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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Uma missão... Uma sepultura vazia.

Por: Rubens Antônio

Os vaqueiros da história que estiverem pretendendo vir a Salvador visitarem os túmulos dos cangaceiros no cemitério Quinta dos Lázaros terão uma surpresa.

Na tarde de hoje, 17 de julho de 2013, cumprindo parte de uma missão expressa dos capitães Kiko, Ivanildo e Sérgio, os cabras Geziel Moura e Rubens Antonio emitem a seguinte comunicação:

Sepulturas "dos quatro", nomeadamente Zabelê, Maria, Canjica e Azulão, na mais perfeita ordem:

  
Geziel Moura, um coronel paraense, registra o ultimo e definitivo coito de quatro cabras de Lampião.

Sepultura de Corisco...
 
Ontem...                           e hoje?

Evadida... Sem ossos... Campa perdida... Em resumo, meteu-se na caatinga... Talvez ou... provavelmente... pra sempre. Câmbio.

O Geziel Moura e eu, in situ, lamentamos muito a retirada dos restos de Corisco... Os funcionários praticamente todos que conversamos no cemitério sabiam da localização dos restos de Corisco e apontavam a sepultura para os interessados...

Perdem todos com isso.

Depois não sabemos de onde vem algo como... Quando o Geziel e eu perguntamos a uma outra funcionária em um outro cemitério por Dadá... ela não sabia quem era...

E a memória vai ralo abaixo.

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A moda que vem do cangaço

Por: Thabata Alves

Lampião e Maria Bonita, o casal que ditou moda no cangaço

Lampião e  Maria Bonita se tornaram mitos em todo o nordeste brasileiro ao misturar riqueza, extravagância e barbárie. Para o ”Rei do cangaço”, vestir-se bem era essencial para triunfar. Ele foi o primeiro cangaceiro a cuidar da sua imagem, aí reside sua originalidade. A partir do estilo ”criado” por Lampião e adotado por seu bando era reconhecido entre os demais. O vaidoso cangaceiro tinha um estilo pessoal e costumava entre outras roupas e acessórios usar um colar de prata e ouro, chapéus bordados, lenços de seda inglesa ou em tafetá, broches e camisas com botões de ouro.

Sempre preocupado com a aparência – bem antes de sua entrada no cangaço, Lampião costurava suas roupas e sabia bordar a máquina com perfeição – e soube elaborar um personagem singular para ele, utilizando efeitos visuais para valorizar a vida que levava com seu grupo e transmitir a imagem de bandido rico e poderoso que exercia fascínio e respeito sobre o povo do sertão.

Fotos dos cangaceiros Dadá e Corisco

Dadá, mulher de Corisco, companheiro de Lampião, teve papel importante na história do cangaço, não só por participar ativamente das lutas, mas, sobretudo por ter sido a “estilista” dos cangaceiros. Ela mudou radicalmente os motivos e a confecção das roupas e acessórios usados pelo bando.

A partir de 1932, lançou a moda dos motivos bordados em couro branco sobre os chapéus – foi a criadora da famosa estrela de oito pontas -, das flores em tecido colorido bordadas sobre as bolsas, dos peitorais e dos cinturões largos e de couro.

A nova indumentária criada por Dadá era também utilizada para diferenciar status e poder. Os motivos e as estrelas dos chapéus variavam de um cangaceiro para outro e permitiam reconhecer a sua importância dentro do grupo.

Geralmente, o lenço dos cangaceiros era feito em seda inglesa ou em tafetá francês e traziam sempre monogramas. O lenço de Lampião era em seda vermelha, bordada nos quatro cantos, fixado por diversos anéis – geralmente de ouro – em volta do pescoço. As bolsas bandoleiras eram feitas em tecidos resistentes e tinham vários bolsos fechados por diversos botões, com a parte externa ricamente bordada com motivos florais.

Enquanto os cangaceiros usualmente vestiam uma camisa cáqui ou azul, Lampião, como chefe, às vezes se diferenciava, usando camisas listradas ou estampadas, com botões de ouro. As calças de cintura alta eram geralmente curtas, obrigando os cangaceiros a usar tornozeleiras em couro e ornamentadas com botões e bordados para proteger da vegetação espinhenta. Por causa também da vegetação, os cangaceiros usavam luvas; as de Lampião eram bordadas.

Mesmo os objetos mais simples eram enfeitados, por exemplo, o cantil de alumínio de Lampião era recoberto por tecido bordado. As bainhas dos punhais, as cartucheiras, as alças dos fuzis completavam a riqueza dos trajes. Até os cães dos cangaceiros não escapavam a essa moda de ostentação: Dourado, o cão de Lampião usava uma coleira feita de ouro e prata.

