Por Raul Meneleu
Alguns historiadores em suas dissertações a respeito de
Virgulino Ferreira, O Lampião, procuram mostrar que ele não era um guerrilheiro
enquanto pensamento político e têm razão, pois se tornou cangaceiro pelas
circunstâncias de rixas familiares e não por política partidária e alguns
chegam a afirmar a maldade dele já estava no sangue desde jovem.
O que quero demostrar aqui, é que ele poderia até não ser um
militante político que partiu para a luta armada, mas que era um guerrilheiro
estrategista de primeira, ninguém pode duvidar.
Chegou até mesmo a ser reconhecido por um oficial combatente
seu, onde desde a primeira batalha entre os dois, narrada por Frederico Bezerra
Maciel em sua sextologia ‘Lampião, Seu Tempo e Reinado’ no segundo livro ‘A
Guerra de Guerrilhas’ onde o Tenente José Lucena e Lampião ficaram temendo-se mutuamente.
De sua parte José Lucena temendo e receando a sagacidade de
Lampião e da parte do temível cangaceiro, respeitando a força do Tenente pelo
poderio bélico e também sagacidade, pois nunca andava fora das estradas reais,
usando dessa tática para não se aventurar ‘no mato’, território do cangaço.
O relato abaixo se encontra no referido livro e dará a você
leitor, uma visão das estratégias do Rei do Cangaço em batalha real com seu
grande inimigo, José Lucena. Vamos visitar a história, lendo o relato:
ISCAS DE FOGO PARA LUCENA
Acompanhado de seus irmãos Antônio e Livino, deixou Lampião,
mais uma vez, a sepultura de sua estremecida mãe, no cemitério de Santa Cruz do
Deserto. Com lágrimas nos olhos e ódio no coração. Uniu-se, com seus dois
irmãos, aos Porcinos, aos Marcos, a Antônio Fragoso e a seu tio Antônio
Matilde, formando, com mais outros dois cabras do coronel José Abílio, um grupo
de treze homens. Subiu o vale do Moxotó, cortando seus areais frouxos e
escaldantes de semideserto, e a 1de junho de 1921, atacou Santa Clara
(Tupanatinga), no município de Buíque. Em seguida, desceu o mesmo vale,
passando pelo povoado de Caboclo e pela vila de Pau Ferro (Itaíba), e
atravessou a fronteira alagoana do município de Mata. Grande acrescentado de
mais quatro homens, agora num total de dezessete, cada qual armado de rifle e
punhal e municiado com 450 cartuchos nutrindo as cartucheiras e amojando os
bornais. A 5 de junho deu combate aos tenentes Optato Gueiros e Eustaquio na
fazenda Pilão do Gato, sem prejuízos de parte a parte, a não ser de objetos.
Depois atacou a residência de Firmino Brandão e levou o
terror às populações sertanejas de Capiá, Maravilha e outras localidades e
fazendas que, de sobrosso, corriam para Santana de Ipanema. Tudo isto Lampião
fazia por estratagema, com o fito de atrair o tenente José Lucena para um
ajuste de contas: — "Quero quebrar e sujicar o sedém deste peste de Zé
Lucena".
Entrementes, em Jatobá de Tacaratu (Petrolândia), reunidos
quatro oficiais de Pernambuco, capitães Teófanes Torres e José Caetano e
tenentes Carneiro e Campos, e um oficial alagoano, tenente José Lucena, para
consertarem, em ação combinada, combate eficaz a Lampião, com o acordo
simultâneo das fronteiras interestaduais. De volta a Santana de Ipanema, saiu
Lucena com uma volante de sessenta praças para olho D’água do Chicão (Ouro
Branco), ausente dez léguas a noroeste. Tendo disto notícia, frechou Lampião,
com mais de vinte homens, numa disparada para ali. E a 9 de junho o atacou
furiosamente que nem onça faminta. Foi apenas um golpe de mão.
