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terça-feira, 31 de março de 2020

“LAMPIÃO NA PARAÍBA – NOTAS PARA A HISTÓRIA” É A MAIS NOVA E IMPECÁVEL CONTRIBUIÇÃO DE SÉRGIO DANTAS


Para adquirir esta obra entre em contato com o professor Francisco Pereira Lima através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br

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LAMPIÃO E LAMPIÃO

Por Antonio Corrêa Sobrinho

No tempo do incendiário e sanguinário Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião”, pouca coisa queimava mais, destruía mais e matava mais no Brasil do que o objeto iluminador chamado lampião.

É só ir aos jornais de época pra ver se não falo a verdade.

O que não falta nessas gazetas é notícia de gente queimada, ferida, morta, envolvida em acidente com lampião; objeto que se via em todo canto, em muitas casas, e que se sabia ser coisa malvada, que eu digo tal qual o cangaceiro “Lampião” ante o povo do sertão; ele que não poupou em queimar nem matar em profusão.

Respeito tenho à opinião, digo opinião, porque não ficou cabalmente demonstrado, de que o apelido de Virgulino Ferreira da Silva tem a ver com o fato de que quando ele atirava, disparava, vproduzia com a arma algo como um clarão de um lampião.

Mas tudo bem, peço apenas que me permitam também imaginar não ter sido só por isso: mas que ele foi chamado, também, de Lampião, em função do perigo que ele, tal qual um lampião, representava.

Porque, só desta forma, historicamente falando, um tem a ver com o outro.


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A FORÇA DOS CORONÉIS.


Até o século passado, o coronelismo imperou nos sertões baianos e alagoanos, cujas ações produziram consequências também na vida de Poço Redondo do passado. João Maria de Carvalho (1890-1963), o primeiro da foto, não só possuiu perto de uma dezena de grandes propriedades no lado de cá da fronteira, como teve grande influência política e social. Elísio Maia (1914-2001), coronel alagoano de Pão de Açúcar, por mais de quarenta anos comandou vidas e destinos e igualmente lançou sua mão de poder sobre o outro lado do rio, em Poço Redondo. Possuía grande amizade com os sergipanos e, muitas vezes, a resolução de problemas locais era levada para a palavra final de “Seu Elísio”. Importante no passado poço-redondense, porém menos que o coronel João Maria da Serra Negra. Tamanho o poder deste homem que até os governantes sergipanos temiam sua atuação. Sua palavra não era só uma ordem, mas um ponto final naquilo que desejasse. Assim, encravado entre a Serra Negra e Pão de Açúcar, por muito tempo Poço Redondo se viu influenciado por forças externas, destemidas e poderosas, vindas das bandas da serra ou de depois das águas do rio.


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O LIVRO MAIS ESPERADO DO ANO.



Mais que uma saga, uma epopeia sertaneja. Uma história de lutas, de amores, de traições. Vem aí!


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A OUTRA FACE DE MORENO E DURVALINA


Por João de Sousa Lima

Vem aí novo livro sobre os Cangaceiros Moreno e Durvinha. O livro é a visão de um dos filhos sobre seus pais... Nesse trabalho o João Souto nós brindará com fatos inéditos, histórias nunca antes levantadas e divulgadas ... Mais uma obra literária que vem como contribuição para os que buscam informações reais das histórias do cangaço...


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VOCÊS CONHECEM ESSE HOMEM?



Vocês conhecem esse moço, todo charmoso de terno de linho branco e gravata, com charuto fino à boca, chapéu panamá, e feição de artista de cinema, e andando pelas ruas do Rio de Janeiro? 

Pois saibam que é filho de Poço Redondo. E é um ex-cangaceiro. O nome dele é José Francisco do Nascimento, ou Zé de Julião, ou ainda Cajazeira, como era apelidado no bando de Lampião. 

Nesse olhar misterioso, um tanto entristecido, estava guardado um destino que ainda hoje poucos conhecem. Mas passarão a conhecer brevemente. Vem aí ZÉ DE JULIÃO, de autoria de Rangel Alves da Costa e Manoel Belarmino.


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LAMPIÃO E O VÍRUS


Por Osvaldo Abreu (Abreu) Aracaju/SE, 31/03/2020

O povo que corria com medo de Lampião e da volante, agora corre com medo de um vírus.
Será que vai existir o surto da bactéria e do fungo?
É o fim do mundo, Raimundo, é a chegada do Apocalipse?

Fugir do meio,
Do vírus o receio,
aqui não quero ficar, não.
Vou me retirar pro sertão.

Ficar em um coito,
O vírus é afoito.
Valente tal qual Lampião,
Mata mais que mosquetão.

Este vírus já existia
Ou foi criado em laboratório um dia?
Todo mundo tem medo da morte,
Qual o próximo escolhido da má sorte?

É tanta opinião,
Tanto talvez, dúvida, onde está a razão?
No sertão, vou ficar em isolamento,
Lá meu relógio vai ser o rinchar do jumento.

