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terça-feira, 22 de novembro de 2016

ACHADO EM ARQUIVO, PROCESSO CONTRA LAMPIÃO PODE VIRAR PEÇA DE MUSEU

Por Andrea Tavares Do G1 RN
Prontuário lista nomes dos 55 cangaceiros do bando (Foto: Andrea Tavares/G1)

Datado de 1940, prontuário lista nomes de 55 integrantes do bando. Peça inspirou à polícia técnica do RN a idealizar museu sobre o órgão.

Em meio a arquivos centenários do que hoje é o Instituto Técnico de Perícia do Rio Grande do Norte (ITEP), se esconde a história da polícia técnica do Estado. Em uma sala prestes a ser desativada, foi encontrado um prontuário datado de 29 de abril de 1940, cujo primeiro nome chama atenção: Virgolino Ferreira, vulgo ‘Lampião’. Agora, o chefe de gabinete do ITEP, Tiago Tadeu, quer que o documento se transforme em peça de museu. “Vai ajudar a contar não apenas a história forense em nosso Estado, mas do próprio instituto”, ressaltou.

Saiba mais

"Foram fotos antigas que começaram a despertar curiosidade aqui", conta Tadeu. Antigas fotos do prédio, câmeras que registraram locais de crimes, fichas de identificação, máquinas de datilografia também farão parte do acervo do museu, que ainda não tem data de inauguração nem local definido. O objetivo, no entanto, é claro: "preservar a história da instituição e possibilitar a divulgação do importante acervo documental que foi produzido ao longo deste período, como o documento que cita o mais famoso cangaceiro da história", explica o diretor geral do órgão, o perito Marcos Guimarães Brandão.

Foto antiga revela momento de Lampião e seu bando (Foto: Reprodução/TV Sergipe)

Lampião no RN

A passagem do 'rei do cangaço' pelo Rio Grande do Norte foi meteórica, tanto na rapidez quanto na devastação. "Ele passou 96 horas no estado, e por onde passou só deixou desgraça", conta o coronel da PM aposentado Ângelo Dantas, que também é pesquisador. A história já é conhecida: em 1927, Lampião e seu bando foram rechaçados pelos habitantes de Mossoró, cidade da região Oeste potiguar, que, liderados pelo então prefeito Rodolfo Fernandes, defenderam a cidade. Após a passagem dos cangaceiros, segundo o pesquisador Rostand Medeiros, foram abertos três processos contra Lampião e seu bando. "São de onde o bando deixou rastros. Em Martins, Pau dos Ferros e Mossoró", destaca.

Documento achado no arquivo do Itep, em Natal, é uma lauda escrita à fina caligrafia onde constam os nomes dos 55 criminosos mais temidos do sertão nordestino. Ao final, a informação de que os homens citados são enquadrados nos artigos 294 (Matar alguém) (Foto: Andrea Tavares/G1)

O documento achado no arquivo do ITEP, em Natal, é uma lauda escrita à fina caligrafia onde constam os nomes dos 55 criminosos mais temidos do sertão nordestino. Ao final, a informação de que os homens citados são enquadrados nos artigos 294 (Matar alguém) e 356 (Subtrahir, para si ou para outrem, cousa alheia móvel, fazendo violência á pessoa ou empregando força contra a cousa", como consta no Código Penal dos Estados Unidos do Brasil de 1890).

“Pouco se sabe sobre esse documento, mas tem ligação com o processo da comarca de Pau dos Ferros. O fato de estar em Natal pode ser apenas para deixar registrados os nomes e deixar alguma informação sobre o bando", explica o coronel Ângelo. Lampião foi morto em 1938, e o documento exibe a data de feitio em 1940, reforçando a ideia de que é uma ata dos processos contra o bando.

No Itep, o trabalho de apuração e restauração do material começou com o resgate de peças que estão em salas que serão desativadas em breve. Feito isso, seguem as etapas de higienização, reparo de documentos e classificação. Tiago Tadeu explica que as atividades também irão contemplar a digitalização de todo o acervo do instituto.

