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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Angico e a Caravana Cariri Cangaço

Por: Manoel Severo
Lívio Ferraz, Jairo Luiz e Manoel Severo, em Angico

A estrutura montada pela família Rosa, já na fazenda Angico, junto ao Restaurante Angico, ponto de partida para a trilha da grota, cerca de 800 metros caatinga adentro, torna os preparativos para a caminhada extremamente agradáveis. Hoje além do restaurante, loja de artesanato e balneário, terá logo em breve uma pousada para receber a todos os visitantes do baixo São Francisco.
  
Mais uma vez estávamos percorrendo os caminhos dos homens de João Bezerra, Aniceto e Ferreira de Melo naquele 28 de julho de 1938. Novamente chegávamos à grota e pela primeira vez, pelo menos no meu caso, encontrei o riacho do Tamanduá com água, o que nos fez refletir sobre a localização exata das toldas dos cangaceiros. Ainda na grota pudemos definir o local exato onde seria fixada a placa em homenagem ao soldado Adrião, único membro das forças volantes a tombar sem vida naquela manhã fria de julho; a seu lado, tombaram Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros.

Manoel Severo, Vilela e Jairo Luiz

Trilha do Angico, o riacho ainda revela as recentes chuvas...


Da margem sergipana do Velho Chico, no município de Poço Redondo, até a Grota do Angico são cerca de 800 metros, trajeto exatamente idêntico ao percorrido pela volante do tenente João Bezerra. Na época, julho de 1938 era inverno, chovia, possivelmente os homens da força pública devem ter se deparado com a trilha nas condições em que passamos atualmente.

Lívio Ferraz, Manoel Severo, Vilela, Archimedes e Jairo Luiz, no Angico

Vilela e Adrião: primeiro à esquerda, de quem olha.

Definição do local da homenagem a Adrião Pedro de Sousa


A Placa em homenagem ao único soldado tombado morto em Angico: Adrião Pedro de Sousa; foi uma iniciativa do escritor Antônio Vilela, amigo da família e que contou com o apoio do Cariri Cangaço e do GECC. Vilela está finalizando seu mais novo livro, quando nos trará as "duas faces do cangaço" como ele gosta de afirmar, e dentre os temas abordados pelo autor, a história de Adrião Pedro de Sousa.

Manoel Severo

Cariri Cangaço
http://cariricangaço.blogspot.com







quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Angico continua atual e polêmico ! Cariri Cangaço, segundo dia...

Manoel Severo e Carla Prata, do SESC Crato, na abertura do segundia de Cariri Cangaço

A manhã do segundo dia de Cariri Cangaço, dia 21 de setembro,  iniciou em grande estilo. O SESC Crato recebeu em seu teatro uma qualificada platéia, para a partir de uma das mais destacadas Mesas de Trabalho, promover o Debate: Angico, Mentiras e Mistérios. Sob a coordenação do curador do evento, Manoel Severo, a Mesa teve ainda os pesquisadores, Antônio Amaury Correa de Araujo, Paulo Medeiros Gastão, Aderbal Nogueira, Alcino Alves Costa e Sabino Bassetti. 

Décio Canuto de Aracaju, Kiko Monteiro do Lampião Aceso, Capitão Marins de Salvador, Vilela de Garanhuns, Jorge Remigio de Custódia e Wilson Seraine de Teresina
Vilela, Ângelo Osmiro de Fortaleza, Narciso Dias de João Pessoa, Lily de Belo Horizinte, Jorge Remidio, Ivanildo Silveira de Natal e Manoel Severo
Alcino Alves Costa, de Poço Redondo e o lançamento de "Lampião e Sergipe"
Alcivandes Santos e o lançamento de "O Messianismo de Pedro Batista"

Durante mais de tres horas, os afortunados presentes, mais de 110 pesquisadores de todo o Brasil , puderam acompanhar um dos momentos mais fortes de todo o evento, quando em um clima harmonico e respeitoso, puderam ser dissecadas todas as principais polêmicas do episódio da morte de Lampião.