A lua cheia iluminando o terreiro,
O bode, pai do chiqueiro,
Pegando sempre uma cabritinha,
O galo não dando sopa a galinha.

Este é o meio que vou viver,
Sol bonito no amanhecer.
E se a chuva não chegar.
Não ficar ouvindo blá-blá-blá.

Na cidade, é tanto disse-me-disse,
Você viu e um tu disse.
Está todo mundo maluco!
O dia que a terra parou, causa susto!

Profetizou o maluca beleza,
Raul Seixas com certeza.
O padeiro não foi à padaria,
As cidades estão vazias.


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RIO IPANEMA, O QUE DE FATO ACONTECEU

Clerisvaldo B. Chagas, 31 de março de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.284
BARRAGEM, PARTE DE CIMA. (FOTO: B. CHAGAS).

Quero esclarecer DIDATICAMENTE e como geógrafo, o que aconteceu com o rio Ipanema em nossa cidade. O riacho fica para depois. Vamos falar sobre cheia, pontes, ruas e pessoas, pela ordem, para os santanenses aterrorizados que estão ausentes.
1.   A cheia do rio Ipanema foi provocada pela intensidade das chuvas em Pernambuco. Algumas barragens menores não resistiram. A maior, da Ingazeira, na cidade de Venturosa, teve que abrir comportas.
2.   Apesar de tudo, essa não foi a maior cheia do rio Ipanema, nem também foi a que mais deu prejuízo.
3.   Temos três pontes em evidência: da Barragem, do Padre e do Comércio. a) A ponte da Barragem (assoreada) leva ao alto sertão. Construída em 1951. Nada aconteceu ali, além do espetáculo da queda das águas nas suas sete bocas. Foi interditada por algumas horas como medida de segurança. B) A Ponte do Padre liga o Bairro Camoxinga ao Comércio. Foi inaugurada em 1948. Está situada sobre a foz do riacho Camoxinga. O espetáculo ali foram as águas do riacho que ficaram represadas pelas águas do rio Ipanema. Nada houve com a ponte. Foi interditada por algum tempo por medida de segurança. c) A ponte do Comércio que dá acesso aos Bairro Domingos Acácio e Floresta (1969) teve o seu vão lavado por cima por causa de construções em baixo obstruindo as águas (Pode uma coisa dessa?). Também foi interditada até baixarem as águas.
4.   Ruas. Nem uma só rua de Santana fora dos limites de cheias normais e cheias máximas, sofreu qualquer tipo de danos. Todas as que estavam dentro do leito do Ipanema de cheias normais e cheias máximas, sofreram as consequências. Pela ordem: casas dentro da área da barragem, parte de baixo;
Muros e construções avançadas no leito; becos cujas últimas casas estavam no leito do rio de ambas as margens: ruazinha por trás da Rua Delmiro Gouveia, dentro do leito; Rua da Praia construída dentro do leito, limite máximo do rio.
5.   Prejuízos somente material.
6.   Quais foram as autoridades que deram o “Alvará de Habite-se” ou fizeram vistas grossas ou mesmo incentivaram os mais pobres a morar dentro do rio Ipanema? Na ausência do dono do leito chegaram os invasores. O dono do leito voltou e  procura avidamente o que é seu.
7.   Infeliz povo enganado.


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SOLITÁRIO ADEUS

Por Rangel Alves da Costa

Seria a pobreza condição humana capaz de afastar o reconhecimento do desvalido por outras pessoas, até mesmo em igual condição?
Seria o nada ter, o viver na miserabilidade, sobrevivendo apenas do mínimo necessário para se manter em pé, algo tão terrível e capaz de negar o auxílio na hora extrema?
Seria o viver sozinho, o ter poucos amigos, morar nas distâncias dos centros urbanos e nas ruas de areia e barro, a justificativa para o abandono?
Seria o abandono e a falta de reconhecimento as consequências da pobreza, ou seria a pobreza a causa de tudo ruim que possa acontecer?
Seria humanamente justo que alguém por ser pobre, morar nos cantos da cidade, venha a falecer e não ter ninguém que acorra para uma prece, para velar o morto?
Ou seria apenas consequência da crescente falta de cristandade no coração das pessoas, carência de senso humanitário ou pouco caso com quem morre ou deixa de morrer?
De qualquer modo que possa ser visto, verdade é que um velho, senhor de mais de oitenta anos, partiu dessa vida e na hora do velório não havia uma só pessoa velando o morto.
Era pobre, vivia numa casinha que mais parecia um barraco caindo aos pedaços, viúvo, sem filhos, morava sozinho. Mas havia muitos parentes seus no lugar.
Aparentemente tinha muitos amigos. Ao entardecer, quando deixava sua moradia e seguia até a praça principal da cidade, sentava sempre no mesmo banco de esquina e logo era cercado por muitos.
Sua pobreza e simplicidade não afastavam sua reconhecida sabedoria, seu dom para repassar aos mais jovens as mais diversas lições sobre a vida e ensinar os melhores caminhos perante as tortuosas estradas.

