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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

MOVIMENTO LAMPIÔNICO X MOVIMENTO TROPICALISTA

Por Analucia Gomes

A realidade política e social no nordeste no período do cangaço era bem diversa de hoje (embora muitas relações ainda subsistam, sobretudo as relações de poder local e a pobreza de parte significativa da população), a precárias condições de vida nas quais se encontrava uma grande maioria de sertanejos desvalidos de todos os cuidados das autoridades competentes, o chamado banditismo social configurou-se como uma forma, de resistência, de protestos, numa ânsia de vida sem leis. 


O confronto à bala sempre foi o cartão de visita que o aguardou pelos grotões dos sete estados nordestinos que atuou, sobretudo quando não contava com seus coiteiros figadais. O movimento Tropicalista também teve inicio no nordeste, foi num Brasil da Ditadura Militar (1964-1985), que a Tropicália vicejou. Na impossibilidade de falar abertamente contra a Ditadura; em suas canções, os tropicalistas tinham como principal característica o deboche e a ironia. Ao contrário dos cangaceiros que eram nordestinos rudes, os tropicalistas eram intelectuais. Como os cangaceiros, os tropicalistas apresentaram ao público um forte apelo visual em suas propostas. 


Acreditavam que “o meio é a mensagem” e a roupa “é um prolongamento do corpo”, a imagem passava a ser tão importante quanto às ideias presentes em letras de música e declarações públicas. Finalizando, o homem foi criado livre, porém o interdito que veio com a civilização recalcou essa liberdade. Desde então o homem vagueia em sua busca, seja na força do querer ou na poesia. Pesquisa coloquiodehistoria@gmail.com. Fotos net.

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SÓ VAI À FORÇA

Clerisvaldo B. Chagas, 30 de agosto de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.727

Dizem que tudo tem o seu dia. E não poderia ter sido noticiado fato melhor para o estado de Alagoas, principalmente para a capital.  Pelo que saiu através de órgão noticioso, os eternos problemas que afligem a bacia do riacho Reginaldo estão perto do fim. Isso, graças ao responsável pela criação da força-tarefa, o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar, que acredita ver resultados em médio prazo. É finalizada a primeira etapa da força-tarefa para recuperar a bacia do riacho Reginaldo. Foram realizados levantamentos sobre impactos ambientais e o comprometimento da bacia com grande quantidade de sujeira ali jogada, lançamento de esgotos, pouca água das nascentes, poluição, mau cheiro, ocupação irregular às margens e falta de preservação da mata ciliar e das áreas de nascente.
SALGADINHO, TRECHO DO REGINALDO. Foto: (Agência Alagoas

             Na força tarefa atuam três promotores de Justiça: Promotoria de Justiça, em áreas diferentes.
Em setembro terá início a próxima fase quando serão ouvidos entes públicos e privados para formação de ações que possam minimizar os dados detectados na primeira fase. E com a segunda fase desse trabalho, com o envolvimento de vários órgãos públicos e privados e com a própria população do vale do Reginaldo, espera-se grande melhoria desse problema que se arrasta por décadas. O Reginaldo é o mais famoso riacho de Maceió e que foi transformado em esgoto. Veja um pequeno histórico publicado pela mesma fonte:
 “A Bacia do Reginaldo é uma homenagem ao juiz Reginaldo Correia de Melo, que atuava junto a órfãos da Vila Massayó, antigo nome da cidade de Maceió, no final do século XIX. Também chamado de Massayó ou Rego da Pitanga, seu trecho mais famoso é o Riacho Salgadinho, que vai da ponte do bairro do Poço até o mar. Ao todo, o rio possui uma área de 30 Km². A extensão do leito principal é de 13,5 Km, iniciando nas proximidades do Bairro Benedito Bentes e desaguando nas águas da Praia da Avenida. O Reginaldo é uma bacia urbana, totalmente dentro dos limites da capital. Alguns outros principais problemas são a ocupação urbana desordenada, que dificulta a administração dos serviços relacionados à água, esgoto, drenagem e a falta de educação ambiental junto aos moradores”.
Em Santana do Ipanema, jamais será solucionada a mesma coisa que ocorre com o trecho final do riacho Camoxinga a partir da Rua Santo Antônio; e com o trecho urbano do rio Ipanema a partir da parte inferior da barragem.
Só uma força-tarefa com o Ministério Público pode resolver. Alerta, sociedade MUDA santanense!

