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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

As trincheiras de Rodolfo, em 1927: V - Miguel Faustino do Monte & Cia.


A Imagem 01, de autor desconhecido, mostra o conjunto arquitetônico que sediou a firma Miguel Faustino do Monte & Cia, Mossoró-RN, em 1915, a qual serviu como a quinta trincheira de defesa da cidade contra o ataque de 


Lampião, (1900-1938), em 13/06/1927. Esta firma estava situada à Praça dos Fernandes, que o autor informa, em 1978, ser a atual Praça Getúlio Vargas, nº 6.

Raul Fernandes, na obra referenciada, assim descreve esta trincheira: "Miguel Faustino, o dono da firma, adquiriu uma dúzia de rifles, e no dia  12 de junho, armou dez funcionários e dois trabalhadores, cabendo dez balas a cada um. Ficaram de vígilia, nos armazéns e, no escritório, os funcionários Antônio Coelho, Francisco Matos Rolim, Joaquim Gregório da Silva, José Domício do Couto, José Soares de Góis, José Alencar, João Abel, Miguel Menezes, Moacir Monte e Raimundo Ramalho. À noite, Vicente Sabóia e Raimundo Leão visitaram esta trincheira. No dia seguinte, o diretor da firma Antônio Teodoro Soares e a maioria dos funcionários deixaram a cidade com suas famílias. Na hora do assalto, a trincheira estava praticamente abandonada, sem comando, entregue a meia dúzia de trabalhadores. (..) Durante a noite, um trabalhador ficou de vigia em cima da caixa d"água, atrás do escritório da firma, imitando o canto do galo, avisaria da aproximação dos cangaceiros. Ganhou a alcunha de Zé do Galo, para o resto da vida."

Próxima trincheira a ser postada: VI

Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.Fontes: FERNANDES, Raul. ( 09-09-1908-1998). A Marcha de Lampião, Assalto a Mossoró. 7a. edição, Coleção Mossoroense, Volume 1550,  Fundação Vingt-un Rosado, outubro de 2009; Índice das Matérias Publicadas em Memória Fotográfica



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Hoje na História de Mossoró - 31 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 31 de agosto de 1875 o Decreto n. 5881, oriundo do Gabinete do Visconde do Rio Branco, aprovando o regulamento do recrutamento para o Exercito e Armada, teve repercussão desfavorável na Província do Rio Grande do Norte, onde várias comunidades se levantaram em sinal de protesto.

Ninguém desejava que seus filhos fossem apanhados para o serviço militar, notadamente quando era sabido das intenções dos chefes políticos dominantes em darem sua preferência a filhos de adversários, como no caso em tela aconteceu nesta cidade. Assim é que, mirando em acontecimento idêntico desenrolado em municípios desta Província, as mulheres mossoroenses promoveram uma manifestação e conseqüente passeata pelas ruas da cidade, rasgando os editais afixados, na Igreja, indo à redação do jornal O MOSSOROENSE, destruindo cópias dos mesmos que ali estavam para ser publicados. Partiram daí para a Praça da Liberdade e se engalfinharam com um grupo de soldados da Força Pública, mandados para dominar a rebelião. Houve luta ente mulheres e soldados, saindo algumas feridas, não mais se agravando a situação, graças à interferência de outras pessoas.

O Juiz de Direito, Dr. João Antônio Rodrigues comunicou o fato ao Presidente da Província, Bacharel João Bernardo Galvão Alcanforado Júnior, que mandou instaurar inquérito contra as promotoras do Motim das Mulheres, cuja peça processual desapareceu do arquivo do Departamento da Segurança Pública. Estavam envolvidas no movimento das Evas mossoroenses, cujo número de participantes se elevava a 300, Ana Floriano, mãe do jornalista Jeremias da Rocha Nogueira, Maria Filgueira, esposa do Cap. Antônio Secundes Filgueira e Joaquina Maria de Góis, genitora do historiador Francisco Fausto de Souza.

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Memorial Padre Cícero com a Festa da Avant Premier do "Sedição de Juazeiro".

Jonas Luis da Silva de Icapuí, entre os confrades GECC - Cariri Cangaço: Sousa Neto e Pedro Luiz, em noite de Avant Premier em Juazeiro

Juazeiro do Norte recebeu na noite de ontem a Avant Premiere do "Sedição de Juazeiro" , uma produção da FGF Tv sob o comando de Jonas Luis da Silva de Icapuí, co-produção da Laser Vídeo de nosso amigo Aderbal Nogueira e Direção do grande Daniel Abreu. O Memorial Padre Cícero recebeu grande público à convite da FGF Tv, Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, APEC, Coelce e Prefeitura de Juazeiro do Norte para acompanhar a mais completa obra cinematografica sobre um dos mais importantes episódios da história de nosso Ceará e de nosso nordeste.