A um dizia sobre a importância de preservar uma vida justa e digna para ter sempre o reconhecimento da comunidade; a outro discorria sobre os malefícios dos vícios e da vida desregrada; e ainda a outro falava apenas sobre sua vida de tantas lutas e do nada que havia conseguido.
Sem medo nenhum, dizia sobre o tempo, ainda rapazote, quando se meteu a ser jagunço do coronel mais importante e poderoso da região. Nunca havia matado ninguém, mas já tinha visto muito sangue de inocente escorrer.
Contava também do tempo que inventou de ser cangaceiro do bando de Lampião e só não foi lutar debaixo do sol porque no dia que ia se apresentar a cangaceirada havia deixado às pressas o coito onde estava escondida.
E assim levava sua vida conversando com um e com outro, ensinando e ouvindo, repassando lições dos tempos antigos e da vida presente. Até sobre porções de ervas medicinais o velho dialogava.
Mas numa daquelas tardes não compareceu ao seu banco de todo entardecer. Nunca mais voltaria ali. Aqueles que o procuraram naquele dia não sabiam que o velho amigo havia falecido quase chegando ao meio-dia.
Morreu sentado diante do barraco, sentado num banquinho. Vizinhos avistaram e correram para acudir. Já era tarde demais. Um caixão de ripas foi providenciado pela assistência social e o corpo estendido por cima de dois tamboretes na saleta apertada da moradia.
Duas ou três pessoas passaram por ali, para o último adeus. Mas depois do entardecer não apareceu mais ninguém. Nem vizinhos, amigos da praça ou outros conhecidos. E quanto mais o tempo passava mais a solidão do falecido aumentava.
A noite chegou e nenhuma vela acesa. Nenhuma beata acorreu para a sentinela, nenhum canto de despedida foi entoado. Apenas o vento soprando pela porta aberta. E lá dentro a solidão da solitária morte.
Sem uma vela, sem uma prece, sem um adeus, apenas a morte velando o morto, apenas a morte…


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com  

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QUANDO TIRANIA É LEI, REBELIÃO É JUSTIÇA!


Por José João Souza

Em sua opinião, os Coronéis eram amigos de Lampião ou simplesmente baixavam a cabeça diante do poder de fogo do Capitão Virgulino?


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EM ARACAJU, NETA DE LAMPIÃO PRESERVA ATÉ MECHA DE MARIA BONITA


Por Lívia Marra folhapress 31-03.2016
Vera Ferreira, 61, neta de Lampião e Maria Bonita, e Expedita, 83, filha do casal

Enviada especial a Aracaju

Era julho de 1938 quando Lampião, Maria Bonita e outros nove do bando de cangaceiros foram mortos em uma emboscada da polícia. A Grota do Angico, em Poço Redondo (a 179 quilômetros de Aracaju), local das mortes, é hoje ponto de visitação, onde o turista revive a época do cangaço.

Para tentar preservar a história, Vera Ferreira, 61, neta de Lampião e Maria Bonita, se empenha nas pesquisas desde que era criança. Entre compras e doações, guarda objetos como punhais e até uma mecha do cabelo que diz ser da avó."Essas peças precisam ser mostradas", diz. Vera busca há anos uma parceria para criar um museu sobre a época de Lampião, plano que ainda não saiu do papel. A expectativa é que outros objetos surjam a partir da exposição do acervo.

HISTÓRIA DE FAMÍLIA

Organizadora do livro "Bonita Maria do Capitão", ao lado de Germana Gonçalves de Araujo a neta dos cangaceiros iniciou suas pesquisas aos 13 anos, quando conheceu alguns integrantes do bando no lançamento de um livro em São Paulo. "Todos pararam, olharam para minha mãe e para mim com muito respeito. Era como se vissem meu avô em pessoa. Foi aí que percebi que ele era muito mais do que eu tinha ouvido. E decidi iniciar minha pesquisa."

Antes desse dia, o cangaço era um assunto pouco comentado em sua casa. Mas diversas críticas vinham da rua. "Ouvíamos que a raça de Lampião não prestava. Ninguém brincava com a gente na escola", relembra.

Opiniões sobre o cangaço divergem, por isso ela compara o trabalho de pesquisa à areia movediça. "Procurei saber quem era Virgulino para entender quem foi de verdade Lampião."

Ao lado de Vera, Expedita, 83, única filha dos cangaceiros, recebeu a Folha na casa da família, em Aracaju, com simpatia e sorriso no rosto.
Expedita não foi criada por Lampião e Maria Bonita, mas recebia sempre a visita dos pais. "Até os nove anos, ela foi criada por um vaqueiro e sua mulher. Depois, passou a ser criada por João, o único irmão de Lampião que não entrou para o cangaço", diz Vera.

