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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Dadá em Jeremoabo.., entre o cabo João Rochão(d) e o ex-volante Antonio Isidoro.

Foto  encontrada no facebook - página do pesquisador Corisco Dadá

Sérgia Ribeiro da Silva mais conhecida como Dadá nasceu em Belém do São Francisco, no dia 25 de Abril de 1915. Lá viveu seus primeiros anos de vida e teve algum contato com índios. Juntamente com os pais, mudou-se para a Bahia, onde, aos treze anos, é raptada por Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto) - o "Diabo Loiro", de quem seria prima. Cabocla bonita, esbelta, conheceu o homem da sua vida, em meio à caatinga árida por onde vivia errante o bando de cangaceiros. 

A relação, que começara instintiva, transforma-se com o tempo, a vida nômade, seguindo o companheiro, que era o segundo homem, na hierarquia do bando, a chegada dos filhos, fez com que mais que uma amante Dadá se tornou a companheira de Corisco, com quem, ainda no meio das lutas veio a se casar.

Tiveram sete filhos, que eram ocultamente deixados em casas de parentes para serem criados. Destes, apenas três sobreviveram.

O bando de Lampião dividia-se, como forma de defesa, em partes menores, a mais importante delas era justamente a chefiada por Corisco. A esposa tinha uma pistola, que ele dera, para sua defesa pessoal, e também lhe ensinou a ler, escrever e contar.

Num dos ataques feitos pelas volantes (em outubro de 1939, na fazenda Lagoa da Serra em Sergipe), o Diabo Louro é ferido em ambas as mãos, perdendo a capacidade para atirar. Dadá, então, torna-se a primeira e única mulher a tomar parte ativa - e não meramente defensiva - nas lutas do cangaço.

Se o marido era temido como um dos mais violentos bandoleiros, consta que muitas pessoas tiveram sua vida poupada graças à intervenção de sua companheira. Dada também era chamado "Suçuarana do Cangaço".

Tendo Lampião sido executado em 1938, Corisco, que estava em Alagoas com parte do bando, empreendeu feroz vingança. Como seus companheiros tiveram as cabeças decepadas, e expostas no Museu Nina Rodrigues de criminologia, na capital baiana, Corisco também cortou a cabeça de muitas vítimas, então.

O cangaço definhava, sobretudo pela disparidade de armamentos: os volantes tinham uma arma que os cangaceiros nunca conseguiram obter: a metralhadora. A própria Justiça passa a oferecer vantagens para os bandoleiros que se rendessem.

A 25 de Maio de 1940 Corisco e seu bando é cercado em Brotas de Macaúbas, pela volante do tenente Zé Rufino. Dissolvera o bando, e abandonara as vestes típicas, procurando passar por simples retirantes.
Uma rajada da metralhadora rompe os intestinos de Corisco. Dadá é ferida na perna direita.

O último líder do cangaço morre dez horas depois do ataque, sendo enterrado em Jeremoabo e, dez dias após, exumado e a cabeça decepada é enviada ao Museu, junto às demais do bando.

Dadá, colocada em condições infectas, tem seu ferimento agravado para uma gangrena, que restou-lhe, na prisão, à amputação quase total da perna. Por essa situação, o célebre rábula baiano Cosme de Farias, representa Dadá na Justiça, pleiteando sua libertação, em 1942.

Dadá passou a viver em Salvador, lutando para ver a legislação que assegura o respeito aos mortos fosse cumprida - e a tétrica exposição do Museu Antropológico Estácio de Lima2, localizado no prédio do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues tivesse fim. Só a 6 de fevereiro de 1969, no governo Luiz Viana Filho, foi que os restos mortais dos cangaceiros puderam ser inumados definitivamente - tendo, porém, o museu feito moldes para expor, em substituição.

Por sua luta e representatividade feminina, Dadá foi, na década de 1980, homenageada pela Câmara Municipal de Salvador. Na Bahia, que tivera Gláuber Rocha e tantos outros a retratar o cangaço nas artes, Dadá era a última prova viva a testemunhar o cotidiano de lutas, dificuldades e, também, de alegrias e divertimentos. Deu muitas entrevistas, demonstrando sua inteligência e desenvoltura.