Co-produtor Aderbal Nogueira, Memorialista Huberto Cabral e Jonas Luis, em Crato, por ocasião das filmagens do "Sedição".

Diretor do Filme, Daniel Abreu e Manoel Severo, por ocasião das filmagens do "Sedição" na cidade de Missão Velha.

Sedição...além fronteiras,
por: Jonas Luis da Silva de Icapuí

"Mesmo com agenda cheia, o meu amigo Bill Clinton deu uma passadinha aqui em casa para me cumprimentar pela SEDIÇÃO DE JUAZEIRO, que nesta quinta foi exibida em AVANT-PREMIRERE no Memorial Padre Cícero em Juazeiro as 19 horas em Juazeiro do Norte. Clinton viu e gostou. Falta só você..." Jonasluis DA SILVA, de Icapui


O polêmico caudilho, médico baiano depois deputado federal por Juazeiro e braço armado de Padre Cícero, Floro Bartolomeu e o Santo de Juazeiro, personagens principais desta verdadeira Saga que foi o episódio da "Sedição de Juazeiro", épico que marcou o embate entre a "força romeira" dos seguidores de Padre Cícero contra o governo estadual de Franco Rabelo; do Ceará, em 1914. A guerra de 14 marcou para sempre a força  de Padre Cícero e sua forte influencia na politica nordestina do inicio do século passado.

O incomparavel Ary Sherlock, em dois momentos: Como o Santo Padre em "Sedição" e na noite de ontem no Memorial Padre Cícero por ocasião da Avant Premier.


Do site Miséria...

"Mais um filme sobre Juazeiro do Norte e o Padre Cícero, cujas histórias se confundem, foi lançado na noite desta quinta-feira no auditório do Memorial Padre Cícero. “Sedição de Juazeiro” tem duração de 140 minutos e é dirigido por Daniel Abreu com roteiro de Jonas Luís da Silva e produção de Jeanne Feijão. O ato reuniu autoridades, profissionais liberais, historiadores e acadêmicos e se inseriu na programação do Encontro de Culturas do Cariri que termina nesta sexta-feira.

Jonas Luis da Silva de Icapuí, apresentando o Sedição...

Esse evento é promovido pelo Ministério da Cultura e reúne, desde ontem, 32 municípios da região com o objetivo de fortalecer políticas culturais e discutir a adoção do Sistema Municipal de Cultura, que prevê o gasto de parte da arrecadação na área cultural. Quanto ao filme, o elenco conta com atores como Ary Sherlok (Padre Cícero), Magno Carvalho (Floro Bartolomeu), Fernando Cattony e outros cerca de 200 atores, entre coadjuvantes e figurantes.

Ary Sherlock e a platéia que lotou o Memorial na noite de ontem 

Na época, o Padre Cícero se tornou um grande líder político na região do Cariri e a cidade que o mesmo fundou ficou poderosa. O filme já foi lançado em Fortaleza, no último dia 22, tendo como lugar um dos auditórios da Assembléia Legislativa do Ceará. Ele detalha sobre o movimento sedicioso quando as tropas do governador Franco Rabelo enviadas da capital, foram derrotadas em Juazeiro. Nisso, as lideranças locais foram lá e o depuseram do cargo."

Fonte - http://www.miseria.com.br

Relembrando o Cariri Cangaço 2011...


"A manhã do terceiro dia do Cariri Cangaço 2011; dia 22 de setembro; seria um dia inesquecível. A Meca nordestina de Juazeiro do Norte, sob as bençãos da Mãe das Dores e do Padre Cícero recebeu no SESC Juazeiro, o grande lançamento do primeiro capítulo da Minisérie "Sedição de Juazeiro", uma produção da FGF Tv e Laser Vídeo.

"Sem dúvidas um momento inesquecível, por toda a beleza plástica do lugar e da solenidade de lançamento, pela qualidade do debate e pela maravilhosa oportunidade de conhecermos em primeira mão esse grande lançamento, sem dúvidas o mais esperado do ano", ressalta a Secretária de Cultura de Crato, Danielle Esmeraldo. Para Ângelo Osmiro, presidente do GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará, "O filme é simplesmente sensacional, e hoje o Cariri Cangaço, disse a que veio, promovendo um evento sem igual no lançamento da Minisérie".

Manoel Severo comandou o debate sobre o "Sedição" no SESC de Juazeiro, que contou as presenças de Jonas Luis da Silva de Icapuí, Renato Casimiro, Daniel Walker, Renato Dantas, Aderbal Nogueira e Capitão Marins.

"Olhem, participar do lançamento de um filme simplemente lindo e de uma riqueza e fidelidade históricas impressionantes; desse debate, ouvindo essa Mesa sobre a Sedição de Juazeiro, foi um grande presente, nunca havia tido um momento como esse, e agradecemos ao Jonas, ao Renato Casimiro, ao Daniel Walker, ao Aderbal, ao Renato Dantas e principlamente a Severo, por esse dia que ficará em nossa memória para sempre" confirma a universitária Paula Monteiro, de Juazeiro do Norte.

