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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

OBJETOS PERDIDOS DE LAMPIÃO.

 Clerisvaldo B. Chagas, 3 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3354

  Após a tragédia de Angicos, muitos objetos pertencentes aos cangaceiros e mesmo com o bando em atuação foram encontrados em diversos pontos da caatinga. Alguns pontos até inusitados.  Balas, fuzis, refles, pistolas, punhais e mesmo utensílios caseiros. Os principais esconderijos para essas coisa eram locas de pedras, oco de árvores e escavações artificiais de todos os tamanhos. Um dos problemas que os cangaceiros tinham para resolver era como esconder o excesso de balas sem que elas não arruinassem. Inúmeras tentativas foram realizadas sem êxito, até que descobriram - segundo o filho de Corisco e Dadá, Silvio Bulhões - que a melhor maneira descoberta era colocar as balas dentro de recipientes de vidro e vedar a entrada com cera de abelha.

  As descobertas passaram a acontecer mais, com a aceleração do desmatamento a partir mais ou menos da década de 1960. Alguns desses objetos são levados para pessoas conscientes que procuram entregá-las aos museus apropriados com os seus respectivos históricos desses achados. Às vezes estaciona nas mãos de um egoísta que possui um ou dois objetos pertencentes ao antigo cangaço e que se acha grande colecionador de coisa que pertenceu a Lampião, para não largar o osso. E acontece ainda roubos de peças de museus que acreditamos que seja apenas para satisfazer o ego em dizer que possui isso ou aquilo do cangaço.  Vimos também, não somente uma vez, museu de cangaço completamente esvaziado e resumido a apenas quatro ou cinco artigos de jornais. Uma vergonha!

 Mas também, para os admiradores das histórias cangaceiras nordestinas, nunca foi encontrado nenhum objeto do cangaço no prédio onde funcionou a sede do Batalhão, em Santana do Ipanema. Prédio este que ficou ocioso após o epílogo do cangaço, até ser transformado em Escola Secundária. Era o Centro das Operações contra o banditismo em Alagoas.  Do período em que o Batalhão foi embora até o presente momento, houve um silêncio profundo sobre o cangaço como se ele nunca houvesse existido. Ali, no início da década de 50, surgiu na principal cidade sertaneja, uma nova era, a era do Ensino e, o livro fez esquecer na memória de velhos e de novos o terror que parece mentira.

https://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2026/02/objetos-perdidos-de-lampiao-clerisvaldo.html

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QUEM É O HOMEM DA FOTO ABAIXO?

 Por Sálvio Siqueira


Este é o soldado volante que operou a metralhadora que atingiu o "Diabo Louro" (Corisco). 

Cangaceiro Corisco

Os projéteis da rajada da metralhadora abriram seu abdômen, na tarde do dia 25 de Maio de 1940. Consequentemente, levando Corisco à morte. Trata-se de José Pereira, seu nome de "guerra" MURUNDU.

Fonte principal postagem do pesquisador Adauto Silva, no grupo "O Cangaço", em__ de maio de 2014.

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LOCAL ONDE ASSASSINARAM JESUÍNO BRILHANTE.

 Por Sálvio Siqueira

 Foto Pôla Pinto

Este lugar é tido como o local que o assassino ficou de tocaia e atirou no cangaceiro Jesuíno Brilhante. Muitos foram os autores/escritores que escreveram algum trabalho sobre Jesuíno Brilhante.

Para Câmara Cascudo, ele, Jesuíno Brilhante,”(...) "foi o cangaceiro gentil-homem, o bandoleiro romântico, espécie matuta de Robin Hood, adorado pela população pobre, defensor dos fracos, dos velhos oprimidos, das moças ultrajadas, das crianças agredidas (...). 

Jesuíno Brilhante era baixo, espadaúdo, ruivo, de olhos azuis, meio fanhoso, ficava tartamudo quando zangado. Homem claro, desempenado, cavaleiro maravilhoso, atirador incomparável de pistola e clavinote, jogava bem a faca e sua força física garantia-lhe sucesso na hora do "corpo a corpo". Era ainda bom nadador, vaqueiro afamado, derrubador e laçador de gado.

Sua pontaria infalível causava assombro, especialmente porque Jesuíno, ambidestro, atirava com qualquer das mãos(...)”. A imagem corporal acima narrada pelo escritor do 'Cangaceiro Romântico', é totalmente diferente daquela do ator que o interpreta na produção cinematográfica.

Fonte prioncipal: oestenews-heroismo.blogspot.com(Postado por PORTAL TERRAS POTIGUARES às 05:56, quarta-feira, 2 de dezembro de 2009)

Fonte: facebook

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O CANTO DO ACAUÃ DE MARIA DE LOURDES FERRAZ

   Um livro escrito com muita responsabilidade e amor.

De: Marilourdes Ferraz

EM TODA HISTÓRIA EXISTEM DOIS LADOS, DUAS VERSÕES, E AMBAS DEVEM SER CONHECIDAS, PESQUISADAS, EXAMINADAS E CONFRONTADAS, PARA SE TER UMA NOÇÃO SOBRE A VERDADE RELACIONADA AOS FATOS HISTÓRICOS.

Manoel de Souza Ferraz

O Livro "O CANTO DA ACAUÃ" (Foto) de Marilourdes Ferraz trás em suas páginas as memórias do Coronel Manoel de Souza Ferraz (Manoel Flor) relacionadas ao combate das Forças Policiais Volantes no enfrentamento ao cangaceirismo/banditismo que imperava nos Sertões Nordestinos entre meados do século dezenove e as primeiras décadas do século vinte. Uma das maiores obras já escritas sobre o tema cangaço de todos os tempos.

O CANTO DA ACAUÃ...

Para adquirir o livro entrem em contato com o Professor Pereira (Francisco Pereira Lima) (Cajazeiras/PB), através do e-mail:

franpelima@bol.com.br

Entrega garantida em qualquer localidade do país.
Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo)

Se ele não possuir mais em sua livraria  indicará quem ainda o tem para pedidos.

