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quinta-feira, 30 de julho de 2015

CARIRI CANGAÇO DE PIRANHAS: UM EVENTO PARA NÃO SER ESQUECIDO.

*Por João de Sousa Lima

CARIRI CANGAÇO DE PIRANHAS: UM EVENTO PARA NÃO SER ESQUECIDO.

Sou suspeito quando me refiro à cidade de Piranhas, pois sou incondicionalmente apaixonado por essa Veneza São Franciscana e, para completar, ela sempre foi um dos meus palcos de pesquisas sobre o cangaço.

Acostumado andar Brasil afora participando de congressos, encontros, seminários e eventos voltados para o tema cangaço, estive no 1° Encontro de Escritores do Cangaço acontecido em Brasília e depois disso em todas as edições do Cariri cangaço e produzimos aqui em Paulo Afonso três seminários sobre o Centenário de Maria Bonita, A Rainha do Cangaço.

Todos os eventos servem para reencontrarmos amigos, escritores e pesquisadores. Ao longo do tempo surgiu uma grande irmandade entre todos (ou quase todos, pois algumas rusgas existiram e existem sempre, mesmo sendo apaziguados os mais exaltados quando os nervos afloram em discussões).


O Cariri cangaço Piranhas 2015, confesso, me surpreendeu. Nunca a cidade havia se movimentado tanto diante de um objetivo; os responsáveis pelo projeto suaram a camisa e mobilizaram um evento de porte grandioso. Começando pela forma de trabalho, divulgando e visitando pontos históricos que registraram fatos ligados ao cangaço. 

Todos puderam aprender “IN LOCO” sobre as ações acontecidas na região, desde a fazenda Picos onde Inacinha foi baleada e presa, passando pela Cachoeirinha onde o cangaceiro Gato fez várias mortes e seguiu para invadir Piranhas na tentativa frustrada de resgatar sua companheira.


Chegando ao palco da chacina maior, na fazenda Patos, onde Corisco assassinou a família do inocente Domingos Ventura, em vingança a morte de Lampião. Em homenagem as mortes, plantamos várias árvores caatigueiras, contribuindo com a preservação da natureza.

Na abertura da Semana do Cangaço de Piranhas, com o auditório Miguel Arcanjo lotado, todas as tribos estavam lá. A filarmônica Mestre Elísio recepcionou o grande público entoando várias canções do cenário nordestino, em destaque as obras do Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

De Paulo Afonso seguimos em caravana: Eu, Josué Santana, Nely Conceição, Aninha Lúcia, Alan, Ivan Caetano, Luiz Ruben, Antônio Martins, Macário, Gilmar Teixeira, Joventino e Antonio Lira.


Dentre tantas personalidades revi pessoas que gosto muito: Jorge Remígio, Narciso Dias e Catarina, Sousa Neto, Leila, Jair Tavares, Patrícia, Paulo Brito e Anne, Severo e Ingrid, Aderbal Nogueira, Afrânio, Osvaldo, Archimedes, Ivanildo Silveira, Kiko Monteiro, Railda, Rostand, Zé Cícero, Inácio Loiola, Cacau, Jairo e Angecila, Juliana Pereira, Lamartine Lima, Edvaldo Feitosa, Leandro Duran, Oleone, João Bezerra, professor Pereira, Tomaz e seu escudeiro Afrânio, Berg Taylor, Primo de São Bento do Uma, Wescley, Urbano Silva, Marcos Carmelita e Silvana, padre Agostinho Justino, José Tavares, Elane, Cristiano, Manuel, Lívio Ferraz, Louro Telles.  O clã dos “Rodrigues” representados pelos amigos Celso, Jaqueline, Celsinho, Patrícia Brasil e os irmãos Reginaldo e Petrúcio. Os Rodrigues estiveram diretamente ligados na organização e no bom andamento da Semana do cangaço de Piranhas.

Um dos fatos mais marcantes foi a Homenagem ao escritor e amigo Alcino Alves Costa, com a inauguração do seu Memorial, em Poço Redondo, onde fotos e objetos espalhados em salas relembraram aquela figura excepcional. Na mesma cidade visitamos Maranduba, lugar de um dos maiores combates entre cangaceiros e policiais.


Dos acirrados debates podemos conhecer os pesquisadores que estudam com seriedade o tema e os que tentam a todo custo colocar fatos tirados da invencionice e da incapacidade de ser sério no que faz, porém, esses maus pesquisadores são rebatidos por diálogos exasperados e o tempo mesmo cuidará de afastá-los dos bons.

