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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Uma missão... Uma sepultura vazia.

Por: Rubens Antônio

Os vaqueiros da história que estiverem pretendendo vir a Salvador visitarem os túmulos dos cangaceiros no cemitério Quinta dos Lázaros terão uma surpresa.

Na tarde de hoje, 17 de julho de 2013, cumprindo parte de uma missão expressa dos capitães Kiko, Ivanildo e Sérgio, os cabras Geziel Moura e Rubens Antonio emitem a seguinte comunicação:

Sepulturas "dos quatro", nomeadamente Zabelê, Maria, Canjica e Azulão, na mais perfeita ordem:

  
Geziel Moura, um coronel paraense, registra o ultimo e definitivo coito de quatro cabras de Lampião.

Sepultura de Corisco...
 
Ontem...                           e hoje?

Evadida... Sem ossos... Campa perdida... Em resumo, meteu-se na caatinga... Talvez ou... provavelmente... pra sempre. Câmbio.

O Geziel Moura e eu, in situ, lamentamos muito a retirada dos restos de Corisco... Os funcionários praticamente todos que conversamos no cemitério sabiam da localização dos restos de Corisco e apontavam a sepultura para os interessados...

Perdem todos com isso.

Depois não sabemos de onde vem algo como... Quando o Geziel e eu perguntamos a uma outra funcionária em um outro cemitério por Dadá... ela não sabia quem era...

E a memória vai ralo abaixo.

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

E o tal do Calibre 28? Ele existe, porém...


A revista Aventuras na História na edição de Maio teve enorme procura por parte dos cangaceirólogos. Mas seu conteúdo causou descontento aos estudiosos. O autor cometeu alguns erros cronológicos e outros menos relevantes como os de grafia.

No intuito de barrar a disseminação destas informações (revista tem aceitação acadêmica, já um mero blog não tem) João de Sousa Lima elegeu e publicou em seu blog um artigo apontando vários tópicos.


Ivanildo Alves Silveira, João de Sousa Lima e Rubinho Lima

Um em especial nos chamou a atenção, o que citava o calibre "28" que segundo o autor era utilizado pelas cangaceiras. Certamente muitos confrades nunca sequer ouviram falar deste. Na dúvida dei uma pesquisada e descobri sua existência através do site Belga Little Gun Clique Aqui

Antes de publicar nosso parecer consultei o estimado amigo e especialista em armas de fogo Fábio Carvalho Costa que nos diz o seguinte:

Caro Compadre Kiko, sobre a reportagem da revista Aventuras na História que causou esta celeuma toda, creio que deve ter sido um mero erro de revisão, pois o autor cita 32 e 28, certamente queria dizer 32 e 38.

Quanto a ter existido um calibre 28, sim certamente existiu. Pois em termos de calibres para armas curtas, já existiram praticamente todos os diâmetros imagináveis: dos inacreditáveis 2,7 mm de uma minúscula pistola de bolso de colete, até os enormes cartuchos de revólveres e pistolas, com calibres que alcançavam quase meia polegada (12,7mm).

Aliás, o primeiro revólver de sucesso comercial (e mecânico)  o Colt Paterson de 1836, tinha uma versão inicial de 5 tiros e... Calibre 0,28 (por volta de 7,12 mm), seguido depois por versões em calibres  0.31 e 0.34. Porém este Colt de 1836 era uma arma de percussão, ou seja, um revolver  que primitivamente (como a maioria da mesma época) era carregado com balas e espoletas em separado (como se fosse uma garrucha de socar), só que usava um tambor de 05 tiros! Uma alavanca, geralmente situada embaixo do cano, era encarregada de ajustar a carga/bucha/projétil dentro das câmaras.

Raro exemplar de revólver americano de percussão, Patente James Warner de 1851. 
(Fonte http://www.littlegun.info/arme%20americaine/a%20a%20images%20armes%20americaine%20gb.htm)

Assim foram os revólveres até a chegada do cartucho de metal (o cartucho de Lefaucheaux um dos primeiros)! Este tipo de arma - revólver de percussão- teve pouquíssimo uso aqui no Brasil (importamos mais armas da Europa, onde se adotou cedo o cartucho de metal). Era mais comum nos EUA, onde foram muito usados na guerra civil norte-americana (1861 a 1865), e depois marcharam na cintura dos pioneiros e cowboys para fazer a conquista do oeste selvagem. Mesmo com a popularização do cartucho de metal (que ficou mais comum nos Estados Unidos com a importação de milhares de revólveres Europeus tipo Lefaucheaux pra uso do Sul Confederado), sendo alguns dos mais famosos e clássicos revólveres americanos calibrados para cartuchos metálicos,  lançados na década de 1870 (como o Colt Peacemaker, SW nº 3, Remington 1875, etc.).

