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segunda-feira, 11 de abril de 2016

ATRIZ LEILA DINIZ UMA MULHER ALÉM DO SEU TEMPO


Interpretou a cangaceira DADÁ, companheira do cangaceiro Corisco, no filme sobre a vida do famoso casal.


Luiz Serra disse: Dadá, como fazia no cangaço, costura a roupa a ser usada no papel dela (Dadá) pela atriz Leila Diniz, no filme de Corisco. Voltaseca Volta, o bom é divulgarmos essa história magna.

Abraços.


Fotos: Google
Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta


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A INCRÍVEL HISTÓRIA DO SOLDADO VOLANTE LUIZ ROMÃO.

Por: Edson Luiz Ferreira Barros [Edson Romão] 
Fabiano Ferreira - Luiz Romão trajado de soldado da volante, nasceu no sitio Riacho Grande, vulgo Riachão, do município de Flores sertão do Pajeú Pernambuco. É um dos membros da grande família Romão, Ferreira e Porfírio aqui do município de Flores e que se espalharam por várias cidades do sertão do Pajeú, inclusive Serra Talhada, Floresta, Betânia, e outras cidades e estados nordestinos. Alguns familiares contemporâneos dele também serviram por poucos anos a volante de Flores, ele porém dessa família foi o que mais se destacou, andou por esses sertões afora, combateu cangaceiros, o mesmo segundo a família conhecera Lampião, mais nunca chegou a combater o bando liderado por Lampião, mais participou de combates com outros grupos de cangaceiros, nunca gostou de falar sobre o assunto, falava mais com a família, é uma pena!

“Sou um soldado da polícia Pernambucana. Sentei “praça” para perseguir “Lampião” e defender minha corporação, mais por ter defendido um companheiro da “morte” hoje vivo lutando contra a prisão. Mas sempre sou o soldado Luiz Ferreira, conhecido por “Luiz Romão”( Luiz Romão na idade de 34 anos, mais ou menos).

Luiz Ferreira do Nascimento, que mais tarde seria reconhecido e imortalizado como “Luiz Romão”, nascido na cidade de Flores -PE, em 15 de Outubro 1916, filho de José Ferreira do Nascimento ( José Romão ) e Jacinta Gomes de Oliveira. Tendo em seu pai “José Romão”, que já fazia parte da Força Volante da cidade de Flores -PE, seu maior exemplo, Luiz Ferreira do Nascimento ingressou também na Força Volante aos “ 17 anos de idade” travando vários combates com “facções” do Bando de LAMPIÃO. Sendo extremamente corajoso e habilidoso quanto ao manuseio de armas e táticas da “Caatinga”, com o fim do “Cangaço” no Sertão, foi escolhido como ORDENANÇA DIRETO DO CORONEL MANOEL NETO. 

Fabiano Ferreira - Cabra arretado, camarada Volta Seca!  Esse homem foi o cabra 
considerado um dos homens mais destemidos de minha cidade, e de outras regiões no tempo dele. Saudoso Luiz Ferreira do Nascimento, vulgo Luiz Romão cerca de 17 anos sentou praça, foi da volante aqui em Flores, mais também segundo os filhos dele e uma senhora que entrevistei no ano passado aqui em Flores, que faleceu com 97 anos a alguns meses, prima dele, ela confirmou que ele chegou a trabalhar com alguns dos nazarenos, chegou a ser ordenança do Cel. Manoel Neto lá de Floresta. Passou poucos anos na volante já nos últimos anos do cangaço, porém continuou na polícia militar de Pernambuco, depois de um acontecimento na antiga Rio Branco hoje Arcoverde, passou 20 anos foragido, pois foi acusado injustamente na tragédia que aconteceu com um comerciante em Arcoverde. Ele brigou com uns cabras que estavam ferindo um soldado, na hora interviu tentando render os cabras, mas vieram armados para o matarem, logo receberam tiros disparados por Luiz Romão, tombaram e na hora da confusão, um comerciante foi fatalmente atingido. Começaram a persegui-lo, e o mesmo peregrinou nesses sertões e em outros Estados por 20 anos, dizia que preferia morrer brigando do que ir para cadeia. Fora essa, tem outras histórias interessantes sobre esse homem, contadas por seus filhos que moram em Serra Talhada, e por outros familiares aqui de Flores, berço da família Romão, Ferreira do Nascimento, Sousa, e Porfírio, família essa que num passado distante mesmo por pouco tempo, na volante de Flores teve como integrantes, alguns membros dessa mesma família aqui, o pai dele José Romão, tio Pedro Ferreira de Souza, vulgo Pedro Benedito o sapateiro, primo João Ferreira conhecido também pela família em Flores como João Antônio. Um dos filhos desse senhor que esse ano estaria completando cerca de 100 anos, está pesquisando e preparando um livro em memória das histórias do pai e da família. Luiz Romão depois que mudou-se para Serra Talhada, casou-se com uma senhora da família Barros Novais e Meneses da região de Floresta e Serra Talhada, e tiveram vários filhos, e netos. Viveu em Serra Talhada por 40 anos, até quando faleceu já idoso. Valeu por ter postado essa foto.

