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domingo, 30 de março de 2014

O CANGAÇO - UM ASSUNTO POLÊMICO.- SUPOSTO FILHO DE LAMPIÃO

Por João de Sousa Lima

Vasculhando as fontes que trazem alguma ligação com o cangaço, acabo de descobrir outro filho de Lampião, na cidade de Chorrochó, Bahia. Ele é família dos famosos "Engrácias", as primeiras pessoas que mantiveram contato com Lampião quando ele entrou no Estado da Bahia, tendo vários membros dessa família seguido os cangaceiros.

Alguns se tornaram famosos, como: Cirilo de Engrácia, Antônio de Engrácia, Zé Sereno, Zé Baiano, Arvoredo e Corisco.

Da família dos "Engrácias" um dos grandes coiteiros de Lampião nessa região foi João Ramos de Souza, conhecido por todos como Joãozinho. Entre as filhas desse coiteiro Lampião se engraçou da jovem Helena e com ela teve um caso, poucos dias depois a menina-moça apareceu grávida e o Rei do Cangaço para resguardar a honra da jovem e não desmoralizar a família que tanto lhe dava guarida, tomou uma rápida e sábia decisão: Pagou uma alta quantia a um rapaz, Simão Alves dos Santos, para que ele casasse com Helena e assumisse a paternidade do filho do cangaceiro. 


Simão topou o acordo e assim foi feito, nascendo a criança no dia 13 de agosto de 1930, sendo batizada com o nome de José Alves dos Santos. O parto foi realizado por dona Lídia, mãe do cangaceiro Zé Sereno. Durante muito tempo as conversas sobre esse caso foram mantidas em segredo, temendo a população que Lampião fosse sabedor que a conversa havia se espalhado.

Quando Lampião morreu e o cangaço se extinguiu as brincadeiras começaram a surgir, e os amigos de José Alves sempre o perturbavam relacionando-o como filho de Lampião. Os comentários tornaram-se frequentes, e as pessoas de mais idade sempre tocavam no assunto. 

José Alves dos Santos ainda encontra-se vivo e residindo em Chorrochó, nas mesmas terras onde seus pais o criaram, estive recentemente com ele onde realizei extensa entrevista e ele concordou em fazer um exame de DNA, para realmente comprovar o que os fatos indicam. 

Os testes estão em andamento e só o tempo dirá se ele é realmente mais um filho gerado nas caatingas do Sertão Nordestino, mais um rebento descendente de Lampião, mais um fruto evidenciado de um farto capítulo da nossa história recente, a história do Cangaço, capítulo ainda tão latente, tão presente nos carrascais do nosso povo do Sertão.

João de Sousa Lima é escritor e pesquisador do cangaço.

Página facebook- Geraldo Júnior

Solicitação:

Escritor João de Sousa Lima:

Nós, leitores do cangaço solicitamos do pesquisador informações sobre o resultado dos exames de "DNA" do José Alves dos Santos, suposto filho de Lampião com a Helena.

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O CANGAÇO - A MORTE DO CANGACEIRO SABINO DAS ABÓBORAS





Baseado em depoimento da cangaceira Dadá (que ouviu de Lampião) em que conta os detalhes da morte de Sabino, ocorrida em 15 de março de 1928, nas proximidades da Fazenda de Antonio da Piçarra, no Estado do Ceará.

A cangaceira Dadá - O blog do Mendes e Mendes não conhecia esta foto de Dadá

SABINO saiu ferido, após intenso tiroteio naquela fazenda, com as volantes de Manoel Neto, Tenente Eurico Rocha (Cearense) e Arlindo Rocha.

Após alguns dias do combate e da fuga, o citado cangaceiro, mortalmente ferido e sem chance de sobreviver, tentou se suicidar, utilizando o próprio parabelum, mas seus companheiros, haviam retirado as balas. 

Ele disse que estava quase morto e atrapalhando a fuga do grupo, e pediu a Lampião para que o eliminasse. 

Tendo o chefe dos cangaceiros dito:

- Ficaremos juntos, e não vou abandoná-lo...
 
