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sábado, 29 de abril de 2017

ENTREVISTA CADIM MACHADO, ÚLTIMO COITEIRO DE CORISCO

https://www.youtube.com/watch?v=Vs9kLhbDokU&t=106s

Geziel Moura
Publicado em 4 de mai de 2016
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“PAJEÚ EM CHAMAS: O CANGAÇO E OS PEREIRAS”


PAJEÚ EM CHAMAS 

Com 608 páginas, o trabalho literário conta a saga da família Pereira, cita importantes episódios da história do cangaço nordestino, desde as suas origens mais remotas, desvendando a vida de um mito deste mesmo cangaço, Sinhô Pereira e faz a genealogia de sua família a partir do seu avô, Crispim Pereira de Araújo ou Ioiô Maroto, primo e amigo do temível Sinhô Pereira.

A partir de uma encrenca surgida entre os Pereiras com uma outra família, os Carvalhos, foi então que o Pajeú entrou em chamas. Gerações sucessivas das duas famílias foram crescendo e pegando em armas.

Pajeú em Chamas: O Cangaço e os Pereiras põe a roda da história social do Nordeste brasileiro em movimento sobre homens rudes e valentes em meio às asperezas da caatinga, impondo uma justiça a seus modos, nos séculos XIX e XX.

Helvécio Neves Feitosa, autor dessa grande obra, nascido nos Inhamuns no Ceará, é médico, professor universitário e Doutor em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal), além de poeta, escritor e folclorista. É bisneto de Antônio Cassiano Pereira da Silva, prefeito de São José do Belmonte em 1893 e dono da fazenda Baixio.

Sertões do Nordeste I

É o primeiro volume de uma série que trata dos Sertões do Nordeste. Procura analisar fatos relacionados à sociedade alocada no espaço em que se desenvolveu o ciclo econômico do gado, a partir de novas fontes, na maioria, inéditas.

Não se trata da monumentalização da história de matutos e sertanejos, mas da utilização de uma ótica sustentada em elementos esclarecedores capaz de descontrair algumas das versões oficiais acerca de determinados episódios perpassados nos rincões nordestinos.
Tentando se afastar do maniqueísmo e do preconceito para com o regional, o autor inicia seus estudos a partir de dois desses sertões, os Inhmauns e os Cariris Novos, no estado do Ceará, sendo que, ao longo de nove artigos, reunidos à feição de uma miscelânea, desenvolve importantes temas, tentando esclarecer alguns pontos intrincados da história dessa gente interiorana.

É ressaltado a importância da visão do sertão pelo sertanejo, sem a superficialidade e generalidade com que esta parte do território vem sendo freqüentemente interpretada pelos olhares alheios, tanto de suas próprias capitais quanto dos grandes centros econômicos do País.

Após a apresentação das obras literárias, a palavra foi facultada aos presentes, em seguida, houve a sessão de autógrafos dos autores.

Quem interessar adquirir esta obra é só entrar em contato com o professor Pereira através deste e-mail: 
franpelima@bol.com.br
Tudo é muito rápido, e ele entregará em qualquer parte do Brasil.

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JOÃO BEZERRA E O ANGICO ...

Por Paulo Britto

- “Se desejam o término do cangaço com o episódio de Angico considero uma aberração, final trágico e desabonador da saga de homens assassinos, porém, valentes e destemidos”.

Tenente João Bezerra, pai de Paulo Britto e matador de Lampião

Paulo Britto: Desconheço qualquer outro final para o cangaço que não seja o do Combate em Angico. O final de “Buritis de Minas Gerais” foi um fiasco, que não tem consistência, nem para ser citado. Quanto ao final trágico e desabonador da saga “de homens assassinos, porém, valentes e destemidos”, acredito que se a volante fosse dizimada por causa de um comandante irresponsável e incompetente atendesse melhor ao final pretendido pelo pesquisador, enquanto aos homens assassinos, o fato de serem valentes e destemidos, não os credita a ter um final diferente ao de Angico, no calor do combate e pelo currículo de atrocidades dos cangaceiros, o comandante do combate teve sim, um comportamento ético e profissional em segurar os instintos das feras que combatiam os bandidos perversos e sanguinários.

- “A descrição concebida pelos escritores, jornalistas, pesquisadores deixam Gengis Kan, Napoleão, Júlio César (O imperador), Al Capone, Billys the Kid, Kelly (e seu bando), Hitler e muitos outros, fichinha frente aos cangaceiros”.

Paulo Britto: A colocação feita aos escritores, jornalistas, pesquisadores é no mínimo desmerecida e desrespeitosa. 

“Os cachorros pela primeira vez estavam sonolentos e teriam perdido o faro. Dormiam nas pernas dos seus donos. Junto aos cachorros deveriam estar às sentinelas que devem ter esquecido as suas responsabilidades junto ao grupo. Falha lamentosa”.

Paulo Britto: Os comentários sobre os cachorros e sentinelas só demonstra o desconhecimento do tema ou uma brincadeira equivocada.

-“Tempo de inverno, água no riacho, onde fixar a tolda e dormir?”