As companheiras dos cangaceiros adaptaram-se a esse novo estilo de vestimenta. Havia dois tipos de indumentária feminina: a roupa típica das mulheres dos cangaceiros, usada durante as longas caminhadas na caatinga; e um vestido à moda da cidade, que as mulheres usavam geralmente nos refúgios, quando sabiam que estavam protegidas das forças policiais e podiam desfrutar de algum descanso.

A estética da extravagância de Lampião e seus cangaceiros já influenciou muitos estilistas. Zuzu Angel apresentou em seu primeiro desfile em Nova York, em 1970, uma coleção inspirada em Maria Bonita.

Em 2002, o universo do cangaço inspirou Tufi Duek e as roupas e acessórios da “Forum” foram enfeitados por pespontos ou tachas que recriavam os desenhos dos artesãos da caatinga. Amir Slama, da Rosa Chá, e Ronaldo Fraga também já se deixaram seduzir pelo estilo do cangaço brasileiro.

Fonte:


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Contos do além-cangaço

 
Jorge Amado e o fantasma de Corisco
Capítulo do livro da escritora Zélia Gattai (esposa de Jorge) - A casa do Rio Vermelho
Zélia e Jorge em foto de Carlos Namba
Pescado in Veja acervo digital
Sabedor da amizade e do carinho de Jorge por Dadá, tempos depois do enterro de Corisco um cidadão telefonou: queria, em nome de Dadá, falar com Jorge Amado um assunto da maior importância. Sendo em nome de Dadá, Jorge marcou entrevista com o cavalheiro. Ele apareceu, a vigarice estampada no rosto:

— Seu Jorge Amado — foi dizendo —, tenho uma proposta a lhe fazer, empreitada que pode nos dar muito dinheiro.

Jorge não mostrou curiosidade pela proposta, perguntou-lhe:

— Como vai Dadá? Esteve com ela?

— Não é bem isso — confessou o cara. — Andei entrevistando Dadá...

Não foi preciso ouvir mais nada, Jorge entendeu tudo, foi levantando. O sujeito estava ansioso para explicar a que vinha.

— Veja bem, seu Jorge — insistiu —, tenho um belo material, material precioso das entrevistas com Dadá e das pesquisas que fiz sobre o bando de Lampião, de Corisco, o amor de Dadá. Pode dar um livro e tanto.

— Já está escrevendo o livro? — perguntou Jorge

— Bem, a minha participação no livro será apenas de pesquisador, essa é a minha especialidade. Pensei que o senhor poderia, com a prática que tem, escrevê-lo em três tempos. Nós dois o assinaríamos. Que tal?

Vendo Jorge calado, cara de poucos amigos, ele ainda ousou:

— A gente pode até dar uma coisinha à Dadá, o que acha? Jorge já não achava mais nada, perdera a paciência. Levantou-se, despediu-se:

— A sua proposta não me interessa. Me desculpe, tenho o que fazer. — Chamou Aurélio, pediu que acompanhasse o cidadão até a porta.

Dias depois, o "pesquisador" voltou à carga, uma, duas, três vezes, tentando, por telefone, convencer o escritor a ser seu sócio no livro. Cansados dos repetidos telefonemas, resolvemos não atender mais, deixamos que a secretária eletrônica gravasse as mensagens. Uma delas, creio que a última, porque depois ele desistiu, foi tarde da noite. Uma voz de além-túmulo dizia:

Jooorge Amaaado, hóóó Jooorge Amaaado! Quem fala aqui é a alma de Corisco... ouviu bem? Coooriiiscooo... Faça o livro de Dadáaaa, Jorge Amado! Faça o livro de Dadáaaa... ouviu bem? Hó! Jorge Amado... senão eu vou aí com Lampião te puxar os pés...
Créditos: Felipe Gitirana, Comunidade do Orkut Lampião, Grande Rei do Cangaço

segunda-feira, 9 de abril de 2012

De volta à praça - Antônio Amaury relança seus últimos livros


Você acompanhou Aqui a matéria sobre o lançamento destas duas obras. 
As primeiras edições se esgotaram em dias, foram distribuídas gratuitamente graças a uma iniciativa da Assembléia Legislativa da Bahia. Porem muita gente ficou sem o seu inclusive "este blogueiro". 
Mas agora temos a oportunidade de ter mais estes dois rebentos do mestre Amaury. A Graftech empresa gráfica do confrade Luiz Ruben reeditou os livros e agora eles estão ao alcance dos pesquisadores e colecionadores. 
Garanta os seus.