A jornalista viajou a convite da Secretaria da Indústria, Comércio e Turismo de Aracaju 


Livia Marra/Folhapress


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MALHADA DA CAIÇARA/BA: O BERÇO DE NASCIMENTO DE MARIA BONITA OU MARIA DO CAPITÃO

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O projeto Poeta Viagens e Aventura chegou ao estado da Bahia, dessa vez o objetivo foi conhecer in loco um pouco mais da história de Maria Bonita, que numa paixão fulminante por Lampião, ingressou no cangaço na década de 30.

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A casa museu Maria Bonita tem recebido visitas de estudantes, estudiosos de várias partes do País e do exterior. Imagine você que na época que Lampião conheceu Maria Bonita, essa casa era rodeada de vegetação de caatinga, se via apenas um pouco do telhado da humilde residência.

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Ao lado da casa museu de Maria Bonita tem uma pracinha debaixo de um pé de umbuzeiro que centenário e com sobrinhos de Maria Bonita pude ter muitas informações sobre o convívio da rendeira Maria de Deia.

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Simbolizando a região, o carro de boi está retratado numa pequena maquete, onde na época era o segundo meio de transporte mais usado pelos sertanejos.

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O umbuzeiro centenário mostra uma das belezas da caatinga. A casa museu Maria Bonita localizada no povoado Malhada da Caiçara foi recuperada na metade do ano de 1999 pela prefeitura municipal de Paulo Afonso.

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Pelo menos dois seminários internacionais foram realizados na cidade de Paulo Afonso/BA, onde o objetivo foi retratar a importância de Maria Bonita diante na participação dela no Cangaço. Uma jovem de 20 anos apenas se aventurou pela caatinga ao lado do seu amado que era procurado pela polícia de vários estados do Nordeste.

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Os sobrinhos Micael e Felipe que tem os sobrenomes Pereira e Gomes, conversando com esse blogueiro, afirmaram do orgulho que tem da tia que marcou toda uma história pelo mundo a fora.

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Casa museu Maria Bonita é mantida pela arrecadação, ou seja, cada visitante paga-se R$ 5,00 para ter acesso a parte interna da casa, onde pode encontrar fotos e pertences da época de Maria Bonita.

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Essa máquina de costura que está em um dos cômodos da casa é a mesma que Maria Bonita usava quando morou na Malhada da Caiçara. Segundo os sobrinhos, na época, essa casa era muito escondida na meio da caatinga e por uns 2 anos Maria Bonita ficou morando nessa casa, até tomar a decisão de seguir o marido no Cangaço.

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Nessa foto está o cangaceiro Juriti (Homem de confiança de Lampião), ao lado de Maria Bonita. Maria liderava o grupo de mulheres que ingressaram no Cangaço.

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Na foto acima: Maria Bonita, Juriti, Amoroso e capitão Lampião.
Nessa imagem da década de 30, Maria Bonita mostra seu poder de liderança, até mesmo para ser registrada.

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Moça, Maria Bonita e Benjamim.
Foi Maria Bonita que quebrou o tabu para a entrada de mulheres no Cangaço. Corajosa, decidida e apaixonada, Maria de Deia, como era conhecida, chegou a ter uma filha com rei do Cangaço, porém, vários outros historiados relatam que pelo menos foram 03 filhos (Ananias Gomes de OliveiraArlindo Gomes de Oliveira e Expedita de Oliveira Ferreira Nunes) que o casal deixou quando foram mortos em 1938 após uma emboscada na Grota de Angico em Sergipe.

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Micael Oliveira, Cláudio André e Feliphe Gomes
Você que deseja fazer um tour pela região que viveu o rei do Cangaço e sua amada, em especial a casa museu Maria de Deia, no povoado Malhada da Caiçara, você pode falar com um dos sobrinhos de Maria Bonita pelo whatsApp (75) 9 8824-6952 - Micael Oliveira.


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JOÃO DE SOUSA LIMA ESCREVEU A MELHOR E MAIS JUSTA BIOGRAFIA SOBRE MARIA BONITA, A RAINHA DO CANGAÇO.

    João de Sousa Lima é o maior Escritor e Historiador sobre a vida da cangaceira Maria Bonita e realizou a mais correta Biografia da Rainha do cangaço.
Por Vitor Rocha
    Era primavera de 1929 quando o ousado coronel do sertão, Virgolino Ferreira da Silva, chegou num casebre de taipa, com três cômodos, de onde se vêem os belos Picos do Tará. Acompanhado do fazendeiro e parceiro Odilon Café, ele se apresentava para um dedo de prosa com Zé de Felipe no distante povoado de Malhada de Caiçara, em Paulo Afonso. O intuito era reforçar seu rol de amigos no trajeto dos cangaceiros entre Bahia, Alagoas e Sergipe.

Virgolino já era Lampião e conquistava, na lábia ou na faca, os moradores dos locais por onde passava. Tudo contra a delação. Era o reinado no cangaço, bando exclusivo para homens. Até então.

Naquela tarde e naquela casa de taipa, o destino do cangaço haveria de mudar. Odilon Café apresentou Lampião à sua sobrinha Maria Gomes de Oliveira, segunda filha de dona Déa e Zé de Felipe.