Paulo Britto:Todos, sem exceção, os que acamparam, os que visitaram, os que confrontaram, os que averiguaram, constataram a existência do acampamento tão improvável para o pesquisador.

“Se a volante possuía duas metralhadoras não ficava um pé de macambira para contar a história. Por que conseguiram se salvar muitos cangaceiros? O cerco não foi cerco. É piada.”

Paulo Britto: Reforçando a tese do pesquisador afirmo ter contado a volante com mais de duas metralhadoras. Quanto à sobrevivência de 24 cangaceiros ou mais, os sobreviventes sempre relataram, ao seu modo, como escaparam ao cerco que de fato a contragosto do comandante não chegou a se efetuar como planejado. A “piada” e a graça ficam por conta de quem reconta o fato.

“O suicídio de Luiz Pedro é fantástico. É advertido ao cangaceiro que Lampião estava morto e que ele fosse à luta. Ao chegar junto ao amigo, assim falou: “-Compadre, eu lhe disse que lutaria com você até a morte”. No trajeto, o Pedro perdeu a coragem que foi possuidora desde os tempos em que esteve no Rio Grande do Norte, em 1927.”

Paulo Britto: O suicídio de Luiz Pedro do Retiro, para quem toma conhecimento do tema pela primeira vez, afirmo não ter existido. Ele realmente foi morto por tiro do volante Antônio Jacó. Quanto à frase supostamente colocada como sendo de Luiz Pedro, é a primeira vez que vejo a mesma ser citada. E covarde, ele jamais foi.

José Sereno à esquerda

“Capitão, a tampa da garrafa tem um pequeno furo”. O chamamento da atenção não foi levado em consideração. Por quê?” 

Paulo Britto: A observação proferida por José Sereno é uma das demais teses do envenenamento ocorrido em Angico, que os escritores, pesquisadores e até mesmo os meninos buchudos já não toleram mais ouvir. Esta foi rechaçada por falta total de embasamento, principalmente, cientificamente, que o diga o brilhante Dr. Leandro Cardoso Fernandes.

Obs.: As colocações por mim destacadas neste primeiro momento, não parecem apropriadas a uma pessoa que tenha, aparentemente, um conhecimento de pesquisador, que queira ser levado, pelo menos, um pouco a sério. Assemelham-se mais a uma pessoa contraditória que quer fazer graça com um tema tão sério.

“Naquela manhã chovia na área. Comprove esta afirmação no livro de João Bezerra, onde solicita aos seus comandados que: ““-Tenham cuidado em pisar no chão para não fazer barulho com as folhas secas””. Parece-nos que a chuva não atingia as folhas, enquanto o restante do chão corria água”.

Paulo Britto: Essa colocação, de caráter jocoso, parece a tônica das colocações do pesquisador, mas que não se coaduna com a formação e experiência que o oficial já era detentor naquele dia.

“A coragem da volante (grupo de militares) era tamanha que o comandante permitiu o uso de cachaça para quem desejasse criar coragem.”

Paulo Britto: A bebida jamais foi o indutor de coragem na volante de João Bezerra, a partir do seu comandante e componentes, como o Sargento Aniceto Rodrigues, soldado Antônio Jacó e tantos outros de reconhecida valentia.

“Aos registros feitos por todos que escreveram sobre o tema, mostram que as relações entre o chefe cangaceiro e o militar aconteciam para um jogo de 31, compra e venda de armas e munição”.

Paulo Britto: Declarar a unanimidade, dizer que “todos os escritores” afirmam ter havido um relacionamento entre João Bezerra e Lampião para jogo, bebida e/ou venda de armas e munições, é no mínimo uma colocação insana, irresponsável e descabida.


 “O governo da Bahia oferecia 50:000$000 (cinquenta contos de réis), a quem entregasse Lampião vivo ou morto. Não se tem notícia do ganhador do prêmio milionário. Por quê?”

Paulo Britto: O ganhador do prêmio oferecido pelo governo da Bahia, não só é do conhecimento da grande maioria dos escritores e pesquisadores, como está registrado em muitas obras, só é surpreendente o fato do pesquisador, até o momento, ainda não seja detentor deste conhecimento. Mas vamos informá-lo: Em, 22-dez. 39 – Recebeu do interventor federal deste estado, referente a prêmio instituído a coluna que extinguiu “Lampião”, assim distribuído: pelo estado de Alagoas – 5:000$000 (cinco contos de réis), pelo estado da Bahia – 20:000$000. Bol. Nº 289. Boletim da Polícia Militar de Alagoas.

“Quem nominou as cabeças errou gravemente. Muitos escritores colocam nos seus relatos que metade das cabeças tem o mesmo nome. A partir do meio (fotos das cabeças) para cima seja como Deus quiser. Encontraram um cangaceiro que só aparece naquele momento chamado de Desconhecido?.”

Paulo Britto: Me surpreende o suposto despreparo dos escritores, alegada pelo pesquisador, que nem a informação dos nomes dos cangaceiros mortos em Angico conseguiram identificar, e que o nome de Desconhecido é desconhecido, ou melhor: o nome do cangaceiro morto, se desconhece, portanto, foi posto no cruzeiro de Angico, Desconhecido. E na relação dos nomes consta “Não conhecido”.