Maria Bonita, a mulher de Lampião.
Graftech 279 páginas R$ 45,00 (Quarenta e cinco reais)
+ frete a consultar.
Gente de Lampião: Dadá e Corisco
Graftech, 330 páginas, R$ 50,00 (Cinquenta reais)
+ Frete a consultar.Os pedidos serão feitos diretamente ao autor:

Antônio Amaury Corrêa de Araújo
Rua Guajurus, 156 – Jardim São Paulo
São Paulo – SP / CEP: 02.045-070

E-mail: aamaurycangaceiro@gmail.com
Tel.: (11) 2972  4824

Extraído do Lampião Aceso

sexta-feira, 16 de março de 2012

Pediu o filho de Corisco

Por: Ivanildo Alves da Silveira
*Cortesia e comentários de Ivanildo Silveira
Uma das grandes polêmicas no estudo do cangaço, se tratou da "briga", para que fossem enterradas as cabeças dos cangaceiros, " Corisco ", " Lampião " e outros que se encontravam expostas ao público no museu, em Salvador, tendo como guardião, o professor Estácio de Lima..

O Dr. Silvio Bulhões ( vide foto, logo abaixo), filho de Corisco, foi um dos que lutaram nessa frente, tendo ido a jornais, e a imprensa de um modo geral, além de ter mantido diálogo com o governo e estudiosos, a fim de que a cabeça de seu famoso pai, tivesse um enterro digno.

Abaixo, trecho de uma reportagem da revista " O Cruzeiro " de 02 de janeiro de 1969, que tratava do assunto em tela.. Vejamos.

Economista, Dr. Silvio Bulhões, filho do cangaceiro Corisco.
Abaixo, a matéria de Tobias Granja, tendo destaque, também na mesma, a transcrição de dois bilhetes encaminhados pelo cangaceiro "Corisco", ao padre Bulhões ( pai de criação de Silvio), solicitando informações e uma foto do mesmo.
Abraço a todos
Ivanildo Alves Silveira
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC e Cariri-Cangaço
Natal/RN

Extraído do blog: Lampião Aceso

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Encontro de Gigantes

Por: Alcino Alves da Costa

Outrora, Poço Redondo era um arruado pertencente ao vasto município de Porto da Folha. Com sua emancipação em 25 de novembro de 1953 quase todas as fazendas nascidas nos escondidos daquelas brenhas caatingueiras passaram a pertencer ao novo município. Dentre elas uma fazenda chamada Pia Nova. Nos idos do cangaço o proprietário da Pia Nova era um caboclo de “boa cepa”, “raiz de braúna”, verdadeira “madeira de lei”, “homem atutanado”, sertanejo de “peso e medida”, chamado Torquato José dos Santos.


Já caindo para a idade seu Torquato cuidava com esmerado carinho e zelo de sua terrinha, de sua família, especialmente de sua numerosa filharada. No meio dela um rapazinho saindo da puberdade, chamado João. Este jovem caboclo carregava orgulhosamente o nome de seu pai junto ao seu nome de batismo. Vindo, com o passar dos anos, a se tornar no célebre João Torquato, o homem que derrotou Corisco, o “Diabo Louro”, na famosa medição de força acontecida na fazenda Queimada de Luís.

Corisco

O sofrimento, dores e provações de João Torquato começaram acontecer naquele entardecer do triste dia 02 de maio de 1937, quando chegou a sua casa um bando de malvados cangaceiros comandados por Zé Sereno e Mané Moreno. 

Zé Sereno à esquerda e Mané Moreno à direita

Numa atitude injusta e perversa, os cruéis cangaceiros assassinam o velho Torquato e seu genro Firmino. Medonha tragédia que destroçou a vida de João e todos da família. Desatinado com tamanha injustiça, João Torquato só pensava em vingar a morte do papai amado e de seu cunhado Firmino. Só lhe restava uma alternativa. Mesmo sabendo que sua mãe iria acrescentar ainda mais as suas dores e sofrimentos se decidiu por procurar uma das “forças do governo” que combatiam Lampião e nela se engajar. Só assim teria oportunidade de caçar e se vingar dos monstros que tiraram a vida de seu pai.

Zé Rufino

Foi o que fez. Procurou a volante comandada pelo famoso Zé Rufino e nela deu início a uma nova e inesperada etapa de sua vida; a vida de caçar cangaceiro. Pouco se demora sob o comando de Zé Rufino. O seu destino é a volante do temido Antônio Recruta, onde perseguiu cangaceiro por longo tempo. Nesta volante, João Torquato participou de vários confrontos com os cangaceiros.

Um deles, no entanto, se tornou célebre. Aquele em que sozinho enfrentou a cabroeira de Corisco, baleando-o e tirando a vida dos cangaceiros Guerreiro e Roxinho.