A filha do casal era conhecida como Maria de Déa. Tinha então 18 anos, era casada, mas havia brigado com o marido. Sua beleza amoleceu o temido Lampião e o fez levá-la a tiracolo para amenizar as durezas da batalha na caatinga. O coração fez o chefe romper as regras, e, a partir dali, as mulheres começaram a integrar o bando sob a batuta de Maria Bonita.

A partir daquele ano, eles seguiram errantes pelo Nordeste por uma década, até suas cabeças serem expostas nas escadarias da Prefeitura de Piranhas, Alagoas, em 28 de julho de 1938.
Parte dessa história seria muito menos palpável se a casa onde Lampião e sua amada se conheceram – e onde a Rainha do Cangaço nascera – não tivesse sido totalmente recuperada. Deve-se o feito ao esforço do escritor João de Sousa Lima.
Morador de Paulo Afonso e fanático pelo tema, João de Sousa Lima encontrou o casebre totalmente destruído. Restavam as estacas erguidas. Conseguiu apoio do poder público local e fez a reconstituição com ajuda de pessoas que conheciam o imóvel.
A casa de Maria Bonita está localizada no povoado de Malhada de Caiçara, distante 40 km do centro da cidade de Paulo Afonso.
João de Sousa Lima, Escritor e Historiador, escreveu  a mais correta e rica biografia de Maria Bonita.
Para adquirir seus livros: 75-988074138 ou joaoarquivo44@bol.com.br




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A BELA SEM ROSTO


Por João Filho de Paula Pessoa

No Cangaço Lampiônico, em sua segunda metade, houve uma grande participação de mulheres, foram dez anos de participação feminina no cangaço, foi o tempo de maior beleza ornamentária do cangaço, participaram muitas mulheres neste período, cada um com sua própria história, com suas próprias alegrias, tristezas, vidas e mortes. 

Conta-se que de todas as mulheres cangaceiras que existiram a mais bela de todas, dona de uma beleza única e encantadora, foi Lídia, mulher de Zé Baiano, raptada por este aos 15 anos e morta violentamente por ele aos 19 anos, tendo vivido quatro anos no Cangaço, sendo considerada a mais bonita de todas as mulheres que por lá passaram, conforme apuração histórica. 

No entanto, embora exista este mito de sua beleza maior na história do cangaço, não restou nenhum único registro seu, nenhuma foto, apesar do grande acervo fotográfico do cangaço. Tal fato se deu, segundo seus familiares, devido todos os seus pertences, lembranças, fotos, documentos e registros terem sido guardados num baú de madeira, na casa de taipa de seus pais e com o tempo as traças, formigas e umidade acabaram com tudo ao mesmo tempo, não se salvando nada do baú de Lídia, não restando assim nenhuma lembrança material sua. Daí o fato de não conhecermos o rosto da mais bela das cangaceiras. João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 16/01/2020.


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QUANDO A GRIPE ASIÁTICA ATACOU NATAL

Autor – Rostand Medeiros – IHGRN

A atual Pandemia de COVID-19, o novo coronavírus, não é a primeira situação do gênero que Natal e o Rio Grande do Norte enfrentam. Talvez poucos saibam, mas em 1957 houve uma pandemia que ficou conhecida como gripe asiática, que aqui chegou causando medo e confusão.  

