o senhor era inimigo. Portanto eu lhe faço esta, para saber qual é o seu destino. Já mandei avisar ao Padre Cícero, que nesta minha diligência quem se alterou contra mim foi o município de Salgueiro, tenha muita cautela, eu não volte para o mesmo que eu era outrora. Eu bem que quero virar santo e fazer a felicidade para vocês mesma. Sem mais assunto. Capitão Virgulino Ferreira.”

Coronel Veremundo Soares - http://www.onordeste.com/portal/veremundo-soares/

O Coronel Veremundo Soares, o grande coronel de Salgueiro, realmente viria a se tornar um ferrenho inimigo de Lampião. Quando necessitava ir ao Recife, o já citado, fazia um percurso que tinha duas alternativas: Salgueiro, “via Juazeiro da Bahia e Salvador”, ou então, “descendo pelo São Francisco, via Penedo, ou via Salvador”, até chegar ao Recife. Esse tortuoso, complicado e custoso percurso tinha um único objetivo para o Coronel: “escapar do perigo de um encontro com Lampião, tornado o seu inimigo rancoroso”. Confirma-se, então, o cuidado de Veremundo em não encontrar o Rei do Cangaço.

Na época da grande perseguição ao Rei do Cangaço, movida pelo o governo de Estácio Coimbra, em 1926, o Coronel foi um dos expoentes e não pensou duas vezes em arregimentar seus homens junto às forças do governo contra Lampião.

http://www.sitewilsonmonteiro.com/2014/12/minha-cidade-e-linda/

Lampião pretendia invadir Salgueiro, a exemplo do que fizera com outras cidades sertanejas que ensaiaram resistência aos seus cangaceiros. Veremundo Soares resistiu. Não pela força, mas pela diplomacia e habilidade. Nas campanhas eleitorais, homens famosos vieram a Salgueiro na busca dos votos locais e na benquerença do Coronel. Agamenon Magalhães e Juscelino Kubitscheck foram dois deles. À pergunta de Juscelino, se votaria nele, o Coronel respondeu “se o PSD o escolher como candidato, pode contar com meu voto”. Foi esse homem, que morreu aos 94 anos, deixando uma cidade inteira, sua obra e sua vida e a dor de uma saudade. Foi assim, Veremundo Soares, um exemplo de liderança.

Fonte: PORTAL SG10

Material adquiro na página do José João Souza e conferido no site abaixo:
 http://sg10.com.br/noticia/colunasespeciais/2016/12/lampiao-e-o-coronel-veremundo-soares.html 

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ASCRIM/PRESIDÊNCIA –SOLENIDADE AFLAM ELOGIO A PATRONA MARINÊS CADEIRA 35 DA ACADÊMICA GORETTI ALVES – OFÍCIO Nº 080/2017.


MOSSORÓ(RN), 22 DE JUNHO DE 2017

REF. EXPEDIENTE ASCRIM/PRESIDÊNCIA – CONVITE AGENDA ACADÊMICA GORETTI ALVES-CANTORA DA TERRA DO SAL- OFÍCIO Nº 076/2017, DE 07 DE JUNHO DE 2017.      

É DA PRAXE DESTA PRESIDÊNCIA, QUANDO OFICIALMENTE CONVIDADO, DIGNAR-SE RESPONDER AOS ECLÉTICOS CONVITES DOS PRESIDENTES DE SUAS CO-IRMÃS. EXEMPLO QUE NOTABILIZA O VIÉS DE UM PRESIDENTE CORRESPONDER A ESSE ECLETISMO, PORQUE SABE A DIFERENÇA ENTRE O LIAME DA PARTILHA E DO PRESTÍGIO QUE ASCENDE E CRESCE NO INTERCÂMBIO ENTRE SEUS PARES.