Tendo Sabino retrucado:

- Se você é meu amigo, acabe com meu sofrimento...

Lampião, disse-lhe:

- Eu não faço isso com um amigo...
 
Nenhum cangaceiro se dispôs a atender o pedido de Sabino, até que o cangaceiro Mergulhão disse que atenderia o pedido, no que concordou Lampião.

Ao lado do Capitão Lampião está o que restou dos seus melhores homens: Ponto fino (Ezequiel, seu irmão), Moderno (Virgínio, seu cunhado), Luiz Pedro (seu lugar tenente), Antonio de Engracia, Jurema, Mergulhão e por ultimo, Corisco.

Sabino pediu alguns minutos, rezou, colocou um pano sobre os olhos e disse:

- Estou pronto!

 Mergulhão aproximou-se, e, sem vacilar, deu-lhe o tiro de Misericórdia. 

Texto do pesquisador e colecionador do cangaço Ivanildo Alves Silveira

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Geraldo Júnior

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O CANGACEIRO SABINO E O CABOCLO D’ÁGUA

Por Cabo Francisco Carlos Jorge de Oliveira


Nordeste brasileiro 22 de junho de 1926 17:15h, Sabino Gomes liderava uma pequena tropa de cinco cangaceiros montados, que se deslocavam precavidos por uma vereda estreita e barrenta paralela à estrada principal que ligava as cidades de Canindé do São Francisco à Poço Redondo, ambas no interior do estado de Sergipe, pois cavalgavam com destino à um coito próximo às barrancas do Rio São Francisco. Era por volta das 21:00h quando chegaram ao determinado lugar, e o coiteiro que já lhes aguardava, acolheu e os abrigou em um casarão retirado quase oculto, entre os arvoredos da propriedade, enquanto o vaqueiro foi saciar e alimentar as suas montarias, eles se deitaram para descansar um pouco.

Havia chovido muito naquela manhã, e durante o dia inteiro o tempo ficou nublado, vindo a estiar só quando escureceu, e assim, o céu negro estrelado parecia um grande alvo fixado no espaço sideral, atingido por inúmeros projéteis prateados de milhares de mosquetes disparados rumo ao infinito no além. O vento gélido vindo lá das bandas do Velho Chico, açoitava lá fora, como se fosse uma guasca gaúcha, aumentando ainda mais a fome e o apetite, nisso chega de volta o tal coiteiro junto ao empregado, trazendo um caldeirão de pirão quente e bem apimentado com grandes nacos de carne seca cosida; também um garrafão contendo uns três litros de pinga da boa, feita no próprio alambique da fazenda. Após os cabras se fartarem com a comida e a bebida, Sabino montou uma guarda com os cangaceiros, que se revezaram em turnos de duas horas cada um, até ao amanhecer, e os demais adormeceram aconchegados sobre o capim seco e quente espalhado pelo chão daquele estábulo.

No alvorecer da manhã seguinte, quando o rei do terreiro anunciava cantando o despertar do novo dia, Sabino Gomes reuniu seus cabras, e após tomarem um saboroso  café com broa de milho, arriaram suas cavalgaduras e partiram com o intuito de se juntarem ao bando de Corisco, em um outro coito naquela mesma região. E assim, eles cavalgaram o dia inteiro, e bem à tardinha, quando estavam próximos à uma estalagem, isto é; venda de beira de estrada, foram surpreendidos, sendo recebidos a tiros por um pelotão composto de vinte militares volantes que se encontravam acantonadas naquele lugar. Formou-se então um tiroteio cerrado, que durou cerca de vinte minutos, com baixas de ambos os lados. Os cangaceiros por estarem em menor número, e ainda mais expostos, foram quase dizimados, sofrendo três baixas e, um cabra que ficou gravemente ferido, foi cruelmente assassinado, tendo a cabeça decepada ainda vivo, logo após ser preso pela implacável força policial volante. O chefe Sabino e um cangaceiro novato por nome de Gitirana, lutaram e resistiram bravamente durante a maior parte do confronto, mas se vendo em desvantagem, para não morrerem, ou serem capturados, debandaram-se, abandonando o prélio. Sabino e seu comparsa apartaram-se ao escaparem, correndo ora rastejando como teiús pelas caatingas, com as balas dos fuzis da polícia penteando seus cabelos, e mesmo assim, milagrosamente lograram êxito ao fugirem.