Como se sabe Corisco, após a morte de Lampião, ficou “atuleimado” e “atarantado” da cabeça, sem tino e sem razão. Ensandecido, cometeu diversas atrocidades, dentre elas as monstruosas execuções e degolamento de Domingos Ventura e mais cinco pessoas da família do vaqueiro da fazenda Patos, nas Alagoas, e como requinte final, após cortar as cabeças de suas desventuradas vítimas, as enviou para a cidade de Piranhas, aonde foram entregues ao prefeito João Correia Britto. O mesmo acontecendo, já em Sergipe, na fazenda Chafardona, em Monte Alegre de Sergipe, quando em mais um ato brutal assassinou Sinhozinho de Néu Militão, cortou a sua cabeça colocando-a em uma gamela e a enviando para o então povoado de Monte Alegre, por um rapaz chamado Santo e entregá-la ao cabo Nicolau que ali destacava.
Foi logo após esse crime que Corisco se deslocou até as caatingas da linha divisória entre Sergipe e Bahia.  Existem duas versões sobre o local em que aconteceu o extraordinário combate travado por João Torquato e Corisco.
O notável historiador Antônio Amaury, em seu livro “Gente de Lampião: Dadá e Corisco”, no capítulo “Agonia do cangaço”, páginas 113, 114 e 115, seguindo as acreditáveis informações de Dadá, diz que este confronto entre Corisco e João Torquato, aconteceu na fazenda “Lagoa da Serra”, residência do coiteiro Geraldo. Ocorre que João Torquato afirmava convicto que o seu embate com Corisco se deu em uma fazendinha abandonada chamada “Queimada de Luís”. Está em muitos livros a história deste confronto. Como se sabe o cangaceiro Guerreiro foi morto pelas balas do fuzil de João Torquato quando caminhava ao lado de Dadá e Roxinho pela malhada da fazendinha.
Imaginando que Guerreiro fosse Corisco, João Torquato faz pontaria em seu corpanzil e dispara a sua mortífera arma. O bandido tomba gravemente ferido. Não é Corisco é o cangaceiro Guerreiro. Corisco e os que lhe acompanhavam pensaram ser uma volante. A cabroeira corre e se ampara no paredão de um tanque. Prepara-se para enfrentar os agressores. Assim pensando, Corisco grita raivoso: “Macacos covardes! Venham! Vamu brigar. Vocês tão pegados é com Corisco” - jamais poderia imaginar que estava sendo atacado apenas por um soldado.
João se surpreendeu ao ouvir aquela possante voz. Pensava que o bandido que havia derrubado na malhada da fazenda fosse justamente Corisco, mas estava enganado. Os cangaceiros estão amparados no paredão do tanque. No outro lado do paredão está João Torquato que os enfrenta como desmedida coragem. Troca tiros com os bandidos. De repente divisa um cangaceiro que como se fosse uma cobra – e cobra ele era – se arrasta cautelosamente a sua procura. Sem perda de tempo o “contratado” dispara seu fuzil e o assecla despenca, rolando em sua direção. O “cabra” é muito jovem. Mais parece um menino. É Roxinho, o mesmo que estava ao lado de Guerreiro e Dadá na malhada da fazenda.

Grupo de Corisco

O menino é valente. Tenta pegar a sua arma que havia escapado de suas mãos. Não consegue. João Torquato com o coice de seu fuzil esbagaça a sua cabeça. Temendo o cerco da volante, assim imaginava Corisco, o mesmo e sua Dadá deixam o paredão do tanque e procuram a proteção da caatinga. João Torquato grita para o “Diabo Louro”:

 “Tá correndo covarde? Num diz que é valente, cabra frouxo. Num corra! Vamu brigar”.

O famoso alagoano escuta as palavras desafiadoras do soldado. É um valente. Vira-se para enfrentar a volante. Surpreso se depara apenas com um inimigo. Cadê os outros? Fica a se indagar por segundos. É a sua perdição. João Torquato aproveita aquela momentânea indecisão e dispara a sua arma. Naquele dia o filho de seu Torquato estava totalmente protegido pela sorte. Uma bala atingiu justamente os dois braços de Corisco deixando-o fora de combate.
O balaço fez com que o fuzil do companheiro de Dadá caísse por terra. Sem forças para segurá-lo o cangaceiro se desespera e procura se proteger na mataria. Percebendo a situação do famoso bandoleiro, João Torquato grita desafiador: “Não corra covarde. Espere pra morrer”. Mesmo com os braços destroçados Corisco pára. Mostra o quanto é valente. Sabe que irá morrer, mas morrerá como um verdadeiro homem. João Torquato aponta-lhe a sua mortífera arma. Será o fim de um dos mais famosos companheiros de Lampião.