Sérgia Ribeiro da Silva ou Dadá faleceu na capital baiana, em 1994.

http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgia_Ribeiro_da_Silva
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Lançamentos Parahyba Cangaço

Os professores Wescley Dutra, Paulo Gastão e Anna Lúcia

Caros(as) confrades, 

Na tarde do dia 23 de agosto, na cidade de Nazarezinho – PB, teremos o lançamento em terras paraibanas de grandes obras que nos ajudam a entender o mundo do cangaço e do Nordeste brasileiro.

Esse é um momento ímpar no qual poderemos interagir com os autores e debater temas relevantes e contraditórios para os novos rumos que os estudos do nosso sertão estão tomando.

João de Sousa Lima, Archimedes Marques e Francisco Cardoso

Das terras baianas teremos a presença do escritor de Paulo Afonso João de Sousa Lima, que lançará a nova edição do livro: “Lampião em Paulo Afonso”, uma das obras emblemáticas para entendermos um pouco da ação de Lampião e seus cabras na Bahia. Com uma nova roupagem, João de Sousa brinda-nos com a beleza de uma leitura fluente e uma narrativa envolvente. 

Das terras sergipanas receberemos o escritor e pesquisador Archimedes Marques com o seu livro “Lampião contra o Mata Sete”. Obra de grande fôlego que tem como principal objetivo rebater, baseando-se em documentos e pesquisas sólidas, as afirmativas sobre a possível homossexualidade de Lampião e o triângulo amoroso vivido entre o “Rei do Cangaço”, Maria Bonita e Luiz Pedro.  

E da terra que ensinou a Paraíba a ler, Cajazeiras, teremos a agradável presença do jornalista e advogado Francisco Cardoso, lançando os livros: “O Judas e o Cafajegue” e “O Veneno da carne”.

Sem sombra de dúvidas esse será um momento ímpar para o fomento da cultura e a formação de leitores no referente a temática do cangaço e as coisas do sertão. 

Saudações cangaceiras,

Prof. Wescley Rodrigues

Enviado pelo pesquisador Wescley Dutra

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JOÃO DE SOUSA LIMA: NA VISÃO DE ARCHIMEDES MARQUES

Dr. Archimedes Marques e o escritor João de Sousa Lima

 O ÊXIMIO RASTREADOR DOS SERTÕES

Nos dias de hoje falar em pesquisa pertinente ao processo histórico que contribui significativamente com a configuração da cultura do Nordeste do Brasil, mais de perto, relacionada aos sertões, com destaque para o tema cangaço e não passar pelo crivo do historiador João de Sousa Lima – não desfazendo dos demais pesquisadores – é dispor de menor ensinamento, pois este homem é sem sombra de dúvida dos maiores Mestres da atualidade.



À luz do incansável rastreador e investigador João de Sousa Lima efetiva-se um gostoso passeio pelos emblemáticos rincões do sertão, na perspectiva de resgatar histórias perdidas pelo tempo relacionadas às pessoas que efetivamente vivenciaram aquela época de sangue e pó. O descobridor de cangaceiros sobreviventes, coiteiros, volantes e adjacentes, o famoso “João das meninas” (apelido carinhoso em alusão ao amor que tinha às velhas cangaceiras, fruto das suas descobertas, com destaque para as saudosas Durvinha e Aristéia) nos dá aquela sensação de vivermos uma verdadeira lição de vida, pois sentimos no âmago que a partir de então tais pessoas passaram a fazer parte da sua vida, da sua família. O carinho e a dedicação que este pesquisador tinha para com Durvinha e Aristéia, e continua tendo ainda para com os seus familiares é algo que emociona o mais cético dos seres humanos.



