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sábado, 22 de julho de 2017

MORTE DE CASTELO BRANCO: MISTÉRIO QUE DURA MEIO SÉCULO

Material do acervo do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

Autor – Thiago Paiva
Jornal O POVO – Fortaleza-CE


Em 18 de julho de 1967, dois aviões se tocaram no céu e deixaram no ar um rastro de mistério que perdura há 50 anos. Foi numa terça-feira de tempo bom, visibilidade praticamente ilimitada e nebulosidade insignificante. Retornando de Quixadá para Fortaleza, a bordo de um bimotor Piper Aztec e acompanhado de outros três passageiros, além do piloto e copiloto, estava o ex-presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, único cearense a ter cumprido um mandato presidencial (1964-1967).

Bimotor Piper Aztec, similar ao avião em que morreu Castelo Branco – Fonte – https://br.pinterest.com/pin/570972058984992062/

O primeiro governante da ditadura militar (1964-1985) tinha perfil considerado “moderado” entre os altos escalões das Forças Armadas. Em seu discurso de posse, em 15 de abril de 1964, o cearense falava de “eleições em 1965”. Quando do acidente, havia deixado o poder em um momento de ascensão do grupo chamado “linha dura”, cuja liderança foi também exercida por seu sucessor, Arthur da Costa e Silva. Era a primeira vez que Castelo visitava o Ceará desde sua saída da presidência. Na noite anterior, havia visitado a escritora Rachel de Queiroz, sua amiga.

Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco (trajes civis) junto a oficiais generais do Exército Brasileiro – Fonte – http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/a-democracia-ultrajada/277962

Na viagem de volta, depois de aproximadamente 40 minutos de voo, ocorreu o incidente que dividiria os brasileiros. De um lado, aqueles que acreditavam (e ainda acreditam) em conspiração seguida de assassinato. Do outro, os que creem em fatalidade.

Vários fatores e imprevistos ocorridos, como atrasos de passageiros e alterações no horário da viagem, tornam improvável que o choque tenha sido intencional. Porém, a falta de transparência na condução das investigações e perguntas até hoje sem respostas alimentam especulações de crime com motivação política. Unanimidade, o caso se tornou uma das maiores tragédias da aviação cearense e é a mais controversa morte de um ex-presidente brasileiro.

Desenho do Lockheed TF-33A, prefixo 4325 da FAB, que abalroou o avião de Castello Branco – Fonte – http://culturaaeronautica.blogspot.com.br/2009/09/o-estranho-acidente-que-matou-o.html

A queda

Enquanto se aproximava do aeroporto, já sobrevoando o bairro Mondubim, o avião cedido pelo Governo do Ceará foi subitamente colhido por um jato TF-33A, da Força Aérea Brasileira (FAB). O caça compunha esquadrilha de quatro aeronaves e bateu “com precisão cirúrgica” com a ponta da asa esquerda no leme de direção e quilha do piper, arrancando parte da cauda da aeronave civil.

Do choque até o solo, a queda em giros de parafuso chato foi acompanhada por uma agonia que durou aproximadamente 1 minuto e 30 segundos. Desfecho mortal para o ex-presidente, a educadora Alba Frota, o major Manuel Nepomuceno, o irmão do marechal — Cândido Castelo Branco, e o comandante Celso Tinoco Chagas. Somente o copiloto Emílio Celso Chagas, filho do piloto, sobreviveu.

Manchete do jornal Folha de São Paulo em 20 de julho de 1967 – Fonte – http://www.desastresaereos.net/ac_br_1967.htm

Enquanto isso, o caça retornou ao aeroporto, onde pousou normalmente, sem os tip-tanques, que ficavam nas pontas das asas da aeronave. Um dos equipamentos foi arrancado na colisão e o outro automaticamente ejetado, para evitar o desequilíbrio do TF-33A.

Em seguida, vieram as investigações e conclusões duvidosas que atravessaram meio século sem que ninguém fosse responsabilizado pelo episódio. As apurações da Aeronáutica e órgão correlatos apontam para acidente. Testemunhos de familiares e amigos das vítimas também. Mas as teorias da conspiração ainda pairam sobre aquilo que não foi dito e sobre o que ainda permanece oculto, sob a guarda dos militares.