Dadá e Corisco

É neste instante tão decisivo que entra em cena a figura de Dadá. Sem temer o inimigo o enfrenta com inusitada coragem. Nele atira, fazendo-o desviar a sua atenção em Corisco e ter que trocar tiros com ela. Dadá não pára de atirar. Atira no feroz inimigo e empurra Corisco na direção de uma baixada protetora ali nas proximidades. As balas de sua arma se acabam. Eis que numa atitude gigantesca e inesperada, a companheira de Corisco o defende jogando pedras em João Torquato, o homem dos olhos grandes e “abotecados” como ela dizia.
Continua empurrando o companheiro. Escorrega e cai. O vingador da morte do pai sorriu. Apontou-lhe o seu fuzil. Iria matá-la sem piedade. Errou o alvo. Com raiva se prepara para o segundo tiro. Percebe então que a sua arma estava sem munição. Enfia uma das mãos no bornal. Tem que recarregar rapidamente o seu fuzil. Ao retirar a mão do bornal com as balas o nunca esperado aconteceu. Seus companheiros vinham chegando e sem medir as consequências atiraram justamente em João Torquato ferindo-o na mão que ele segurava as balas.Os pedidos que naquela agonia Dadá rogava a Nossa Senhora foram atendidos. Na confusão que reinou no meio dos da volante, Corisco e sua valente companheira conseguiram se salvar. Como se sabe, Corisco deixou esse mundo no dia 25 de maio de 1940, assassinado pelas armas de Zé Rufino. Baleada, Dadá teve a sua perna amputada.
João Torquato deixou à volante e retornou a sua amada Pia Nova, onde viveu até o final de seus dias.Em 1958 vamos encontrá-lo ao lado de Zé de Julião. Havia se tornado um de seus fiéis aliados, naquela famosa disputa política entre o antigo cangaceiro Cajazeira e o seu oponente Artur Moreira de Sá, quando os dois eram candidatos a prefeito de Poço Redondo.
Desesperado com a monstruosa perseguição que lhe movia o governador do Estado, Zé de Julião roubou a urna no dia da eleição, ou seja, em 03 de outubro de 1958, e João Torquato ali estava de arma em punho, pronto para matar ou morrer defendendo um dos antigos “cabras” de Lampião, cangaceiros que ele tanto odiava. Para conhecer mais detalhes sobre essa história de sofrimento do povo sertanejo de Poço Redondo, em especial da família Torquato, leia-se os capítulos “Combate da Arara – morte de Zepelim”, página 249; “Os cangaceiros se vingam e matam Torquato e Firmino”, página 259; “A traição se consuma”, página 261; “Um milagre salva a volante”, página 265; e “A vingança de João Torquato, o filho de Torquato e o tiroteio com Corisco”, página 273, da terceira edição do livro “Lampião além da versão – mentiras e mistérios de Angico”, que se encontra a venda com Pereira, em Cajazeira, na Paraíba.

Alcino Alves Costa, o Decano
Caipira de Poço Redondo
Sócio da SBEC, Conselheiro Cariri Cangaço

Alcino estará presente na Caravana Cariri Cangaço-GECC, Desafio de Carnaval.

Cariri Cangaço
http://cariricangaco.blogspot.com

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Corisco e a Fazenda Pulgas

Por: Edson Barreto

Visitei a Fazenda Pacheco (antiga Fazenda Pulgas) no dia 08 de fevereiro de 2006. Ela fica no Povoado Pulgas, município de Barra do Mendes, na Bahia. Quem sai da cidade de Barro Alto (Bahia) em direção à cidade de Barra do Mendes, a poucos quilômetros, entra à esquerda e chega-se a essa pequena localidade. Acompanhavam-me: Érico Israel (meu irmão), Roseane (cunhada), Erick e Erickson (sobrinhos), Elaide Barreto (esposa), Evilyn Barreto (filha) e Valdizar (nosso guia, profundo conhecedor da região). A Fazenda Pacheco seria hoje apenas mais uma propriedade rural de uma família de amistosos sertanejos se não tivesse ocorrido naquele recôndito a emboscada que resultou na morte do ex-cangaceiro


Corisco e o fato de Dadá (companheira de Corisco) ter sido baleada, na perna, em 25 de maio de 1940. Esse fato é considerado, por alguns historiadores, como sendo o fim do cangaço no Nordeste do Brasil. Em 1940, a Fazenda Pulgas pertencia à cidade de Brotas de Macaúbas, Bahia, sendo que Barra do Mendes era apenas um povoado.

De volta ao século XXI, na atual Fazenda Pacheco encontrei, em 2006, a senhora Marieta de Souza Pacheco (dona Neta), pessoa maravilhosa, filha do senhor Joaquim de Souza Pacheco (falecido em maio de 2003, ex-proprietário daquelas terras). Dona Neta é uma das testemunhas que esteve presente na tragédia que vitimou o Diabo Loiro.