Mas não somente este historiador resgata e trás à tona pessoas até então desaparecidas, esquecidas ou perdidas no tempo, mas também melhor escarafuncha os costumes e façanhas desse sofrido povo de outrora que por falta de opção via na política oligárquica latifundiária uma inspiração de felicidade, bem como, na religião, no folclore, na valentia e na vingança, os fundamentos da honra e da moral. O sertanejo da época era antes de tudo um verdadeiro herói, pois vivia o terror da seca, as vontades dos “coronéis”, as atrocidades do cangaço e pior ainda, a violência oficializada das policias volantes, equivalente e por vezes até pior do que a empregada pelos bandoleiros. Coronéis, cangaceiros e volantes tinham o poder da vida e da morte, o poder da vida e da morte daquele povo que se confundia com o gado, “povo marcado, povo feliz” como bem diz o poeta Zé Ramalho na sua canção “Vida de Gado”.




Todo bom nordestino sente que a “indústria da seca”, tem sido o modelo utilizado pelos políticos há décadas nos nossos sertões, cujos atos de corrupção tem como causa a incompetência, a leniência e o descaso de autoridades diversas, principalmente do governo federal, que diante dos desmandos e desvios de verbas públicas e ou a sua utilização para servir de moeda de troca eleitoral em prol de políticos inescrupulosos, tem ceifado vida de crianças, adultos, idosos  e animais, sendo a principal causa do êxodo rural, transformando os centros urbanos em verdadeiras favelas, pelo inchaço causado. Por vezes, por falta absoluta de opção, bravos sertanejos de outrora terminam entrando no mundo da criminalidade nos morros do tráfico dos grandes centros.


Voltando ao tema central é visto a olhos nu que a contribuição histórica de João de Sousa Lima nos enche de orgulho. Orgulho de ver a cada semana no seu blog as suas novas descobertas, orgulho ver nos seus escritos, nos seus artigos, nos seus textos, nos seus livros todo relato que enfatiza, sobretudo, a vida do sertão, a luta do cangaço e o modus operandi das autoridades estatais no combate ao banditismo proporcionando instigantes racontos que, embora reais, se misturam com o folclore pluralista, típico da melhor imaginação do nosso sertanejo.


Misto de escritor, professor, pesquisador, estudioso, investigador, colecionador, cineasta, ator e também empreendedor, João de Sousa Lima, consegue transmitir nas suas escritas e nas suas descobertas o entusiasmo e o gênio que se fazem necessários a todo bom historiador, e o melhor, nada esconde do seu público.


Detentor de grande capacidade criativa, interpretativa e de inteligência aguçada que alia teoria com operacionalidade, principalmente na área investigativa, João de Sousa Lima, também se imortaliza e nos dá de presente as suas diversas e importantes entrevistas com remanescentes do cangaço e afins.


A contextura do incansável trabalho de João de Sousa Lima traz à baila discussões oportunas, pertinentes e necessárias, visto ser patente que intrinsecamente e simetricamente ele assenta nos pontos de apoio à verdadeira história, sem mentiras, invencionices ou extravagâncias. A busca da verdade pela verdade é o seu lema.


Seguir investigando sertão adentro, nas terras áridas, principalmente na região do Raso da Catarina, no rastro das alpercatas de Virgulino Ferreira da Silva, o poderoso Lampião, nos caminhos espinhentos do sanguinário cangaceiro Gato, oriundo da tribo indígena Pankararé e de tantos outros cangaceiros que arrodearam as paragens de Paulo Afonso e adjacências é sem dúvida reviver um tempo de verdadeiros cabras-machos e isso o nosso rastreador do cangaço bem sabe ser e fazer com maestria.
               

É patente, outrossim, no seu trabalho que João de Sousa Lima bem sabe enaltecer a forte mulher sertaneja que sem dúvida gerou uma grande referência em toda sociedade da época e deixou registrada sua passagem também nas veredas do cangaço. Todas elas tiveram grande importância no contexto histórico desse tempo. Concordo em número e grau com a opinião de que as mulheres cangaceiras vieram aplacar a fúria assassina e o desejo disforme dos seus companheiros que tanto feriram e humilharam as famílias nordestinas. Com a chegada e a permanência feminina no bando, os cangaceiros adquiriram mais respeito para com as indefesas caboclas sertanejas. Os estupros, antes presentes em quase todas as investidas criminosas, com a chegada das mulheres ao cangaço, praticamente deixaram de ocorrer.