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FOI O ‘CABO PASTEL’ OU MANOEL DUARTE QUEM MATOU “COLCHETE” EM MOSSORÓ?

  Por Sálvio Siqueira


A historiografia do cangaço é, em si e por si, bastante complexa em seu amplo parâmetro.

Primeiro pela sua extensão de tempo, de 1756 a 1940 oficialmente e com isso ter feito parte de dois regimes governamentais, Império e República, mais o Estado Novo depois do golpe no golpe, onde o segundo pretendia rasgar, queimar, tirar do mapa, o primeiro. Segundo, junto a ela, a falta de títulos, registros, comprobatórios. A maioria das informações que temos escritas em obras literárias está ‘naquela’ de informações orais, notícias em jornais da época e/ou boletins militares. Se as três fontes de informações, em determinada informação, baterem, tiverem o mesmo ‘percurso’, a mesma ‘trilha’, bacana, estar tudo dentro dos conformes científico- metodológicos. Porém, raramente, as informações batem, pelo menos parecidas, nas três vias de pesquisa.

A fonte fornecedora oral sobre o passado tende por si aumentar, ampliar, parte daquilo que viu, soubera de outra fonte ou mesmo tendo passado, vivido a ocorrência. Isso faz parte da natureza humana, aumentar, diminuir, criar e fantasiar o que aconteceu ao longo da sua existência. É fato.

Uma das fontes escritas, único meio de comunicação em massa na época, os jornais escritos, tendem a tentarem chamar a atenção, particularmente, para o seu produto, aumentando, criando e fantasiando suas matérias para assim seu produto ter saída e as vendas aumentarem. Vemos, hoje, manchetes e matérias, da época da hecatombe, que nem a identificação de personagens e lugares é correta. É fato.

Por fim, temos a fonte de pesquisa dentro das corporações militares de cada Estado por onde o Fenômeno Social Cangaço “andou”, “esteve” e/ou se propagou. Essa fonte deveria ser de total confiança, porém, sabemos que não é. Os subdelegados, delegados e militares dos povoados, vilas e cidades da época, logicamente, não ‘podiam’ escrever, em seus relatórios e/ ou boletins, tudo aquilo que realmente ocorrera em determinadas ações empregadas por civis e militares nos vários embates contra cangaceiros, mesmo porque estavam sendo, sempre, empregadas contra ‘bandidos’ salteadores. Aí, muita gente que nada tinha haver com o ‘causo’, ‘dançou’ bonitinho. Foi castigada a base de ‘cipó de boi’ ou varas de marmeleiro ou mesmo mortas, assassinadas, não tem outra definição, e foram incluídas no somatório do total de bandoleiros abatidos. Também é fato.

Quando as fontes informativas seguem um mesmo rumo, até que se tem uma ampla segurança naquilo que se narra e/ou escreve, quando falha uma delas, a coisa começa a complicar. Há fatos escritos sobre as ações de bandos de cangaceiros, particularmente do de Lampião, em determinados lugares que, jamais o cara colocou os pés nem nos limites do município, imaginem ter adentrado e praticado os horrores costumeiros.
Bem, voltamos a falar nesse texto sobre o ataque que Lampião fez, ou tentou na fazer, a cidade norte rio-grandense de Mossoró.
O sol já havia pendido no horizonte quando o prefeito da cidade, coronel Rodolfo, envia para o chefe cangaceiro, Lampião, seu último bilhete dizendo não ter, nem poder enviar a quantia solicitada. Ao enviar aquele bilhete, com certeza sabia o Intendente que mexeria num vespeiro. Só que, sabidamente, ele organizou uma defesa armada, teve tempo para isso. O coronel organizou uma defesa com os militares que ficaram na cidade junto aos civis determinados, a fim de defendê-la dos proscritos. O coronel sabia da quantidade de cangaceiros que acompanhava o pernambucano chefe, inclusive, do total após terem se aglomerado os bandos de Lampião e Massilon Leite. Nas escuras, sem saber, pelo menos da quantidade, todos sabemos que seria loucura.

Lampião usou uma das armas mais combatíveis e eficientes no decorrer da sua guerra particular, o medo. O medo, gerado por mortes terríveis, sofridas e judiadas, sequestros, estupros e toda série de horrores anteriormente praticados, fazia com que muitos daqueles inquiridos por quantias distintas, as mandassem sem nem pestanejarem.

Ao estudarmos o que ele cometera ao longo do percurso para Mossoró, vemos claramente as pretensões do chefe cangaceiro. Suas ações praticadas durante a ‘jornada’ nos mostra com clareza o ‘efeito esperado’ por ele. Só que o ‘tiro saiu pela culatra’, como dizemos aqui nos rincões do Sertão do Pajeú das Flores, e o efeito foi totalmente ao contrário dos homens daquela cidade.

Segundo o pesquisador/historiador Sérgio Augusto de Souza Dantas, na tarde do dia 13 de junho de 1927, no lugar chamado “Saco”, os bandoleiros encontravam-se acampados enquanto seu chefe tomava as últimas providências. Lampião queria ‘arrancar’ a grana do prefeito sem dar um tiro, por isso, envia-lhe os famosos bilhetes e tem respostas com outros em forma negativa. Vendo que mais nada podia ser feito além de um ataque armado, Lampião chama seus lugares-tenentes, na época os cangaceiros Sabino e Jararaca, e fazem um ‘conselho de guerra’. Havia se juntado ao bando do chefe cangaceiro pernambucano o bando de do cangaceiro paraibano conhecido por Massilon Leite, ficando todo contingente em torno de cinquenta e poucos homens.

O ideal seria terem se divido, o terem divido, o bando em quatro grupos, porém, naquela tarde de junho, o cangaceiro Jararaca havia tomado cachaça em demasia e não tinha condições, físicas nem mentais de comandar sua caterva. Então o bando é divido em três grupos, ficando Sabino como comandante de um, Massilon tomando de conta de outro e o restante acompanha Virgolino.