O Aztec PP-ETT parcialmente restaurado e sem a deriva, preservado em Fortaleza Foto: culturaaeronautica.blogspot.com.br – Fonte – http://www.desastresaereos.net/ac_br_1967.htm

Fatos que alimentam teoria da conspiração

A tripulação do piper alertou à torre de controle quando estava a dez minutos da área de pouso. Desceriam na pista 13. Minutos depois, torre autorizou passagem dos jatos da FAB sobre a pista 31, informando que não havia “tráfego conhecido ou à vista que interferisse com a passagem solicitada”.

Em 20 de junho de 2004, O POVO mostrou, com base na Carta de Tráfego dos Aeródromos Pinto Martins e do Alto da Balança e Publicação de informação Aeronáutica, que os jatos deveriam virar à direita. Em 21 de junho de 2004, O POVO publicou entrevista com Emílio Celso de Moura, copiloto e único sobrevivente do acidente, após as revelações. Ele culpou à FAB e ao Controle do Tráfego pelo acidente. Antes, no O POVO de 18 de julho de 1997, ele havia dito que não invadiu a área dos jatos, mas tinha descartado a possibilidade de atentado, justificando que ocorreram pequenos atrasos que influenciaram nos horários de voo.

Morte de Castelo Branco noticiada no Diário de Natal.

Manuel Cunha, do O POVO, fotografou Castelo Branco sendo socorrido. O filme foi recolhido pelos militares e jamais devolvido.

Indícios que corroboram tese de acidente

Na ida a Quixadá, Castelo usou um trole (pequeno carro que anda sobre a linha férrea), mas ficou com dores na coluna e alguém deu a ideia de solicitar o avião do Estado. A viagem aérea, portanto, não era planejada.

A saída do voo de Quixadá atrasou cerca de 30 minutos. Eventual atendado poderia ser atrapalhado pela mudança de cronograma.

Castelo Branco (de terno escuro) no Rio Grande do Norte, tendo a sua direita o então governador potiguar Monsenhor Walfredo Gurgel.

Em 1997, o copiloto confirmou que voava em condições visuais e que somente os jatos poderiam tê-los avistado. E queixou-se da torre não ter os alertado da presença dos caças, mas declarou que nada havia a ser esclarecido.

Após a passagem, a esquadrilha fez curva à esquerda para também pousar na pista 13, que possuía tráfego pelo sul destinado às aeronaves de caça, e norte para os demais aviões. A manobra, conforme o Cenipa, foi correta, tendo o piper invadido a área dos jatos. (Em 2004, com base na Carta de Tráfego, O POVO mostrou que ocorreu o contrário).

O jato Lockheed TF-33A, prefixo 4325 da FAB, também foi restaurado e preservado – Foto: Escuta Aérea Fortaleza – Fonte – http://www.desastresaereos.net/ac_br_1967.htm

O piloto que colidiu no piper era o primeiro-tenente Alfredo Malan D’Angrogne, hoje coronel aviador, filho do general Alfredo Malan, grande amigo de Castelo. Conhecia o piloto Celso, que morreu na mesa em que seria operado. Ele também foi entrevistado pelo O POVO. Disse que o acidente o “chocou muito” e refutou a possibilidade de choque intencional. “Existem maneiras menos complicadas de derrubar um avião que se chocar contra ele”.


História. Aeronáutica não disponibilizou material sobre queda de avião
Com base na lei nº 12.527/2011, a chamada Lei de Acesso à Informação ou Lei da Transparência, no último dia 22 de março, O POVO requereu ao Ministério da Defesa (MD) todos os documentos relacionados à investigação do acidente aéreo. Foram solicitadas fotografias, laudos periciais, resultado de inquérito, investigações adicionais, conteúdo de depoimentos colhidos e conclusões de órgãos correlatos, como o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).


No mesmo dia, a demanda foi direcionada pelo MD ao Comando da Aeronáutica (Comaer), apontado como órgão detentor das informações. Em 11 de abril, a solicitação foi respondida. Os militares encaminharam ao O POVO apenas um relatório, de dez páginas, com selo de “Reservado”, feito à época pela Inspetoria Geral da Aeronáutica.

