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quarta-feira, 1 de abril de 2020

SERÁ QUE OS MODOS DA MARIA NÃO JÁ ERAM VISTOS COMO PROVÁVEL LIBERTINAGEM PARA AJUDÁ-LA DESVENCILHAR-SE DO MARIDO?


Por Verluce Ferraz Ferraz

Seria uma coincidência, mas, mesmo assim, podemos analisar no plano da estrutura que a Maria não era tão igual as demais mulheres de sociedade familiar e parental. Era algo inédito e isolado, o fato da mesma separar-se do marido,com uma simples explicação que o Zé de Neném, seu esposo, gostava de deixá-la em casa e ir vadiar nos forrós; ambos fingiam e fugiam aos deveres impostos pelo matrimônio. Ele jamais se mostrou marido amoroso, tampouco ela.


Tomarei por base três livros de escritores renomados para comparação e prosseguir com os meus estudos. Não me distanciarei até que apareça outra razão para conseguir meu intento: descobrir se houve alguma passagem para separar o fruto de dentro da casca; ou se mudou por efeito de algum caso incidente. Maria de Déia, esposa de Zé de Neném; Maria, do Capitão; Maria, de Virgulino; Maria, de Lampião. Afinal, todo um grupo de estudiosos tentam compreender os comportamentos de cangaceiras, e encontrar um método que aproxime da verdade. O caso já fez com que muitos empreendessem longas caminhadas, longas viagens, para entenderem o que se passava na cabeça e pensamentos da Maria. Teria jogado seu lado feminino ou percebido o que entendemos hoje por desejos iridescentes no cangaceiro Virgulino? Não nos antecipemos. Antônio Amaury Corrêa de Araújo, escritor paulista que dedicou a maior parte de seu tempo a literatura cangaceira, em sua obra ‘Lampião, As Mulheres e o Cangaço’, foi lá em Tróia, no Egito, na Grécia, na Germânia, América e Brasil, lembrando vários nomes de mulheres que uniram-se aqueles que participaram de guerras, movimentos místicos, combates, auxiliando e vivendo dramas e tragédias, até chegar nas mulheres cangaceiras que se tornaram errantes nos Sertões do Nordeste brasileiro. Descreve até algumas que, elas mesmas, foram causadoras ou pacificadoras de guerras. Algumas crianças, meninas e moças, encontradas de clavinote em punho em meio das refregas, fuzilando ou fugindo em meio às balas. Outro escritor, João de Souza Lima, em seu livro ‘A trajetória guerreira de Maria Bonita, a rainha do cangaço’, fala na frequência de Virgulino no Sítio do Torá, residência do Senhor Antônio Felipe Oliveira, coiteiro de Virgulino, tio de Maria de Déia. Na época a Maria vivia se separando do marido, e sempre escolhia os conselhos e a companhia da prima Maria Rodrigues, para a seguir. A jornalista e escritora Adriana Negreiros, autora do livro Maria Bonita, sexo, violência e mulheres no cangaço, escreve ‘A impetuosidade de Maria de Déa dava margem a comentários maliciosos nos arredores de Malhada de Caiçara. Dizia-se à boca miúda que, embora indignada com as puladas de cerca de Zé de Neném, Maria não era a mais devotada das esposas. Segundo um dos boatos que corriam em Santa Brígida, na ausência de uma atuação mais vigorosa de Zé de Neném, cabia ao comerciante João Maria de Carvalho a tarefa de tentar apagar o fogo da mulher.’. Se assim o dizem, acabamos de desacreditar numa vulgar história de amor entre a Maria de Déia e Virgulino, o Lampião. Em três obras de renome, tentamos encontrar aproximações para incluir no meu trabalho arqueológico (Psicologia do Cangaço) que busca o momento ideal que aproximou a Maria do Virgulino; ou a Maria do Capitão; Maria Bonita, de Lampião. Estariam ambos, ociosos na caminhada, na busca de uma parceria para os complementar em suas necessidades libidinais? As características amorosas se diluíam nos tempos, até chegarem à descoberta de um pano bordado que tanto atraíam Virgulino. Ele pergunta para a mulher Maria, se ela sabe bordar; a mesma confirma que sim; aceitando os desenhos e agradando o cangaceiro. Provável ressurgem daí a mais plena satisfação de Virgulino que, tinha na mente a irisdescência de seu estilo exótico. Maria jogou o laço de seus bordados, conseguindo excelentes resultados. Na época, difícil se compreender o propósito de Lampião permitir o ingresso de uma mulher em seus grupos; as mulheres eram excluídas pelos tabus que Virgulino levara para dentro do cangaço, ao repetir que mulher amolecia homem; que mulher deixava-os feito melancia onde faca entra fácil.