“O matador dos onze cangaceiros diz que feito o cerco tiveram que recuar. Ora, difícil era chegar perto daquelas feras, quanto mais, ter a chance de ir e voltar.” 

Paulo Britto: O cerco objetivado em Angico, mesmo que ele não tenha se efetuado na plenitude, gerou um ataque crescente, sem recuo. Desconheço nos combates travados pela volante formada por meu pai, qualquer tipo de recuo.
  
“Quem traiu? Afirmam que o grande traidor foi o homem que se caracteriza como seu matador, ou seja, João Bezerra.”

Paulo Britto: João Bezerra foi um perseguidor empenhado em não dar trégua aos cangaceiros, reconhecido pelos seus pares e superiores, ao ponto de ganhar de Lampião o apelido de “Cão Coxo”, coxo em decorrência da redução de 04 cm em uma das pernas e cão, imagine o motivo. Em entrevista dada pelo então Cap. Manuel Neto, após a morte de Lampião, referia-se a meu pai dizendo: - “O Tenente João Bezerra a quem conheço pessoalmente, é um official disposto, disciplinado e muito bem quisto no seio da Polícia Alagoana e dos Estados vizinhos”. 

Como imputar a um homem deste um relacionamento com Lampião?

Paulo Britto

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2011/03/joao-bezerra-e-o-angico.html

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A JUSTA GREVE E O DESPREZÍVEL VANDALISMO

*Rangel Alves da Costa

O direito de greve, dentro de seus limites legais, é previsão estabelecida constitucionalmente, sendo, portanto, imperativo. Como afirmado, em consonância com os ditames legais, a todos é garantido o direito à manifestação, à paralisação, à demonstração de suas indignações.

E nada mais justo que pessoas ou categorias, descontentes com determinadas situações, invoquem para si o direito de rebelar-se, de indignar-se, de gritar sua insatisfação. Soa até como grandeza social o despertar contra as injustiças, as arrogâncias governamentais, as medidas que acabam afetando a vida população em geral e da classe trabalhadora em particular.

Como bem afirmado por alguns, somente na pressão se muda a situação. Ou ainda para outros, mesmo que não surta o efeito desejado, ainda assim toda greve será válida à medida que chega ao destinatário os sinais da insatisfação. Mesmo que os governantes costumem menosprezar os resultados das greves, basta tal manifestação para que se saiba que os cintos apertaram de algum modo.

Noutros idos, principalmente quando as botinas dos generais eram ouvidas ao longe, fazer uma greve era o desejo de multidões. Contudo, havia sentido pátrio, invocação nacionalista, ufanismo de verdade. Por isso mesmo que os novos tempos trouxeram multidões acaloradas e ávidas por soltar a voz. E soltaram tanto que muito foi conseguido através dos gritos, das caras-pintadas e das bandeiras tomando as ruas.
Logicamente que muito contrastante com a maioria das greves de agora. Tanto assim que se utiliza o termo greve geral não para paralisar o país, mas para levar às ruas partidários, fanatizados, pessoas com único intento de fazer política através da bandeira do outro. Os sindicatos, antes tão fortes e unidos nas lutas em defesa das classes trabalhadoras, agora são apenas sucursais políticas de partidos já esgotados pela desonra.

Assim, quando há o chamado para uma greve geral, certamente que as intencionalidades não são apenas de luta contra determinadas situações, mas tão somente para que o partidarismo ganhe as ruas e façam reacender chamas já ofuscadas pelos acontecimentos. Tudo como uma tentativa de ressuscitar cadáveres insepultos ou trazer à boca do povo outros gritos que não aqueles ecoando os verdadeiros motivos da greve.


Mas greve é coisa séria, é oportunidade única para que o povo expresse sua insatisfação. Como acentua a doutrina, greve é a paralisação voluntária e continuada, ou não, do trabalho, sempre realizada em defesa de interesse da classe trabalhadora e geralmente organizada pelos sindicatos das categorias. Por sua vez, greve geral - como a ocorrida nesta sexta-feira 28/04 - é aquela promovida por uma ou todas as classes de trabalhadores do país, ou mesmo parte destas, de modo a somarem forças nos seus intentos de luta.

Como bem assinala a doutrina, a greve é uma forma de protesto do trabalhador e objetiva o atendimento de reivindicações. Perante tais considerações, então se indaga: a greve desta sexta-feira, cujas aglomerações eram mais de partidários políticos e até de pessoas pagas para estarem presentes, foi uma manifestação contra as reformas trabalhista, previdenciária e demais medidas impopulares do governo, ou apenas para desqualificar o governo vigente e fazer reacender a chama morta do petismo?

Sem medo de errar, afirma-se que a greve ocorrida teve a intenção unicamente partidária, não do partido do empregado, mas do partido político mesmo. E isto se comprova por alguns fatos. Impensável que a classe trabalhadora, responsável e coerente, saia às ruas para praticar vandalismos, saques, depredações de prédios públicos, destruição do patrimônio e violências de todos os tipos. Somente os fanatizados cometem tamanhas atrocidades, somente os esquerdopatas praticam tamanha barbárie contra o que encontrar pela frente.