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ADEUSES

*Rangel Alves da Costa

O adeus, quando deixando marcas no coração de quem fica, já é motivo suficiente para o entristecimento e a desesperança. Adeuses desejando retorno, adeuses sem ao menos imaginar a possibilidade de reencontro, adeuses chorosos e lacrimejantes pela certeza de ter sido aquela a última visão. E na partida, apenas a distância de uma estrada e uma porta que talvez nunca mais seja aberta para o reencontro, o olhar e o abraço.
Mas também há outros adeuses nos instantâneos da vida. Pessoas que passam, cativam no olhar, sorriem com a alma, mas já vão seguindo adiante para um nunca mais. E no vulto sumindo, nos passos sumindo, apenas a vontade de reencontrar. Revoadas assim todos os dias. Como pessoas e pássaros de arribação que vão sumindo em adeuses pelos horizontes.
De repente me vejo imaginando sobre situações aonde os breves encontros já chegam acompanhados de adeuses. Pessoas são avistadas, olhadas, diferenciadas pelo olhar, causando boas e estranhas sensações, trazendo consigo algum tipo de relembrança, mas num instante já desaparecem em meio aos outros ou nas distâncias da estrada.
Com as folhas mortas também acontece assim. E igualmente com borboletas, colibris e flores da estação. Tudo surge num instante para não mais serem avistados. As folhas passam em voo pela janela dizendo adeus. Em época primaveril, os visitantes chegam a voar pelo quarto, a pousar no umbral da janela, a fazer rasantes sobre o umbro e a cabeça, como se fizessem um carinho de despedida.
Pessoas existem que surgem diante do olhar de modo espantosamente diferenciado. Ao encontrá-las é como as estivessem apenas reencontrando, pois de feições aparentemente conhecidas de algum lugar, de algum passado, de alguma outra situação de vida. Olhar no olhar, e tudo parecendo em comunhão espiritual. Contudo, de repente passam, seguem, vão embora sem uma palavra sequer.
Em meio à multidão, numa rua qualquer de capital, de repente o olhar divisa outro olhar na distância. Há muitos olhos ao lado, nas proximidades, mas o olho encontra exatamente um de alguém que está meio à floresta de gente. Aproxima-se um pouco mais, mas ao chegar mais próxima tem a certeza que não conhece aquela pessoa. Contudo, tem máxima certeza que a conhece de algum lugar, de um algum instante de vida. Mas de onde?
Também é muito comum que o olho se espante ante o avistado. Surgem cenas tão impressionantemente marcantes que a pessoa sequer deseja se desapartar daquele instante. Um pedinte numa porta de igreja, uma criança que passa ao lado da mãe e lança um olhar e um sorriso tão profundos que mais parece um presente abençoado. No entanto, ao olhar novamente o menino, já não o encontra mais com a face voltada em olhar e sorriso.
As folhas velhas ou fragilizadas pelas ventanias, já caem dizendo adeus. São lenços que se estendem pelo ar e depois jazem encharcados pelos canteiros. Folhas mortas, enferrujadas, envernizadas de tempo, que pouco tempo atrás vicejavam no alto, simplesmente caindo inertes sobre o leito encharcado de restos de outras folhas. São os adeuses daquilo que um dia foi viço, foi seiva, foi verdor, foi natureza em flor. Mas em partida lenta e melancolicamente poética.
Um velho que dava milho aos pombos na praça do antigo palácio, certa feita me confidenciou uma coisa. Disse o homem em sua sabedoria: Conheço todos os pombos daqui. Sei os que chegam e sei os que partem e não voltam mais. Acostumaram tanto com minha presença que quando aqui chego já os encontro ao redor desse banco. Se o banco está ocupado, sequer se aproximam. E quando vou embora, não demora muito e eles também levantam voo. De repente vou seguindo e um pombo pousa bem no meu ombro.
O pombo adiou sua despedida, seu voo, seu adeus daquele dia. Mas nem sempre acontece assim. Os olhos e o coração testemunham as partidas sem retorno e os adeuses que se eternizam na saudade.

Escritor
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BARRÃO 70

Por Eronildo Barbosa

Caro Jerdivan Nóbrega de Araujo , parabéns pelo artigo que trata da história dos loucos de Pombal/PB. Da loucura explícita, real, mansa, muito diferente dos loucos de hoje.Dos que se fazem de loucos para comer o coveiro, como dizia sarcasticamente o finado Garcia, cachaceiro de primeira, e velho jogador do São Cristóvão.

Meu louco preferido era Barrão.

Era um homem baixo e moreno. Andava meio cambaleando, como se fosse cair, sempre com um saco no ombro e uma lata de goiabada na mão que também servia de prato.

Acho que era natural de Patos.

No tempo que o conheci ele ficava no antigo Posto Texaco, perto da minha casa, na Rua Odilon Lopes com a antiga Rua da Rodagem, cujo proprietário era Lauri Paixão, a quem Barrão tinha grande respeito.

O fato de escolher um posto de gasolina como local de moradia mostra que ele era diferenciado. Como gostava de viajar, de passar períodos em cidades diferentes, estando em um posto facilitava a carona.

Assisti dezenas de vezes ele partir para cima de mulheres e moleques tendo como arma uma pedra ou sua inseparável lata de goiabada.

Os moleques, eu, no meio, se escondiam por traz dos caminhões e berravam: barrão, barrão, barrão... Ele batia a lata na cabeça e partia em nosso encalce. Claro que nem chegava perto. Se fosse hoje...

Conversei algumas vezes com Barrão. Ele não guardava magoa. A sua revolta era momentânea. Era uma resposta a quem insistia em lhe desrespeitar.

