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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Depoimento sobre o Dr. Antonio Rodrigues de Carvalho

Por: Josafá Inácio

Convite Honroso

Recebi do professor Xavier Gondim o honroso convite para escrever um depoimento sobre o conterrâneo Dr. Antonio Rodrigues de Carvalho, falecido a 03 de dezembro do corrente ano, aos 82 anos de idade. Caindo a tarefa sobre mim, muito me enobrece desempenhá-la, pois tive contatos importantes com Antonio Rodrigues, alguns no início de minha vida profissional e outros no período de nossa aposentadoria. No intermeio nos encontrávamos pouco. Ele ocupado nas suas funções e eu nas minhas.
A história de Antonio Rodrigues é daquelas que dão novelas e filmes. Não foi uma história comum às demais pessoas, não.

Uma Caminhada Diferente

Ter nascido no Sítio Capim Grosso, a 13 de junho de l927, quando Upanema nem era ainda vila, mas estava apenas na condição de simples povoado, tudo indicava que o caminho do Toinho era o roçado, para plantar milho, feijão e batata; ou era a várzea do rio, para amassar o barro, bater tijolo e queimar caieiras; ou era, ainda, o carnaubal, para cortar palhas e sacudir o pó. Era o que fazia seu pai, o trabalhador braçal Luiz Rodrigues de Carvalho, conhecido por Lucas Sebo, casado com Cosma Martiniano de Carvalho.

O sobrenome Carvalho destes Rodrigues não é o mesmo dos Carvalhos do Sítio Umari, não. A saída dos filhos de Seu Lucas, ainda na infância, e a separação da terrinha por longo tempo, dificulta um melhor esclarecimento de suas origens. Mesmo assim podemos apontar a família Ferreira de Aquino, os chamados Bacurinhos (e ainda Bacurins), como parentes dos Rodrigues de Carvalho.

Antonio Rodrigues de Carvalho

Voltemos a Antonio Rodrigues, que saiu de Upanema com sete anos de idade, pelo desejo de duas irmãs suas que já estavam vivendo em Mossoró. Tropeiros fizeram o favor de levar Toinho no lombo de um jumento. Sair de Upanema era se desviar dos caminhos percorridos por todos de sua época: o roçado, a várzea e o carnaubal. Mas suas irmãs não eram folgadas não. As atividades desenvolvidas por elas em Mossoró eram aquelas de empregadas domésticas. Ainda em Upanema, Toinho aprendera as primeiras letras com a sua irmã Francisca Rodrigues, mais conhecida por Chicuta.

O Início dos Estudos

O menino Toinho frequentava escola em Mossoró, iniciando o Primário com sete anos de idade. Corria o ano de 1934. Concluinte deste curso, e garoto com dez anos, angariou a simpatia do vereador mossoroense João Manoel, que o adotou como afilhado. O vereador já era amigo de suas irmãs.

Depois do curso primário, o estudo devia ser pago. Na década de 1930 não havia escola pública que oferecesse o curso ginasial (hoje ensino fundamental maior). Só o Ginásio Diocesano Santa Luzia (depois Colégio) oferecia o curso. Mas o garoto conseguiu por carta uma bolsa de estudo do então Governador do Estado Rafael Fernandes.

Rafael Fernandes

Aluno, Professor e Deputado

Adiantar-se no estudo implicava em sair para Natal, pois Mossoró não tinha o curso médio (o clássico, o científico ou o magistério). Fez o Clássico no Colégio Estadual Ateneu, onde também foi professor. Morava na Casa do Estudante, revelando-se líder entre os colegas. Ser conversador, ter sensibilidade às causas estudantis, transpirar ideais políticos e falar bem, foram as credenciais para chegar à política. Assim é que apareceu o convite para completar a chapa para deputado estadual. Em 1948, aos vinte e um anos de idade, ele chegou à Assembléia Legislativa.

O estudo continuava sendo um sonho permanente. Sua boa oratória o levou ao curso de Direito. Não havendo esse curso em Natal se deslocava periodicamente para Maceió-AL. Ser estudante em terra alagoana, e em Natal desempenhar as funções de professor e deputado era a confirmação de uma história singular.

Deputado, Prefeito e Médico

Reelegeu-se deputado em 1952. Foi quando Upanema pode contar com os seus préstimos. Ainda Vila, pertencente a Campo Grande, Upanema vivia um momento político favorável à sua emancipação. A Câmara de Vereadores de Campo Grande tinha como Presidente o nosso conterrâneo Vicente de Paula Rocha (Vicente Rocha), que propôs aos seus pares a emancipação de Upanema. Proposta aceita por todos os vereadores e Decreto assinado por Vicente Rocha. Mas o Decreto devia receber a sanção da Assembléia Legislativa e se transformar em Lei. O deputado conterrâneo abraçou a causa, fez a devida justificativa perante os seus pares, e Upanema foi desmembrado de Campo Grande, tornando-se Município pela Lei de N 874, de 16/09/1953.

Antonio Rodrigues foi ao terceiro mandato de deputado. O passo seguinte foi chegar à prefeitura de Mossoró, em 1958, ainda com 31 anos de idade. Volta à Assembléia, em 1966, de onde sai mais uma vez, para enfrentar, em l968, a mais emocionante e equilibrada eleição já vista em Mossoró. Seu opositor era o Dr. Vingt-un Rosado, que no embate era chamado de “Touro” e ele de “Capim”. Saiu vitorioso, com maioria de 98 votos.

