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domingo, 17 de fevereiro de 2019

CANGAÇO E CORONELISMO NO RIO GRANDE DO NORTE: MEADOS DO SÉCULO XIX AO FIM DA REPÚBLICA VELHA (REVOLUÇÃO DE 30)

* Honório de Medeiros


 José Augusto Bezerra de Medeiros

Quem critica o Cangaço hostiliza a História e não entende o que é o Poder. 

O Cangaço lança luz sobre a História e o Poder, em intrincada trama com o Coronelismo e o Fanatismo (Misticismo);

José Augusto Bezerra de Medeiros

São os seguintes os principais cangaceiros que escreveram parte de sua história no Estado do Rio Grande do Norte: José Brilhante de Alencar Souza (o “Cabé”), nascido em Pombal, na Paraíba, em 1824, e morto em Pão de Açúcar, Alagoas, em 1873; Jesuíno Alves de Mello Calado (o “Jesuíno Brilhante”), nascido em Martins, RN, em 1844, e morto em Belém de Brejo do Cruz, novembro/dezembro de 1879; Macilon Leite de Oliveira (o “Massilon”), nascido em Timbaúba dos Mocós, 1897, e morto em Caxias, Maranhão, em 1928; e Virgolino Ferreira da Silva (o “Lampião”), nascido em 4 de junho de 1898, em Serra Talhada, Pernambuco, e morto em 28 de julho de 1938, em Poço Redondo, Sergipe.

O único norte-rio-grandense era Jesuíno Brilhante, o primeiro dos cinco grandes da história do cangaço: Jesuíno, Antônio Silvino, Sinhô Pereira, Lampião e Corisco, eis a ordem cronológica. 

Existe a suspeita de que Virgínio Fortunato da Silva (o “Moderno”), viúvo de uma irmã de Lampião, Angélica Ferreira da Silva, era dos Fortunado de Alexandria, no Rio Grande do Norte, mas isso nunca foi comprovado. 

E são os seguintes os fatos na História do Rio Grande do Norte nos quais Coronelismo e Cangaço estão fortemente entrelaçados: a invasão de Martins por Jesuíno em 1876; a invasão de Apodi por Massilon em 1927; a invasão de Mossoró por Lampião e Massilon em 1927. 

Todos essas atividades cangaceiras estão conectadas com o coronelismo. 

Não houve Coronelismo no Sertão nordestino sem entrelaçamento com o Cangaço; não houve Cangaço sem Coronelismo. Acrescente-se a esses ingredientes o Fanatismo (Messianismo) e teremos um ponto-de-partida para a real história da época dos coronéis e cangaceiros.

Sempre tratamos esses fatos pelo COMO aconteceu, de forma folclórica, no sentido negativo do termo, mas precisamos nos indagar o PORQUÊ factual que os originou.

Tanto o coronelismo quanto o cangaço são expressões particulares do momento histórico específico que caracteriza o fim da República Velha no Sertão nordestino, muito embora seu padrão, enquanto disputa pelo Poder, seja recorrente na história das civilizações, sob outras formas, haja vista, por exemplo, o feudalismo europeu e japonês, e sua semelhança com esse objeto de estudo. 

As invasões de Apodi e Mossoró são indissociáveis, e se constituem em epicentro de um processo político que durou aproximadamente dez anos e dizem respeito a disputas políticas entre famílias senhoriais do Sertão paraibano e potiguar, tendo como fio-condutor, protagonista, o cangaceiro Massilon. 



 Rafael Fernandes Gurjão

Em 1924 José Augusto Bezerra de Medeiros, legítimo representante da fina flor da aristocracia rural algodoeira do Rio Grande do Norte, chegou ao poder. Seu intento, segundo cronistas da época, era construir uma oligarquia semelhante a dos Maranhão.

Em 1927 o Rio Grande do Norte, cujas principais regiões eram Natal, o Oeste e o Seridó, pareciam sob seu controle político, excetuando-se o crescimento político e econômico dos Fernandes cujas raízes estavam fincadas na Região que começava em Mossoró, passava por Pau dos Ferros, e terminava em Luis Gomes, fronteira com a Paraíva. 