No estudo levei em consideração os bordados da Maria de Déia, ou Maria do Capitão; ou Maria Bonita e Lampião - neles encontrei o penhor e razão de um retorno ao inconsciente de ambos - fetiches e inversão, razões ocultas da aproximação de: Virgulino, o Lampião com Maria de Déia, ou Maria Bonita.


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UM SAGUI CONDENADO À MORTE POR PURA PERVERSIDADE.

Por José Mendes Pereira 

Não existe na terra um vivente mais perverso do que o bicho homem. Os animais matam os outros animais para se alimentarem porque a natureza os fez carnívoros. Já o bicho homem mata por pura perversidade.

Na floresta o homem corta as árvores. Na fauna ele mata os animais e pássaros. Nos rios e açudes ele mata os peixes. No mar ele mata as baleias com arpões como troféus. Mata os golfinhos, os botos rosas como se ele servissem para simpatias. Mata os peixes-bois, e para completar, polui o mar com óleo e petróleo, que estes líquidos deveriam estar lá em baixo do solo, nos seus devidos lugares de origem.

Não o prenda! Deixa eles em liberdade.

Quando eu ainda tinha 12 anos de idade e sempre que saía de casa para alguns afazeres da pequena propriedade do meu pai levava comigo uma baladeira (estilingue que para os mossoroenses ela é mais conhecida como baladeira), um embornal e uma porção de pedras miúdas, para ver se eu matava algumas rolinhas ou até mesmo preás, mortes que meus irmãos e eu fazíamos escondidos do nosso pai, porque ele não queria de forma alguma que nós matássemos os pássaros e preás, aliás, nenhum animal. Mas nós o desobedecia sem ele saber, teimosos e malvados, assim como são quase todas as crianças do mundo, principalmente os meninos, que quando estão armados com estilingues não resistem ver pássaros ou animais de pequenos portes em sua frente, e a partir dali, começam a perseguição até matá-los.

Não os prendam!

Nesse dia, eu parei de guerrear, isto é, de matar qualquer tipo de vivente, só porque o que eu fiz com um saguí (soinho) me deixou com a mente frustrada, arreada e me sentindo culpado, caso aquele pobre animal morresse.

A minha intenção era apenas feri-lo e assim que ele caísse no chão eu iria capturá-lo para criá-lo acorrentado, mesmo escondido do meu pai, lá na casa do meu avô que era ao lado.

Assim que entrei no mato vi um grupo de saguí e no meio de alguns velhos e filhotes eu mirei um velho, e de pressa atirei sem puxar muito as ligas da baladeira, derrubando o pobrezinho que nenhum mal tinha me feito.

Veja o desejo que ele tem de ganhar a liberdade.

A maior dor que eu sentir talvez maior do que a dor do soinho foi quando ele caiu no chão e os seus familiares ficaram alvoroçados pulando de galhos para galhos, com uma alarida baixinha, mas muito triste, como se toda família estivesse chorando. E quando eu vi o soinho atingido pela pedra, passando a sua minúscula mãozinha sobre o local que a pedra havia pegado, bem ao lado das costelas, e a levava à altura dos seus olhinhos redondinhos e pequeninos e ficava olhando, como se estivesse querendo ver se estava sangrando muito, e eu vendo esta cena triste minha mente arreou de vez, e ali, junto com eles eu chorei e chorei muito. O soinho repetiu várias vezes esta cena triste, sentadinho no chão. Aquilo me doeu tanto, tanto que a partir dali eu não mais queria de forma alguma um animalzinho em minha casa preso por uma corrente.

Os outros tentavam descer dos galhos para socorrê-lo, mas temiam, porque o perverso (eu) ainda estava ali. Após vê-lo passando a mãozinha na possível enfermidade nem tentei mais capturá-lo, e o que eu queria por último, era vê-lo subir nos galhos da árvore e que fosse embora viver a sua vida.