Vingt-un Rosado

Largou a política no final deste mandato (1973) para se formar em medicina. Formou-se com a idade passando dos 50 anos. Sua atuação como clínico geral perdurou até às vésperas do seu falecimento.

Encontro de Conterrâneos

Devo me envolver, agora, nesta história de Antonio Rodrigues, com muita honra. Chegava eu em Mossoró, em l969, para começar uma nova etapa de minha vida. No mesmo ano, assumi um trabalho social no Bairro Alto do Xerém. A primeira etapa do trabalho previa a construção de um chafariz. A comunidade, devidamente conscientizada, se responsabilizaria pela mão de obra voluntária, e as outras despesas seriam assumidas pelo poder público. Levei o projeto para o prefeito Antonio Rodrigues que o apreciou e fez a seguinte observação: “Josafá, ontem recebi vários pedidos de vereadores, sendo um deles também para construção de um chafariz. Minhas respostas foram negativas. Diante do seu projeto, porém, sinto-me motivado e obrigado a atender”.

Uma semana depois da aprovação do projeto, fui convocado pelo prefeito para uma reunião no seu gabinete. Estava eu com poucos meses na minha nova etapa de vida. Saía de um internato vivido em alguns seminários, durante treze anos, sem nenhuma experiência no serviço público. E recebi o convite para assumir a Secretaria de Administração ou a recém criada Secretaria de Planejamento. Não sabia eu que um simples projeto, o primeiro que fiz, fosse motivo para chegar a uma secretaria da Prefeitura de Mossoró. E não sabendo disso, mas sabendo que ia comandar chefes de departamentos, com idade variando entre 40 e 50 anos de idade, enquanto estava eu com 27, temi assumir a tarefa, cuja responsabilidade não seria correspondida pela minha inexperiência, assim pensava eu naquela época. Só depois, aos 35 anos entrei na Prefeitura, como Secretário de Administração.

O Desejo de Voltar à Terra Natal

O que destaco em Antonio Rodrigues, indo além do que muitos falaram e escreveram sobre ele, são os três envolvimentos que ele teve com Upanema. Aquele, de 1952 para 1953, relativo à emancipação política; o convite que me fez, também na lembrança de Upanema, assim me disse ele; e o terceiro envolvimento, ainda comigo, se deu há apenas dois anos, já na nossa aposentadoria. Nossos encontros se davam na Praça da Catedral de Santa Luzia, na calçada da Rádio Rural ou no Banco do Brasil. Foi maravilhoso ouvir dele o desejo de voltar para Upanema, na altura dos seus 80 anos. Comprar uma faixa de terra no Capim Grosso, e ali erigir uma capela, um posto de saúde e uma escola, era o último sonho do advogado, do deputado, do prefeito e do médico Antonio Rodrigues de Carvalho.

Complemento Indispensável

Este parágrafo e o seguinte trazem um complemento indispensável para esta história. Pouco foi dito sobre suas irmãs, nada sobre seu irmão, sua esposa e seus filhos. Antonio Rodrigues, ainda não era rapaz feito, quando repetiu o gesto de suas irmãs, de voltar a Upanema para trazer o irmão que tinha ficado aqui. Cresceram juntos, sofreram juntos e venceram juntos. As irmãs, Luiza e Romana, estavam no apoio apertado, e aquele vereador, o Sr. João Manoel teve participação importante. O irmão, Francisco Rodrigues de Carvalho, formou-se em medicina (Dr. Chico Rodrigues), e agora goza a aposentadoria. Portanto, o amor fraterno não faltou.

Não poderia faltar também aquele amor, que do abraço quente nascem filhos. Namorou 10 anos com a mesma moça. Em 1956, na Igreja de Nossa senhora do Perpétuo Socorro, Antonio prometeu viver até morrer com a mossoroense Maria Augusta Filgueira, mulher de fé e de caridade. A humildade e a simplicidade são outras virtudes da esposa. O que importava para ela era o crescimento do marido. A propósito alguém disse: “Atrás de um grande homem existe uma grande mulher”. Antonio Rodrigues deixou, por morte, além da mulher, a filha Nairma Filgueira de Carvalho, formada em psicologia, viúva que deu um neto aos pais. Maranto Filgueira Rodrigues de Carvalho, casado, deu dois netos, e é promotor de justiça.

Figura Ímpar e Exemplar

Este depoimento se confundiu com a própria história de Antonio Rodrigues. A história enriquece o depoimento, e este não pode alterar nada da história. Ser este trabalho menos depoimento do que história, é se comportar como tal. Contudo, não deixei de depor a favor do personagem central da história, e espero, com o depoimento, ter realçado a figura ímpar e exemplar do Dr. Antonio Rodrigues de Carvalho.
Texto do professor Josafá Inácio publicado na edição 68 do Jornal de Upanema

http://upanema.blogspot.com.br/2010/01/depoimento-sobre-o-dr-antonio-rodrigues.html

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Parcerias

Por: Wescley Rodrigues
Kiko Monteiro, Wescley Rodrigues, Juliana Ischiara e Nasciso Dias

Amigos(as),

Além da brilhante promoção do Centro Cultural Banco do Nordeste da cidade de Sousa, o “Parahyba Cangaço”, um evento que é uma extensão do Seminário Cariri Cangaço, acaba de firmar uma relevante parceria com o Núcleo de Extensão e Pesquisa Acadêmica – NEPA e com o Grupo de Estudos de Direitos Humanos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Cajazeiras – FAFIC.