Em 1928 Zé Augusto elegeu seu sucessor, o sobrinho-afim Juvenal Lamartine.

Mas em 1930 veio a Revolução que culminou com o golpe político que elevou Getúlio Vargas ao Poder. 

E Getúlio entregou o poder, após uma série de interventores, a Mário Câmara, aliado de Café Filho e dos adversários de Zé Augusto no Estado. 

Zé Augusto reagiu. Driblou as pendengas com os Fernandes, afinal faziam parte da mesma base econômico-política, a aristocracia rural algodoeira que dominava o Seridó e o Oeste, e juntos criaram o Partido Popular para lutar contra a candidatura de Mário Câmara em 1934.

E assim, na mais cruenta eleição que jamais houve no Rio Grande do Norte, o Partido Popular saiu vitorioso, e Rafael Fernandes, o líder da família Fernandes, foi eleito Governador do Estado.

Zé Augusto elegeu-se Deputado Federal.

Durante a campanha foram assassinados o Coronel Chico Pinto, em Apodi, e Otávio Lamartine, filho de Juvenal Lamartine. Espancamentos, ameaças, humilhações, depredações, foram incontáveis.

O Coronel Chico Pinto era ligado aos Fernandes; Otávio Lamartine a Zé Augusto.

À sombra de ambos, tramando contra, outros coronéis; à sombra desses coronéis, os cangaceiros...

Extraído do blog do autor deste:

 http://honoriodemedeiros.blogspot.com/2019/02/cangaco-e-coronelismo-no-rio-grande-do.html

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O cientista cearense de Lavras da Mangabeira Melquiades Pinto Paiva, publicou entre 2001 e 2008 uma coleção de 5 exemplares com o titulo "Bibliografia Comentada do Cangaço. 

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JOÃO SÓ - BIOGRAFIA

https://www.youtube.com/watch?v=DGuUGDBts1E&list=RDjLJxpegJTQo&index=8

João Só, nome artístico de João Evangelista de Melo Fortes (Teresina3 de novembro de 1943 — Salvador20 de junho de 1992) foi um cantor e compositor brasileiro.[1]

Era o caçula entre os 12 filhos de Tito Fortes e de Irene Couto de Mello,[2] João aprendeu a tocar os primeiros acordes de cavaquinho quando ainda era criança, tendo começado a estudar vários instrumentos aos 15 anos, na época em que veio com a família de Teresina para Salvador. No final dos anos 60, trabalhava na TV Aratu quando adotou o apelido que o tornou famoso - o produtor David Raw perguntara qual era seu nome e o futuro cantor respondeu: "É João, só".

Em 1971 defendeu seu primeiro sucesso, Canção para Janaína, no sexto Festival Internacional da Canção. Em seguida grav

Ainda do começo da década de 1970 datam seus outros êxitos: Ando na Velocidade e Copacabana.

A partir de 1978, João Só passou a se dedicar somente a shows, tendo se apresentado centenas de vezes por todo o Brasil, deixando gravados 15 discos e algumas fitas, contendo mais de 40 músicas de sua autoria, nos 20 anos de sua carreira. Entre elas, curiosamente, também compôs o primeiro hino oficial do time de futebol Londrina Espor

Estava descansando na casa de familiares quando faleceu em decorrência de um infarto, aos 48 anos, já e

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_S%C3%B3

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VIVER PERANTE O OUTRO (E O MUNDO)