De algumas palestras tiramos proveito, aprendemos, socializamos. Dos lugares visitados vemos o palco das lutas sangrentas daquele tempo e temos a dimensão do que foi o fenômeno cangaço no nordeste brasileiro. Na travessia do milenar Rio São Francisco visualizamos as belezas daquela paisagem exuberante.


Ganhamos muito em participar de eventos dessa grande. Na magnitude das expressões apresentadas ganhamos conhecimento. Em cada página debatida ou visualizada extraímos alguma coisa de bom. As trilhas, as palestras, as subidas, o tempo sempre curto, a sede, a fome, o sono... tudo isso é superado nas rodas de conversas dos amigos.

Mais nada, nada mesmo, supera os abraços, os risos, as resenhas engraçadas, as várias fotografias que eternamente farão parte da história de nossas vidas...        ... Nada supera essa irmandade. Finda-se um evento e  recompomo-nos, então a saudade surge, olhamos as imagens e tudo vem à tona...


...Nada paga aqueles sorrisos...   ...Na lembrança dos trajetos trilhados a história se perpetua e as imagens dos amigos grudam na alma feito tatuagem que teima em ser eterna....

Paulo Afonso, 30 de julho de 2015

*João de Sousa Lima
Membro da ALPA- Academia de Letras de Paulo Afonso – Cadeira 06
Escritor e Historiador

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CANGAÇO - ECOS NA LITERATURA E CINEMA NORDESTINO

Autora Vera Figueiredo Rocha

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Noite de Luxo na Abertura do Cariri Cangaço Piranhas 2015

Por Manoel Severo
Mesa de Abertura do Cariri Cangaço Piranhas 2015

Uma grande noite de festa marcou a abertura da Semana do Cangaço com o Cariri Cangaço Piranhas 2015 na noite deste sábado, 25 de julho. O Centro Cultural Miguel Arcanjo ficou pequeno para a espetacular presença do publico, vindo de todo o Brasil para prestigiar uma dos maiores edições do Cariri Cangaço. 

O evento teve seu inicio com a apresentação da Orquestra Filarmônica Mestre Elísio, da cidade de Piranhas para logo em seguida ter sua mesa formada pelo Prefeito Municipal Manoel Brasiliano de Santana, pelo Curador do Cariri Cangaço Manoel Severo Barbosa, pela secretária de cultura do estado de Alagoas, Mellina Freitas, representando também o Governador do Estado de Alagoas, Renan Filho; pelo Deputado Estadual Inácio Loiola, pela secretária de cultura e turismo do município, Patrícia Brasil, pelo representante da Câmara Municipal, vereador Bráulio e do representante da Comissão Organizadora, Archimedes Marques.

 Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço e Deputado Inácio de Loiola na noite de abertura em Piranhas.

Em suas palavras iniciais a anfitriã da noite, Secretária Patrícia Brasil Rodrigues disse da grande honra em receber o Cariri Cangaço dentro da semana do Cangaço em Piranhas e a grande felicidade de está acolhendo "pesquisadores de todos os lugares do Brasil, tornando o evento na maior festa cultural da temática cangaço, da região"

Para o Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, “mais uma vez temos a oportunidade de testemunhar uma demonstração inequívoca da forca da memória, história e tradição de nosso nordeste. Este auditório completamente lotado por verdadeiros apaixonados pelo sertão nos diz de forma segura que estamos no caminho certo, no fomento de debates lúcidos e acima de tudo responsáveis, na direção do fortalecimento da verdade histórica deste que sem duvidas se traduz como o mais significativo fenômeno nordestino. Meu coração se enche de felicidade pois vejo aqui amigos de todos os lugares do pais, numa demonstração da força da integração de toda uma nação, além da presença marcante e honrosa da família Piranhense, isso não tem preço...”

Secretária de Turismo e Cultura de Piranhas, Patricia Brasil Rodrigues 
Mellina Freitas, Secretária de Cultura de Alagoas, representando o Governador do Estado.

Mellina Freitas, ex-prefeita de Piranhas e atual Secretária de Cultura de Alagoas, na solenidade também representando o Governador do Estado, ressaltou a "espetacular iniciativa do Cariri Cangaço, fomentando e construindo bases sólidas para a perpetuação da cultura do sertão" e complementou, "conseguimos sentir que aqui temos uma verdadeira família".