   
NESTA SINTONIA, UM CONVITE PARA PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS CULTURAIS E A CONFIRMAÇÃO, INTERCAMBIADOS ENTRE ENTIDADES CULTURAIS, MERECE E FUNCIONA COMO UM “FEEDER”, EVIDENTE, REPASSADO A TODOS OS ACADÊMICOS DE SEUS CORPOS SOCIAIS, PELO SEU PRÓPRIO PRESIDENTE, CUJO ESSE FEEDBACK ALIMENTA, NATURALMENTE O FERVOR E A CONSIDERAÇÃO EM QUE SINGRAM OS INTELECTUAIS DESSAS PLÊIADES.
  
DESTA FORMA, AGRADECENDO A PRESIDENTE DA AFLAM, DRA.  JOANA  D’ARC FERNANDES COELHO, PELO CONVITE, RESERVO-ME ATRIBUIR MESMO VALOR DE PARTILHA, DIZENDO QUE É UMA HONRA CONFIRMAR MINHA PRESENÇA A SESSÃO MAGNA NO DIA 24.06.2017(SÁBADO) AS 18:30HS NO HUST CAFÉ, NO CORREDOR CULTURAL(ANTIGO CAFEZAL), AO TEMPO EM QUE REPASSO O ASSUNTO DO ALVO CONVITE DE IGUAL MODO, POR CÓPIA,  AS EXCELENTÍSSIMAS AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS,  ACADÊMICOS DA ASCRIM E POTENCIAIS CANDIDATOS A ACADÊMICOS DA ASCRIM, ILUSTRES PRESIDENTES DE ENTIDADES CULTURAIS E DIRIGENTES DE INSTITUIÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS, POR SER DO INTERESSE, CLARO, DOS MESMOS, TOMAREM CONHECIMENTO E DIGNAREM-SE, DO SEU MISTER, CONFIRMAR SUAS PRESENÇAS, JUNTAMENTE COM AS EXCELENTÍSSIMAS FAMÍLIAS CONSORTES.

SAUDAÇÕES ASCRIMIANAS,
FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO
-PRESIDENTE DA ASCRIM-

C/CÓPIA PARA OS PRESIDENTES E DIRIGENTES DE ENTIDADES GOVERNAMENTAIS.
C/CÓPIA PARA OS PRESIDENTES DE ENTIDADES E INSTITUIÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS
C/CÓPIA PARA OS PRESIDENTES DE ENTIDADES CULTURAIS.
C/CÓPIA PARA JORNALISTAS E COMUNICADORES,
C/CÓPIA PARA OS ACADÊMICOS DA ASCRIM,
C/CÓPIA PARA OS POTENCIAIS CANDIDATOS A ACADÊMICOS DA ASCRIM.

P.S.: NA SOLENIDADE, A ACADÊMICA DA AFLAM CANTORA DA TERRA DO SAL GORETTI ALVES, FARÁ O ELOGIO À PATRONA DA CADEIRA 35 MARINÊS, ACOMPANHAMENTO: MÚSICO CLÁUDIO HENRIQUE, MUSICISTA GISELE LIMA E CONTRABAIXO JOHN. HAVERÁ SHOW “TRIBUTO A MARINÊS”.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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LAR DA CRIANÇA POBRE DE MOSSORÓ


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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INVASÃO E RESISTÊNCIA - OS 90 ANOS DA DERROTA DE LAMPIÃO NO CONFRONTO COM O POVO DE MOSSORÓ – PRIMEIRA RESISTÊNCIA AOS CANGACEIROS - PARTE IV

Por José de Paiva Rebouças

Até àquela altura, tudo estava dando certo para Lampião no Rio Grande do Norte, bem como discutido com o coronel Isaías Arruda. 

Coronel Isaías Arruda - Fonte da imagem: https://www.google.com.br

Mas, desde a fazenda Caiçara, ele tinha informações de um possível levante no povoado Vila de Vitória, hoje município de Marcelino Vieira. Aproximadamente 60 homens armados, tinha alertado o refém Antônio Dias de Aquino.

Antônio Dias de Aquino - Fonte da imagem: http://jotamaria-fogodacaicara.blogspot.com.br/

O coronel José Marcelino de Oliveira líder local, organizou o piquete contando com voluntários. O tenente Napoleão de Carvalho Agra, representante da Polícia Militar do Estado, foi incumbido de organizar força armada para enfrentar os cangaceiros.