Era plenilúnio e Sabino Gomes andou quase a noite toda, mas foi por volta das 02:20h, que ele chegou no terreiro de um ranchinho, às margens do Rio São Francisco, os cães latiam  ao seu redor, e o cangaceiro cauteloso, chamou por várias vezes, mas, só após algum tempo, foi que o pescador tímido e desconfiado, respondeu oculto lá de dentro da pequena habitação.

Sabino então pediu ajuda, e até ofereceu dinheiro para que o homem o conduzisse até o outro lado do rio, mas, o tal caboclo gaguejando e com muito medo, de dentro da moradia,  autorizou o cangaceiro que pudesse sim, pegar sua canoa e atravessar o rio com ela, e chegando no outro lado; que a deixasse amarrada junto com as demais, pois no dia seguinte, seu compadre traria a embarcação de volta para o mesmo. Sabino estava cismado, com fome, muito frio e com as roupas esfarrapadas, toda encharcada de orvalho, ainda encontra-se parcialmente inerme isto é; encontrava-se somente com um velho facão que ficou na bainha, presa no cinto em sua cintura, pois as armas de fogo; ele as perdera durante a fuga.

Sabino desceu até às margens do grande rio, e desamarrando uma das canoas, embarcou e remou calmamente, fazendo a pequena embarcação deslizar suavemente na plenitude de suas águas tácitas, enquanto a lua cheia deslumbrante, mostrava sobre elas todo o seu  esplendor. O cangaceiro estava quase atingindo o meio do rio, quando escutou a poucas  jardas de si, um assobio que lhe doeu os miolos, mas pensando em ser algum pescador do  outro lado ignorou e seguiu, remando então mais algumas braças, viu emergir em sua frente sobre o lume prateado no rio, um homem negro e barbudo, igual um bugio, tinha dois olhos  verdes flamejantes, dentes branquíssimos com grandes presas pontiagudas, orelhas eretas e  pontudas, de ventas bem expostas, e que assobiando novamente para o seu lado, submergiu. Assustado e com o corpo arrepiado os cabelos de Sabino, quase lhe derrubaram o chapéu, quando ele viu o tal homem despontar mais lá na proa, agarrando e sacudindo a velha canoa, rugindo como uma leoa, tentando virá-la de lado, para depois lhe matar afogado, deixando assim seu destino selado. Diante do fato, Sabino atônito, não sabia o que fazer, e quando o monstro já estava quase virando sua embarcação, ele se lembrou do facão, e ágil igual a um furão, com a arma amolada na mão, desferiu um golpe ligeiro, contuso e certeiro, atingindo e seccionando o braço da fera. A besta então solta um urro de dor e foge, mergulhando para as profundezas, deixando um vermelhão de sangue sobre as águas caudalosas e prateadas do Velho Chico. Sabino então rema, rema e rema sem parar, até na outra margem chegar, e  na terra firme ao pisar; alivia-se ao respirar, e amarrando a canoa em um tronco, junto com  as demais, se embrenha em seguida nas caatingas alagoanas, fugindo da perseguição de todos aqueles que são seus inimigos.

No régio crepúsculo lusco-fusco daquela fria manhã junina, antes que o socó sobrevoasse sereno às barrancas do rio perene, os pescadores e demais ribeirinhos, ao saírem para dar início às suas atividades do dia, encontraram amarrada em um tronco junto às demais, uma surrada canoa de pau-caixeta, com um velho facão Collins, todo ensanguentado cravado na sua  borda; e mais abaixo em seu assoalho sobre um manto purpúreo de sangue coalhado, uma enorme mão negra e peluda com membranas entre os grandes dedos que apresentavam descomunais garras curvas e afiadas, outrossim, no espraiado; as pegadas que ficaram nas areias mostrando que alguém apressado fugiu seguindo em direção à inóspita vegetação do sertão nordestino. 