Gostaríamos de agradecer ao coordenador do NEPA, Prof. Me. Antunes Ferreira, e ao coordenador do grupo de estudos, Prof. Me. Paulino Júnior, pelo apoio e a presteza em incentivar os alunos(as) a participarem de um debate histórico tão rico que pretende entender as raízes da violência e o arraigado código ético do sertão nordestino.

Salientamos, ainda, que todos os participantes terão direito a certificação.

Saudações cangaceiras!

Prof. Wescley Rodrigues

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Maria Bonita, a cangaceira


Maria fez uma escolha. Optou por estar ao lado de Lampião, escolheu o caminho do amor e se tornou Maria Bonita. Mas a opção exigia renúncia. Ela teve de abrir mão da tranquilidade de casa, da convivência com os pais e dos irmãos, para entrar em um mundo masculino, bandido, de incertezas da caatinga, do cangaço. Uma escolha que mudou a vida de Maria e do cangaço.

Viver no sertão nordestino era (e continua sendo) um desafio. A falta de chuva fazia as famílias percorrerem quilômetros em busca de um barreiro, que tivesse acumulado água ou um braço de rio que passava grande parte do ano seco ou com apenas um filete de água. E essa caminhada tinha de ser feita por veredas em meio uma vegetação àspera, seca, que arranhava.
  
Nos primeiros dois anos da presença da mulher no movimento, a rotina de Maria Bonita, a primeira cangaceira, e das outras mulheres que também seguiram o caminho dela, foi um pouco mais amena que a dos homens. 

Lampião e Maria Bonita

Lampião acreditava que elas não suportariam as longas caminhadas do bando. Acredita-se que os grupos chegavam a andar 50 quilômetros por dia (distância, por exemplo, entre Recife e o município de Escada, na Zona da Mata de Pernambuco).

Frederico Pernambucano de Melo

O pesquisador Frederico Pernambucano de Mello afirma que, nesse primeiro momento, as mulheres não seguiam os bandos. “Elas ficavam guardadas num deserto no sertão da Bahia, chamado de Raso da Catarina, entregues à proteção dos índios pankararés, que são praticamente donos daquela região selvagem”, detalha.

Essa situação não durou muito. Por ordem do Capitão Virgulino, elas foram obrigadas a “viver debaixo do chapéu e em cima da alpercata”, brinca Pernambucano de Mello. Elas, então, começaram a seguir os grupos, mas não tiveram dificuldade, já que as longas caminhadas faziam parte da vida do sertanejo da época. Pesquisadores, parentes de Maria Bonita, pessoas que conviveram com ela e até uma ex-cangaceira explicam como era o dia a dia de uma mulher no cangaço.

Aos poucos, Maria Bonita e as outras mulheres foram, de mansinho, ocupando espaço, e, meio sem querer, provocaram mudanças naquele mundo tão rude e masculino. Mesmo sem participarem das batalhas – embora tivessem armas e soubessem atirar, começaram a ajudar os cangaceiros, mas não serviam como empregadas. Eram, na verdade, companheiras.

“Elas trouxeram conforto para os homens. Mantiveram-se femininas, companheiras dos seus homens e, ao mesmo tempo, ajudavam naquela vida nômade do cangaço”, afirma Frederico Pernambucano.

Cleonice Maria, Ivanildo Silveira e Anildomá Willians

O historiador Anildomá Willians fala que a presença das mulheres nos bandos inibiu a ação de alguns cangaceiros que estupravam moças e praticavam outros crimes por onde passavam.

As cangaceiras também contestaram alguns valores e práticas da época. O calor e os costumes obrigavam essas mulheres a se protegerem, a cobrirem o corpo. “As mulheres chegaram no cangaço com o vestido acima do joelho, algo impensável para a época, chegaram para inverter valores, pra mostrar que aquelas grandes mulheres não estavam atrás dos homens, mas ao lado deles”, defende o historiador.

http://www2.uol.com.br/JC/sites/asmarias/cangaceira.html#.

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O Correio do Povo - 27 de Maio de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

No dia 13 de maio de 1925, numa quarta-feira, circulou pela primeira vez nas ruas de Mossoró o jornal “Correio do Povo”, tendo como seu proprietário e diretor José Octávio e como redatores os intelectuais Jeremias Limeira e Manoel Rodrigues. A gerência estava a cargo do artista tipográfico Cícero Adeoliveira.

O jornal nasceu com a proposta de ser independente e dedicado a causa não só do município de Mossoró como também de todo Oeste potiguar, como anunciou o seu fundador logo no primeiro número. O seu slogan era: Mossoró acima de tudo. E realmente, durante o período em que circulou, agitou vários problemas ligados a comunidade mossoroense como saneamento, hospital, diocese, calçamento, arborização, costumes, estrada de ferro e principalmente o problema da energia elétrica de Mossoró.
Naquela época, Mossoró estava escravizada a um contrato leonino de 99 anos, lavrado em 1916. Segundo as palavras de José Octávio, não havia iluminação pública, e sim um simulacro, com 120 lâmpadas de 30 Watts, um motor de 40 HP a óleo cru, fornecendo energia e claridade “igual à luz dos pirilampos”. Nesse caso específico, o Correio do Povo fez uma dura campanha, através da pena flamejante de Jeremias Limeira. E em 1926, quando o Cel. Rodolfo Fernandes assumiu a Prefeitura de Mossoró, encampou para a Prefeitura à velha, inoperante e arcaica empresa de luz, passando a oferecer um serviço de qualidade muito superior. Dessa forma o município se livrou das cláusulas de um contrato que o escravizaria por 99 anos, se não fosse essa campanha encabeçada pelo jornal Correio do Povo.
               
