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segunda-feira, 23 de julho de 2018

JOÃO DANTAS


João Dantas - 1888-1930 advogado e jornalista, nome ligado à História do Brasil, por ser o autor de 2 tiros que mataram o presidente da PB, candidato a vice-presidente da República na chapa Vargas. 

João Dantas adversário político de João Pessoa, teve seu escritório invadido pela polícia do antagonista qUE publicou cartas íntimas, entre Dantas e a professora Anaíde, com quem ele mantinha relações amorosas. Nasceu um ódio mútuo, com ataques ao pai de Dantas. Foi o estopim da Revolução de 1930. 

Após um levante popular Getúlio subiu ao poder. Dantas foi preso com um cunhado e chacinados. A professora Anaíde morreria dias depois, envenenada, aos 25 anos. Seguiu-se o assassinado do deputado federal, ex-presidente da PB, João Suassuna, pai do escritor Ariano Suassuna.

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DE UMA HUMILDE CORRUTELA DO SERTÃO NASCEU JUAZEIRO DO NORTE E A LENDA PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA

Por Luiz Serra

Data de aniversário da cidade: 22 de julho.

Diziam ser uma minúscula vila do sertão cearense do Tabuleiro Grande, a cerca de duas léguas do Crato, com apenas algumas choças e poucas casas de taipa, em contorno imperfeito à capela. Em dezembro de 1871 um jovem padre de 27 anos, chegava à vila no lombo de uma burra, com alforjes, com livros e alguns poucos haveres. Era o Padre Cícero Romão, que ao chegar à capelinha de Nossa Senhora das Dores, como era véspera de Natal, decidiu oficiar a missa do Galo.

Impressionante imagem da procissão das velas ilumina Juazeiro do Norte ... Diocesedocrato.org

Assistiram ao ofício os pobres do lugar e alguns condutores de rebanhos de cabras com destino ao Crato com pouso na corrutela. Meses após, em abril de 1872, Padre Cícero decidiu regressar à Vila e se fixar, com sua irmã e um casal de primos.

A extremosa decisão de se dedicar ao povo de uma minúscula vila no esconso sertanejo o Padre revelou que o foi compulsado por um sonho.
Enquanto espojado em uma rede, Cícero teve a visão do próprio Senhor Jesus Cristo, tendo próximos os doze apóstolos sentados a uma mesa, e de súbito um aglomerado de peregrinos esfomeados e descalços aproximavam do lugar. Ouviu a voz do Senhor que dizia lamentar-se com a humanidade, mas que iria fazer esforços e sacrifícios para salvar o mundo. Alteou as palavras na direção de Cícero:

"E você, Padre Cícero, tome conta dos pobres do sertão!".

Nesse périplo humanitário, o Padre tratou de mudar os costumes deturpados da santidade da vila e tornou comum a prática dos sacramentos. Inspirado por Padre Ibiapina, Padre Cícero criou as Casas de Caridade, organizações tocadas por beatas e que visavam a levar educação, saúde e auxílio religioso ao povo.


As Casas de Caridade se espalharam pelo entorno de Juazeiro, sendo a mais famosa delas situada no Sítio Caldeirão sob o comando do beato José Lourenço. Inúmeras oficinas foram criadas, com destaque para as de produção de velas, imagens sacras e calçados. O jeito simples e carismático do padre contagiava a população que cada vez mais se entregava à religião e ao trabalho (Milagre em Joaseiro, Della Cava, Ralph).

Em 4 de outubro de 1911, Padre Cícero e outros dezesseis líderes políticos da região firmaram um acordo de cooperação entre si e apoio ao governador Antônio Pinto Nogueira Accioli. Tal evento ficou conhecido como pacto dos coronéis e representa um marco na história do coronelismo brasileiro.

No ano seguinte, o então presidente da República Hermes da Fonseca depôs o governador Nogueira Accioli e nomeou o coronel Marcos Franco Rabelo como interventor do Ceará.

Houve eleição apenas para vice-governador onde Padre Cícero foi o escolhido. Depois de assumir o posto, Franco Rabelo rompe com o Partido Republicano Conservador (PRC) e passa a perseguir Padre Cícero, chegando a destituí-lo da prefeitura de Juazeiro e a mandar um batalhão da Polícia estadual prender o padre.

Padre Cícero Romão aos 80 anos... Pre. Juazeiro
Então, o médico Floro Bartolomeu (braço direito do padre) reuniu jagunços e romeiros para proteger Padre Cícero. Em apenas uma semana, os romeiros cavaram um valado de nove quilômetros de extensão cercando toda a cidade e ergueram uma muralha de pedra na colina do Horto, a fortificação recebeu o nome de "Círculo da Mãe de Deus".

O batalhão ao ver que seria impossível romper o círculo, recuou e pediu reforços.

Vitoriosos, os romeiros retornam a Juazeiro desarmados e desocupam as cidades tomadas durante a sedição. [Sedição de Juazeiro, ano Sete]


O jovem Padre Cícero Romão quando chegou à corrutela do Tabuleiro Grande (1871) ... - Pref. Juazeiro.

Hoje Juazeiro é uma cidade de grande efervescência cultural. Pesquisa feita pela UFRJ em todo o país e divulgada em março de 2009, constatou que a cidade de Juazeiro do Norte é a maior em população envolvida em atividades culturais. Esse caldeirão de cultura, tem registrados junto a secretaria de cultura do Estado, 72 grupos de cultura popular. Existem vários grupos folclóricos de reisado, maneiro-pau e malhação de Judas, entre outros. A literatura de cordel e a xilografia também são bastante difundidas, especialmente em função da Academia de Cordelistas de Juazeiro do Norte e a Lira Nordestina da Universidade Regional do Cariri. ... (Nova Cultural Ceará)

Para encomendar livros preciosos sobre o tema Padre Cícero, atende o amigo prof. Francisco Pereira, att pelo e-mail: franpelima@bol.com.br.


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DEPOIMENTO DO ILUSTRE JORGE AMADO SOBRE LAMPIÃO

https://www.youtube.com/watch?v=msPrhFa4tno&feature=share

Publicado em 7 de out de 2013
Depoimento do escritor Jorge Amado, gravado em 1977.
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CABRAS DE LAMPIÃO


Por Walter Tenório de Brito

Marcus Sérgio, acabei de ver no livro, não tem os nomes dos dois cabras de Lampião que foram tirar o serviço em Mossoró.

