Seguidores

Mostrando postagens com marcador Caldeirão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caldeirão. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Documentário Completo - Caldeirão de Santa Cruz do deserto de Rosemberg Cariry


Resgate da memória e da história da comunidade religiosa do Caldeirão, liderada pelo beato José Lourenço, que se organizava em moldes comunitários primitivos. Depois de alcançar grande progresso, a comunidade foi destruída pela polícia cearense e pelo bombardeio de aviões, em 1937, deixando mais de 2 mil camponeses mortos. A partir dos depoimentos dos remanescentes e dos símbolos da cultura popular, o filme faz uma reflexão sobre o poder, a liberdade e a luta pela terra.
 
Diretor: Rosemberg Cariry
Duração: 96 minutos
Ano de Lançamento: 1985

O filme foi encontrado no canal de Daniel C. Valentim no Youtube.

http://lampiaoaceso.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

DOCUMENTÁRIO


"O Caldeirão do Beato José Lourenço".
TV Assembleia do Ceará.
  
O Caldeirão de Santa Cruz do deserto foi um dos movimentos messiânicos que surgiu nas terras do Crato, Ceará. A comunidade era liderada pelo paraibano de Pilões de dentro, José Lourenço Gomes da Silva, mais conhecido por beato José Lourenço.

No Caldeirão, os romeiros e imigrantes trabalhavam todos em favor da comunidade e recebiam uma quota da produção. A comunidade era pautada no trabalho, na igualdade e na religião.

Apresentação: Robério Diógenes 

Participação especial dos pesquisadores e confrades de Cariri Cangaço Domingos Sávio Cordeiro e Sandro Leonel Tavares. 

Primeira parte


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Patre 5


Fonte: Canal da TV Assembleia no Youtube

http://lampiaoaceso.blogspot.com


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CAPITÃO JOSÉ GONÇALVES BEZERRA

Por Fernando Maia Nóbrega

“O senhor, Capitão, vai pagar caro”. o couro de Trancelim” (Severino Tavares)


Nome: José Gonçalves Bezerra
Nascimento: Sem informações
Morte: 10 de maio de 1937. –Sítio Conceição, Crato-Ce.
Motivo: Vingança
Acusados: Severino Tavares e Fanáticos do Caldeirão.

Antecedentes 

Por volta de 1890, chega a Juazeiro atraído pelos milagres ali ocorridos no ano anterior e pela fama de santidade do Padre Cícero um paraibano de nome José Lourenço da Silva.

De princípio, fixa-se na cidade e vai trabalhar como agricultor pelos sítios. Aos poucos vai se inserindo, de maneira marcante, na vida religiosa e se transforma em renomado beato.

Ao correr do tempo passa a ser admirado por sua capacidade de trabalho e inteligência. Observado pelo Padre Cícero é aconselhado a arrendar terras na região onde pudesse trabalhar por conta própria. Seguindo o conselho recebido, José Lourenço aluga um sítio, pertencente a João de Brito numa localidade chamada Baixa da Anta na cidade do Crato.
 



José Lourenço em foto do livreiro Luis Maia.


Na nova paragem fez grandes plantações de macaxeira, feijão, cana de açúcar de açúcar e inúmeras fruteiras. Em virtude de sua fama de caridoso e acolhedor de pobres, logo seu sítio recebe grande quantidade de fanáticos que lá foram morar em busca de trabalho e religiosidade.

Uma ou duas vezes por mês, José Lourenço, juntamente com seus moradores, ia a Juazeiro assistir missas e visitar o Padre Cícero. Em uma de suas idas, recebeu do reverendo um boi Zebu, chamado Mansinho, para ser criado na Baixa da Anta.

O animal foi cuidado com todo zelo e carinho pelos fanáticos, mormente por se tratar de uma doação feita pelo “Santo Padim Cícero”, como gostavam de se referir ao sacerdote. Aos poucos, a estima dedicada ao Boi Mansinho foi se transformando em adoração. Os chifres eram adornados com flores e fitas; sua urina transformada em remédio milagroso e as pontas das unhas em amuletos.
 