Conheça um pouco mais da "Sedição"...

 

A Revolta ou Sedição de Juazeiro foi um confronto ocorrido em 1914 entre as oligarquias cearenses e o governo federal provocado pela interferência do poder central na política estadual nas primeiras décadas do século XX. Ocorreu no sertão do  cariri, interior do Ceará, mas precisamente na cidade de Juazeiro do Norte e centralizou-se em torno da liderança de Floro Bartolomeu e o padre Cícero Romão Batista.

O conflito consolidou a figura de Padre Cícero; já  a maior liderança religiosa do nordeste; com uma das maiores  lideranças politicas do inicio do século; confirmando o "santo" do Juazeiro como eminencia parda da política cearense por mais de uma década.

Manoel Severo
Cariri Cangaço

O canto do Acauã


Das memórias do Cel. Manoel de Souza Ferraz (Coronel Manuel Flor)-
A luta das Forças Volantes contra os cangaceiros

(4ª Edição Atualizada e Ampliada)
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Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Hoje na História de Mossoró - 30 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 30 de agosto de 1941 era criado pela Lei n. 109, do Governo do Estado, o 3ª Cartório Judiciário da Comarca de Mossoró, sendo nomeado titular o acadêmico Nelson Deodato Fernandes de Negreiros.


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Juazeiro recebe depois 100 anos, a Sedição !!!


Em grande estilo o município de Juazeiro do Norte e toda a região do Cariri recebem nesta quinta-feira, logo mais as 19 horas, no auditório do Memorial Padre Cícero, a Avant Premier da mais esperada produção da televisão cearense: "A Sedição de Juazeiro".

À frente Jonas Luis da Silva de Icapuí e a produção da FGF TV conta ainda com o apoio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, APEC e COELCE.


Avant-Premiere Sedição de Juazeiro
Hoje, dia 30 de Agosto - 19 horas
Memorial Padre Cícero
Juazeiro do Norte-Ceará

Cariri Cangaço
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Em: "Lampião de A a Z"

Por: Paulo Medeiros Gastão
Manoel Severo, Aderbal Nogueira, Paulo Gastão e Antônio Vilela

Lampião Dançarino

Nos bailes que promovia, dançava com as moças da localidade sendo disputado, por ser considerado "pé de ouro".


Sempre que possível o sanfoneiro arrastava o fole a noite inteira ou esperava que o chefe mandasse parar. Existem relatos que em muitas oportunidades mandava todo o povo tirar as roupas e dançavam nus, no chão de terra batida.
Lampião estrategista

É considerado um dos maiores estrategistas nascidos no Brasil. Sua conduta em guerrear é analisada por estudiosos entendidos no assunto. Muitas vezes se colocava de cócoras, riscando no chão, o traçado do próximo ataque à polícia. Os cabras de sua inteira confiança ocupavam a vanguarda, meio e retaguarda. Em pleno tiroteio estudava a melhor forma de o grupo bater em retirada. Na qualidade de militar, teria sido o vilabelense, um grande estrategista?

Lampião Exigente

Bebia cachaça, conhaque, vinho, cerveja, porém, em muitas oportunidades tornava-se exigente e só consumia whisky de marca White House (Cavalo Branco). Bom cigarros e perfumes oriundos da França. Para não morrer envenenado, exigia que um companheiro tomasse a bebida antes dele e usava uma colher de prata para detectar a presença de algum veneno. 

Lampião Hábil


No uso das mãos para costurar, fazer partos, manejar armas de fogo, planejar ataques ou fugas em plena caatinga.

Lampião Importante

O filho do Pajeú considerava-se um homem importante, senão vejamos as fotos que fazem parte da história da sua vida, que expressam a realidade. 


Para ele mencionar determinados nomes, que ocupavam posição relevante em determinadas localidades, o projetava como homem importante, junto aos grupos de cangaceiros, como também frente aos coiteiros e administradores.

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Preço: 20,00 Reais (já incluído o frete)

Extraído do livro: "Lampião de A a Z"
Páginas: 32, 38, 39, 45 e 46
Autor: Paulo Medeiros Gastão
Ano de publicação: 2011

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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Hoje na História de Mossoró - 29 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 29 de agosto de 1926 falecia Delfim Freire da Silva, alto comerciante da praça de Mossoró, com seu empório de tecidos e calçados.
               
Delfim Freire manteve por longos anos sua casa de comércio em nível superior às condições comerciais da região, chegando a atrair representantes de firmas do sul do país, que vinham exclusivamente receber pedidos de compras de especialidade da Casa Delfino.
               