O todo-poderoso Lucena, acostumado a correr atrás de
cangaceiros, que dele se sumiam apavorados, ficou estarrecido com o atrevimento
do ataque e a afoiteza da ofensiva inusitada. Por desforra, matou, em caminho,
o pacato José Porcino, que não havia participado da luta. E, temeroso face às
perspectivas de rumos desconhecidos e novos, que parecia a luta contra o
banditismo tomar, requisitou destacamentos e volantes por perto, perfazendo sua
força um total de cento e vinte praças bem equipadas. Por seu turno, Lampião
arrebanhou mais gente, perfazendo um grupo de mais de quarenta cabras e com
muita prevenção de armas e munições.
A PRIMEIRA GRANDE BATALHA
a) no rumo de Poço Branco
Passou Lampião pelo Espírito Santo (Inajá), deixando para
Lucena pista visível e fácil. Vadeou o leito seco do rio Moxotó a uma légua de
distância, e fez arranchação de pernoite na casa de seu amigo José Mandu, no
Poço Branco, posição estratégica que escolheu para dar combate. Casa grande
essa do Mandu, de varanda na frente, olhando para o sul. Na frente, o terreiro
ligando-se com o caminho largo, variante da estrada real, que passa à nascente,
unindo Espírito Santo à Mata Grande, localidades separadas entre si por cinco
léguas. Atrás, o rio Moxotó, largo, margeado de frondosas caraibeiras e
graciosas palmeiras catolé, com suas flabelas farfalhantes encobrindo pejados
cachos de pequeninos cocos amarelos. Um dos belos espetáculos daquela ribeira.
b) base da emboscada
O despertar cedo, naquela madrugada fusca e fria de 20 de
junho. Depois do café gordo, reforçado com muita carne-seca para dar sustança,
distribuiu Lampião o seu pessoal por trás de pés de-pau, de pedras, de barrocas
e cercas, as emboscadas para os combates.
A casa com o curral, ponto mais difícil, porque perigoso,
decerto seria o primeiro alvo visado pelo inimigo. Essa posição o reservou para
si. A direita da casa, oculto pela serroteira, seu irmão Antônio, com o bote
pronto para dar retaguarda, operação esta de que me tornaria, depois, exímio
mestre. A esquerda da casa, por trás das cercas de pedra, seu irmão Livino,
vanguardeiro, peitudo, indômito. E, mais adiante deste, também camuflado no
mato e atrás de pedras, Antônio Matilde.
A cada um coube dez a doze homens.
Lampião fez prevenção que nem experimentado cabo de guerra:
- "Os macacos não veem todos juntos, não. Antônio Matilde, sustente no
fogo os que chegarem no coice. A gente só faz fogo quando os primeiros chegarem
na frente da casa. Espero o sinal meu. Não gastar munição à toa. Se a gente tem
de fugir é por detrás, pelo rio. Mas esperem eu dar o sinal".
c) cabreirices de Lucena
Em desde o Espírito Santo, vinha Lucena no rasto claro,
certo e seguro, deixado por Lampião, na estrada de Tacaratu, paralela à margem
direita do rio Moxotó. Mas, quando os rastos entraram no mato, em direção do
rio, desconfiou de cilada ao mesmo tempo, assuntou que Lampião, tudo indicava,
havia tomado o rumo da fazenda Poço Branco. Apiançando dar um golpe de surpresa
pela retaguarda — a hora do dia cedo era favorável para pegar na desprivinição
os cangaceiros —, mais que depressa voltou, vadeou o rio, tomando a estrada
real que vai para Mata Grande e penetrando na boca do desvio que chega a Poço
Branco. Mais uma vez desconfiando, fez alto. Por segurança, saiu caminhando por
dentro do mato, beiradeiando a variante.