Monsenhor Joviniano Barreto, pároco de Juazeiro, denunciava às autoridades eclesiásticas da região que na Baixada Anta os fanáticos estavam se desviando da ortodoxia da Igreja Católica, e se praticando o fetichismo em total heresia aos cultos da Santa Igreja.  Blog do Sanharol  


Dr. Floro Bartolomeu atendendo os anseios do Monsenhor e evitar críticas
da imprensa, pôs fim no totemismo ao prender o Beato José Lourenço e mandar sacrificar o Boi Santo na presença de muitos fanáticos.

Em 1926, João de Brito, cedendo às pressões, desfaz o acordo de arredamento do sítio Baixa da Anta forçando o Beato José Lourenço ocupar uma propriedade do Padre Cícero conhecida como Caldeirão dos Jesuítas também localizada na cidade do Crato.

Exatamente como antes procedera, o Beato José Lourenço juntamente com 300 famílias faz grandes plantações de algodão, imensos canaviais, constrói dois açudes, ergue uma capela e várias casas no novo assentamento. Tudo que era produzido pertencia a todos inexistindo um dono exclusivo.

Em 1934, com a morte do Padre Cícero, muitos os sertanejos desamparados de um líder foram ter guarida nas terras do Caldeirão. Se havia falta de emprego no Cariri, nas terras do Beato,ao contrário, todo mundo trabalhava e mais ainda: o que era plantado ou criado pertencia à coletividade inexistindo a figura do patrão.
 


No seu inventário, o Padre Cícero deixara todas as terras que lhe pertenciam para os padres salesianos. E como a Igreja já se pronunciara contra as distorções religiosas praticadas na comunidade do Beato Zé Lourenço e, principalmente, tendo receio que os fanáticos se apoderassem das terras ocupadas, o bispo procurou um meio de expulsá-los de lá.
  
Usando o prestígio do seu partido político, a LEC – Liga Eleitoral Católica – representantes da Igreja pressionaram o governo para extinguir a comunidade do Caldeirão sob o argumento de uma possível célula comunista.

Reunidos no Palácio da Luz em Fortaleza:



O Governador do Estado, Dr. Menezes Pimentel  


Juntamente com...


Secretário de Estado Andrade Furtado. 


O Chefe de Polícia Cordeiro Neto e o...
 

Bispo do Crato D.Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva 


Decidiram acabar com o Caldeirão. (01)

A primeira atitude tomada pelo Chefe de Polícia foi enviar dois agentes secretos ao Caldeirão para se inteirar da realidade. O primeiro era um agente civil que se infiltrou como fanático; o outro era o Capitão Zé Bezerra que se passando por industrial dizia estar ali com o intuito de instalar uma usina de beneficiamento de oiticica.

Depois de dias de observação, embora não tenha verificado a existência de armas, o relatório do militar classificava a situação como “perigosa” e era favorável a sua desativação em virtude do caráter comunista na distribuição dos lucros.

Em setembro de 1936, sob o argumento que a comunidade do Caldeirão, com mais de 1500 habitantes, era uma ameaça ao Estado, um contingente de 150 policiais foi enviado para a desocupação do lugarejo. Enquanto os pobres sertanejos abandonavam suas casas, o Capitão Zé Bezerra, nomeado interventor do arraial, ordenou o desarmamento dos moradores, sendo encontrado somente instrumentos de trabalho: enxadas, foices e machados. Em seguida, deu-se o prazo de cinco dias para os casados abandonarem o local e dois aos solteiros. Por último, a polícia queimou os casebres, os depósitos de algodão e víveres. Consta que saqueou todo bem que tivesse e liquidez imediata.

Foi precisamente durante sua permanência na direção do Caldeirão que Zé Bezerra cometeu duas faltas gravíssimas aos olhos dos fanáticos: a tortura praticada numa mulher em meio a um interrogatório sobre o paradeiro de José Lourenço e ter causado a morte do cavalo Trancelim animal preferido do Beato. A revolta dos moradores se transformou em ódio e num sentimento perpétuo de vingança.

Após a expulsão, os fanáticos se reagruparam sob o comando do Beato José Lourenço em um lugar inóspito na Serra do Cariri que englobava dois sítios: Mata dos Cavalos e Curral do Meio.
 
A Morte do Capitão Zé Bezerra 


José Gonçalves Bezerra era reconhecidamente um homem bravo, corajoso, experiente policial, sendo o oficial escolhido pela Polícia Militar para combater o cangaço no Estado na segunda e terceira décadas do século translato.