Nesse rito feminino aprendi com os seus ensinamentos que entre as mais famosas cangaceiras que saíram da região de Paulo Afonso, estão: Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, do povoado Malhada da Caiçara; Lídia Pereira de Souza, do Povoado Salgadinho (citada por todos os cangaceiros sobreviventes como sendo a mais bela de todas as cangaceiras. Assassinada covarde e brutalmente a pauladas pelo seu companheiro Zé Baiano em decorrência de uma traição amorosa); Nenê (a carinhosa Nenê, companheira de Luis Pedro), também do povoado Salgadinho; Otília Maria de Jesus (Otília, companheira de Mariano), do povoado Poços; Inácia Maria das Dores (Inacinha, companheira do feroz cangaceiro Gato, por sinal ambos índios da tribo Pankararé), do Brejo do Burgo; Catarina Maria da Conceição (Catarina, companheira do cangaceiro Nevoeiro, também um índia da tribo Pankararé), igualmente do Brejo do Burgo; Durvalina Gomes de Sá, (Durvinha, companheira apaixonada pelo cangaceiro Virgínio e após a morte deste, eterna mulher do cangaceiro Moreno), nascida no povoado Arrasta-Pé.


É assim que vejo o trabalho e a trajetória do amigo João de Sousa Lima, um sertanejo de fibra, um pesquisador nato, um destacado escritor, um amante da nossa cultura que a despeito de todo bom e verdadeiro nordestino também cultua o fã clube do grande e imortal Luiz Gonzaga, o nosso símbolo maior, o ser que conseguiu sintetizar os anseios incontidos de um povo através da cadência que intercala os sons da sanfona, do triângulo e da zabumba expressando o mais refinado circuito musical então existente na nossa história.


Privar da amizade de João de Sousa Lima é um privilégio que enriquece positivamente as relações de qualquer ser humano. João de Sousa Lima, além de tudo, sem dúvida alguma, é um cidadão possuidor de grandes virtudes, as quais se encontram indissociavelmente vinculadas ao código de honra de um povo forte, o povo sertanejo e nordestino que tanto nos orgulha.

Aracaju, 30 de setembro de 2013.
Archimedes Marques.
Delegado de polícia em Sergipe, pesquisador, escritor e colecionador do cangaço. Conselheiro do Cariri Cangaço

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Aniversário da Prycylla

Por José Mendes Pereira
Prycylla e sua filha Ana Beatriz

Hoje é o aniversário da minha 4ª. filha e última filha dos meus filhos - Maria Prycylla Paiva Pereira. 


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A FERRO E FOGO: O SERTÃO VIOLENTADO POR VOLANTES E CANGACEIROS

Por Rangel Alves da Costa*

Na época do cangaço, principalmente com a fama alcançada pelo bando de Lampião por quase toda a região nordestina e o consequente aumento da perseguição por parte das forças policiais, uma vítima quase que silenciosa talvez tenha padecido muito mais que qualquer outro inimigo: o sertão.

Verdade é que na guerra entre mocinhos e bandidos, entre soldados e bandoleiros, volantes e cangaceiros, foi o próprio sertão que pagou o preço mais alto pelas vinditas de sangue dos confrontantes. E quando se fala em sertão logo se avista o homem, o humilde e o empobrecido sertanejo vivendo nas brenhas distantes, mas também todo aquele habitante da região nordestina que estivesse no caminho da caça e do caçador.

Naquela época não se pode visualizar o sertão senão como uma casa que constantemente se vê rodeada por inimigos se confrontando. Quisesse ou não, o sertanejo também era vitimado pela violência dos outros. Mas não porque os inimigos guerreassem nas proximidades de suas moradias ou dentro das cidades, e sim pelo próprio terror que foi sendo causado pela presença de soldados e cangaceiros nas proximidades dos lugarejos e adentrando nas povoações.


Os estudiosos e pesquisadores são unânimes em admitir a violência exacerbada naqueles tempos cangaceiros, e praticada não só pelos revoltosos das caatingas como também pelos seus perseguidores. Chega-se a admitir que a violência fosse maior em face do próprio sertanejo que contra o inimigo. O homem da terra, aquele que nada tinha a ver com a briga dos outros, acabava sendo a vítima maior. Ora, tem-se como normal que as partes confrontantes utilizem de todas as forças e meios para saírem vencedoras, mas jamais pode ser visto como normal que nos caminhos da guerra inocentes sejam vitimados pela arrogância, brutalidade e covardia daqueles que adentravam nas suas povoações.