Ou será que os incêndios, os fechamentos de vias públicas e rodovias, os estilhaçamentos vergonhosos, os vilipêndios praticados, foram realizados pela classe trabalhadora? Quem destrói o que encontrar pela frente, quem comete invasões a prédios e órgãos públicos, quem sai às ruas com armas escondidas, com máscaras encobrindo os rostos, com instrumentos de destruição de todos os tipos, certamente não é a classe trabalhadora.

Daí que, uma greve que bem poderia ter alcançado seus objetivos de luta das classes afetadas pelas recentes medidas governamentais, acabou sucumbindo ao vergonhoso e bárbaro partidarismo. Perdeu-se uma ótima oportunidade de mostrar força. Ganhou-se a mácula da serventia aos interesses abominavelmente escusos.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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JOSÉ RIBEIRO FILHO "ZÉ SERENO".

Por Geraldo Júnior

Ex-cangaceiro chefe de subgrupo do bando de Lampião.

Nasceu no dia 13 de agosto de 1913 na Fazenda dos "Engrácias" localizada no município de Chorroxó/BA. Filho de José Ribeiro e Lídia Maria da Trindade. Sua mãe (D. Lídia) era irmã dos cangaceiros Antônio e Cirylo de Engrácia (Ingrácia) e também irmã do afamado Faustino Mão-de-Onça pai do também conhecido cangaceiro Zé Baiano.

Zé Sereno ganhou esse apelido por causa de seu temperamento "aparentemente" calmo e tranquilo.

Ele e Sila sua companheira foram alguns dos cangaceiros que sobreviveram ao ataque da Força Policial Volante de Alagoas ao bando de Lampião, no dia 28 de julho de 1938, na Grota do Angico em Sergipe.
Na ocasião foram mortos Lampião, Maria Bonita, nove cangaceiros e um Soldado da Força alagoana.

Pouco tempo após a morte de Lampião o casal cangaceiro se entregou às autoridades e devido à colaboração com a justiça, foram anistiados e conquistaram a sonhada liberdade.

Diante das incertezas e das dificuldades o casal Zé Sereno e Sila, resolveu sair da região Nordeste e seguiram em direção à região sudeste do país. Uma viagem longa e cansativa, repleta de paradas, até chegar ao estado de Minas Gerais, onde permaneceram por algum tempo até decidirem seguir para o estado de São Paulo, onde se instalaram e recomeçaram suas vidas, longe das armas.

Na capital paulista Sila e Zé Sereno se estabeleceram, criaram seus filhos e terminaram seus dias de vida como pessoas de bem, honestas e trabalhadoras e em nada lembrando a época em que sob as ordens de Lampião, rumavam pelo Sertão em uma vida à margem da lei.

Zé Sereno faleceu na capital paulista no dia 16 de fevereiro de 1981 aos 67 anos de idade.

Sila (Ilda Ribeiro de Souza) faleceu na cidade de Guarulhos/SP no dia 15 de fevereiro de 2005, aos 86 anos de idade.

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo)

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AS VERSÕES SOBRE A MORTE DE ANTÔNIO FERREIRA IRMÃO DE LAMPIÃO.

Por Geraldo Júnior

A história do cangaço como sabemos é repleta de mistérios, mentiras e versões e o episódio que envolve a morte de Antônio Ferreira, irmão mais velho de Lampião, não poderia ser diferente.

Antonio Ferreira irmão de Lampião

Existem duas versões sobre a morte de Antônio Ferreira:

1) Apresentada pelo antigo Oficial pernambucano Optato Gueiros no livro “Lampião – Memórias de um oficial ex-comandante de Forças Volantes”, de sua autoria, diz que Antônio Ferreira teria sido baleado durante o combate da Serra Grande ocorrido no dia 26 de novembro de 1926. Optato Gueiros afirma que Antônio Ferreira saiu baleado do confronto e veio a falecer tempos depois em decorrência do ferimento.

Optato Gueiros caçador de cangaceiros

2) A versão apresentada pelo escritor e pesquisador paulista Antônio Amaury Corrêa de Araújo contesta a informação apresentada por Optato Gueiros. 

Escritores Antonio Amaury Correia de Araújo, Frederico Pernambucano de Melo e João de Sousa Lima

Segundo Antônio Amaury a morte de Antônio Ferreira ocorreu no princípio do mês de janeiro do ano de 1926, quando parte do bando de Lampião encontrava-se arranchado na Fazenda Poço do Negro de propriedade do Coronel Ângelo da Gia “Anjo da Gia”, conhecido coiteiro de Lampião. 

Coronel Ângelo da Gia

Na época, a fazenda Poço do Ferro pertencia ao município de Floresta e atualmente está integrada ao município de Ibimirim, ambas cidades pernambucanas. 