Usina de Alfredo Fernandes & Cia - Mossoró-RN - http://aluisiodutra.blogspot.com/2017/09/a-historia-da-usina-de-alfredo.html 

Chegaram à cidade no final de maio de 1927, pediam emprego na fábrica de beneficiamento de caroços de algodão e foram aceitos de imediato. Um deles em 3 dias largou e desapareceu, voltou ao bando levando as informações e mapa da cidade a Virgulino, o outro ficou no trabalho, colhendo dados e aguardando o ataque, mas um funcionário da fabrica o reconheceu, por nome e origem, contou a policia, submetido a impiedosa tortura, contou tudo, ai foi executado e enterrado em local desconhecido.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lampi%C3%A3o_(cangaceiro)

O capitão prosseguiu o plano de invasão, sem desconfiar que o prefeito Rodolfo Fernandes, sabia do plano dele e arquitetou a defesa assertiva, botou também espiões nas estradas, vilas e fazendas, com cavalos e até carros, ávidos a qualquer movimento estranho, correr e informar a sua autoridade.

Foi um desastre a investida para o até então imbatível Lampião ao entrar na cidade em tarde de 13 de Junho de 1927, correu na bala, perdeu dois valentes cabras, Colchete e Jararaca, vendo que foi iludido pela ganância e inexperiência de Massilon Benevides Leite.

Massilon Benevides Leite

Lampião em 1932 invadiu a Serrinha do Catimbal, hoje Garanhuns e Paranatama, e saiu corrido na bala. Os cabras dali eram valentes e dispostos. O capitão disse que voltava e se vingaria, mas nunca voltou.

Mataram um dos cachorros dele e Maria Bonita levou um tiro no tórax de raspão, se tratou lá em Sergipe, mais em consequências do incidente, daquela data até sua morte da grota de Angicos, sempre escarrava sangue. 

https://oglobo.globo.com/brasil/o-globo-90-anos-lampiao-maria-bonita-fim-dos-reis-do-cangaco-16372215

O acocho já estava grande para os cangaceiros depois dos anos trinta, com todo Nordeste contado por estrada, as volantes chegavam rápido, em caminhões nas regiões onde Os Bandoleiros estavam ou passavam. O transporte mais rápido do grupo de Virgulino era os cavalos e burros.

Ele não foi sábio na escolha de continuar em terras nordestinas e não para esta atividade criminosa, já tinha muito dinheiro, podia ter debandado e vivido bem até a velhice em local anonimo e longe, aqui no Brasil mesmo.

Deu no que deu!

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domingo, 22 de julho de 2018

JOÃO DE SOUSA LIMA REALIZARÁ PALESTRA EM PIRANHAS DIA 26, DURANTE EVENTO DO CANGAÇO......



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O CASARÃO DO SR. BENÍCIO MAIA


Por Assis Nascimento

O casarão do Sr. Benício Maia, que fica próximo a cidade de Belém do Brejo do Cruz, à margem direita da PB-293, acredito estar com seus dias contados.

Em Belém do Brejo do Cruz

O estado de abandono, em que se encontra, é símbolo do descaso, com a história de uma cidade. Segundo pude apurar, a cidade teve origem nas terras dessa propriedade.

Em Belém do Brejo do Cruz

A velha construção sertaneja, símbolo da riqueza dos senhores de terra, foi palco de muitas histórias, inclusive há relatos de que foi pousada do famoso cangaceiro Jesuíno Brilhante.

Em Belém do Brejo do Cruz

Em Belém do Brejo do Cruz

O lugar merece ser visitado, ainda existem parentes do Sr. Benício Maia, morando nas proximidades do velho e imponente prédio.

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1927 GUARDA DE MOSSORÓ DERROTA LAMPIÃO E SEU BANDO

GCM Carlinhos Silva

Virgulino Ferreira, o Lampião, havia alcançado o ápice da sua saga sanguinolenta pelo interior do Nordeste pelos idos de 1927. Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Ceará conheciam a sua fama de bandoleiro. Homem frio e bandido contumaz, o Capitão Lampião, foi convencido por Massilon de invadir a "meca" nordestina da época, Mossoró, terra de comércio forte, com lojas sortidas, grandes armazéns de mercadorias, prensas de algodão, fábricas, cinemas, mansões senhoriais, caminhões e automóveis. Mossoró, apesar de ser a maior cidade a ser atacada até então pelo bando, não pôs medo aos facínoras, embora Lampião tivesse ficado reticente a princípio.


Prefeito Fernandes que comandou sua Guarda e os cidadãos de Mossoró rumo a vitória.

O cangaceiro não tinha motivos para invadir o Rio Grande do Norte. Aqui nunca havia sido molestado nem havia qualquer tipo de perseguição contra ele e os seus. Por várias vezes, ele havia de dizer aos seus comandados que só entraria no Estado em necessidade de viagem e isso mesmo sem precisar mexer com ninguém. A realidade foi outra. Lampião usou o marketing do medo para a sua mais ousada aventura: invadir Mossoró.

Massilon Leite, que tinha o seu próprio grupo de cangaceiros, juntou-se a Lampião pelas bandas do Ceará. Sabino Leite, outro cangaceiro destemido, também fazia parte do bando que queria saquear Mossoró. A ânsia era tanta, que contam os historiadores Raul Fernandes (autor do livro A Marcha de Lampião) e Raimundo Nonato (autor do livro Lampião em Mossoró) 400 quilômetros foram percorridos em apenas quatro dias e meio. De Luiz Gomes - primeiro município a ser invadido - até Mossoró, deixou-se um rastro de destruição, mortes e medo. Chegava à cidade tudo aquilo que Lampião mais soube fazer: amedrontar todos os que ouvissem o seu nome.


Em Luiz Gomes, Virgulino e seus seguidores fizeram dois reféns: a mulher do coronel José Lopes da Costa, Maria José, de 63 anos, e Joaquim Moreira, outro ancião. De lá até chegar a Mossoró, Lampião ainda destruiu boa parte de Apodi, tocando fogo em várias lojas e atacando residências. Foi até a comunidade do Gavião (hoje Umarizal) e ainda invadiu Itaú.

Antes de chegar à zona urbana, ele ainda cometeria atrocidades na comunidade de São Sebastião (município de Governador Dix-sept Rosado hoje), há cerca de 40 quilômetros do centro de Mossoró. Virgulino Ferreira chegara à noite com um único intuito: alastrar o medo e a incerteza diante da sua chegada. O local era estratégico.

O coronel Antônio Gurgel, feito refém quando viajava à comunidade de Pedra de Abelha (hoje município de Felipe Guerra) para ir apanhar a sua esposa, acompanhou tudo aquilo e registrou no seu diário, publicado pelo jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Segundo ele, no dia 12 de junho de 1927, por volta da meia-noite, os homens de Lampião chegaram a São Sebastião: "Quando chegamos a S. Sebastião era quase meia-noite. O grupo dirigiu-se à Estação da Estrada de Ferro, onde inutilizaram tudo que lhes caiu nas mãos. Arrebentaram as portas dos armazéns vizinhos, incendiaram dois automóveis ali encontrados; finalmente o grupo passou pela Vila, onde felizmente não cometeu desatino algum".