Ela, ainda muito lúcida, tinha dez anos de idade quando a família recebeu a visita de uma caravana de cinco pessoas (duas mulheres, dois homens e uma criança do sexo feminino) se dizendo romeiros, e que iam para a Lapa de Bom Jesus (cidade de Bom Jesus da Lapa, na Bahia) para pagarem uma promessa. Vinham montados em burros, com diversos caçoás, cheios de bagagens, inclusive dois papagaios. Pediram guarida ao senhor Pacheco, pois vinham de longe e iam para longe. O chefe da família ofereceu-lhes a Casa de Farinha, que ficava no oitão bem próximo de sua residência, distante uns quatrocentos metros, para um merecido descanso daquele grupo de viajantes. Era hábito comum, entre os habitantes do sertão, conceder repouso a quem estava de passagem, mesmo sendo estranhos.


O ex-chefe de subgrupo de Lampião, Corisco, sua mulher, Dadá, o ex-cangaceiro Rio Branco e sua companheira Florência, e a criança, Zefinha, afilhada do primeiro casal, ficaram naquela localidade por volta de uma semana. Dona Neta confidenciou-me que entre as bagagens “dos romeiros” havia alguns livros, peças de louças, muitas caixas e baús fechados, bastante comida e um pequeno caixote de madeira em que estava guardada uma trança de cabelos (que seria colocada no altar, em Lapa de Bom Jesus, para o pagamento da suposta promessa). Essa trança provavelmente era dos longos cabelos de outrora de Corisco, pois ele estava de cabelos curtos nessa ocasião. Na verdade, Corisco estava rumando para terras distantes do Nordeste ou Centro-Oeste, pagar uma promessa era uma forma de afastar pistas de sua fuga e do seu passado de banditismo que o tornou famigerado nas caatingas do sertão.


Durante a estada na fazenda, Dadá, muito amistosa, fez grande amizade com a família Pacheco, frequentando a residência deles e proseando bastante, porém Corisco mantinha-se mais distante, arredio, não entrava nunca na casa dos sertanejos anfitriões e, curiosamente, nunca tirava um paletó preto que usava sobre os ombros (provavelmente para esconder as cicatrizes de um ferimento que sofrera e o deixara aleijado dos membros superiores nos árduos tempos de cangaço). Uma parente de dona Marieta Pacheco, que morava próximo dali, estava bastante enferma e, algumas vezes recebeu a visita da família do Senhor Pacheco e de Dadá e Corisco, porém Corisco muito cismado não entrava em casa nenhuma, ficava sentado na varanda. Essa enferma faleceu e todos eles acompanharam o enterro que foi realizado debaixo de chuvas e muita lama, no pequeno cemitério de Barra do Mendes, naquele barro vermelho e pegajoso quando molhado.

Corisco e Dadá, de Rosemberg Cariri

Dona Neta informou que Dadá usava realmente esse apelido e não conseguiu lembrar o nome que o Diabo Louro fora apresentado na fazenda, porém não era Corisco nem Cristino que o chamavam. Não se lembrou também o nome do outro casal nem o da criança que os acompanhavam. "-Lembro que era um homem alto, agalegado, de pele vermelha queimada do sol! Não sabíamos nem que eram cangaceiros, todos eles eram pessoas boas e respeitadoras. Cangaceiros, pra gente, eram histórias que o povo contava – " afirmou dona Marieta. 25 de maio de 1940, um sábado. Os pais de dona Neta e os irmãos mais velhos foram para a feira no povoado de Barro Alto, próximo da Fazenda Pulgas, como era costume da família, para comprar mantimentos. Inclusive Corisco e Dadá pediram para que eles comprassem farinha, carne, pão e biscoitos. Dona Neta, com apenas dez anos de idade, ficou em casa cuidando dos irmãos mais novos até o retorno dos pais.


Antes de os pais retornarem, aquela pequena localidade recebeu a visita da volante do Tenente Zé Rufino que há dias vinha no encalço dos ex-cangaceiros (já anistiados de seus crimes pelo Governo Federal). Dona Neta estava dentro de casa com os irmãos mais novos quando de repente ouviu gritos e um intenso estampido de armas de fogo vindos do lado da casa de farinha. Sem saber do que se tratava escondeu-se embaixo da cama, com os irmãozinhos, até que a calmaria voltasse. Depois de alguns minutos, ao sairem no terreiro da casa, a criança Marieta e seus irmãos, viram diversos soldados; um deles disse para os pequenos moradores assustados e chorosos:

- Fiquem calmos, nós viemos tirar uma onça de perto de vocês!