O jornal teve, durante o tempo em que circulou, vários redatores. Até 1928, data da sua temporária e forçada suspensão, segundo o seu proprietário, “motivada por acontecimentos deploráveis de arbítrio do poder”, escreveram nessa folha semanalmente: Dr. Abel Coelho, Pe. Paulo Herôncio, Amâncio Leite, professores Manoel João e Raimundo Nonato, Tenente Luiz Cândido e outros intelectuais da época.
               
O Correio do Povo era o único jornal no Estado que mantinha oficina de fotogravura. Ilustrava suas páginas com os “clichês” dos acontecimentos sociais, políticos e esportivos, elevando o seu conceito artístico acima das folhas congêneres. Foi também o primeiro órgão que circulou como diário em Mossoró.
               
Em 1930 ressurgiu o Correio do Povo, mas com uma proposta diferente da inicial. Reabriu como órgão de apoio a Aliança Liberal, partido político apoiado pelo advogado e político potiguar Café Filho. Segundo José Octávio, o seu fundador, “o jornal defendia o programa, a ação e o seu chefe. Todas as diatribes e verrinas atiradas pelos adversários, o Correio do Povo as revidava com vigor, chegando até o debate pessoal”. Com essa postura, José Octávio perdeu velhas amizades e interesses, porque na defesa do partido que o jornal apoiava, não havia barreiras que não fossem transpostas.
              
O jornal Correio do Povo circulou até 2 de dezembro de 1934, quando fechou suas portas definitivamente.
               
José Octávio Pereira Lima, o seu fundador e diretor, nasceu na cidade paraibana de Araruna, a 8 de setembro de 1894, mas foi em Mossoró onde viveu a maior parte da sua vida, desempenhando as atividades de comerciante, dono de livraria, atelier fotográfico e jornalista combativo. Publicou o livro “Terra Nordestina, problemas, Homens e Falas”, e escreveu um trabalho em versos historiando o ataque de Lampião a Mossoró. Foi Inspetor Federal do Ensino e primeiro prefeito provisório de Mossoró, após a Revolução de 30. Governou Mossoró no período de 6 de outubro de 1930 a 17 de outubro de 1930. Foi, portanto, o chefe da edilidade mossoroenses que menos tempo permaneceu em exercício.
               
Homem idealista e cheio de entusiasmo pelos problemas mossoroenses, sendo um dos obreiros do seu progresso. Faleceu em Niterói/RJ, a 3 de abril de 1958.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Fonte:
http://www.blogdogemaia.com/

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento


Independente do texto acima

Clique nos links abaixo para você ler os artigos que ainda não os leu.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/lampiao-e-o-cangaco-no-imaginario.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2011/12/cangaco-epopeia-de-guaribas.html

Antonio Silvino, o Sal e o cangaceiro

Por: Lusa Piancó Vilar

Excelente postagem, amigo! Fez-me recordar inúmeras histórias contadas pela minha avó, que era da família Nóbrega e nasceu em Santa Luzia do Sabugi. 

Certa vez contou-me uma longa história de quando o meu bisavô, o pai dela, recebeu esse "hóspede" na casa de sua fazenda. Ao chegar com seu bando, Antônio Silvino pediu que lhe preparassem um almoço. E foi feito, porque o cabra não pedia, mandava, rssss. 


Sentou-se à mesa com a cabroeira e um dos seus cangaceiros reclamou estar a comida insossa. Terminado o almoço, o Antônio Silvino perguntou a minha bisavó se ela ainda tinha sal em casa, ela respondeu que sim. 

- Traga-me um prato fundo e uma colher, disse o chefe do bando. 

Levou o cangaceiro, que havia achado a comida insossa, até o terreiro e disse: 

- Cabra mal agradecido, o que você fez foi uma desfeita a dona da casa, peça perdão a ela. 

Depois o obrigou comer todo o sal do prato. Acabo de algumas horas, ele, agonizante, sangrando pela boca, pelo nariz e pelos olhos, caiu morto.

Facebook - na página de Lusa Piancó Vilar. 
Ela é prima do escritor e pesquisador do cangaço: 
João de Sousa Lima

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O cantor João Mossoró estará no "Mercadão Cadegue" amanhã


O cantor João Mossoró fará show - sábado, amanhã, 1 de Junho, no Rio de Janeiro, no bairro Benfica, "Mercadão Cadegue".

Uma festa portuguesa, e lá o cantor se apresentará no "Cantinho das Concertinas".


Será uma festa bastante animada, quando o artista cantará as mais lindas canções

Você que mora no Rio de Janeiro prestigie o artista, participando do seu show.

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Extra - Um exemplo religioso - O Deus do amor.


Uma mulher vestida de forma simples e com um rosto sofrido, entrou em uma loja. Aproximou-se do dono e envergonhada perguntou se poderia levar alguns produtos e pagar depois. Com uma voz suave, ela explicou que seu marido estava muito doente e que não podia trabalhar que tinham sete filhos e precisavam de alimentos.


O dono da loja, inflexível, pediu para que a mulher fosse embora. Porém, a mulher pensando em sua família continuou implorando: "Por favor, senhor, eu pagarei assim que puder". O dono da loja negou dizendo-lhe que não poderia dar crédito para uma pessoa que ele não conhecia.