Amigo Mendes, aqui vai mais uma das minhas “Historias que meu povo conta”. Se é real, caberá a vocês leitores, analisarem e na mais sublime empatia, tirarem as suas conclusões.

Cabo Francisco Carlos “Saudações militares”. 

Enviado por:
Francisco Carlos Jorge de Oliveira,
Cabo da Polícia do Paraná.

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O CANGACEIRO SABINO E O CABOCLO D’ÁGUA

Por Cabo Francisco Carlos Jorge de Oliveira


Nordeste brasileiro 22 de junho de 1926 17:15h, Sabino Gomes liderava uma pequena tropa de cinco cangaceiros montados, que se deslocavam precavidos por uma vereda estreita e barrenta paralela à estrada principal que ligava as cidades de Canindé do São Francisco à Poço Redondo, ambas no interior do estado de Sergipe, pois cavalgavam com destino à um coito próximo às barrancas do Rio São Francisco. Era por volta das 21:00h quando chegaram ao determinado lugar, e o coiteiro que já lhes aguardava, acolheu e os abrigou em um casarão retirado quase oculto, entre os arvoredos da propriedade, enquanto o vaqueiro foi saciar e alimentar as suas montarias, eles se deitaram para descansar um pouco.

Havia chovido muito naquela manhã, e durante o dia inteiro o tempo ficou nublado, vindo a estiar só quando escureceu, e assim, o céu negro estrelado parecia um grande alvo fixado no espaço sideral, atingido por inúmeros projéteis prateados de milhares de mosquetes disparados rumo ao infinito no além. O vento gélido vindo lá das bandas do Velho Chico, açoitava lá fora, como se fosse uma guasca gaúcha, aumentando ainda mais a fome e o apetite, nisso chega de volta o tal coiteiro junto ao empregado, trazendo um caldeirão de pirão quente e bem apimentado com grandes nacos de carne seca cosida; também um garrafão contendo uns três litros de pinga da boa, feita no próprio alambique da fazenda. Após os cabras se fartarem com a comida e a bebida, Sabino montou uma guarda com os cangaceiros, que se revezaram em turnos de duas horas cada um, até ao amanhecer, e os demais adormeceram aconchegados sobre o capim seco e quente espalhado pelo chão daquele estábulo.

No alvorecer da manhã seguinte, quando o rei do terreiro anunciava cantando o despertar do novo dia, Sabino Gomes reuniu seus cabras, e após tomarem um saboroso  café com broa de milho, arriaram suas cavalgaduras e partiram com o intuito de se juntarem ao bando de Corisco, em um outro coito naquela mesma região. E assim, eles cavalgaram o dia inteiro, e bem à tardinha, quando estavam próximos à uma estalagem, isto é; venda de beira de estrada, foram surpreendidos, sendo recebidos a tiros por um pelotão composto de vinte militares volantes que se encontravam acantonadas naquele lugar. Formou-se então um tiroteio cerrado, que durou cerca de vinte minutos, com baixas de ambos os lados. Os cangaceiros por estarem em menor número, e ainda mais expostos, foram quase dizimados, sofrendo três baixas e, um cabra que ficou gravemente ferido, foi cruelmente assassinado, tendo a cabeça decepada ainda vivo, logo após ser preso pela implacável força policial volante. O chefe Sabino e um cangaceiro novato por nome de Gitirana, lutaram e resistiram bravamente durante a maior parte do confronto, mas se vendo em desvantagem, para não morrerem, ou serem capturados, debandaram-se, abandonando o prélio. Sabino e seu comparsa apartaram-se ao escaparem, correndo ora rastejando como teiús pelas caatingas, com as balas dos fuzis da polícia penteando seus cabelos, e mesmo assim, milagrosamente lograram êxito ao fugirem.