Durante  a manhã no SESC Crato, foram lançados dois novos livros; de Alcino Alves Costa, o Caipira de Poço Redondo foi lançado "Lampião em Sergipe" e do escritor Alcivandes Santos, foi lançado "O Messianismo de Pedro Batista".
Mesa de Debates: Eternamente Angico...
Moderador Manoel Severo e Alcino Alves Costa
Antônio Amaury Correa de Araujo e Aderbal Nogueira
Paulo Gastão
Amaury, Aderbal e Sabino Bassetti
Mesa de Debates
Juliana Ischiara
Lemuel Rodrigues
Lemuel Rodrigues e Múcio Procópio

Também nesta mesma manhã foi prestada uma homenagem ao Soldado Adrião Pedro de Sousa, único membro da força pública que tombou naquele distante 28 de julho de 1938 em Sergipe. Na oportunidade seu neto, o comerciante Décio Canuto recebeu das mãos do pesquisador Antonio Vilela e da secretária de cultura de Crato, Danielle Esmeraldo, Placa de Honra ao Mérito, em nome do Cariri Cangaço.

Assessoria de Imprensa e Marketing
Heldemar Garcia

http://cariricangaco.blogspot.com/

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O polêmico episódio de Angico - Parte I

 Por: Juliana Ischiara


O cangaceirismo no nordeste brasileiro é, sem sombra de dúvida, um dos capítulos mais estudados acerca da construção histórica e sociocultural nordestina. Não por acaso, todo pesquisador do fenômeno cangaço terá que, também, estudar coronelismo, não sendo possível divorciá-los, pois estão intimamente ligados.


Sabemos que o cangaço nordestino surgiu no século XIX, porém, suas primeiras versões dão conta de um cangaço por vingança e, em um segundo momento, como refúgio para aqueles que praticaram suas vinganças pessoais. Passando por estes dois tipos de cangaço, chegamos ao seu último e mais estudado, o cangaço como meio de vida, ou seja, aquele liderado por Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. Porém, entendo que Virgulino aderiu ao cangaço vingança e, posteriormente, ao cangaço refúgio, posto não ser mais possível viver socialmente onde nasceu e onde vivia com seus familiares, em razão da querela com os “Saturnino”.

Zé Saturnino - o primeiro inimigo de Lampião

Uma vez no cangaço, Virgulino toma gosto pela vida bandoleira, vida esta de incertezas, crimes, poder e dinheiro. O então Virgulino torna-se Lampião e, este sim, passa a viver e a liderar o cangaço meio de vida. Saques, mortes, estupros, lesões e demais violências passam a fazer parte do cotidiano do grupo liderado por ele. Atrevo-me a dizer que os crimes elencados eram o método de “trabalho” dos cangaceiros, posto que em suas torpes cabeças, todos que sofriam suas investidas eram merecedores de tais ações.


Porém, em se tratando do estudo do cangaço, todos os pesquisadores esbarram no que eu ouso chamar de problemática maior ou desafio maior, que é dissociar o real da fantasia. Sabemos que não é uma tarefa fácil separar a verdade dos muitos fatos mentirosos e fantasiosos, mas uma coisa é certa, o último episódio envolvendo o cangaço liderado por Lampião, tornou-se o grande quebra-cabeças para todos que o estudam e pesquisam.

O polêmico episódio de Angico, por ser muito controverso, tornou-se o grande mistério e não poderia ser diferente. Se não, vejam;

(...) Um aspecto que chama a atenção dos que se dedicam ao estudo de sua biografia é que, nos dias em que se estabeleceu no Angico, Virgulino Ferreira da Silva pareceu perder um dos seus maiores dons, o da previsão. Sertanejo calejado, bom almocreve, estrategista notório, líder carismático, Lampião era, também, o mágico, o bruxo das caatingas. Sabia antecipar o roteiro das volantes pela observação do comportamento dos pássaros ou de um animal desgarrado.