Nas conversas, geralmente com adultos por perto, ele falava que era valente e que ia meter bala na gurizada.

Lauri Paixão, certa feita, para ver se ele tinha alguma noção sobre arma tirou as munições e o entregou seu revolver 38. Ele pegou a arma, mas, rapidamente, a devolveu. Não tinha a menor intimidade. Não sabia nem pegar no cabo.

Seu conhecimento de arma era igual ao do nosso conector maior, José Tavares, Boquinha para os íntimos, cujo revolver é a caneta, alias, as teclas mágicas do seu computador, que diariamente manda belas balas para o Brasil e para o mundo, recheadas, sempre, de informações relevantes e picantes sobre a vida na terrinha.

Principalmente de assuntos políticos. As balas do Boquinha, na verdade, foram eficientes nessa campanha eleitoral.Acertou importantes alvos.

Mas, Barrão, por sua vez, a exemplo do velho ponta esquerda de Pombal, Dilau, gostava de brigar com a arma mais primitiva que o homem criou: a pedra. Hoje, passados quase quarenta anos desses fatos, se pudesse pedia desculpas, humildemente, aos loucos de Pombal, em especial a Barrão. Esses homens, com suas perturbações e genialidades, como dizia minha mãe, dona Zuíla, deixaram suas marcas na nossa Pombal de antigamente.

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 29 de março de 2009.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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LIVRO LAMPEÃO EM 1926 DO ESCRITOR LUIZ RUBEN F. DE A. BONFIM

Autor Luiz Ruben
Introdução

Virgulino Ferreira da Silva de alcunha Lampião, foi o cangaceiro mais conhecido do Brasil, sendo a partir de 1926, oficialmente, capitão do batalhão patriótico, e ainda, segundo a imprensa “uma revivescência cabocla de Átila”, ou “Lampeão o Átila sertanejo”, ou ainda, “O Imperador dos Sertões. Esse ano foi sem dúvida muito especial para consolidação de sua fama. Era o seu sétimo ano de banditismo sendo o quinto como chefe de bando.


Apresento neste trabalho a transcrição de matérias dos jornais publicadas no ano de 1926, em que Lampião, com seus companheiros de armas, foi protagonista das notícias ligadas a sua atuação nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Ceará.

Não faço afirmações nem análise, apenas coloco à disposição dos pesquisadores e estudiosos, os fatos como eles foram divulgados na época em que aconteceram. Faço somente a atualização dos nomes das cidades na época relacionada ao ano de 1926: Vila Bela, hoje Serra Talhada-PE, Paulo Afonso, atual Mata Grande-AL, Meirim, atual Ibimirim-PE, Leopoldina, atual Parnamirim-PE, povoado Nazaré ou Carqueja, atual Nazaré do Pico, Floresta-PE, Alagoa de Baixo, atual Sertania-PE.

A iconografia deste trabalho está restrita ao ano de 1926, com algumas exceções para enriquecer as transcrições que seguem em ordem cronológica, mas, os jornais não cumprem nenhuma prioridade geográfica, sendo o critério utilizado na pesquisa, o tratamento jornalístico por cada órgão noticioso, mês a mês. Observem que a imprensa apresenta o nome Lampeão sempre grafado com “e”, mas, em novembro de 1926 o Jornal Pequeno grafou com “i”, foi um fato isolado e mesmo depois vemos sempre a palavra escrita com “e”, Lampeão.

As matérias mostram a efervescência política do momento, com discussões e opiniões, cartas de leitores, com denúncias que retratam a genuína preocupação dos habitantes daquelas paragens, para que os jornais divulguem os tormentos passados, nas diversas localidades de ação dos cangaceiros, instigando o poder público, cobrando uma ação mais efetiva. Fica claro também a preocupação do estado na luta contra o banditismo, apresentando os telegramas trocados pelas autoridades, as justificativas pela demora em conter o bando de Lampeão ...

A imprensa oposicionista denuncia o governador de Pernambuco que proíbe a divulgação dos telegramas informando a atuação dos cangaceiros no interior do estado.

As primeiras medidas tomadas pelo governador Estácio Coimbra ao assumir o governo de Pernambuco, conjuntamente com o governador de Alagoas, senhor Costa Rego, foi ordenar a prisão dos proprietários sertanejos que protegiam o bando de Lampião, isto em dezembro de 1926.

Um ano em que o próprio congresso nacional sediado na época, no Rio de Janeiro, que era a capital do Brasil, através de seu representante se dedicou nas sessões legislativas para tratar do legalismo em que Lampião foi levado, através das articulações do padre Cícero, prefeito de Juazeiro do Norte, e Floro Bartolomeu deputado federal pelo Ceará, na luta do governo de Artur Bernardes contra o movimento tenentista e sua coluna denominada de Prestes e Miguel Costa.