d) a batalha
Todos os cálculos de Lampião deram certo. Lucena não o
atacaria pelo outro lado, a retaguarda. Teria sua tropa dizimada no atravessar
do leito seco e arenoso do rio. Acertou também: a tropa veio dividida. Na
frente, Lucena com bem oitenta homens. Atrás, pouco distante, o tenente Enéias
Barros com uns quarenta. Logo que a cabeça do pelotão de Lucena chegou defronte
da casa, fez alto, a modo de observar, através do mato, aquele misterioso
silêncio e de ganhar posição. Antes que isto acontecesse, Lampião deu o sinal
convencionado com um tiro de pistola, rompendo o tiroteio da casa e do curral
contra a tropa. Esta, num sufragante, deitou corpo e tratou, arrastando-se, de
logo se mofumbar e entrincheirar para responder ao fogo. O pelotão de Enéias
acelerou o avanço, mas foi detido pelo fogo de Antônio Matilde. A peitada não
foi de graça, não. Parecia um ridimunho dos infernos! Na tiroteiação, balaços
açoitavam as pedras num baticum enervante, ou assobiavam doidamente no meio do
panavueiro chamando a morte, ou barbavam o mato, torando as folhas, estalando
os galhos... Os cangaceiros, animosos, lançavam, no parraxaxá, desafios,
insultos e xingos... gargalhavam sarcasticamente de mangação... rinchavam e
zurravam feito animais...
Infuleimado o sangue com a quentura das armas cuspindo fogo
e escoceiando nas detonações, as gargantas torturadas de sede com a abafação da
atmosfera produzida pela pólvora queimada, os olhos zaros e ardendo e a vista
alazã, sem trégua para tomar alento, depressa ficaram os combatentes bebos de
raiva virando feras. Lampião levava vantagem dentro de melhores emboscadas,
cuidadosamente escolhidas.
Sob as ordens de Lampião, rápido deslocou-se seu irmão
Antônio, com seus homens, bem agachados, para atacar, de retaguarda, o flanco
esquerdo da tropa de Lucena. Ao impacto inesperado e violento, a parte atacada
se desatou do grosso da tropa e recuou com cerca de trinta soldados.
Para salvaguardar a perigosa situação, destacou Lucena
imediatamente uns quarenta soldados em contraofensiva. Nesse quando, chamando
seu irmão Livino, tentou Lampião o envolvimento do flanco direito da parte da
tropa de Lucena que ficara na linha de fogo. Oficial instruído em curso de
caserna, compreendeu Lucena o jogo tático de seu adversário: aniquilar ou
afugentar sua tropa para, ao depois, cair sobre a do tenente Enéias. Realmente,
muito tempo adiante, narrando a amigos aquela batalha, confirmou Lampião a sua
intenção no momento. Isso, porém, não teria passado de mera tentativa se na
ocasião tivesse ele, pelo menos, outro tanto do efetivo de Lucena e um poder
bélico muito superior. Mesmo assim, saliente-se, nesse movimento de cerco
dentro da batalha, talvez tivesse de sacrificar muita gente. Ademais, enquanto
a polícia usava carabina-fuzil de longo alcance, semiautomático, e bala de aço
de grande poder perfurante; Lampião utilizava rifle papo-amarelo* ou cruzeta,
arma de repetição, que esquenta muito após quarenta tiros, de muito menor
alcance, e bala calibre 44, de chumbo, chata, de poder antes rompedor que
penetrante. Refez e uniu Lucena sua tropa fragmentada e, num trancão impetuoso
de fogo cerrado, empurrou Lampião e seus irmãos para as linhas primitivas.
Durante a contra ofensiva, houve um corpo-a-corpo, desesperado e sangrento: engalinharam-se
o valente cangaceiro Cavanhaque e um "macaco", rapidamente passando
os dois apronto.