Os exemplares originais de percussão, ainda foram usados por alguns anos, sendo muitos deles convertidos para os cartuchos modernos de metal, através de “kits” econômicos. Pessoalmente não creio que estas armas, tampouco modelos em cal. 28 devem ter sido usados por cangaceiros (Aliás, quem usaria uma arma de “socar“ em 1920? Tendo pistolas semiautomáticas Parabelllum e FN, e fuzis Mauser nas mãos).

Quanto a armas que usaram cartuchos metálicos ao redor do diâmetro .28 (medida neste caso expressa à inglesa em  centésimos de polegadas, equivalendo à europeia ao redor de 7,12 mm, assim destas duas maneiras geralmente se expressam os nomes e medidas de cartuchos), houveram uma meia dúzia de modelos nos fins do sec. XIX e inicio do XX (alguns pouco conhecidos do grande público). Muitas destas eram munições experimentais como as .28 BSA, e a .28 Browning, que não chegaram a linha de produção.

Estas munições 7mm/.28 via de regra, não obtiveram sucesso comercial sendo esquecidas, eclipsadas por outras mais efetivas, geralmente de maior calibre (embora muitos fuzis tivessem esta medida de calibre, sendo usados alguns até hoje como as .280 Remington, .284 Winchester etc., mas isto já é outra história).

Abraços.
Fábio
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quarta-feira, 3 de abril de 2013

"Fidalgo", mas nem tanto. Lampião comia... também com as mãos!

Por: Ivanildo Silveira(*)

Na foto abaixo, vê-se o Rei do cangaço comendo utilizando as mãos, enquanto dois cangaceiros se servem com prato e colher.


Compulsando a literatura cangaceira, vamos encontrar que os hábitos cangaceiros, no tocante à alimentação, eram os mais variados. Cada cangaceiro possuía seu copo/caneco, sua colher, o prato e a cabaça/ cantil para depósito dágua.


Entre os alimentos destacavam-se: Farinha, carne de sol, rapadura, café, sal, leite, coalhada, galinha, bode, caças em geral etc... Some-se a isso, também, as frutas silvestres que eram consumidas, inclusive cactos (xique-xique, coroa de frade..etc..), quando havia muita falta dágua.

As carcaças dos animais (peles e ossos) eram enterrados, a fim de que a podridão dos mesmos, vista pelos urubus que rondavam o local, não os denunciassem á policia. Quando desarmavam as barracas/tordas e abandonavam o "coito", deixavam um odor de ciganos.


(*)Ivanildo Alves Silveira é Colecionador do cangaço Membro da SBEC

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Mais 50 contos pela cabeça de Lampião

Por: Rostand Medeiros
Rostand Medeiros e Drª. Francisquinha

Quando uma conceituada perfumaria carioca ofereceu muito dinheiro pelo fim do "Rei do Cangaço"

Um oferecimento para corajosos

Quem lê e se debruça sobre o tema cangaço, certamente já teve oportunidade de visualizar um famoso anúncio onde o governo do estado da Bahia oferecia 50 contos de réis pela captura de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, também conhecido como “O Rei do Cangaço”.

Mas aquele anúncio de captura não foi o único. Em 1932 houve outro, que oferecia o mesmo valor, cuja iniciativa partiu de uma perfumaria que tinha sede na carioquíssima Praça Tiradentes, em pleno centro do Rio de Janeiro, então Capital Federal.

 Muito dinheiro.

Creio que quem primeiro comentou sobre este interessante fato foi o pesquisador e escritor baiano Oleone Coelho Fontes, no seu livro “Lampião na Bahia”. Nas páginas 198 a 207 (4ª edição) desta interessante obra, o autor lista inúmeros casos de pessoas, alguns destes antigos militares, que através de jornais cariocas informavam que estavam a disposição de seguirem para o longínquo sertão, na intenção de capturar, ou matar, o mais temido bandido brasileiro. Percebemos que estas pessoas procuravam muito mais a promoção midiática, do que tentar realmente resolver o caso Lampião.