Reconhece-se que a guerra entre cangaceiros e macacos ia muito além das caatingas, grotões e descampados. Os confrontos, as batalhas em si, geralmente ocorriam nos afastados das povoações, pois poucas vezes a polícia pôde reprimir os ataques cangaceiros já dentro das cidades e arraiais. Mas como dito, nos percursos tanto do bando como da volante havia sempre um lugarejo sertanejo que acabava recebendo a inesperada e violenta visita. Porém nem sempre aconteceu assim.

Quando Lampião resolvia fazer uma visita a um conhecido a situação era bastante diferente daquela de simplesmente irromper destemperadamente pelas povoações. Com destino certo, mesmo que o amigo não o estivesse esperando, logo ordenava respeito e comedimento aos seus cabras. Não admitiria violência ou desfeita durante sua estadia, principalmente porque todos acolhidos para cuidar de assuntos importantes e com certeza de lauto regabofe à base de carne de bode fresca. Mas bastava a simples presença do bando para que a população ficasse em polvorosa.

E havia motivos de sobra para que realmente ficasse temerosa, num verdadeiro deus nos acuda. O histórico das passagens cangaceiras geralmente apontava para um misto desenfreado de terror e agressividade, numa violência desmedida para quem não era inimigo. Com consentimento ou não de Lampião, a verdade é que os seus cabras de vez em quando praticavam verdadeiras barbaridades. Basta lembrar o episódio de Zé Baiano ferrando o rosto de três mulheres em Canindé do São Francisco. 

Os livros relatam casos de verdadeiras atrocidades praticadas pelos cangaceiros. Citam sertanejo sendo forçado a ficar de quatro enquanto cangaceiro subia nas costas para retalhá-lo com esporas. E tendo punhalada no pescoço como desfecho. Descrevem a tortura de famílias inteiras diante da falta da dinheirama exigida. Tantas e tantas vezes os humildes matutos tiveram suas meninas violentadas, foram forçados a matar criações e preparar comida para os famintos, tiveram de se submeter às mais absurdas exigências dos ensandecidos das caatingas. E quando os bandoleiros agiam sob efeito de cachaça então as monstruosidades redobravam. Por isso mesmo que quando se ouvia falar que os cangaceiros se aproximavam, famílias inteiras abandonavam seus lares e corriam para os escondidos da mata. As povoações ficavam abandonadas e ao bel-prazer da senha bandoleira. 

Mas a volante era ainda mais perigosa e violenta, e disto não há que se duvidar. Ora, os comandos policiais enviados para combater os cangaceiros não eram formados por mercenários ou renegados, mas sim por pessoas servindo a corporações militares e agindo em nome dos governantes, com comando de patente e tudo mais. Portanto, com plena consciência de quais bandidos deveriam perseguir. E o homem da terra não era bandido. Mas não, na sua desenfreada busca e na revolta pelos contínuos fracassos, jogavam todas as suas iras contra o humilde caboclo. 


A ação violenta da volante não escolhia condição econômica, pois o de maior condição financeira sofria igualmente ao mais empobrecido. Os meios de violência é que se modificavam. As extorsões e ameaças eram constantes contra os mais ricos, e logo se tornavam em torturas e mortes acaso não entregassem o exigido. O humilde sertanejo, que só tinha a vida e a família, era tido como uma verdadeira inutilidade ou espinho atrapalhando a caçada. E sabendo que o bando era formado por sertanejos, então se danavam a desonrar, a ferir, a torturar, a matar. E tudo praticado com cínica perversidade, entre gargalhadas e festins diabólicos. 

Triste daquele matuto que fosse acusado de ser coiteiro, informante e servidor do bando. Este era amarrado, torturado, lanhado no corpo inteiro, pinicado até não mais suportar. Sofria absurdamente, mas continuava em silêncio, não satisfazendo os gostos da macacada. Preferia morrer a trair a si mesmo ou a Lampião, a macular sua honra sertaneja.

