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quarta-feira, 3 de junho de 2015

O CANGACEIRO MACILON EM APODI - 31 DE MAIO DE 2015

Por Geraldo Maia do Nascimento

Em 10 de maio de 1927 o cangaceiro Macilon e seu bando atacaram a cidade de Apodi, no Oeste potiguar. Chegaram de mansinho, do Ceará, pelas três horas da madrugada, cortando os fios do telégrafo e destruindo os aparelhos transmissores para que não fosse dado o alarme. Trancaram na cadeia pública os poucos soldados que ali se encontravam, tomaram-lhes as armas e soltaram os presos. Prenderam também o Prefeito e vários comerciantes, exigindo quantias elevadas para não mata-los. 

               
Ao que tudo indica, esse assalto foi encomendado por um coiteiro do Ceará. Era uma vingança de ressentimentos políticos. Os cangaceiros levavam uma lista de tarefas que deveriam executar: O capitão Jacinto Tavares e o Prefeito Francisco Pinto deveriam ser executados; o cidadão Luiz Leite deveria ser surrado e ter uma orelha cortada; Luiz Supino e Benvenuto Laurindo açoitados e as suas fazendas saqueadas. Mas, por felicidade, nada disso aconteceu. Apenas uma morte foi registrada e assim mesmo por vingança. O cidadão Manoel Rodrigues perdeu a vida nas mãos do seu desafeto, o cangaceiro Cajazeiras, cabra com várias entradas na justiça.
               
Com relação ao Prefeito Francisco Pinto e o comerciante Luiz Leite, esses tiveram um anjo protetor na figura do padre Benedito Basílio Alves, vigário da Freguesia. Ao serem agarrados pelos bandidos, ouviram, de pronto, as sentenças, o vigário, em rogativas patéticas, nas palavras do escritor Raul Fernandes, pediu clemência aos bandidos, exortando-os a se absterem do nefasto crime. E evocando os santos venerados do lugar, consegue fazer com que os cangaceiros poupe as vidas dos dois infelizes.
               
Um fato interessante é que embora não fosse comum os cangaceiros usar máscaras, parte dos bandidos que atacaram Apodi estavam mascarados. Mas isso não impediu que alguns fossem identificados como antigos residentes do lugar.
               
Para os cangaceiros, o ataque foi um sucesso. Extorquiram Francisco Pinto em bens e dinheiro, no montante de cinco contos de réis; o fazendeiro Luiz Sulpino em um conto; Benvenuto Holanda em vinte contos; João Paizinho em cento e oitenta e sete mil rés; Antônio de Souza em seiscentos; Lucas Pinto em seiscentos e quarenta contos; João Pinto em um conto de réis; Elpídio Câmara em quatrocentos mil réis; João de Deus em trezentos e outros em quantias menores, além de selas e animais, conforme noticiado no jornal Correio do Povo, de Mossoró, em sua edição de 15 de maio de 1927.
               
Foi um dia de “Juízo Final”, como diziam os antigos moradores do lugar. Os cangaceiros, em completo estado de embriaguez, atearam fogo aos prédios da Coletoria Federal e Estadual, e à firma Jázimo & Pinto. As chamas ameaçavam devorar a cidade. Os habitantes, imobilizados, não podiam sustar o alastramento do incêndio. Esse pesadelo perdurou por quase oito horas.
               
Já quase no fim da manhá que os cangaceiros resolveram ir embora. Durante esse período foram senhores absolutos da cidade, não havendo quem os perturbassem. Os vinte bandidos, segundo Raul Fernandes, passaram a arrumar os produtos dos saques nas caronas e amarravam, no arção das selas, as mercadorias maiores. Montaram a cavalo e partiram álacres, com as algibeiras recheadas de notas e joias.
               
Depois do ataque a Apodi, o bando ainda pilhou o paupérrimo vilarejo de Gavião, atual cidade de Umarizal e o vilarejo de Itaú, no município de Apodi.
               
Após essa série de ataques, o bando voltou para o coito do Ceará e depois subiram o vale jaguaribano para o encontro marcado com Lampião, na Serra do Mato. O motivo desse encontro foi para planejar o ataque do bando de Lampião a Mossoró, fato esse ocorrido em 13 de junho daquele mesmo ano. Macilon, que antes de ser cangaceiro tinha sido tropeiro e que conhecia muito bem Mossoró e seus caminhos, como também todos os grandes negociantes, foi peça chave para o planejamento desse ataque, já que Lampião não conhecia nada do Rio Grande do Norte. Nesse ataque que pretendiam fazer a Mossoró, se juntaram ao grupo de Lampião outros pequenos grupos como o de Macilon, já que se tratava de um ataque a uma cidade que já contava com mais de vinte mil habitantes, o que era uma coisa inédita para um bando de cangaceiro, cujos alvos principais eram as pequenas vilas por esse Sertão afora. 

Geraldo Maia do Nascimento

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domingo, 19 de abril de 2015

ELISEU DE OLIVEIRA VIANA - 19 DE ABRIL DE 2015

 Por Geraldo Maia do Nascimento

Há uma frase atribuída a D. Pedro II onde ele diz que “se não fosse Imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre, que a de dirigir as inteligências juvenis e preparar os homens para o futuro”. Essa foi a missão maior do Professor Eliseu Viana.
               