Perto da entrada da loja estava um cliente que escutou a conversa. O cliente se aproximou e disse ao dono que ele se responsabilizaria pelas compras da mulher, mas ele ignorou.

O dono da loja se virou para mulher e perguntou:

- Você tem uma lista de compras?

Ela respondeu

- Sim senhor.

- Está bem! Coloque sua lista na balança e o quanto pesar sua lista, eu vou lhe dar em alimentos - disse ele.

Ela se hesitou por um momento e de cabeça baixa, pegou em sua carteira um pedaço de papel e escreveu sobre ele. Em seguida, com receio, a mulher colocou o papel na balança. Ao fazer isto a balança abaixou de uma vez, como se tivesse colocado uma pedra sobre ela.

 O dono da loja e o cliente olharam com espanto e admiração.

O dono da loja começou a colocar alimentos do outro lado da balança, mas ela nem se mexia. Então ele continuou a colocar mais e mais alimentos, mas como a balança nunca se igualava, ele não aguentou e pegou o pedaço de papel para ver se havia algum truque.

O dono da loja olhou o papel e leu com espanto. Não era uma lista de compras, era uma oração que dizia: "Querido Deus, o Senhor conhece minhas necessidades, deixo esta situação em suas mãos".

O dono da loja deu a mulher todos os alimentos que estavam na balança e ficou em silêncio enquanto a mulher saía da loja.

Só Deus sabe o valor de uma oração. 

No facebook - Página de Marizan Moura - Nova Iguaçu -RJ

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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Campanha Museu do Cangaço

Por: Wescley Rodrigues
Alcino Alves Costa, Wescley Rodrigues e Isabel Barros

Amigos (as),

Quando pensamos o evento Parahyba Cangaço e Cariri Cangaço não tivemos o intuito apenas de promover um debate profícuo sobre a temática em foco, mas construímos um objetivo maior que é cobrar das autoridades públicas o restauro e criação de um museu na casa que pertenceu ao cangaceiro Chico Pereira.  


A casa encontra-se em ruínas e carece de reparos urgentemente. Um povo sem memória é um povo sem historia, sendo que a cultura material ajuda a narrar o passado e contribui na elaboração de identidades.

Pedimos o apoio de todos (as) nessa luta!

Atenciosamente

Wescley Rodrigues

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Visita ao Vale dos Dinossauro​s

Por: Wescley Rodrigues
Neli Conceição e Wescley Rodrigues

Amigos(as),

Saudações cangaceiras!

Já recebemos a confirmação de muitos(as) companheiros(as) sobre a vinda para o Parahyba Cangaço (Cariri Cangaço), o que muito nos alegra.

Como alguns chegarão na manhã do sábado, pensamos em uma programação extra oficial. No sábado, a partir das 09:30h, visitaremos o Vale dos Dinossauros que recentemente passou por reformas.

“O Vale dos Dinossauros é um dos mais importantes sítios paleontológicos do mundo, com mais de 50 tipos de pegadas de animais pré-históricos, espalhadas por toda bacia sedimentar do Rio do Peixe em uma extensão de 700 Km². Estegossauros, Alossauros, Iguanodontes, enfim, inúmeras espécies de dinossauros viveram no sertão paraibano entre 250 e 65 milhões de anos.”

Aguardamos todos(as) em Sousa e Nazarezinho.

Abraços!

Prof. Wescley Rodrigues

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço Wescley Rodrigues
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O Paraíso de Dona Fideralina: Sítio Tatu

 Por: Manoel Severo

Lavras da Mangabeira é um município encantador. Encravado na região sul do estado do Ceará, um dos grandes do Vale do Rio Salgado, acolheu a  primeira Avant-Premiére do Cariri Cangaço 2013, nos últimos dias 18 e 19 de maio, promovendo uma grande festa onde imperaram as fortes tradições da família Lavrense, tendo como personagem principal Fideralina Augusto Lima.

O Sítio Tatu de dona Fideralina Augusto Lima

Entre o final do século XIX e início do século XX, Dona Fideralina comandava a partir de Lavras, os destinos de toda região. Possuía dois verdadeiros quartéis generais: Sua casa no centro de Lavras e seu amado Sítio Tatu. 

A Emblemática Casa Grande do Sítio Tatu, berço dos Augustos. Abaixo, ao lado de Manoel Severo, um dos descendentes:Emerson Monteiro.


A Caravana Cariri Cangaço tendo como anfitrião o prefeito Tavinho e a secretária de cultura Cristina Couto partiu da visita à Casa de Dona Fideralina no centro de Lavras rumo ao emblemático Sítio Tatu. Percorremos cerca de 8 km, primeiro pela CE e depois em estrada carroçável  até nos surpreendermos com um verdadeiro paraíso: Tatu.

A primeira imagem, na entrada da fazenda: A Capela em ruínas, como podemos acompanhar na postagem imediatamente abaixo. Mantendo-se firme ainda a fachada, guardava no alto de sua pequena torre o velho sino de cobre. Neste momento me confidenciava um dos trinetos de Fidera, Emerson Monteiro: "Severo nasci aqui e passei boa parte de minha infância brincando nesta capelinha, momentos inesquecíveis". 
  