Entre outras iniciativas de captura apontadas por Oleone, se encontrava uma feita por uma empresa, a Perfumaria Lopes. Esta conceituada casa comercial, inaugurada no início da década de 1920, informava através de um anúncio publicado na imprensa carioca (reproduzido no jornal soteropolitano “A Tarde”, edição de 12 de junho de 1931), que oferecia 50 contos de réis pela captura do famoso cangaceiro.

A empresa anunciava que o prêmio poderia ser conquistado por qualquer pessoa, civil ou militar, desde que provasse ter alcançado seu êxito através da apresentação de documentação autenticada por autoridade competente (Ver Fontes, O. C. Pág. 207, nota nº 272).

O jornal em que a nota foi publicada em Natal, RN.

Aparentemente a Perfumaria Lopes gostou da iniciativa, pois no ano seguinte, na mesma época, renovava a publicação do anúncio de 50 contos pela captura do “Rei do Cangaço”. Consegui encontrar este anúncio na edição de 13 de junho de 1932, do jornal natalense “A Republica”.

Mas enfim, isso era a sério? Ou seria apenas uma ação de marketing?

No meu entendimento, toda esta movimentação era puramente uma ação de propaganda. Não sei o que o operoso proprietário da empresa pensava sobre Lampião e suas ações, mas morando no distante Rio de Janeiro, certamente ele deve ter percebido que dificilmente alguém da sua região ganharia a premiação.

Mas se aparecesse um cidadão queimado do sol nordestino, trazendo a cabeça de Lampião em uma lata de querosene da marca “Jacaré”, em meio a uma grande quantidade de cal virgem para não apodrecer tão rápido, certamente o proprietário desta conceituada casa lhe pagaria, pois dinheiro não lhe faltava.

 Fonte - Revista Careta, número 935, 22 de maio de 1926.

A perfumaria Lopes pertencia ao Comendador José Gomes Lopes, que também era proprietário da Fábrica de Cosméticos Beija-Flor, era um imigrante português que enriqueceu no Rio de Janeiro. A sede principal da Perfumaria Lopes S. A. se situava na Praça Tiradentes, em um grande ponto comercial que ia do número 34 ao 38 e ainda possuía uma filial na Rua Uruguaiana, igualmente no Rio de Janeiro.

Mas havia sucursais por todo o Brasil e seu produtos tinham refino e qualidade.

Nas memórias de José Bento Faria Ferraz, que foi secretário particular do escritor Mário de Andrade por 11 anos, lembra que um dos mais importantes intelectuais da cultura brasileira era um homem “muito refinado”, mas tinha sérios apertos financeiros. “Apesar de sua pobreza”, como dizia José Bento, o escritor sempre solicitava que o colaborador fosse a Perfumaria Lopes, situada à Rua José Bonifácio, para comprar uma loção “para passar na careca”.

O Comendador Lopes tinha uma visão muito positiva em relação à propaganda. Vamos encontrar a sua casa comercial como o primeiro anunciante da famosa Rádio Nacional, transmitidas em ondas médias, enquanto o tradicional “Leite de Colônia” patrocinava em ondas curtas. A perfumaria foi também um dos patrocinadores do igualmente famoso “Repórter Esso”.

 Fonte - paniscumovum.blogspot.com

Não encontrei mais nenhuma informação sobre esta iniciativa e o destino dos 50 contos de réis. Não tenho certeza, mas tudo indica que o sargento Bezerra, o homem que comandou os policiais que exterminaram Lampião em 1938, não foi ao Rio solicitar o prêmio.

Mas a simples existência deste tipo de anúncio em jornais de grande circulação da Capital Federal mostra o quanto a figura de Lampião era conhecido nacionalmente. Mas foi também esta fama, principalmente após a divulgação do famoso filme do libanês Benjamim Abrahão, que indubitavelmente chamou a atenção das autoridades federais do período do Estado Novo.

Os poderosos do Rio passaram a cobrar uma ação mais efetiva das autoridades estaduais nordestinas e para concretizar a derrocada deste cangaceiro. E assim foi feito.