Pai, mãe e filho

Eu permaneci ali, esperando que ele se recuperasse da pedrada e na árvore subisse. Com alguns minutos depois ele foi se equilibrando, recuperando-se, e em seguida, com muita dificuldade, subiu na árvore, e num ganchinho ele se amparou, e por sentir dores, ficou lá caladinho e bem quetinho.

Que perversidade minha! Um animalzinho minúsculo que nem serve para alimentar ninguém, apenas para qualquer um de nós seres humanos admirá-lo. Meu Deus! Ainda hoje quando me lembro desta cena triste sinto como se estivesse acontecendo agora, e que eu deveria pagar pela tamanha perversidade que fiz contra o animalzinho.

Estes estão presos. Que malvadeza!

Não me lembro mais quantos deles faziam parte da sua família, mas no dia seguinte eu sair de casa bem cedinho e um pouco distante do lugar do dia anterior, vi toda família. Todos estavam ali, não faltava ninguém. Ele tinha se recuperado.

Se você pensar bem jamais matará um animal por perversidade. Deixa ele viver assim como nós, feliz no meio da sua família. Que tristeza um animal sente quando uma ovelhinha da sua família morre ou perde para mãos perversa só na intenção de criá-lo acorrentado!

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O PATRIARCA

Por Sálvio Siqueira

No dia 3 de setembro de 2016 será lançado, em Serra Talhada - Pe, mais uma obra prima da literatura sertaneja, intitulado 'O PATRIARCA', o livro nos traz a notória história do cidadão "Crispim Pereira de Araújo", que na história ficou conhecido como "Ioiô Maroto", contada pela 'pena' do ilustre amigo venicio feitosa neves

Crispim Pereira de Araújo (Ioiô Maroto) 

Sendo parente de Sinhô Pereira, chefe de grupo cangaceiro e comandante dos irmãos Ferreira, conta-nos o livro, a história que "Ioiô Maroto" foi vítima de invejas e fuxico. Após sua casa ter sido invadida por uma volante comandada pelo tenente Peregrino Montenegro, da força cearense.

Sinhô Pereira

Sinhô Pereira deixa o cangaço, não sem antes fazer um pedido para o novo chefe do bando, Virgolino Ferreira da Silva o Lampião e o mesmo cumpre o prometido.


Além da excelente narração escrita pelo autor, teremos o prazer e satisfação de vislumbrar rica e inédita iconografia.

Não deixem de ter em sua coleção particular, mais essa obra prima literária.

Peça hoje pelo e-mail:

frampelima@bol.com.br

https://www.facebook.com/groups/545584095605711/675945445902908/?notif_t=group_activity&notif_id=1471274094349578

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LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.

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REVENDO A COLEÇÃO DE HQs COM O TEMA CANGAÇO...

Por Kydelmir Dantas

Revendo a coleção de HQs com o tema Cangaço, reencontro esta que tem um valor especial, pra mim. Além da história ser baseada em fatos reais, os autores/amigos - Marcos Guerra, Marcos Garcia e Carlos Alberto - me deram a satisfação de fazer uma apresentação para a 2ª edição (2017)... Que aqui exponho.




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O RIACHO CAMOXINGA TEM JEITO? (I)

 Clerisvaldo B. Chagas, 1 de abril de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.285