Neném do Ouro e seu companheiro Luiz Pedro

Conta Antônio Amaury que o cangaceiro Luiz Pedro estava deitado em uma rede quando Antônio Ferreira pediu para que ele se levantasse para se deitar, ao Luiz Pedro levantar-se da rede bateu com a coronha de seu fuzil no chão, o que ocasionou o acionamento da arma que estava destravada, ferindo mortalmente Antônio Ferreira.

A verdade é que esse assunto ainda vai ser motivo de debates e discussões por muito tempo e acredito que jamais chegaremos a um consenso sobre a veracidade do episódio envolvendo o cangaceiro Antônio Ferreira “Esperança”, irmão de Lampião. Possivelmente seja exatamente os mistérios, mentiras e versões que envolvem o universo cangaceiro que torna a história do cangaço tão fascinante e desperte a cada dia que passa a curiosidade de grande número de pesquisadores e estudiosos em torno do assunto.

E você...

... qual é a sua opinião?

Teria Antônio Ferreira sido realmente baleado durante o combate na Serra Grande e morrido em consequência dos ferimentos ou foi vitimado por um disparo acidental da arma de fogo do cangaceiro Luiz Pedro?

Adendo: http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Na minha humilde opinião a versão apresentada pelo historiador Antonio Amaury é a verdadeira. Por quê? O certo é que não teria sido criada esta história que a arma caiu e assassinou o Antonio Ferreira. 

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo)

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A CANGACEIRA QUITÉRIA

Pot Noádia Costa

Após a entrada de Maria Bonita no Cangaço no final de 1930, mais de 40 mulheres passaram a fazer parte dos vários subgrupos de cangaceiros. Algumas dessas cangaceiras não são tão conhecidas, e não se tem muitas informações a respeito de suas trajetórias no Cangaço.

Uma cangaceira não muito conhecida é Quitéria. Ela foi descrita pelo pesquisador Amaury como alta e branca. Acrescento nessa descrição seus cabelos enrolados , seu rosto com traços delicados e sua postura elegante. Quitéria era uma bela moça.

Da esquerda para a direita: Português, Quitéria, Velocidade, Pedra Roxa e Barra do Aço.

Era natural da Bahia e prima das cangaceiras Aristéia e Sebastiana. Quando falamos dessa cangaceira, sempre existe a seguinte dúvida : foi companheira de Pedra Roxa ou de Português?

O pesquisador José Bezerra Lima Irmão esclarece esse dúvida no livro Lampião a Raposa das Caatingas. Tal cangaceira foi companheira dos dois cangaceiros citados. Quando entrou para o Cangaço era companheira do baiano Argemiro Rodrigues de Sousa, que no Cangaço era conhecido pela alcunha de Pedra Roxa.

Pedra Roxa participou dos subgrupos de Corisco, Moita Brava e Português, em que ficou juntamente com Quitéria . Não sabia ele que nesse subgrupo seria vítima de uma grande covardia. Português encantando com a beleza de Quitéria , tomou a companheira de Pedra Roxa, que desgostoso e após o desentendimento com seu chefe deixou tal subgrupo. Vale ressaltar que Português teve como primeira companheira Cristina, que foi assassinada após trai-lo com o cangaceiro Gitirana. Quitéria então passou a ser a segunda companheira de Português.

Em entrevista ao jornal Estadão, a cangaceira Aristéia fez as seguintes afirmações em relação a Quitéria: " Quitéria era o capeta e fazia intriga contra Cristina, mulher de Português". E afirma que Quitéria era danada por Português ". Através do depoimento de Aristéia podemos perceber um suposto interesse de tal cangaceira por Português.

O romance entre Quitéria e Português durou apenas 3 meses. No final de dezembro de 1938, eles se entregaram a polícia. Português foi assassinado na prisão em fevereiro de 1939 pelo jovem Pedro Aquino, o motivo do crime: vingança. Português matou o pai do jovem que se chamava JoséTomás em 1936. E os filhos juraram se vingar de tal cangaceiro.

O assassino de Português entrou na prisão com a conivência da polícia. E não houve punição para o mesmo , pois era menor de idade. Quanto a bela Quitéria, segundo o escritor Bismarck Martins, ela cumpriu sua pena e não se teve mais notícias de tal cangaceira após sua saída da prisão.

Bibliografias Consultadas:
ARAÚJO, Antônio Amauri Correia de, -Lampião: as mulheres e o cangaço - São Paulo: Traço, 1985
LIMA IRMÃO, José Bezerra, 1946-Lampião a Raposa das Caatingas. 3° ed. Salvador: JM Gráfica & Editora Ltda, 2015.
OLIVEIRA, Bismark Martins- Cangaceiros de Lampião de A a Z. 1° ed. Impresso Adilson
brasil.estadão. com.br

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MARIMBANDA - VENHAM!

Por Zé Ronaldo

Alô amigos, e toda a sociedade pombalense, venham passar conosco uma tarde de lazer e música de qualidade para toda família com a renomada " MARIMBANDA ".


Um espetáculo musical para toda a família, inteiramente grátis.Você é o nosso convidado especial!

Apoio cultural BNB CULTURAL E CINE TEATRO MURARTE.

Zé Ronaldo

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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NOTORIEDADES DA HISTÓRIA.