Sabino e seus ‘cabras’, incluindo os cangaceiros Colchete e Jararaca, ficaram com a linha frente, ou próximo a essa devido estarem a usar, aí entra o dedo estratégico de lampião, os reféns como escudos. Lampião ordena que se faça uma linha de frente com os prisioneiros. Eles entregam rifles aos prisioneiros, descarregados é claro, para que, se ocorresse um investida do pessoal da cidade, essa seria em cima dos pobres refén, dando tempo para o bando refazer-se da surpresa e contra-atacar. Imaginem como esse pessoal, andando na frente de um bando de celerados, prontos para brigarem, sabedores da resistência colocada pelo prefeito, vendo a hora serem atingidos, por um ou por outro lado, o quanto ‘cortaram prego’. Logo depois estava o grupo de Massilon e, por último, na retaguarda ficou o comandante-chefe com os seus. Por mais que se esgueirassem não foi possível chegar ao ponto determinado, o Banco do Brasil ou a casa do prefeito, sem serem notados.

“(...) A frente da matutada marchavam – como ajustado – os reféns Amadeu Lopes, Pedro José, Azarias Januário, Júlio soares, Joaquim Germano de melo, Belarmino de Morais, Sancho amaro, além de Geraldo Oliveira e filho, cada qual com rifle desmuniciado às mãos e chapéus à cabeça. Pavor estampado nos rostos humildes, como a refletir desconfortável condição de “escudos humanos” (...).” (“Lampião e o Rio Grande do Norte – A História da Grande Jornada” – DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. Natal, 2005)

O Intendente nos mostra conhecer de batalhas ao estudarmos como ‘armou’ a defesa de sua cidade. Além de usar sacos com algodão, para reter os projéteis, colocou vários dos seus homens na parte alta, sobre os telhados, para assim terem melhor visão sobre o inimigo e uma melhor posição de tiro, além d e ficarem fora da linha de fogo. Atirar de cima para baixo, resguardado por frentões de tijolos, sempre é melhor do que estar no meio das ruas em busca de abrigo frontal e para o alto, o que não se encontra em todo local.

Estrategicamente o coronel Rodolfo coloca sentinelas nos lugares mais elevados da cidade, nas torres das igrejas. Uma dessas sentinelas fora o dentista Antônio Brasil, que, segundo o escritor citado, Sérgio Dantas, deu o primeiro alarma. O homem sempre tende a usar aquilo que estar ao seu alcance em confrontos e, se nada há, ele improvisa e/ou cria para sua defesa e seus ataques. Pois bem, com certeza havia sido acordado antes que, quem primeiro notasse movimentos de cangaceiros, daria o alarma para os companheiros mais próximos. O dentista deu o alarma para os funcionários do Telégrafo. Estes passam a informação para o Padre Luís Mota, que daria a ordem para puxarem as cordas e badalarem os sinos. Assim ocorreu: o padre permiti que homens fiquem nas torres da Igreja Matriz, protegidos, para consumarem a resistência...

“(...) Cedi as torres da Igreja Matriz para nela se fazerem trincheiras(...) Da torre esquerda da Matriz rompeu o primeiro tiro em direção à Capela do Alto da Conceição, onde apontavam os primeiros bandidos. Corro à Praça da Matriz, mando tocar os sinos como alarma, correspondido pelas demais torres das igrejas (...).” (Ob. Ct.)

Acreditamos que Massilon tinha ordens específicas, não de Lampião, mas de um coronel coiteiro, o coronel Isaias Arruda, do município de Aurora, CE, para dar um fim no coronel Rodolfo Fernandes, Intendente de Mossoró, RN. No início do conflito, conta-nos a história que Massilon guia seus subordinados em direção específica à casa, exatamente do prefeito, o coronel Rodolfo. Apesar de alguns não verem, ou não quererem ver, o coronel sabia ser o alvo principal. Tanto que constrói uma excelente barricada em sua moradia. Concluímos isso quando vemos, nos anais dos relatos da história, que a casa de seu genro, o gerente do Banco do Brasil, na época, fica desguarnecida e é invadida por parte dos cangaceiros que estavam com Sabino. Eles arrombam suas portas, entram e fazem o maio arruace dentro dela. 

Esses, e outros detalhes, contaremos em outra oportunidade. Fixaremos nossa volta ao passado no ataque a casa do coronel e da sede, casa, da Intendência. Massilon de tudo faz, ou pensa ter feito para invadir a casa do coronel Rodolfo e apossar-se dela e do nela tinha. Deu a molesta e não conseguiu. Sabino com os seus, estava a atacar a sede da Intendência, já o comandante mor do cangaço, encontrava-se distante do eixo do conflito.

Seguindo os trilhos, Lampião chaga a Estação Ferroviária e nela monta seu QG. Dali ele recebe notícias e dá suas ordens. Junto aos homens de Sabino encontrava-se o cangaceiro “Colchete”. “Colchete” se esgueira feito uma serpente à procura de sua presa usando como anteparo a mureta de uma casa. Chegando ao limite, nota que como vai, a coisa não iria muito longe. Toma uma decisão suicida: parte de seu abrigo, em busca dos fardos de algodão que faziam barreira na casa onde se encontrava o coronel e seus defensores para atear fogo nos mesmos. Não vendo outra maneira de desalojar os defensores do coronel, e ele próprio, parte para cima da trincheira. No caminho para essa casa, ziguezagueando, Colchete pretende, ou pretendia colocar fogo nos fardos do algodão, a fim de desalojar os homens que dentro da casa estavam a darem combate. Mais uma vez a estratégia fica ao lado de quem usa. Dessa vez o estrategista era o coronel prefeito. Além da barreira que havia com os frentões das casas usadas como trincheira tinha as torres das Igrejas usadas para o mesmo fim. No local bastante elevado, alguém, de muito sangue frio e boa pontaria, nota as intenções do cangaceiro ao aproximar-se da casa sede da Intendência. Sem pressa, leva o rifle ao ombro, faz mira e aperta o gatilho.