Riacho chegando ao rio Ipanema por cima da ponte do Padre
Quando um rio, por qualquer motivo tem sua foz entulhada, forma uma lagoa ou um lago. Em Alagoas, como exemplo, temos as lagunas Mundaú e Manguaba. Elas foram formadas pelo entulhamento da foz do rio Mundaú e Paraíba do Meio.
Vejamos o riacho Camoxinga na seguinte ordem: riacho Natureza; entulhamentos; construções; Invasões da água, solução.
1.   Natureza. Imaginem o riacho Camoxinga escorrendo nos dois ou três últimos quilômetros antes de despejar no Ipanema. Tudo é Natureza. Nada do homem.
2.   Entulhamento I. O riacho faz o seu primeiro entulhamento que hoje corresponde a região do Colégio Estadual, a cerca de 1 km e meio do Ipanema). Não tem por onde passar. Força, então, uma passagem ao lado do entulhamento e consegue. Esse novo caminho corresponde hoje aos fundos das casas da Rua Prof. Ernande Brandão e os fundos do casario da Rua do Estadual, até a atual Ponte do Estadual.
3.   Entulhamento II. O riacho continua serpenteando de caminho novo e faz o seu segundo entulhamento a cerca de 200 metros antes de chegar ao rio Ipanema. Nesse caso, não procurou desvio como no anterior. Ao invés disso, escavou parte do entulho formando uma ravina ou cânion de aproximadamente, 8 metros de profundidade e conseguiu chegar ao rio Ipanema.
4.   Construções. O homem começa a fazer construções nos entulhos que pertencem ao riacho. A) É formado o casario da chamada “Calçada Alta da Ponte” no segundo entulho. Como defesa os alicerces são altíssimos para evitar as cheias do riacho Camoxinga pelos fundos. (Atualmente foi rebaixado os alicerces de algumas casas da “Calçada Alta da Ponte”. Em crônica, em alertei do perigo). B) Recentemente erguem-se prédios por toda área do segundo entulho, por trás da calçada alta, chamada Ponte do Urubu. C) Construções em cima do primeiro entulho: Estadual, Laura Chagas, Ginásio de Esporte, campo, muros e, em parte do entulho, duas ruas por trás do Colégio. D). É formada a Rua Ernande Brandão e a Rua do Estadual. D). É criado o Bairro Artur Morais, não no entulho propriamente dito, mas na parte baixa que chega ao riacho.
Tudo pertence ao riacho Camoxinga nas cheias máximas como válvula de escape e que futuramente irá cobrar o seu espaço. Já cobrou por duas vezes. Na gestão Marcos Davi e na atual.
·        Continuaremos amanhã com a parte II, “O riacho Camoxinga tem jeito?”. Invasões da água e solução para defender os habitantes.


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DORES DA NOITE

*Rangel Alves da Costa

A noite possui suas dores. E como são dolorosas as dores da noite. Febre de ausências amorosas, angústias e desilusões, tristezas e sofrimentos, saudades que parecem querer molhar os lenços de lágrimas.
Não há como não adoecer das doenças da noite. Não enfermidades do corpo, mas moléstias da alma. Alma que parece se fragilizar e ajoelhar de vez perante os noturnos de solidão ou de falta de uma presença boa. Tudo causando uma imensa dor.
Noite. Com a escuridão o despertar maior dos sentimentos. Sob o seu véu um emaranhado de segredos, mistérios e fotografias, tudo querendo se revelar de uma só vez, ou manter-se ainda nos labirintos da alma.
Noite. Talvez noite chuvosa, mais pesada, mais entristecida. Os pingos que caem vão alimentando os íntimos mais escondidos para, de repente, tudo aflorar como flores vivar de lembranças, saudades e nostalgias.
A janela aberta para o negrume lá fora é chamado ao sofrimento. O horizonte escurecido aclara-se somente para vislumbrar as distâncias existentes somente dentro do ser. Os reflexos estarão nos olhos e no coração.
Uma velha fotografia vai surgindo à mão. O olhar encontra a parede e nela as imagens emolduradas. O velho baú é reaberto e as cartas e os bilhetes ressurgem entre o aflitivo e o melancólico. Ali um passado que faz doer pela recordação.
Em noites assim, em negrumes fechados assim, as janelas e portas da memória e da saudade se abrem de vez. E tudo vai chegando, tudo vai tomando conta, tudo vai transformando os instantes em dolorosos percursos.
Um amor distante, um amor desamado, um abandono, um adeus que não desejava ter. Palavras e imagens, sons e pensamentos, diálogos íntimos, reencontros indesejados, eis o percurso até que o descontrole passe a domar aquilo que parecia já resolvido na alma.
Mesmo sem música alguma ao redor, de repente uma velha canção vais surgindo. As folhagens farfalham vozes já ouvidas, a leve ventania para declamar poesia. Um rastro de lua vai deixando suas marcas em meio ao negrume que o olhar desejava transformar em reencontro.
A pessoa parece estar bem, quer estar bem, imagina que daquela vez não irá deixar que a saudade e o entristecimento novamente provoquem enxurradas. O contextual, contudo, entre o instante que chama e o interior que desperta, vai rompendo seus laços e os transbordamentos se tornam inevitáveis.
São em noites assim que as lágrimas procuram vazões no subsolo da alma e vão surgindo como pequenos veios de angústias e aflições. Primeiro, o noturno, depois a moldura do instante, depois as imagens e as recordações que vão surgindo. E depois e depois...
Depois os olhos queimando na febre da saudade. Depois os olhos marejando para se derramar em rios ardentes de aflição. Depois os prantos e os soluços inevitáveis. A pessoa já não está mais em si. A partir daí somente responde ao que a propensão interior desejar.
São em noites assim que os lençóis são encharcados, que os travesseiros são molhados, que os lenços são alagados, que os rios transbordam toda lágrima de dor, de saudade, de relembrança, de nostalgia. São em noites assim que a pessoa navega e naufraga dentro da própria memória.
Os outros passam pelas calçadas, pelas ruas, ao redor, e de ondem passam avistam apenas uma casa fechada, uma janela fechada, uma noturna solidão. Logo imaginam que assim pelo recolhimento da hora, pelo repouso noturno. Nem sempre imaginam que após aquela janela ou porta, dentro da casa, alguém sofre, alguém agoniza.
Na cama ou no sofá, na cadeira de balanço ou num vão qualquer, apenas a pessoa, suas lágrimas, seus soluços e suas dores. Quem está distante ou quem deu causa a tamanho sofrimento, sequer imagina a triste cena noturna do silêncio e do soluço.
E os rios transbordam, inundam, a tudo invade, até que o alvorecer ressurja sem trazer consigo todo o retrato passado. Mas a saudade não passa. A verdadeira saudade nunca passa. Um amor verdadeiro jamais é esquecido.