Por Francisco Costa

RAMAL FÉRREO MOSSORÓ A SOUSA

Sabemos que muito pouco se tem do inesquecível Ramal férreo Mossoró a Sousa, mas o pouco que nos resta está em fotos e grandes documentos que não têm como esquecer dessa epístola enviada à memória de muitos Mossoroenses que gostam de história. 

Fotos ilustradas:

Estação ferroviária de Mossoró
Estação ferroviária de Alexandria
Caixa d'água da estação 101 km
Trilhos em Caraúbas
Composição de trem cargueiro em Patu
Trilhos prox. à serra da barriguda em Alexandria
Fotos Mossoró do passado

João Costa Neto
Blog Gmaia
Francisco Costa é Historiador.







Um dos maiores fenômenos de nossa história,símbolo de resistência em suas estruturas firmes que ainda sobrevive entre nós. Ponte Ferroviária de Mossoró




Adendo - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com.br/2014/02/despedida-do-ultimo-trem-de-passageiro.html

Enviado pelo professor, escritor. pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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NARRADORES DE CORDEL ARTE & DIVERSÃO GARANTIDAS

Por Assis Coimbra
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Aos poetas populares
Rendemos nossos louvores.
Ninguém é pós-graduado
Mas nas artes são doutores.
São brincantes, rabequeiros,
Trovadores, violeiros,
E exímios cantadores.

http://narradoresdecordel.blogspot.com/
Contato com Assis Coimbra: whatsApp : (11}9.4213. 7976

Enviado pelo poeta Assis Coimbra

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PALESTRA (GINÁSIO)

28/04/17 17:36:25: Benedito: https://youtu.be/wlOg8vp0ir8

Enviado pelo professor e escritor Benedito Vasconcelos Mendes

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FALECE CLAUDIOMAR: O ÚLTIMO DOS MOICANOS

Por Prof. José Antônio Albuquerque

A morte de Claudiomar Matias Rolim, aos 62 anos de idade, ocorrida hoje na cidade São Luís, capital do Maranhão, causada por um infarto fulminante, pegou a todos nós de surpresa.

Claudiomar tinha uma paixão sem medida por sua sempre amada e inesquecível cidade de Cajazeiras, onde nasceu em 10 de dezembro de 1954. Era formado em Economia pela Escola Superior de Economia e Negócios de El Salvador e atualmente era corretor de imóveis e construtor em São Luís. 

Claudiomar Matias Rolim

Era filho do ex-prefeito de Cajazeiras, Francisco Matias Rolim e de Dona Teresa Augusto Rolim e tinha mais duas irmãs: Ana Cleide, Assistente Social e reside na cidade de João Pessoa e Ana Célia, Médica Veterinária e reside em São Luís.

Claudiomar era casado com Irene Rolim e deixou três filhos: Claudiomar Rolim Filho, formado em Relações Internacionais, pela Universidade de Brasília, é gestor público e sua grande paixão é viajar pelo mundo e autor do livro “O mundo numa Mochila”; Caio Augusto e Claudio Augusto ambos moram em São Paulo.

Claudiomar externava todo o seu amor por Cajazeiras através de seu blog “O Último dos Moicanos”, onde postava diariamente notícias sobre tudo que se relacionava à Cajazeiras e seus filhos.

Deixa uma lacuna enorme entre nós e é mais um filho da terra que migrou sem retirar as suas raízes do solo cajazeirense e que sempre vinha beber na fonte sagrada das águas do Açude Grande. A sua presença era constante, principalmente em função da assistência que vinha prestar ao seu pai que já ultrapassou os noventa anos de vida.

Seu corpo será transladado para Cajazeiras e será sepultado no Cemitério Coração de Maria, no mesmo túmulo do seu primo-irmão Valiomar Matias, que morreu também muito jovem vítima de enfarto.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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AOS MESTRES COM CARINHO!

Por Assis Coimbra. (Engatinhante na arte da vida e do cordel)

Meu respeito aos professores
Que levam para as escolas
Teatro e literatura
Mesmo que fiquem *carolas!
Pois é bom propiciar
Ou até mesmo *aliciar
A vida como muita arte!
Pois só assim não teremos
Multidões que hoje vemos
LONGE ATÉ DA *SÉTIMA ARTE!


Não fazer uso seja que por processo for, sem a devida permissão do autor!
Direitos autorais protegidos
Pela Lei nº. 9.610 de 19/02/1998.

Contatos para trabalho!
Email: assis.coimbra@gmail.com
Fone e WhatsApp : (11)9.4213. 7976 / (11) 9.6058-0639
Imagem: Apresentação do Grupo narradores de cordel

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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DAVID JURUBEBA DESAFIA LAMPIÃO PARA UM DUELO NO PUNHAL


David Gomes Jurubeba, assim era seu nome na pia batismal, nascido no dia 31/12/1902, na cidade de Floresta - PE, filho de Militão José dos Santos e Maria Gomes Jurubeba.