* O rifle Winchester, desde 1866, ano de sua invenção 'por
Oliver Ficher Winchester, que fundou no Connecticut a "Winchester
Repeatring Arms Company", fez parte da história de todos os povos: Estados
Unidos, México, Peru, Brasil, Chile, Argentina, Espanha, França, Rússia,
Turquia, China... tanto na guerra, como na paz. Recorde-se sua adotação pela
Polícia Montada do Noroeste dos Estados Unidos e pelo presidente Roosevelt nos
safáris das selvas africanas... Mesmo depois de ter adotado o mosquetão ern
1926, • jamais deixou Lampião de utilizar. o "papo-amarelo", talvez
porque arma mais fácil de conseguir. Tem o rifle esse nome por causa da pequena
placa de metal amarelo — o papo — na parte inferior, a cujo impulso a cápsula
salta para cima. Diga-se de passagem, que se tornou muito conhecida, naquele
tempo, a casa comercial "A Sertaneja", de Pesqueira, pertencente a
Orestes de Almeida Maciel, a qual possuía permanente estoque de rifles e
munição apropriada. Consultando-se o velho Arquivo Comercial da "A
Sertaneja", chega-se a saber, através de faturas emitidas por Herm Stoltz
e pelo Armazém do Caboclo. quais as armas então vendidas na referida firma:
revólveres "Colt" (preto) e "Smith and Wess" (niquelado),
americanos, calibre 32; revólver "Azul", espanhol, calibres 32 e 38;
pistola "Comblain" (Fogopagô), belga 320 e 380; pistolas de pente:,
"Mauser" (')Vf..ausa") 6,35 e 7,35, "Remington" 380, e
"FN", belga, 6,37 e 7,35; rifle
"Winchester"-7,44-..,(PaPo-amarelo); espingardas de caça ou de
passarinhar (de 'cartucho), e (“de Lazarino Cominazzo”. , famoso milanês
fabricante de espingardas no século XVI), de cano fino e comprido, de encher
pela boca, em três cores, verde, amarelo e encarnado. Para espingardas desse
último tipo, vendiam-se também. acessórios: canos, fechos, varetas, ouvidos...
além de espoletas BB. Note-se que a primeira pistola que apareceu no sertão foi
levada por um Carvalho (cf. cap. 4, nota 7). Antes existiam apenas o bacamarte
e pistola de encher boca.
O sol se incrinava.
Lampião verificando a munição ficando escassa, deu sinal de
retirada — cinco tiros secos de pistola para o ar. Correndo agachados e
atirando, os cangaceiros cruzaram o lençol de areia enxuta do rio e fizeram
pousada num arredado perto, embiocados.
Lucena não saiu na inculca deles. Voltou, com a 'tropa em
muxibas, trambecando, para Santana de Ipanema. Além dos dois mortos na luta
corpo-a-corpo, não foi possível obter-se informação exata do resultado da
batalha. A tarde se arriara, por coincidência, sombria e triste, envolta em
tons arroxeados. E com ela, a catinga começava a adormecer, toda desarranjada e
destroçada pelo espasmo da luta, parecente, de mesmo, um espojeiro de monstros
anti-diluvianos...
e) oficial do Exército?
A seu amigo, Padre José Bulhões, vigário de Santana de
Ipanema, comentou Lucena a batalha do Poço Branco: — "Figurei, em dado
momento da luta, que Lampião queria mesmo acabar comigo, depois, diante de seus
estratagemas, me veio uma dúvida: Não é possível! Seria mesmo Lampião o
comandante? Ou esses cabras estão sendo comandados por algum oficial
estrategista de alta patente, egresso do exército?!...”
Classificou também ele, a retaguarda de Antônio Ferreira de
“manobra magistral”.
Nova Ordem do Cangaço
Vemos nessa bela demonstração do grande estrategista que foi
Lampião: A partir do ano de 1929, passou a acontecer uma das mudanças mais
radicais no modo do famoso cangaceiro portar-se perante seus inimigos, vindo a
tornar-se muito mais perigoso ainda. Mulheres passaram a integrar seu bando e
ele passou a dividi-lo em grupos e subgrupos.