A imprensa fala sempre das correrias do bando de Lampião e que ele não enfrenta a polícia. Veja o que o Dr. Atualpa Barbosa Lima, então um conhecido político cearense, que esteve na região do Cariri responde ao redator do Correio do Ceará, sobre essa questão. Segundo o Dr. o irmão de Lampeão teria lhe dito “primeiro porque não tem interesse em matar soldados, pois o governo tem muitos para substituir os que morrem, segundo porque gastam inutilmente a sua munição, terceiro porque se desviam dos seus fins, que é para matar e roubar a quem tem dinheiro e joias, quarto porque arrisca a pele sem proveito. Brigamos, em último caso, quando não há meio de escapulir, aliás, o segredo de nossa vitória está em que sabemos brigar e fugir na ocasião precisa. Achamos sempre melhor correr, do que brigar, e quem sabe correr raramente morre”. Nessa entrevista o Dr. Atualpa faz declarações de fatos que ainda não foram confirmados.

Para aqueles que duvidam da liderança de Lampião com seus cabras, leiam neste trabalho o trecho do jornal quando o caixeiro da Standard Oil Company fez o pedido para que o cabra de Lampião devolvesse a sua aliança de casamento.

Em outubro de 1926 aparece a notícia de “Lampeão, o Bonelli Brasileiro”, talvez a primeira tentativa de publicação de um livro sobre Lampião. Ao que parece não foi publicado.

Interessante também a entrevista do professor Lourenço Filho, importante figura nacional, sobre o lançamento de seu livro “Juazeiro do Padre Cícero”, onde ele aborda as relações do padre com o cangaço.
Acrescentei uma matéria de setembro de 1933, para enriquecer um fato relevante acontecido em 1926. Trata-se da entrevista feita com Pedro de Albuquerque Uchoa, “ajudante de inspetor agrícola no Juazeiro”, sobre sua participação no episódio da lavratura da patente de capitão do batalhão patriótico do Juazeiro a Lampião e de tenente ao seu irmão Antônio Ferreira.

Estive na capital de São Paulo cerca de 10 vezes, tendo sido hóspede do mestre Antonio Amaury. Nas nossas longas conversas sobre o cangaço, fiz-lhe inúmeras perguntas e ele me respondeu todas. Certa vez perguntei ao mestre quem estava com o padre Cícero e Lampião quando este recebeu a patente de capitão do batalhão patriótico do Juazeiro do Norte. Eis a resposta: - eu entrevistei João Ferreira, irmão de Lampião testemunha ocular do fato, que estava acompanhado de sua esposa Joaninha, ele já um homem feito, com 22 anos de idade. Sobre os presentes no local ele me falou que recordava que estavam presentes no recinto no momento em que Pedro de Albuquerque Uchôa escrevia as patentes: ‘além de Lampião e Padre Cícero, Benjamim Abrahão, meu irmão Antônio Ferreira, Sabino, Luiz Pedro’, e lembrou-se que João Ferreira pouco depois cita Zabelê, além de uma quantidade não contada de outros cangaceiros no recinto.

A data da morte de Antônio Ferreira, sempre me causou dúvidas, pois pesquisadores escreviam que foi em janeiro de 1927, mas, nas minhas pesquisas a imprensa informava que o fato ocorreu entre 10 e 15 de dezembro de 1926. Vejam na matéria do Jornal do Recife de quinta-feira, 16 de dezembro de 1926: “Corre com insistência, aliás, com algum fundamento, pelo sertão, que o célebre bandoleiro Antônio Ferreira, irmão e ‘lugar tenente’ do bando chefiado por Lampião foi morto em dia da semana passada, nas imediações do lugar Poço do Ferro, do município de Tacaratú.” Esse jornal publicou com detalhes, inclusive o acidente com Luiz Pedro. Já o Diário de Pernambuco do dia 18 de dezembro publica que foi uma luta travada com a polícia no município de Floresta, dias depois, essa mesmo jornal repete a versão do Jornal de Recife.

Nesses anos todos de pesquisa em jornais e outros documentos, observei que nunca foi consenso a quantidade de cangaceiros divulgada pela imprensa ao longo do ano de1926, que variava entre 49 e 200 homens.

Surpreendeu-me a diferença dada a fatos como a batalha de Serra Grande, e o sequestro praticado por Lampião, do representante da Souza Cruz e Standard Oil Company, ocorridos na mesma semana. A batalha foi pouco explorada e divulgada, no entanto, o sequestro foi muito bem documentado, com entrevistas e matérias de vários jornais.
Alguns fatos que foram publicados no período proposto por esse trabalho não foram destacados, embora tenham a mesma importância dos que foram aqui lembrados.

Boa leitura
Luiz Ruben F. de A. Bonfim

Economista e Turismólogo - Pesquisador de Cangaço e Ferrovia

Para adquirir esta obra entre em contato com o escritor Luiz Ruben através deste e-mail: 
luiz.ruben54@gmail.com

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O DESRESPEITO AO PROFESSOR...