Sentou praça em algumas cidades do Sertão como Flores, Ibimirim, Serra Talhada, Arcoverde, entre outras. Em todas as cidades em que “Luiz Romão” trabalhou como ORDENANÇA DIRETO DO CORONEL MANOEL NETO, fez imperar a Lei e a Ordem, pois não havia missão impossível para o mesmo. Por um lamentável episódio ocorrido em Arcoverde, quando lá destacava, estava de folga nesse dia, quando escuta alguém “gritar” por seu nome; tratava-se de uma mulher que em desespero falava que “havia alguns homens tentando matar um soldado...” Sem pensar duas vezes ele se dirige rapidamente para a cena do crime e se depara do que ele chamava de “linchamento”, o soldado estava sendo “golpeado” a faca e pauladas, por vários homens; outro soldado observava como que pasmo, pois não esboçava nenhuma reação. LUIZ ROMÃO DE ARMA EM PUNHO “GRITA”; “SOLTA O SOLDADO, SOLTA O SOLDADO!!!”, é quando dois homens enfurecidos vem ao seu encontro de “ peixeira” em punho e tenta esfaqueá-lo sem dar-lhe chance de defesa, rápido e habilidoso como era “Luiz Romão” desfere um disparo que atinge um dos homens no pescoço, o outro, com um segundo disparo é atingido no coração, onde tiveram, os agressores, morte instantânea... Sendo “Luiz Romão” impelido pela “turba” a continuar os disparos, tombam mais dois homens mortos. O restante dos agressores fogem. O soldado que estava sendo “linchado” escapa gravemente ferido. Por a justiça, na época não entender os detalhes do “fato” ocorrido, “Luiz Romão” se tornou foragido. Foi perseguido, cercado várias vezes, mesmo policial, teve que trocar “tiros“ com a POLÍCIA, pois preferia a “morte” a ser preso. Mudou de cidade várias vezes, mudou de nome, mais por fim, foi INOCENTADO. “Luiz Romão fixou residência na cidade de Serra Talhada, TERRA DE “LAMPIÃO”, onde seus pais e alguns de seus irmãos já residia, adotando assim, Serra Talhada, como sua cidade, onde viveu por mais de quarenta anos, tendo falecido no dia 7 de Abril de 2003. Toda a sua “história” será contada em um livro... Detalhes do seu convívio com o Cel. Manoel Neto, seus cercos, suas fuga, seus amigos e parentes; as mortes de seus irmãos e sua vingança sua luta para manter-se vivo e conseguir provar sua “INOCÊNCIA”. Com isso “HONRANDO” seu “NOME” de geração após geração. 

O “livro” foi  lançado em 2012 e teve como tema: “LUIZ ROMÃO, para mim, MAIS VALENTE QUE “LAMPIÃO”.

REDAÇÃO: Edson Luiz Ferreira Barros [Edson Romão]
FONTE: LÍNGUA GRANDE CULTURAL

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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A NETA DE VIRGULINO E O FILHO DE SEU CHICO

Eleuda de Carvalho - da Redação

A partir de agora, a memória iconográfica de Lampião tem dono: o acervo fotográfico feito por Benjamim Abrahão e o direito sobre a imagem do cangaceiro pertencem, legalmente, à Abafilm e à família Ferreira. Celebrando a paz, estiveram na cidade Vera Ferreira e Ricardo Albuquerque

Filmes, um bocado. O clássico Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, à beira dos 40 anos, inscreveu a cena que virou ícone, o cangaceiro rodando com seu punhal, mesmo movimento utilizado como homenagem por Rosemberg Cariry, no seu Corisco e Dadá. Porém, a figura símbolo do cangaço não carece de reinterpretação, porque ele próprio mais sua mulher e seus companheiros fizeram pose e encenaram combate feroz e brincadeiras de jovens para a lente de Benjamim Abrahão. E são os fotogramas deste filme de 12 minutos e o conjunto de retratos que o mascate libanês fez em pleno sertão o registro real de uma época contraditória da história brasileira. Estas imagens têm dono.

Vera Ferreira, neta de Lampião e Maria Bonita, e Ricardo Albuquerque, filho do fotógrafo Chico Albuqerque e neto do pioneiro Adhemar Bezerra Albuquerque, entraram em acordo sobre o uso da imagem de Lampião e seu bando, após mais de uma década de litígio judicial. Para marcar a paz e reafirmar seus direitos, ambos estiveram em Fortaleza na semana que passou. Como novidade, o restauro de 50 fotografias, sendo 24 delas totalmente inéditas ainda (como as que publicamos nesta edição). Com o acordo entre as partes, a exclusividade do direito autoral é da Abafilm - que forneceu o material a Benjamim Abrahão, e a exclusividade do direito de imagem é da família Ferreira.

Benjamim conheceu Lampião em 1926, quando ele foi a Juazeiro do Norte receber a patente de capitão. À época, o viajante libanês secretariava o Padre Cícero Romão Batista. Por conta destas relações de amizade e confiança, Abrahão pode conseguir o salvo-conduto, bilhete assinado pelo próprio Rei do Cangaço, liberdade que nenhum outro conseguiu. Nem a equipe do New York Times, enviada à caatinga. Abrahão avistou-se com o bando em dois momentos, durante os anos de 1935 e 36. Da primeira, dinheiro perdido. Na bolsa com o logotipo da Abafilm, ele misturou o material fotográfico com algumas rapaduras que ganhou de presente. Na chegada, as formigas tinham lambido a rapadura e as chapas.

Outra: Abrahão tinha muita boa vontade e coragem de sobra, além do tino comercial, mas não entendia nada de câmera. ''Meu avô disse, você não vai mais mexer na objetiva, vou soldar nesse ponto aqui. E ensinou a ele o ponto de luz, tudo. Benjamim voltou ao sertão e veio com o resultado'', conta Ricardo Albuquerque. O filme foi apreendido em 37, depois da primeira sessão. O material sumiu durante muito tempo. ''Meu avô tinha outra cópia, que foi parar nas mãos de um alemão chamado Alexander Wolf, que repassou o material nos anos 70 para Thomas Farkas, cineasta e dono da Fotoptica. Ele preservou. Isto temos que agradecer a ele, está na Cinemateca de São Paulo, não foi comercializado indiscriminadamente como foram as fotos'', completa Ricardo.

A ação judicial entre as famílias Albuquerque e Ferreira começou em 86, motivada por publicidade do Lloyds Bank, publicada na revistaVeja. A ilustração era uma foto de Lampião e Maria Bonita. Os Ferreira entraram com ação contra o Lloyds Bank, que afirmou ter comprado os registros da Abafilm. E aí o quiprocó envolveu a todos. ''E aí rolou, rolou, como é praxe da nossa justiça'', lembra Vera. Ricardo completa: ''Ninguém usava, suspendeu tudo, mas os outros continuaram a vender fotos''. Ano passado, os descendentes sentaram juntos, ''sem advogado, sem nada, que isso complica muito'', diz Vera.

''Qualquer foto, a partir de hoje, que queiram usar, tem que ter nosso aval. A família Albuquerque, representada pelo Ricardo, e a família Ferreira, por mim. As pessoas vão saber, a partir de agora, que estas fotos têm dono, a Abafilm como dona das fotos e a minha família com todos os direitos pelo uso da imagem. Minha mãe é a detentora dos direitos autorais'', afirma Vera.