*Rangel Alves da Costa


Não há como viver numa ilha sem adentrar as águas. Acaso vivente na terra, não há como a pessoa se isolar de tal modo que ninguém possa encontrar. E uma vez encontrado, visto, avistado, necessariamente terá que compartilhar o seu passo e a sua vida.
Uma vez compartilhando, jamais estará livre da visão nem apreciação crítica do outro. É próprio da sociedade que as pessoas interajam sempre com a vida do próximo, ainda que este não deseje ser olhado, admirado e muito menos criticado.
Pensando bem, a vida dos outros é de suma importância para cada um. Melhor dizendo, para o outro que não a própria pessoa. Desse modo, o que o outro faz não compete somente a este, mas também ao próximo.
E há de ser assim mesmo porque as ações humanas merecem ser vistas e obter respostas aqui na terra mesmo. O bem ou o mal que é feito não pode simplesmente ser relegado ao plano do esquecimento, do já passou, do apagar-se nas páginas do tempo.
Já cantaram em eco e grito que ninguém é uma ilha. Ora, se ninguém consegue isolar-se completamente, então alguma presença ou vigilância externa faz parte de sua vida. O olho ao redor mira vida e tudo e acaba sabendo um balaio de coisas sobre o outro, ainda que este faça o máximo para que deixem sua vida em paz.
Contudo, quando falo da importância de que o outro seja visto perante suas ações, não o faço no sentido de que alguém, a todo custo, queira se intrometer na vida partir de quem faz o que bem quer da vida. Preocupar-se com o outro, vigiá-lo, acompanhar os seus atos, apenas para expor sua privacidade é atitude que contraria normas fundamentais inerentes à personalidade.
Ao falar da necessidade e positividade de interagir com as ações do outro, eu me volto apenas para o que está caracterizado como visibilidade pública. Tal termo seria no sentido de indicar aquilo que já foge ao mundo secreto e particular de cada um e se torna conhecido de todos, ainda que parte das pessoas não se atenha cuidadosamente para o que o outro faz.


Não se trata aqui de fazer apologia da fofoca, do simplesmente bedelhar, se intrometer na vida do próximo, mas sim de vê-la naquilo que há de mais bonito e de tudo tirar possíveis lições. Do mesmo modo, não ter medo nem vergonha das atitudes negativas do outro e fazer daquele exemplo um meio de não incorrer nos mesmos erros.
Verdadeiramente não há coisa mais feia e abominável para um ser humano do que levar a vida – logicamente esquecendo a própria – em função da vida do outro, do que ele faz, da roupa veste, com quem anda, se passou cheiroso ou suando. E mais ridículo ainda quando faz isto para buscar motivos para a fofocagem, o invencionismo, a deslavada mentira.
O proveito que se deve tirar da vida do outro é totalmente diferente. Pessoas existem que vivem para a prática do bem, pra o compartilhamento, para a solidariedade. Estas estão em direção aos asilos, aos hospitais, aos abrigos, às creches, a qualquer lugar onde possa dedicar uma parcela de ajuda e de amparo aos mais necessitados.
Pessoas também existem que distribuem sopas aos que estão abandonados embaixo de marquises, que vão visitar e tentar confortar desconhecidos que estão enfermos, que se reúnem com outras para a realização de obras de caridade, que adotam de coração crianças gravemente doentes, não se cansam de dar uma parcela do seu esforço físico, espiritual e até financeira em função do outro.
Mas o inverso ou reverso existe, e do mesmo modo também é visível, pois os atos são escancaradamente praticados. Não há nem mais que se falar nas práticas criminosas levadas a efeito por tantos e tantos, pois nem a pena nem o sofrimento em uma prisão parece ter o poder de afastar determinados indivíduos dessas nefastas atitudes. O pior é que muitos, mesmo sabendo das consequências da prática de atos ilícitos, seguem por vontade própria os mesmos caminhos da vida criminosa.
Quanto a estes, os exemplos já estariam claros demais. Porém, cotidianamente se observa outras atitudes em cujo espelho ninguém deverá se mirar. Viver falando mal da vida dos outros, criando situações mentirosas para prejudicar, incentivar os mais jovens ao mau comportamento, sempre ter o outro como inimigo, como alguém imprestável. E ainda a arrogância, a brutalidade, a desonra, o egoísmo, a vaidade exacerbada, a egolatria, tudo isso está exemplarmente na imagem de muita gente e que deve servir como norte para o outro que observa tais atitudes.
Daí que a vida do outro, por não pertencer exclusivamente a este, passa a ser exemplo que deve ser seguido, ou não, pelos demais. Ademais, como dificilmente algum fato surge totalmente novo na vida, então que os exemplos dos outros sirvam tanto para atrair como para se evitar.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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LOCAL DA MORTE E, ONDE O CANGACEIRO " LIVINO " ( irmão de Lampião ), FOI ENTERRADO...!

https://www.youtube.com/watch?v=HGcGKYZiiAA&fbclid=IwAR2uPdVX5nZyjlDQLUZ4et7Afjet80az9I4HS43LI_4LrfPxvbj0EiEU8xY

VÍDEO :Flores-PE busca integração na Rota do Cangaço..!
Produção: Junior Campos
Data : 14 de março de 2011.