O atirador acerta o alvo escolhido na altura da sua face. Colchete, impondo uma velocidade limitada as pernas dos homens, recebe o impacto da bolota que saíra da arma do atirador na torre da Igreja. Acreditamos que mesmo sem serem somadas as duas velocidades, apenas o tiro bastava, dá um grito de horror e seu corpo e jogado no chão. O cangaceiro fica a mover-se de dores e a urrar feito fera ferida. Calmamente o atirador recoloca outra bala na agulha, faz mira e puxa o gatilho. Dessa feita, o projétil vai alojar da altura do dorso do bandido. O corpo, cremos que por efeito de espasmos, puro reflexo, ainda estremece por algum momento, ficando inerte logo em seguida, pois sua vida havia chegado ao fim.

Ao perder tão efetivo combatente, o chefe naquela linha de fogo, o cangaceiro Sabino das Abóbodas, ordena imediatamente o toque de retirada. Pela extensão em que estavam posicionados, logicamente os homens não escutariam o simples toque da corneta. Por isso, para esse combate, havia Lampião, prevendo uma ocorrência semelhante, ordenado que, ao afastarem-se da linha de fogo, seus homens usassem como ‘toque de retirada’ o som dos disparos das armas pequenas, revólveres e pistolas, e assim foi feito. Essa tática é bastante usada quando da participação das mulheres, depois de 1930, nos combates entre cangaceiros e volantes. Dentre os comandados por Sabino, um, não conseguindo atinar o que faziam os outros, talvez pelo excesso do álcool, fica pra trás. Ele, vendo o companheiro ter sido abatido, parte para cima de seu corpo. Alguns autores referem que Jararaca simplesmente iria com a intenção de recolher os ‘bens’ que seu companheiro levava nos bornais.

Aqui deixamos nosso parecer, particular, de que não acreditamos nessa versão. O cangaceiro José Leite de Santana, mais conhecido por “Jararaca”, era um ex-militar do Exército brasileiro. Prestava seus serviços a Nação desde 1920, quando, em 1924 estoura mais uma revolta militar, tida na História como Revolta Paulista de 1924, sendo, também conhecida por: Revolução Esquecida, Revolução do Isidoro, Revolução de 1924 e de Segundo 5 de julho, onde participara sob as ordens do general reformado Isidoro Dias Lopes. Então meus amigos, a ida do cangaceiro Jararaca, ou a pretensão deste, para nós não fora simplesmente em busca de seus pertences, mas, talvez para ajudar ou mesmo recolher o corpo de um companheiro tombado na trilha sangrenta do combate. Quando se cai nas garras do crime, tornando-se um criminoso, não importa como sejam, muitos dos pesquisadores, talvez para darem uma satisfação, insatisfeita, aos leitores, ou a seus leitores, já determinam as ‘causas’ em suas entrelinhas.

Pois bem, Jararaca, também é atingido por tiros vindos do alto das torres da Igreja. Cai por sobre o corpo do companheiro e permanece por alguns instantes imóvel. Ao ver-se ferido gravemente, pois havia recibo um tiro na altura da linha medial do tórax e outro na parte posterior de sua coxa direita, grita pedindo socorro a Sabino. Naquela altura Sabino e seus homens já haviam se retirado, estando distantes, não conseguem escutar os gritos do companheiro, mesmo porque o barulho ensurdecer dos disparos continuava pertinentemente.

“(...) caiu desacordado por cima do corpo fétido de Colchete.

Minutos transcorreram em enervante silêncio. 

Em pouco, o cangaceiro recobrava as forças. Sem embargo, de sangue verter aos borbotões pelo profundo ferimento aberto a altura do peito, articulou simultaneamente os músculos das pernas e ensaiou rastejar. Percebeu já distantes, seus consortes de guerra. Bradou rouco, desesperado:

- Sabino, estou ferido! Moreno, socorro! Me ajude, Sabino!

Não havia menor possibilidade de retorno. A cabroeira, atarantada, vencia o campo aberto até o cemitério. A escapada em desordem os colocava na ira de atiradores posicionados na residência de Ezequiel Fernandes de Souza, na trincheira do casarão do Intendente e na torre da Igreja de São Vicente. A artilharia, naquele momento, provinha de três flancos (...).” (Ob. Ct.)

Já na outra frente, com o chefe Massilon e seus comandados, a coisa estava bem parecida com a primeira. A residência alvo não fora tomada. Ferrenhos defensores desceram as mãos nos gatilhos das armas, tornando-se impossível algum progresso por parte dos homens de Massilon. Sem ter outra saída, passa a ordem e recuam em direção ao ponto em que encontrava-se Lampião. Antes, porém, recebem uma saraivada de balas de homens estrategicamente colocados ao longo dos trilhos do trem. Com muito esforço Sabino chega a presença do chefe e faz seu relatório. Lampião fica sabendo de que tiveram duas grandes baixas, Colchete e Jararaca. Sabino pensava que seu companheiro, o cangaceiro Jararaca, também estivesse morto. Lampião ordena que Sabino retorne ao campo da luta e passa a ordem para que Massilon e Luiz Pedro, que estavam a trocar tiros com os defensores, entocados dentro da sede da União dos Artistas, (Dantas), dando cobertura a retirada de Sabino e seus homens. Assim fora ordenado, e assim foi cumprido. Lampião, ‘lambendo as feridas’ parte rumo ao Estado do Ceará, para a cidade de Limoeiro do Norte, onde seus homens recebem os cuidados de um farmacêutico e depois partem rumo ao Leão do Norte.

Na cidade do sal, as coisas estão a se clarear para os defensores. O receio de uma nova investida dos cangaceiros vai passando aos poucos. Cita Dantas em sua obra que essa certeza só veio depois que o tenente Abdon Nunes de Carvalho junto ao sargento Pedro Sílvio e alguns homens, fizeram uma ronda de averiguação protegidos, resguardados, pelos defensores que estavam no alto da torre da igreja e das casas.