Ricardo Albuquerque luta agora para montar o Memorial Chico Albuquerque, com o acervo de seu pai e da Abafilm. E Vera batalha para concretizar o Museu do Cangaço em Aracaju, sua terra natal. Nesta entrevista, ela fala dos avós famosos, da conversa com Luiz Gonzaga, do acervo que já conseguiu e pede a quem tiver material sobre o cangaço para entrar em contato. O e-mail de Vera Ferreira é: malamp@infonet.com.br. Para acompanhar o processo de restauração das fotos, consulte a página www.infonet.com.br/lampiao.

O POVO - Você conheceu João Peitudo, que dizia ser filho de Lampião?

Vera Ferreira - Minha mãe é filha única de Lampião e Maria Bonita. Minha vó teve quatro gestações. Ela entrou no cangaço em finais de 30, em 31 ficou grávida, perdeu a criança. Em 32 minha mãe conseguiu sobreviver, nascendo em pleno sertão, embaixo de um umbuzeiro, graças à intervenção de uma parteira chamada dona Rosinha, que meu avô conseguiu trazer ao local. Os outros dois nasceram e morreram. Aquele rapaz começou numa mentira, a gente depois foi descobrindo. Primeiro, ele disse que as orelhas foram marcadas pelo meu avô. Dadá foi muito clara quando o rebateu no ar, disse que cangaceiro não marcava a família. Depois descobrimos, ele passou uma época com os índios no Maranhão. Lá, ele era conhecido como João Índio. Outra coisa que a gente refutou é que ele disse que nós éramos muito ricos e ele não queria a riqueza da gente. Se fosse realmente filho dos meus avós, ele saberia que a única riqueza que recebemos foi o ensinamento de vida.

OP - E como foi convive com o peso desta herança?

VF - Quando eu era criança, ninguém brincava com a gente. Os filhos dos vizinhos eram proibidos de brincar conosco porque era da raça de Lampião. A gente ouvia muito, ''raça de Lampião não presta''. A gente brincava entre nossos irmãos, minha mãe foi quem ensinou a gente a brincar de pião. Lembro, com 13 anos, quando Cristina da Matta Machado escreveu um livro sobre as táticas de guerra dos cangaceiros e levou minha mãe e a mim de contrapeso pra São Paulo. Foi quando nos encontramos a primeira vez com os cangaceiros Dadá, que foi a grande mestra, Criança, Balão, Zé Sereno, Sila, Dulce. Foi um reencontro entre eles, me emocionou como minha mãe foi recebida por eles, a admiração que eles sentiam pela minha mãe, era uma reverência e um respeito. No jornal Folha de São Paulo daquela época está lá escrito, eu disse, a partir de hoje, vou fazer um grande trabalho sobre meus avós. Ali eu estava prevendo o que era minha missão. E não parei mais.

OP - Foi a partir deste encontro que você encontrou sua própria história?

VF - Passei uma semana numa convivência diária com eles, era quase que 24 horas. Aí você percebe pessoas normais. Normais entre aspas, não sei se alguém é normal, mas, enfim. Pensei assim, gente, eles não são bandidos. Porque lá em casa minha mãe também não falava muito, ela foi resguardada pelo meu avô João, que eu chamo de avô, era irmão do meu avô e criou minha mãe. Ele não permitia que se falasse. Ele protegeu minha mãe com medo de vingança. Minha mãe só foi aparecer na imprensa em 63, na revista O Cruzeiro, você vê a distância.

OP - Você é jornalista. Em que está trabalhando, atualmente?

VF - Fui a primeira cinegrafista do nosso país, de botar uma câmera no ombro e fazer jornalismo externo. Fiz o curso em Sergipe com um grande mestre da Globo, o Andrade. Três meses depois fui contratada pela Manchete de Brasília, depois trabalhei na Globo em São Paulo e em produtoras. Mas larguei tudo, tem cinco anos que estou em Aracaju, a convite do Governo do Estado, pra montar o Museu do Cangaço. Eu já realizei o sonho de mais de 20 anos que foi o livro que eu e o pesquisador Antônio Amaury Corrêa de Araújo escrevemos, agora é o museu. O outro degrau desta escada será um documentário, sério, sobre a história do cangaço. Documentário este que fique pra informar e não pra desinformar, como 99% dos trabalhos que fazem sobre o cangaço. E eu estou sendo muito boazinha...

OP - Como são suas relações com o pesquisador Frederico Pernambucano, da Fundação Joaquim Nabuco?

VF - Ele saiu da Fundação. Infelizmente, não temos muito contato. Tentei em 88 este contato, quando montamos um pequeno museu em Aracaju, através da Empresa Sergipana de Turismo, e ele não só não respondeu como criticou nossa atitude, Não entendi muito mas deixei o tempo passar. Costumo dizer que ele quer ser sempre o camarão da empada. Nem eu, como neta, me acho dona da história.

OP - Por ser jornalista também, você já fez uma análise de como a imprensa foi mudando ou não a ótica sobre o cangaço? Lampião foi morto há 65 anos...

VF - Esta mudança a gente sente. No início, ele era o bandido. Primeiro, por causa da imprensa, na época em que ele atuava - e este papel não mudou muito. A partir deste trabalho que estamos fazendo, homeopático, de formiguinha, as pessoas começaram a perceber o fenômeno do cangaço. Lampião não era um fator isolado, ele não surgiu de paraquedas naquele momento, alguma coisa o impeliu. Aí começa toda uma revisão da história e não só a do cangaço, mas das nossas revoluções sociais. Antônio Conselheiro e Lampião começam a entrar nos livros de história, que até então você não encontrava. E a imprensa começa a abrir espaço, antes eram notas bem escondidinhas pra ninguém ler. Hoje você consegue páginas inteiras. O cordel foi o fenômeno de divulgação mais importante do cangaço. Eu sou rato de cordel, em todo lugar que vou, eu procuro cordel. Porque foram eles e são eles até hoje que informam da nossa história.

OP - Entre o cordel, os livros e o jornal há muitas diferenças. Mas, em suas andanças, como você percebe a atitude do sertanejo mesmo, em relação ao tema?