O documento é o mesmo encaminhado ao procurador da República Alessander Sales, em agosto de 2004. Após a publicação de uma série de matérias do O POVO, em junho daquele ano, apontando a possibilidade de ter havido falha de comunicação por parte da torre de controle, o procurador resolveu verificar e tornar públicas as causas do acidente.


Alessander, assim como O POVO, solicitou cópias do inquérito militar que apurou as causas da colisão entre o caça TF-33 e o piper PP-ETT, além do detalhamento do relatório final sobre o acidente. Mas o documento enviado não contém informações relevantes e não responsabiliza ninguém pela colisão. O relatório é apontado como única peça existente sobre a investigação, realizada há 50 anos.

No dia seguinte, 12 de abril, O POVO encaminhou recurso ao Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante de Esquadra Ademir Sobrinho, alegando que as informações estavam incompletas e eram insuficientes.

A reportagem questionou onde foram parar os depoimentos de testemunhas ouvidas na fase do inquérito (pilotos e até jornalista afirmam que foram ouvidos), bem como o rolo de filme de um dos nossos fotógrafos à época, Manuel Cunha. A equipe do O POVO foi a primeira a chegar ao local do acidente.

Castelo Branco ao volante do seu carro no Rio em 1967.

É de Cunha o registro em que o então soldado Francisco Uchôa Cavalcante aparece carregando nas costas o corpo de Cândido Castelo Branco, irmão do ex-presidente, também morto no acidente. Na ocasião, Cunha também fotografou o momento em que o próprio Castelo era carregado, mas foi obrigado, pelos militares, a entregar o filme. As fotografias estavam divididas em dois rolos. Involuntariamente, Cunha entregou justamente aquele que continha as fotos do ex-presidente.

O material foi recolhido pela Aeronáutica como parte da investigação e jamais foi devolvido. Além disso, o relatório não revela quem eram os demais pilotos que compunham a esquadrilha da qual o caça fazia parte, se houve falha de algum funcionário da torre de controle, quem era o controlador, na ocasião, ou se alguém foi punido.

Entretanto, no dia 17 de abril, o pedido foi analisado e as informações prestadas anteriormente pelo órgão foram ratificadas. O Chefe do Estado-Maior reafirmou que “todos os documentos relativos ao acidente, disponíveis no Comando da Aeronáutica, foram encaminhados juntamente com a resposta formulada”. Não respondeu, porém, o que aconteceu com o restante do material.

https://tokdehistoria.com.br/2017/07/16/morte-de-castelo-branco-misterio-que-dura-meio-seculo/

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CÂMARA MUNICIPAL DE MOSSORÓ SESSÃO MAGNA - 90 ANOS DE RESISTÊNCIA AO BANDO DE LAMPIÃO ENTRE 23 PERSONALIDADES CULTURAIS.

Por Franci Dantas

Câmara Municipal de Mossoró Sessão Magna - 90 anos de resistência ao bando de Lampião entre 23 personalidades culturais, José Romero de Araújo Cardoso (professor - geógrafo - escritor e pesquisador) recebeu a medalha do mérito cultural Vingt-un Rosado. Proposta do vereador Rondinelli Carlos para a inclusão do nome do conceituado professor.





Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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NOVO LIVRO NA PRAÇA "O PATRIARCA: CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO, IOIÔ MAROTO".


O livro "O Patriarca: Crispim Pereira de Araújo, Ioiô Maroto" de Venício Feitosa Neves será lançado em no próximo dia 4 de setembro as 20h durante o Encontro da Família Pereira em Serra Talhada.

A obra traz um conteúdo bem fundamentado de Genealogia da família Pereira do Pajeú e parte da família Feitosa dos Inhamuns.

Mas vem também, recheado de informações de Cangaço, Coronelismo, História local dos municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, São Francisco, Bom Nome, entre outros) e a tão badalada rixa entre Pereira e Carvalho, no vale do Pajeú.