Tiago Tadeu, chefe de gabinete do Itep (Foto: Andrea Tavares/G1)

"Aqui se faz ciência. Aqui se faz história", ressalta Tadeu sobre o instituto. Em 2016, o Itep comemorou 41 anos, mas sua história é mais antiga. Aqui no Rio Grande do Norte existem registros de laudos confeccionados já nos séculos XVIII e XIX. Mas esses exames eram sempre realizados por peritos e não existia órgão específico para tal. Somente em agosto de 1909, através de Decreto, foi que o governador, à época, criou dois cargos de médico, sendo: um de médico do Batalhão de Segurança (denominação da Polícia Militar) e o outro de médico da polícia. Este último recebeu as atribuições de médico legista. Mas como a carência desse tipo de profissional era muito grande, o mesmo médico foi nomeado para os dois cargos. Trata-se do Dr. Antônio Emereciano China, verdadeiramente, o primeiro médico legista, devidamente nomeado e empossado no cargo, de que se tem notícia aqui no RN. Em 1910, foi criado um órgão denominado Enfermaria de Urgência, cuja finalidade era funcionar em caráter ininterrupto para atender às requisições das autoridades policiais como exames de corpo de delito e perícias. E em 30 de abril de 1975 o órgão passou a ser o Instituto de Medicina Legal e Criminalística.

Coronel Ângelo Dantas - (Foto: Fernanda Zauli/G1)

Segundo o chefe de gabinete do ITEP, o trabalho de se criar um museu está sendo idealizado para contribuir com o fortalecimento de uma responsabilidade social. “Nesse projeto de resgate da memória técnica do instituto, pretendemos apresentar um acervo que contemple a devida importância do órgão no estado", explica. Já para o coronel Ângelo Dantas, a ideia do museu é promessa de sucesso. "Eu só tenho a aplaudir. Ele está no caminho certo, cultura é produtiva", comemora.

Morte de Lampião

Faz 78 anos que Lampião e seu bando foram mortos. Eles acamparam na fazenda Angicos, no Sertão de Sergipe, no dia 27 de julho de 1938. A área era considerada por Virgulino como de extrema segurança, longe das vistas das forças policiais. Mas, na manhã do dia seguinte, os cangaceiros foram vítimas de uma emboscada, organizada por soldados do estado vizinho, Alagoas, sob a batuta do tenente João Bezerra. De acordo com pesquisadores, o combate durou somente 10 minutos.

Prontuário lista nomes dos 55 cangaceiros do bando (Foto: Andrea Tavares/G1)

http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2016/11/itep-do-rn-acha-processo-contra-lampiao-peca-de-museu-diz-diretor.html

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sábado, 7 de setembro de 2013

LANÇAMENTO DO LIVRO DE JOÃO BARONE EM NATAL

Publicado em 07/09/2013 por Rostand Medeiros
O autor deste blog junto a João Barone
 O autor do blog Tok de História junto a João Barone

Na última sexta-feira, 6 de setembro, mais uma vez tivemos o privilégio de encontrar o amigo e grande pesquisador João Barone em nossa cidade. Como comentado anteriormente em nosso Tok de História, ele aqui esteve para lançar junto ao público potiguar o seu novo trabalho “1942 – o Brasil e sua quase desconhecida guerra”.

O evento, mais do que bem movimentado, ocorreu na Livraria Siciliano do Midway e foi pleno de sucesso.

Barone sendo entrevistado pela jornalista Margot Ferreira, da Inter TV Cabugi
Barone sendo entrevistado pela jornalista Margot Ferreira, da Inter TV Cabugi

Entre os amigos de Natal com quem tive oportunidade de encontrar, era unânime a positiva opinião sobre a qualidade do livro. Bem como o fato do trabalho de Barone ser um material que pode muito bem ajudar aqueles que não conhecem o tema da participação do Brasil na segunda Guerra Mundial a terem um primeiro contato.

Parabéns ao amigo João Barone e que venham outros livros tão interessantes quanto  ”1942 – o Brasil e sua quase desconhecida guerra”.

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.wordpress.com

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

O LIVRO DO FOTÓGRAFO JAECI GALVÃO

Publicado em 20/08/2013 por Rostand Medeiros
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Para aqueles que gostam da história da capital potiguar (e creio que para grande parte da minha geração) certamente a maior referência quando se desejava conhecer como era Natal no passado, sempre foi contemplar o maravilhoso trabalho do fotógrafo Jaeci Galvão.