Escritor
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LAMPIÃO E O FOGO DA SERRA GRANDE


Lampião e o Fogo da Serra Grande
Categoria

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ANTIGA CASA DE MEU AVÔ CHINA DO POÇO. E LAMPIÃO ENTROU POR ESSA PORTA.


Por Rangel Alves da Costa

A casa era grande, de arquitetura esplendorosa e adornos magistrais por todo lugar. A foto não mostra, mas ainda faltando metade da parte frontal retratada. Ainda três janelas grandes nessa parte aonde a rapaziada gostava de sentar para conversar. Por essa porta passou o sertão inteiro. Passou Sinhô Correia e outros potentados do sertão, passou comboeiros, e também passou Padre Arthur Passos e Lampião. Foi após essa porta que se deu o famoso encontro entre a cruz e espada, entre a hóstia e o mosquetão. Minha avó Maêta ficou em tempo de endoidar nesse dia. Meu avô China avermelhou que parecia abrasado. Mas tudo acabou em regabofe e depois em missa. O ano era 29. Quanto tempo já passou, meu Deus! Ao lado a famosa bodeguinha, lugar de encontros caipiras e proseados da sertanejada. Um fumo de rolo, uma pinga da boa, um quilo disso e daquilo. Era de posses, a bodeguinha era só para encontros mesmo, para que o sertanejo marcasse presença para relatos de catingueiras e de sóis.

Rangel Alves da Costa


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DONA ÊTA, A “MINHA PRETA” DE ZÉ DE JULIÃO ( EX-CANGACEIRO CAJAZEIRA ).

Por Rangel Alves da Costa

Era assim que Zé de Julião chamava sua morena ao pé da rede armada no alpendre, em instantes de afagos ligeiros e dengos mais demorados. Pois hoje, domingo, fomos visitar esse amor do passado de um grande sertanejo. 

Na manhã deste domingo 1º de março, estivemos no Bairro São José, em Poço Redondo, para uma visita a Dona Êta (Julieta Gomes dos Santos), uma das ex-companheiras de Zé de Julião (José Francisco do Nascimento, o ex-cangaceiro Cajazeira). 

Do relacionamento nasceram dois filhos: Venúncio e Alaíde, que, assim como a mãe, ainda vivem entre nós. Além de preciosas informações, das mãos de Dona Êta eu recebi uma verdadeira relíquia. E esta será brevemente revelada no livro “ZÉ DE JULIÃO”, de autoria de Rangel e Manoel Belarmino.