Ainda dentro da programação de abertura foram entregues Diplomas de Amigo do Cariri Cangaço pela realização da terceira edição do Cariri Cangaço em Piranhas às autoridades presentes. Receberam a honraria o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, Desembargador Washington Damasceno Freitas, representado por sua filha, Mellina Freitas; o Prefeito Municipal Manoel Brasiliano de Santana, a secretária de cultura do estado de Alagoas, Mellina Freitas, o Deputado Estadual Inácio Loiola, a secretária de cultura e turismo do município, Patrícia Brasil e um  dos Organizadores do evento, Celsinho Rodrigues.

Prefeito Manoel entrega o Diploma a Mellina Freitas
Deputado Inácio Loiola entrega Diploma a Secretária Patrícia Brasil Rodrigues
Mellina Freitas recebe de Manoel Severo Diploma do Desembargador Washington Freitas

Para o Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, "as presentes homenagens representam a sincera gratidão de todos os que fazem o Cariri Cangaço, a estes homens e mulheres, que dentro de sua atividades se notabilizam pela defesa intransigente das coisas do sertão. 

Celsinho Rodrigues recebe das mãos de sua esposa, Patrícia Brasil Rodrigues
Archimedes Marques passa as mãos do Deputado Inácio Loiola
Vereador Bráulio entrega Diploma ao prefeito Manoel Brasiliano

O Cariri Cangaço Piranhas 2015 ainda haveria de homenagear com a Placa de Honra ao Mérito pelos relevantes serviços prestados a cultura nordestina a várias personalidades do universo da pesquisa e estudo do cangaço. Tendo a frente o Conselheiro Cariri Cangaço, Ivanildo Silveiro e o pesquisador Rostand Medeiros, receberam a honraria: Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço; os pesquisadores; de Barro, Sousa Neto; de Paulo Afonso, Luiz Ruben; de Cajazeiras, Professor Francisco Pereira e de Nazaré do Pico, Netinho Flor.

Manoel Severo recebe placa das mãos de Rostand Medeiros e Ivanildo Silveira




Sousa Neto recebe de Patrícia Brasil Rodrigues
Luiz Ruben recebe de Patricia Brasil Rodrigues
Amélia Araujo representando Netinho Flor recebe de Ivanildo Silveira

Ainda dentro da Programação Solene da noite o pesquisador, escritor e artista plástico sergipano Archimedes Marques homenageou um dos convidados especiais do Cariri Cangaço Piranhas 2015, Paulo Britto, com uma escultura em papel machê do grande comandante das volantes que deram cabo de Lampião na grota de Angico, seu pai, tenente João Bezerra. 

Paulo Britto, filho do tenente João Bezerra e a homenagem de Archimedes Marques

Depois do momento solene de abertura do Cariri Cangaço Piranhas 2015, para um auditório totalmente tomado de pesquisadores de todo o Brasil, representantes de vários grupos de estudos, universidades, curiosos e sobretudo a sociedade piranhense, houve a conferencia de abertura com a palestra: Piranhas e sua Historia, sob a responsabilidade do pesquisador e deputado estadual Inácio Loiola. 

As origens de Piranhas, até os dias atuais, passando por todos os significativos acontecimentos perpetuados na "lapinha do sertão" foram pouco a pouco sendo desnudados em brilhante conferência pelo pesquisador Inácio Loiola. "A presença do cangaço foi tão forte aqui em Piranhas que chegou a colocar em segundo plano na história, a visita do imperador Dom Pedro II" , ressalta Inácio.

Deputado Inácio Loiola em "Piranhas e sua História"
Auditório do Centro Cultural Miguel Arcanjo totalmente lotado na noite de Abertura do Cariri Cangaço Piranhas 2015.

Durante mais de uma hora os convidados da noite foram presenteados por uma conferência que proporcionou a todos, conhecer mais de perto a história e os principais acontecimentos que marcaram  a vida de Piranhas. Ao final da noite os convidados participaram ainda de show de forró na Feira do Cangaço, no centro histórico de Piranhas, onde também puderam entrar em contato com os principais pesquisadores e escritores da temática que realizavam exposição de suas obras, como também como o mais autentico artesanato local e comidas típicas da região. 