A literatura cearense é pródiga em referência sobre o José Bezerra. Otacílio Anselmo eminente escritor caririense, oficial da polícia e contemporâneo do Capitão, o descreve como “(...) policial arbitrário e cruel”. O autor de “O Padre Cícero – Mito e Realidade” – diz ter presenciado uma surra aplicada por aquele policial em um cabo da polícia dentro do quartel da capital. (02).

Nertan Macedo, outro escritor, define o Capitão Zé Bezerra como “(...) um dos maiores bandidos autoridades que se teve notícias no Ceará.”. (03)

É bem verdade que na incessante procura a pistoleiros e cangaceiros no Ceará, verificada entre os anos de 1920 a 1930, coube na época aos Tenentes Peregrino Montenegro e Zé Bezerra a missão de exterminar banditismo no interior do Estado.

Ressalte-se que foi sob o comando de Zé Bezerra que ocorreu a “Tragédia das Guaribas”, onde Chico chicote e seus companheiros foram trucidados em 1927 em Brejo Santo - CE.



 

Ruínas da casa de Chico Chicote. Fotos de Manoel Severo. 


Entretanto, em que pese os inúmeros riscos de vida passados nas refregas contra cangaceiros, foi durante a pacífica tomada do Caldeirão em 1936, que o Capitão Zé Bezerra cometeu dois graves erros, os quais foram fundamentais para a execução de sua morte no ano seguinte. O primeiro, quando em um interrogatório sobre o paradeiro do Beato José Lourenço, Bezerra usou de meios torturantes ao queimar os seios de uma mulher com o charuto que fumava. O outro, talvez o mais grave aos olhos dos crentes, quando sob o efeito de bebida alcoólica, cavalgou o Trancelim, cavalo de estimação do Beato. Durante toda noite percorreu a região, açoitando o animal e às carreiras passava pelas ruelas do arraial. Recolhido à estrebaria, exausto o cavalo viria a morrer no outro dia. Ressalte-se que havia a crença entre os fanáticos, aceita como a mais pura verdade, que ao morrer o Beato subiria aos céus montado no Trancelim. O Capitão Zé Bezerra cometeu a heresia de profanar a religiosidade daquele povo.

Tempos depois, quando já ocupavam a Mata dos Cavalos, os moradores se dividiam em duas correntes de pensamento. De um lado, sob o comando teocrático e pacifista de José Lourenço, pregava-se o perdão aos responsáveis pela diáspora do grupo. Do outro, sob a liderança político-militar de Severino Tavares, clamava-se pela vingança e a reconquista do Caldeirão.

Os seguidores de Severino Tavares nutriam e armazenavam um ódio e um desejo de vindita contra o Capitão José Bezerra. Para a consecução de seu intento, tramaram um plano arrojado e inteligente que seria o de atrair o militar à Mata dos Cavalos e assassiná-lo! Uma cilada foi tramada e posta em prática.

Em maio de 1937, apareceu no quartel da polícia em Juazeiro um cidadão de nome Sebastião Marinho a procura do Capitão José Bezerra para apresentar uma queixa. Ao ser atendido pelo militar, informou que suas terras haviam sido invadidas pelos fanáticos do Beato José Lourenço e que é conhecedor de um plano de Severino Tavares de invadir e saquear a cidade do Crato. Embora muito experiente, o Capitão de nada desconfiou e tomou somente uma providencia antes da diligência: o querelante teria que ir com a polícia ao local.
 

No dia 10 de maio de 1937, formou-se uma volante com objetivo de ir a Mata dos Cavalos assim estruturada:
1 - Capitão José Bezerra
2 - 1º Sargento Anacleto Gonçalves Bezerra
3 - 2º Sargento José Marcolino Brasileiro
4-  2º Sargento Marcelino
5 - 3º Sargento Jaime Olimpio Rocha
6 - Cabo Benigno Gomes
7-  Soldado Raimundo Pereira
8 - Josafá Torquato Gonçalves
9 - Soldado José Dantas (Corneteiro)
10 - Soldado Eugênio Cesário da Silva
11 - Soldado Álvaro Gomes Bezerra (03)
  
Ressalte-se que o sargento Anacleto e o soldado Álvaro eram filhos do Capitão.