VF - Comecei a perceber que o sertanejo mesmo, a posição dele com relação ao cangaço, era totalmente diferente. Eles não se deixam enganar por matérias, por filmes mentirosos, por pessoas que vão lá, não. Eles tem uma posição. Você sabe que para os sertanejos a palavra vale muito. Comecei a perceber toda uma história em volta disso. Você deve saber que, na literatura, o maior número de livros sobre um único assunto é o cangaço. O cangaço é a nossa epopeia, são mais de cem títulos. Isto não começa com meu avô, o primeiro registro é de 1776, com o Cabeleira. Pode até ter tido antes, até se supõe que tenha havido, mas o Cabeleira é o marco. Aí vem Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino...
OP - Tem gente que afirma que o fim do cangaço foi a chegada do caminhão.

VF - Não foi só isso mas é lógico que a mobilidade da volante ficou muito maior. Mas os cangaceiros usavam muitos caminhos onde eram inviáveis as estradas, ainda hoje. Acho que foi devido à massificação da campanha contra. Meu avô sabia. Quando pela primeira vez ele reuniu a família, disse, já perdi tudo, mãe, pai, terra. A partir de hoje vou matar até morrer. Ali ele tinha decretado que entrava e não saía. Alguns saíram, estão vivos até hoje. Mas ele sabia que não, que seria a pessoa mais perseguida.

OP - Que lembranças sua mãe guarda dos pais? Ela conviveu com eles?

VF - Todas as crianças no cangaço eram dadas, minha mãe foi dada com 21 dias para um casal de vaqueiros da região que tinha tido filha naquele tempo, era isso que meu avô queria. Foi por livre e espontânea coação, mas aceitaram minha mãe e a criaram com muito amor até os oito anos. Mãe tem recordações muito boas deles, até hoje a gente mantém contato com esses irmãos de criação da minha mãe que sobraram. Ela lembra de ter estado com os pais em três momentos, pode ter havido outros, mas ela lembra destes. Uma vez, eles foram até ela, e ela lembra que tinha um papagaio que sempre anunciava a presença de qualquer pessoa estranha. E ela se escondeu debaixo da cama quando viu aqueles homens paramentados. Foi ele que foi buscá-la. Em outras duas ocasiões, ela foi pro mato ao encontro deles. Ela lembra de uma pulseira que Dadá mandou.

OP - Por que você acha que Lampião nunca atacou o Ceará?

VF - Porque tinha este respeito muito grande à figura de um mito cearense, até hoje cultuado, o Padre Cícero.

OP - Um mito tão ambíguo quanto o seu avô. Aliás, existe mito que não traga em si contradições inconciliáveis?

VF - Realmente, não existe.

OP - O cangaço perdeu mesmo aquela guerra?

VF - Perdeu não. Aquilo que perde, se perde. Acho que a cada dia aquele movimento se torna mais forte, é a sensação que tenho como pesquisadora e por sangue, mesmo. São 65 anos de morte e este assunto é apaixonante, vibrante, polêmico. E tem que ser, senão não estaria sobrevivendo. O cangaço está muito vivo em cada sertanejo. Nos momentos de opressão, de miséria, sempre Lampião está presente na cabeça deles.

OP - Lampião ultrapassou o sertão, ganhou o mundo...

VF - Ele chega a Sorbonne, né? Uma das coisas que me impressionou foi na exposição itinerante que temos, Lampião, uma viagem pelo cangaço. Foi uma empresa americana que patrocinou a gente. Em São Paulo, pra você ter uma idéia, a exposição ficou três meses. E fomos para o Rio Grande do Sul. Comentei com Amaury, do jeito que gaúcho é preconceituoso com nordestino... Porque a gente tem esta visão, dada pela própria imprensa. Meia dúzia de pessoas que vão ver... Mas foi impressionante, tinha dias que a gente não almoçava. Cheguei pra uma professora de história, perguntei, por que este interesse? Ela disse, primeiro, Vera, Lampião não tem fronteira, ele já não é mais apenas nordestino. Outra coisa, qualquer revolução social nos interessa. Putzgrila!

OP - Luiz Gonzaga ajudou bastante, ao cantar Lampião e seus feitos em todo o Brasil.

VF - Você sabia que Luiz Gonzaga, por duas vezes, quis entrar no cangaço? Ele que me contou. A mãe dele pediu a meu avô pra não aceitar, mas a grande vontade dele era seguir com meu avô. Dizem que meu avô deu uma incumbência a Gonzaga, matar o padre da cidade dele. E é claro que ele não ia fazer isso nunca. Esse nosso encontro foi emocionante, ele chorou que se acabou com minha mãe. Ele me disse, eu quase que fazia parte, eu disse, inda bem que você não fez, senão não estaria cantando a história. Por isso ele usava a indumentária do cangaço, era uma maneira de estar presente. Eu digo que o cordel e Luiz Gonzaga foram os divulgadores do outro lado do cangaço.

OP - Por falar em Gonzagão, ele vai usar uma roupa inspirada na estética criada por seu avô.

VF - Fico preocupada com isso, porque meu avô não foi estilista do cangaço, foi Dadá. Dadá é quem trouxe as cores para o cangaço. Meu avô, que era exímio artesão de couro, quando viu os embornais de Corisco, ficou alucinado. Ela disse, eu faço. E fez os dois bornais. O chefe usou, todos passaram a usar. E cada um começou a utilizar da sua maneira. Quem mudou o visual do cangaço foi Dadá. Um pesquisador falou que Lampião foi um dândi do cangaço, mas não foi.

OP - E como você vê a presença da mulher no cangaço?

VF - Dadá já vivia com o Corisco, mas numa localidade, Corisco ia lá. A partir do momento em que meu avô levou a minha avó, a primeira mulher no cangaço, os outros também levaram. Minha avó foi o símbolo do movimento feminista na Itália, em 81, acho. Eram guerreiras. As mulheres não lutavam, não carregavam armas pesadas, só um 38 pra se defenderem. A única mulher que pegou em armas mesmo foi Dadá, pra defender o homem dela. Corisco, ferido nos dois braços, não podia mais atirar. Mas elas estavam ao lado dele. Balão, um cangaceiro que desencarnou em São Paulo, dizia que quem acabou o cangaço foram as mulheres, porque eles começaram a ter a preocupação de defender as mulheres e isso abria o flanco pra eles. Tanto é que Balão nunca casou no cangaço, tinha medo de o corpo abrir. É o misticismo, que tem que ser respeitado. Mas as mulheres humanizaram o cangaço, era a força da mulher abrandando aqueles homens.