Poeta e cronista
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“O ESTADO DE SERGIPE” – 01/11/1936

Abatidos pela volante do sargento José Rufino mais três perigosos cangaceiros. Interessantes pormenores sobre a campanha que redundou na ação eficaz contra os bandidos

Fomos os primeiros a trazer aos nossos leitores a boa nova sobre o esplendido resultado do último encontro entre os cangaceiros de Luiz Mariano – velho caibra de Lampião que, devido à sua astúcia e sanha sanguinária de há muito estava chefiando um grupo – e a volante do sargento José Rufino.

Agora, a fim de satisfazer melhor a justa curiosidade despertada pela simples notícia do combate que redundou na morte de Luiz Mariano, Pai Velho e Zepelim, trazemos à baila novos e oportunos informes, que damos a seguir.

O INÍCIO DA PERSEGUIÇÃO

Em setembro último, esteve nesta capital o capitão Menezes, chefe das forças em operações contra o banditismo no nordeste baiano. Este distinto oficial, a quem tivemos a satisfação de ser apresentados, quando de sua visita a S. Excelência, o senhor Governador do Estado, com quem conferenciou sobre o importante assunto, daqui saiu certo de desenvolver uma ação conjunta na qual tomariam parte forças de Sergipe e Bahia, e a prova de como foi fielmente executado o plano acertado, temo-la na notícia a que estamos nos referindo.

O RÁDIO COMO FATOR DECISIVO

Desde o regresso do capitão Menezes à sede do seu P. C., em Jeremoabo, que entre Sua Senhoria e o gabinete do Senhor Governador têm sido trocados radiogramas sobre o local onde se tem homiziado os bandidos. E foi graças às notícias que a partir do dia 20 de outubro lhe foram mandadas daqui que o aludido oficial fez rumar três das suas volantes para Gararu e Porto da Folha, descendo de Serra Negra, enquanto a volante sergipana, que estava em Poço Redondo, se deslocava na mesma direção, sob o comando do sargento Odon.

O ENCONTRO

Coube à volante do sargento José Rufino encontrar-se, no dia 20 de outubro último, na fazenda Cangaleixo, distante cerca de três léguas de Porto da Folha, com o grupo de Luiz Mariano, com o qual travou o combate que resultou na morte deste célebre facínora e de dois dos seus desalmados companheiros. O grupo, como já foi dito, compunha-se de nove bandidos, incluindo Luiz Mariano, e de duas mulheres. Era o mesmo que, dias antes, incendiara duas casas comerciais em Providência, apesar da resistência do destacamento local, que era inferior numericamente.


QUANTOS SÃO OS GRUPOS QUE INFESTAM O NORDESTE

Além do grupo de Lampião, que é o mais antigo, são conhecidos ainda os seguintes, que operam separadamente pelos estados nordestinos, partindo de Bahia até Paraíba: Corisco, Ângelo Roque, Mariano, do qual escaparam seis bandidos e duas mulheres; Canário, Luiz Pedro, José Sereno, Antonio de Engrácia, Português, Gatinhos e alguns outros de menor importância. Os mais conhecidos em nosso território são, porém, os de Mariano, José Sereno, Antonio de Engrácia e Ângelo Roque.

Esses grupos geralmente são compostos de seis homens, no máximo, para não causar transtornos ao seu deslocamento.

Logo que obtivermos novos informes, teremos a máxima satisfação de publicá-los para conhecimento dos que nos leem.

O NÚMERO DE BANDIDOS POSTOS FORA DE AÇÃO EM SERGIPE, A PARTIR DE JANEIRO DE 1936

Em 30 de janeiro, o bandido Pau Ferro, durante um combate na fazenda Quiriba, município de Porto da Folha. Em 7 de junho, em Lagoa Nova, município de São Paulo, José Baiano, Demudado, Chico Peste e Acilino. Em 29 de outubro p. passado, Mariano, Pai Velho e Zepelim, num total de oito, o que representa um índice bastante elevado, considerando-se a dificuldade dos recontros, devido não somente à rapidez com que se locomovem os mesmos, como também à pouca combatividade que oferecem às forças policiais.