Ao constatar o pequeno número de policiais destacado para a missão, Sebastião Marinho, talvez com o intuito de despistar suspeita, disse: •.
  - “Capitão, os soldados são pouco...”.
  Talvez por ser conhecedor do caráter pacifista dos fanáticos e ignorar a nova faceta belicista no grupo, respondeu:
  - “São suficientes.”

Partindo em cima de um caminhão cedido pela prefeitura de Juazeiro passaram pela delegacia do Crato, onde o Capitão foi alertado pelo tenente João Lima, comandante do destacamento daquela localidade, sobre o pequeno número de soldados. Mais uma vez o José Bezerra dispensou ajuda.

Ao chegar perto do local destinado, O Capitão Zé Bezerra mandou parar o carro e ordenou que os policiais entrassem em forma. Em seguida, deu alguns esclarecimentos e ordenou que o sargento Marcelino e soldado Cesário ficassem guarnecendo o caminhão. Aos demais, que o seguissem.

Adentraram por uma vereda que dava acesso ao arraial. Em dado momento, inesperadamente saiu de dentro de um espesso matagal uma mulher correndo. Com receio que ela fosse avisar aos fanáticos, o Capitão com o grupo saiu em sua perseguição.

Eis que inopinada e inesperadamente os militares são cercados e atacados ferozmente por vários fanáticos, surgidos como fantasmas do meio da mata, armados de cacetes e foices.

Em poucos minutos, jaziam inertes Capitão Zé Bezerra, sargento Anacleto, cabo Benigno e o soldado Josafá.

Do caminhão se ouviu o estampido de tiros oriundos da mata. O soldado Cesário falou para o sargento Marcelino:
  - “O Capitão foi atacado, sargento”.
  “Tenho pena do Capitão, mas ele foi avisado que os soldados eram insuficientes” Respondeu.
  Cinco minutos depois Cesário viu um vulto se arrastando pelo mato: era o sargento José Olímpio sangrando e com golpes profundos na cabeça. Arquejando, a vítima disse:
  -“Não deixem que os bandidos acabem de me matar...”.
  Logo após, ouviram uns novos gemidos. Era o sargento Marcolino com alguns soldados feridos.
  - “Fomos atacados de surpresa. Vi o Capitão estirado no chão e o Anacleto também. Acho que morreram.” - Disse Olímpio.

O sargento Marcelino reuniu os soldados capazes de se moverem, mesmo os feridos em pequena gravidade, e foram ao encontro do Capitão. Lá se depararam com um quadro tenebroso: com a cabeça esfacelada, ainda segurando o parabelum, jazia morto o Capitão Zé Bezerra. Ao seu lado, o filho Anacleto. Mais adiante o corpo do cabo Benigno, e do soldado Josafá e mais três cadáveres de fanáticos.

Assim morreu como viveu o bravo militar: da maneira mais trágica e cruel. Morreu como um dia lhe dissera Severino Tavares:

-“O senhor, Capitão, vai pagar caro o couro de Trancelim!” (04). 


N O T A S


01 - João Xavier de Holanda – Polícia Militar do Ceará em Meio Século de República 1939 Vol. 3 pág. 47. Editora INESP. Fortaleza 2003.
02- Otacílio Anselmo e Silva. Brejo Santo sua história e sua gente – A Tragédia de Guaribas pág.190. Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Fortaleza 1981.
03 - N.A. A relação completada dos componentes da volante policial nos foi fornecida pelo sargento Eugênio Cesário da Silva, na cidade de em Juazeiro do Norte em 1981. Em1937, Cesário era soldado da Polícia Militar e esteve presente no massacre dos policiais.
04 - João Xavier de Holanda, O.c.pág.58.

BIBLIOGRAFIA

HOLANDA, João Xavier. Polícia Militar do Ceará em meio século de república 1889-1939
Fortaleza. Editora INESP ,2003

SILVA, Otacílio Anselmo. Brejo Santo sua história e sua gente – Tragédia de Guaribas
Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Fortaleza 1981.

Pesquei em
História de Juazeiro


Foto de Menezes Pimentel: blog fortaleza nobre
Foto de Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva: Arquivo particular do Diácono Policarpo Rodrigues.