O já conhecido anúncio de recompensa por Lampião, pretensamente oferecido pelo governo baiano. In  www.anovademocracia.com.br

Em Natal, a Perfumaria Lopes era representada pela firma César Comércio e Representações Ltda. Empresa criada pelo empresário Júlio César de Andrade em 07 de Março de 1932, com sede na travessa México, 85, no tradicional bairro da Ribeira.

Pescado no sempre essencial "Tok de História"

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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Faca cega... Fé amolada


Antônio  Silvino e a Rolinha "menininha"

O célebre "Governador do Sertão" foi o cangaceiro que cumpriu maior pena, pelos crimes cometidos durante o ciclo do cangaço em que conviveu. 


Pagara pelos seus crimes 23 anos, dois meses e 18 dias de prisão, nas dependências imundas da velha Casa de Detenção do Recife.

Cliquem para melhor visualização e leiam abaixo um texto extraído do magnífico livro: "Antônio Silvino, o cangaceiro, o homem e o mito", página 238,  do renomado autor  e pesquisador, Sérgio Augusto de Souza Dantas.


Matéria sugerida pelo confrade: Ivanildo Alves  Silveira
Colecionador do cangaço, Membro  da  SBEC e do Cariri-Cangaço
Natal/RN

Extraído do blog: 
ampiaoaceso.blogspot.com

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Personagens Terciários

Cosme de Farias

Ele foi Major sem nunca ter servido as Forças Armadas e Advogado sem diploma de Bacharel. O último rábula da Bahia ficou conhecido pela astúcia ao defender os mais pobres nos tribunais. Cosme de Farias foi mais que um profissional do Direito preocupado com as causas sociais. Mesmo sem ter concluído o curso primário, foi pioneiro na luta contra o analfabetismo na Bahia. Deputado e Vereador, levou às últimas consequências seu ideal franciscano: morreu pobre, na tapera onde vivia na Quinta das Beatas, hoje bairro denominado:

Certo dia, o juiz Vicente Tourinho perguntou à platéia quem poderia defender um ladrão abandonado pelo advogado à beira do júri.

Um rapazola mulato, traços grosseiros e cara de menino ergueu-se e respondeu: "Eu". O voluntário não conhecia o processo e nunca encontrara o réu - negro e pobre, acusado de roubo de 500 réis - mas não concordava em vê-lo sem dar a sua explicação sobre os fatos

O rábula classificava como uma das suas causas mais difíceis a concessão do habeas-corpus para 36 grevistas, funcionários da Leste Brasileiro. Entre as mais famosas está a defesa de 

Dadá assistindo a retirada dos ossos do companheiro Corisco

Sérgia Ribeiro da Silva, apelidada de "Dadá" e única mulher do cangaço a manipular armas.

Em 1942, Cosme impetrou recurso pela soltura da viúva do alagoano Corisco, o Diabo Louro. 


Corisco e o cangaceiro Vinte e Cinco - Este último ainda está vivo e segundo o escritor João de Sousa Lima, reside em Alagoas 

Dadá foi ferida na perna direita (mais tarde, amputada) e aprisionada pelas Forças Volantes, em 1940, numa ação encerrada com a morte do seu marido.



Fontes: Blog Luiz Nassif
http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2011_11_01_archive.html

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Assista ao programa dividido em quatro partes:

Crédito para o confrade Augusto da comunidade do Orkut Lampião, grande Rei do cangaço.

domingo, 10 de junho de 2012

E AGORA JOSÉ ? - O sobrinho de Lampião

Por: Ivanildo Alves Silveira

Muitos estudiosos do cangaço ignoram a existência de “ José “, sobrinho de Lampião, e que estava na Grota do Angico/SE, no fatídico 28 de julho de 1938 ( morte do Rei do cangaço).

A literatura lampiônica fala que na quarta-feira, 27 data esta, que antecedeu o massacre, a pedido de Lampião, a cangaceira “Cila” costurava o culote para “José” que, três dias antes, se incorporara ao bando.

Desculpem a má qualidade. Esse é o "melhor" aliás o unico registro existente.

José Ferreira dos Santos era um rapazote com aproximadamente 17 anos de idade na época do fato, sendo filho de Virtuosa, irmã de Lampião, que vivia no Juazeiro do Norte/CE, desde o convite e proteção do padre Cicero.