O livro tem 710 páginas. 
Você já pode adquirir este lançamento com o Professor Pereira ao preço de R$ 85,00 (com frete incluso) Contato: franpelima@bol.com.br 
fplima1956@gmail.com

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DUAS CHAPAS IRÃO CONCORRER À DIREÇÃO DA ADUERN - FOTOS



Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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V I A G E M C U L T U R A L SEGUNDA ETAPA CARIRI CANGAÇO EXU

Por Benedito Vasconcelos Mendes

Por ocasião do Cariri Cangaço Exu-2017, o Prof. Benedito Vasconcelos Mendes, em nome da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço entregou a Comenda 

Francisco Pereira de Lima (professor Pereira), Manoel Severo e Alcino Alves Costa

Alcino Alves Costa ao Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo Gurgel Barbosa, à Pesquisadora Juliana Pereira (Quixadá-CE) e ao Prof. Francisco Pereira Lima (Cajazeiras-PB). 

Juliana Pereira pesquisadora do cangaço

A referida comenda foi criada pela Diretoria da SBEC para marcar os 90 anos da resistência de Mossoró ao bando de Lampião, que invadiu a cidade no dia 13 de junho de 1927. 

A Comenda Alcino Alves Costa é a mais importante homenagem concedida pela SBEC, para homenagear estudiosos do tema cangaço e outros expoentes da cultura nordestina.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano Benedito Vasconcelos Mendes

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(EXPERIENCIA PARA MIJAR NAS CALÇAS)

Por Guilherme Machado

Depois de 50 anos me aparece este que foi um tormento em minha infância pobre e órfã de pai e mãe... Em 1968 eu já com 8 anos de idade, internado no colégio sobre Filantropia de ordem da Igreja Franciscana! Colégio Liceu de Artes e Oficios da Bahia sede na rua ladeira do Pelourinho aos fundos da antiga Faculdade de Medicina da Bahia... Estava eu e um outro companheiro da série matinal da oficina de marcenaria do colégio, quando entraram várias autoridades  na faculdade, dentre elas o professor Estácio de Lima, onde iam fazer uma última demostração da cabeça do Cangaceiro Lampião.

Foto fonte Prof. Estácio de Lima. texto Guilherme Machado.

Cangaceiro Lampião para mim, era tudo novidade, eu um garoto de rua, que perambulava pela baixa dos sapateiros, vivendo ao lado de malandros prostitutas e trombadinhas. Nunca tinha ouvido falar em Cangaceiros.

Foi quado eu e o meu amigo Ednelson damos um jeito, de entrar na ente sala onde iam mostrar a tal cabeça de Lampião. Juro caros amigos, achei que iria ver a cabeça de um lampião de gás.

Foi quando vir pela primeira vez a cabeça de um homem sem o corpo. Comecei a mijar no macacão azul que era a farda do Colégio. E durante messes, não conseguia dormir sem saber o que era aquela cabeça mumificada de cor preto fosco sem olho e sem sangue e sem explicação.
Depois de um ano encontrei por intermédio de um professor o ex-cangaceiro Labareda foi quem me explicou o significado daquela cabeça sem o corpo.

Labareda grosso e sem paciência não nos deu muita liberdade, disse que não ia falar com capitão de areia de Salvador, se quiséssemos saber da verdade que nós fôssemos até Paripiranga. Anos depois, fui até Paripiranga e nada.

Hoje o que sei sobre o cangaço agradeço aos livros e muitos grupos de estudiosos do Cangaço.

https://www.facebook.com/groups/ocangaco/

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VIVA O JUMENTO!

Por José Gonçalves do Nascimento

Há notícias de que um prefeito do sertão acaba de negociar a venda de carne de jegue para os frigoríficos da China. A medida é apenas uma dentre tantas outras que vêm sendo cogitadas pelas autoridades do nordeste, no sentido de retirar de circulação nosso velho e pacato jumento.

O novo nicho de negócio vem sendo aplaudido como uma mão na roda. Já há até quem fale no surgimento, em pleno século XXI, de um novo ciclo econômico no nordeste: o ciclo do jegue. Algo talvez mais grandioso do que o ciclo do ouro, do couro, da borracha, do café, ou até mesmo da cana-de-açúcar. A ideia é unir o útil ao agradável: retirar o bichinho de circulação e ao mesmo tempo gerar lucro com seu abate, alimentando-se com sua carne os estômagos mandarins.