Homem de larga visão também no setor imobiliário, construiu sua residência, supervisionado por arquiteto contratado no Rio de Janeiro. Era um chalet que ficava na Praça da Matriz, hoje Praça Vigário Antônio Joaquim, no local hoje ocupado pela Câmara Municipal de Mossoró, dando-lhe fino acabamento com cimento inglês e tinta carton pierre de procedência francesa, de escadas de ferro, além de outras construções para seus filhos, em idêntico estilo.
               
Era possuidor de sólida fortuna que com sua morte foi aos poucos se extinguindo, sem nenhum proveito para seus descendentes. 
                

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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

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EM: "LAMPIÃO DE A a Z"

Por: Paulo Medeiros Gastão

Lampião tinha uma incrível capacidade de deslocamento.


Citamos a forma de como venceu a distância existente desde as fronteiras do Ceará com o Rio Grande do Norte, do município de Luiz Gomes até alcançar Mossoró.

Fonte: blogtabulapolitica.blogspot.com

Foram três dias para se percorrer algo em torno de 33 léguas, ou seja, 200 quilômetros. É uma incrível façanha, sob o comando maior do chefe cangaceiro.

Extraído do livro: "Lampião de A a Z"
Página: 47
Autor: Paulo Medeiros Gastão
Ano de publicação: 2011

CANGACEIRO VINTE E CINCO, UMA VISITA A UM DOS ÚLTIMOS GUERREIROS DE LAMPIÃO

Por: João de Sousa Lima

José Alves de Matos, o ex-cangaceiro Vinte e Cinco é um dos três últimos cangaceiros vivos. Ainda lúcido tem uma memória privilegiada e apesar dos seus 95 anos de idade recebe sempre visitas em sua residência  para falar do seu tempo de cangaceiro.

Ele lembrou com facilidade que eu havia estado com ele em nosso primeiro encontro há exatos seis anos.

José Alves de Matos nasceu em Paripiranga, Bahia, na fazenda Alagoinha. Teve vários primos  e sobrinhos com ele no cangaço, tais como: Santa Cruz, Pavão, Chumbinho, Ventania e Azulão. No dia que entrou para o bando de Corisco o seu sobrinho Santa Cruz entrou no grupo de Mariano.

Vinte e Cinco discutiu com Dadá e saiu do grupo de Corisco para o grupo de Lampião. Podemos vê-lo em foto ao lado de Corisco e em outro momento ao lado de Lampião. Quando da morte de Lampião havia ido com os dois irmãos Atividade e Velocidade buscar uns mosquetões e umas munições.

Vinte e Cinco vem de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs e depois seu pai casou novamente e nasceram mais cinco homens e três mulheres. Quando acabou o cangaço e se entregou com alguns companheiros em Poço Redondo, Sergipe, acabou ficando preso por quatro anos em Maceió e dentro da cadeia começou a estudar, quando recebeu o alvará de soltura conseguiu entrar no estado como Guarda Civil, conseguindo a vaga através de um amigo. Quando o governador Ismar de Góis  Monteiro descobriu que ele havia sido cangaceiro convocou o secretário de Justiça do Estado, o senhor Ari Pitombo e disse que não podia ficar com ele na guarda pois ele havia sido cangaceiro, o secretário procurou o chefe da guarda, o major Caboclinho e o major disse que ele era entre os 38 guardas o melhor profissional que ele tinha. 

O Secretário resolveu fazer um concurso entre eles e José Alves contratou duas professoras, esqueceu as festas e curtições e foi estudar bastante o que lhe rendeu o primeiro lugar na primeira fase, na segunda fase se classificou entre os melhores e quase foi reprovado na parte de tiro, pois era acostumado com o Parabellun e teve que atirar com um 38, só passando depois que atirou com o parabellun e acertou o alvo, depois de duas sequencias de erros com a outra arma. Hoje José alves de Matos é aposentado como funcionário público estadual.


João de Sousa Lima, José Alves de Matos e Josué Santana.


José Alves com sua família, a esposa Mariza, as filhas Dilma e Dalma, o genro Givanildo, a neta Juliana, o neto João Pedro e a bisneta Maria Eduarda.


José Alves e a esposa Mariza


Vinte e Cinco e João de Sousa Lima


Cobra Verde - Vinte e Cinco - Peitica - Maria Jovina - Pancada
Vilanova - Santa Cruz - Barreira


Vinte e Cinco, Cobra Verde e Santa Cruz
 (sobrinho de Vinte e Cinco, filho de sua irmã Joaninha, esse cangaceiro era irmão do também cangaceiro Zepellin).


Corisco e Vinte e Cinco


Outra foto das entregas dos cangaceiros onde aparece o 
Vinte e Cinco (nº 6).


Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço:
João de Sousa Lima

O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ: COMO ERA A CIDADE NA ÉPOCA DA INVASÃO

Por: Honório de Medeiros
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Em 1926, com mandato previsto até 1928, era Presidente da Intendência[1] de Mossoró, Rodolpho Fernandes de Oliveira Martins, tendo como Vice seu parente próximo Hemetério Fernandes de Queiroz. Os outros intendentes eram Luís Colombo Ferreira Pinto, Francisco Clemente Freire, Antonio Teodoro Soares Frota, Manuel Amâncio Leite e Francisco Borges de Andrade.


Mossoró, segundo Raul Fernandes[2], em 1927 competia com Natal, a capital do Estado. Enquanto esta tinha 30.600 habitantes, aquela possuía 20.300. 

A denominada “Capital do Oeste” era ligada ao litoral por uma estrada de ferro que se estendia até o povoado de São Sebastião, atual Dix-Sept Rosado, na direção Oeste, percorrendo quarenta e dois quilômetros, enquanto, por ela, estradas de rodagem convergiam de vários recantos, percorridas por caminhões que, aos poucos, substituíam o transporte animal. 

Possuía a cidade o maior parque salineiro do país. Três empresas descaroçavam e prensavam algodão, produto denominado, na época, e por muito tempo ainda, de “ouro branco[3]”. 

Centro comercial importante, em Mossoró se comprava peles, algodão e cera de carnaúba. Exportava-se, pelo porto de Areia Branca, tudo quanto era trazido pelos longos comboios de mercadorias chegados do interior da Paraíba e do Ceará, que voltavam levando sal e produtos oriundos de centros mais avançados. 

Havia energia elétrica, que alimentava várias indústrias nascentes, assim como repartições públicas federais e estaduais, além da agência do Banco do Brasil, que era o único estabelecimento de crédito da região. 

Na cidade circulavam três jornais: ‘O Correio do Povo’, o ‘Nordeste’, e ‘O Mossoroense’, este o mais antigo do Município, e um dos mais antigos do Brasil, fundado em 1872. O ensino era ministrado por intermédio de estabelecimentos para ensino secundário – a Escola Normal e a de Comércio, e em dois colégios com internato – o Diocesano Santa Luzia para rapazes, e o Sagrado Coração de Maria, dirigido por religiosas franciscanas, portuguesas, para moças.

PERFIS

Dona Bernadete – Maria Bernadete Leite Duarte – guardava, aos oitenta e cinco anos, a beleza dos traços que a fotografia – tirada no verdor de sua mocidade – pousada em cima da cristaleira antiga, muito bem conservada, revelava.

Ela nos recebeu a mim, Carlos Duarte e Cleilma Fernandes, estes do jornal mossoroense “Página Certa”, e Paulo Gastão, fundador da Sociedade Brasileira de Estudo do Cangaço – SBEC, em sua residência, no dia 18 de dezembro de 2006, em um final de tarde tipicamente sertanejo, tornado mais fresco pela presença do vento Nordeste e mais agradável pelo lanche com o qual nos brindou após a entrevista.

Dona Bernadete é filha de Manoel Duarte, um dos heróis da resistência a Lampião em Mossoró.

“Nasci em Mossoró”, diz-nos ela,“em 1921, e aqui morei até 1950.

Quando completei quinze anos fui estudar na Escola Doméstica em Natal. Minha mais antiga lembrança de Mossoró é dos meus pais. Minha infância foi igual à de todas as crianças daquela época: pulei corda, brinquei de roda, de boneca, gostava de bonecas de pano, fazia teatrinhos, aperreava o pavão de Dona Filomena de Seu João Carrilho...

Dormíamos cedo, às 19h00min. Tomávamos café da manhã às 07h00min, almoçávamos às 11h00min e jantávamos às 17h00min. Comíamos pão, biscoito, leite de vaca, ovos, cuscuz, coalhada no café da manhã; feijão de arranque temperado com carne, cebola, alho, coentro, cominho, arroz, farofa no almoço; mugunzá, cuscuz, coalhada no jantar. Comíamos frutas e bolachas pretas.

Já mocinha, escutávamos, enquanto arrodeávamos a Praça do Pax, a banda no coreto. Os rapazes ficavam em pé, de frente para a parte interior da praça. Às 21h00min todo mundo ia embora.

Freqüentávamos o Clube Ipiranga e íamos ao cinema diariamente com meu pai, Manoel Duarte. Eu adorava os musicais. Gostava também muito de ler historinhas, o "Tesouro da Juventude".

Quando eu estudei em Natal, na Escola Doméstica, saia nos finais-de-semana para a casa da esposa de Rodolpho Fernandes. Lembro-me da passagem do Zeppelin e do Hindenburgo por Natal. O Hindenburgo, que era mais grosso, ficava parado, suspenso no ar e soltava malas para o pessoal da terra.