 O Tatu encanta pelos detalhes: O sertão de nosso chão é cheio de magia e beleza como a testemunha muda da pequena vela no crucifixo do "terreiro da Casa Grande"
  


Realmente momentos inesquecíveis; daqueles que povoam as mentes e os corações dos muitos meninos sertanejos de nosso torrão nordestino, mas momentos inesquecíveis também para cada um de nós que estávamos tendo o prazer de pisar aquelas terras que guardavam tanta história, memória e tradição.

Só não esperávamos tanta beleza! O Sítio Tatu com sua Casa Grande, Capela, Estábulo, Casa de Apoio, o Velho Engenho, o Açude, as Árvores frondosas, enfim; as imagens desta postagem mostram aos nossos leitores a razão de termos usado letras maiúsculas à cada item citado...

Clã dos Augusto do século XXI. Memória e tradição em Lavras da Mangabeira

Ângelo Osmiro na varanda de Fideralina

Nos surpreendeu também sobremaneira a grande mobilização feita em toda a cidade por conta do Cariri Cangaço; nessa visita ao Sítio Tatu chegamos a ter nos acompanhando cerca de 250 pessoas, o que em muito confirmou o grande compromisso da organização local do evento sob os cuidados da equipe de Cristina Couto.

Ponto alto da visita foi a fotografia histórica dos descendentes de dona Fideralina Augusto Lima, presentes ao evento, diante da Casa Grande do Sítio Tatu. Ali estavam cerca de 40 familiares do tronco legítimo dos Augusto, fato que nos deixou verdadeiramente honrados.

Ana Paula Monteiro e o velho engenho da fazenda

Abaixo, Alberto Teixeira e o carro de boi do Tatu


Ao final ficou a certeza da grande força e do grande simbolismo daquele lugar e daquela brava gente. Lavras da Mangabeira como todo o Vale do Salgado e do nosso Cariri dignificam com sobra, a história de nosso sertão; desse povo forte e de alma pujante; do amado Ceará. Valeu Lavras da Mangabeira, que venha agora o Cariri Cangaço Parayba!

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço 

http://cariricangaco.blogspot.com
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O PRIMEIRO CANGACEIRO, SEGUNDO O ESCRITOR FRANKLIN TÁVORA, SURGIU NO RECIFE EM 1776 “O CABELEIRA"


Embora tido como um dos primeiros cangaceiros, José Gomes, o Cabeleira, era apenas um bandido cruel e sanguinário, que entrou na vida do crime influenciado pelo seu pai, o não menos perverso Joaquim Gomes, um homem mal e cruel que cedo ensinou o filho a arte violenta de matar e sangrar as pessoas indefesas, apenas por puro prazer. Juntamente com seu pai e um negro de nome Teodósio, Cabeleira aterrorizou toda a zona da mata pernambucana desde Vitória de Santo Antão até o centro do Recife, em meados de 1775.

Cabeleira foi um herói do mal. À revelia de sua mãe, a Joana, conheceu a trilha do crime através do pai, que cedo o ensinou a usar o clavinote, deixando um rastro de morte e destruição por onde passava.

Cabeleira não escolhia suas vítimas. Era um herói sem causa social, e não tinha para si um código de ética e de conduta. Matava por matar e roubava por roubar. José Gomes foi aprisionado num canavial em Paudalho, zona da mata de Recife, e levado à forca no Forte das Cinco Pontas em 1776. Das estórias de Cabeleira, só contadas pelo romancista Franklin Távora, ficam os versos que imortalizou a figura desse cangaceiro na alma do nordestino:

“Fecha a porta, gente Cabeleira aí vem, Matando mulheres, Meninos também....” “Minha mãe me deu Contas pra rezar Meu pai me deu faca Para eu matar” “Meu pai me pediu Por sua benção Que eu não fosse mole Fosse valentão.”

Fonte: facebook, página do pesquisador Guilherme Machado

O TEMIDO CABELEIRA
Publicado em 2006

Ele era tão temido em Pernambuco no século XVIII que costumavam assustar as crianças daquela época dizendo: se não obedecer, Cabeleira vem te pegar!

José Gomes, o Cabeleira, pode ser menos famoso que Lampião, mas viveu antes que o amante de Maria Bonita e é considerado um dos primeiros cangaceiros de que se tem notícia. Filho de mameluco, ele matava e roubava de todos, não perdoava nem a igreja, forte e temido na época. Sua história foi contada em livro por Franklin Távora, um escritor regionalista, crítico ferrenho de José de Alencar, autor de "Iracema", "O guarani" e "Senhora".

Inspirados pelo livro "O Cabeleira", de Távora, Hiroshi e Leandro Assis, dois novatos no gênero dos quadrinhos, decidiram escrever um roteiro inspirado no personagem. A HQ contará com a arte de um veterano que andava sumido da área, Allan Alex, e será publicada no início do ano que vem pela nova editora Desiderata. Ex-MOSH! e atual responsável pela publicação de quadrinhos da editora, Lobo diz que o álbum terá 96 páginas no formato de 21 x 28 e adianta outros projetos:

- O lançamento de nossa série de quadrinhos deve acontecer no início do ano que vem. "O Cabeleira", que o Allan Alex está desenhando a partir de um roteiro de Leandro Assis e Hiroshi, é uma puta história de aventura de época, tá ficando linda. Outros lançamentos são "Copacabana", um roteiro meu desenhado pelo Odyr, que conta a história de uma puta que trabalha na Av. Atlântica e uma coleção de quadrinhos sobre escritores, possivelmente Julio Cortázar e Vinicius de Moraes.