Foto - a imagem nº 01 é a do cangaceiro Mariano Laurindo Granja; a 02, de Pai Véio ou Pai VeIho (II); e a nº 03, por muito tempo considerada como a do cangaceiro Zepelim, na verdade é a do pistoleiro Pavão. O sergipano Zepelim morreu em outro combate, no final de 1937.

Fonte: facebook

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A COLUNA PRESTES EM RIBEIRA DO POMBAL

A Coluna Prestes - Foto: Internet

A organização social civil, no Brasil, durante o período em que o militarismo chefiava os poderes administrativos do País, nunca teve vez, até porque os militares temiam a perder o poder. Toda e qualquer aglomeração era proibida e as poucas que aconteceram foram exterminadas; numa família se alguém discordasse das normas ditadas pelos militares, todos pagavam, sem que ninguém pudesse ao menos contestar.

Os brasileiros viviam um verdadeiro "inferno". Eram privados do maior bem que o ser humano tem: a liberdade.

O comunismo avança o leste europeu, propondo-se a dominar o mundo. No Brasil essa idéia foi copiada, principalmente por estudantes rebeldes e revoltados com a ditadura militar. Os estudantes, contrariando as leis militares, tentavam a todo custo derrubá-los do poder e proclamar a liberdade para o povo brasileiro. Foram o principal alvo de perseguições movidas pela cúpula de inteligência militar. Esses "baderneiros da ordem social" como eram chamados pelos militares, foram taxados de comunistas, como se o comunismo fosse a pior coisa do mundo. Naquele momento as guerras que estavam acontecendo era justamente porque países comunistas estavam avançando contra alguns países capitalistas; o comunismo passou a ter sinônimo de guerra, de sangue e de dor.

Qualquer manifestação, partindo da população civil, que acontecesse no Brasil, estrategicamente, os militares diziam estar partindo dos comunistas. E, qualquer comunista, no Brasil, era tido por assassino, bandido dos mais perigosos.

A Coluna Prestes - Foto: Internet

Mesmo sendo difamados, alguns heróis não se renderam; a eles hoje devemos essa democracia. Foram pessoas que lutaram contra o regime autoritário dos militares, para que hoje a liberdade prevaleça. Um desses combatentes chamava-se Luiz Carlos Prestes, considerado "o cavaleiro da esperança", líder do movimento intitulado Coluna Prestes. Na fuga incansável das perseguições do governo antipopular e antidemocrático do presidente Artur Bernardes, aColuna Prestes viajava de cidade em cidade pregando a liberdade e a igualdade para a população brasileira.


Os integrantes da Coluna Prestes eram conhecidos como "Os Revoltosos"; sua fama era tão deturpada, que quando se aproximavam de uma cidade, se a notícia chegasse primeiro, a população se trancava em suas casas ou escondiam-se nas imediações; registrou-se até o abandono temporário da população de alguns municípios, por medo.

Essa mesma coluna liderada por LUIZ CARLOS PRESTES passou por Pombal. Os revoltosos ou COLUNA PRESTES chegaram em Pombal, na Bahia, no dia 26 de junho de 1926. Ao contrário do que aconteceu em muitos municípios, por onde a coluna passou, os pombalenses em mais uma prova de sua hospitalidade, não abandonaram suas casas e correram para recepcionar o Cavaleiro da Esperança; alguns demonstraram medo, mas, não demorou muito para que estivessem familiarizados com os caçadores de liberdade.

A Coluna Prestes - Foto: Internet 

Escreve Lourenço Moreira Lima em: "A Coluna Prestes - Marchas e Combates" (conforme "O Marquês de Pombal e as imagens da verdade", pág. 17 - CBR - Rio):

"Seguimos (de Tucano) no dia 26, para a Vila de Pombal, onde chegamos às nove horas, percorremos cinco léguas por um grande tabuleiro. A população de Pombal estava na vila.