As crianças foram as mais atingidas pela gripe asiática.
Esse novo vírus teria se desenvolvido no norte da China e nessa época o regime comunista local era extremamente autoritário e controlava a saída de praticamente todas as informações do país para o exterior. O mundo só tomou conhecimento com maiores detalhes desse surto quando esse vírus chegou a Cingapura, onde foi relatado pela primeira vez em fevereiro de 1957. O certo é que em abril do mesmo ano a gripe avançou de Cingapura para Hong Kong e no verão alcançou as cidades costeiras do oeste dos Estados Unidos, primeiramente na Califórnia. Logo atacou a Oceania, África e Europa.
Veículos das Pioneiras Sociais, utilizados contra a gripe asiática. Foi uma ação do governo Juscelino Kubitschek de Oliveira .
Qual era o tipo de Vírus
Através de testes o vírus foi reconhecido como sendo do tipo Influenza A e que ele era diferente de qualquer outro encontrado anteriormente em humanos. Pesquisas posteriores apontaram que a gripe asiática foi resultado de um cruzamento entre um vírus encontrado em patos selvagens na China (H2N2) e de uma cepa de vírus da gripe humana (H1N1). Convencionou-se na época denominar esse vírus como H2N2, mas ela ficou conhecida mundialmente como gripe asiática.
Pedido para não beijar a criança da foto, durante a pandemia de 1918.
Depois da gripe espanhola de 1918, a pandemia de gripe asiática de 1957 foi a segunda maior pandemia a ocorrer no mundo durante o século XX. Quando esse surto surgiu, apenas pessoas com mais de 70 anos de idade possuíam lembranças claras da experiência ocorrida quase quarenta anos antes. Apesar das advertências dos mais velhos, muitos não acreditaram na letalidade da nova gripe. Logo ficou patente que os mais jovens estavam errados.
No Reino Unido os primeiros casos foram informados no final de junho, com um surto mais grave ocorrendo na população em geral em agosto. O País de Gales e a Escócia tiveram os primeiros casos em setembro e no início de 1958 estima-se que cerca de 9 milhões de súditos da rainha Elizabeth II havia contraído a gripe asiática. Destes, mais de 5,5 milhões foram atendidos por seus médicos e cerca de 14.000 pessoas morreram devido aos efeitos imediatos do ataque. 
Foi relatado no Reino Unido que os pacientes sentiram fortes calafrios, seguido de prostração, dor de garganta, nariz escorrendo e tosse. Na sequência os relatos apontaram para membros doloridos (adultos), cabeça (crianças), seguido de febre alta (ambos os casos). Crianças pequenas, principalmente meninos, sofreram sangramentos no nariz. Cientistas ingleses observaram que a gripe asiática tinha duas ou três fases, sendo a segunda a de natureza mais grave.
Os sintomas eram geralmente leves e a maioria dos pacientes normalmente se recuperava após um período na cama, com medidas antipiréticas simples. Houve complicações em 3% dos casos, com mortalidade de 0,3%. Pneumonia e bronquite foram responsáveis ​​por 50% dos óbitos, sendo o restante por agravamento de doenças cardiovasculares já existentes. Durante a pandemia aumentou bastante a incidência de pneumonia.
Houve uma falta de uniformidade no tratamento ao surto. Alguns médicos prescreveram antibióticos para todos os casos, até os menos complicados. Mais tarde, no entanto, observou-se que o uso indiscriminado de antibióticos não era benéfico.
Na época foi possível detectar o agente com rapidez e trabalhar em novas soluções. Uma vacina para a gripe asiática foi introduzida ainda em 1957 e a pandemia diminuiu. Ocorreu uma segunda onda dessa gripe em 1958 e ela passou a fazer parte daquilo que os cientistas classificam como gripes sazonais. Em 1968 foi comprovado que a gripe asiática H2N2 havia desaparecido na população humana e acredita-se que ela tenha sido extinta na natureza. 
Apesar de praticamente desconhecida nos dias atuais, essa doença matou entre 1,4 e 2 milhões de pessoas, sendo 116.000 nos Estados Unidos. Outros cientistas apontam que esse surtou ceifou muito mais gente. Colocando a cifra em 4 milhões de mortos, principalmente no continente de onde se originou, sendo as crianças suas vítimas preferenciais.
A Gripe Chega a Natal
Juscelino Kubitschek de Oliveira e Dinarte Mariz. Respectivamente presidente do Brasil e governador do Rio Grande do Norte em 1957.
Quem governava o Brasil na época era Juscelino Kubitschek e a gripe asiática aqui chegou entre julho e agosto de 1957, com um primeiro surto no Rio Grande do Sul. No início de setembro, sua presença foi identificada no Rio de Janeiro pelo Instituto Oswaldo Cruz e pelo Instituto de Microbiologia da Universidade do Brasil – hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pouco depois pandemia desembarcou em Belo Horizonte, Salvador e Belém, sempre com alta incidência em crianças.
Dinarte de Medeiros Mariz era o governador do Rio Grande do Norte em 1957 e o médico Dary de Assis Dantas o diretor do Departamento de Saúde Pública, atual SESAP – Secretaria de Estado de Saúde Pública do Rio Grande do Norte. Este último havia nascido na cidade de Serra Negra do Norte, mesmo local de nascimento do governador, se formou em medicina no Rio de Janeiro onde atuou na Santa Casa de Misericórdia e no Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (IAPI), quando foi convidado por Dinarte para assumir o cargo. Dary era pessoa de extrema confiança do governador e médico de sua família.