Mas a realidade seria diferente no dia seguinte, 13 de junho de 1927, ainda de acordo com o diário. "Às 5h30 o grupo levantou acampamento, rumo de Mossoró. Então, à luz do dia, pude ver, horrorizado, aquele bando de demônios entregues aos maiores desatinos, quebrando portas, espaldeirando quem encontravam, exigindo dinheiro, roubando tudo, numa fúria diabólica. A palavra de ordem era matar e roubar!".

O ataque era um aviso para Mossoró, ali perto. O bando iria entrar na cidade para fazer o mesmo. Tomaria a cidade, saquearia o comércio, limparia os cofres do Banco do Brasil. As notícias a respeito da prosperidade de Mossoró ganhavam as ruas e praças de todo o Nordeste. E não havia um homem de Lampião sequer que não pensasse em enriquecer às custas dos mossoroenses.

A ganância era tanta, que o comedimento inicial de capitão Virgulino foi substituído pelo desejo de por as mãos nas riquezas de Mossoró. Estava diante dele a mais ousada empreitada de guerra. Lampião não iria colocar em jogo apenas as vidas dos seus comparsas, mas colocaria na mesa o maior dos recados dos governos nordestinos. Não existiria, a partir da queda de Mossoró, outro lugar que não pudesse ser invadido por Lampião.

O coronel Antônio Gurgel teve papel importante neste fato histórico. Lampião queria que ele fizesse o pedido de 500 contos de réis para evitar o ataque à cidade. Gurgel ponderou que não tinha muita amizade com o prefeito Rodolfo Fernandes e este poderia não considerar a missiva. Foi então, que surgiu a idéia que se transformou num dos mais importantes documentos históricos de Mossoró: as duas cartas em que o Rei do Cangaço pediria dinheiro para não atacar a cidade.

Em Mossoró, o prefeito Rodolfo Fernandes lutou para convencer as autoridades estaduais do perigo iminente. O primeiro sinal positivo deu-lhe o direito a criar a guarda municipal com poderes de rechaçar qualquer ameaça contra a cidade. E assim ele o fez: com fuzis arrecadados pela Associação Comercial, comprados pela prefeitura e outros enviados pelo Governo do Estado, transformou Mossoró numa grande trincheira.

Mesmo sem conhecimento bélico, Rodolfo Fernandes montou a estratégia vencedora: distribuiu os Guardas em pontos altos da cidade os principais focos de resistência e estabeleceu algumas metas. A primeira delas seria evitar que os bandidos alcançassem o centro da cidade. E assim o fez. Transformaram-se em trincheira: a própria casa de Rodolfo Fernandes (hoje o Palácio da Resistência, sede do poder público municipal), a torre da Igreja de São Vicente (a mesma que está até hoje erguida no centro da cidade), a casa de Afonso Freire, o Ginásio Santa Luzia (hoje sede do Banco do Brasil no centro da cidade), o telégrafo, a torre da Matriz e a empresa F. Marcelino & C.

Ás 16h do dia 13 de junho de 1927, Mossoró vivia uma tarde chuvosa. Dia de Santo Antônio, dia de ir a missa, mas a cidade não tinha ninguém em suas ruas. O coronel Vicente Sabóia já havia sido alertado da presença dos cangaceiros em São Sebastião e comandou a bem sucedida operação de evacuação da cidade. Os mossoroenses que não se entrincheiraram foram para casas de parentes e amigos na zona rural ou até mesmo em outros estados. Em meio ao céu nublado, começou a cortar naquele escuro de fim de tarde o relampejo das balas dos cangaceiros.

Lampião vendera ao prefeito Rodolfo Fernandes a imagem de que iria atacar Mossoró com 150 homens, muito bem armados e com sede de vingança pela sua insurgência. O prefeito não se intimidou e montou uma guarda municipal com cerca de 90 homens. Capitão Virgulino apostou no seu marketing do medo, que traduzia as suas atrocidades muitas vezes maiores do que as cometidas. O prefeito Rodolfo Fernandes apostava na valentia do povo mossoroense e de sua recém criada Guarda e na estratégia montada em que o campo visual para o ataque seria excelente.

Há divergências quanto ao tempo dos combates. Alguns historiadores, como Raimundo Nonato da Silva, apontam para uma batalha de quatro horas. Em seus depoimentos aos jornais da época, inclusive este O Mossoroense, a ex-refém Maria José Lopes e o bandido Jararaca falaram em pouco mais de uma hora. Em seu diário, o coronel Antônio Gurgel também citou um período curto "de cerca de uma hora".

Em meio ao combate, Mossoró saiu vencedora e com dois troféus de destaque: os bandidos Colchete e Jararaca, ambos do grupo que entrara na cidade cantando os versos da canção paraibana "Mulher Rendeira..." Conta o historiador Raul Fernandes, que é filho do prefeito Rodolfo Fernandes, em seu livro a Marcha de Lampião, que os versos eram entoados da seguinte forma: "Ô mulhé rendeira!/ Ô mulhé rendá/ Me ensina a fazê renda/ Qu'eu te ensino a guerreá..."

Pelo jeito, quem ensinou a guerrear foi o povo de Mossoró.

Essa é nossa Guarda de Mossoró hoje vida longa a este guerreiros...


A bicentenária Guarda Municipal, pioneira em segurança pública no Brasil não abandonará suas atribuições constituídas desde a criação deste país.  Seus 100 mil Guardas Municipais estarão sempre prontos para defender a sociedade e proteger o cumprimento da Carta Magna desta nação.

Replicado pelo Subinspetor S. Santos - GMRIO

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E-MAIL ENVIADO PARA MIM POR MOEMA COVELLO ARAÚJO NETA DO FAMOSO CANGACEIRO LUIZ PADRE.


Por José Mendes Pereira
Moema Covello Araújo

Este foi um e-mail enviado para mim por Moema Covello Araújo, neta do famoso cangaceiro Luiz Padre, primo legítimo do mais famoso ainda o cangaceiro Sinhô Pereira. Ele foi o primeiro e único patrão de Lampião como fora da lei.

Sinhô Pereira e seu primo Luiz Padre

Segue abaixo:

Amigo José Mendes Pereira, no dia 17/de janeiro de 2017, faleceu em Palmas/TO, meu tio Vilar Araújo e Póvoa, irmão do meu pai Hagahus e terceiro filho do casal Luis Padre e Amélia Póvoa.

Filhos do cangaceiro Luiz Padre: Da esquerda para a direita: Vilar, Wilson e Hagahus

O sepultamento ocorreu na cidade em que morava: Dianopolis/TO, dia 18/01/2017.