Os defensores desta e de outras políticas congêneres alegam que o jumento perdeu sua funcionalidade; que se tornou inviável alimentar um animal que já não produz; que o jegue tem trazido transtorno para o trânsito, onde são frequentes os acidentes envolvendo o animal. E que diante de tais fatos, a única saída é retirar o bicho de circulação.

Verdade é que quem transita pelas rodovias do nordeste talvez já nem se surpreenda com a enorme quantidade de jegues mortos por atropelamentos. Recentemente, numa viagem de pouco mais de uma centena de quilômetros por aquelas bandas, pude ver de perto inúmeros deles caídos na beira da pista, a maioria já em avançado estado de putrefação. Considerando que os acidentes com o animal acabam por envolver igualmente os humanos, ocasionando, também entre estes, expressivo número de vítimas, inclusive fatais.

E não é pra menos: solitário e desprotegido, outra coisa não resta ao manso animal senão perambular sem rumo, em busca de qualquer babugem que possa mitigar-lhe a fome. Seu destino é quase sempre a beira das estradas, onde, apesar do perigo, normalmente encontra algum pasto. Até acho que a beira da estrada foi a alternativa por ele encontrada para fugir do tédio e da solidão, já que estrada é lugar de movimento, de dinamismo, de correria. Afinal, a solidão não mata só os humanos; a solidão mata também os animais.

É obvio que estamos a falar de um animal em pleno fim de carreira, que corre o risco até mesmo de extinção. Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que o homem precisou do jumento e o jumento precisou do homem. Uma simbiose perfeita para uma época em que os efeitos da chamada “modernidade” ainda não se faziam sentir com tanta intensidade.

Quando o poder e a velocidade das máquinas ainda estavam por vir, e o facebook e o watsapp ainda não haviam despontado no horizonte da “civilização”, o jumento foi um dos principais colaboradores do homem, servindo-lhe de montaria e auxiliando-o no serviço da agricultura, que ia desde o preparo da terra até o transporte do produto.


O jumento marcou época, transpôs gerações, testemunhou o surgimento do que hoje chamaríamos de progresso. Com seu auxílio, plasmaram-se culturas, ergueram-se economias, forjaram-se histórias. Não há um campo, uma estrada, a construção que for, onde não tenha o jumento assentado suas patas e derramado sua energia.

Cantado em verso e prosa, o jegue está cercado de lendas. Uma delas reza que aquela cruz estampada nas costas do animal teria sido desenhada pelo xixi do menino Jesus quando foi levado para o Egito no lombo de um jumento, a fim de ser poupado da fúria de Herodes.

Duas experiências me marcaram de modo particular: uma foi quando, certa feita, vi um jumentinho com uma sela enorme que o cobria quase que inteiramente. Parecia uma tartaruga. Fazia horas que estava amarrado e pelo aspecto, percebi que se sentia incomodado com o peso daquele apetrecho a cobrir seu frágil dorso. Outra foi quando, ao me acercar de um jumento alto, acinzentado e meio metido a besta, tomei um coice no pé do abdômen que me laçou por alguns metros e me deixou desacordado por alguns minutos. O coice do jegue é algo simplesmente aterrador. E não há ninguém que viveu no campo que não tenha passado por tal experiência.

O homem usou e abusou do jumento enquanto este lhe foi útil. Depois que perdeu a serventia, tendo, de resto, se tornado um problema grave (como alegam), ao pobre animal restaram apenas o abate e o sacrifício. Entretanto, em lugar nenhum está dito que o jumento foi feito para ser útil ao homem. O jumento foi feito para viver e ser jumento, e apenas isto. Ademais, não parece razoável transferir para o animal a culpa pelos problemas que nós mesmos construímos.

Urge que se garanta ao jumento, agora e sempre, a cota que lhe cabe na comunidade dos viventes, mesmo que isto vá de encontro às conveniências dos ditos humanos.

jotagonçalves_66@yahoo.com.br


ADENDO - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Eu, José Mendes Pereira sou a favor desta ideia de abater jumentos. Se o prefeito (o texto do José Gonçalves não fala o seu nome) irá vender carne de jumento, é bem provável que a população desta espécie não irá se acabar nunca mais, ao contrário, irá haver crias e mais crias, porque quem inventou a matança, tem interesse de ganhar dinheiro com a carne do jumento, e para isso, cuidará do aumento da população. E será copiado por outros e outros possíveis criadores de jumentos, na intenção de ganharem dinheiro com a carne do nosso irmão, como chamou o rei do baião Luiz Gonzaga.