A cidade volta a ter vida alegre. A alegria é percebida em todo rosto. Venceram o bando do “Rei dos Cangaceiros”. Aos poucos algumas pessoas, que estavam escondidas próximos a cidade, começam a voltarem e, juntando-se aqueles que saíam das trincheiras, começam a aglomerarem-se em volta do corpo inerte do cangaceiro Colchete. Dessa forma, fora descrita a cena tétrica do corpo do cangaceiro morto na travessa São Vicente por um artista:

“Trajava roupa cáqui, vestindo uma calça mesclada; usava chapéu com dois barbicachos, calçava luvas de couro, usando alpercatas com meia de seda; ao pescoço trazia encarnado, bom como à cintura uma faixa de chita bem vermelha. A sua arma era um fuzil Mauser, trazendo trazendo no bornal profusa munição. Foi encontrada em duas algibeiras uma porção de moedas de prata. Ao pescoço pendurava inúmeros escapulários, orações diversas e medalhas de Santos, inclusive uma de alumínio, com a efígie do Padre Cícero.” (Ob. Ct.)

Os momentos de tensão e medo antes do ataque, aos poucos se transformam em uma aloucada tensão geral de quererem, ao exibirem o corpo de um deles, mostrarem todo seu ego, potencial, nas ruas daquela cidade. Então começam a arrastarem o macabro troféu pelas ruas, profanando-o com perfurações, de facas e punhais, chegando a cortarem uma das orelhas do defunto, até chegarem às escadarias da Igreja de Santa Luzia, aonde o deixam.

Bem meus amigos. Notamos que na obra do pesquisador/historiador Sérgio Augusto de Souza Dantas, “Lampião e o Rio Grande do Norte – A História da Grande Jornada”, o mesmo não cita, em momento algum, o nome daquele defensor a acertar, mortalmente, o cangaceiro Colchete. Já há em vários textos há citação de um civil como sendo o feitor da ‘obra’. Já em outros, vemos a citação, resultado de uma pesquisa feita por um pesquisador militar, essa nos trás o nome do militar e sua patente, referindo inclusive que o mesmo fora promovido pela ação em Mossoró.

O pesquisador Romero Cardoso, da cidade de Pombal, usando as páginas do blog CARIRI CANGAÇO, em uma quinta-feira, 1 de setembro de 2011, na matéria “O Trucidamento de Jararaca em Mossoró”, não referindo quais as fontes usadas sobre o assunto, assim nos relatou o caso: 

“Na parte superior da residência do prefeito postava-se exímio atirador, de nome Manuel Duarte, que logo notou a intenção do famoso bandido do vale do Pajeú. 

O bravo defensor mossoroense esperou momento oportuno, quando Colchete ficou com a cabeça visível o suficiente para que o winchester calibre 44 do homem postado em cima da residência do prefeito detonasse projétil certeiro que esfacelou o crânio do cangaceiro de Lampião. Colchete estertorava devido o estrago causado pela bala da arma de Manuel Duarte, quando outro indômito integrante da trincheira do prefeito pulou a janela de punhal em riste para terminar o serviço, sangrando-o impiedosamente. Imediatamente esse homem que não sabia o significado da palavra medo voltou ao seu posto para continuar o combate.”

Agora veremos, através das páginas do blog TOXINA, a matéria: “CURIOSIDADE – CABO PASTEL, O POLICIAL QUE MATOU COLCHETE E PRENDEU JARARACA”, colhida de uma fonte militar. Um coronel da Briosa do RN, Coronel Ângelo, fazendo uma pesquisa sobre antigos guerreiros daquela corporação, descobre um boletim datado de 15 de junho de 1927, dois dias depois do ataque a cidade de Mossoró, RN, onde o mesmo refere quem fora o homem a acertar o cangaceiro Colchete naquela tarde.

Vejamos o que nos relata o pesquisador sobre a pesquisa do coronel Ângelo:

“...No dia 11 de maio de 1927, seguiu em diligências para o interior do Estado, um contingente de 16 policiais militares, com o objetivo de reforçar o policiamento do interior contra o bando de Lampião.

Entre esses homens estava o Cabo Leonel da Silva Pastel, figura pouco conhecida na história do cangaço e cuja única fotografia foi descoberta tem pouco tempo junto aos arquivos da PMRN em Natal, pelo Coronel Ângelo, historiador da PMRN.

Por volta de 16h00 do dia 13 de junho de 1927, Lampião e seus cangaceiros invadiam a cidade de Mossoró os quais foram recebidos e expulsos à bala pelos corajosos mossoroenses.

Entre os cidadãos que se encontravam nas várias trincheiras armadas pela cidade, estavam alguns policiais que pertenciam ao contingente policial local. Um deles era o Cabo Leonel da Silva Pastel, pouco conhecido na história e cuja única fotografia foi descoberta tem pouco tempo pelo Coronel Ângelo, historiador da PMRN. 

Conforme Boletim Oficial da PM, o Cabo Pastel teria sido o responsável pela morte do cangaceiro Colchete e também teria sido o autor da prisão de Jararaca, ferido no peito quando tentava ajudar seu companheiro Colchete.

Por tais razões, Pastel foi promovido ao Posto de Sargento, tudo isso registrado no Boletim Regimental da PMRN, nº 166, datado de 15 de junho de 1927. Além disso, também foram promovidos ao Posto de Cabo, os soldados Minervino Fagundes e João Arcanjo, pela coragem com que ajudaram a população a enfrentar a investida do Bando de Lampião, tudo isso, registrado no Boletim Regimental nº 172, de 21 de junho de 1927”

Vejam que, apesar de ser um fato bastante divulgado, estudado e analisado por diversas linhas, frentes, de pesquisa, surge esse, digamos, impasse, sobre quem, realmente, seria o matador de Colchete.

A pesquisa, aí é esse seu criado particularmente referindo, executada pelo pesquisador/militar, o coronel Ângelo, nos trás uma fonte escrita. Nela uma data e nomes de militares participantes daquele conflito., nos levando a seguir essa trilha.

E aí? Quem, na verdade, foi o matador do cangaceiro “Colchete”, na tarde do dia 13 de junho de 1927, na cidade norte rio-grandense de Mossoró?

No entanto, meus amigos, fica ao encargo de vocês, darem seguimento a essa pesquisa e, ao final de tudo, tirarem sua conclusões.