Fomos recebidos pela respectiva banda de música, que foi se formando aos poucos. Apareceram primeiro o bumbo e os pratos, que iniciaram um dobrado sem esperar pelos outros instrumentos. Estes, à proporção que chegavam, iam se fazendo ouvir, e, dentro em pouco, a filarmônica se integrou, exibindo seu repertório, num barulho ensurdecedor de guinchos desafinados que nos causavam arrepios terríveis.

Valia, porém, a boa intenção desses amáveis patrícios, que festejavam a nossa passagem por aquela vila, em vez de pretenderem impedi-la à bala. As famílias de Pombal tratam-nos com a maior gentileza, oferecendo-nos mesas de café e doces em várias casas, numa demonstração franca e sincera de simpatia e de confiança no cavalheirismo das nossas forças, apesar da campanha difamatória que os adversários continuavam a nos mover".

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Lampião na Bahia - O famoso bandido e o seu grupo fhotografhados na Villa de Pombal.

Segunda visita de Lampião a vila de Pombal na-  Bahia. Da esquerda para a direita. 1 -  Lampião, 2 - Ezequiel, 3 - Virgínio, 4 - Luis Pedro, 5 - Mariano, 6 - Corisco, 7 - Mergulhão e 8 - Arvoredo.

O famoso bandido e o seu grupo fhotografhados na Villa de Pombal.

O célebre bandido Lampião cujas proezas levadas a efeito nos Estados nordestinos, tornaram o seu nome conhecido e temido, está actualmente, na Bahia, desafiando a polícia militar do Sr. Vital Soares, como já o fez com a das oitras unidades onde esteve. Pelo menos dá a impressão.

A nossa gravura reporuduz uma phofographia tirada em 17 de Dezembro do anno passado, na Villa de Pombal, Bahia. Como se vê, Lampião, que é o primeiro, á esquerda, no grupo, e os seus companheiro, todos perigosos facínoras, pousaram despreocupados para objectiva fhotographica, em plena praça pública, ostentando suas armas, carabinas e facões, como se naquellas paragens, não houvesse polícia e o governo estadual não gastasse uma soma apreciável na perseguição do banditismo, de que Virgolino é, agora, o expoente máximo, nos sertões...

A calma demonstrada pelos bandidos na ocasião de ser tirada a fotografia é significativa pelo menos, dá impressão de que a acção da polícia não os atemoriza.


Adendo - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Neste recorte de jornal, na legenda da foto houve uma modificação. 

Grupo tirado na Villa de Pomnbal, na Bahia, vendo-se da esquerda para a direita: 

1 – Lampeão, chefe, majoritário e supremo da Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia.; 

2 – Ezequiel Ferreira da Silva, o Ponto Fino, irmão de Lampeão; 

3 - Virgínio Fortunato da Silva, o Moderno, cunhado e secretário de Lampeão; 

4 – Esperança, que deveria ser Luiz Pedro. (Suposição minha, é claro! Poderia não ser o verdadeiro cangaceiro Esperança, possível apelido do cangaceiro Luiz Pedro. O que eu afirmo não tem nenhum valor para a literatura lampiônica); 

5 – Mergulhão;  

6 – Corisco;

7 – Mozene, que deveria ser Mergulhão. Poderia ser outro apelido do cangaceiro Mergulhão. (Suposição minha, é claro! O que eu afirmo não tem nenhum valor para a literatura lampiônica);

8 - Arvoredo; todos pertencentes ao grupo que Lampeão chefiava. 

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A ESCRITORA E O CANGACEIRO


Foto histórica da escritora Maria Cristina da Mata Machado, e o cangaceiro "Ângelo Roque ", que no cangaço ele era  conhecido por Labareda.

Essa bonita mulher escreveu um livro e alguns ensaios sobre o cangaço. Faleceu prematuramente, de ataque cardíaco, na véspera de defender sua tese, na USP.

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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A bela história (vida e morte) da cangaceira "Inacinha"

Unacinha e Gato - seu primeiro esposo - Foto: Frederico Pernambucano de Mello.


Inacinha no final da Vida - cortesia João de Sousa Lima - Inacinha já no final da vida ( foto: cortesia João de Sousa Lima ), lá se passaram 57 anos qie ela faleceu


Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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