OP - Vi um documentário sobre a roupa do cangaço, apresentado por Frederico Pernambucano. De quem é aquele acervo?

VF - Este acervo estava com a família do tenente Zé Bezerra. Mané Velho, que está vivo até hoje, foi o primeiro da volante que assumiu, temos isto dito por ele: ''nós praticávamos as maiores atrocidades e dizíamos que eram os cangaceiros'', ele assumiu. O cara é homem, na expressão da palavra. E ele cortou, ele mesmo fala no relato, ele cortou a mão de Luiz Pedro pra tirar os anéis e lembra que ele estava com dois relógios. Tem pesquisador que diz que cangaceiro não usava relógio... Luiz Pedro estava com dois. A ordem do tenente Bezerra era para o pessoal jogar todo o material apreendido num toldo, mas muitos não acataram esta ordem e ficaram mesmo. Mas o tenente levou a maioria e me fez uma proposta pra eu comprar aquilo, mas era um valor imensurável que até hoje não tenho. Pra resgatar o que é nosso! Por lei, é nosso, é da família. E aí o Frederico Pernambucano, através da Fundação Joaquim Nabuco, comprou este material.

OP - O como estão os projetos do Museu do Cangaço? Como você compõe o acervo?

VF - Não faço sozinha, tem que ter a participação de todos. Tem muita gente que guarda material e objetos do cangaço. Se hoje elas tem um carinho pra guardar, amanhã ninguém sabe se esse carinho vai continuar na família. O governo da Bahia nos convidou, o de Alagoas. Mas nasci em Aracaju, meus avós morreram em Sergipe e eu tenho uma peça viva da maior importância que é a minha mãe, que nasceu lá. Queria pedir às pessoas que tivessem alguma coisa relacionada ao cangaço, não só sobre Lampião e Maria Bonita, que ajudem a gente a montar este acervo. Hoje tenho 70 punhais que foram comprovadamente usados pelos bandos. Já temos um acervo até interessante mas uma das peças mais importantes que tenho é um cacho de cabelo do meu avô. Temos uma colher de prata que ele deu à irmã de minha avó, uma xícara que era da minha vó, toda trabalhada, chiquérrima. Tenho uma arma Lugger alemã, que foi do meu avô.(Eleuda de Carvalho).

http://www.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2003/03/19/noticiasjornalvidaearte,234623/a-neta-de-virgulino-e-br-o-filho-de-seu-chico.shtml

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BENJAMIM ABRAHÃO DE FIRMINO HOLANDA

 Por Lailson Feitosa

O livro de Firmino Holanda intitulado Benjamim Abrahão, publicado no ano 2000 pela Fundação Demócrito Rocha foi mais uma edição de um fantástico trabalho integrante da Coleção Terra Bárbara. Sua introdução – Um náufrago no Sertão o autor aborda a sagacidade do homem aventureiro, sagaz, que busca em outras plagas as satisfações para a vida. Neste ínterim, Firmino Holanda cita um exemplo de um compatriota do biografado, naufrago que se casaria com uma índia amazônica, tornando-o cacique da referida aldeia, uma alusão à destreza de lhe dar com condições adversas.

Benjamim Abrahão, de forma parecida, porém desembarca sem maiores sustos em Pernambuco, após alguns anos em Recife, tem a cidade de Fortaleza o início de sua jornada pelo Sertão Cearense. Focado nas técnicas de fotografias e filmagens, novidade tecnológica do século XX, o Sírio-libanês partirá sertão adentro em busca de seus objetivos. Nesta empreita, acaba envolvido com dois personagens singulares que desenharia o Nordeste brasileiro para sempre, o líder religioso Padre Cícero Romão Batista, e o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.


1º Capítulo: Mascate “Árabe” na Meca nordestina

No capítulo inaugural temos, basicamente, um retrospecto dos primeiros momentos políticos, sociais, econômicos e culturais, em curso, no primitivo Juazeiro. O autor desenha em prosa as conjecturas estruturais daquele período que coincide com a chegada do mascate, sírio-libanês, Benjamim Abrahão a terra do Pe. Cícero. Ou seja, ele chega em um tempo de muitas agitações, cujo Lugar crescia e se desenvolvia rapidamente em virtude dos desdobramentos dos fatos extraordinários acorridos a partir de 1889 quando a Beata Maria de Araújo protagoniza o milagre eucarístico numa missa celebrada pelo Padre Cícero.

O autor, ainda, salienta que não foram apenas os fatores religiosos ou místicos que atraiam adventícios para aquele reduto em ascensão, mas também, pessoas ambicionadas pelas riquezas naturais da região do Cariri, cuja funções administrativas recaiam ao nobre reverendo. Foi neste outro contexto que em 1908, dois aventureiros provenientes do estado da Bahia, o médico Floro Bartolomeu da Costa e seu companheiro, francês, Adolfo Van Den Brule que se identificou como conde, e, ambos pretensos exploradores das minas de cobre do Coxá. De imediato pedem guarida ao padre Cícero Romão Batista e permissão para suas pretensões exploratórias.

Alencar Peixoto e Dr Floro

Contudo, esta aproximação de Dr. Floro Bartolomeu, lhe renderiam muito mais o que prometiam com os recursos minerais da região do Cariri, pois Firmino Holanda faz um levantamento, coeso, em apenas um parágrafo sobre a evolução político social do médico baiano em Juazeiro. De um viajante errante, a deputado federal, além de se tornar peça chave de três eventos importantes para a história do Estado do Ceará e da cidade de Juazeiro. Dr. Floro Bartolomeu da Costa, foi à força no desenrolar dos fatos que culminaram na pacificação dos coronéis da região (Pacto dos coronéis), da emancipação política do Juazeiro e do destaque político do reverendo como primeiro prefeito do novíssimo município assim como a nobre vice-presidência estadual.

Foi, também, neste ambiente que chega ao Juazeiro, proveniente de Recife, o Sírio Libanês Benjamim Abrahão, cujo nome verdadeiro seria Jamil Ibrahim. Naquela primeira paragem, Jamil Ibrahim, era apenas um adolescente com pouco mais de 15 anos de idade e teria aportado em Recife em 1913 ou 1916, o autor não sabe ao certo, porém, afirma com certeza aquele jovem garoto era bastante resoluto, pois já comercializava tecidos e alimentos montado a cavalo. 