Abraço
Moema Araújo

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sábado, 21 de julho de 2018

HOJE NA HISTÓRIA DE MOSSORÓ

Por Geraldo Maia do Nascimento

Em 21 de março de 1923 dava-se o falecimento do Major Antônio Pompílio de Albuquerque, nascido em 1 de outubro de 1847. Era Cearense de Icó. Se fez mossoroense através de uma vivência de longos anos integrados a sociedade. Na sua vida pública ocupou a suplência de vereador, no triênio 1881-1883. 


Por longos anos, desenvolveu largas atividades no comércio e é nome pioneiro na iniciação dos transportes em Mossoró. Seu Ponpílio foi o proprietário do carro que fazia o transporte de passageiros entre Mossoró e o Porto de Santo Antônio, batizado pelo povo de "Diligência". Como abolicionista de ação considerada de relevo, foi sócio instalador da Sociedade Libertadora.

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TRÊS MARTELOS DE AMIZADE


Por Antônio Francisco

Pra nós sermos amigos de verdade,
Precisamos amar e querer bem;
Repartir nosso pão pela metade;
Dividir nossos sonhos com alguém;
Plantar uma semente de amizade
no jardim onde nasce a solidão
e dizer no ouvido do ermitão:
Plante um pé de amizade em sua horta!
Amizade é a chave que abre a porta
Do castelo onde mora o coração.

Dê uma volta no carro da amizade,
puxe 80 km de amor!
Se desvie da estrada do rancor;
Solte os freios descendo a humildade;
Acenda os faróis da caridade;
Ilumine a estrada do irmão;
Baixe o vidro da porta e dê com a mão,
É um gesto que é tão simples mais conforta.
Amizade é a chave que abre a porta
Do castelo onde mora o coração.

Se afaste do caos da vaidade;
Nunca pise na beira desse abismo
Nem se mele com a lama do egoísmo;
Beba água da fonte da verdade...
Só assim entraremos na cidade
Batizada com o nome de Sião.
Vamos todos, amigos, dar a mão!
Uma amizade sincera ninguém corta.
Amizade é a chave que abre a porta
Do castelo onde mora o coração.

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TV E JORNAL ENTREVISTAM ESCRITORES SANTANENSES

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de julho de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.946
JORNALISTAS ENTREVISTAM B. CHAGAS. (FOTO: MARCELO FAUSTO).

A população de Santana do Ipanema foi ontem representada pelos escritores Clerisvaldo B. Chagas e Marcelo Fausto em sua historiografia cangaceira. Já no cair da tarde – tendo como palco o Restaurante e Pousada Aquarelas – uma enxurrada de perguntas, por mais de duas horas, crivou a mente dos sertanejos na Távola Retangular daquele estabelecimento. A catapulta veio com satisfação dos jornalistas da Tribuna Independente e TV Cultura Wellington Santos, Adailson Calheiros e João Marcos Carvalho. Os cenários dos anos 20 e 30 foram rastreados na desenvoltura dos jornalistas no cerco aos bandos cangaceiros. Santana do Ipanema surgiu inúmeras vezes como núcleo de forças volantes e sede de batalhão formado para combater o cangaceirismo em Alagoas.
Santana do Ipanema começa a sua notoriedade na luta contra bandidos, a partir da implantação do 20Batalhão de Polícia com sede na cidade. Ocupando a Cadeia Velha e depois o prédio ocioso construído para ser hospital, os soldados tinham como comandante o, então, major José Lucena de Albuquerque Maranhão. Era daquele edifício que saíam as ordens para todas as volantes espalhadas em território alagoano. Dali também saíram as últimas ordens para o aperto final da polícia contra Lampião e seus asseclas. E para quem não sabe, partiu de Santana do Ipanema para o Brasil e para o mundo a primeira notícia da morte de Lampião, Maria Bonita e mais onze congaceiros. A igrejinha/monumento a Nossa Senhora Assunção, recebeu em seus degraus a exposição das onze cabeças dos sequazes trucidados na fazenda Angicos, em Sergipe, por três volantes alagoanas.
Este é apenas um resumo da entrevista à Tribuna Independente e a TV Cultura, diante das argutas indagações dos escolados jornalistas. A história do cangaço na compartimentação Santana do Ipanema é totalmente ignorada pela sua população de hoje, mas, rica em detalhes em nosso livro: Lampião em Alagoas,atualmente, única testemunha daquele tempo tenebroso.
Mas como essa geração pode saber de nada se a história do município não está nos currículos escolares. Enquanto isso o livro “O boi, a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema, continua na gaveta”.
Onde estão os mecenas e as autoridades?


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O AMIGO JAJÁ

Por Rangel Aves da Costa

*Rangel Alves da Costa


Os anos 90 foram marcados por imensa efervescência cultural na capital sergipana. Mesmo com diversos espaços voltados para atrair a juventude, a classe estudantil e acadêmica, bem como a intelectualidade, boa parcela das “cabeças pensantes” procuravam se reunir em espaços que se identificassem com o seu espírito ora de rebeldia ora do simples prazer da boa acolhida, do bom diálogo, dos atrativos e da boa música.
Um destes “pubs” efervescentes chamava-se Mahalo. Mas o Mahalo não era um simples ambiente com cadeiras e mesas para a bebida e o petisco, e aonde a pessoa chegava e saía depois de alguns instantes. Sua concepção inovadora permitiu que ainda hoje estivesse vivo na memória de profissionais e da intelectualidade aracajuana.
Sim, pois jornalistas e outros profissionais da comunicação social, escritores, professores e advogados, dentre outros, um dia adentraram as portas do Mahalo e lá se encantaram com a ambientação diferente, as exposições de poesia, a música ao vivo, etc. E tudo nascido da inventividade futurista de um moço batizado como Jailton Freire, mas por todos conhecido apenas como Jajá.
Ao lado de Cristina, sua esposa à época, passou a oferecer aos noctívagos aracajuanos, principalmente àqueles que saíam das salas de aula na Unit da Rua Lagarto e desejavam dialogar em torno de uma mesa e uma boa música, a oportunidade de uma noite muito mais convidativa e prazerosa.
Foi no Mahalo que fiz minha primeira exposição de poemas. Logo em seguida Jozailto Lima - hoje famoso jornalista e escritor - igualmente expôs seus poemas. E uma infinidade de outras atrações. Foi desde esse bom quadrante da vida que passei a conhecer Jailton, o nosso Jajá.