Este é trasladei do blog: "Lampião Aceso" 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Um clássico cearense reeditado

Abelardo Montenegro tem a obra Fanáticos e Cangaceiros relançada agora à tarde, no Instituto do Ceará.
Por Domitila Andrade - O Povo Online de 19/07/2011 
Caderno: Vida e Arte
 
O livro é originalmente de 1971. Pesquisador profícuo, Abelardo Montenegro costumava gabar-se como um dos homens que mais amou o Ceará. Foto: Igor de Melo

Convite ripado no Blog do Instituto do Ceará
O homem foi toda a vida das letras, das que lia e das que escrevia. Tanto que não casou para dedicar-se em plenitude à sua maior paixão: os livros. O advogado Abelardo Montenegro foi um dos mais profícuos escritores cearenses, tendo publicado 42 obras, e um ano após seu falecimento, em 2010, aos 98 anos, ainda ter seis títulos inéditos. Fanáticos e Cangaceiros, que será relançado amanhã (20), às 15h30min, no Instituto do Ceará, é originalmente de 1971.
A segunda paixão do escritor não se dissocia da primeira. Ao contrário: a complementa. Abelardo, que gostava de ser chamado de intérprete do Ceará, dedicou boa parte de sua vida a escrever sobre os meandros da cultura e do povo cearense. Exemplo disso é Fanáticos e Cangaceiros, que trata de religiosidade, seca e vida sertaneja.

A nova edição se dá porque a primeira, feita com recursos próprios, foi apenas de 300 exemplares, que foram distribuídos para bibliotecas e estudiosos. Esta edição traz, além dos três capítulos originais, um prefácio assinado por Gildácio Sá que fala um pouco da história do escritor. Apesar de não ter casado, Abelardo, aos 50 anos, adotou como sua uma família cuja mãe, dona Clara, lhe prestava serviços domésticos. Os filhos e netos de Clara são hoje seus herdeiros. Gildácio, casado com uma dessas netas, conviveu com o escritor por 30 anos e dedicou-se a digitalizar toda sua obra, que também estará exposta hoje.

“Fanáticos e Cangaceiros começou a ser feito por Abelardo ainda no final da década de 1930, o que deu a ele oportunidade de conversar com pessoas que participaram in loco das histórias contadas por ele no livro”, fala Gildácio. Mais de 100 livros e 42 entrevistas compunham a base da obra.

Dividido em três partes, o livro conta a história da vida, do sofrimento e peregrinação do beato Antônio Conselheiro; do fanatismo religioso, das santas missões, das festas religiosas, do misticismo cearense, desde o padre Ibiapina até o padre Cícero - com quem Abelardo conviveu por duas semanas, hospedado em sua casa; e, por fim, da fome, seca e injustiça social que permeava a vida sertaneja e contextualiza o cangaço.

Esta edição, que Gildácio define como “de extrema importância para a história do Ceará” passou por modificações, em relação a primeira, feitas pelo próprio escritor. “Nós atualizamos algumas coisas, revisamos datas e dados, revemos recortes de jornal”, Gildácio explica o trabalho em conjunto feito pouco antes do falecimento do escritor.

Gildácio conta que Aberlado, avesso à entrevistas por sua natureza humilde e modesta, gabava-se apenas de ser o homem que mais amou o Ceará. “Ele dizia: ‘Pode haver alguém que empate esse amor, mas não tem ninguém que passe, não”. E completa:
“Fanáticos e Cangaceiros guarda nas entrelinhas a prova do intenso amor de Abelardo ao Ceará”.
ENTENDA A NOTÍCIA

Nascido em Crateús, Abelardo Fernando Montenegro morreu aos 98 anos, em 26 de abril de 2010, deixando uma obra que transitou por áreas como a Ciência Política, Economia, Sociologia e Psicologia Social, em quase 50 livros, a grande maioria dedicada ao Ceará.

SERVIÇO
O quê: relançamento do livro Fanáticos e Cangaceiros, de Abelardo Montenegro
Quando: Hoje (20), às 15h30min
Onde: Instituto do Ceará (rua Barão do Rio Branco, 1594 - Centro)
Outras info.: (85) 3226 1408
Açude:  O POVO online


Créditos do artigo para o sempre atencioso coroné
Ângelo Osmiro Barreto
Fortaleza-CE