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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I SEMINÁRIO DOS DIREITOS HUMANOS DE 26 A 28 DE OUTUBRO DE 2017


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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LAMPIÃO NA REVISTA “MITOS DA HISTÓRIA DO BRASIL” MENTIRAS HISTÓRICAS

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Em referência ao texto de Maria Carolina Vieira, Revista TOP 10, ano 1, nº 1  2014, páginas 36 à 39, com o Título: “ROBIN HOOD ÀS AVESSAS”, torna-se necessário as análises dos especialistas do tema, com o intuito de reparações históricas para que os erros das informações não se repitam e não se propaguem.
Na página 36, salvo o direito de expressão e criação do artista, sem essa balela de homofobismo, a imagem do ROBIN HOOD ÀS AVESSAS aparece com uma calça tão justa que faria inveja aos componentes da banda “Restart” e a Zezé de Camargo, figura que causaria no mínimo espanto e reprovação aos olhos dos sertanejos, estilos diferenciados ao que se usava na época do cangaço. No texto da foto cita que as estrelas dos chapéus eram pintadas e na verdade as estrelas eram confeccionadas em couro e costuradas.
Citando a entrevista de Lampião ao médico Octacílio Macedo, a jornalista diz que o cangaceiro justificava seus atos agindo como se fosse um movimento social e pra se fazer esse questionamento torna-se necessário uma análise mais complexa e aprofundada, questão pra ser levada ao leitor não como afirmativa e sim analítica, até porque Lampião não tinha aspirações políticas-sociais nenhuma; Ele nunca deixou transparecer nada em relação à concentração de terras nas mãos de uma minoria. Essa não era uma preocupação do cangaço.
Na página 38 o texto começa dizendo que “o cangaço nasceu como opção para tirar à força aquilo que não tinham meios legais de alcançar”….. Na verdade essa é uma justificativa  muito vaga. O cangaço surgiu por várias consequências sociais, burocráticas  e diversificadas. Muitos homens e mulheres entraram no cangaço por motivos diferenciados. O texto diz ainda que os cangaceiros se escondiam no Agreste e a verdade é que a maior parte do tempo o lugar de esconderijos dos cangaceiros era no Sertão, nas caatingas; No Agreste eles tiveram passagens esporádicas e por curto tempo..
Lampião nunca ganhou fama como sendo “O ROBIN HOOD DO SERTÃO” como afirma a sequência do texto; Na verdade essa comparação surgiu anos depois da morte de Lampião, de análises individuais de alguns pesquisadores e fãs do Rei do Cangaço.
No tópico “CHUMBO PRA TODO LADO” é citado que o cangaço em alguns momentos foi dissolvido pela ação dos coronéis. Quando aconteceu isso? Os coronéis, muitos deles, foram coniventes e apoiaram o cangaço. Na sequência cita que o dinheiro dos cangaceiros era pra cobrir despesas do próprio grupo e o que sobrava era pra ser distribuído como esmolas.  Essa é uma afirmativa inverídica; Em todos os meus anos de pesquisas e entrevistas eu nunca ouvi falar isso. Fato que comprova o que digo é que nas mortes dos cangaceiros havia com eles uma verdadeira fortuna. Só quem não estuda o tema com o necessário rigor histórico afirma esse tipo de coisa.
Na página 39, em destaque, a jornalista cita como verdade, três histórias que todos conhecem  como “Lendas do Cangaço”; aquelas velhas “ESTÓRIAS” que faz rir os pesquisadores sérios: A velha história do Sal, Lampião aparando criancinhas na ponta do punhal e o rapaz dos testículos trancados na gaveta. Esses fatos só são propagados por “curiosos”  que acham estarem contando verdades  históricas e acabam propagando mentiras.
A esquerda Rostand Medeiros, responsável pelo Blog Tok de História, ao centro João de Souza Lima e Juliana Pereira Ischiara, advogada cearense, em um encontro de pesquisadores do tema cangaço, em Juazeiro do Norte, Ceará. Todos que estão nesta foto são membros da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
A esquerda Rostand Medeiros, responsável pelo Blog Tok de  História, ao centro João de Souza Lima e Juliana Pereira Ischiara, advogada cearense, em um encontro de pesquisadores do tema cangaço, em Juazeiro do Norte, Ceará. Todos que estão nesta foto são membros da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço

No texto “PELO AMOR DE UMA MULHER”, começa dizendo que o nome de Maria  Bonita é Maria Déa Neném. Um absurdo, pois todos que pesquisam o tema sabem que o nome de Maria Bonita é Maria Gomes de Oliveira. Bastava uma simples ida da jornalista ao GOOGLE para descobrir esse detalhe simples.
Lampião e Maria Bonita se conheceram em 1929 e não em meados de 1930 como diz na revista. Maria não fugiu largando o marido para ir com Lampião, na verdade Maria e Zé de Nenê estavam separados há 15 dias e ela estava na casa dos pais.
Nas referências,  intitulado: “DESCUBRA MAIS” é indicado o filme Lampião, o Rei do Cangaço, de 1964, como fonte de informação.
Já pensou em aprender sobre o cangaço assistindo um filme de ficção? Que pesquisadores teremos?
Francamente, exijo que a história seja levada mais a sério e os oportunistas de plantão se conscientizem que os fatos históricos desse período merecem um cuidado especial, pois fazem parte da história do Brasil.
Paulo Afonso, 05 de Junho de 2014.
João de Sousa Lima  Escritor e pesquisador do cangaço, autor de seis livros sobre o tema e mora na cidade de Paulo Afonso, na Bahia.