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LABAREDA ENTREGA-SE À POLÍCIA


Por Antônio Corrêa Sobrinho

80 ANOS que o famoso cangaceiro das hostes de Virgulino Lampião, o célebre Ângelo Roque, LABAREDA, pôs termo ao seu cangaço, entregando-se à polícia baiana.

Assim noticiou o jornal carioca, A NOITE:

ENTREGARAM-SE OS CANGACEIROS

DOS ANTIGOS COMPANHEIROS DE “LAMPIÃO”, APENAS “CORISCO” AINDA NÃO FOI PRESO.

ANÁPOLIS, 31 (Serviço especial de A NOITE) – Um grupo de oito cangaceiros, constituído de quatro homens e quatro mulheres, chefiados por Ângelo Roque, antigo companheiro de confiança de Lampião, acaba de se entregar às autoridades, na vizinha cidade baiana de Paripiranga. O fato causou sensação, tendo o pároco local casado Ângelo Roque. Toda a população de Anápolis* veio para a rua a fim de assistir à passagem da força que conduzia o grupo. Todo sertão exulta com o acontecimento, pois o sossego voltará aos lares sertanejos. Em liberdade, dos antigos companheiros de Lampião, só resta Corisco.

Anápolis é a atual cidade sergipana de Simão Dias, situada a uns 10 minutos de carro da baiana Paripiranga.

A NOITE (RJ) – 01/04/1940


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MORRE O CANTADOR LUIZ VIEIRA

Por José Mendes Pereira

Eu estava totalmente desatualizado. Nem sabia que o cantor Luiz Vieira havia falecido.

Assim escreveu o Dr Lima lá de Cruz no Estado do Ceará.

O Cantor, compositor e radialista Luiz Vieira morreu na manhã desta quinta-feira, 16 de janeiro, no Rio de Janeiro, vítima de complicação respiratória. No ano passado o artista foi homenageado com o lançamento de um disco, gravado ao vivo, que homenageava os seus 90 anos. A obra teve participação de artistas como Daniel, Renato Teixeira, Zeca Baleiro, Sérgio Reis, Cludette Soares, Edy Star, Maria Alcina e outros.

O artista era casado com Eurídice Pereira há 30 anos.

O enterro foi no dia, 17, às 13 horas, no Cemitério São João Batista, segundo nos informou o Cantor João Mossoró. “Uma notícia muito triste: Luiz Vieira faleceu nesta manhã”.

Hermelinda Lopes do Trio Mossoró postou: “Quero avisar a todos amigos que, hoje, faleceu o meu grande amigo e poeta Luiz Vieira. Estou muito triste! Um amigo que foi muito importante na carreira do Trio Mossoró.

É uma dor muito grande. Que Deus ilumine sua alma e Jesus está de braços abertos para recebê-lo! "Vá com Deus, meu grande poeta!"

Dr. Lima


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PEÇAS QUE LEMBRAM O CANGAÇO

Por José Mendes Pereira

A propagação do movimento social dos cangaceiros do nordeste brasileiro é feita por meio de comunicação escrita e falada. Os que propagam são: O poeta, o jornalista, o violeiro, o escritor, o pesquisador, o cuirioso, o apresentador de programa na televisão, o locutor/radialista  e outros tantos.  


Indaiá Santos que é neta dos últimos cangaceiros do nordeste brasileiro  Corisco e Dadá que mesmo tendo dado como desistência do cangaço, foram tocaiados, feridos  e presos pela volante do então tenente Zé Rufino no dia 25 de maio de 1940, ele veio a óbito posteriormente e ela perdeu uma das pernas. 


Colorida pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

A Indaiá Santos faz este trabalho acima com muita perfeição para aqueles cangaceiólogos e para as pessoas que têm interesses de participarem dos estudos do cangaço, como também para colecionadores de peças cangaceiras. 

Você que é um cativo cangaceirólogo compra logo o belo material da Indaiá Santos falando com ela e justando o preço de cada peça e como será feito o envio por ela. 


Entre em contato com ela através da sua página no facebook que é: 

Indaiá Santos

Se você não tem interesse vamos valorizar o que ela faz sobre o cangaço compartilhando com os seus amigos. 

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O CORONELATO E SUA INFLUÊNCIA NO CANGAÇO.