Para percorrer os 18km até a fazenda Aroeiras, de José Lopes, contaram com o empréstimo dos automóveis do boticário Álvaro Andrade, de Pau dos Ferros, e de Emiliano Arnaud e Antônio Caetano de Alexandria.

CONFRONTO NA ANTIGO MARCELINO VIEIRA

Cangaceiro Sabino Gomes - Fonte da imagem: https://coisasdecajazeiras.com.br

Sabino comandava a tropa quando teve a impressão de ouvir barulho de motor à explosão. Levantou o braço em sinal de comando. O grupo parou atento. Numa curva do caminho, apontaram os veículos perfilados de soldados.

A resistência também viu os cangaceiros, mas foi obrigada a parar os veículos em declives desfavoráveis. Sabino deu comando e a bateria de tiros começou. Soldados entrincheirados. As balas resvalavam nas baterias dos automóveis, fazia menos barulho que a algazarra dos bandidos.

Sem saída, o tenente ordenou o revide. O guia Antônio Dias de Aquino aproveitou o confronto  para empreender fuga. Foi baleado, mas mesmo assim, conseguiu escapar.

Mais experientes, os cangaceiros dominaram a batalha, praticamente cercando a tropa comandada por Agra. Sabino aproveitou-se do fumacê provocado pelas armas e mandou que cinco homens, sob comando de Moreno, forçassem  um fogo por um dos flancos.

Moreno antes e depois do cangaço - Fonte da imagem: https://www.youtube.com/watch?v=biQEQTcGWMs

Inexperientes e com armas inferiores, os soldados se precipitam. Os cangaceiros ouviram quando o corneteiro Francisco Sales gritou que a munição estava acabando, motivo para os bandidos ampliarem o fogo.

Capitão Lampião - Fonte da foto: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lampi%C3%A3o

A chegada da tropa de Lampião encerrou o confronto. A ofensiva forçou o recuo do regimento comandado por Agra. Ferido, o soldado José Monteiro de Matos dava cobertura para seus colegas fugirem. Tinha dito em Vila que morreria, mas não recuava. Assim fez. A resistência sumia na curva da estrada.

Fim do confronto, os cangaceiros encontraram morto o bandido Patrício de Souza, conhecido como Azulão. O cabra conhecido como Cordeiro também foi ferido com bastante gravidade. Pouco diante, o soldado Monteiro agonizava.

Coqueiro lhe tomou o fuzil, atirou contra ele várias vezes e terminou a atrocidade desferindo diversas cutiladas de punhal no homem já morto.

Recolheram o que se aproveitava de armas e munição e atearam fogo nos automóveis. Enterraram Azulão em cova rasa.

A RETOMADA RUMO À MOSSORÓ

Depois do confronto, os cangaceiros decidiram passar longe de Vila de Vitória. Lampião estava contrariado com a resistência e se dirigia a Massilon.

Retomaram com os assaltos na fazenda Lajes, onde fizeram reféns o rendeiro João Bevenuto e seu irmão Emídio. Conquistaram o sítio São Bento e Poço de Pedras, de propriedade de Francisco Germano da Silveira, preso por dez contos de réis.

Francisco Germano da Silveira  - Fonte: http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br

Atacaram a fazenda Caricé, do capitão Marcelino Vieira, que tinha se evadido com a família. Na fazenda Morada Nova, surpreenderam o proprietário Antônio Januário de Aquino. Preocupado com as filhas adolescentes Raimunda, Arcanja e Maria, expressou aflição. Foi atendido, mas teve que disponibilizar dinheiro e comida para a cabroeira.

Em terras do município de Martins, saquearam o sítio Ponta da Serra. O agricultor Francisco Dias foi pego de guia e obrigado a conduzir a tropa até a fazenda Morcego de Manoel Raulino de Queiroz, que foi espancado junto com esposa. Um filho conseguiu fugir e foi baleado, mas escapou por sorte.

Em seguida, invadiram os sítios Ribeiro, Pintada, Garrota Morta e Corredor. O agricultor Manoel Barreto leite cruzou o caminhos dos cangaceiros e foi pego de refém por 50 contos de réis.