Mas cada um tem a sua opinião. Mas se pensarmos bem, será o tempo em que jumentos irão ser bem tratados sobre os olhos dos seus criadores, sem apanharem, sem trabalharem em carroças e cangalhas ferindo os seus lombos, com enormes bicheiras. Com uma condição. Vida boa, mas terá que morrer. Nós também iremos um dia morrer através do chuncho.

jotagonçalves_66@yahoo.com.br

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OU SEREMOS NÓS OS VENCEDORES, OU O NOSSO INIMIGO LAMPIÃO!

Por José Mendes Pereira

"Pode vim tôdo us sordados do nordeste do meu Brasí, que eu passarei tôdos na ponta do meu punhá!"


A frase e o título deste não estão na literatura lampiônica, são de minha autoria. É para que o leitor não os use como sendo da literatura lampiônica.

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12 DE JULHO DE 1951: O DIA EM QUE MOSSORÓ CHOROU

Por Geraldo Maia do Nascimento

Quinta feira,  12 de julho de 1951. Uma notícia ecoa pelo ar, deixando o Estado do Rio Grande do Norte e principalmente a cidade de Mossoró em pavorosa:  num desastre aéreo ocorrido às 9:0h da manhã daquele mesmo dia, morria um dos mais ilustres dos seus filhos, o Governador Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia. 