Que estratégia incrível para os padrões ‘cangaceirísticos’
daquela sua época. Ninguém ainda tinha feito isso. Eram uma espécie de clãs
familiares e autônomos sob a direção de homens de sua inteira confiança. Era a
Nova Ordem do Cangaço que se apresentava. Chamava menos atenção e seus inimigos
não tinham a menor ideia onde ele se encontrava, pois o bando dividido, a
população os via em muitos lugares e as autoridades ficavam sem saber onde
centrar fogo, com números maiores de contingente.
Essa estratégia, ou por querer ou por necessidade e
imposição do destino, fez que Lampião, perseguido sem descanso pelas Forças
Volantes de Pernambuco, teve de fugir e refugiar-se na Bahia com cinco
companheiros que lhe restavam e maltrapilhos e famintos ali chegaram para a
recomposição mais espetacular de sua vida. Era o ‘Fênix’ que retornava mais
forte e das cinzas ressurgia sua têmpera de ‘cabra macho’ que não temia ninguém.
Lampião veio a entender por conta da situação em que seus
inimigos contavam com armas melhores e poderosas, que deveria mudar de
estratégia. Em sua mente de guerreiro privilegiado e líder, compreendeu que já
não tinha condições de dirigir um número considerável de cangaceiros. Além
disso o sertão ficava aos poucos modernizado, com estradas, vias férreas e
pipocava o progresso. Sua vida e de seus cabras agora dependiam mais da
‘inteligence’ que de seus músculos, coragem e pontaria pois deixava aos poucos
de ser um território virgem e impenetrável. O Governo estava agora em toda a
parte com suas construções de progresso e sua ‘gana’ de exterminar o banditismo
naquela região.
Élise Grunspan Jasmin em seu livro ‘Lampião, Senhor do
Sertão’, veio a tecer um comentário de pé de página onde o chama de ‘O
Guerreiro Sedentário’ justamente por substituir seus ataques violentos, embora
vez em quando o fizesse, por essa nova ordem familiar tornando-se menos
nômades.
Em suas notas, Élise Grunspan Jasmin aponta para Antônio
Silvino que tentara “resistir a construção da estrada de ferro pela companhia
Great Western no sertão da Paraíba. Em 1906, ele perseguia os engenheiros
ingleses encarregados de executar os trabalhos, ameaçava os operários, cortava
os fios telegráficos, deteriorava as vias já instaladas e extorquia os
passageiros do trem. Constatando a ineficácia de sua empresa, enviou uma carta
aos diretores da Great Western por meio de Francisco de Sá, um de seus empregados,
dizendo que permitiria a construção da estrada de ferro mediante uma
indenização de 30 contos de réis. Ver, a esse respeito.
Sempre que tinha oportunidade.
Lampião ameaçava ou assassinava os operários que trabalhavam
nos canteiros. Em 1929. fez interromper a construção de uma estrada que devia
ir de Juazeiro a Santana da Glória, CE, e que devia passar por seu refúgio
predileto, o Raso da Catarina. Em outubro desse mesmo ano, constatando que sua
ameaça não tinha sido levada em consideração, matou um dos operários. Em 1930,
perto de Patamuté. BA. atacou um grupo de operários e matou um deles. Em 1932.
no sitio Carro Quebrado, entre Chorrochó e Barro Vermelho, na Bahia. Lampião
executou nove operários.
No Estado de Sergipe. em fevereiro de 1934, atacou operários
e paralisou a construção da estrada. As autoridades governamentais nunca
levaram em conta as ameaças de Lampião, e a partir de 1930 intensificaram os
projetos de abertura do sertão ao "progresso". No dia 9 de junho de
1935, por ocasião de uma reunião organizada em Águas Vermelhas, na fronteira de
Pernambuco. Carlos de Lima Cavalcanti, governador desse Estado, e Osman
Loureiro, governador de Alagoas propuseram um plano de construção de estradas e
vias férreas nas zonas do sertão afetadas pelo cangaço.