Foi com essa mesma altives que o Sírio-libanês, por volta de 1920, chegaria à terra da Mãe da Mãe das Dores, e segundo o próprio adventício trazia consigo uma carta de recomendação de um amigo do padre Cícero residente em Recife. Firmino Holanda faz uma citação do Padre Azarias Sobreira quanto ao seu aspecto jovial ao chegar a Juazeiro, dizendo-o que ele, Benjamim Abrahão, mal saíra da adolescência. Portanto, até aqui percebemos que o visitante era bastante jovem ao chegar à crescente Juazeiro.

Ao se encontrar com Padre Cícero, este, ficou sensibilizado por Benjamim Abrahão ser originário de um lugar próximo a Terra Santa (Jerusalém), além de se dizer educado por missionários cristãos no Líbano. O autor esclarece que naqueles tempos a maioria do povo Sírio cultuava o cristianismo, porém coexistindo com os mulçumanos. Assim, Benjamim Abrahão pertenceria em seu país de origem, aos maronitas ou aos melkitas, ambas obedientes a Igreja de Roma, contudo, Benjamim Abrahão pertencia a uma dessas duas correntes cristãs. 

Nos parágrafos seguintes, é abordado a possível cidade de nascimento do biografado e o suposto motivo de sua emigração. Desta forma, Benjamim Abrahão teria nascido na cidade de Zahle ou Zahlah, localizada na região central do Líbano, a oeste de Beirute.

Conforme o autor, no censo de 1890 aponta que existiam mais 350 mil estrangeiros no Brasil, cuja predominância era de alemães e italianos. Os turcos, como eram conhecidos todos os indivíduos de cultura Árabe, coexistindo entre os outros povos colonizadores, porém em números bem menores. Há registros que houve um crescimento da presença deles entre os anos de 1860 e 1870, porém, novamente, inicia outro período de queda da emigração de povos de origem síria para o Brasil. Será a partir do século XX que se evidenciam as maiores levas de migrações sírias para o nosso país.

Na região Nordeste, por volta de 1920, teria chegado ao Ceará cerca de 40 famílias Sírias, cujas origens seriam exatamente de Zahle. Por aquele tempo o Império Otomano em decadência, mantinha com forte resistência sua unificação, cuja área territorial abrangia, também, os territórios da Síria e do Líbano. Contudo, a instabilidade interna, conflitos de grupos separatistas e de ordens étnicas e religiosas entraram em conflagração resultando o deslocamento maciço de libaneses pelo mundo, por aquela década, chegaria ao Brasil, Jamil Ibrahim ou Benjamim Abrahão. 

Lailson Feitosa, Manoel Severo e Emerson Monteiro no Cariri Cangaço em Juazeiro do Norte, setembro de 2015

O autor ainda salienta que o desenvolver dos acontecimentos no oriente próximo, culminariam com a eclosão da primeira guerra mundial, quando os países Balcãs retomam seus territórios e liquidam o Império Otomano. O Líbano, apesar de ser uma pequena faixa de terras fronteiriça ao Sul com Israel, tem um legado histórico de lutas com várias outras civilizações, cujos resultados foram o permanente estado de migração de seus naturais. Naquele conflito mundial de 1914, a França se apropria de seu território tornando-o subjugada, mas, desde os tempos mais remotos que os Sírios já haviam sido cooptados pelos fenícios, egípcios, gregos, persas e romanos. Devido tais conflitos, Firmino Holanda considera que a migração sempre foi uma preocupação constante dos libaneses. 

Árabes, turcos, sírios e por último os libaneses. Firmino Holanda faz uma conjectura desses três elementos identificadores de nacionalidades. Porém, a análise desenvolvida pelo autor se configura numa espécie de estágio social do migrante. Primeiramente, todos os indivíduos daquelas regiões do oriente próximo são chamados de Árabes. Após aportarem em plagas nordestinas passaram serem tratados por turcos, estes eram afáveis e modestos mascates; ao adquirem estabelecimento fixo nos centros urbanos passavam a ser chamados por sírios, contudo, após muito e longos anos de trabalho, e já ricos, com destaque social esses indivíduos passariam a ser conhecidos por libaneses.

Continua, é abordado o importante papel desses empreendedores comerciais no Ceará, eram eles, sinônimos de desenvolvimento e capacidade de administração nos ramos comerciais e industriais. Com suas habilidades comerciais o povo sírio deu ao estado do Ceará destaque no crescimento econômico das várias cidades, inclusive do interior cearense como fez o biografado Benjamim Abrahão. Em Juazeiro o jovem e recém-chegado mascate libanês abre uma loja de artigos religiosos, imagens de santos, sua vocação comercial era pulsante.


Posteriomerte postarei os capítulos seguintes...
Lailson Feitosa, pesquisador e professor
Juazeiro do Norte

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UMA MENSAGEM DE LAMPIÃO

Material do acervo do pesquisador Antonio Corrêa Sobrinho
Colorida pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

"Sou Virgulino Ferreira da Silva, conhecido por "Lampião", um brasileiro, nordestino, pernambucano, um cangaceiro, o "rei do cangaço", com patente de capitão, ainda que de contrafação, mesmo assim, considero-me um autêntico capitão. Só sinto não ter chegado a general.

Como tantos outros nascidos nas adustas terras do sertão, naqueles dias tão secos, famintos e sofridos, notadamente no primeiro terço do século XX, que, por ignorância, vingança, irresignação, injustiça, temperamento, instinto, perversão, inadaptação, ausência de juízo, de tino, enfim, por uma, duas destas razões ou, não raro, por uma associação destes motivos a insistentemente dizer nos seus ouvidos: "chute o balde", ignore essas leis, essas regras, costumes, hábitos, convenções; crie seu próprio mundo, suas leis, sua moral, sua ética, seu reino - buscaram um poder que não lhe cabia, um modus operandi na contrapartida do poder maior, solidamente estabelecido, um fazer justiça de modo injusto.