Cariri Cangaço Piranhas 2015
Piranhas, 25 de Julho 
Centro Cultural Miguel Arcanjo
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CORISCO A SOMBRA DE LAMPIÃO


Pela grandeza da Obra e pelo inconfundível talento do autor, Corisco - A Sombra de Lampião é mais do que recomendável, é imprescindível!

Palavras do Manoel Severo do:
 
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Vendas através de Francisco Pereira

Valor de R$ 50,00 (com frete incluso).

Pedidos através do e-mail:


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A SAGA DE QUINTINO FEITOSA

Por Heitor Macedo
Quintino Feitosa (Foto:http://historiadejuazeiro.blogspot.com.br)

Quintino Feitosa era natural da Paraíba, talvez pertencente algum dos velhos troncos que se dispersaram pelo Nordeste, e terminou indo residir no Juazeiro do Norte/CE, no início do século XX, quando a pequena urbe encontrava-se em violento estado de ebulição, fervilhando de hordas cangaceiras. Oriundo do Teixeira, na Paraíba, Quintino morou algum tempo na região do Pajeú de Flores, em Pernambuco, e, depois, foi residir no Juazeiro, onde participou ativamente dos combates contra as tropas de Franco Rabelo, na chamada Sedição do Juazeiro, em 1914.

A participação de Quintino na Guerra de Sedição do Juazeiro lhe conferiu grande notoriedade, em particular, por ter comandado a trincheira das Malvas (perto das residências de Floro Bartolomeu e do Padre Cícero), na qual repeliu heroicamente o avanço de uma das tropas rabelistas, comandada por Lourenço Ladislau, durante o segundo ataque feito ao Juazeiro. Na ocasião, Quintino Feitosa, chefiando apenas 30 homens, defendeu sua trincheira, além de impedir a detonação do canhão trazido pelas tropas inimigas.[56] Tal peça de artilharia era fundamental para o ataque, porém, dois dias depois de chegar ao Juazeiro, já havia sido apreendida e guardada no quintal do Padre Cícero.

Jagunços à serviço de Floro Bartolomeu

Esta sua atuação deu-lhe grande reputação, conforme se depreende das palavras do escritor Aldenor Benevides, arrematando que Quintino Feitosa era: “talvez o homem mais valente que já pisou no solo juazeirense”.Mas  esta fama veio acompanhada de maus olhares, contaminados pela inveja de dois cruéis cangaceiros, os irmãos Francisco (Senhorsinho) e José Pinheiro, conforme registrou Amália Xavier:

Os dois irmãos, Senhorzinho e Zé Pinheiro, tornaram-se inimigos de Quintino que, após a revolução, ficou conhecido e honrado com o título de um dos mais valentes, se não o mais destemido combatente da época. Os 2 não aceitaram a opinião pública pois julgavam-se com direito às maiores glórias. Começaram as tricas e rixas, os insultos e as ameaças, até que chegaram às hostilidades.
     
Enxergando as virtudes de Quintino, Floro Bartolomeu resolveu nomeá-lo para o cargo de delegado de Juazeiro do Norte, o que só atiçou mais ainda a sanha dos opositores, em outras palavras, a sua nomeação foi “como que uma pedra atirada em caixa de marimbondo”. Disseminava-se pelo Juazeiro a história de que Quintino era um homem intrépido e capaz de, sozinho, enfrentar muitos outros, pois desde jovem era, na sua terra natal, acostumado a enfrentar perigos, sendo muito arrojado e impulsivo, possuindo uma “natureza ardente, mas, só em último recurso, utilizava a sua tão propalada bravura”.

 
Floro Bartolomeu

Certa feita, um dos homens do delegado Quintino, João Batista, matou Nezinho, ligado à família dos Pedros. Depois do crime, o assassino buscou a casa de seu conterrâneo, Quintino, o qual se fez solidário ao amigo, não o levando para o xadrez, pois sabia que ao chegar à delegacia João Batista seria linchado.

Os opositores do homicida, insatisfeitos com a situação, dirigiram-se armados à casa de Quintino, a fim de realizar a referida prisão. Um pouco antes de isso acontecer, aproveitando-se do clamor dos bandidos, os irmãos Pinheiro já haviam se dirigido até as Malvas, para a casa de Quintino, com o suposto propósito de negociar a rendição de João Batista.