Junto com o governador  morreram também o agrônomo Felipe Pegado Cortez, Secretário da Agricultura, José Borges de Oliveira, Diretor Geral do Departamento das Municipalidades e José Gonçalves de Medeiros, Diretor da Imprensa Oficial. O desastre ocorreu no Rio do Sal, nas proximidades do campo de pouso de Aracaju, em Sergipe, com o avião de prefixo PP-LPG da Linhas Aéreas Paulistas, LAP. Naquele dia Mossoró chorou; não podia acreditar que uma das maiores promessas políticas do Estado acabava de morrer em desastres,  quando ocupava o cargo de governador a menos de seis meses. Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia nasceu em Mossoró a 25 de março de 1911 e pertencia a uma das mais ilustres famílias da região oeste. Era um homem de trabalho, industrial de aguda percepção, de contagiante otimismo realizador e popularidade, o que o tornava a esperança de um governo admirável. Havia sido eleito como terceiro Prefeito constitucional de Mossoró, tomando posse a 31 de março de 1948, tendo renunciado em 1950 para assumir o cargo de Governador do Estado do rio Grande do Norte, o que ocorreu em 31 de janeiro de 1951. O motivo da viagem que estava realizando era o de conseguir um empréstimo de 30 milhões de Cruzeiros, que serviriam para reforçar os serviços de água em Natal, que na época era muito precário, como também abastecer as cidades de Caicó e Mossoró. Os serviços terminaram sendo feitos por seu sucessor no governo,  Sylvio Pizza Pedrosa, que cumpriu fielmente o programa traçado. O povo do Rio Grande do Norte presta homenagem ao seu ilustre filho, através de um monumento em bronze na principal praça pública de Mossoró. Esse monumento, que fica na Praça Vigário Antônio Joaquim, em frente a Catedral de Santa Luzia, é o maior e mais importante monumento histórico da cidade. Foi executado pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, sob a direção do professor Otoni Zorline, sob a supervisão do professor Pedro Suzana e pesa 54.978 Kg. A inauguração  se deu no dia 30 de setembro de 1953, com a presença do Governador Sílvio Pizza Pedrosa, na qualidade de chefe do executivo potiguar e orador oficial da cerimônia, em companhia de vários auxiliares de administração e representações do Tribunal de Justiça do Estado,  Assembléia Legislativa e Prefeitos de vários municípios do Estado. Proferiram discursos o Dr. José Fernandes Vieira, juiz de Direito da Comarca, que falou em nome da Comissão promotora e do poder público municipal, O vereador Manuel de Aguiar Gusmão, representando o município de Ceará Mirim, sede da idéia do monumento, levantada na Câmara daquela cidade pelo vereador Antônio Eduardo Freire, discursando ainda o Padre Francisco de Sales Cavalcanti, representando o Governo Diocesano de Mossoró. Encerrando a cerimônia falou o então Deputado Federal Jerônimo Dix-huit Rosado Maia em nome da família do Governador homenageado. Na frente do pedestal, numa grande placa de bronze está escrito: "Governador Jerônimo Dix-Sept rosado Maia. Morto na tragédia aviatória de Aracaju, a 12 de julho de 1951, quando, em missão do seu cargo e no benefício de sua gente, viajava  à Capital da República, com o objetivo da solução de serviços e problemas do Estado, cujas condições econômicas e sociais o flagelo das secas, mais uma vez agravava, devastando a terra potiguar. Nele se conjugaram idealismo e ação, espírito público e solidariedade humana, capacidade de resistência e destino de comando-transfigurado, pela contagiante irradiação popular e o doloroso sacrifício em plena ascensão, numa legenda e num exemplo que o Rio Grande do Norte sempre recordará com emoção, confiança e orgulho. Homenagem do povo. " Do lado direito do pedestal, em outra placa de bronze: "Eis porque Mossoró resistiu sempre sustentada em Deus e no estoicismo da sua gente. Gente digna de levar-se a uma cruzada, a uma expedição, a toda empresa que necessite de fé." Edgar Barbosa. Na parte posterior do monumento, em placa de bronze: "Mário Negócio, Felipe Cortez, José Borges e José Gonçalves, Secretário Geral e Auxiliares Geral do Governo desaparecidos, o primeiro, em Tacima, a 30 de março de 1951 e os demais, juntamente com o Governador Dix-Sept  Rosado, no desastre aviatório de Aracaju, a 12 de julho do mesmo ano. A  eles que, animados de acendrado amor à terra comum, pela qual sacrificaram a vida, legando aos pósteros um magnífico exemplo de virtudes cívicas, este preito do Rio Grande do Norte. A memória de todos os seus companheiros de infortúnio é também aqui reverenciado". Acima dessa placa encontra-se quatro medalhões em alto relevo, representando os homenageados acima. Do lado esquerdo do monumento encontra-se outra placa em bronze contendo os dizeres: "O povo de Ceará Mirim foi pioneiro desta homenagem. Encarregou-se da realização deste monumento uma comissão central constituída de Dr. José F. Vieira, Manuel L. Nogueira, Raimundo Rebouças filho, Francisco V. de M. Mota, Jorge de A. Pinto, Dr. Vicente da Mota Neto, Lauro da Escóssia, Dr. Vicente de Almeida, Dr. José A . Rodrigues, Jorge F. de Andrade, Capitão Manuel A . Freire, Lauro do Monte rocha, Jaime Hipólito Dantas e Cleide Siqueira". Outra grande homenagem prestada a Dix-Sept Rosado foi quando no dia 25 de junho de 1951, poucos dias depois de sua morte, era aprovada a lei municipal nº 16, da mesma data, mudando o nome do município de São Sebastião para Governador Dix-Sept Rosado. Sessenta e seis anos depois do trágico  acidente, Mossoró volta a lembrar da figura ímpar que foi Dix-Sept Rosado, reafirmando para futuras gerações:   " Nele se conjugaram idealismo e ação, espírito público e solidariedade humana, capacidade de resistência e destino de comando-transfigurado, pela contagiante irradiação popular e o doloroso sacrifício em plena ascensão, numa legenda e num exemplo que o Rio Grande do Norte sempre recordará com emoção, confiança e orgulho. Homenagem do povo. "  

Nota: O autor deste artigo não proíbe a sua reprodução em qualquer meio de comunicação, mas desde que sejam colocados o seu nome e a fonte pesquisada.

http://www.blogdogemaia.com/detalhes.php?not=1036

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JOSÉ TAVARES DE ARAÚJO NETO E O CARIRI CANGAÇO EXU 2017 PARTINDO RUMO A EXU/PE E SERRITA/PE.


ALÔ, ALÔ POMBAL, NOSSOS PARABÉNS!