Era plenilúnio e Sabino Gomes andou quase a noite toda, mas foi por volta das 02:20h, que ele chegou no terreiro de um ranchinho, às margens do Rio São Francisco, os cães latiam  ao seu redor, e o cangaceiro cauteloso, chamou por várias vezes, mas, só após algum tempo, foi que o pescador tímido e desconfiado, respondeu oculto lá de dentro da pequena habitação.

Sabino então pediu ajuda, e até ofereceu dinheiro para que o homem o conduzisse até o outro lado do rio, mas, o tal caboclo gaguejando e com muito medo, de dentro da moradia,  autorizou o cangaceiro que pudesse sim, pegar sua canoa e atravessar o rio com ela, e chegando no outro lado; que a deixasse amarrada junto com as demais, pois no dia seguinte, seu compadre traria a embarcação de volta para o mesmo. Sabino estava cismado, com fome, muito frio e com as roupas esfarrapadas, toda encharcada de orvalho, ainda encontra-se parcialmente inerme isto é; encontrava-se somente com um velho facão que ficou na bainha, presa no cinto em sua cintura, pois as armas de fogo; ele as perdera durante a fuga.

Sabino desceu até às margens do grande rio, e desamarrando uma das canoas, embarcou e remou calmamente, fazendo a pequena embarcação deslizar suavemente na plenitude de suas águas tácitas, enquanto a lua cheia deslumbrante, mostrava sobre elas todo o seu  esplendor. O cangaceiro estava quase atingindo o meio do rio, quando escutou a poucas  jardas de si, um assobio que lhe doeu os miolos, mas pensando em ser algum pescador do  outro lado ignorou e seguiu, remando então mais algumas braças, viu emergir em sua frente sobre o lume prateado no rio, um homem negro e barbudo, igual um bugio, tinha dois olhos  verdes flamejantes, dentes branquíssimos com grandes presas pontiagudas, orelhas eretas e  pontudas, de ventas bem expostas, e que assobiando novamente para o seu lado, submergiu. Assustado e com o corpo arrepiado os cabelos de Sabino, quase lhe derrubaram o chapéu, quando ele viu o tal homem despontar mais lá na proa, agarrando e sacudindo a velha canoa, rugindo como uma leoa, tentando virá-la de lado, para depois lhe matar afogado, deixando assim seu destino selado. Diante do fato, Sabino atônito, não sabia o que fazer, e quando o monstro já estava quase virando sua embarcação, ele se lembrou do facão, e ágil igual a um furão, com a arma amolada na mão, desferiu um golpe ligeiro, contuso e certeiro, atingindo e seccionando o braço da fera. A besta então solta um urro de dor e foge, mergulhando para as profundezas, deixando um vermelhão de sangue sobre as águas caudalosas e prateadas do Velho Chico. Sabino então rema, rema e rema sem parar, até na outra margem chegar, e  na terra firme ao pisar; alivia-se ao respirar, e amarrando a canoa em um tronco, junto com  as demais, se embrenha em seguida nas caatingas alagoanas, fugindo da perseguição de todos aqueles que são seus inimigos.

No régio crepúsculo lusco-fusco daquela fria manhã junina, antes que o socó sobrevoasse sereno às barrancas do rio perene, os pescadores e demais ribeirinhos, ao saírem para dar início às suas atividades do dia, encontraram amarrada em um tronco junto às demais, uma surrada canoa de pau-caixeta, com um velho facão Collins, todo ensanguentado cravado na sua  borda; e mais abaixo em seu assoalho sobre um manto purpúreo de sangue coalhado, uma enorme mão negra e peluda com membranas entre os grandes dedos que apresentavam descomunais garras curvas e afiadas, outrossim, no espraiado; as pegadas que ficaram nas areias mostrando que alguém apressado fugiu seguindo em direção à inóspita vegetação do sertão nordestino. 

Amigo Mendes, aqui vai mais uma das minhas “Historias que meu povo conta”. Se é real, caberá a vocês leitores, analisarem e na mais sublime empatia, tirarem as suas conclusões.

Cabo Francisco Carlos “Saudações militares”. 

Enviado por:
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Cabo da Polícia do Paraná.

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