Elas deviam cortar sistematicamente em diversos eixos as
regiões mais frequentadas por Lampião e facilitar o transporte das Forças
Volantes por caminhão, enquanto os cangaceiros se deslocavam quase sempre a pé.
Os canais e as vias fluviais também deveriam ser controlados, pois permitiam o
envio de armas aos cangaceiros. Lampião sabia que as conquistas tecnológicas
com as quais as Forças Volantes tinham sido municiadas e a penetração das vias
de comunicação através do sertão poderiam anunciar seu fim próximo e pôr em
perigo sua autoridade na região (Informações extraídas das obras de Frederico
Pernambucano de Mello, op. rir., 1985, e Quengo: Amplio?, 1993).
Cristino Gomes da Silva Cleto, conhecido como Corisco nasceu
em 1907 em Marinha de Água Branca, no Estado de Alagoas. e foi morto no dia 25
de maio de 1940, no Estado da Bahia, pelo tenente José Rufino. Da mesma forma
que Jararaca. ele também chefe de subgrupo, Corisco tinha-se alistado no
Exército em 1924, em Aracaju (até hoje não existe comprovação). Desertou, foi
perseguido e encontrou refúgio no cangaço. Seu conhecimento das técnicas de
guerra lhe valeram o interesse de Lampião, bem como sua confiança. Depois de
inúmeras tergiversações.
Corisco alia-se a Lampião em 1926. em Vila Bela
(Pernambuco), e lhe permanecerá fiel para sempre. Em 1927. começou a dirigir um
grupo de cangaceiros e sempre reivindicou certa autonomia com relação a
Lampião, embora sempre o considerasse seu superior hierárquico. Segundo
Frederico Pernambucano de Mello, como Lampião, Corisco se fazia chamar de
"Capitão" e assinava assim os pedidos de resgate que dirigia a suas
vítimas: "capitão Corisco, chefe de grupo dos Grandes Cangaceiros"
(Frederico Pernambucano de Mello, op. rir., 1985, pp. 88-89). Corisco, o
"diabo louro", distinguia-se por sua brutalidade e crueldade.
Depois do anúncio da morte de Lampião, que ele vingará
mediante um ato punitivo de rara violência. Corisco tentou retomar o lugar
deixado vago pela morte de seu chefe e procurou reestruturar os grupos
restantes de cangaceiros. Essa tentativa redundou em fracasso, devido,
principalmente à sua falta de diplomacia para com os coronéis e coiteiros.
Sua morte anuncia a extinção definitiva do cangaço.
Em um artigo do Diário de Pernambuco de 11/6/1935
intitulado "Assentado Medidas para a Extinção do Banditismo",
dedicado aos acordos firmados entre as forças policiais de Pernambuco e
Alagoas, o major Lucena diz ao jornalista que Lampião dirigindo apenas um grupo
de 30 a 35 cangaceiros, dividiu-o em pequenas unidades de 5 ou 6 homens.
Outro artigo do Mujo de Pernambuco, datado de 24/11/1937,
intitulado "O Problema do Banditismo na Zona Sertaneja" e ilustrado
com uma fotografia do tenente Luís Mariano, feita possivelmente no sertão,
também evoca a divisão do grupo de Lampião, divisão a que ele parece
acomodar-se para levar uma vida tranquila, dando-se o luxo de se esconder ou de
se exibir em público como e quando lhe bem aprouvesse: "Lampião nestes últimos
tempos tem-se embrenhado nas caatingas do Estado de Sergipe e se demora
principalmente nos municípios de Porto da Folha. [...] e São Paulo, sendo neste
que o bandido chefe, faz com uma certa segurança o seu quartel general.