Formado em engenharia, Hiroshi conta como entrou no projeto de "O Cabeleira" com o parceiro, o publicitário Leandro Assis:

- Soube da história através do Leandro, que me mostrou o livro do Franklin Távora. Embarquei imediatamente na idéia de escrever um roteiro. O livro é baseado num cordel sobre o Cabeleira (imagem à direita), um personagem real que aterrorizou Pernambuco no final do séc XVIII. Ele foi um precursor do cangaço. A palavra “cangaceiro”, aliás, nem aparece no livro. Enquanto todo mundo dá destaque para Lampião e Maria Bonita, vimos no Cabeleira uma história original, pois ele foi o primeiro.

Já Assis diz que descobriu o cangaceiro em outro livro:

- Descobri sobre o Cabeleira no livro “Guerreiros do Sol”, do historiador Frederico Pernambucano de Mello. O Cabeleira foi uma espécie de predecessor dos cangaceiros, um bandoleiro que aterrorizou Pernambuco no século XVIII e teve seus feitos imortalizados em cordel. Em 1876 Franklin Távora contou a história do bandido no romance "O Cabeleira", no qual nosso roteiro é baseado.

Hiroshi parece ter gostado da ideia de fazer HQs, pois tem planos para novos quadrinhos com Leandro Assis:

- Nossa idéia é continuar nessa linha de personagens que não são muito conhecidos, mas que marcaram a história do Brasil.

O outro roteirista, Assis, concorda:

- Temos algumas idéias e estamos decidindo qual vamos desenvolver primeiro. Mas certamente será alguma história de época, baseada em fatos reais, com muita ação e alguma violência.


Conhecido pelas HQs do personagem Nonô Jacaré (imagem acima) que desenhava nos anos 90 para a extinta revista Porrada ao lado do roteirista Patati, o bom ilustrador Allan Alex andava sumido do ramo já há algum tempo até que o editor Lobo, da Desiderata, o encontrou e o trouxe de volta às HQs. "O segredo da Jurema", "Sangue bom", "Zumbi dos Palmares", "Brasileiros", gibis de terror e até parcerias com Solano Lopes estão no currículo de Alex, que desde a morte da esposa, há dez anos, vive na região da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, uma área, segundo ele, rica em tipos humanos:

- Vejo muita coisa na Central do Brasil, percebo certas nuances. Foi aqui onde comecei a notar com mais atenção o ser humano, pois aqui tem de tudo. Daí procuro compreender o Cabeleira. Ninguém nasce mau. É preciso entender a complexidade e esquecer o conceito absolutista de bom e mau, existem meios-termos. O ser humano é muito mais rico do que isso. O Cabeleira não respeitava nem o medo que tinham da religião, roubava tudo. Nem o exército português roubava da igreja. Queríamos mostrar, com esta HQ, a complexidade do ser humano - explica Allan Alex, um ilustrador articulado que em matéria de religião diz já ter experimentado de tudo: catolicismo, candomblé, umbanda, seitas evangélicas etc.

http://oglobo.globo.com/blogs/gibizada/posts/2006/11/06/o-temido-cabeleira-14639.asp

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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Luiz Gonzaga descendo os degraus de um avião

Por: Guilherme Machado

Foto de seu Luiz Gonzaga chegando a Juazeiro do Norte para a sua ultima visita a Exú, em 1989. 

Muito doente descendo do bojo de um avião, como ele gostava de chamar. Na descida do avião ele estava sendo  conduzido pelo seu sobrinho e  sanfoneiro Joquinha Gonzaga, o qual está  à sua esquerda. 

Mais atrás, piloto, seu motorista, e também sobrinho. Bem mais atrás a Deuzuita Rabelo, sua namorada.

Adquirido no facebook, na página do pesquisador Guilherme Machado

Estátua de bronze que, com a de Jackson do Pandeiro, fica de frente ao Açude Velho, Campina Grande, PB, Brasil).

Se você quiser conhecer a biografia de Luiz Gonzaga clique no link abaixo:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Gonzaga


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Expectativa quanto... Aos ventos que virão - Publicado em 2010 no http://lampiaoaceso.blogspot.com

Por Alcino Alves Costa
Aderbal Nogueira e Alcino Alves Costa

Poço Redondo está sendo palco da filmagem do longa metragem “Aos ventos que virão”, filme que tem em Hermano Penna o seu diretor, ainda André Lavener como diretor fotográfico e Ana Clara Rafaldi, na condição de produtora executiva.

 
Poço Redondo, terra querida do mestre Alcino.

O filme é estrelado pelo ator Rui Ricardo Diaz, aquele mesmo que fez o papel do presidente Lula no filme sobre a sua vida, ainda pelas atrizes globais Neuza Borges e Emanuelle Araújo, além do nosso sergipano Antônio Leite e outros atores da Bahia.

Este é o terceiro filme que Hermano Penna faz em Poço Redondo. Anteriormente, na década de 70, aconteceram duas filmagens em nosso município: “Mulher no cangaço” e “Sargento Getúlio”, este teve como ator principal o lendário Lima Duarte que passou alguns dias em nosso município, nos dando a honra de sua ilustre presença em nossa cidade.

Foi naquela época que Hermano, ao ler o livro de minha autoria “Lampião além da versão” ficou encantado com a história de Zé de Julião, no capítulo intitulado “Zé de Julião – a grande vítima do destino”.