Assim eu me fiz, meus motivos eu sei; tornei-me, igualmente a mil outros, como disse, um fora da lei, um marginal, um terror, um fugitivo do Estado, cuja cabeça valeu a fortuna de 50 contos de réis.

É certo que muita gente eu matei, mandei, permiti que matasse, e por mão de gente comecei a ser punido, eis que fui morto justamente.

Minha história de sangue e sofrimento o mundo conheceu e o meu nome "Lampião" tornou-se uma palavra adverbial.

Porém, tudo isso já passou, o tempo já vai longe, e por estes crimes e pecados que cometi, eu já paguei, foram todos devidamente quitados perante Deus; e, olhem, quitei muito mais cedo este meu gigantesco débito do que vocês imaginam, uma vez que aqui meu "Padim Ciço" me ajudou muito mais do que na terra; o padre é muito prestigiado por aqui, logo, logo chega a santo, o homem vive à destra do altíssimo.

Mas a razão maior, para não dizer única, da minha visita a vocês, é agradecer a todos os que fazem este maravilhoso grupo - "Ofício das Espingardas", e por extensão aos demais que pululam no facebook, tratando da minha pessoa, dos meus amigos, dos meus inimigos, quer dizer, de tudo que tem a ver com o cangaço, sua importância, seus sentidos e significados. Muito obrigado, mesmo.

Confesso, para terminar, que não foi fácil fazer chegar esta mensagem até vocês; na verdade, tive que envidar muitos esforços, mas sei porque o fiz, foi por uma gratidão ainda maior, porque tenho observado que estes grupos de cangaço são verdadeiros fã-clubes meus, e digo isto porque, daqui, do além onde estou, a gente vê muito bem, de forma transparente, seja a consciência, o pensamento, e em vocês eu só vejo dois sentimentos em relação a mim: os que amam me amar e os que odeiam me amar."

* mensagem que recebi em sonho.

Fonte: facebook
Página: Antonio Corrêa Sobrinho
Link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=865614396900771&set=gm.618825531614900&type=3&theater

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LIVROS DO ESCRITOR GILMAR TEIXEIRA


Dia 27 de julho de 2015, na cidade de Piranhas, no Estado de Alagoas, no "CARIRI CANGAÇO PIRANHAS 2015", aconteceu o lançamento do mais novo livro do escritor e pesquisador do cangaço Gilmar Teixeira, com o título: "PIRANHAS NO TEMPO DO CANGAÇO". 

Para adquiri-lo entre em contato com o autor através deste e-mail: 
gilmar.ts@hotmail.com


SERVIÇO – Livro: Quem Matou Delmiro Gouveia?
Autor: Gilmar Teixeira
Edição do autor
152 págs.
Contato para aquisição

gilmar.ts@hotmail.com
Valor: R$ 30,00 + R$ 5,00 (Frete simples)
Total R$ 35,00

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DEBATE ENFOCA 80 ANOS DO CALDEIRÃO

Domingos Sávio professor da URCA doutor em sociologia

A romaria do Caldeirão é uma das tradições mantidas do registro histórico (Fotos: Elizângela Santos).

Grande parte das vítimas do Caldeirão foi enterrada em uma vala comum e até hoje não se tem notícia do local exato. Há suspeitas que tenha sido na Serra do Cruzeiro.


Crato. Após 80 anos do fim de uma das mais emblemáticas experiências de comunidade rural no Brasil, pesquisadores e poder público voltam a debater a temática do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto em seminário, a ser realizado nos dias 12 e 13 de abril. Um projeto para o futuro será pensando de forma integrada, com a perspectiva de iniciar os trabalhos de definição e estruturação de uma proposta de atuação na área.

A pequena propriedade adquirida pelo beato José Lourenço, líder da localidade, em Crato, se tornou um oásis no meio do sertão esturricado. Para lá acorreram milhares de homens e mulheres em busca de melhores condições de sobrevivência, no começo dos anos de 1930. O local será formalizado, durante o evento, como geossítio, e passará a integrar o território do projeto Geopark Araripe. O evento será realizado no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri (Urca), em Crato.

Destruição

Historiadores relatam que a comunidade chegou a contar com cerca de 3 mil pessoas. Há controvérsias, mas os remanescentes falam do bombardeio que destruiu a vila e dizimou moradores, no ano de 1936. Grande parte das vítimas do Caldeirão foi enterrada em uma vala comum e até hoje não se tem notícia do local exato. Há suspeitas que tenha sido na Mata dos Cavalos, na Serra do Cruzeiro, ou no próprio Caldeirão.

Fazer o caminho da Santa Cruz é uma forma de reavivar na memória uma das experiências exitosas em coletividade, que terminou em tragédia, com a morte de crianças, adultos e idosos. Trabalhadores rurais, homens e mulheres simples e que tinham com líder o beato José Lourenço, um discípulo do Padre Cícero. Era uma ameaça ao sistema. Um foco comunista num rincão distante do sertão nordestino. As milícias do Exército Brasileiro e Polícia Militar do Estado agiram, juntamente com o Ministério da Guerra de Getúlio Vargas. Oficialmente cerca de 400 pessoas foram assassinadas. Extraoficialmente, mais de mil, com ataques aéreos. Há quem diga que este fato não ocorreu.

Discussão

São muitas perguntas a serem esclarecidas e por isso se torna importante fomentar esse debate, diz a secretária de Cultura do Crato, Dane de Jade. Ela afirma que o trabalho das instituições será uma tentativa de criar uma proposta única para o Caldeirão.

O pensamento é iniciar a estruturação dessa ideia a partir do seminário. Na palestra de abertura, será feita uma abordagem ao patrimônio material e imaterial, dentro do conceito da Unesco, pelo pesquisador português Artur Sá e o cientista social Domingos Sávio, da Urca, que vai falar sobre "Visões de Mundo na Luta Libertária do Caldeirão", como experiência de vida e um projeto que deu certo na década de 1930.

O seminário está sendo realizado por meio da Secretaria de Cultura e Urca, mas a pretensão, segundo Dane, é fazer com que as outras instituições estejam reunidas para realizar um projeto conjunto.

A história do Caldeirão, mesmo após oito décadas, continua sendo debatida, mas a secretária afirma que isso acontece diante de poucos elementos expostos ao longo desses anos, dos fatos ocorridos no local.