Alistou-se na Policia Militar de Pernambuco no dia 10/08/1923, isto é, com 21 anos de idade. Entretanto, antes de alistar-se já havia travado diversos combates com os cangaceiros, principalmente com os cabras de Lampião. Seu batismo de fogo se deu aos 17 anos, ao lado de seu tio, Gomes Jurubeba, homem a quem ele dedicava verdadeira veneração e cujas ordens e diretrizes eram cumpridas integralmente. Por seu espírito de comando e estratégia de luta dentro das caatingas chegou a chefiar várias volante. Dentre os nazarenos mortos sob a mira dos cangaceiros, um deles foi seu irmão Olímpio, que na época contava com apenas 17 anos de idade. Davi Jurubeba combateu Lampião até o ano de 1931.

Ao deixar as volantes, desempenhou as funções de delegado e comandante de destacamento em Serra Talhada, Afogados da Ingazeira, Flores, Custódia e Triunfo, isto no período de 1932 a 1942.

A efervescência política e social que o Brasil estava mergulhado em 1935 - A INTENTONA COMUNISTA - Davi Jurubeba, então delegado de Afogados da Ingazeira, foi designado para combater os rebeldes em Tapera, município de Vitória de Santo Antão, obtendo ali, a rendição do Capitão Meireles. Avançou com seus homens até Moreno, onde houve renhido combates, findo os quais forçou a rendição da guarnição rebelde. No período de 31/08/1942 a 23/08/1943, serviu no Recife, considerada zona de guerra pelo Decreto Federal nº 10.490 de 25/09/1942. Foi reformado na graduação de 2º Sargento pelo ato Governamental nº 1366 de 23/10/1944 e , através da lei nº 4245 de 13/12/1961, promovido ao posto de 2º Tenente, em reconhecimento pelos relevantes serviços prestados ao Estado de Pernambuco na luta contra o cangaço.

SUA MORTE - O Tenente David Gomes Jurubeba faleceu no dia 07/10/2001, no Hospital da Policia Militar de Pernambuco, no Recife, com quase 99 anos de idade e 45 dias após ter sido acometido por um AVC. Foi sepultado no cemitério de Serra Talhada, com honras militares, prestadas pelo 14º Batalhão da Policia Militar, sediado nesta cidade.
O TIROTEIO DAS BAIXAS

Em uma entrevista perguntaram a Davi Jurubeba, qual o momento mais difícil e marcante que tivera nos confrontos com Lampião?



Davi respondeu:

"- Foi no tiroteio das Baixas - onde morreu meu irmão Olímpio - e o de um lugar denominado Jacaré, onde constatei a bravura e resistência de Lampião, vendo a hora eu e minha gente partir desse mundo pelas balas dos cangaceiros. Mas que mesmo assim, botamos os bandidos para correrem".

Continua David Jurubeba:

" - Fazia um tempão que ninguém ouvia falar de Lampião. As noticias eram as mais desencontradas possíveis. Falar se falava, mas ver o homem mesmo, pra peitar, isso não.

Até que um dia ele apareceu de supetão, próximo a Nazaré, na fazenda Paus dos Leite, onde, no momento, um parente meu, Pedro Tomáz, estava dando uns mergulhos no açude. O coitado saiu na maior carreira, nu, debaixo de pilherias e galhofas dos cangaceiros, em direção à Nazaré.

Aí se juntou um punhado de homens armados, inclusive eu, Tomáz e seu pai, Tomáz Gregório. Seguimos os rastros. Constatamos pelas pegadas serem quinze homens que rumaram em direção da fazenda Baixas, uns doze quilômetros do povoado. Chegamos na frente da casa da fazenda, nos posicionamos nos currais que ficavam depois do grande terreiro.

Esperei um pouco, nenhum movimento ou voz, aí gritei:

" - Lampião, filho da puta!".

Aí foi tiro pra todos os lados. Nós eramos apenas cinco. Mas mostramos que nazareno que se preza, um vale por dez.

Enquanto a gente amolegava o dedo no gatilho, gritava impropérios. Aí comecei a puxar um assunto que apoquentava Lampião:

" - Lampião, bem que Zé Saturnino dizia que você não é homem bosta nenhuma".

Menino, o cabra ficou mais azedo ainda! Aí gritava mais alto:

" - Num fale daquele cabra safado. Aquele sim, é um ladrão de bode, desordeiro e mentiroso".

E tome bala. Tome gritos. Desaforos. Já eram duas horas da tarde quando resolvemos cair fora do local da luta. Estávamos com muita sede, pouca munição, os olhos ardendo com o fedor e o fumaceiro da pólvora, e a vantagem era dos cangaceiros.

Eles, dentro de casa, com mais homens. Nós, protegidos pela cerca do curral e com apenas cinco nazarenos. Saímos de fininho. Um a um.

A certa distância nos encontramos todos os companheiros no ponto previamente combinado e íamos em direção a Nazaré, com muita fome e sede, mas com vontade de brigar. De repente vimos chegando ao nosso encontro sete homens, eram eles: meu tio Gomes Jurubeba, Manoel Flor, Manuel Jurubeba, Euclides Flor, Inocêncio, meu irmão Olímpio e outro parente. Meu tio foi logo dizendo:

" - Vamos brigar! "

Comemos uns pedaços de queijos e rapadura. Tomamos bastante água. Reabastecemos as armas. Criamos alma nova e partimos mais uma vez pro palco das brigas. Já havia se passado quase duas horas do primeiro fogo. Agora éramos doze nazarenos.