O Jornal "A Tarde" da Bahia, em sua edição de 02 de março de 1939, apresentou importante entrevista com a personagem  José, o qual narra para o repórter, a sua entrada no bando, bem como a sua prisão, que ocorreu na cidade sergipana de Canindé.





Esse indivíduo, cumpriu sentença, e, depois, desapareceu. Sabe-se que, ainda, alguns anos depois, ele fez contato com alguns familiares. Visitou sua tia "Dona Mocinha" quando esta residia no estado de Pernambuco, e desapareceu no ôco do mundo. Não se sabe, se o mesmo, ainda hoje é vivo, pois estaria com precisos 91 anos de idade...

É mais um mistério do cangaço. Pergunta-se: JOSÉ, PARA ONDE ?

Abraço a todos
Ivanildo Alves Silveira
Colecionador/Estudioso do cangaço
Natal/RN

Matéria do jornal - Cortesia do Dr. Sérgio Augusto S. Dantas / Luiz Ruben

lampiaoaceso.blogspot.com.br/2011/12/e-agora-jose.html

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O TIRO QUE MATOU LAMPIÃO

Por: Ivanildo Alves Silveira

Lampião, o 2º personagem mais biografado na América Latina, muito estudado por centenas de pesquisadores e escritores do cangaço, mesmo já tendo transcorrido mais de 70 anos de sua morte, ainda, tem em sua biografia, muitas “Lacunas, e aspectos,” que ainda deixam dúvidas, e que não foram devidamente esclarecidos, ao longo da história. Vejamos.

Sobre a sua morte:

a) Quantos tiros levou ?
b) Qual o tiro o matou ?
c) Foi atingido pelas rajadas da metralhadora do Ten. Bezerra, ou pelo certeiro fuzil do soldado Honorato ?

Após a morte do famoso cangaceiro na Grota do Angico/SE, em 28/07/1938, não foi confeccionado pelos médicos legistas, O LAUDO DE EXAME CADAVÉRICO do famoso personagem, o qual, com certeza, teria dissipado muitas dúvidas quanto a morte do mesmo.

Apenas, a cabeça do cangaceiro ( em adiantado estado de putrefação ), e de sua companheira, Maria Bonita foram analisadas pelo famoso médico alagoano, o Dr. Lages Filho.

Ainda, no tocante á morte do Rei Vesgo, principalmente, no que concerne aos tiros que sofreu, temos uma excelente entrevista realizada, por ocasião dos 70 anos de sua morte, através do Programa “DE LÁ PARA CÁ “, do jornalista Anselmo Góes, em que o Dr. Jayme de Altavila, Diretor do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas ( Local onde estão alguns pertences e objetos de Lampião ), presta excelentes informações, nesse sentido. Vejamo-las.

 O Dr. Jayme de Altavila
Cartucheira de Ombro de Lampião, atualmente preservada e exposta no Inst. Histórico e Geográfico de Maceió. Cortesia: Escritor Carlos Megale.

 Dr. Jayme mostra a reportagem, como Lampião usava a cartucheira de ombro.
 
 
No detalhe o local de um dos tiros que atingiu Lampião, na região do coração, sendo, portanto, mortal. A bala perfurou a cartucheira, indo se alojar em seu corpo.
Segundo a bibliografia cangaceira ( Ver Amaury, pg 31), LAMPIÃO sofreu três disparos no Combate de Angicos. Um no peito do lado esquerdo; Um no Baixo Ventre e Outro no alto da região frontal direita(cabeça) .

Alguns ex-volantes que participaram do combate informaram que, o 3º disparo ( no alto da região frontal direita- cabeça) de Lampião , ocorreu quando o mesmo, já se encontrava, abatido e caído no solo (Ver Amaury, pg 90 - Depoimento de Panta de Godoy).

Além do disparo sofrido, a cabeça foi atingida por ação contundente ( coronhadas..etc..), o que danificou, ainda mais, o crânio do Rei do Cangaço.

A esse respeito, veja-se, logo abaixo, foto publicada em 1953, pela revista "O Cruzeiro "
 
Em função do tiro sofrido na cabeça, bem como, em função das lesões provocadas por instrumentos contundentes (coronhadas...etc..), da cabeça de Lampião, por ocasião de sua exumação, restaram, apenas, uma porção de ossos quebrados. (Vide foto, logo abaixo).
Foto: livro Lampião, a medicina e o cangaço, pág. 102, dos autores Leandro Cardoso Fernandes e Antonio Amaury.
Assista o vídeo que deu origem á presente matéria. Programa " De lá para cá ", do jornalista Anselmo Góis, que foi exibido por ocasião da passagem dos 70 anos da morte de Lampião em 2008.