https://tokdehistoria.com.br/2014/06/05/lampiao-na-revista-mitos-da-historia-do-brasil-mentiras-historicas/

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MORTE DE DIANA, PRINCESA DE GALES

HOJE, 31 DE AGOSTO DE 2017, ESTÁ COMPLETANDO 20 ANOS QUE A PRINCESA DE GALES DIANA FALECEU.
Revista Glamour - https://www.google.com.br

Em 31 de agosto de 1997Diana, Princesa de Gales, foi morta em um acidente de carro dentro do túnel da Ponte de l'Alma, em Paris, na França, acompanhada de seu então namorado, Dodi Al-Fayed, e com o motorista deles, Henri Paul. O guarda-costas de Fayed, Trevor Rees-Jones, foi o único ocupante do carro que sobreviveu ao acidente.

Uma investigação judicial francesa de dezoito meses concluiu, em 1999, que o acidente de carro que matou Diana foi causado pelo próprio chauffeur, o qual perdeu o controle do veículo em alta velocidade enquanto embriagado e sob forte efeito de antidepressivos.[1]

Desde fevereiro de 1998, o pai de Dodi, o empresário Mohamed al-Fayed (dono Hôtel Ritz Paris, para o qual Paul trabalhava), alega que o acidente foi obra de uma conspiração, executada pelo MI6 a mando do Filipe, Duque de Edimburgo, ex-sogro de Diana. Entretanto, as ideias de Mohamed foram dispensadas pela mencionada investigação, bem como pela Operação Paget, que foi finalizada em 2006.

Um novo inquérito, chefiado pelo juiz Scott Baker, foi criado na Real Corte de Justiça, em Londres, a 2 de outubro de 2007, sendo uma continuação do inquérito original criado em 2004. O juiz decidiu, em abril de 2008, que Diana tinha sido ilicitamente morta pela negligência do motorista e dos paparazzi que seguiam o casal.[2]

Clique no link para você ler tudo sobre a Princesa de Gales

 - https://pt.wikipedia.org/wiki/Morte_de_Diana,_Princesa_de_Gales

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A GUERRA É UM MAL NECESSÁRIO?

 Por Alfredo Bonessi

Para mim a guerra é a mais alta estupidez que os seres humanos podem provocar. Acredito que o mundo estaria muito melhor se nunca tivesse ocorrido uma guerra.

Imaginemos como aconteceu a primeira guerra da história. Com certeza uma tribo por absoluta falta de água ou de  alimentos migrou para uma outra região e ali foi atacada por outra tribo que ali estava, ou a intrusa resolveu mesmo dominar a outra que estava nesse local.  

Algumas tribos simplesmente mudaram de lugar e não encontraram ninguém pela frente e ali moraram muitos anos.

Por laços familiares, ou tratados, ou acordos formaram alianças que depois foram unificadas e formaram nações.

Mais tarde iniciou-se a formação dos impérios, com ambições comerciais,  busca por aumento de territórios, luta pela posse das riquezas e busca de  domínio de um estado sobre os demais povos.

Surgiram o império Assírio, Império Egípcio, o Império Persa, o Império Macedônio, o Império Romano, o Império  Mongol, o Império Arábe-Turco-Bizantino, O Império Alemão, e nos dias atuais uma união de países com o objetivo econômicos, defensivos e ideológicos. Todos os demais impérios desapareceram ao longo do tempo, restando apenas vestígios de que existiram.

Mas o homem não aprendeu que o domínio de um único país sobre todos os demais é uma utopia e que isso nunca ocorrerá.

Em busca do domínio surge o fator atômico como elemento regulador  e impeditivo de ataque e defesa. Quem possuir tecnologia atômica estará garantido e protegido,  e por causa dessa busca para alcançar essa forma de tecnologia é que os grupos que a dominam  manobram para impedir que outros a obtenham. 
     
Outro motivo que agita  o mundo nessa nova forma de guerra, a do terrorismo, é um confronto que se originou desde o início do Século XIX, com a intervenção e a ocupação  de potências europeias no Oriente e cujo assédio se prolonga até nossos dias. Isso originou um alto grau de insatisfação e repulsa que acabou por se transformar em um ódio de parte daqueles países contra esses países dominantes.

Internamente a grande maioria dos países também se defrontam com  problemas raciais e ideológicos, aliados a fatores econômicos e políticos, esses contaminados pela corrupção que corrói as instituições democráticas, afrontando a lei e aos bons costumes.

Em resumo: o mundo hoje está em conflito porque  se depara com um problema alimentado pelo ódio originado por aqueles povos que foram oprimidos por fortes potências; há outra forma de desestabilização mundial ocasionado pelo aspecto ideológico, originado nos idos do Século XVII e que se acentuou depois da Segunda Grande Guerra que é a expansão do comunismo cujos objetivos é a dominação de todos os países. Como o comunismo necessita de um governo forte, ditatorial e impositivo, que se coloca acima dos cidadãos, por essa forma de atuação conta com o apoio e  a simpatia dos países do oriente que estão em guerra com os países europeus. Assim a causa da luta desses países se entrelaça com a causa de expansão   do comunismo.