Dona Neta e os irmãos, ainda sem entenderem muito aquela tragédia jamais vista ou ouvida por aquela região, puderam ainda enxergar, a algumas centenas de metros da casa, o corpo de Corisco estirado e agonizante em meio ao pó vermelho daquele chão fértil e, a poucos metros, Dadá baleada na perna, caída, e gritando:

- Alguém me dê uma arma pra eu atirar nesses desgraçados!

Rio Branco e Florência, no momento dos tiros, estavam lavando roupas num barreiro próximo e de lá mesmo fugiram para destino ignorado. Quanto à menina, Zefinha, dona Neta não soube informar o seu paradeiro. Concluiu dizendo que os policiais levaram tudo o que pertencia àquele “grupo de romeiros” e que Corisco (ainda vivo) e Dadá seguiram com a volante. Pouco depois, seus pais e irmãos chegaram assustados já sabendo do acontecido em suas posses.
Hoje, essa passagem, manchada de sangue, é uma marca que compõe a história daquela gente simples, pacata e maravilhosa das cidades de Barra do Mendes e Barro Alto, e se inserem nas páginas da vasta história do cangaço brasileiro.

Edson Barreto

Edson Barreto é professor de Língua Portuguesa, Redação e Literatura Brasileira. Membro da Academia de Letras de Paulo Afonso e pesquisador do cangaço.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Lampião em Simão Dias, SE.

Por: José de Carvalho Déda

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Do seu livro Simão Dias, fragmentos de sua história, 2ª Edição 2008. Capítulo XVIII "Bandidos e cangaceiros": págs 138,141.

A não ser por fatos isolados, Simão dias não conhecia façanhas de valentões e cangaceiros, senão pela leitura de livretos com historietas populares em versos, vendidos nas feiras, cuja s ações e façanhas tinham por cenários os longínquos sertões do Ceará, Paraíba e Pernambuco, onde se celebrizaram.

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 Antonio Silvino, 

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Lampião e outros.

A cidade e seu município viviam na mais completa tranquilidade, sem notícias de bandidos. No ano de 1928, surgiu no nordeste baiano, o famigerado bando de Lampião, assaltando fazendas e povoações, matando, roubando, violentando mulheres, e impedindo o desenvolvimento da produção em todos os setores.

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Um sistema de espionagem, desconhecido, inteligente e impressionante, surgiu de um momento para o outro em toda região. Era o chamado “Coiteirismo”, enchendo de pavor as populações rurais.  As fazendas, roças, sítios, foram abandonados pelos indefesos camponeses.

As correrias do temível bando iam, cada dia mais se a aproximando de Simão Dias. A população da cidade, de índole pacifica, desconhecendo lutas dessa ordem vivia sobressaltada, mas de algum modo confiada no destacamento policial, preventivamente reforçado.

O desassossego cresceu quando o destacamento foi recolhido, mobilizando em face revolução desencadeada no país, na madrugada de 3 de Outubro de 1930.

Desguarnecida, Simão Dias seria presa fácil para Lampião e seus sequazes. Na manhã do dia 17 de Outubro de 1930, a cidade foi sacudida por um telegrama recebido pelo Cel. Felisberto Prata, alto comerciante da praça, comunicando a tentativa de assalto  a  cidade de Capela, pelo bando, e a partida do mesmo em direção deste município.

Começou o êxodo, a princípio ordenado, apenas para os que dispunham de transportes motorizados; logo mais, com a chegada de noticias do assalto à Vila de Pinhão, distante quatro léguas, estabelecendo-se verdadeiro pânico. As famílias desordenadamente partiam para os matos, com suas improvisadas trouxas.
Cerca das 15 horas, os bandidos se aproximavam da cidade. As vitimas começavam a chegar, infundindo maior terror.

Às 16 horas, foi improvisada uma resistência. O Dr. Marcos Ferreira; ex aluno da escola militar, Antônio Carmelo e o autor deste trabalho, chefiavam o movimento, constituindo o seu “Estado Maior”.

A mobilização foi rápida sem atropelos. Os mais diversos tipos de armas, obsoletas em sua grande maioria, apareceram num instante: revolveres de diversas marcas, pistolas, garruchas, espingardas de caça dos mais variados feitios e calibres, velhos trabucos, bacamartes de festejos juninos etc.

Uma notável disciplina, entre os voluntários, enchia de entusiasmo e confiança os três homens do Estado Maior. Reunindo este, consertando os planos para a defesa da cidade, eis que chega o primeiro ultimato de Lampião. Era portador da mal escrita mensagem, o agricultor Fausto José da Conceição, conhecido por Fausto "Dodô", homem morigerado, que trazia no semblante a aflição por ter deixado um seu filho menor, o jovem João Conceição Neto, prisioneiro, como refém dos bandidos. Simão Dias deveria cotizar-se e mandar o dinheiro exigido, sob pena de ser assaltada imediatamente.