Não quero dizer que os trabalhos de Bruno Bougard, Manuel Dantas, João Alves de Melo e outros fotógrafos que clicaram a terra potiguar não merecem respeito e consideração. Longe disso. Apenas quero dizer que para mim, foi vendo o trabalho de Jaeci, que sonhei com uma Natal que não existe mais e não conheci.

O trabalho deste homem é de tal forma uma referência, que ao observarmos muitas das fotos antigas que ele realizou, contemplamos com maior nitidez a nossa história.

Agora o trabalho e a vida de Jaeci Galvão está em um maravilhoso livro, realizado pelo seu filho, o igualmente talentoso Fred Galvão.  Intitulado “JAECI, O DIVINO DA FOTOGRAFIA”, a obra possui 278 páginas, com muitas fotos do trabalho de Jaeci Galvão junto a nossa sociedade, fotos históricas da cidade de Natal e instantâneos que mostram toda a vida de um homem que trabalhou buscando o melhor ângulo de uma cidade chamada Natal.

O lançamento de “JAECI, O DIVINO DA FOTOGRAFIA” ocorre nesta quarta feira, dia 21 de agosto de 2013, ás seis da noite, no tradicional Iate Clube de Natal. O valor do livro é de R$ 50,00.

Parabéns ao amigo Fred Galvão por “JAECI, O DIVINO DA FOTOGRAFIA”!

http://tokdehistoria.wordpress.com/2013/08/20/o-livro-do-fotografo-jaeci-galvao/

Não deixe de ler neste mesmo blog do Rostand Medeiros

A HISTÓRIA DO TIROTEIO NO SÍTIO TATAÍRA E A INCRÍVEL RESISTÊNCIA DO CANGACEIRO MEIA-NOITE

Extraído no blog do historiógrafo e pesquisador do cngaço Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.wordpress.com
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O CISNE BRANCO NO PORTO DE NATAL – CONHECENDO A NAVEGAÇÃO DO PASSADO

Por: Rostand Medeiros

O Navio-Veleiro “Cisne Branco” atracou ontem  no  Porto de Natal e estará aberto à visitação pública até dia 20 de agosto, nos horários entre 14h e 18h.

Veleiro brasileiro Cisne Branco (U-20) no porto de Natal

A entrada é gratuita. A sua missão é representar o Brasil em eventos náuticos nacionais e internacionais, divulgar a mentalidade marítima na sociedade civil e preservar as tradições navais. 
O “Cisne Branco” é um veleiro de grande porte,e  foi construído em Amsterdã, Holanda.

Fonte – Jornal Tribuna do Norte, edição 17 de agosto de 2012, via

Visitar o Cisne Branco é extremamente instrutivo no conhecimento das antigas tradições da marinharia.

Entre as missões do Cisne Branco está a de representar o país em eventos náuticos nacionais e internacionais , divulgar a mentalidade marítima na sociedade civil e preservar as tradições navais. Esta nave é igualmente utilizada no complemento à formação marinheira do pessoal da Marinha do Brasil, a partir do embarque de aspirantes da Escola Naval.


Fonte – http://shipssantos.blogspot.com.br/


http://tokdehistoria.wordpress.com/tag/cisne-branco/

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

NATAL DE PONTE A PONTE

Por: Rostand Medeiros

Estas belas fotos são de autoria do competente fotógrafo Cláudio Abdon, colega de Salesiano e que mantém o blog “Cláudio Abdon-Repórter Fotográfico” (http://www.claudioabdon.com.br/).

Mostra a nossa bela cidade Natal, o Rio Potengi. As fotos foram realizadas apontando desde a popularmente conhecida Ponte de Igapó (oficialmente Ponte Costa e Silva), mostrando uma parte de Natal, até a moderna Ponte Forte-Redinha (oficialmente Ponte Newton Navarro).

Vale a pena conferir o seu trabalho.