Eider Furtado, correspondente do Diário de Pernambuco em Natal naquela época, informou na edição de 15 de setembro daquele jornal (pág. 7) que na primeira quinzena de agosto Dary Dantas havia formado a Comissão Estadual de Defesa Contra a Gripe. Esse grupo começou a estudar medidas contra a doença que se avizinhava do Rio Grande do Norte. O diretor do Departamento de Saúde Pública também solicitou ao governador uma verba no valor de 500 mil cruzeiros para combater a gripe no estado.
Provavelmente a criação dessa comissão se deveu, ao menos em parte, a divulgação de um primeiro alarme da presença da gripe asiática entre os potiguares. Em agosto de 1957 surgiu a informação que cerca de “400 pessoas” teriam contraído a nova doença no município de Goianinha, 50 quilômetros ao sul da capital. O surto teria surgido na Usina Estivas, mas logo o caso foi negado e devidamente esclarecido pelo médico Luís Antônio dos Santos Lima. O que aconteceu foi que realmente havia naquele lugar um surto de gripe, mas de gripe sazonal. Além disso, nesse período a gripe asiática ainda se encontrava restrita ao sul do Brasil.
Após o susto inicial não demorou a surgir os primeiros casos comprovados da doença no Rio Grande do Norte, ou “Cingapura”, como a doença também ficou igualmente conhecida. NaTribuna do Norte, em O Poti e no Diário de Natal, os principais jornais que circulavam na capital potiguar na época, é possível conhecer detalhes desse acontecimento.
Em 25 de setembro de 1957, na página 6, o Diário de Natal estampou que em uma residência na Rua Apodi, na Cidade Alta, quatro pessoas estavam acamadas, com muita febre e forte gripe. Interessante comentar que esse jornal não informou a localização da casa e nem os nomes das pessoas doentes, mesmo sendo editado em uma cidade com cerca de 140.000 habitantes, onde praticamente todos se conheciam e sabiam do ocorrido.
Médicos da Saúde Pública estiveram presentes ao local. Eles aconselharam o isolamento e recolheram amostras dos pacientes, que foram enviados ao Rio de Janeiro por um avião da Força Aérea Brasileira para confirmação da doença. Esse exame ocorreu no Instituto Oswaldo Cruz, em Manguinhos, atual Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ. O resultado foi divulgado dias depois e se confirmou a existência da gripe asiática em Natal.
Mortes no Tradicional Bairro do Alecrim e Cobranças
Após a chegada da confirmação do Rio de Janeiro, Dary Dantas e os membros da Comissão pediram calma a população e informaram que ainda “não estava formado um surto epidêmico em Natal”. Pouco mais de uma semana depois aconteceram as primeiras mortes!
Nessa época o bairro do Alecrim já era considerado o maior da cidade, possuindo um forte comércio, a maior feira de alimentos, concentrando uma grande parte da população de Natal e possuindo uma característica única e marcante – suas principais artérias eram conhecidas pelo povo através de uma antiga numeração. E foi nesse bairro de características tão peculiares e marcantes para os natalenses que em 5 de outubro de 1957 duas crianças faleceram de gripe asiática em suas casas, respectivamente nas antigas Avenidas 7 e 8[1].
Consideram que, apesar das crianças estarem acometidas de forte gripe, suas famílias não tomaram as “necessárias medidas preventivas”. Os jornais só não explicaram quais eram essas medidas. Somente próximo ao final do mês de outubro é que vamos encontrar nas páginas dos jornais algum tipo de material informativo oriundo do Departamento de Saúde Pública explicando o que a população deveria fazer. Aqui trago um exemplo.
Ainda em 18 de outubro, na página 6 do Diário de Natal, é relatado que seus repórteres realizaram um levantamento que, mesmo sem confirmação oficial, indicou que mais de 100 pessoas com sintomas da gripe asiática eram transportadas diariamente pelas ambulâncias Ford F-1 do SAMDU – Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência, para o Hospital Miguel Couto, atual Hospital Universitário Onofre Lopes – HUOL. Existiam casos graves no bairro das Rocas, mais precisamente na Rua Floresta, perto do Canto do Mangue, não muito distante do rio Potengi. Ali eram as crianças as mais atingidas, algumas com relatos de expectoração de sangue do trato respiratório.
O jornal Diário de Natal foi contundente na crítica a ação governamental: “Não obstante as reiteradas e solenes afirmações das nossas autoridades sanitárias, de que o assunto da gripe asiática em Natal era objeto apenas de informações alarmistas, aí está o surto da “Cingapura” tomando conta da cidade”.
Ambulâncias Ford F-1 do SAMDU – Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência, partindo do Hospital Miguel Couto, em Natal.
Apesar da gravidade do caso, não encontrei nos jornais referências sobre aplicação de métodos de isolamento social para a contenção desse surto.
Uma Criança Morre na Calçada
Igualmente não encontramos material oriundo do Departamento de Saúde Pública da Comissão Estadual de Defesa Contra a Gripe com estatísticas sobre o alcance da gripe asiática em Natal. Por isso não temos meios de afirmar se os jornais estavam corretos ao informarem no dia 22 de outubro, que o número de vitimas da doença era “de aproximadamente 6.000 pessoas”. Por outro lado encontramos registros que os profissionais da Saúde Pública já haviam visitado mais de 800 doentes em suas residências e que em um único dia ocorreu mais de 500 notificações de atingidos por essa gripe, apontando para uma provável estagnação na capacidade de atendimento do Hospital Miguel Couto, o principal da cidade. Noutra parte da reportagem informava que famílias inteiras estavam com a gripe em suas casas.