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RODRIGUES ALVES - 1906 (NAVIO A VAPOR)


Por Joel Reis

O Major José Lucena de Albuquerque Maranhão foi preso no Rio de Janeiro - RJ, no final de novembro de 1930, "Rodrigues Alves" [Navio mercante misto (passageiros/carga) a vapor] o transportou até Maceió - AL.


A embarcação foi lançada em 1906 para a Cia. de Navegação Lloyd Brasileiro e batizada de ACRE. Em 1923 foi renomeada de RODRIGUES ALVES. Em 1937, o armador passa a se chamar Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro (Patrimônio Nacional), mantendo o nome. Em outubro de 1961 foi vendido como sucata. Em 1964 foi demolido.
Foto: Harold Appleyard (Teesbuiltships.co.uk) - como ACRE

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2163170340414517&set=gm.2132428310403002&type=3&theater&ifg=1


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LIMÕES X JESUINO ACHADOS DO CANGAÇO DA FAMÍLIA LIMÃO

Por Epitácio de Andrade
Ângelo Márcio, Zé Limão e o Autor de “A Saga dos Limões” 
Foto: Josivaldo Araújo

“José Rodrigues de Barros ficou considerado como o patriarca dos Limões, porque se casou com Maria Rosalina da Conceição, irmã de Preto Limão”, assim afirmou José Alves Rodrigues, conhecido como “Zé Limão”, neto do “patriarca”, em entrevista a Epitácio de Andrade Filho, autor de “A Saga dos Limões – Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante”, no último dia 15 de dezembro, em sua residência no Bairro Paulo VI, na cidade de Caicó, na região do Seridó do Rio Grande do Norte.
  
No final do Século XIX, o Cearense José Rodrigues de Barros assumiu a liderança do Grupo étnico representado pela família Limão, principal algoz dos “Brilhantes”, ao se casar com uma irmã de Preto Limão, único sobrevivente masculino da família remanescente do conflito cangaceiro e comandante da emboscada fatal contra Jesuíno Brilhante, na Comunidade Santo Antônio, na zona rural de São José de Brejo do Cruz, na fronteira paraibana, em dezembro de 1879.

O Patriarca aos 100 anos 
Reprodução: Epitácio Andrade

A primeira imagem do “Patriarca dos Limões” foi resgatada pelos pesquisadores Emanoel Amaral e Alcides Bezerra de Sales, em 1981, quando levantavam dados para a elaboração da Revista “Jesuíno Brilhante em História de Quadrinhos”, na Comunidade Saco dos Limões, na zona rural do município de Patu/RN, terra natal do Cangaceiro Jesuíno Brilhante (1844). A fotografia é datada do início do século passado e foi apresentada pelo neto José Alves Rodrigues, 60 anos, o mesmo membro da família Limão, que trinta anos depois, apresentou a fotografia do avô aos 100 anos (1963), para ser reproduzida pelo Escritor Epitácio de Andrade Filho.

Festa dos 100 anos do “Patriarca dos Limões” 
Reprodução: Epitácio de Andrade

No ano de 1963, a família Limão comemorou festivamente o centenário do Patriarca José Rodrigues de Barros, que nunca participou de atividades cangaceiras, mas teve a tarefa de proteger a família das possíveis recidivas do conflito, depois da morte de Jesuíno Brilhante, organizando inclusive, um esconderijo inexpugnável e recôndito, o “Saco dos Limões”. Na festa do centenário, o grande líder já não contava com sua companheira Maria Rosalina da Conceição, a Limão genuína, que faleceu com cerca de 50 anos, provavelmente no final da década de 20 para início dos anos 30 do século passado, e se encontra sepultada no cemitério de Catolé do Rocha, no vizinho estado da Paraíba.