Extraído do blog do historiógrafo e pesquisador do cangaço:
Rostand Medeiros

sexta-feira, 16 de março de 2012

ELEANOR ROOSEVELT E PARNAMIRIM FIELD COMO A MAIOR BASE AÉREA DOS AMERICANOS NA II GUERRA MUNDIAL

Por: Rostand Medeiros
Photo

Eleanor Roosevelt era a esposa do presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt (1882 – 1945).  Conhecida pela sua ação em ajudar os mais necessitados através da caridade, foi também autora e uma defensora incansável das causas sociais.
Em 1944 esta brilhante mulher esteve em Natal, visitando Parnamirim Field e autoridades locais.
Eleanor Roosevelt
Eleanor Roosevelt era a esposa do presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt (1882 – 1945).  Conhecida pela sua ação em ajudar os mais necessitados através da caridade, foi também autora e uma defensora incansável das causas sociais.
Em 1944 esta brilhante mulher esteve em Natal, visitando Parnamirim Field e autoridades locais.
Anna Eleanor Roosevelt nasceu em New York, em 11 de outubro de 1884. Sua família era financeiramente estável, mas perturbada. Seu pai era Elliott Roosevelt, o irmão mais novo do ex-presidente americano Theodore Roosevelt (1858-1919). Apesar de bonito e charmoso, Elliott sofria de depressão mental e alcoolismo. Já a mãe de Eleanor estava preocupada com a imagem da família na alta sociedade e transmitia extrema vergonha pela aparência física de Eleanor, que não foi considerada bonita.
Na época da escola
Embora o pai de Eleanor fosse considerado ausente, ela o considerava um pai maravilhoso e fascinante. Quando Eleanor era uma criança, seu pai entrou uma instituição para alcoólatras. Foi uma das muitas perdas iniciais para a jovem, cuja mãe morreu quando ela tinha apenas oito anos de idade. Após a morte de sua mãe, Eleanor e seus dois irmãos mais novos foram viver com sua avó materna, em Nova York. Pouco tempo depois o irmão mais velho morreu. Quando Eleanor ainda não havia completado 10 anos, ela soube que seu pai havia morrido. Sua avó abrigou-a de todo o contato exterior, exceto para os amigos da família.
Eleanor Roosevelt começou a descobrir um mundo além de sua família depois de frequentar uma escola para mulheres jovens na, Inglaterra, quando tinha 15 anos de idade. Para ela a sua escola lhe ensinou um sentido maior de responsabilidade com a sociedade. Eleanor começou a agir de acordo com este ensinamento depois de seu retorno a Nova York. Mergulhou no trabalho em pról dos mais carentes. Ao mesmo tempo, seu primo, alto e bonito, Franklin Delano Roosevelt, começou a cortejá-la. Eles se casaram em março de 1905. Eleanor tinha agora de lidar com uma avó controladora e com um marido que gostava de estar em público e que realmente não entendia a luta de Eleanor para superar sua timidez e insegurança.
Os Rosevelt. Uma relação bem longe da perfeição.
Entre 1906 e 1916, os Roosevelt tiveram seis filhos, um dos quais morreu quando criança. A família viveu em Hyde Park, Nova York, enquanto Franklin focava em suas ambições políticas para se tornar uma figura importante no Partido Democrata. Ele exerceu um mandato de Senador pelo estado de Nova York no senado americano, antes do presidente Woodrow Wilson  nomeá-lo como secretário assistente da Marinha em 1913. Embora Eleanor tenha realizado muitos trabalhos voluntários pela Cruz Vermelha durante a I Guerra Mundial (1914-18), ela permaneceu fora do olho público.
Um importante ponto de mudança na vida de Eleanor veio em 1921, quando Franklin contraiu poliomielite e sofreu de paralisia e perdeu a mobilidade das pernas. Eleanor fez tudo para o marido volta à atividade política. Dentro de poucos anos havia recuperado sua força e ambições políticas. Enquanto isso, Eleanor tinha-se tornado uma importante figura pública, trabalhando para um maior envolvimento ativo das mulheres em vários setores do governo. Ela começou a agir como se fosse as “pernas e ouvidos” do depois que Franklin tornou-se governador de Nova York em 1928, Ela se manteve muito ocupada inspecionando hospitais estaduais, casas e prisões.
No final de 1930 os tambores de guerra ecoavam e mostravam que os Estados Unidos seguia para a luta.
Eleanor Roosevelt falou vigorosamente em favor da política externa de seu marido.  Depois que os Estados Unidos entraram formalmente a Segunda Guerra Mundial em dezembro de 1941, ela fez várias viagens ao exterior para impulsionar os espíritos de soldados e de inspecionar as instalações da Cruz Vermelha.
Eleanor em diálogo com o Brigadeiro Eduardo Gomes e o Bispo de Natal, Dom Marcolino Dantas
Eleanor Roosevelt visitou o Brasil entre 14 e 17 de março de 1944, onde visitou Belém, Natal e Recife. Na capital potiguar ela visitou a Base de Parnamirim, esteve com autoridades locais. Esteve na sede do USO, o clube de recreio dos militares americanos, que ficava na praça Augusto Severo, por trás da antiga Rodoviária, no bairro da Ribeira. Ali ela foi reconhecida e ovacionada por muitos natalenses. Esteve também na Base Naval de Natal, onde elogiou as instalações.
Condecorando oficiais da US Navy em Parnamirim Field
Um fato interessante foi que para os jornalistas a Sra. Eleanor Roosevelt afirmou (e assim foi reproduzido) que a base aérea de Parnamirim era “A mais bem equipada do Mundo”. Mesmo reproduzindo o que ela disse, os jornalistas locais claramente se empolgaram e lascaram em letras destacadas “A maior base do Mundo”. E parece que a coisa pegou.
Eu entendi que aparentemente na época ninguém leu o conteúdo e ficaram nas letras destacadas.
Muita gente fala até hoje sobre isso, mas eu pessoalmente nunca vi nenhum documento de lá, informando, ou corroborando a informação que Parnamirim Field foi a maior base aérea norte-americana em atividade na Segunda Guerra.