(...) em Angico, contudo, nada disso ocorreu. O “Capitão”, muito confiante na sua rede de proteção ou, já com o “corpo descoberto”, pois sua magia perdera efeito no leito seco do riacho que corria próximo ao coito (...), deixou-se levar pela inércia e acreditou que tudo estava sobre controle. (Ferreira Neto, pg. 248)

Ora, como pesquisadora do cangaço, penso que Angico é um lugar geograficamente desfavorável para um combate, porém, tecnicamente, o lugar não poderia ser melhor, pois Angico fazia parte da fazenda de um de seus mais chegados e confiáveis coiteiros, no caso Pedro de Candido e família.

A referida fazenda pertencia à jurisdição de Porto da Folha, Sergipe, que tinha como interventor Eronides Carvalho, um velho conhecido e amigo de Lampião. Atravessando o São Francisco, estava Piranhas, nas Alagoas, onde o comando militar encontrava-se sob as ordens do Tenente


João Bezerra, que nas palavras de Billy Jaynes Chandler em seu ‘Lampião: o rei dos cangaceiros’, “João Bezerra não participou voluntariamente no ataque a Angico.

Billy Jaynes Chandler

Não era ele um exemplo de coragem, nem de honestidade e, na verdade, era um daqueles oficiais suspeitos de traficar com os cangaceiros” (pg. 245).

Eronildes de Carvalho

Segundo Durval Rosa, Pedro, seu irmão, teria levado dois sacos de munição a Lampião a mando de João Bezerra. O comum, ao lermos esta afirmativa feita por Durval, é nos perguntarmos: Por que Bezerra municiaria Lampião se combateria com ele no dia seguinte? Penso que esta pergunta poderá ser respondida com outras perguntas: João Bezerra, caso tenha realmente mandado a munição por Pedro, contava com o ressentimento e ou inveja de Joca Bernardes, que daria com a língua nos dentes no dia seguinte?

 Joca Bernardes

Mesmo estando no comando, João Bezerra tinha como impedir Ferreira de Melo de cumprir sua obrigação enquanto militar?
O fato é que estas são perguntas difíceis de responder, dado ao simples fato de que todos aqueles poderiam falar ou falaram sobre isso, tiveram seus discursos desacreditados, como Durval Rosa,


Sila,

Zé Sereno à esquerda

Zé Sereno, sem contar o próprio Pedro que, como disse Billy Chandler, também, teve uma morte cercada de mistérios em 22 de agosto de 1941. Pedro teria sido confundido com um bicho, ou seja, apenas 3 anos após o episódio de Angico. Teria sido a morte de Pedro de Cândido uma queima de arquivo, posto que ele sabia mais do que deveria? Mais um mistério de Angico...

Continua...

Juliana Ischiara

Fonte: "Cariri Cangaço"

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Piranhas, São Francisco e Angico, magia pura!

 Por: Manoel Severo

Deputado Inácio de Loiola, Múcio Procópio e Manoel Severo

Visitar Piranhas é sempre um presente inigualável, tanto pela beleza e magnetismo do lugar; terceiro destino turistico do estado das Alagoas, patrimonio histórico tombado; como por sua história e principalmente por seu povo. Ali somos acolhidos pela
 
 
prefeita Melina Damasceno, pelo deputado Inácio de Loiola e os queridos amigos, Secretário Cacau e Jairo Luiz. Às margens do São Francisco, um dos principais centros de comércio do baixo São Francisco no inicio do século passado, foi dali que partiu a volante de João Bezerra no fatídico 28 de julho de 1938.

 Aderbal Nogueira, João de Sousa Lima e Múcio Procópio
 
Manoel Severo, Jairo Luiz e Afrânio

Saimos do mesmo porto de Piranhas, de onde partiu
 
 
João Bezerra;
 
era uma manhã fria como a de 28 de julho de 38. A bordo do "Volante", uma das embarcações da família Rosa, sob o comando do grande Célio e sob  a batuta do amigo Jairo Luiz, descemos o velho Chico fazendo o mesmo trajeto da volante que matou o rei do cangaço. Chegamos ao município de Poço Redondo, na margem sergipana do São Francisco.