Abraço a todos
Ivanildo Silveira 
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC

terça-feira, 13 de março de 2012

Táticas da guerra no sertão


Para não deixar pistas e dificultar as perseguições policiais, os cangaceiros utilizavam diversas técnicas ao fugir dos macacos (como chamavam as volantes policiais), como: 

- andar com alpercatas "peludas" ou forradas com estopa, para não deixar rastros;
- inverter a posição do salto das alpercatas, colocando-o na parte do bico, para esconder a direção tomada pelo bando;
- pisar nos mesmos locais dos que lhe precediam no caminho, fazendo parecer o andar de um só homem;
- apagar rastros com galhos folhudos, amarrados aos rabos dos animais de coice;
- varrer o chão com vassoura de galhos folhudos, travalho feito por cangaceiro caminhando atrás do bando;
- andar de costas na saída das "bebidas", em terra molhada;
- marginar caminhos, andando no chão duro ou sobre pedras, para evitar rastros;
- utilizar a técnica do "pulo", com os cangaceiros pulando fora da fila, restando apenas um no caminho, que ia apagando os rastros;
- embaralhar os rastros, para deixar várias e diferentes pistas da caminhada;
- percorrer trchos de riacho, dentro da água corrente;
- nos pousos enterravam os restos de comida, para não atrair urubus;
- à noite, não era feito "fogo", para não alertar as volantes;
- guardavam silêncio nas longas caminhadas (andavam até 50 km por dia); não tossiam, procuravam evitar choros de crianças recém nascidas;
- usar sandálias do mesmo formato tanto na frente como atrás, isso deixava rastro sem orientação;
- às vezes, deixavam rastros claros de sua orientação para fazer com que volantes caíssem em emboscadas;
- dividir os cangaceiros em pequenos grupos para que seguissem direções diferentes desnorteando os policiais;
- deixar manchas de sangue em pedras e folhagens e depois seguir rumo contrário aos vestígios deixados.

Lampião sobreviveu por quase vinte anos lutando e fugindo pelo sertão nordestino, mas uma falha sua e do seu bando, por vezes, fazia com que as volantes os encontrassem: o cheiro forte de perfume que exalavam por onde passavam. Os cangaceiros tinham o hábito de passar perfumes para esconder o mau cheiro de dias caminhando e sem tomar banho.

Informações extraídas de texto publicado no Jornal da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (Táticas Cangaceiras, de Ivanildo Alves da Silveira).


Fonte pesquisada:

domingo, 22 de janeiro de 2012

Táticas da guerra no sertão


Para não deixar pistas e dificultar as perseguições policiais, os cangaceiros utilizavam diversas técnicas ao fugir dos macacos (como chamavam as volantes policiais), como:

- andar com alpercatas "peludas" ou forradas com estopa, para não deixar rastros;
- inverter a posição do salto das alpercatas, colocando-o na parte do bico, para esconder a direção tomada pelo bando;
- pisar nos mesmos locais dos que lhe precediam no caminho, fazendo parecer o andar de um só homem;
- apagar rastros com galhos folhudos, amarrados aos rabos dos animais de coice;
- varrer o chão com vassoura de galhos folhudos, travalho feito por cangaceiro caminhando atrás do bando;
- andar de costas na saída das "bebidas", em terra molhada;
- marginar caminhos, andando no chão duro ou sobre pedras, para evitar rastros;
- utilizar a técnica do "pulo", com os cangaceiros pulando fora da fila, restando apenas um no caminho, que ia apagando os rastros;
- embaralhar os rastros, para deixar várias e diferentes pistas da caminhada;
- percorrer trchos de riacho, dentro da água corrente;
- nos pousos enterravam os restos de comida, para não atrair urubus;
- à noite, não era feito "fogo", para não alertar as volantes;
- guardavam silêncio nas longas caminhadas (andavam até 50 km por dia); não tossiam, procuravam evitar choros de crianças recém nascidas;
- usar sandálias do mesmo formato tanto na frente como atrás, isso deixava rastro sem orientação;
- às vezes, deixavam rastros claros de sua orientação para fazer com que volantes caíssem em emboscadas;
- dividir os cangaceiros em pequenos grupos para que seguissem direções diferentes desnorteando os policiais;
- deixar manchas de sangue em pedras e folhagens e depois seguir rumo contrário aos vestígios deixados.