Do casamento de Seu José Rodrigues Barros com Rosalina Limão, que moravam no Sítio Coroatá, na zona rural entre Patu e Almino Afonso, saíram vários filhos, entre homens e mulheres. O mais velho Antônio Limão migrou para o norte do país e lá permaneceu até a morte. Em 1888, nasceu Zé Limão, que foi fotografado por Emanoel Amaral aos 93 anos, no ano de 1981.

Zé Limão aos 93 anos 
Foto: Emanoel Amaral - 1981

Em 1898, nasceu Luiz Limão ou Luiz Catonho que se casou com Anelita Alves Rodrigues, afilhada de Valdivino Lobo, o mais abastado dos fazendeiros inimigos de Jesuíno Brilhante e coiteiro dos Limões na região do Catolé do Rocha e Brejo do Cruz, na fronteira paraibana. Em 1981, o pesquisador Emanoel Cândido do Amaral também fotografou Luiz Limão.

Luiz Limão aos 83 anos 
Foto: Amanoel Amaral - 1981

José Alves Rodrigues, Zé Limão, é filho de Luiz Catonho com Anelita Alves Rodrigues, e em 1981, acolheu Emanoel Amaral e Alcides Sales para prestar informações sobre a família Limão e posar para uma fotografia nas adjacências do “Saco dos Limões”, com seus filhos Ângelo Márcio e Marcélio Alves, que na época tinham sete e três anos, respectivamente.

Zé Limão com filhos Marcélio e Ângelo 
Foto: Emanoel Amaral - 1981

Coincidentemente, no dia 15 de dezembro de 2011, data da visita a residência de José Alves Rodrigues, em Caicó, estava completando 28 anos da morte de Seu Luiz Limão, que faleceu em 1983, e se encontra sepultado, juntamente com seu pai, o “Patriarca dos Limões”, no cemitério velho do antigo povoado da Caiera, hoje Almino Afonso, no Rio Grande do Norte.

Luiz Limão aos 75 anos 
Reprodução: Epitácio de Andrade

Seu Zé Limão, aos 60 anos, está na terceira geração posterior ao cangaço da segunda metade do século XIX. O seu pai, Luiz Limão com os irmãos, compõem a segunda geração pós-cangaço jesuínico, e o casamento do “Patriarca” com Rosalina Limão é o representante da primeira geração, imediatamente posterior ao cangaço dos Brilhantes com os Limões. Esta sequência geracional pode ser observada no álbum familiar, exposto na sala principal da casa de Seu José Limão, em Caicó/RN.

A família Limão tem uma consciência pela preservação da memória muito acurada. Mantem sob sua guarda um acervo de fotografias, apetrechos, moedas, cédulas e armas, que segundo José Limão “pertencia aos antigos”. Em 1981, quando foi fotografado por Emanoel Amaral mostrava uma espingarda de caça, que preserva até hoje. Mesmo informando que é um objeto de 40 a 50 anos, a preservação é, por ele, justificada como lembrança do momento da pesquisa e como símbolo de que “os Limões faziam suas próprias armas”.

Espingarda fotografada em 1981 no Saco dos Limões – Patu/RN 
Foto: Epitácio Andrade

Contemporânea do período do Cangaço dos Brilhantes com os Limões (1870-1880), Seu Zé Limão apresentou uma faca, cujo cabo de madeira se desgastou ao longo de mais de uma centena de anos, sendo substituído por uma haste de aço, porém a grande lâmina de ferro fundido foi preservada.

Lâmina de uma faca do cangaço dos Limões 
Foto: Epitácio Andrade

Seu Zé Limão preserva uma cédula antiga, “do tempo do cruzeiro”, com a imagem de Duque de Caxias, para preservar a memória de que “os Limões resistiram ao recrutamento forçado para a Guerra do Paraguai”.