De rara inteligência, sempre inovador, sempre calmo e aberto ao diálogo, extremamente zeloso com aquilo que chama a si ou que põe as mãos, assemelha-se mais a um cordame humano que vai se alongando em novas amizades aonde chega ou passa. Chega para a pessoa e logo diz: “E aí cara, tudo bem?”.
Eis o mote para o diálogo profundo, inteligente, generoso e franco. Sempre defensor das liberdades, das opiniões e expressões pessoais, Jajá se constitui na   quele que prega o livre arbítrio com responsabilidade. Ainda hoje, mesmo depois de tanto tempo daquele primeiro Mahalo, ele continua como um menino sonhador.
Mas os voos são outros. Depois que o Mahalo mudou de endereço e por fim fechou suas portas, então Jajá começou a colocar em prática um voo maior de liberdade. Saiu da terra e foi para as águas, abdicou dos horizontes cinzentos e feios e foi viver os azuis das gaivotas dos altos mares e oceanos. Tornou-se marinheiro (Primeiro Oficial de Maquinas/Oficial Superior de Máquinas na Transpetro) e a cada dia ele faz postagens de fotografias de seus destinos azuis, belíssimos, apaixonantes.
Ora está nas costas chilenas, ora está nos confins do mundo singrando o seu navegar liberto, bem ao seu estilo e ao que clama sua vida e seu jeito de ser. Pai de rapazes que um dia eu conheci meninos, atualmente é casado com uma mulher maravilhosa e que é a espiritualidade mística em pessoa: Gwendolyn Thompson. Nunca vi um casal tão nascido um para o outro.
Ele, Jajá, pássaro em voo, e ela, Gwendolyn, o céu de nuvens perfeitas ao voo. Abraço-te, pois, amigo Jajá. Como diz Gwendolyn: Namastê! Curvo-me diante de ti, perante o teu sagrado brilho!

Escritor
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EXTRA, EXTRA!


Com a sensacional manchete LAMPEÃO ESTÁ NO RIO DE JANEIRO?, o jornal "CRÍTICA", nas edições de 31 de julho, 1º, 2, 3, 4 e 6 de agosto de 1929, tentou demonstrar aos seus leitores, embora sem bons fundamentos, que o cangaceiro Virgulino Lampião estivera, em julho de 1929, em tratamento oftalmológico, na Cidade Maravilhosa, a então capital do Brasil, Rio de Janeiro.

Os demais jornais fluminenses, alguns deles circulantes em todo o Brasil, nenhuma linha eles escreveram, nada disseram a respeito da alardeada notícia dada por este menos expressivo "Crítica".

Pelo que eu li, "Crítica" foi um matutino, de existência efêmera, curta, pois fundado em novembro de 1928 e extinto em outubro de 1930, que funcionou basicamente como órgão de defesa e promoção da candidatura do paulista, governador de São Paulo, Júlio Prestes, à presidência da República. Observei, outrossim, que este jornal, nesta sua empreitada, valeu-se aqui e ali da figura nacionalmente famosa de Lampião, para desqualificar os seus adversários nordestinos, o ex-presidente Epitácio Pessoa e o seu sobrinho, o governador da Paraíba, João Pessoa, o vice na chapa de Getúlio Vargas, sempre acusando-os de promovedores do cangaceirismo, e que tais políticos mantinham ligações amistosas com o cangaceiro Lampião.

Fato é que os sulistas, de uma forma geral, que, naquele tempo, enxergavam e sentiam o cangaço como algo distante, espetacular, sensacional, devido ao modo mais das vezes romântico e humoristíco com que a imprensa, especialmente a do Rio e São Paulo, traduzia o banditismo nordestino, adorariam conhecer, estar com Lampião e divertir-se com a tropa de cangaceiros, devidamente paramentada, eles como verdadeiros artistas, num palco, simulando ataques, tiroteios, dançando xaxado.

Encheriam ruas, largos e praças, os cariocas, para ver e tocar no fenomenal personagem, um dos mais conhecidos brasileiros da história, símbolo maior de um banditismo que não surgiu por acaso, nem sem causas, o Lampião, um criminoso dos grandes, saqueador dos maiores, matador sanguinário, este foi o seu destino, e que o tanto fascínio que a sua longa e heroica tragetória causou, terminou por ofuscar a sua real história, mas iluminar na forma de enriquecimento, as artes, como a literatura, o teatro, o cinema etc.

Divirtam-se com esta matéria do jornal CRÍTICA, a qual, se longe de expressar cabalmente uma verdade, qual seja, a presença de Lampião no Rio de Janeiro, pelo menos, se presta a mostrar-nos um pouquinho dos modos de vida, hábitos, costumes, lugares, da mais belas das cidades, na terceira década do século XX passado.

Lampião no Rio de Janeiro?

O nosso correspondente na Bahia afirma a ignorância, naquele estado, sobre o paradeiro do famoso bandido. – Todas as vias de comunicação exterior da cidade estão sendo severamente vigiadas.

O bandido homiziado no Morro de São Carlos?

É este o boato que, à última hora colheu a caravana de CRÍTICA. Lampião, com dois asseclas, e suficientemente apadrinhado de poderosas figuras da política regional de certo Estado nordestino, encontra-se homiziado, aparentando-se um morador recente, nos labirintos de ruas duvidosas daquele morro.

Desta forma, uma investigação policial, bem orientada, naquele local, talvez redundasse em feliz e inesperado resultado. Toda pista, insignificante embora, merece sérias atenções e diligências. Clamoroso que este bandido, afrontoso, perambule por esta cidade, em uma segurança proveniente de desmoralizantes motivos aos homens encarregados da ordem social. Neste momento, de automóvel, partem para ali, a caravana de CRÍTICA, e vários investigadores de polícia.

A cidade empolgada com a notícia da estadia do famigerado Lampião. A realidade de semelhante acontecimento apresenta-se cada vez mais forte, com face de novas significativas circunstâncias. Ainda fizemos ver sob certos aspectos as restrições necessárias aos despachos telegráficos, quando das notícias sobre as carreiras do famoso bandoleiro nordestino. Os informes sofrem, não raramente, desmentidos formais. E ao afirmar-se que se encontrava ele, num cerco de morte e ferido de morte, nos sertões baianos, apressamo-nos a dirigir ao nosso correspondente naquele Estado, em uma intenção de sinceridade induvidosa, um despacho, pedindo urgentes informações sobre o cangaceiro, que dizemos estar nesta cidade, em estação de cura.

E oferecemos em outro local, a resposta prontamente obtida. Não estranhamos, de modo algum, o silêncio que a imprensa tem feito em torno do fato. Na verdade, é uma coisa quase inconcebível, porém que merecera a aceitação das nossas mais altas autoridades policiais, habilitados, assim, a um juízo dentro das verdadeiras possibilidades. O bandido, sabe-se amplamente, há transitado, incógnito, em cidades populosas nos interiores estaduais, onde a sua identificação seria feita, não fossem as hábeis precauções dele, imediata.

Envolvido, no caso, o padre Cícero?