Quando da invasão de Mossoró papai levou a família para Tibau e voltou para participar da resistência. Rodolpho Fernandes era compadre de papai, padrinho de meu irmão Antônio Leite Duarte.

Nunca ouvi falar na história de Massilon ser apaixonado por Julieta, filha de Rodolpho.

 Papai ficou na casa de Rodolpho, na parte de cá (que dava para a Igreja de São Vicente) e havia outros na Igreja. Estes não alcançavam os cangaceiros postados na parede lateral da casa de Alfredo Fernandes, esquina com a Avenida Alberto Maranhão, mas apontaram Colchete que já estava com uma garrafa de querosene na mão para jogar nos fardos de algodão. Papai atirou em Colchete e Jararaca. Muita gente correu da luta.”

Dona Iracema – Iracema de Assis Duarte – com seus oitenta e poucos anos, magra, espigada, alerta, faz coro ao depoimento de Dona Bernadete.

Estamos na calçada em frente à casa na qual ela mora sozinha. Não quer sair de lá, em hipótese alguma, e se render ao chamado dos filhos.

É o dia 19 de dezembro de 2006 e estamos quase ao lado da histórica sede da Prefeitura Municipal de Mossoró, antiga residência de Rodolpho Fernandes, na Avenida Alberto Maranhão, cujo tráfego, mesmo àquela hora crepuscular, não esmorece. Passantes vão e vêm. Não se dão conta de que há setenta e nove anos atrás o movimento, naquela avenida, se deu por motivos bem diferentes dos habituais.

“A casa em frente à de Alfredo Fernandes era de João Hollanda”,lembra Dona Iracema. “Os fundos davam para a casa de João Marcelino – o médico que cuidou de Jararaca.

Naquele tempo, no entorno da Igreja de São Vicente havia a casa da esquina da Rua Francisco Ramalho com a Alberto Maranhão do lado de cá (no alinhamento da Igreja); havia a minha casa (várias geminadas vizinhas ao palacete de Rodolpho), a de seu Artur Paula (palacete cuja frente dava para a lateral da casa em frente aos fundos da Igreja)[1], a casa onde hoje funciona a Escola 13 de Junho, outra de umas catequistas...

Não havia pudim, bolo, doces na minha infância. Era rapadura, cocada, pão doce, bolacha preta. Galinha aos domingos. Coalhada de manhã para o pai. Não havia o hábito da verdura. A hora das refeições era essa mesma que Bernadete falou. E as brincadeiras também. Meninos não participavam. As brincadeiras: escravos de Jó, tique, esconde-esconde, teatro infantil (representavam contos de fadas).

O cinema era o Almeida Castro, no Grande Hotel. Esse Grande Hotel concentrava a nata da sociedade nos grandes eventos. Os filmes eram mudos.

Manoel Duarte, um homem muito sério, achava graça com os retratos dos heróis nas trincheiras. Dizia que a máquina fotográfica era muito boa, pegava fulano e sicrano em Areia Branca... Zé Otávio – o que fotografou as trincheiras – era o fotógrafo da época. Os Fernandes[2] eram os ricos de Mossoró. Dizia-se que Tertuliano era o mais rico.”

É dezembro de 2006. Irmã Aparecida nos recebe, a mim e a Carlos Duarte, em seu gabinete no Colégio Sagrado Coração de Maria – o Colégio das Freiras, onde estudaram e estudam as filhas das elites de Mossoró, geração após geração.

Irmã Aparecida tem o mesmo tipo físico de Dona Bernadete e Dona Iracema. Nela, entretanto, o hábito de comandar se deixa perceber através das frases pontuadas de forma mais incisiva, como a evitar contestações. Irmã Aparecida, apesar da idade, ainda comanda o Colégio. Nada leva a crer, observando-se sua agilidade física e mental, que a aposentadoria esteja próxima.

“Merendávamos às 09h00min: coalhada, copo de leite, ovos batidos, fubá de milho com mel, ou gema de ovo com mel de abelha. Almoçávamos às 11h00min. Não se conhecia feijão preto e não se comia bode porque fedia. Comia-se melhor no campo que na cidade. Nas refeições, silêncio: era preciso manter-se o respeito.

À mãe competia a educação. O pai quase nunca se metia. Os castigos: ficar atrás do guarda-roupa e a palmatória. A educação era feita através da tradição oral: não mentir, por exemplo. Rezava-se o ofício, particularmente, todos os sábados. Mas não se misturava moral com religião.

A diversão dos homens era jogar sueca. A dos meninos irem para o terreiro. Líamos, quando muito, os livros didáticos. Assistíamos filmes mudos pelo menos duas vezes por semana.

As grandes famílias de Mossoró eram os Fernandes, os Leite, os Duarte. Ainda não havia Rosado. Não se sabia quem eles eram. Os ricos eram Costinha Fernandes, João Marcelino, Miguel Faustino, Tertuliano Fernandes...