Conta-se que quando um desses irmãos alcançou às portas da casa de Quintino, este se dirigiu a Francisco Pinheiro (Senhorzinho) dizendo que não queria brigar, e o mandou ir embora, pois que “ele com aquela disposição, ali sozinho, era porque, ou estava bêbado ou louco e que ele, Quintino, não queria brigar nem com um e nem com outro; que fosse então chamar o irmão e os companheiros”. De pronto, Senhorzinho respondeu esta bravata com os seguintes termos: “eu nasci foi só”, vindo a disparar o primeiro tiro.

Defendeu-se Quintino com uma bala certeira que varou o peito do seu agressor, e, impassível, continuou no mesmo lugar à espera do irmão do morto. Assim, quando este chegou, Quintino confirmou-lhe ser o autor da morte de Senhorzinho e ainda disse a José Pinheiro que era seu dever, como irmão, fazer vingança.

Padre Cícero

Tomando conhecimento do ocorrido, o Padre Cícero se dirigiu ao lugar da contenda, chegando a tempo de evitar mais mortes, ordenando que todos voltassem para suas casas, “ameaçando com o cajado os mais atrevidos que não obedeceram prontamente”. No momento, Zé Pinheiro, louco de ódio, chorando desesperadamente, já se encontrava na companhia de alguns homens para fazer vingança, no entanto, tiveram que adiar os seus planos.

Como se não bastasse, outro evento veio piorar a situação. No dia nove de novembro de 1914, Zé Pinheiro foi até o Banco Tesouro da Família para retirar certo numerário. Em frente a este banco estava a Coletoria Estadual, onde se encontravam três homens para fazer a segurança do estabelecimento, pois o coletor, por ser cunhado de Quintino, temia alguma represália.

Dessa forma, Zé Pinheiro, ao sair do banco, quase recebeu um tiro disparado por um desses defensores da Coletoria, que assim agira por conta própria, talvez, em razão de uma provável inimizade. Não demorou, e no mesmo dia voltou Zé Pinheiro com os seus cabras, atirando contra o prédio da Coletoria, que foi invadido e depredado.

Casa de Quintino Feitosa em Malvas

Depois disso, aproveitaram o ensejo e marcharam para as Malvas, lugar em que residia Quintino. Este, no interior de sua casa, foi atacado por mais de cem homens armados, recebendo disparos que vinham de três direções. Quintino respondeu à ofensiva, sendo auxiliado por apenas 12 homens entrincheirados no seio da sua residência.

Durante o combate, por duas vezes faltou munição para Quintino e seus homens, momento em que um cabra seu, de nome Amaro, um rapazinho de 18 anos, oriundo do Riacho do Navio (Zona do Pajeú), pulou uma das janelas e, em seguida, rolou no chão enquanto atirava, habilidade que causava admiração até mesmo aos seus inimigos. Então, voltou o rapaz para o interior da casa trazendo as balas.

A cabroeira de Quintino, a maioria da Região de Flores, no Pajeú, despendia grande esforço por combaterem se movimentando constantemente pelo interior da residência. A esposa de Quintino, sentada no chão, municiava as armas dos homens, enquanto sua afilhada, Filomena (Filó), também atirava contra os sitiantes.

Já com quase 24 horas de intenso tiroteio, um primo de Quintino, Pedro Domingos, residente no Sítio Carás, chamou-lhe a atenção para o perigo que se aproximava naqueles últimos instantes. Porém, Quintino estava decidido a morrer brigando e, se fosse preciso, de punhal, por isso liberou aqueles que desejassem fugir. Pouco tempo depois, Quintino tombou ferido, sendo arrastado para a dispensa por Filó, a qual, munida de um rifle, postergou o embate “com muito mais ardor e disposição como jamais pensava fazer”.Assim, agonizante, Quintino ordenou que sua mulher e os demais fossem embora.

Heitor Feitosa

Quando Zé Pinheiro invadiu a casa, Quintino já estava morto, mas, mesmo assim, o cruel cangaceiro ainda disparou sua arma contra o cadáver, que “era temido, mesmo depois de morto”. Em seguida, o corpo de Quintino foi arrastado por uma das pernas até a frente da casa, e apunhalado por Zé Pinheiro, a ponto de ficar irreconhecível. Este, não satisfeito, decepou o lábio superior do defunto usando uma faca de dois palmos de lâmina, jogando o pedaço extirpado dentro de um bornal, junto com as balas.