De vez em quando Lampião, á frente de uma parte do seu grupo
invade a Bahia, entrando ali pelos municípios de Jeremoabo. [...] Nessas
excursões pratica grandes roubos e depreciações e, retorna aos logares que lhe
servem de coito, onde descansa meus óculos e guardado por coiteiros de sua
absoluta confiança. [...] Depois de descansar a vontade em Alagoas. o bandido
com seu grupo, procura ser visto nas caatingas de Águas Bellas, esconde depois
os rastros para promover a confusão, e desorientar os pequenos troços de
volantes desorganizados. que o perseguem. Violentamente regressa às caatingas
de Alagoas. ocultando-se de preferência na zona do Serrote do Carié, Riacho do
Canapy. Poeira [...] dos Municípios de Marta Grande e Pão de Açucar.[...]
Enquanto Lampião e sua Maria De Déa de José Felippe e meia dúzia de bandidos
descansam, os bandidos de nomes Corisco. Luís Pedro. Português. Angel Roque.
Moreno. Moita Brava, Chumbinho, Pedro Rocha e outros chefes de grupos matam,
roubam, promovem incêndios. praticando, enfim, toda sorte de miséria".
Em artigo do Diário de Pernambuco. 11/5/1935. intitulado
"Luís Pedro. do bando de Lampião. visitou Pernambuco. O prefeito de Mata
Grande esteve sequestrado 15 dias — Virgulino está em Sant'Anna do
Ipanema", faz-se referência ao rapto do prefeito de Mata Grande por Luís
Pedro. o homem de confiança de Lampião, em troca de uma importância
elevada.”
Benjamin Abrahão
Um dos historiadores mais ousados de Lampião e seus
cangaceiros foi Benjamin Abrahão Botto, que após a morte de Padre Cícero,
solicitou e obteve do "Rei do Cangaço" a permissão para acompanhar o
bando na caatinga e realizar as imagens que o imortalizaram. O próprio Lampião
assegurou o testemunho, em um bilhete, de que todas as suas imagens eram
produto do trabalho de Abrahão. Abaixo as palavras do cangaceiro escritas em um
de seus famosos bilhetes:
Illmo Sr. Bejamim Abrahão Saudações Venho lhi afirmar que
foi a primeira pessoa que conseguiu filmar eu com todos os meus peçoal
cangaceiros, filmando assim todos us muvimento da noça vida nas catingas dus
sertões nordestinos. Outra peçoa não conciguiu nem conciguirá nem mesmo eu
consintirei mais.Sem mais do amigoCapm Virgulino Ferreira da Silva Vulgo Capm
Lampião
Benjamin em seus trabalhos, diz ter encontrado vários grupos
de cangaceiros, dentre eles o de Corisco, Zé Sereno e Gato, o que confirma a
estruturação do grupo de Lampião em pequenas unidades relativamente autônomas.
Ele fotografou os chefes dos grupos e os grupos separadamente. Apesar de esses
diferentes "subgrupos" estarem com toda a evidência sob a autoridade
de Lampião, não se conhecem fotografias apresentando o conjunto dos
cangaceiros.
Devido então a esses testemunhos, vemos em Lampião um grande
estrategista, que aprendeu na lida todos esses ‘truques’ que o tornaram um
inimigo a ser respeitado pelos volantes e seus comandantes.
https://meneleu.blogspot.com/
ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!
Perdoe qualquer agressão, para não se sentir culpado ao tirar a vida de alguém. E entenda que: Perdoar é devolver ao outro o direito de ser bem feliz.
Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito.
Cuidado, não discuta!
Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima.
As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo.
Cuidado!
Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão.
Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é domá-lo.
Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer.
Não se faça de valente, só porque está com a sua namorada ou esposa e não quer que ela sinta o seu fracasso. Ela não te quer como herói, te quer simplesmente como namorado ou esposo vivo.
É melhor vivo medroso do que morto valente.
https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video "O site acima diz que este rapaz condenado a morrer não morrei, mas foi baleado por este ignorante".
Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.
Muito chato para você, sempre me ver lembrando isso. Mas é para o seu bem.
http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com
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