No sítio Buraco, espancaram e fizeram refém o fazendeiro Sebastião Ferreira de Freitas, o Sebastião de Marcolino. No sítio Carnaubinha tomaram o cavalo de Manoel Ricarte e assaltaram Olinto Martins e Francisco Ferreira. De lá, cruzaram o sítio Cajueiro, maltratando os moradores, e, mais à frente, prenderam como guia o tangedor de rebanhos João de Doca e um companheiro.

INVASÃO NA ANTIGA ANTÔNIO MARTINS

Justino Ferreira de Souza - Fonte da imagem: http://oestenews-etcetera.blogspot.com.br

Era festa de Santo Antônio no pequeno povoado de Boa Esperança, hoje cidade de Antônio Martins. Justino Ferreira de Souza, fundador do lugar, foi avisado da presença de Lampião pelas redondezas, mas não deu ouvidos. Acreditava que poderia recebê-lo como convidado em sua casa.
Os homens cercaram o lugar e proibiram as pessoas saírem de casa ou das novenas. Lampião, Ezequiel Ferreira, Virgínio e Luiz Pedro invadiram a residência de José Silvestre. O comerciante entregou o pouco que tinha e saiu ileso.

Lampião e seu bando - Fonte da imagem: http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Vicente Lira foi preso como guia. Obrigado a correr na frente dos cavalos, tropeçou  e se apoiou nos arreios do cavalo de Lampião. Por pouco não derrubou o cangaceiro. Furioso, o bandido apunhalou Vicente pelas costas. Botou uma bala na agulha do fuzil e mandou que o sertanejo corresse, mesmo sangrando.

No pátio da igreja, os cangaceiros ainda obrigaram o homem a tomar cachaça. Um copo atrás do outro. O infeliz vomitou grossa mistura de álcool e sangue. Quando não aguentou mais, foi abandonado como morto, mas escapou milagrosamente.

Os cangaceiros ainda atacaram o estabelecimento de Justino Ferreira de Souza, mas, devido a seu tom de respeito e disponibilidade em colaborar, conquistou atenção de Lampião e foi poupado, assim como seu comércio.

Augusto Nunes de Aquino também teve seu comércio e casa saqueados. Espancaram o homem na frente da família. Decidiram fazer sua esposa, Rosinha Novaes, de refém, mas ela resistiu. “Como é que posso viajar com uma criança nos braços? Que terra sem proteção é essa? Parece que não tem homem! Na minha terra ninguém se atrevia a fazer isso!”, esbravejou.

Sabino se aborreceu e quis saber de onde ela era. Disse ser de Floresta do Navio/PE. A informação pegou Lampião de surpresa. Descobriu que a mulher era parente de Elias e Emiliano Novaes, amigos do cangaceiro. “É, eu não sabia desse parentesco não. Que coisa medonha. Mas o que tá feito, tá feito, não tem mais remédio”, teria dito o Lampião, segundo conta Sérgio Dantas.

Desculpou-se e saiu apaziguando as coisas pelo povoado. Soltou os reféns com aval de Augusto e recusou o dinheiro do resgate cobrado na prisão do comerciante.

FRUTUOSO GOMES, LUCRÉCIA E ALMINO AFONSO

Por volta das oito e meia da noite, o grupo chegou ao sítio Mumbaça, atual cidade de Frutuoso Gomes. O saque teve início na casa de José Gomes, irmão de Frutuoso Gomes, chefe do lugar. O agricultor Raimundo Inácio foi preso como guia.

Saquearam o sítio Cachoeirinha e Cacimba da Vaca, próximo à Lucrécia, um lugarejo na época. No sítio Castelo, balearam Raimundo Alves, que também sobreviveu.

Chegaram ao sítio Serrote quase meia noite. Por lá só encontraram Egídio Dias da Cunha, filho de Joaquim Dias, dono do sítio Cacimba da Vaca. O levaram de refém por 10 contos de réis.