O crânio de Quintino foi esmigalhado com as coronhas dos rifles, de forma que o corpo só pode ser reconhecido através do dedo da mão direita, que era torto por um “panarício”. Para completar, Zé Pinheiro, reproduzindo uma cena antropofágica, bebia nos bares usando o pedaço do lábio de Quintino como tira gosto, submerso num copo de cachaça.

O triste espetáculo, regado a sangue e carne, era seguido de gargalhadas sinistras de Zé Pinheiro, que se aproveitou da ausência de Floro Bartolomeu e do Padre Cícero para promover tão lamentável ação. Porém, meses depois, em Alagoas, o truculento cangaceiro também foi assassinado, por gente do seu próprio grupo, sofrendo o seu cadáver o mesmo vilipêndio que havia feito ao de Quintino.

Heitor Feitosa, advogado
Fonte: http://estoriasehistoria-heitor.blogspot.com.br/

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LAMPIÃO E AS COMPRAS (VII)

Por Clerisvaldo B. Chagas, 26 de julho de 2015 - Crônica Nº 1.459

“26.07.1938. (Terça-feira).

Dia importante dentro e fora do coito.

Pela manhã, chega Manoel Félix somente com as agulhas. Não pode comprar o resto das coisas porque a polícia estava de olho nele”.

Mané Félix coiteiro de Lampião - http://lampiaoaceso.blogspot.com
,
Pedro de Cândido está presente. Lampião entrega uma lista de compras a ele, inclusive a mescla. Manda-o vigiar a polícia. Pedro vai a Piranhas”.

Dona Cyra e o tenente João Bezerra

O tenente João Bezerra está em Mata Grande e o sargento Aniceto em Pedra. Recebem telegrama de dona Cyra, esposa de Bezerra, dizendo sobre cangaceiros vistos na região de Piranhas.

Pedro de Cândido é o da esquerda

Em Piranhas, Pedro faz as compras e não vê Bezerra nem Aniceto. Cochicha com a polícia e é visto por Eráclito. Disfarça mandando-o levar a mescla, o restante não.

Grupo de cangaceiros de Corisco e Dadá

No coito chegam o subgrupo de Corisco e o de Labareda. Festa de alegria.

Jandaia, Patativa, Labareda, Saracura e suas mulheres, com e Deus-te-guie, no centro ao fundo. As meninas eram Zephinha, de Jandaia; Maria Eunice, de Patativa; Flauzina, de Saracura e Ozana, de Labareda. - http://lampiaoaceso.blogspot.com

Eráclito fala mal de Pedro, Corisco manda Virgolino matar a Pedro de Cândido, Lampião ameniza.

O capitão Lampião

“À tardinha, Luiz Pedro cortava a mescla para calça, culote e bornais de José. Lampião mandou Vicente e Manoel Félix buscarem a máquina de costura na casa da mãe de Pedro de Cândido, ali nas Forquilhas, do outro lado do morro das Perdidas”.

Desconhecido, Neném do Ouro, Luiz Pedro e Maria Bonita

Corisco não quis dormir ali e retirou-se para a fazenda do Velho Bié; Labareda foi dormir na fazenda Cuiabá, longe duas léguas. Os dois não confiaram no lugar em que havia apenas uma entrada, segundo eles. Moita Brava, alegando indisposição pediu para se tratar fora.

Boa Vista, Sebastiana, Moita Brava e Laura - entregues aos "homens".

O tenente Bezerra chegou à Piranhas à noite.

Pedro havia entregado um bizaco de balas a Lampião com seu irmão Durval, mandado por Bezerra antes de sair de Piranhas. O autor Maciel diz que foi na quarta, dia de feira em Piranhas quando o bizaco desceu com outras mercadorias.

Foto do coiteiro de Lampião Durval Rosa irmão do coiteiro Pedro de Cândido

“O entendimento sobre os últimos preparativos para o veneno (se houve) deve ter acontecido na noite da terça, quando Bezerra chegou a Piranhas, ou na manhã da quarta, antes de deixar à cidade”.


·         Narrativa baseada no livro: CHAGAS, Clerisvaldo B.  FAUSTO, Marcello. Lampião em Alagoas. Maceió, Grafmarques, 2012.

Continua amanhã.


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“SETENTA E UM ANOS DA MORTE DE BATISTINHA”

Por Sálvio Siqueira 

Nossa homenagem ao “rifle de ouro”

No ano de 1896, em uma rua próxima ao pátio da feira da cidade de Afogados da Ingazeira – PE, o pistoleiro Desidério Ramos atira, assassinando Francisco Batista de Morais, conhecido por ‘Batistão’, a mando do coronel Luiz Antônio Chaves Campos.