Fonte Obra e blogs citados
Foto Cariricangaço.com
Toxina.com

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LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS.

 Por José Bezerra Lima Irmão


Lampião – a Raposa das Caatingas é um livro concebido e realizado com seriedade, deixando de lado as lendas, mitos e invencionices sobre a figura do legendário guerrilheiro do Pajeú. Além da farta bibliografia sobre o cangaço, baseei-me nos jornais da época, entrevistei dezenas de personagens ligadas aos fatos.

O livro contém fotos e dezenas de mapas, indicando os lugares onde os fatos ocorreram. Indica até as coordenadas geográficas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.

Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço. Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.

A leitura desse livro, espero eu, fará com que o Natal da pessoa presenteada se prolongue por mais tempo, durante o Ano Novo, já que a obra tem exatamente 736 páginas.

Feliz Natal! Boas Festas! E que em 2015 e nos anos vindouros se mantenha sempre acesa a chama do interesse pela história e pela cultura do nosso querido Nordeste. A melhor forma de demonstrarmos amor à nossa terra é estudando a sua geografia e a sua história.

Um fraternal abraço.
José Bezerra

Para adquirir esta obra entre em contato com o autor através deste e-mail:

josebezerra@terra.com.br

Vendas presenciais: Livraria Saraiva; Livraria Escariz (Aracaju)

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O COVEIRO - A SEPULTURA...........E, o CEL..ZÉ RUFINO ( fato real ).

 


"Moço! Ontem um doutor esteve aqui querendo notícia da sepultura do Coroné Zé Rufino. Eu disse a ele que isso não existe. Não tem sepultura que se ache não. Acontece que nem eu, nem o velho Celso, que deve ter sepultado ele, sabía, na época, que o homem era tão bom e famoso da época dos grandes cangaceiros. Aqui é cidade pequena, mas que cresceu com cemitério pequeno. Se a família não pede conta, a gente usa de novo a cova e enterra por cima daqueles que estão ali mesmo. Tá cheio de gente enterrado em cima um dos outros aqui. Se tivessem me avisado, tinha cuidado de dar a ele uma sepultura boa. Mas ninguém avisou.

(Depoimento do COVEIRO... MANOEL DE APRÍGIO).

MATERIAL DO ACERVO DO PESQUISADOR GEZIEL MOURA. 
Amplie as imagens.







Fonte: facebook
Página: Voltaseca

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EX-VOLANTE MANOEL CAVALCANTI DE SOUSA (Neco de Pautília).

 

Ex-volante Manoel Cavalcanti de Sousa (Neco de Pautília). Observação: Esse bravo militar faleceu no dia 29 de Maio de 2014, com 101 anos de idade. Veja O VÍDEO do Senhor NECO de Pautília dançando XAXADO.

https://www.youtube.com/watch?v=JPL-04Tw-Bs


Fonte da matéria : ( ? )

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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O CURIOSO DIA EM QUE PADRE CÍCERO ENCONTROU LAMPIÃO — QUE FOI ENGANADO.

  Por Lira Neto

Frente a frente pela primeira e única vez, o episódio rendeu uma peculiar narrativa.

Ali estavam, frente a frente, pela primeira e única vez, os dois maiores mitos de toda a história nordestina. Uma terceira figura era indiretamente responsável pelo singular encontro: Luis Carlos Prestes, o comandante da Coluna Prestes, movimento militar guerrilheiro que desde o ano anterior serpenteava pelo interior do país, enfrentando as tropas do presidente Artur Bernardes.

Lampião (à esqu.) Padre Cícero (à dir.) - Wikimedia Commons

Quando a marcha da coluna rumou para o Nordeste, o governo federal não teve dúvidas: convocou os chefes políticos locais para formarem exércitos próprios e assim combater os rebeldes. No livro O General  Góes Depõe, da  década  de 1950, o próprio general Góes Monteiro, chefe de estado-maior das operações contra a Coluna Prestes, assume que partiu dele a ideia de convocar jagunços e cangaceiros para fazer frente ao avanço de Prestes. 

No Ceará, coube ao deputado Floro Bartolomeu, médico e aliado político do Padre Cícero, fazer o convite oficial ao bando de Lampião para se engajar no “Batalhão Patriótico”. Em fevereiro de 1926, Cícero ainda tentou uma solução pacífica. Assim, enviou ao bando uma carta em que incitava a depor armas.

Em troca, prometeu abrigo em Juazeiro do Norte, onde seriam submetidos a um tratamento justo. De acordo com o relato de Lourenço Moreira Lima, secretário da Coluna Revolucionária, a mensagem foi recebida.

“Tivemos a oportunidade de ler essa carta escrita com uma grande ingenuidade, mas da qual ressaltava o desejo íntimo e sincero do padre no sentido de conseguir fazer a paz”, escreveu Moreira Lima em seu diário de campanha, publicado em 1934.

O pedido, como se sabe, foi ignorado. Quando Lampião chegou no dia 4 de março à cidade de Juazeiro do Norte, atendendo ao chamado de Floro, este não se encontrava mais por lá. Doente, o deputado federal viajara para o Rio de Janeiro, onde acabaria morrendo.

Padre Cícero se viu então com um problema nas mãos: recepcionar o bandido e seus cabras na cidade e mais ainda, cumprir o que havia sido combinado entre Lampião e o deputado, com a devida aprovação do governo federal: o cangaceiro deveria receber dinheiro, armas e a patente de capitão do “Batalhão Patriótrico”.

Lampião e outros 49 cangaceiros ocuparam uma casa próxima à fazenda de Floro, nas imediações da cidade, e, em seguida, alojaram-se em Juazeiro do Norte, no sobrado onde residia João Mendes de Oliveira, conhecido poeta da região.

Foi lá que o Padre Cícero encontrou o bando. Os bandidos, ajoelhados, teriam escutado padre tentar convencer seu líder de largar o cangaço logo após voltasse da campanha contra Prestes. Mandou-se então chamar o único funcionário federal disponível na cidade, o agrônomo Pedro de Albuquerque Uchoa, para redigir um documento que, supostamente, garantiria salvo-conduto ao bando pelos sertões.