Maior base?
A escritora Clarice Lispector, em uma carta endereçada a Elisa Lispector e a Tania Kaufman, em Belém, no dia 18 de março de 1944, fez os seguintes comentários sobre Eleanor Roosevelt, que está reproduzida no  livro “Clarice Fotobiografia”,  de autoria Nádia Battella GOTLIB e publicado pela Editora da USP.
“… A senhora Eleanor Roosevelt passou por aqui. Fomos convidados para recebê-la no aeroporto e para ir à recepção dada a ela. Fui com meu vestido preto. Ela é simpaticíssima, muito simples, vestida com muita modéstia, bem mais bonita pessoalmente do que nas fotografias e no cinema. No dia seguinte, ela deu entrevista coletiva à imprensa, eu fui, mandei noticiário telefônico para A NOITE, mesmo estando de licença porque não queria perder a chance”.
Depois de Franklin Roosevelt morreu no cargo em abril de 1945, esperavam que Eleanor se retirasse para uma vida privada e tranquila. No entanto, até o final do ano, ela estava de volta em público. O novo presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman a indicou co0mo representante americano para a Comissão das Nações Unidas sobre Direitos Humanos. Ela permaneceu no cargo até 1952. Mais tarde, ela continuou a trabalhar para a compreensão e cooperação internacional, atuando como um representante da Associação Americana para as Nações Unidas.

Durante a última década de sua vida Eleanor Roosevelt viajou para vários países estrangeiros, incluindo a temida União Soviética. Ela completou sua Autobiografia em 1961.
Ela morreu em Nova York, em 06 de novembro de 1962.
Apesar de sua infância tímida e solitária, Eleanor Roosevelt tornou-se uma das mulheres mais importantes do século XX e sua ação inspirou milhares de mulheres.

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Extraído do blog: "Tok de História", do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

AS CORES NA RAMPA E NA BASE DE PARNAMIRIM DURANTE A II GUERRA

Autor: Rostand Medeiros

A grande maioria dos potiguares e os entusiastas da história da aviação no Brasil sabem perfeitamente o significado de Rampa e da Base de Parnamirim.

Grupo de militares americanos bebendo no Grande Hotel, defronte a igreja de Bom Jesus, no bairro da Ribeira, em Natal. - Fonte - Coleção do autor

A Rampa foi uma base de hidroaviões localizada no estuário do Rio Potengi, em Natal. Construída antes da Segunda Guerra Mundial foi utilizada durante este conflito principalmente como uma unidade de apoio a hidroaviões da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy).

Área onde se localizava a antiga base de hidroaviões conhecida como Rampa, no Rio Potengi. É possível ver um hidroavião PBY Catalina pousado e amarrado - Fonte - Coleção do autor.