Ontem, levantamos esta hipótese. Hipótese forte. Nos transes da moléstia que lhe torturava os dias, o bandido, dirigindo-se, talvez, à Meca cearense, implorara a proteção de “seu Padim”.

Dissera da sua situação dolorosa e como no conhecimento instintivo das possibilidades médicas do meio, falara da desconfiança que lhe inspiravam os curandeiros, utilizando, em suas operações, processos misteriosos e assombrativos. O velho Padre, com razões muito suas e por uma boa dose de perspicácia dos proveitos políticos que tiraria deste favor, auxiliou o bandido, encaminhando-o no Rio, mediante intermediários seguros e capazes.

Lampião não trepidaria, em absoluto, na empreitada conquanto a mesma tinha o placet do velho padre. A confiança absoluta que Lampião deposita no espírito do padre, já a afirmara, há tempos, nesta frase:

- Eu, por meu Padim, vou inté pro inferno, quanto mais pro çumitero que é logá sagrado.
No caso não se tratava ainda do inferno, tampouco do çumitero, mas do Rio de Janeiro um céu-aberto.

Quando a polícia dormia: Lampião, com efeito, está preocupando todo o mundo. Até a polícia. E surgem os primeiros ensaios de versos populares, como estes que nos foram enviados pelo trovador que se assinou Manoel Vieira de Lima:

Lampião no Rio quando a Polícia dormia

De trinta para trinta e um
O povo daqui nada sabia,
Que o Lampião do Norte
No Rio permanecia,
Com muita calma sem barulho
Veio ao Rio no mês de julho
Quando a polícia dormia.

Talvez fosse alta noite
Ou até mesmo de dia,
Quando ele aqui chegou
Pela calma que havia
Ele sutil e bem macio
Conseguiu entrar no Rio
Quando a polícia dormia.

Veio tratar de um olho
Que há longo tempo sofria,
No gabinete do oculista
Disse onde residia
Aproveitou daqui o frio
E assim gozou no Rio
Quando a polícia dormia.

Não sei se veio só
Ou se algum cabra trazia,
E assim pode saber
O que contra ele havia.
Dançou muito e nada viu
Rindo-se entrou e saiu
Quando a polícia dormia.”

Um que viu o Lampião!

Em nossa redação surgiu, hoje, um cavalheiro, cujo nome pediu não fosse declinado, que afirmou ter visto, nas proximidades do largo do Machado, no bairro do Catete, um indivíduo trazendo sinais idênticos aos do famigerado bandoleiro. Perguntamos-lhe porque não o apontara ao primeiro guarda civil ou não dera alarme?

Respondeu-nos que assim não procedera à falta de dados positivos. Aí fica a indicação confirmativa.

“Crítica” Diligência

A nossa caravana encontra-se em grande atividade, infatigável, vencendo obstáculos, no afã de descobrir o celebrado salteador, e mostrar até onde é errônea a suposição de alguns incrédulos da realidade da sua presença.

Temos diligenciado em todos os sentidos. A polícia por sua vez orienta em sentido idêntico sua ação. A assistência de amigos do Padre Cícero, estamos certos, obstam, em grande parte o melhor dos nossos esforços.

Se já esteve ele em outras tantas cidades, disfarçado. E sabe-se dos estupefacientes expedientes de que lança mão para estes fins. Lampião no Rio. Protegido pela política regionalística, do coronelato ignóbil dos sertões.

Lampião no morro de São Carlos!
A policia perseguindo um pacato morador do Morro do São Carlos

Lampião no Rio de Janeiro! “Crítica” vem insistindo nesta afirmação, porque, cada dia, se documenta em dados, informações, e indícios, tão evidentes que se tornam quase incontrastáveis. As hipóteses formuladas sobre a veracidade deste fato, mereceram, de maneira franca, a própria aceitação das nossas mais eminentes autoridades policiais.

De qualquer forma, as circunstâncias estão a indicar, por mais tenaz que se faça agora, a ação da polícia, fatalmente resultará infrutífera. O bandido, sentindo-se descoberto, pôs-se a fresco, tomando um rumo, ou local, que lhe oferecesse mais segurança e tranquilidade.

Seguindo a pista que nos fora fornecida, de seu homizio no morro de São Carlos, a caravana de “Crítica” para ali partiu, desenvolvendo no labirinto de ruas sórdidas do morro, uma ação que ultrapassou os próprios limites de suas possibilidades.

A nossa reportagem irradiou-se por toda aquela zona malandra da cidade, fortificada pelos desejos de fornecer, ao público carioca, a positivação deste formidável “crack” jornalístico que é a estada de Lampião da gloriosa cidade de São Sebastião. Os nossos esforços, quais os da polícia, resultaram baldados. O tradicional morro manteve encerrado, nos seus casebres e na sua sordidez o celebrado bandido.

A Polícia perseguindo um sócia do cangaceiro

Recebemos, na manhã de ontem, em nossa redação, a visita angustiada do Sr. Adolfo da Costa. Este senhor acaba de passar por uma maratona de susto. Disse-nos ser morador do morro de São Carlos, na rua do mesmo nome, nº 133, e trabalhar em certa obra da Estrada de Ferro Central do Brasil. E contou-nos que a polícia suspeitando-o ser o Lampião, persegui-o ferozmente, vigiando-lhe os passos, adivinhando-lhe nas atitudes mil intenções duvidosas.

Enfim, concluiu o Sr. Lucas, que a vida, de dois dias a este momento tornou-lhe um suplício. Vigias policiais por toda a parte.

- E, eu Sr. Redator, - finalizou – nem óculos uso. Tenho a visão tão perfeita.

Aí fica a reclamação do Sr. Lucas. E nós asseguramos à polícia que ele não se assemelha ao Lampião.
Entre Lucas e Lampião há uma grande diferença.

Uma carta aberta a Lampião

Ontem publicamos o jato poético que Lampião, vindo ao Rio, despertou em um poeta Manoel Vieira de Melo, hoje muito invejado dos seus rivais, porquanto alcançou, o que os outros não conseguem ser lido por cem mil pessoas inteligentes, que são os cem mil leitores de “Crítica”.

A ação da caravana de "Crítica"

As diligências procedidas pela caravana de “Crítica” e a polícia fazem supor ter o famigerado cangaceiro Lampião, tomado habilmente rumo ignorado todavia “Crítica” colheu informes incontrastáveis da estadia do bandido nesta cidade.

“CRÍTICA” continua empenhada, utilizando todos os seus esforços, no sentido de buscar uma confirmação positiva e incontrastável da estadia, nesta cidade, do sinistro bandoleiro Lampião.

As diligências da polícia, procedidas nestes dois últimos dias, no casario daquele morro, vieram avolumar as suspeitas sobre a realidade do fato de que “Crítica” vem tratando há dias.

