O Brasil vivia um dos períodos mais violentos da ditadura militar, durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici.
Em São Paulo, uma mulher de 26 anos foi capturada por agentes da repressão. Seu nome era Criméia Alice Schmidt de Almeida. Ela estava grávida de aproximadamente seis meses.
Carregava um filho que ainda não havia nascido. Mas aquela condição não impediu que fosse levada aos centros de interrogatório do regime.
E o que aconteceu nos meses seguintes marcaria profundamente a vida daquela mãe e de sua família.
Criméia não era uma desconhecida dos órgãos de repressão.
Sua militância política havia começado ainda na juventude.
Em 1968, estudava enfermagem na Escola Anna Nery, no Rio de Janeiro, onde presidia o diretório acadêmico.
Naquele mesmo ano, participou do congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes, em Ibiúna, São Paulo.
Foi presa durante a operação policial que interrompeu o encontro.
Depois de libertada, entrou para a clandestinidade.
Tornou-se militante do Partido Comunista do Brasil, o PCdoB, e seguiu para a região do Araguaia.
Ali, participou da organização da resistência armada contra a ditadura.
Com o início da Guerrilha do Araguaia, em 1972, Criméia passou a realizar viagens para manter a comunicação entre os militantes e a direção do partido.
Foi durante esse período que engravidou.
E, em uma de suas viagens a São Paulo, acabou sendo localizada pelos agentes da repressão.
A prisão não atingiu apenas Criméia.
Sua irmã, Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha, também foi presa.
O marido de Amelinha, César Teles, e os dois filhos pequenos do casal foram envolvidos na ação repressiva.
Uma família inteira passou a enfrentar as consequências da perseguição política.
Mas, para Criméia, havia uma vulnerabilidade adicional.
Ela estava prestes a se tornar mãe.
E os interrogadores sabiam disso.
Segundo seu testemunho, a gravidez passou a ser utilizada como instrumento de pressão psicológica.
Criméia foi levada para instalações da repressão em São Paulo, incluindo o DOI-CODI.
Ali, relatou ter sofrido choques elétricos, espancamentos, ameaças de morte e interrogatórios prolongados.
Mesmo grávida.
Em depoimento à Comissão Estadual da Verdade, contou que um homem apresentado como médico acompanhava as sessões.
Segundo ela, ele orientava os torturadores a evitar golpes na barriga, mas permitia agressões em outras partes do corpo.
A preocupação não era proteger a integridade daquela mulher.
Era mantê-la em condições de continuar sendo interrogada.
Mas a violência não terminou em São Paulo.
Criméia foi transferida para Brasília.
Ali, permaneceu sob custódia militar, isolada e submetida a novas ameaças.
Seu relato descreve uma cela em condições precárias, sem banheiro adequado e com alimentação insuficiente.
Enquanto a gravidez avançava, ela enfrentava a incerteza sobre o que aconteceria com seu filho.
Até que, em fevereiro de 1973, chegou o momento do parto.
E foi justamente quando deveria receber atendimento médico que Criméia enfrentou uma das experiências mais difíceis de seu encarceramento.
Na noite de 11 de fevereiro, começou a sentir as dores do trabalho de parto.
Pediu ajuda.
Foi examinada, mas acabou devolvida à prisão.
As dores continuaram.
Segundo seu depoimento, os militares demoraram a providenciar o atendimento necessário.
Somente depois de muita insistência ela foi novamente conduzida ao hospital.
Em 13 de fevereiro de 1973, no Hospital da Guarnição do Exército, em Brasília, nasceu seu filho.
Seu nome era João Carlos Schmidt de Almeida Grabois.
Conhecido como Joca.
Mas a mãe não pôde simplesmente abraçar o bebê e começar a cuidar dele.
Criméia relatou que foi impedida de permanecer com a criança.
Não podia amamentá-la normalmente.
Nem decidir sobre seus cuidados.