Entretanto tão instigante quanto essas entrevistas a respeito da Mossoró da década de 20 do século passado é a leitura das “Memórias” de Sebastião Gurgel[3].

Em seu diário, no qual começa, no ano da invasão de Mossoró, portanto escrevendo em março de 1927, alude, desde logo, à inauguração, em 1º de novembro de 1926, do serviço da estrada de ferro Mossoró/São Sebastião (atual Governador Dix-Sept Rosado).

Informa que o inverno está sendo bom e que a estrada de ferro progride até Caraúbas.

Em julho noticia a invasão de Apodi por Massilon, a 10 de maio, e a de Mossoró, a 13 de junho, por Lampião e seu bando.

É avaro nas informações e mais ainda na análise do fato.

“Convém”, escreve ele em seu diário, “consignar um voto de louvor aos Srs. Cel. Rodolfo Fernandes, prefeito da cidade, Julio Maia, que melhor que outro qualquer dirigiu a defesa, Mirabeau Melo[4] que como encarregado do telégrafo, prestou enormíssimo serviço, Dr. Gilberto Studard Gurgel, tenente Abdon Nunes, Cornélio Mendes, João Fernandes, etc.”

E acrescenta, irônico: “Eu, já se sabe, nestas ocasiões, sou sempre o herói da retirada”.

Ainda em julho relata um acontecimento “sensacional – o casamento de Monsenhor Almeida Barreto com a senhorita Maria Nazareth de Oliveira.”

Imaginemos o impacto que tal acontecimento deve ter suscitado na provinciana Mossoró do início do século XX!

Somente em outubro de 1927 Tião Fernandes volta a escrever em seu diário. Critica o governo do Ceará por não tomar providências contra o cangaço. Registra ter deixado suas duas filhas em Natal, para estudarem na Escola Doméstica. Em dezembro, no dia 4, lembra que

“Em virtude de uma lei séria que garante o voto à mulher, nesta semana (passada) requereu o título de eleitora do município, a professora dona Celina Viana, sendo ela a primeira eleitora do Brasil.”

 E, também, que

 “Em substituição do presidente da intendência Rodolfo Fernandes que morreu no dia 10 de setembro, foi eleito para o mesmo lugar Luiz Colombo Ferreira Pinto.”


[1] A casa onde residia Joaquim Perdigão, casado com Julieta Fernandes, filha de Rodolpho Fernandes.
 
[2] Em curiosa crônica escrita para “O Mossoroense”, em 12 de março de 1950, assim se refere aos Fernandes, ao aludir a Mossoró e seus capitalistas, Djalma Maranhão: “Fortunas imensas cimentadas no comércio do algodão e na indústria do sal. Vicente Fernandes eAlfredo Fernandes, capitães de indústria, legando aos seus descendentes Paulo, Pedro, Ezequiel, Xavier, Ademir e mais uma dúzia de jovens milionários, uma organização que é um verdadeiro estado dentro do Estado do Rio Grande do Norte;” (“NOVAS IMAGENS DE MOSSORÓ”; MAIA, Jerônimo Vingt-um Rosado; Coleção Mossoroense; Volume CVIII; 1980; Mossoró, Rn).


[3] “MEMÓRIAS DE UM COMERCIANTE E BANQUEIRO (DIÁRIO)”; GURGEL, Sebastião; Coleção Mossoroense; Série “C”; volume 1293; novembro de 2002; livro III; Mossoró, Rn.

[4] A quem se refere Paulo Fernandes, filho de Rodolpho Fernandes e ex-Prefeito de Mossoró, de forma acrimoniosa, em carta transcrita neste livro endereçada a Nertan Macedo.

[1] Prefeito, à época.

[2] “A MARCHA DE LAMPIÃO”; FERNANDES, Raul; 2ª. EDIÇÃO; Ed. Universitária – UFRN; 1981; Natal, Rn. 


[3] “No Rio Grande do Norte, a produção algodoeira do século XX refletiu todos os momentos de favorabilidade ou não das conjunturas.
 
                Confiantes na crescente demanda do produto e na consequente elevação dos preços, os grandes e pequenos proprietários do Seridó, Oeste e Trairi encheram suas terras com a lucrativa malvácea. Por causa dos seu alto valor, o algodão passou a ser chamado de ‘ouro branco’. Um município seridoense recebeu essa denominação, em 1918, para homenagear a planta tão valorosa (SOUZA, Itamar de; “A REPÚBLICA VELHA NO RIO GRANDE DO NORTE”; EDUFURN – Editora da UFRN; 1ª edição; Natal; 2008).


Extraído do blog do professor e pesquisador do cangaço: 
Honório de Medeiros

terça-feira, 28 de agosto de 2012

As trincheiras de Rodolfo, em 1927: IV-Tertuliano, Fernandes & Cia.