O terrorismo é uma das formas de atuação utilizada na expansão do comunismo, daí  o interesse e a simpatia de ambas as partes  em torno desse processo.

Onde houver uma chama de discórdia, essa é alimentada para favorecer a expansão do comunismo; assim sendo os conflitos religiosos e raciais  se prolongam e se tornam de difícil solução porque carregam em seu interior um núcleo de expansão do comunismo.

Final

A guerra no Oriente se prolonga e é de difícil  solução porque ela é sustentada e mantida pelo comunismo em seu projeto de expansão;

O comunismo em expansão pelo mundo se vale do alto grau de insatisfação e de ódio que os países do Oriente possuem contra o Ocidente, originado pela intervenção em seus países, fazendo com que o conflito se prolongue e se estenda pelo mundo todo.

O terrorismo é uma das formas de atuação do comunismo esse princípio está sendo adotado pelos países do Oriente.

Internamente  os países sofrem uma grande instabilidade social, por causa religiosa e racial, alimentada pela expansão do comunismo. A sociedade não esquece o passado, não respeita a lei, e se insurge contra a ordem democrática provocando  desastres econômicos e sociais um dos objetivos para expansão do comunismo.

Se uma atitude governamental é tomada para manter a unidade nacional,  a preservação da integridade de seus cidadãos ou como  uma medida econômica que visa o bem comum, é considerada uma medida populista e nacionalista essa forma de eliminação do espírito de união de um povo é uma forma de agir do comunismo.

Nacionalismo e comunismo são inimigos mortais. Enquanto o comunismo consome o povo, o nacionalismo fortalece o povo para se manter e atingir os seus objetivos. O comunismo visa a tomada do poder e a posse dos bens e da riqueza das pessoas; o nacionalismo se apossa dos bens e das riquezas de outras pessoas. Ambos são mentirosos, demagógicos,  perniciosos e corruptos por natureza.

Para que o capitalismo prospere é necessário leis duras no trato da coisa pública. São necessários a fiscalização e a prestação de contas, bem como a temporariedade daqueles servidores que prestam serviços a sociedade, seja produzindo, seja controlando, seja fiscalizando, para que não se tornem senhores poderosos e feudais em seus cargos e também se tornem vitimas da corrupção mais tarde.

O pior do comunismo é que o patrão dos trabalhadores é o estado, não havendo opção para uma mudança no modo de vida  e de trabalho. Não há incentivo, porque não há lucro.

No capitalismo   o trabalhador  possui a liberdade e a iniciativa de trabalhar com quem desejar e mudar a qualquer momento de atividade conforme a sua vontade. Mas o capitalismo precisa de controle e de fiscalização, e de punição rigorosa para todos aqueles que não cumprirem as regras do jogo, não importando situações, condições,  maneiras ou forma de agir, sob pena de desgastes econômicos e sociais que levarão a desordem, a miséria e o caos.

Por fim outra característica do comunismo é a máquina administrativa enorme, inoperante, ociosa, incompetente, improdutiva, acomodada e composta por apadrinhados comprometidos para a manutenção desse estado de coisas. O estado sanitário e econômico  da população não lhes interessa. Nesse contexto poucos vivem bem, mas a grande maioria da população  vive na miséria, na escravidão, e na dependência da esmola que recebe do governo todos os meses sob forma de uma bolsa ou  de uma cesta básica, insuficiente para o seu sustento.

Como combater o comunismo ?

- com um governo sério,  responsável e cumpridor de suas obrigações e bem fiscalizado pelos seus cidadãos. Pelo esclarecimento da população nas escolas de formação. Pelo incentivo a pesquisa, a  indústria e ao comércio. Pela oportunidade de descobrimento de habilidades e a profissionalização  de todos os seus cidadãos. E com leis duras para todos os infratores.

Quando você notar que existe uma lei que impeça ou dificulte o atendimento de alguma necessidade que favoreça a coletividade, ou  que dificulte a ordem e o progresso, fique sabendo que essa lei é contraria a democracia e ao desenvolvimento, portanto ela se impõe  aos interesses nacionais leis assim são criadas para a expansão do comunismo.

Alfredo Bonessi     (autorizada a divulgação)

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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PROGRAMA MEMÓRIA CULTURAL COM O PROFESSOR BENEDITO VASCONCELOS MENDES - BLOCO 1

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Programa Memória Cultural com o professor BENEDITO VASCONCELOS MENDES - Bloco 1 Apresentação: Diógenes da Cunha Lima Data: 29/04/2017
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MAIS DUAS EXCELENTES OBRAS SOBRE CANGAÇO VIERAM PARA RESIDIREM EM MINHA ESTANTE

Por José Mendes Pereira

Ontem, 30 de agosto de 2017, recebi na minha casinhola o livro que tanto os pesquisadores, escritores, leitores do cangaço e eu, esperávamos, com o título “LAMPIÃO E O CANGAÇO NA HISTORIOGRAFIA DE SERGIPE” VOLUME I (os volumes II, III, IV e V serão lançados posteriormente), escrito pelo pesquisador do cangaço Dr. Archimedes Marques um dos mais competentes com suas pesquisas sobre o movimento social dos cangaceiros. 