Este acontecimento, gerou outro muito importante para Manoel Batista de Morais, popularmente conhecido pela alcunha de ‘Batistinha’, que tendo nascido em 2 de novembro de 1875, contava na época com 21 anos de idade, e era filho de ‘Batistão’.

É certo que ‘Batistão’ era uma pessoa difícil, encrenqueiro, brigão e que contava com vários homicídios nas costas, mas, quando se refere ao sangue meus amigos, que corre nas veias, a coisa tem um toque mais que especial. E seu filho, a partir daquele momento passa a pertencer as fileiras dos fora-da-lei, pois parte em busca de vingar seu pai assassinado.

Conseguindo seu intento, segue ‘Batistinha’, já conhecido como chefe de um grupo de cangaceiros, e que auto se batiza ‘Antônio Silvino’, o 'Silvino' vindo de um parente cangaceiro, mas o Antônio ainda hoje não sabemos o porquê com certeza, passando, tempos depois, a também ser conhecido como o “o rifle de ouro”. Por vários anos a população nordestina passaria a ouvir histórias a respeito de Antônio Silvino. Corre daqui, corre dali, e, o tempo passa com o “rifle de ouro” buscando escapar das emboscadas das volantes e, as volantes tentando dar o bote no afamado chefe cangaceiro.

A prisão de Antonio Silvino ao centro em 1914

No dia 28 de novembro de 1914, nas imediações da Lagoa de Laje, município de Santa Maria - PE, trava ele, seu último embate contra as forças volantes. Depois de cerrado tiroteio, deixa um número de baixas enorme. Muitos foram mortos, outros baleados, seu lugar tenente, Joaquim Moura, para não ser preso, suicida-se com um tiro do próprio rifle.

Caminhando atordoado, faltando-lhe oxigênio, pois um projétil de um fuzil tinha lhe atingido nas costas e, consequentemente os pulmões, Silvino começa a sentir faltar-lhe forças nas pernas e segue cambaleante... até chegar na residência de um amigo, coiteiro, e em seguida, pede ao mesmo que chame a força policial que vai se entregar. Segundo historiadores, ele pronuncia a frase: ‘estou entregue!’ - quando do ocorrido, Manoel Batista de Morais, o Antônio Silvino, ou ainda o ‘rifle de ouro’, contava com a idade de 39 anos.

Após sua prisão, é removido a cavalo por estar ferido, para a cadeia de Taquaretinga, e em seguida, é transferido para capital pernambucana, sendo preso na casa de detenção. Torna-se o detento da cela de número 35 do raio leste, tendo como identificação o número 1122. Foi condenado a 239 anos e 8 meses de reclusão.

Preso, passa a ser objeto de estudos e pesquisas dos alunos da faculdade de direito do recife. Tem visitas ilustres como Luís da Câmara Cascudo, Nilo Pereira, José Américo de Almeida dentre outras personagens...

Decorridos 23 anos, dois meses e dezoito dias de detenção, recebe sua liberdade... perambula pelas ruas da cidade do Recife e Olinda, visita praias e, apesar dos seus 62 anos de idade, sente-se um jovem, cheio de ansiedade e perspectivas para o futuro. Viaja ao Rio de Janeiro, capital do país na época, e, presencialmente, tem uma entrevista com o presidente Getúlio Vargas.


Seu maior objetivo era poder comprar um pequeno ‘pedaço de terra’, para dedicar-se exclusivamente à agricultura, mas, quis o destino, não lhe dar essa condição. Perambula pelo Estado da Paraíba, terminando por alojar-se na casa de uma sobrinha, em Campina Grande- PB, Teodulina Alves Cavalcanti, bastante modesta por sinal, na rua Arrojado Lisboa. Vindo a falecer na casa dessa sobrinha, Teodulina, no dia 30 de julho de 1944. Deixa sua prole para as gerações futuras através dos seus oito filhos, José Batista, José, Manoel, Damiana, Isaura, Severina Severino e José Morais.

Fonte: facebook

Nota: Sem querer invalidar a informação do escritor Sálvio Siqueira nos meus apontamentos Teodolina Alves Cavalcanti era prima de Antônio Silvino.

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