 Cédula de Cruzeiro com imagem de Duque de Caxias 
Foto: Epitácio Andrade

O acervo de moedas cunhadas em 1870 preserva a memória da proteção dos comboios do comércio primitivo do sertão, que era promovida pelos membros da família Limão, depois da aliança com os Lobos e os Lobatos, controladores da economia loco - regional. Não seria desnecessário afirmar que os Limões foram agentes pró-ativos de importantes lutas sociais, e como afirma Alicio Barreto em “Solos de Avena”, “é possível que voltaram ricos do quebra-quilos”.

Moedas do período do Cangaço 'Jesuínico'
Foto: Epitácio Andrade

Com muita cordialidade e presteza o Aposentado José Alves Rodrigues (Zé Limão) e sua esposa Maria Emília Cordeiro Alves, que é da descendência de Jesuíno Brilhante, prestaram as informações solicitadas pelo pesquisador Epitácio Andrade e serviram café num bule datado do início do século passado.

Bule do início do séc. XX 
Foto: Epitácio Andrade

Igualmente gentil foi o filho de Seu Zé Limão, Ângelo Márcio, que tem total lembrança da visita feita por Emanoel Amaral e Alcides Sales no início dos anos 80 do século passado, ao “Saco dos Limões”.

Os próximos passos serão uma visita ao “Saco dos Limões”, na zona rural do Patu, ao Sítio São Francisco, no Catolé do Rocha, e uma entrevista com Manoel Catonho, para consolidar informações para a segunda edição ampliada de “A Saga dos Limões”.


*Epitácio de Andrade Filho é autor do livro "A Saga dos Limões – Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante”, Médico Psiquiatra e Pesquisador Social.

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O OUTRO LADO DE MARIA BONITA - TVGAMAFILHO.BLOGSPOT.COM

https://www.youtube.com/watch?v=bIjAiJ_st5E

Publicado em 13 de abr de 2011

A história de uma rádio que nos dias atuais ainda produz muita informação e não perde o brilho dos anos dourados.

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AS MULHERES QUE FORAM AO FRONT PARA DEFENDER SÃO PAULO

Por Petrônio José Domingues
Mulheres marchando em 1932, junto a soldados.


A história de São Paulo é cheia de cooperação entre paulistas. Sem as mulheres, jamais teríamos conquistado tudo aquilo que conquistamos. Elas tiveram importante papel no Bandeirismo, autônomas e mantenedoras da paz, assim como em todos os outros períodos históricos. 

Nos séculos XIX e XX já atuavam em vários postos de trabalho e foram aos poucos conquistando aquilo que lhes fora negado nos séculos passados.

Em 1932, as mulheres mostraram toda a sua valentia e sustentaram a Guerra Paulista com produção de uniformes, produtos alimentícios e material bélico, visto que os homens estavam em batalha. Doaram jóias, animaram a população e cuidaram dos soldados feridos como médicas e enfermeiras. Algumas até se tornaram famosas, como Carolina Ribeiro e Carlota Pereira de Queirós

Mas não foi só isso que fizeram. Três outras mulheres sentiram que o que faziam era insuficiente e deram um passo a mais. Alistaram-se para empunhar fuzis e deixar os getulistas longe de sua Pátria. Essa é a história das Valentes Guerreiras Paulistas Francisca das Chagas Oliveira, Maria Stela Rosa Sguassábia e Maria José Bezerra.

Manifestação no dia 23 de Maio de 1932.
A primeira a se alistar foi Francisca Oliveira. Natural de Itu, cidade de onde partiram vários combatentes, ela foi responsável por comandar o treinamento de vários soldados. Apesar da avançada idade, lutou no front sob o frio intenso daquele julho de 1932. Contam que quando foi se alistar, perguntaram-lhe por que o fazia, surpresos com a disposição que mostrava para a luta. Disse-lhes, então: «Para defender meu Estado e meus meninos»