Conforme, fazemos ver linhas mais abaixo, uma turma de investigadores, espalhando-se por aquela parte da cidade, capturou ali dois indivíduos sobre os quais pesam bem graves suspeitas. Queremos precisar, com esta circunstância significativa, o fundamento de nossas informações e a pista segura em que nos lançamos, desde a primeira revelação que nos fora trazida, através de um anonimato, que por ser anônimo nem por isso deixou de incutir-nos sérias suspeitas. Cumpre-nos, pois, como quase um último remate de nossas indagações, afirmar a fuga provável do bandoleiro, em face dos comentários populares e dos boatos que circulavam amplamente na cidade.

Que nos podem responsabilizar de, ao nosso alarido, o bandido ter escapado, rejulgamo-nos no direito deste reparo – a orientação da polícia (...) do mais limitado senso policial. Desprezou e não cuidou de apurá-las, durante largo espaço de tempo, as informações que lançávamos em torno da audácia do bandoleiro. Somente após informações que lhes dirigiram também, as nossas autoridades resolveram-se à atividade.

E aos seus primeiros passos foram encontrando indícios comprobatórios. Agora, inutilmente, depois de delongar uma solução urgentíssima, varejam o morro os homens da polícia, abrem interrogatórios, encarceram, vigiam.

“Crítica” apurou ainda vários indícios. Ouviu, em ponto diverso da cidade, informações precisas da passagem do bandido em demanda de um ponto onde lhe fosse favorável a uma fuga infalível.

Confirma-se, assim, a estadia nesta cidade, do famoso bandoleiro. A ação formidável da caravana de "Crítica"

Como último remate às investigações procedidas pela caravana de “Crítica” e, em parte, pelas derradeiras diligências policiais, podemos formular a afirmação de que, realmente, o bandido Lampião esteve no Rio, em procura de atenuantes médicos à sua enfermidade e que, ao ser denunciado, por este jornal, inutilizando, mais uma vez, com esta “reprise” de façanha sertaneja em pleno meio cosmopolita, quaisquer tentativas no sentido de captura-lo.

“Crítica” precisou, agora, em circunstâncias incontrastáveis, a veracidade da permanência do bandido nesta cidade. Lampião este no Rio.

Foi ao consultório do Dr. Murilo Melo. E ao do Dr. Geraldo Vieira. E instalou-se, sobressaltado, durante o tempo que lhe permitiu a reportagem de “Crítica”, em certa pensão do centro da cidade, nas proximidades viciosas do largo da Lapa, conforme apurou nossa caravana. E, certamente, residiu ou perambulou, como em local favorecido, nas ruas do morro de São Carlos, ali, dentro da cidade, às barbas de todo o mundo, nos princípios da rua Frei Caneca.

Quando o celerado se ocultara, rodeado de precauções, fugira, aproximara-se, novamente, dos sertões nordestinos, foi que a polícia, alarmada, pôs-se em campo, varrendo todos os lugares suspeitos, devorando tudo, homens e coisas, com os seus olhos de lince de jardim zoológico, sem alguma e nenhuma coisa alcançar. A residência efêmera do bandido, nesta cidade, fora descoberta pela nossa reportagem, que, consequentemente, deslindou tão sugestivas pistas e indícios, detalhes, informes, esclarecimentos, que são apresentados aos cem mil leitores de “Crítica” e, também, como último consolo, à perspicácia dos nossos policiais.

Lampião esteve na Avenida Mem de Sá

A pista que colheu a nossa reportagem, em última investida ao mistério que o cercou a viagem do bandoleiro Lampião a esta cidade, é por forma tal tão fortemente convincente que não dá lugar a dúvidas sequer. Em um “tour de force” jornalístico, “Crítica”, derramando na cidade, os auxiliares de sua caravana, imprevistamente, em local tão habilmente escolhido a fim de não despertar suspeitas, onde se instalara o bandido e onde estaria até o momento d’agora não fosse a denúncia que “Crítica” tornou pública.

Em sua estadia efêmera de três dias nesta cidade, Lampião hospedou-se na pensão da Avenida Mem de Sá, nº 20, dirigida pela senhora Laura Pereira de nacionalidade russa. “Crítica” esteve naquele prédio e ouviu aquela senhora, que nos disse o seguinte, após muita relutância e insistência da nossa parte.

Bonde Praça da Bandeira, Largo da Lapa, anos 30

- Há dias passados – narrou nos – apareceram, ali, dois cavalheiros trajados com muito apuro e que evidenciavam, em todos os ademanes de suas pessoas, elevada e evidente qualificação social.

Atendeu-os os visitantes, convidados à sala de entrada, declinaram estão os motivos que os trouxeram ali. Haviam recebido de pessoa distinta e muito conhecida em altas rodas da cidade as mais lisonjeiras informações acerca da casa e do tratamento dispensado aos pensionistas e, como, neste momento, um amigo, comum viajava do Norte a esta cidade, desejavam instalá-lo ali, certos de que, em condições idênticas, melhor não seriam servidos. Esperavam, assim, acolhimento à proposta que faziam. Desejavam um aposento, bem servido e instalado; não mediam despesas que passariam a vigorar do momento presente, desde que entrassem em acordo.

Em face de uma proposta assim, partida de tão altas e induvidosas pessoas, a senhora Laura exultou secretamente, e levou-os, incontinente, a um aposento vago, cujos inquilinos se haviam retirado no dia antecedente. Fecharam o negócio, retirando-se os visitantes.

Como verdadeira profissional de seu mister – a senhoria, correspondendo a reputação de sua casa, não mediu esforços a emprestar ao aposento uma necessária aparência de conforto e higiene, fazendo jus ao desconhecido e sobremodo recomendado inquilino. Não precisou o dia exato. Falhava-lhe a memória, não precisava exatamente a data. Porém, poucos dias após a visita, um dos cavalheiros chamou-a ao telefone, avisando-a da chegada, do outro em breve, do amigo que viajava para esta cidade. E indagava, solicitamente, dos preparativos e das disposições de tudo que se relacionasse ao bem-estar de tão cuidada e assistida pessoa. Passou-se os dias, e, a 26 do mês último chega o grande homem, tão esperado. Fez-se acompanhar somente de um dos seus anteriores amigos.

Quando lhe foi apresentado, o recém-chegado causou-lhe péssima impressão. E não fossem as circunstâncias do compromisso e muitas outras contingências, teria recusado, peremptoriamente, aceitar como pensionista semelhante indivíduo. Observou-lhe uma fisionomia dura, cerrada a toda expansão de cordialidade, quase repelente, inspirando profunda antipatia nos gestos, nas atitudes, uma desconfiança feroz.