O bebê permaneceu separado dela.
E a angústia passou a fazer parte de sua rotina.
Segundo seus testemunhos, os agentes a ameaçavam dizendo que poderiam entregar a criança a uma instituição, impedindo que os dois voltassem a se encontrar.
O filho havia nascido. Mas a maternidade continuava sendo utilizada como forma de sofrimento e pressão.
Durante aproximadamente 53 dias, Criméia não pôde exercer os cuidados maternos que desejava.
Quando finalmente conseguiu recuperar o menino, segundo seu relato, ele estava desnutrido e havia recebido medicamentos sedativos.
A separação se tornou uma das lembranças mais dolorosas de sua prisão.
Mas a história daquela família não terminaria ali.
Décadas depois, Criméia e seus familiares levariam aos tribunais a responsabilidade pelos abusos que haviam sofrido.
Depois de deixar a prisão, ela continuou participando de iniciativas voltadas à memória dos mortos e desaparecidos políticos.
Passou a dar depoimentos.
Reuniu documentos.
E ajudou a preservar relatos sobre as práticas de repressão utilizadas durante a ditadura.
Sua irmã, Amelinha, também se tornou uma importante testemunha daquele período.
Em 2005, a família decidiu tomar uma medida judicial.
Entrou com uma ação civil contra Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel que havia comandado o DOI-CODI de São Paulo.
O objetivo era obter o reconhecimento judicial da responsabilidade pelas torturas sofridas.
E, em outubro de 2008, veio uma decisão histórica.
A Justiça de São Paulo reconheceu a responsabilidade civil de Ustra pelos atos de tortura cometidos contra integrantes da família.
O coronel apresentou recurso.
Mas, em agosto de 2012, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a decisão.
É importante destacar que se tratava de uma ação declaratória na esfera civil.
Não foi uma condenação criminal à prisão.
Ainda assim, representou um reconhecimento judicial importante para os familiares que haviam denunciado a violência.
Quase quarenta anos depois da prisão, a família conseguia uma decisão judicial reconhecendo a responsabilidade por parte do sofrimento que havia enfrentado.
O caso de Criméia também passou a integrar o relatório da Comissão Nacional da Verdade.
Seus depoimentos ajudaram a demonstrar que, durante a ditadura, a violência contra mulheres não se limitava aos interrogatórios.
A gravidez.
A maternidade.
O medo de perder os filhos.
Tudo isso podia ser utilizado pelos agentes da repressão para pressionar as presas políticas.
Criméia sobreviveu para contar o que havia acontecido.
E seu filho, que nasceu sob custódia militar, também passou a fazer parte dessa história.
Em dezembro de 1972, Criméia foi presa enquanto carregava um bebê no ventre.
Em fevereiro de 1973, deu à luz em um hospital militar.
Mas precisou enfrentar semanas de separação antes de recuperar o filho.
Anos depois, ajudou a transformar aquela experiência em testemunho histórico.
Porque o que aconteceu com Criméia não foi apenas a prisão de uma militante política.
Foi também a história de uma mulher cuja gravidez e maternidade foram utilizadas como instrumentos de violência.
Seu filho nasceu durante o encarceramento. Mas sua história não permaneceu presa aos arquivos da ditadura.
Os testemunhos chegaram às comissões da verdade.
Os documentos chegaram à Justiça.
E as experiências daquela família passaram a integrar a memória histórica brasileira.
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Nota: Imagens geradas por Inteligência Artificial para fins ilustrativos.
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Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer.
Não se faça de valente, só porque está com a sua namorada ou esposa e não quer que ela sinta o seu fracasso. Ela não te quer como herói, te quer simplesmente como namorado ou esposo vivo.
É melhor vivo medroso do que morto valente.
https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video "O site acima diz que este rapaz condenado a morrer não morrei, mas foi baleado por este ignorante".
Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.
Muito chato para você, sempre me ver lembrando isso. Mas é para o seu bem.
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