Lampião sobreviveu por quase vinte anos lutando e fugindo pelo sertão nordestino, mas uma falha sua e do seu bando, por vezes, fazia com que as volantes os encontrassem: o cheiro forte de perfume que exalavam por onde passavam. Os cangaceiros tinham o hábito de passar perfumes para esconder o mau cheiro de dias caminhando e sem tomar banho.

Informações extraídas de texto publicado no Jornal da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (Táticas Cangaceiras, de Ivanildo Alves da Silveira). 

Postado por: Tuica do Cordel


Links de artigos que não estão mais na página principal


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

No Cariri Cangaço tem - Missão Velha - a cachoeira e o torno de Lampião


Quem visita pela primeira vez o Cariri cearense se surpreende com o conjunto de belezas que ali se escondem. O município de Missão Velha; porta de entrada do cariri cearense; o mais novo anfitrião do CARIRI CANGAÇO; guarda verdadeiras pérolas, resultado da maravilhosa Providencia Divina; suas belezas naturais encantam a todos que por ali chegam. Os verdes canaviais, as inúmeras nascentes, as fontes de água límpida e as famosas Cachoeiras de Missão Velha.



Por essas bandas Virgulino passava boa parte do seu tempo de “descanso”, por aqui, dizem “que tinha amigos poderosos; 




Cel. Santana, Cel. Juvêncio, Cel. Isaias Arruda”.




Aqui também é a sede da Usina e Fundição Linard, com sua tecnologia de ponta em fundição e ferramentaria, tendo seu fundador Antônio Linard uma estória ou história, curiosa, em relação a Lampião e o primeiro torno que o referido empreendedor sertanejo adquiriu ainda nos idos da década de vinte para iniciar seus negócios. Venha conhecer as maravilhas de Missão Velha e a “história do Torno de Lampião” em setembro no CARIRI CANGAÇO, bem aqui no sul do Ceará.


I SEMINÁRIO CARIRI CANGAÇO
De 22 a 27 de Setembro de 2009
Crato, Juazeiro, Barbalha e Missão Velha.

Extraído do blog: "Lampião Aceso"
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

E AGORA JOSÉ? - O sobrinho de Lampião

Por: Ivanildo Silveira

Muitos estudiosos do cangaço ignoram a existência de “ José “, sobrinho de Lampião, e que estava na Grota do Angico/SE, no fatídico 28 de julho de 1938 ( morte do Rei do cangaço).
A literatura lampiônica fala que na quarta-feira, 27 data esta, que antecedeu o massacre, a pedido de Lampião, a cangaceira
“Cila” costurava o culote para “José” que, três dias antes, se incorporara ao bando.
Desculpem a má qualidade. Esse é o "melhor" aliás o único registro existente.
José Ferreira dos Santos era um rapazote com aproximadamente 17 anos de idade na época do fato, sendo filho de Virtuosa, irmã de
Lampião, que vivia no Juazeiro do Norte/CE, desde o convite e proteção do padre Cícero.
O Jornal "A Tarde" da Bahia, em sua edição de 02 de março de 1939, apresentou importante entrevista com a personagem  José, o qual narra para o repórter, a sua entrada no bando, bem como a sua prisão, que ocorreu na cidade sergipana de Canindé.
Esse indivíduo cumpriu sentença, e, depois, desapareceu. Sabe-se que, ainda, alguns anos depois, ele fez contato com alguns familiares. Visitou sua tia "Dona Mocinha" quando esta residia no estado de Pernambuco, e desapareceu no ôco do mundo. Não se sabe, se o mesmo, ainda hoje é vivo, pois estaria com precisos 91 anos de idade...
É mais um mistério do cangaço. Pergunta-se: JOSÉ, PARA ONDE?
Abraço a todos
Ivanildo Alves Silveira
Colecionador/Estudioso do cangaço
Natal/RN

Matéria do jornal - Cortesia do Dr. Sérgio Augusto S. Dantas/Luiz Ruben
Extraído do blog: "Lampião Aceso"