Já a Base de Parnamirim, ou Parnamirim Field, assim como a Rampa, foi primeiramente um empreendimento civil, na forma de um campo de pouso desenvolvido por franceses na década de 1920, que foi crescendo conforme a importância estratégica de Natal crescia para a aviação civil a nível mundial.
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial o antigo campo foi ocupado por forças militares dos Estados Unidos, que ali desenvolveram uma das maiores bases aéreas de apoio ao esforço de guerra aliado em todo o conflito. Lá existiam unidades tanto da U.S. Navy, como da USAAF – United States Army Air Force, a força aérea do exército dos Estados Unidos.

Visita a Natal do então presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt - Fonte - Coleção do autor.

Para o povo da terra estes dois locais são simplesmente a “Rampa” e a “Base” e a história destes locais está intrinsicamente ligada ao desenvolvimento de Natal.
Bom, quem está acostumado a ler sobre a história destes locais em inúmeros livros, trabalhos acadêmicos e outros tipos de publicações, está basicamente acostumado a ver a sua iconografia histórica através de fotos em preto e branco.

Tripulantes de um avião da marinha americana,utilizado na caça e destruição de submarinos inimigos. Tinham como base Parnamirim Field - Fonte - Coleção do autor.

Isso não significa que no período da Segunda Guerra não foram realizadas fotos coloridas destas unidades militares, de Natal, ou de outros pontos do Brasil. Ou estas fotografias foram feitas em pequenas quantidades, ou não aparecem muito para o público.
Recentemente obtive aceso as fotografias da Library of Congress (Livraria do Congresso dos Estados Unidos) e descobri uma interessante coleção com mais de 1.600 imagens coloridas, em um período que compreende as décadas de 1930 e 1940, com muito material sobre a Segunda Guerra Mundial.
Ao observar as belas fotos, algumas com extrema nitidez, comecei a imaginar como nossos antepassados (no meu caso os meus avós maternos) viram ao vivo e a cores a movimentação militar aérea dos americanos em Natal e região. Daí eu me questionei quais daquelas fotos estaria mais próximo do que os natalenses da época tiveram oportunidade de ver?
Comecei então a classificar as imagens e trouxe para vocês um pouco do que seriam estes visuais.
Junto às fotos coloridas originais da época da Segunda Guerra Mundial, trago algumas fotografias atuais de aviões históricos que foram preservados, onde muitos dos exemplares apresentados estiveram na nossa região naquele período.


Vamos começar com fotos que mostram atividades similares as que ocorriam na base de hidroaviões da Rampa, no Rio Potengi.
A foto acima mostra o característico formato do hidroavião, ou “Aerobote”, PBY Catalina. Utilizado em missões de busca e destruição de submarinos, resgate de náufragos, esta aeronave se tornou um ícone da aviação mundial e foi utilizado pela FAB – Força Aérea Brasileira. Os primeiros Catalinas que chegaram a Natal pertenciam a esquadrilha VP-52 e amerrissaram no Rio Potengi poucos dias após ao ataque japonês a base aeronaval americana de Pearl Habor, em dezembro de 1941.


Aqui vemos uma rampa que servia, tal como a existente em Natal, para baixar e recolher hidroaviões da U.S. Navy da água. Na foto é possível ver detalhes da operação.


Detalhes da estrutura da fuselagem, da asa e dos motores do Catalina, em uma operação de abastecimento.


Forma de abastecimento do grande PBY Catalina.


Um provável teste de motores em um Catalina. Fico imaginando o nível de ruído dentro da cabina de pilotagem.


Linhas clássicas de um Catalina preservado na atualidade.


Agora vemos fotos coloridas que bem poderiam ser da base de Parnamirim, a “Parnamirim Field” dos americanos.
Aqui temos exemplares do quadrimotor Consolidated C-87 Liberator Express, uma versão de transporte do conhecido bombardeiro pesado B-24.


Tripulantes de aeronaves, membros da USAAF, recebendo instruções com seus tradicionais uniformes.


Fotografia atual de um caça monomotor P-40, com marcações da China Nacionalista. Construído em várias versões, foi igualmente utilizado pela FAB.


Um bimotor Douglas A-20C Havoc, em 1942. Este era um avião de ataque e bombardeiro médio que também veio a ser utilizado pela nossa FAB.


Um sargento da USAAF posando diante de um motor radial. Nas unidades militares aéreas dos Estados Unidos em natal, a questão da manutenção das aeronaves era um dos pontos fundamentais das atividades dos militares ali baseados. principalmente na questão da travessia do Atlântico Sul.