Já Maria Sguassábia foi mais ousada. Natural de Araraquara, ela trabalhava como professora na Fazenda Pauliceia (divisa com o Brasil). Alguns soldados estavam aquartelados no local e, um dia, a professora, observando a movimentação, percebeu a desistência de um deles. Naquele momento tomou uma decisão. Em depoimento ao jornal O Globo em 1932, disse:
«O administrador da fazenda deu ordens para abandonar o local porque estava no centro do combate. Dali eu podia ouvir os bombardeios. Quando vi um soldado desertar, jogando sua arma no mato, fiquei indignada, se pudesse alcançaria o patife e lhe daria umas bofetadas. Porém, na hora não dava para pensar, havia grande agitação entre os soldados. Logo descobri que a tropa iria avançar, sair das proximidades da fazenda. Decidi acompanhar o meu irmão. Deixei minha filha com o administrador. Voltei para encontrar o fuzil abandonado pelo soldado desertor, vesti a farda que meu irmão me dera para lavar. E quando o caminhão dos soldados passou rente a escola, corri atrás e subi.»
Sguassábia e seu fuzil
Naquele dia, entrou no meio dos soldados e embarcou para a próxima parada. Ninguém percebeu, apenas seu irmão que tentou de tudo para fazê-la desistir. Não funcionou. Estava decidida. Combateu sob identidade masculina, longe de qualquer suspeita. Até que, um dia, durante o combate, o vento lhe levou o capacete e seu superior pôde ver quem ela realmente era. 

Implorou então para ser aceita porque PRECISAVA defender sua terra a qualquer custo. Assim foi. Apesar das durezas da guerra, conseguiu ser um dos mais valentes combatentes. Como curiosidade, a tropa em que Maria Sguassábia estava foi a única a não perder nenhuma batalha.

Ao recuperar Vargem Grande do Sul, o soldado Mário rendeu um tenente brasileiro. A fim de desafiá-lo, soltou seus cabelos. O tenente se irou e começou a xingar todos da pior maneira possível e foi então que um tenente paulista, que participava da ocasião, disse-lhe: 
«Não se envergonhe de ser prisioneiro de uma mulher, tenente, porque indiscutivelmente o senhor está tendo a honra de ser aprisionado pelo mais valente soldado paulista.»
Sguassábia em desfile em São João da Boa Vista
Essa robustez lhe custou caro. Após a perda dos Paulistas, foi perseguida. Tentaram matá-la, mas sem conseguir, o tenente rendido João Batista Silveira, a prejudicou de todas as formas possíveis. O colega do ditador a fez perder o cargo como professora primária, de modo que não pudesse ocupar nenhum cargo público. Para sobreviver e sustentar a filha, Sguassábia teve de trabalhar como costureira. Só voltou à educação com o fim da ditadura, quando o governo de São Paulo lhe ofereceu o posto de inspetora de alunos. 

A terceira mulher esconde uma história de luta e superação antes de integrar as trincheiras. Maria José Bezerranasceu em 1885 em Limeira e durante os primeiros anos da ditadura se tornou uma opositora de Vargas. Trabalhava como cozinheira na cidade e, certo dia, a casa em que trabalhava foi alvejada. Sem nem avisar os patrões, Maria deixou o serviço pela casa e foi servir seu país.



Embora inicialmente alistada como enfermeira, resolveu se incorporar à Legião Negra. Achando que não seria aceita, disfarçou-se de homem. Só foi descoberta quando teve de ser socorrida após ser ferida em meio à luta. Isso lhe valeu o apelido de Maria Soldado.

Sobre a heroína, o jornal Gazeta declarou:
«Uma mulher de cor, alistada na Legião Negra, vencendo toda a sorte de obstáculos e as durezas de uma viagem acidentada, uniu-se aos seus irmãos negros em pleno entrincheiramento na frente do sul, descrevendo a página mais profundamente comovedora, mais cheia de civismo, mais profundamente brasileira, da campanha constitucionalista, ao desafiar a morte nos combates encarniçados e mortíferos para o inimigo, MARIA DA LEGIÃO NEGRA! Mulher abnegada e nobre da sua raça.»
No Jubileu de Prata da Revolução Constitucionalista, por ter trocado os quitutes pela farda, Bezerra foi galardoada com o título de «Mulher Símbolo da Revolução Constitucionalista de 1932», uma das mais altas honrarias da Nação Paulista. Isso significava que seu sacrifício era valorizado por todos os outros combatentes, homens ou mulheres.