Aquela comovente epopeia do moço de Poço Redondo nunca mais saiu da cabeça do extraordinário cearense do Crato, porém radicado há muitos anos em São Paulo. Hermano havia jurado consigo mesmo que um dia iria levar para o cinema aquele extraordinário épico de um homem que viveu uma vida de terríveis provações até ser assassinado naquele lutuoso dia 19 de fevereiro de 1961.

Zé de Julião é um famoso e saudoso filho de Poço Redondo. O seu pai, Julião do Nascimento, era o único homem daquele então arruado das brenhas sertanejas de Sergipe, possuidor de muitos bens, de vez que era proprietário de várias fazendas e um rebanho bovino avultado. Mesmo assim, o filho do fazendeiro, então recém casado com Enedina, numa decisão de extrema infelicidade, porém temeroso pela perseguição que as volantes lhe moviam, ingressou no bando de Lampião, levando consigo a sua querida esposa, que perdeu a vida ao lado de Lampião, Maria Bonita, e os demais oito companheiros no célebre cerco à Grota de Angico pelo tenente João Bezerra da Silva.

Os anos se passaram. O projeto jamais saiu da cabeça de Hermano. Eis que, após muita luta e sacrifício, o sonho está sendo realizado. As filmagens tiveram seu início na semana passada, dia 19. O filme não segue propriamente a história e os acontecimentos da vida de Zé de Julião, segue o seu próprio caminho tão peculiar nos enredos e produções cinematográficas. Os nomes foram mudados. Zé de Julião passou a ser Zé Olímpio, e Enedina se tornou Lúcia. Enedina não vai morrer, ela acompanhará o marido até a sua morte em 1961.

O enredo do filme é emocionante. Por que “Os ventos que virão”? Vivia-se a esperança de Brasília, o então novo eldorado brasileiro. Naquele chão goiano estava sendo construída não só uma nova capital, mas as aspirações e os desejos de um povo. Recuperar a sua vida de empreiteiro naquele gigantesco canteiro de obras passou a ser o sonho de Zé de Julião, o nosso Zé Olímpio do filme. Aquela nova vida passaria a ser os ventos benéficos do futuro do homem que se tornou a grande vítima do destino. E assim, em sua sensibilidade artística, Hermano colocou o título “Aos ventos que virão”, aliás que nunca chegaram para Zé de Julião, na película por ele produzida.

Deixando de lado a fantasia do filme que nasceu da mente arejada de seu produtor, necessário se faz falarmos um pouco da verdadeira história do real personagem que fez florescer o enredo de “Os ventos que virão”.

Zé de Julião, nasceu José Francisco do Nascimento, naquele dia 19 de abril de 1919. O seu pai era um abastado fazendeiro para os padrões de Poço Redondo. Ainda muito moço contraiu matrimônio com uma parenta de nome Enedina. Na primeira quadra do ano de 1937 foi para a companhia de Lampião, levando ao seu lado a sua jovem esposa. No cangaço recebeu o nome de Cajazeira.

Zé de Julião

No pandemônio da Grota de Angico, vamos encontrá-lo naquele inferno. A sua esposa ali perdeu a vida. O cangaço morreu e Zé de Julião, após casar com uma irmã de Enedina, uma moça chamada Estela, arribou para as terras do sul, indo residir em Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro.

Com a morte do pai foi obrigado a retornar ao Poço Redondo que ele tanto amava com a finalidade de cuidar dos bens deixados pelo genitor. Poço Redondo é emancipado em 1954. Zé de Julião se candidata a prefeito. A eleição terminou empatada entre ele e o seu opositor Artur Moreira de Sá. Por ser mais velho Artur ficou com os louros da vitória.

Na eleição de 1958 voltou a ser candidato. No entanto, uma medida compreensível da justiça eleitoral desgraçou a sua vida e ela chegou com a obrigação de se cadastrar todos os eleitores para adquirir novos títulos. Esta nova lei foi à desgraça de Zé de Julião. Nenhum de seus adeptos recebeu seu título.

Desesperado, no dia da eleição roubou as urnas. Foi perseguido como se fosse um cão danado. No dia 19 de setembro de 1959 foi preso e recambiado para a Penitenciária do Estado, em Aracaju. Após ganhar a sua liberdade, carregando o sonho dos ventos benéficos de Brasília, viajou para a nova capital. Eis que, misteriosamente, no aeroporto de Salvador, na Bahia, alguém cujo nome a história desconhece, o convenceu a não seguir a viagem tão sonhada para seguir o seu destino de dor e sofrimento, retornando ao Poço Redondo, aonde foi assassinado naquele dia 19 de fevereiro de 1961.


Que o nosso Hermano Penna, ao lado de sua competente equipe e de seus atores e atrizes tenham muito sucesso neste “Aos ventos que virão”, pois ele faz parte de nossa história sofrida e ao mesmo tempo bela deste tão amado Poço Redondo.

Em tempo: Você, meu leitor amigo, prestou atenção na repetição misteriosa do número 19 na vida e no destino de Zé de Julião? Nasceu em um dia 19, foi preso em um dia 19, morreu em um dia 19 e o filme baseado em sua saga começou num dia 19. Ainda mais, o nome de guerra, Cajazeira, tem nove letras.

Alcino Alves Costa
O Caipira de Poço Redondo

*As fotos que ilustram o artigo são do livro “Lampião além da versão - Mentiras e mistérios de Angico" estas foram escaneadas pelo reverendo Ivanildo Siveira.

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