O papel, como Lampião viria a descobrir tão logo saiu da cidade, não tinha qualquer valor legal, o que não o impediu de assinar, daí por diante, “Capitão Vírgulino”, um título que não existia.  Ciente da desfeita, o cangaceiro não se preocupou mais em dar combate à Coluna Prestes.

Já obtivera dinheiro e armas em número suficiente para seguir seu caminho de bandoleiro. Mais tarde, Uchoa justificou seu papel no episódio: diante de Lampião, assinaria qualquer coisa. “Até a destituição de presidente da República”, disse.

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CASO EZEQUIEL IRMÃO DE LAMPIÃO, VIVEU NO PIAUÍ?

Em 1999 estivemos na cidade piauiense de Valença do Piauí, onde iríamos colher subsídios para nosso livro “Antiguidades Valencianas”, sobre vestígios pré-históricos, arte rupestres, lendas, folclore, causos, ufologia, belezas rurais, etc. Ali nos chamou atenção uma curiosa notícia, de que um dos irmãos do famigerado Lampião teria vivido naquela Cidade em tempos idos. O texto abaixo é uma condensação do que escrevemos naquele livro, publicado em 2000, atualizado com notícias de outras fontes.

No Piauí mesmo o temível cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938), vulgo Lampião, nunca pisou. Isso em que pese uma falsa notícia de que travara um combate em forças policiais no sul do Estado.

As sangrentas e polêmicas passagens do cangaceiro pelos sertões nordestinos nunca o trouxeram ao nosso Piauí.

Mas, curiosamente, há um interessante, mas não provado relato de que um dos seus irmãos, o caçula, teria vivido algum tempo em Picos e depois em Valença do Piauí, centro do Estado
Para nos inteirar desta veracidade ou não desta história, nos dirigimos a uma modesta casa no Bairro valenciano de Cacimbas, onde fomos encontrar Dona Luzia Alves Ferreira, nascida em 22 de maio de 1914 (hoje provavelmente falecida).


Ali fomos recebidos pela alquebrada, mas lúcida anciã, sempre muito desconfiada e relutante, nos liberando aos poucos a história do irmão do Rei do cangaço em Valença do Piauí. Porém, vaidosa, não nos permitiu por nada que fosse fotografada, alegando não estar adequadamente trajada para a ocasião. Assim sua imagem conseguimos através de uma fotógrafa da cidade, que nos cedeu gentilmente a preciosa foto que apresentamos neste artigo.

 

O cangaceiro Ezequiel fotografado em 1929...

...E o suposto "Ezequiel valenciano"

  Segundo Dona Luzia, Ezequiel Ferreira, também conhecido como José Gomes (?), seria o irmão caçula de Lampião, muito novo na época do cangaço para empunhar armas.

Este pernambucano, da atual cidade de Serra Talhada, não teria dívida alguma com a justiça e vivia com outro irmão de Virgulino Ferreira, João Ferreira, onde tinham um pequeno comércio. Ezequiel, por sua vez, teria vindo de Picos (Piauí) para Valença por volta de 1980, vendendo, como ambulante, chapéu, fumo e alho.

Sem filhos, o irmão do cangaceiro passou a viver maritalmente com Dona Luzia até sua morte, no início dos anos 1990, sendo enterrado ali mesmo, em Valença do Piauí. Antes teria sido casado mas sobre sua primeira mulher, não sabemos nada. Em Valença teria vivido num sítio de propriedade de Dona Luzia.

“Como a senhora conheceu o irmão de Lampião?” – Indaguei.

“Conheci ele na feira de Valença” – respondeu ponderadamente a Sra.

“Ele não era valente como o famoso irmão? – Perguntamos

“Não senhor. Ele não gostava de armas de fogo. Ele só acompanhou o bando carregando armas e ajudando noutras coisas, pois era muito pequeno. Era um homem de faca...”

“E como a senhora soube que ele era mesmo irmão de Lampião? – Quisemos saber.

“Ele mesmo contou pra todo mundo ouvir.”

“E as pessoas acreditavam nele?” – Interrogamos.

“E ele era muito respeitado pelos vizinhos, pois era um homem calmo, e  se dava bem com todo mundo. 

Mas as pessoas diziam pra mim tomar cuidado com ele. As pessoas não acreditavam que ele era irmão de Lampião porque ele era moreno e não tinha olhos azuis como o cangaceiro.”

Obs: Lampião não possuía olhos azuis mas um deles (o direito) apresentava leucoma, com a característica cor clara.

“Durante todo tempo em que ele viveu em Valença do Piauí ele foi visitado por algum parente?” – 

Quisemos saber.

“Um tempo veio um casal de filhos de João Peitudo, filho de Lampião que mora em Juazeiro do Norte (Ceará). Nessa época o Ezequiel estava muito doente. Depois, ele foi com João Peitudo conhecer a família em Serra Talhada. Lá inclusive conheceu antigos inimigos da família. Um deles o convidou para uma visita uma sua casa. Desconfiado, o Ezequiel não aceitou o convite.”

“E o que ele dizia sobre o famoso irmão?” – Perguntamos.

“Dizia que Lampião não fazia mal a qualquer um. Só perseguia os inimigos. Também não perdoava os “macacos” da volante (polícia) e os entregadores (dedos duros).”

“Mas o Ezequiel confirmou a morte do irmão em Angico (Sergipe) em 1938?

“Não! Lampião nunca morreu naquela emboscada. Nem ele nem Maria Bonita. Lampião mesmo morreu foi no Rio do Sonho (Sono?), em Goiás, há uns 20 anos. “Nessa época o Ezequiel já estava em Valença.”

Obs: Quem fugiu e morou em Goiás foi Sinhô Pereira [1896-1979], antigo chefe do bando que tinha como membro Lampião. Pereira chegou a convidar Virgulino para se acoitar com ele em Goiás, coisa recusada pelo cangaceiro.

“E os dois mantinham algum tipo de correspondência? – Indagamos.