E, pouco recomendável, legítimo caipira, mal calçado, mal vestido, à carantonha óculos escuros, que escondiam uns olhos vivado de enfermidade violenta. Vacilou um instante. Entre seus inquilinos pessoas de certa distinção, certamente que aquele contato desagradaria. Contudo, constrangidíssima não o recusou. E o homem, despedindo-se do amigo ilustre, sussurrando-lhe confidências, dirigiu-se ao aposento que lhe fora reservado, cerrando-o.

Um notívago misterioso

Decorridas algumas horas, uma criada bateu à porta do novo hóspede, indagando se não necessitava algo. Recebeu resposta negativa.

Chegara pela manhã, e a tarde toda permanecera encerrado, inacessível, inspirando já aos criados e à senhoria crescente curiosidade, em que participa, procriando coisas formidáveis, uma imaginação desocupada.

Cerca das sete horas da noite, na cumplicidade da hora, um desconhecido veio visita-lo. Trancaram-se os dois. Conversaram surdamente. Em seguida saíram.

Pela madrugada alta, quando alguns dormiam e outros se encontravam recolhidos já, o hóspede que ia inspirando mistério e curiosidade, voltou.

Sentiram-no subir cautelosamente as escadas. Dar volta à chave do aposento e recolher-se.
Pela manhã, serviram-lhe o café.

Às doze horas saiu, voltando logo depois, e encerrando-se, em não se sabe qual secreta e inconfessável ocupação. Confessou-nos, em face de tudo isto de equívoco, dona Laura a contrariedade de alojar tão estranho hóspede.

Aquelas precauções, desconfianças, sobressaltos, aquele pavor de sair à luz do dia, tudo inspirava desconfianças e desgostos à senhoria.

Contudo, sem motivos plausíveis, e como seria uma hospedagem efêmera...

Desde que ocupara o aposento, nem para a necessária limpeza diária o inquilino consentia na entrada dos serventes.

Tornara-se aquela porta, inviolável. Quando, ao sair raramente, durante dois dias, levava consigo a chave. O café era recebido de porta entreaberta, e a curiosidade espicaçadas dos criados somente se satisfazia em rápidos lances d’olhos ao interior. E muito pitorescamente, revelando bem o espírito de observação das donas de pensão, a senhora Laura Alexandroff reforçou suas suspeitas, afirmando:

- Acredite o senhor, nem banho aquele homem tomava. Foi embora daqui, sem saber onde ficava o banheiro...

Desaparecimento precipitado

Esta a situação de quatro dia, quando, inesperadamente, sem justificativas, o hóspede desaparece misteriosamente, anoitecendo e não amanhecendo.

As suspeitas avolumam-se e alguém dos pensionistas fez notar a coincidência do fato com uma revelação de “Crítica” sobre a estadia do bandido Lampião nesta cidade, D. Laura apavorou-se e, não fosse a oposição de alguns hóspedes, que lhe fizeram ver os inconvenientes desta medida, teria revelado à polícia distrital suas suspeitas.

Aguardasse ocasião mais oportuna. E os comentários surgiram, as suposições cresceram no espírito de D. Laura quando, comparando os traços fisionômicos do bandido, em uma fotografia que publicamos, com os do suspeitoso hóspede, constatou rara semelhança inequívoca. Se aquela era a fotografia do bandoleiro, indubitavelmente este era o homem que hospedara e que se apresentara tão fortemente recomendado.

Aposento onde esteve Lampião

Fomos conduzidos ao aposento onde, durante três dias, se alojara, quase principescamente, ferindo-lhe o exotismo de certos utensílios domésticos, o bandoleiro celebrado. A porta fora violentada, porquanto o bandido levara a chave em sua fuga. Deparamos comum interior amplo, arejado, de suas janelas ao fundo, larga cama, de pau cetim. Guarda-casaca, lavatório, e outros moveis acessórios, compondo excelente mobiliário de solteiro. Tapete, ocupando metade do solo do aposento. Entramos. Ainda indeciso da permanência do inquilino.

Papeis queimados ao solo. Manchas de vigorosas cusparadas no assoalho. Em baio do leito de pau cetim, um fragmento do “Jornal da Bahia”, amarrotado e que servira de invólucro de pequeno objeto. Nada mais de significativo.

Salvo o atraso da folhinha, ainda no último dia do mês passado.

Outros detalhes

A senhoria da pensão Mem de Sá, recebeu-nos justamente alarmada, mostrando terror indizível aos jornalistas e à polícia.

Evidenciou, ao mais fraco observador, profunda perturbação interior e traduzia, em sua narração, calculadas reservas, reticências estudadas e visível pouca vontade de precisar, afirmar, detalhar, abrindo parênteses de informações vagas, insuficientes. Explicava-se esta atitude. Aquela senhora, tornando-se sua pensão, embora acidentalmente e por espaço rápido de tempo, o esconderijo do famoso salteador, alvo de perseguições, vinditas, do povo e da polícia, alarmou-se naturalmente, rodeando-se de receios e precauções. A sua reserva breve, porém, dissipou-se, e, confessando, sincera, o esvaecimento de seus temores, de amigos que desejavam simples informações, abriu-se, loquaz.

Feriu de morte as reticências

O hóspede recebera visitas repetidas e que impressionavam.

Cavalheiros de notoriedade política, do norte do país, cujos nomes não se recordava, ou não ligava às pessoas. Um deles, viera durante o dia. E, como industriário, conhecendo perfeitamente o interior do prédio, dirigiu-se ao quarto, batendo à porta.

Demorou longo tempo

Retirou-se, após, sob o mesmo anonimato. Vieram dois mais. E, à noite, por duas vezes, dois seguintes foram recebidos.

Sabe D. Laura informar que, à tarde antecedente ao desaparecimento do hóspede misterioso, que acredita ser agora o bandido Lampião, um dos seus estranhos visitantes viera ao aposento, retirando-se com a volumosa maleta de mão que trouxera o hóspede.

As informações de um pequeno carregador

“Crítica” conseguiu ouvir o menor Álvaro Maciel, filho de Álvaro Maciel, residente na rua Fazenda da Bica, nº 59, casa 2, que transportara a “gare” da Central a maleta que se presume de propriedade do famoso bandoleiro. Um pretinho vivo, de olhar inteligente, e que, sem rebuços, foi falando:
- Sim, levara, dali, da avenida Mem de Sá, às proximidades do Largo da Lapa, uma maleta até a Central do Brasil, servindo, mediante uma gorjeta, a um indivíduo que o chamara para este fim. Não sabe informar se o viajante embarcara em noturno.

Conduzira, tão somente, o volume, sendo acompanhado, no trajeto, por um terceiro indivíduo.
Recebido o pagamento, abandonou a gare, onde o esperava já o indivíduo que lhe entregara a maleta.
Matéria transcrita pelo pesquisador Antonio Correia Sobrinho


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