Imagem 01 - Armazéns da firma Terliano, Fernandes & Cia. 1975

A quarta trincheira de defesa da cidade de Mossoró, em 1927, foi montada nos armazéns da firma Tertuliano, Fernandes & Cia, imagem 01, que Raul Fernandes, na obra abaixo, assim a descreve:

"Os dez armazéns conjugados da firma ocupavam o lado norte da praça Felipe Guerra. A fim  de protegê-los, colocaram no sobrado, 160, a leste da praça, seis trabalhadores com cinquenta balas cada um - João Manoel Filho, Antônio Juvenal, João Ferreira da Silva, Luiz Chico, José Manoel e Francisco Canuto. A segunda trincheira fora organizada no sobrado, dormitório dos empregados, na esquina da rua Cel. Gurgel com a Frei Miguelinho. Formada por Manoel Sabino Lima, Francisco Campos Nogueira, Sérgio Queiroz, Francisco Porto, Pedro Maia e Monte Belo. Pouco antes do assalto, chegaram uns comboeiros com rifles, e dez balas cada um. Outra parte do pessoal de Tertuliano foi para a trincheira de Rodolfo."

Próxima trincheira ser postada - Trincheira V

Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.Fontes: FERNANDES, Raul. ( 09-09-1908-1998). A Marcha de Lampião, Assalto a Mossoró. 7a. edição, Coleção Mossoroense, Volume 1550,  Fundação Vingt-un Rosado, outubro de 2009; Fonte do  arquivo fotográfico P&B - Azougue. Provável autor da fotografia 01: Manuelito Pereira, (1910-1980);  Índice das Matérias Publicadas em Memória Fotográfica. 

 Escrito por Copyright@Télescope

NA TRILHA DE LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE


Por: Marinalva Freire da Silva

“Lampião contra o Mata Sete” é a obra mais recente do escritor Archimedes Marques, Jurista, Delegado da Polícia Civil de Sergipe, exímio estudioso de Virgulino Ferreira da Silva, O Lampião.


A obra referida trata de uma réplica fundamentada de “Lampião, o Mata Sete”, de Pedro de Morais que, no afã  de ibope, de causar sensacionalismo, atribui a Lampião qualidades não inerentes a um cangaceiro que liderou o nordeste brasileiro, causando terror por onde passava com seu bando. Como se não bastasse, atribui 


a Maria Bonita todas as qualidades que denigrem a  honra feminina.

Como se sabe, há vários estudiosos que trilham a rota do cangaço, principalmente a do chefe maior, Lampião, posto que, conforme registra a História, tratava-se de um bandido cruel, sanguinário, frio, em busca de “justiça com as próprias mãos”, o que é condenável pela justiça, pois violência gera violência.

Mesmo com esses atributos comprovados, não se pode atribuir a tal conduta a homossexualidade, que nada tem a ver com cangaço, pelo menos no caso de 


Lampião e seu bando, pois não condiz com o homem valente, corajoso, implacável, que foi a personagem em destaque.

A História da Humanidade não pode mudar seu curso, digo, não pode ser narrada pela contramão dos fatos sob pena de não mais representar o marco de uma  determinada época. E quando alguém se dispõe a registrar os fatos que não o faça à revelia de sua imaginação como o fez o autor da obra contestada porque causam muitas polêmicas desnecessárias, levando-se em consideração que “contra os fatos não há argumento”. E os perfis de Lampião e Maria Bonita estão traçados na contramão dos fatos, sem as devidas provas que justifique tal leviandade.  

O que me admira em relação ao autor Archimedes Marques é a coragem e a lisura com que contra-argumenta os posicionamentos infundáveis do autor de “Lampião, o Mata Sete”; utiliza-se aquele uma linguagem simples, correta, jornalística, citando as inverdades da obra com fundamentos de um pesquisador nato, ou seja, dentro da ética de um estudioso de seu porte. Dessa forma, reconstitui a verdadeira história do cangaço cujo personagem principal foi Lampião, devolvendo à História seu verdadeiro objetivo, qual seja, retratar os fatos como ocorreram sem paixão nem ódio, mas dentro dos parâmetros da ética de um pesquisador de envergadura, que sabe onde deve m ser colocados os pontos nos is. 

Parabéns, portanto, ao escritor Archimedes Marques, que erigiu com sabedoria e imparcialidade o monumento “LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE”, obra que deve compor as estantes, principalmente, dos historiadores.  Aconselho, pois, a leitura da Obra.
                
João Pessoa, 25 de agosto de 2012

Marinalva Freire da Silva
Escritora. Membro da APEESP/SP; UBE/PB; AFLAP
Delegada de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana

Enviado pelo Delegado de Polícia Civil no Estado de Sergipe, escritor e pesquisador do cangaço:
Dr. Archimedes Marques

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