"Ainda não se sabe a fundo como é que essa memória do Caldeirão resiste e o que de fato aconteceu. Há as dicotomias entre os próprios pesquisadores, remanescentes, amantes da história, e pessoas que estavam envolvidas na época, como o brigadeiro José Sampaio Macedo, que disse não ter bombardeado o local", avalia Dane. Conforme ela, esse momento será uma provocação, para o aprofundamento da pesquisa, como também de construir algo de fato para o Caldeirão, buscando uma forma de organizar essa memória no tempo e no espaço.

Legado

Para o pesquisador e doutor em sociologia da Urca, professor Domingos Sávio, é necessário nesse momento a construção de um projeto, pela relevância histórica e o legado simbólico de valores sociais libertários que o ambiente do Caldeirão inspira. Ele defende a gestão da área pelo poder público e a universidade de forma urgente, para proteção dos registros arqueológicos do sítio, como ambiente educativo, histórico e antropológico, além da promoção do desenvolvimento local sustentável.

Esse momento se torna especial, conforme Sávio, já que, no Brasil, a história e a memória social não têm sido adequadamente valorizadas. Há pouca pesquisa sobre a memória social. "É o fundamento de qualquer cultura, suas visões de mundo e estilo de vida. É na substância da memória que se dá a passagem intergeracional de elementos simbólicos, materiais e imateriais, que fundamentam os valores grupais e a coesão social. A memória do Caldeirão é rica em referências culturais de um povo, mas apresenta também valores humanos universais, como a igualdade e a liberdade", afirma. O pesquisador classifica o Caldeirão como um dos mais belos casos da trajetória dos trabalhadores do campo na busca ou luta por uma vida digna e autônoma no Brasil e no mundo.

Durante o seminário, a secretária de Cultura do Crato, Dane de Jade, afirma que as diversas propostas já foram debatidas para o local, serão amplamente discutidas. Uma oportunidade de interação entre instituições de interesse do processo que, durante anos, vêm fornecendo elementos para que estudos sejam realizados no âmbito da reforma agrária, de resistência de uma população que chamou a atenção dos poderes constituídos da época e depois foi destruída.

Participação

O cineasta Rosemberg Cariry participará de uma mesa de debates, no dia 13, com o tema O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto - memórias de ontem e hoje para a construção do amanhã, com o historiador Régis Lopes e Maria Loreto, filha de remanescente, com mediação da professora da Urca Fátima Pinho. Também será enfocada a "Gestão Patrimonial, no Desafio de Gerenciar Processos Históricos e Sociais Relevantes para Memória das Lutas Populares", em que participam Luiz Paulo, do Parque Estadual de Canudos, na Bahia, Dane de Jade, além da participação de representante do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Caldeirão, um projeto para o futuro: políticas públicas participativas e gestão patrimonial, terá nos debates Paulo Campos, o reitor da Urca, Patrício Melo e padre Vileci Vidal.

O filme Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, será exibido para o púbico, com a participação do cineasta Rosemberg Cariry. Enquanto isso, será debatida a gestão patrimonial do Caldeirão, com instituições como o Ministério da Cultura, Secretarias de Cultura do Estado e do Município do Crato. O evento ainda contará com oficina, no dia 14, mediada por Alexandre Gomes e Secretaria de Cultura do Crato, sobre "Memória Social, Gestão Museológica e Administração Pública: o papel e atuação da sociedade civil". (E.S.)

Trajetória

"O Caldeirão é um dos mais belos casos de trabalhadores do campo na busca ou luta por uma vida digna"


Domingos Sávio- Professor da Urca / Doutor em Sociologia

http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/mobile/suplementos/debate-enfoca-80-anos-do-caldeirao-1.1527212

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CASA DA FAZENDA PATOS

Local onde Corisco cometeu uma das maiores chacinas ocorridas durante todo o período do cangaço. Foram mortas seis pessoas inocentes de uma mesma família. 

No texto de João de Sousa Lima (Abaixo) vocês conhecerão maiores detalhes sobre essa selvageria cometida por Corisco no dia 02 de agosto de 1938.

“Corisco chegou a fazenda (Patos) no dia 02 de agosto de 1938, Guilhermina, esposa de Domingos, foi fazer café para os cangaceiros. Dadá conversava com Maria da Glória quando entrou um cangaceiro que falou:
– O capitão mandou buscar essas duas!

Dadá perguntou:

– Buscar pra quê?

– Pra matar elas!

– Cadê Guilhermina e Valdomira?

– Já morreram!

Dadá levantou-se e foi aos fundos da residência. No curral de pedras deparou-se com uma dantesca cena. Ela viu os cangaceiros matarem os inocentes.
No momento foi chegando o Vaqueiro Domingos Ventura e mais três filhos que estavam todos encourados campeando animais. 

Corisco deu voz de prisão e sem resistência os cangaceiros prenderam pai e filhos. O cangaceiro acusou Domingos de traição e por mais que o velho dissesse que não sabia de nenhuma traição e mesmo assim foram degolados. 

Os cangaceiros trouxeram Odon e José Ventura e mataram os dois também. 

Mataram as mulheres Guilhermina e Valdomira.

Corisco mandou pegar Maria da Glória e Carmelita, Dadá ficou estarrecida com a matança e ordenou:

– Quem morreu, morreu, quem não morreu não morre mais. Essas ninguém mata!

Corisco aceitou a ordem da esposa.

Os cangaceiros armaram uma festa e durante toda noite dançaram ao sabor da velha cachaça, diante de seis corpos inertes, sem cabeças, rios de sangue correndo sob as pedras de um velho curral.

Dia seguinte Corisco mandou por João Crispim, as cabeças endereçadas ao tenente João Bezerra. O prefeito João Correia Brito recebeu o macabro presente e providenciou um enterro cristão para os inocentes.

Maria da Glória, sobrevivente da chacina, pegou seu bebê Elias e junto com Carmelita deixaram aquele palco macabro e foi residir em Água branca, no povoado Boqueirão”.

Assim foi o fim de seis pessoas de uma mesma família que sem nada dever pagaram com suas vidas uma dívida que não lhes cabia. 

Texto: João de Sousa Lima 

Foto: Rosalvo Sampaio (Tabira/PE)
Fonte: facebook

Página: Geraldo Júnior – 
Grupo: O Cangaço – 

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