Era normal e aceito pelos comandos militares, que as tripulações pintassem o nariz dos aviões com imagens características, únicas e extremamente interessantes, que ficaram conhecidas como “Nose Art”. Era também aceito que estes aviões fossem batizados com nomes escolhidos pelos tripulantes. Para muitos membros da aviação americana dava azar não batizar o avião.


Este avião de caça, o North American Aviation P-51 Mustang. Eu acho que este tipo de aeronave não esteve em Natal, mas decidi colocar a foto  pois ela é muito interessante.


Esta aparente confusão de aeronaves na porta de um hangar nos Estados Unidos, bem que poderia ser uma cena vista em “Paranamirim Field”, pois o tráfego aéreo era intenso.


Um caça bimotor Lockheed P-38 Lightning sobrevivente, clicado em um show aéreo nos Estados Unidos. Existem indicações que este tipo de aeronave esteve em Natal. Se for correto, a sua travessia em direção a África só poderia ser feita com uma escala na ilha de Ascensão. Esta é uma pequena porção de terra vulcânica no meio do Oceano Atlântico, pertencente ao britânicos, que também foi utilizada como ponto de apoio de aeronaves que seguiam de Natal em direção a África.


Outro avião que frequentou nosso espaço aéreo, considerado um clássico e que também fez parte do inventário da FAB; o North American B-25 Mitchell.


Este é outro clássico – o Douglas C-47 Dakota. Foi o verdadeiro “burro de carga” do transporte aliado durante a Segunda Guerra Mundial e fez parte da nossa FAB ao longo de décadas. Este é um C-47 conservado até os dias atuais.


Caças P-51 Mustang, dos primeiros modelos, provavelmente destinado aos ingleses.


Este é o conhecido caça monoplano Republic P-47 Thunderbolt, em um recente show aéreo. Construído aos milhares, não tinha a mesma beleza esguia do P-51, mas era um verdadeiro tanque de guerra no ar. A nossa FAB utilizou este tipo de aeronave nos céus da Itália. Inclusive vale ressaltar que o Brasil, foi até hoje o único país Latino-Americano a enviar tropas e aviões de combate para efetivamente participar de um conflito em solo europeu.


Manutenção em um B-25.


Torre de metralhadoras dianteira de um B-24 conservado nos Estados Unidos.


Instrução a um grupo de pilotos do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, os conhecidos “Marines”, que lá possuem sua própria frota de aviões de combate. Natal não possuiu um grupo de aviação destes militares, mas havia uma unidade para proteção das áreas da U.S. Navy. Em Recife também havia um grupo destes militares.


Manutenção em motores.


B-25.


Embarcando para o voo.


Um bombardeiro pesado Consolidated B-24 Liberator. O projeto era simples no conceito, mas foi avançado para seu tempo. Muitos passaram por Natal em direção a África, mas igualmente muitos deles atravessaram o Atlântico saindo de Fortaleza.


Natal não teve muitos “Marines” e nem sequer planadores. Mas para cá vieram muitos jipes. Infelizmente o que transportou o presidente F. D. Roosevelt, durante a sua famosa visita a nossa cidade em 1943, se perdeu e já deve ter virado sucata.


Um belo B-25 muito bem conservado.


Um tripulante da USAAF e seus tradicionais óculos “ray-ban”.


Vários B-25 saindo da linha de montagem.


Um C-87 visto de frente.


Outro peso pesado da USAAF, o clássico bombardeiro quadrimotor B-17, ou Boeing B-17 Flying Fortress, mais conhecido aqui como “Fortaleza Voadora”, avião que a FAB chegou a possuir algumas unidades baseadas em Recife. Um destes se espatifou estrondosamente em Cajupiranga, Parnamirim, no primeiro semestre de 1942.


Manutenção em um A-20.


Caminhões militares americanos. Muitos destes circularam em nossa cidade.


O inconfundível B-17.


Manutenção de um C-87.

Quero deixar bem claro que nenhuma destas fotos possui ligação com a ação dos americanos em Natal durante a Segunda Guerra Mundial. Mas é quase certo que foi desta forma que milhares de pessoas desta terra viram esta época tão intensa e diferente.


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Extraído do blog: 
Tok de História do historiógrafo Rostand Medeiros