Fazenda sítio Serrote - Fonte da imagem: Fonte: facebook - Página: Geziel Moura‎ - Grupo: OFÍCIO DAS ESPINGARDAS

Seguiram para Gavião, assaltado por Massilon havia um mês. No caminho, passaram no casebre de José Alavanca. Exigiram silêncio sobre a presença deles e foram descansar no sítio Caboré, já próximo do destino.

Continuaremos amanhã com o título:
"A CHACINA DE CABORÉ"

Fonte: Jornal De Fato
Revista: Contexto Especial
Nº: 8
Páginas: 17,18 e 19
Ano: 6
Cidade: Mossoró-RN
Editor: José de Paiva Rebouças
E-mail: josedepaivareboucas@gmail.com

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quarta-feira, 21 de junho de 2017

QUIXABEIRA,UM CANGACEIRO 'SÁBIO'

Material do acervo da pesquisadora Franci Mary Carvalho Oliveira

(...)Zé Cocada era um caçador de mocó. Não tinha dinheiro para comprar uma pistola.

Pediu emprestada a um cangaceiro, alegando uma vingança. A vingança se prendia a um moleque atrevido que teve o topete de pilheriar com sua filha donzela.

O cangaceiro Quixabeira respondeu:

"__ Cumpadi Zé, deixe isso cum noi que se arresorve na ponta du punhá, bala tá cara.

Cumpadi, arma de fogo, otomove e muié são trêis bijeto qui nunca o freguês deve imprestar"

Fonte: Lampião, Cangaço e Nordeste pg:254 (Aglae Lima de Oliveira) 

Foto: Google

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#ESQUENTA PARA A GREVE GERAL


O Fórum dos Servidores Públicos do Oeste Potiguar, do qual a ADUERN faz parte, convida todos e todas para o #Esquenta da Greve geral.  Vamos realizar um conjunto de atividades preparativas para a mobilização nacional do dia 30/06. É hora de parar o país e barrar as reformas do ilegítimo governo de Michel Temer.

Amanhã (20/06)

Às 8h - Café da manhã  e conversa com trabalhadores/as às 8h na sede do INSS (Av. Aldemir Fernandes, 101, Bairro Aeroporto)

Às 9h – Panfletagem na Praça do Mercado Central

Dia 22/06

Às 17h – Plenária com sindicatos e Movimentos Sociais na sede administrativa do SINDVPREVS (Rua Auta de Souza, nº 52, Centro/Mossoró) para construção da  GREVE GERAL

Jornalista

Cláudio Palheta Jr.


Telefones Pessoais :


(84) 88703982 (preferencial) 

Telefones da ADUERN: 


ADUERN
Av. Prof. Antonio Campos, 06 - Costa e Silva
Cep: 59.625-620
Mossoró / RN
Seção Sindical do Andes-SN
Presidente da ADUERN
Lemuel Rodrigues

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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RNTV 1ª EDIÇÃO ESPECIAL - 90 ANOS DE RESISTÊNCIA - AO VIVO DE MOSSORÓ/RN


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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O CHEIRO DAS PRIQUITINHAS JUNINAS