Ninguém percebia nossa presença se arrastando rente ao chão, tomando as posições no mesmo curral para liquidarmos com os cangaceiros que continuavam ocupando a mesma casa como se nada tivesse acontecido.

De cara vi logo Lampião.

Estava meditativo, encostado na janela, alheio ao tempo, com a cabeça nas nuvens.

Fiquei olhando pra ele e vi, não apenas o cangaceiro meu inimigo, mas o cabra macho que ele era, altivo, jamais dobrou o lombo pra quem quer que seja.

Tinha palavra.
O que falava era lei.
Cumpria o prometido.
Acima de tudo, era valente.

Ele continuava vagando nos pensamentos. Aí me organizei pra atirar. Pus a cabeça dele bem dentro da alça da mira do meu rifle.

Era o fim de Lampião.

Quando espremi o dedo no gatilho, vi que estava travada.

Mentalmente soltei um palavrão.

Fui destravar a arma silenciosamente, mas teve o " clic "inevitável.

Nesse exato momento Lampião deu uma cambalhota pra trás, correu ziguezagueando, e nós atirando no homem que mais parecia um gato acuado fazendo todo tipo de pirueta, quando chegou no pé da porta da casa, pulou pra dentro numa velocidade impressionante.

A estas alturas, os cangaceiros respondiam o tiroteio.

Por um instante pensei ter eliminado com Lampião. Perdi a ilusão quando escutei sua voz:

" - Tá vendo David, todos os homens de Nazaré não vale um só de minha marca".

Aí respondi:

" - Mas ainda hoje mando você roubar bode no inferno".

Era tanto palavrão com a gente e com nossas mulheres, que muitas vezes não vale a pena repetir.

Mas o tiro corria frouxo. Era uma barafunda infernal.

Os cangaceiros tanto atiravam como gritavam arremedando os animais, cantando, parecia até que não tinham medo e a coragem pra brigar ia às bordas da insanidade.

De repente Pedro Tomáz me puxou pelo braço e mostrou-me meu irmão Olímpio, ferido, com um tiro na espinha, mesmo no meio das costas. Foi um banho gelado em mim, fiquei mudo, com medo do pior acontecer.

Sentei-me ao seu lado, pus sua cabeça na minha perna. Nunca pensei na minha vida vê um irmão meu naquele estado, deitado no chão, se esvaindo em sangue, dizendo coisa por coisa. Cada vez mais pálido e gelando. Para desfechar com mais dor este momento, uma bala lhe atingiu a cabeça, quase me ferindo também.

Fiquei louco.
Não enxerguei mais nada.
Cego de dor e ódio, gritei:
"- Lampião, Olímpio morreu! "

Todo mundo parou de atirar. Tanto os cangaceiros como nós.

Saltei de peito aberto pro meio do terreiro, gritando pra o sertão inteiro escutar:

" - Lote de cangaceiros filhos da puta! Lampião, seus tiros acabou com a vida do meu irmão. Vamos agora, nós dois, decidir nossas vidas na ponta do punhal. Venha Lampião, vamos disputar num duelo".
Lampião calmamente respondeu:

" - Sinto muito pela vida de Olímpio. Conheci bem de muito tempo. Era um menino, noivo, trabalhador. Eu, David, comecei a lutar mais novo do que ele, mas nunca disse que era novinho e bonzinho. Quando mataram meu pai eu tinha a idade do Olímpio... Quem sai pra chuva vai se molhar. Quem parte pra briga, corre o risco de morrer".

Voltei a insistir:

" - Vamos decidir na faca, só nós dois". 

Mais uma vez recuou:

" - David, não brigo com quem está querendo morrer.

Você está desesperado.

Se está querendo morrer, empurre a faca na sua barriga.

Agora mesmo estou com dois refles apontados pra você. Se mandar os meninos atirar, eles atiram. Volte para seu lugar e recomeçaremos a briga".
Sair andando para minha posição, cada passo que dava era um tiro que disparava em direção a porta que Lampião estava. Ao chegar no local que me entrincheirava, recomeçou o tiroteio.
Pouco mais de vinte minutos depois, tomba morto outro dos nossos, foi Inocêncio. Jovem como Olímpio.
A partir daqui estávamos com gosto de derrota na boca.
Os tiros não tinham piedade.
A tarde estava cedendo lugar pra noite, quando saímos das Baixas levando os dois corpos dos companheiros, mais do que isso, um irmão e um primo.
Foi luto em Nazaré e na minha alma, até hoje. Isso foi no ano de 1924, o mês não me recordo direito, tenho anotado, no óbito e nos documentos, mas não me lembro assim de cor, só sei que era tempo de safra de umbu.


Do livro: Lampião, nem herói nem bandido, a história
De: Anildomá Willans de Souza


Publicado no facebook por José João Souza
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