Frente Única Paulista.
O patrão de Maria declarou em 1998 ao Jornal da Tarde:
«[...] a minha cozinheira era a famosa Maria Soldado, uma das figuras mais bonitas da Revolução de 32. Era uma negra, que estava cozinhando para minha tia Nicota Pinto Alves. Um dia Maria Soldado desapareceu. Ninguém sabia dela. E eis que ela retorna, vestida de soldado, com uns 20 ou 30 companheiros, índios e negros, e disse: "Nós vamos ingressar na Legião Negra", e foram todos, inclusive Maria Soldado, lutar com bravura nas trincheiras paulistas. Depois disso, Maria Soldado ficou sendo um símbolo de 32 e está hoje enterrada no Mausoléu da Revolução.»
Após a guerra, Maria Soldado voltou a trabalhar como empregada doméstica, mas continuou a ser uma grande opositora da ditadura, participando de manifestações, inclusive. Durante o Estado Novo, foi convidada a comparecer a uma cerimônia com Getúlio Vargas. Foi e recusou-se a saudá-lo, dizendo «Eu não pego na mão de um ditador. Já lutei contra o senhor na trincheira».

Apesar de toda a sua valentia e luta pela liberdade, terminou sua vida vendendo doces e salgados no Hospital das Clínicas, na capital. Morreu em 1958, num quartinho dum prédio na Rua Consolação. Seus restos mortais repousam no Panteão dos Heróis Paulistas, no Obelisco do Ibirapuera.

Por dentro do Obelisco. Foto de Nelson Bertolucci.
A guerra quebrou barreiras para as Paulistas que não foram quebradas tão cedo para as brasileiras. Em São Paulo, deu-se o primeiro grito da liberdade feminina e daqui partiram as influências da melhor integração das mulheres na sociedade dentro da América Portuguesa. Mas o que se discute aqui é: por que permanecem tão anônimas?

As três heroínas mal são conhecidas pela população comum e, às vezes, mesmo para a população letrada. Na Galiza, Maria Pita, mulher que saiu às ruas da Corunha a fim de incitar os cidadãos galegos a lutarem consigo contra os invasores ingleses, é valorizada e tem um monumento para si, cuja chama apenas se apaga poucas ocasiões. Mas nossas mulheres são ilustres desconhecidas, assim como nossos homens.

O sacrifício dos que nos antecederam não pode passar batido. É preciso que espalhemos a nossa história de resistência!

Bibliografia 

DOMINGUES, Petrônio José. "Os Pérolas Negras": a participação do negro na Revolução Constitucionalista de 1932, Afroasia, v. 29, n.30, 2003, pp. 199-245 in Revista Trilhas da História. Três Lagoas, v.3, n° 6 jan-jun, 2014, p.121-148
Projeto de Lei Nº99/2015 da Câmara Municipal de Limeira
Revista Aventuras na História, nº170, Editora Caras.
Site Memória Sanjoanense

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O CANGACEIRO VIRGÍNIO FORTUNATO DA SILVA


Por José Mendes Pereira

Virgínio Fortunato da Silva vulgo Moderno, afirmam os pesquisadores que ele era natural do Rio Grande do Norte. Segundo o pesquisador Franklin Jorge, há suspeita, não comprovada, que Virgínio era da cidade de Alexandria. Foi assassinado em combate no ano de 1936. 



Atuou como negociador de miçangas antes de ingressar no cangaço. Inicialmente casado com uma irmã do cangaceiro Lampião, seguiu seu cunhado no cangaço.

Após ficar viúvo, casou-se com Durvinha, com quem teve dois filhos. Integrava uma das facções mais cruéis do bando de Lampião, atuando nos Estados de Alagoas, Sergipe e Bahia. Era conhecido como o "capador oficial" do bando de Lampião, visto que sua marca era a castração realizada nas vítimas. Liderou um bando próprio, integrado, entre outros, por Moreno, o qual acabaria se casando com Durvinha após a morte de Virgínio em 1936.

Virgínio foi gravemente ferido na virilha quando estava com o bando de Corisco, no município de Monteiro. Não resistindo, veio a óbito no ano de 1936.

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