*Rangel Alves da Costa

A cada ano, como uma diversa revoada, o período que antecede os festejos juninos vem trazendo consigo o cheiro das priquitinhas. Cheiro forte, marcante, bem característico de todo chinelo, sandália ou alpercata de couro cru.
São as priquitinhas juninas que são trazidas de outros estados - principalmente Bahia e Pernambuco - e passam a fazer parte das paisagens aracajuanas, pois estão por todo lugar, em toda esquina, debaixo de cada marquise.
Ainda são poucas pela cidade. Apenas num ou noutro lugar é possível avistar algum vendedor carregando penca de priquitinhas ou mesmo com elas expostas ao chão. Talvez seja a crise que também tenha alcançado os produtores artesanais dessas chinelas tão apreciadas pela população nordestina.
Mas a tradição do comércio dessas chinelas deverá se acentuar nos próximos dias ou semanas. O São João já se aproxima, as bandeirolas já enfeitam as lojas, os enfeites juninos já são avistados de banca a banca. E uma coisa que não pode faltar é a priquitinha.
E não pode nem deve faltar por muitos motivos. Não há São João, Santo Antônio ou São Pedro, sem priquitinha. Não tem sentido algum arrastar os pés por algum salão forrozeiro sem que seja levando consigo o cheiro da priquitinha. Todo nordestino que se preza faz da priquitinha sua companhia de toda hora no período festivo.
As priquitinhas são inseparáveis das mais autênticas quadrilhas juninas. Estão nos pés tanto dos dançadores como dos tocadores de forró. Os turistas, principalmente estrangeiros, ficam encantados quando se deparam com uma priquitinha nova, bem trabalhada, sedosa, com o seu cheiro tão peculiar e atraente.
Como diz o outro, tem até gente que não gosta, mas nunca houve nada melhor que ter uma priquitinha para usar nas devidas ocasiões ou mesmo a qualquer momento do dia. Não há contraindicação, somente proveito e prazer. Quando nova ou de pouco uso, a priquitinha é sempre leve, um pouco apertada, mas logo amaciada pelo uso.
Tem gente que ansiosamente espera esse período apenas para comprar seis ou mais priquitinhas e assim ter sempre reserva para usar o ano todo. Quando perguntado o porquê de tanto gosto pela chinelinha de couro cru, logo responde: Ora, se não tenha da outra, o jeito que tem é usar dessa priquitinha mesmo. Ao menos o nome e o cheiro me fazem lembrar alguma coisa.
Sem pretender erotizar a seriedade do texto, a verdade é que não se pode negar que a denominação de priquitinha a esse tipo de sandália de couro surgiu mesmo como referência à genitália feminina. Por motivos que não exigem maiores esclarecimentos, diziam que o cheiro da sandália nova era o mesmo da outra priquitinha em determinadas situações.
Deveras, peculiar é o cheiro da priquitinha junina. Mas neste aspecto, também em situações diferentes, pois apresenta cheiros diferenciados segundo seu estado de uso. Quando nova, intacta, a sandália possui o cheiro forte e adocicado, levado ao odor de suor. O mesmo cheiro sempre presente nas selas de couro cru, nos rolós, nos chapéus, nas indumentárias feitas pelos artesãos do couro. Só que com menor acentuação, menor exalação.
Com a constância do uso, a priquitinha vai perdendo a estranheza do cheiro forte. Sequer é sentido qualquer fragrância marcante. Apenas com o suor dos pés é que ela retoma um pouco de seu aroma suarento. Contudo, tudo desanda quando ela é molhada. Então é um deus nos acuda. E há até gente que diga que já não cheira mais a priquitinha, mas a outra coisa no mesmo sentido.
Realmente, quando a priquitinha, já usada, afadigada de tanto pisar, está molhada, passa a exalar um odor quase insuportável. Todo o cheiro é redobrado, triplicado, tornado quase em putrefação. Daí que muitas vezes os salões forrozeiros ficam empesteados da mistura do suor e das sandálias de um couro ainda cru, molhado e ainda secando ao sol.
Mas nada disso afasta o gosto e o prazer de estar usando um desses chinelos de couro. É a aparência junina amoldada ao conforto que ela proporciona. Igualmente se diga com relação à aparência matuta, caipira, nordestina e sertaneja. E gente há que possui uma alma nordestina tão grande que sempre usa chapéu de couro e alpercata de couro cru, mesmo nas capitais.
Contudo, não se vista mais a quantidade de vendedores de tempos atrás. No passado, essa época do ano era de ruas completamente tomadas por pessoas carregando pencas de priquitinhas. Agora são em número bem menor, mas oferecendo sempre, e a preço bom, o chinelo ao gosto da freguesia.
Será a feição junina em tempos novos que vem diminuindo suas tradições tão próprias? Também. Exemplifica-se em muitas situações, desde a ausência do autêntico forró à nudez das ruas outrora enfeitadas de bandeirolas.
Os dias e as noites juninas não são mais aquelas. As fogueiras foram praticamente esquecidas, as comidas típicas escassearam. Os fogos já não passeiam mais nos céus como antigamente. Apenas um mês. Um mês e suas priquitinhas para fazer relembrar.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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