A intimação, ao invés de desanimar os locais encorajou-os para a luta, que seria desigual dada a inexperiência dos defensores.

Uma segunda intimação vinha de mais perto, da “Ladeira de pedras”, onde o bando se encontrava, olhando para a cidade.

Esta nova intimação levou os defensores a ocupar seus lugares. As platibandas das casas residenciais, ou comerciais, as esquinas, os becos, os montes de pedras ou material de construção, tudo servia de trincheira aos da resistência. Em dado momento o silencio foi quebrado. Ouviu-se um tiro, que pareceu ter sido disparado lá para os lados da “Ladeira de pedras”, onde se encontravam os bandidos.

Nisso o corajoso Manuel Oliveira, vulgarmente conhecido por Manuel dos motores, que chefiava um pequeno grupo, foi levado a uma temeridade providencial.  À frente dos seus rapazes, tomou a ofensiva, marchando direto para o lugar onde os bandidos e achavam.

Precipitadamente, o grupo fez fogo ante de atingir distancia para o alcance de suas armas. Foi o estopim. De todos os pontos da cidade, dos telhados, das esquinas, de todos os lados, enfim, partiam tiros e tiros num “pipoquear” formidável dos mais diversos tipos de armas, disparadas a esmo. Verdadeiro desperdício de munição. Mas esta imprudência levou o bando assaltante a acautelar-se. Lampião não contava com coiteiros que lhe expusessem a verdadeira situação da resistência, e não quis atrever-se a entranhar-se nas estreitas ruas, perigoso labirinto que desconhecia.

Houve a retirada para o interior, a tudo levando de roldão, num requinte de perversidade. Ao passar pelo sitio “Olhos D água”, o bando infrene espantou famílias ali escondidas, que correram de volta.

A meia-noite em ponto, o lúgubre silêncio da cidade escura foi quebrado por um disparo partido de um mata-burro, na estrada de rodagem, que servia de linha avançada dos defensores.

Atordoadas, as famílias fugitivas não compreenderam a senha que se pedia da trincheira, avançando precipitadamente de encontro à mesma. Uma infeliz senhora, em adiantado estado de gravidez, foi fulminada por uma bala que partira da resistência, num evidente erro de fato.

Também o disparo casal de uma arma conduzida por um dos rapazes de Manoel dos motores fulminou outra mulher.

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Com a retirada dos bandidos para o interior, mesmo assim a intranquilidade permaneceu, pois conforme se sabia, a retaguarda do “Capitão” era sempre coberta pelo seu lugar-tenente, o temível  Corisco a frente de bando menor, mas igualmente destro e perverso.

Corisco, porem não viria pois que fora também obrigado a acautelar-se, com  a experiência de seu ataque ao sitio de Porfírio, no povoado Caraíba. Porfírio, setuagenário valente, sozinho em sua residência, com um rifle “papo amarelo” recebeu o grupo de Corisco à bala, com bastante animo para resistir.

Fugiram os assaltantes. Deixaram marcas de sangue nas estradas.

Os bandoleiros, anos a fio mantiveram a intranquilidade em todo o município, obstando o desenvolvimento da produção. O comercio de Simão Dias sofreu as desastrosas consequencias do “ciclo lampiônico”.

Com a vitoria da revolução de 1930, nomeado Interventor Federal em Sergipe o bravo militar revolucionário Augusto Maynard Gomes, todas as s garantias foram dadas às populações, até o completo extermínio do cangaceirismo na região.

 A matéria foi uma sugestão do amigo Tarciso.

Adendo: 

 
Algumas biografias recentes ainda atribuem a esta cidade do centro Sul sergipano sua antiga denominação Anápolis.

O jornalista José de Carvalho Déda (1898-1968), também conhecido como Zeca Déda, exerceu advocacia como provisionado por mais de quatro décadas foi vereador, prefeito e representou o povo por três legislaturas consecutivas na Assembleia Legislativa estadual (1947-1950; 1951- 1954; 1955-1958). Escreveu o Regimento Interno da Casa e participou de vários congressos parlamentares, sempre com a apresentação de teses. Foi o autor do projeto que resultou a emancipação política do município de Poço Verde. fundou e dirigiu o jornal ´A Semana´, no município de Simão Dias, do ano de 1946 até a sua morte. Foi também diretor e um dos redatores do Correio de Aracaju, um dos mais antigos jornais da capital sergipana. Além disso, marcou época atuando no rádio ao lado do ex-governador Seixas Dória nos programas ‘Resenha Política' e ‘Problemas em Debates'.  avô do governador de Sergipe Marcelo Déda.  


Adquiri no blog do "Lampião Aceso", 
do amigo Kiko Monteiro