O trilha até a grota é de cerca de 800 metros a partir das margens, o dia frio nos trouxe uma chuva intensa, talvez como a mesma que caía naquela manhã do cerco. Depois de aportar no Restaurante Angico, partimos para a Grota, a nos acompanhar...a chuva.

Canoa de Tolda, a nova atração da Rota do Cangaço, de Piranhas a Angico 
 
 Pedro Luiz, Jairo Luiz, Cacau, Inácio de Loiola e João de Sousa Lima
 
Manoel Severo e Deputado Inácio de Loiola

Sem dúvidas nossos anfitriões são uma história à parte. O deputado Inácio de Loiola como Timoneiro maior ao lado dos grandes profissionais Cacau e Jairo, estão fazendo acontecer naquele que é o mais belo município da Alagoas. O turismo tomou uma nova forma, com o cuidado da preservação patrimonial e a valorização da memória e história do lugar, Piranhas é porto e parada obrigatória para todos aqueles que amam a história do nordeste.

segue...
Manoel Severo

Angico...Mentiras e Mistérios

 Por: Manoel Severo

 Caravana Cariri Cangaço em Angico

Na verdade devo confessar: Muitos de nossos amigos pesquisadores e estudiosos arrepiam só em ouvir o soar surdo da frase "mentiras e mistérios"... e se for em referencia a Angico... nem pensar! Mas...

Grota de Angico

na verdade após nossa visita à grota mais famosa da história, Angico, também numa manhã de quinta-feira, chuvendo; fizemos todo o teajeto de 800 metros debaixo de chuva; não posso encontrar outro termo a não ser esse! Mentiras e Mistérios de Angico, parafraseando o querido Caipira de Poço Redondo,

Kidelmir Dantas e Alcindo Alves da Costa

Alcino Alves Costa; e provocado pelo atento

Antonio Amaury, João de Sousa Lima e Aderbal Nogueira

Aderbal Nogueira.

Sempre sob a batuta de nosso rastejador-mor,

Antonio Galdino
Jairo Luiz e João de Sousa Lima

Jairo Luiz, e ao lado dos confrades Cacau, Valentim, Lívio, Sandro, Afrânio, Múcio, Aderbal, João de Sousa e de Juliana Ischiara partimos para a Grota, se realizava a Missa de 73º. aniversário do combate de Angico, promovido pela jornalista

Vera Ferreira, esposo e Expedita Ferreira Nunes

Vera Ferreira, neta do líder cangaceiro Virgulino Ferreira.
Quando chegamos ao local do coito, onde estão localizados os monumentos em memória dos que tombaram no cerco;


Lampião, sua Maria,

mais nove cangaceiros e o


 soldado Adrião;

Aderbal logo nos chamou a atenção... Chovia, como naquela manhã de 28 de julho de 1938, e no local onde, de acordo com a esmagadora maioria da literatura que aborda o assunto, se localizava a "tolda" do casal mais famoso do cangaço, estava cheia de poças d'agua, umas grandes, outras menores...

Certamente não seríamos irresponsáveis em levantar aqui uma provocação reflexiva como essa, sem as devidas considerações com relação a todas as transformações físicas e geográficas ocorridos no coito mais comentado da história. As mudanças no leito do rio, no relevo, da vegetação, enfim... estamos diante de um hiato temporal de 73 anos... Mas, nada que não se possa conversar mais um pouco sobre o assunto.
A chuva de hoje poderá ser paralelo para a chuva de ontem ?
As poças d'agua de hoje desejam nos dizer algo?
Deixemos para lá... Mentiras e Mistérios; para a felicidade de alguns e desespero de outros; de Angico.


Abraço fraterno a todos.
Manoel Severo