Por Beto Rueda

Os "Coronéis" do sertão, quase sempre grandes proprietários de terras, exerciam enorme poder de influência sobre a sua região. Controlavam a política, a economia, os cargos públicos e até a Igreja.

O reconhecimento da sua autoridade era medido pela quantidade de pessoas que trabalhavam para eles.

Alguns tornaram-se referências históricas, veja por Estados:

Pernambuco: Francisco Heráclito do Rêgo, Romão Pereira Filgueira Sampaio, Francisco Filgueira Sampaio(Chico Romão), Antônio Angelino, Febrônio de Souza, Manoel Caribé( Né Caribé), Epa

minondas Gomes, João Barracão, Francisco Martins de Albuquerque Filho(Chico Martins), Ângelo Gomes de Lima(Anjo da Jia), Zezé Abílio, Júlio Brasileiro, Antônio Serafim de Souza Ferraz(Antônio Boiadeiro), José Medeiros de Siqueira Campos, Manoel Inácio, Antônio Cavalcante, Francisco de França(Chico de França), Constantino Rodrigues LIns, Luiz Gonzaga Gomes Ferraz, Antônio Clementino de Carvalho(Antônio Quelé), Andrelino Pereira da Silva, Antônio Pereira, Antônio Alvesde Fonseca Barros, Cornélio Aurélio Soares Lima.

Alagoas: Joaquim Antônio de Siqueira Torres, Paulo Jacinto Tenório, Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, José Rodrigues de Lima Firmo, Manoel Rodrigues, Joaquim Rezende, Ulisses Luna, João Gomes Malta de Sá, José de Aquino Ribeiro, Elísio Maia.

Paraíba: Jaime Pinto Ramalho, José Bruneto ramalho, Felizardo Leite, Augusto santa Cruz Oliveira(Sinhozinho do Areal), Aristides Ferreira da Cruz, Marçal Diniz, José Pereira Lima(Zé Pereira de Princesa).

Ceará: Francisco Fernandes Vieira, Antônio Rósco Jamacaru, Isaías Arruda, antônio Joaquim de Santana, José Belém de figueiredo, Cândido Ribeiro Campos, Raimundo Bento de Souza Baleco, Antõnio Mendes Bezerra, Pedro Silvino de Alencar, Joaquim Alves Rocha, Raimundo Cardoso dos Santos, Antônio Pereira Pinto, João Raimundo Macedo(Joca do Brejão), Mousinho Cardoso, José Inácio.

Rio Grande do Norte: Salviano Batista, Pedro Ferreira das Neves(Pedro Velho), Ezequiel de Araújo Fernandes, José Bernardo de Medeiros, Tomás de Araújo Pereira(o Neto), Caetano Dantas Correia, Felinto Elísio de Oliveira Azevedo,Francisco Gurgel, José Bezerra de Menezes.

Sergipe: Sebastião Gaspar de Almeida Boto, Florentino Borba de Almeida, Bento de Melo Pereira, Gonçalo Faro de Rollemberg, José da Trindade Prado, José Inácio de Accióli Prado, Pedro Leopoldo de Araújo Nabuco,Otoniel Dórea, José Ribeiro da Jacoca, Napoleão Emídio, Antônio Ferreira de Carvalho(Antônio Caixeiro), Chico Porfírio, Hercílio Brito.

Bahia: Clementino Matos, Horácio de Matos, Antônio Landulfo da Rocha Medrado, Felisberto Augusto de Sá, Francisco Augusto de sá, Manoel Fabrício de Oliveira, Militão Rodrigues Coelho,Anfilófio Castelo Branco, Aureliano de Brito Gondim, Franklin Lins de Albuquerque, Abílio Rodrigues de Araújo, João Sá, Saturnino Nilo, João Maria de Carvalho, Petronilo de Alcântara Reis, João Dantas dos Reis Portátil, Cícero Dantas Martins.

Fonte: COSTA, Alcino Alves. Lampião Além da Versão. Editora Real Gráfica, 2011.

MORAES, Walfrido. Jagunços e Heróis. Editora Civilização Brasileira, 1963.

IRMÃO, José Bezerra Lima. Lampião a Raposa das Caatingas. JM Gráfica, 2014.

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