“Não se comunicavam, não. Mas um dia o Lampião mandou uma carta perguntando se Ezequiel queria ir morar com ele lá em Goiás. Ezequiel respondeu que não, pois gostava da vida tranquila aqui em Valença.”

Esta é uma história que se mistura folclore, com tradições e elementos intrusos suspeitos e incoerentes, senão vejamos.

O irmão de Lampião, Ezequiel Ferreira da Silva, vulgo “Ponto Fino” era realmente mais novo do que Lampião, pois nascera em 1908. Porém integrou o bando como membro armado, como pode se ver numa das imagens desta matéria.

Lampião teve quatro irmãos homens além de quatro mulheres.  Dos quatro irmãos homens, três acompanharam Virgulino no Cangaço: Antônio Ferreira, o mais velho [1895-1926] que morreu em 1926 num acidente bobo no qual numa brincadeira com Luiz Pedro seu fuzil caiu no chão e disparou acidentalmente. Livino Ferreira (1896-1925) que morreu em 1925 num combate noturno com uma força volante.

O caçula Ezequiel (1908-1931) foi abatido no dia 23 de abril de 1931 no tiroteio da Fazenda Touro, povoado Baixa do Boi, no Estado da Bahia, ponto conhecido como Lagoa do Mel. João Ferreira (1902-?) foi o único que não abraçou o Cangaço.

Assim, Ezequiel não pode ter vivido com dona Luzia nos anos 1980, já que morrera em 1931.
Também não procede a afirmação de Dona Luzia de que estando vivo Ezequiel em Valença, moraria com outro irmão de Lampião, João Ferreira, o único que nunca entrou no Cangaço. João, ao que se sabe, foi morar em Osasco SP ou em Propriá, Sergipe.

Outro engano de Dona Luzia é que o tal João Ferreira da Silva, o João Peitudo (1942 - 2000), seria filho de Lampião, em que pese supostas provas apresentadas de sua filiação a Lampião e Maria Bonita (inclusive um DNA inconclusivo). Conhecido como João Peitudo por ter sido lutador de boxe, morreu de ataque cardíaco em Juazeiro do Norte-CE. Se nasceu em 1942 não poderia ser filho de Lampião e Maria Bonita, chacinados em 1938.

Longe de taxar dona Luzia como mentirosa, é possível que ela tenha ouvido narrativas de alguém que veio das bandas do cangaço, e talvez até de um parente de Lampião (mas nunca um irmão) esta história e nela tenha acreditado piamente, dentro de suas limitações intelectuais. Assim conviveu maritalmente e acreditou ter como companheiro um irmão do cangaceiro morto há décadas.

Em nenhum momento a velha senhora tentou me impressionar ou ser taxativa de maneira irredutível. Somente discorreu sobre o tema que lhe indaguei.

Quando o suposto Ezequiel esteve em Serra Talhada em 1984 para rever a família e tirar documentos para aposentadoria (?) conseguiu convencer alguns parentes e outros moradores de que era realmente o irmão do Lampião. Mas cometeu alguns escorregões quando, por exemplo, deixou de visitar sua única irmão viva na época, Dona Mocinha. No mais, nenhum pesquisador aceita esta versão de sobrevivência de Ezequiel Ferreira

Em 16 de janeiro de 1985, o Ezequiel de Valença deu uma entrevista ao jornalista Antônio de Pádua, do “Jornal da Manhã”, de Teresina, deixando-se fotografar ao lado do vereador valenciano Luís Rosa. Suponho que o alegado irmão de Lampião temia alguma repercussão jurídica negativa de sua entrevista, pois estava presente na mesma o afamado advogado piauiense Dr. Alfredo Cadena Neto, segundo a reportagem.  

Garantindo que era o irmão de Virgulino. disse que havia fixado residência em Valença do Piauí por volta de 1980 e era analfabeto, sendo sua profissão “banqueiro”, ou seja, possuía uma banca de vender artigos regionais, como fumo de rolo, rapadura, farinha, calçador, livretos de cordel, remédios caseiros, etc.  Disse ainda que frequentava a Cidade desde 1952 como ambulante.

O Ezequiel valenciano acrescentou que viajou constantemente como ambulante para as cidades nordestinas de Mossoró (Rio Grande do Norte), Bom Jardim (Pernambuco) e Catolé do Rocha (Paraíba), lugares onde era bastante conhecido. Mas não explicou se era conhecido como um vendedor valenciano comum ou como irmão do célebre cangaceiro Lampião.

Contou ainda sobre incontáveis anos do bando de lampião em escaramuças contra os “nazarezistas” (ferrenhos inimigos de lampião, os volantes nazarenos viviam no Povoado de Nazaré, próximo a Serra talhada). Disse ainda que não sabe quantas pessoas morreram no campo de luta mas que nunca matou ninguém, sendo apenas um rastejador, destinado a informar ao bando de Lampião a aproximação dos inimigos.

O que o Ezequiel Valenciano nunca explicou em suas entrevistas foi como escapou dos tiros que recebeu das volantes que, historicamente, causaram sua morte nem como escapou para o Piauí.
Outro problema que observamos é que na entrevista, o repórter se refere a Ezequiel como sendo um senhor de 72 anos em 1985, tendo nascido no dia 6 de janeiro. Ora, tendo nascido em 1908, o verdadeiro Ezequiel deveria ter 77 e não 72 anos em 1985.

Na entrevista ao repórter Antônio de Pádua o Ezequiel valenciano fala do assassinato do pai e da mãe quando se sabe que somente o pai foi assassinado. A mãe morreu de desgosto dias depois.
Mistérios, folclore, fantasia, elucubrações desenfreadas e afirmações desencontradas. Cada um faça seu julgamento....
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Créditos Reinaldo Antiquário

Fontes:
Coutinho, Reinaldo. Antiguidades valencianas. Teresina, 2000.
"Irmão de Lampião diz que nunca Matou Ninguém". Matéria publicada por Antônio de Pádua, no Jornal da Manhã, Teresina 16 de janeiro de 1985.

http://lampiaoaceso.blogspot.com/2022/08/caso-ezequiel.html

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