Em Ipueira dos Xavier, no município de Serrita/PE, localizado no Araripe pernambucano, vilarejo que entrou para história ao heroicamente repelir o bando de Lampião, nós pombalenses fizemos uma pausa para homenagear nossa querida terra, que neste 21 de julho de 2017, está comemorando 155 anos de elevação à categoria de cidade.


 

Casa onde nasceu a revolucionária Barbara de Alencar, na zona rural do município de Exu/PE.

  
A CASA DE SEU JANUÁRIO E DONA SANTANA, NA FAZENDA ARARIPE, EM EXU-PE: Dona Raimunda, prima de Luiz Gonzaga, me mostra a janela e conta a história de quando seu primo famoso, depois de muitos anos longe de casa, retornou e chegou de madrugada batendo a janela para fazer uma surpresa ao ao seu pai, em vez disso levou uma grande reprimenda do pai: "Isso é hora de chegar em casa?"





Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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sexta-feira, 21 de julho de 2017

HISTÓRIAS DO CANGAÇO

Por Bira Delgado

Em 1997, em Serra Talhada-PE onde residia, fiz uma entrevista com o Tenente Davi Jurubeba(foto). Nesta época ele estava com 94 anos e 4 anos depois faleceu em Recife(10/10/201). Nesta entrevista eu lhe fiz várias perguntas, dentre elas, a seguinte:

Por quê o senhor chorou quando soube da morte de Lampião?

Manoel Neto

Resposta de Jurubeba-“Não só fui eu quem chorou, o Coronel Mané Neto chorou junto comigo. Nós queríamos resolver nossa questão com Lampião no punhal e não na bala era um assunto pessoal entre eu, Mané Neto e Lampião. Só que isso não foi possível. Quem matou Lampião, se cagava de medo do bandido”.

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BANDIDOS DAS RUAS DE POMBAL, DÉCADA DE 1960 O VELHO LEONIDES.

Por: Jerdivan Nóbrega Araujo

O velho Leonides

Seu Leônidas ou Leonides, era um negro, de baixa estatura que, pelo seu porte físico não chegava amedrontar niquem, mas, trazia no seu histórico uma fama assustadora. Dizia-se na cidade que quando jovem era um perverso matador de aluguel. 


Ele passava toda a manhã sentado em um tamborete do lado de fora da Cadeia, muitas vezes até com as chaves da carceragem no colo. Nos meus doze anos de idade, passei muitas horas ouvindo suas histórias, que nunca diziam respeito aos seus crimes. 

Leonides era pai de Chico (Chico de Leonides), um pequeno agricultor que entregava leite nas residências de Pombal, inclusive na minha casa: os dois não se falavam muito embora fosse ele que levasse as suas refeições. Vi muitas vezes Chico chegar montado em uma mula, colocar uma sacola de tecidos com a comida e recolher a do dia anterior, sem que os dois trocassem uma única palavra.

Eu cheguei a assistir um dos Julgamentos do velho Leonides, no qual a sua pena somada foi de cento e quarenta anos de prisão. Na época ele devia ter próximos oitenta anos de idade.

Naquela manhã o réu foi conduzido algemado da cadeia velha até rua Cel José Avelino, local onde hoje é a Câmara Municipal, para o julgamento, escoltado por quatro soldados, armados com velhos fuzis, seguido por uma procissão de meninos.

O curioso dessa condução ostensiva do réu é que, como eu falei antes, seu Leonides há muito tempo já não ficava encarcerado. Muitas vezes era ele quem abria a cadeia para a entrada de novos “inquilinos”. Também não tinha para onde fugir.

Talvez a proteção fosse para proteger o réu de atos de vinganças pelos muitos crimes que cometera quando jovem, mas, mesmo isso não era verdade, já que seu Leônidas chegava a cochilar do lado de for da cadeia, sentado em seu velho tamborete, exposto a sanha de qualquer parente das suas muitas vítimas.

Não sei o ano que ele morreu, mas acredito que chegou a viver até próximos noventa anos de idade, o que é uma façanha para um matador de aluguel, se é que de fato a era.

Os processos de seu Leonides encontram-se no cartório de Pombal a espera de alguém que os leia e conte a sua história com maior clareza. A minha narrativa é feita com base em resquícios da minha memória, já que nunca se escreveu uma linha a respeito dos seus muitos crimes, e o motivo que o levou a cometê-los.


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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