Além deste, recebi também o livro "SILA DO CANGAÇO... AO ESTRELADO" escrito pela sua esposa, a escritora e pesquisadora do cangaço Elane Marques. 


Agradeço  ao nobre escritor e pesquisador do cangaço Dr. Archimedes Marques por sempre lembrar deste estudante do cangaço e da minha humilde estante, que aos poucos, está aumentando os seus hóspedes.

Os interessados pelos livros citados é só entrarem em contato com o escritor Dr. Archimedes Marques através deste e-mail: archimedes-marques@bol.com.br, que serão atendidos imediatamente. 

Ao autor o meu agradecimento e continuamos, o blog e eu ao seu inteiro dispor.

Estudante do cangaço José Mendes Pereira

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PEREIRO, MESTRE NA RECUPERAÇÃO DE SOLOS NO SEMIÁRIDO BRASILEIRO: APRENDIZAGENS DE UMA EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA. PEREIRO, MESTRE NA RECUPERAÇÃO DE SOLOS NO SEMIÁRIDO BRASILEIRO: APRENDIZAGENS DE UMA EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA

Por Aldrin M. Perez-Marin e Simone Benevides
Planta de Pereiro formando uma saia para reter o solo

Quando sabemos ler a Caatinga, podemos extrair muitos ensinamentos da sua relação com a natureza. Dentre as muitas árvores nativas do bioma, destacamos as lições aprendidas com o Pereiro (Aspidosperma pyrifolium), planta nativa da Caatinga, sobre recuperação de solos. Essa planta do Semiárido geralmente é encontrada de forma solitária ou em agrupamentos, formando ilhas de recuperação de solo nas paisagens da região.

Em Expedição Cientifica realizada pelo grupo de Desertificação e Agroecologia do Instituto Nacional do Semiárido (Insa/MCTIC) ao Núcleo de Desertificação dos Cariris da Paraíba, realizada em maio de 2016, fomos capazes de ler e observar três estratégias de recuperação dos solos adotadas por essa planta.

A primeira evidenciada foi a formação de uma saia ou gota achatada nos seus primeiros anos de vida, como mecanismos para reter o solo que, em um determinado momento, foi exposto ao Sol, a água, ao vento e às ações do ser humano que semeiam os processos de desertificação. É possível perceber que o Pereiro abraça o solo, funcionando como um chapéu que o protege da incidência solar e da força da água da chuva. 

Como segunda estratégia, percebemos que com o tempo o solo em lugar de fugir, acumula-se no entorno da saia, melhorando a sua capacidade de reter água e nutrientes, criando um microclima adequado para seu desenvolvimento e de outras plantas. Na foto, podemos apreciar uma planta adulta de Pereiro, após ter recuperado a pujança do solo em seu entorno.

Planta de Pereiro adulta após ter formado solo ao seu redor.

Por fim, a terceira estratégia que observamos é que após ter retido solo suficiente, o Pereiro forma agrupamentos ou ilhas de fertilidade. A partir daí, outras plantas amigas se aproximam, para juntas intensificar o processo de cicatrização do solo ferido pela desertificação. As suas flores perfumadas surgem nas primeiras chuvas e seus frutos formando um coração, liberam as suas sementes aladas, numa terra com o coração erosionado. 

O Pereiro formando ilhas de fertilidade.

Dicas para uma pesquisa contextualizada:

- Quanto solo e nutriente essa planta é capaz de reter em um ano?

- Que alterações biológicas ocorrem em redor das ilhas de fertilidade que promovem a vida do solo?
- Do ponto de vista de recuperação do solo, quais experiências ou vivencias com o Pereiro, as comunidades têm fortalecido?

- Como podemos modelar e extrapolar as estratégias de recuperação de solo desenvolvidas pelo Pereiro, nas áreas desertificadas?

Texto e Foto: Aldrin M. Perez-Marin e Simone Benevides (Grupo de Pesquisa em Desertificação e Agroecologia/Insa)
Popularizando Ciência, Tecnologia e Inovação no Semiárido brasileiro

COMENTÁRIOS
João Suassuna – Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco

Quando fiz meu mestrado em Botânica, na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em 1978, Dr. Dárdano de Andrade Lima, meu saudoso mestre nesses assuntos, já falava nessa característica do Pereiro, na conservação dos solos, auxiliada por essa saia desenvolvida pelo vegetal, e tão bem descrita por ele àquela época. Faço esse necessário registro, em homenagem àquele que reputo como sendo um dos maiores especialistas da Botânica brasileira e, em especial, da nordestina! Saudades do meu velho professor!


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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