O Instituto Oswaldo Cruz começou a enviar vacinas para Natal, mas o número foi pequeno para a demanda. Não demorou e circulou a informação que o surto atingiu 10.000 natalenses, principalmente no bairro das Rocas.
Houve uma situação trágica, que chamou atenção na cidade e o combativo advogado e jornalista Luís Maranhão Filho registrou em sua coluna no Diário de Natal de 25 de outubro de 1957. No dia anterior, na calçada do Centro de Saúde da cidade, na Avenida Junqueira Aires, atual Câmara Cascudo, foi encontrada uma criança morta. Não existem maiores detalhes sobre seu falecimento, tendo sido creditado a gripe asiática. Luís Maranhão foi extremamente contundente em sua crítica ao descaso do poder público em relação à saúde do povo natalense.  Realmente as notícias envolvendo mortes trágicas de crianças em Natal, mesmo sendo as de origem mais humilde, eram estampadas com destaque nos jornais. Mas não nesse caso. Nem Luís Maranhão foi desmentido por algum dos periódicos locais.
Anúncio Precipitado do Fim da Pandemia
Cerca de trinta dias após a chegada dessa pandemia em Natal, os jornais de 26 de outubro destacam que o número de casos começou a declinar. Realmente alguns jornalistas comprovaram um declínio dos casos nos locais de atendimento na capital. Um dos membros da Comissão Estadual de Defesa Contra a Gripe atestou a redução dos casos, tranquilizando a população. Entretanto fez questão de apontar que “o maior número de gripados foi constatado em bairros afastados, entre a pobreza”.
Mas o anúncio foi precipitado, pois uma semana depois novos casos surgiram, com pessoas tendo febres de 40 graus, fortes calafrios e vômitos. Dessa vez o foco foi principalmente na região conhecida antigamente como Alto do Juruá, no atual bairro de Areia Preta. Nessa região, na Rua 2 de novembro, hoje Major Afonso Magalhães, famílias inteiras foram duramente atingidas, sendo necessário o apoio de vizinhos para solicitar socorro junto a Saúde Pública.
No dia 5 de novembro houve um caso que mereceu bastante destaque na imprensa natalense.
Nessa época existia o bar e restaurante Flórida, que ficava localizado na Avenida Duque de Caxias, nº 45, Ribeira. Ali trabalhava um garçom chamado Antônio Domingos Filho, que devido se encontrar com uma febre muito alta, pediu ajuda ao seu colega de trabalho Abel Gomes para levá-lo ao Hospital Miguel Couto para ser atendido. Eles foram, mas lá informaram que “ali não tratavam mais casos dessa natureza e que eles fossem pra o SAMDU”. Nesse local o garçom teve novamente negado qualquer tipo de atendimento. Sem jeito de resolver a situação, Abel então levou seu amigo Antônio Domingos até a sua residência, em uma humilde casa na Travessa Primeiro de Maio, bairro de Petrópolis. Segundo declarou Abel Gomes aos jornais, devido ao agravamento do quadro, de madrugada Antônio saiu pela rua gritando tresloucadamente em busca de socorro. Mas aí quem veio não foi a Saúde Pública, mas a Polícia Militar. O pobre garçom, tido como alterado, acabou no chão frio de uma cela na 2ª Delegacia de Polícia. O resultado foi que às seis da manhã ele foi encontrado morto.
Logo o caso repercutiu na Rádio Poti e outros meios de comunicação, mas nada foi feito. Não encontrei algum pedido de abertura de inquérito, ou alguma providência por parte do Ministério Público.
Enfim, ele era apenas um pobre garçom!
Até gostaria, mas certamente a atual pandemia de COVID-19 não será a última ocasião em que Natal vai testemunhar. Mas será muito interessante que na atual conjuntura as pessoas mais humildes e necessitadas, que é grande parcela da atual população potiguar, venha ater por parte das autoridades o devido apoio para enfrentar essa situação e que o caso do garçom Antônio Domingos Filho fique restrito a memória histórica dessa terra!
NOTA
[1] Muitos imaginam até hoje que essa situação é fruto da presença das tropas norte-americanas em Natal durante a Segunda Guerra Mundial, onde as autoridades locais teriam numerado as principais vias do Alecrim para facilitar a circulação dos militares estrangeiros na área. Nada disso! Oficialmente o bairro do Alecrim foi criado em 23 de outubro de 1911, mas existem informações que já em 1903, quando a região ainda era um amplo matagal pontilhado por alguns sítios, ali foi criado um traçado numerado de futuras avenidas e ruas. Mesmo sem existir uma documentação comprobatória, acredita-se que essa delimitação foi realizada pelo arquiteto italiano Antônio Polidrelli. Este havia sido contratado pelo poder municipal para desenvolver o traçado da área denominada Cidade Nova (atuais bairros de Petrópolis e Tirol) e a ideia de criar esse traçado no Alecrim tinha o objetivo de facilitar junto a Intendência Municipal de Natal o aforamento de terrenos dos futuros moradores. As antigas Avenidas 7 e 8 são atualmente as Ruas dos Caicos e dos Pajeús. Sobre a história relativa a questão das numerações das ruas do bairro do Alecrim, ver SOUZA, Itamar de. Nova História de Natal, 2008, 2ª Ed. págs. 522 a 524. Mesmo com as numerações das antigas avenidas e ruas do Alecrim tendo sido oficialmente abolidas em 1930, até hoje uma grande parcela dos natalenses continua a utilizar as velhas numerações para se localizar no bairro, inclusive o autor dessas linhas (antigo morador do bairro, na Rua Borborema).
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