Eliseu de Oliveira Viana, o Professor Eliseu Viana, nasceu em Pirpirituba, Estado da Paraíba, a 19 de abril de 1890, sendo filho de José Ferraz de Oliveira e de dona Rosália Viana de Oliveira.
               
Veio para o Rio Grande do Norte em 1908, matriculando-se na Escola Normal de Natal, onde conquistou o diploma de aluno-mestre, colando o grau de professor a 15 de novembro de 1911.
               
Por ato do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, datada de 18 de dezembro do mesmo ano, foi nomeado professor do Grupo Escolar “Tomás de Araújo”, na cidade de Acari, permanecendo no cargo de diretor até 3 de janeiro de 1914, quando foi transferido para o Grupo Escolar “30 de Setembro”, na cidade de Mossoró.
               
Com a chegada do professor Eliseu Viana a Mossoró, “o Grupo Escolar “30 de setembro” reabriu matrícula para os diversos cursos. Dentro de uma semana, o professor Eliseu teve de encerrá-las. Já havia alunos demais. O velho educandário voltava, assim, ao esplendor de seus primeiros dias e rivalizava, agora, no campo do ensino primário, com o próprio Colégio Diocesano “Santa Luzia”, chamado o Colégio dos Padres, tanto no preparo dos alunos como nas competições esportivas e nas comemorações das datas cívicas”. Foi Eliseu Viana quem criou o Centro Regional de Escoteiros de Mossoró. Entre eles, divulgou o futebol, esporte que começava a se tornar popular. Para isso, dividiu seus Escoteiros em dois times: um, de calção branco e camisa preta; o outro, de calção de mescla azul e camisa branca. Destes, surgiram, mais tarde, dois clubes de futebol que empolgaram a cidade que foram o Humaitá Futebol Clube e o Ipiranga Esporte Clube.
               
Eliseu Viana era um homem dedicado aos estudos e possuidor de bela inteligência. Ser professor não bastava; queria mais. Por isso, matriculou-se no curso de Ciências Jurídicas e Sociais, na Faculdade Livre de Direito do Ceará, recebendo o grau de Bacharel a 08 de dezembro de 1921, sendo o orador da solenidade, por eleição dos seus colegas de turma.
               
Foi nomeado professor interino da cadeira de Português da Escola Normal Primária de Mossoró e comissionado no cargo de diretor (ato de 1º de fevereiro de 1922), recebendo do Governo a incumbência de organizar e instalar a Escola.
               
Em 20 de dezembro de 1923 obteve a nomeação efetiva para a cadeira de Pedagogia e Educação Cívica. Vagando a cadeira de Pedagogia da Escola Normal de Natal, o Dr. Eliseu Viana foi para ela removido em 25 de junho de 1928. Em 4 de dezembro de 1929 assumiu o lugar de Capitão-Auditor do Regimento Policial Militar do Estado.
               
Um fato digno de se registrar é que na tarde de 13 de junho de 1927, quando o bando de Lampião atacou Mossoró, coube ao Dr. Eliseu um papel relevante. Ficou na trincheira que se armara no Telégrafo, em permanente contato com o telegrafista-chefe, Mirabeau Melo e outros, informando às autoridades locais a marcha dos cangaceiros sobre Mossoró. Na hora da luta, estava na trincheira, de armas na mão, com Mirabeau Melo e demais telegrafistas, inclusive o advogado Gilberto Studart, dispostos a enfrentar a horda sanguinária.
               
O professor Eliseu Viana morreu em Agosto de 1960, Em Belo Horizonte, onde estava morando já a algum tempo. Mossoró nunca o esqueceu nem a sua esposa, a professora Celina Guimarães, a primeira mulher da América Latina a conquistar o direito de voto, direito esse concedido pela Lei de nº 660, de 25 de outubro de 1927, na cidade de Mossoró.
               
Eliseu Viana e Celina Guimarães deixaram seus nomes marcados na galeria dos benfeitores de Mossoró. 

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domingo, 12 de abril de 2015

Estrada de Ferro de Mossoró - Final - 12 de Abril de 2015

Por Geraldo Maia do Nascimento

A batalha pela estrada de ferro de Mossoró teve muitos comandantes, inclusive estrangeiros. “Todos que aqui aportavam, ou que de longe se interessavam por suas finalidades, eram logo contaminados pelo mesmo espírito de entusiasmo que vibravam nas almas sertanejas”, usando as palavras do engenheiro Luiz Saboia. E um desses comandantes foi o jovem geólogo norte-americano Roderic Crandall. Esse profissional, de reputação solidamente firmada, foi designado pelo então Ministro de Viação e Obras Públicas, Dr. Francisco Sá, juntamente com o engenheiro Horace Williams, para fazer o levantamento da carta geográfica das zonas assoladas pela seca no Nordeste e proceder aos estudos geológicos e plano geral dos serviços de combate as secas, sob a direção de Orville O. Berby, Chefe do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil. Grandall visitou todo o Nordeste, principalmente as regiões mais secas, e montou um precioso relatório sobre a situação. No capítulo especial de seu relatório, dedicado aos transportes na região que havia estudado, depois de uma série de estudos ferro-rodoviários, dedicou algumas páginas para mostrar a alta finalidade econômica da Estrada de Ferro de Mossoró. “Exige a imediata ligação de Pesqueira a Flores, na Estrada de Ferro Central de Pernambuco; o prolongamento da Baturité até Milagres e a construção da Estrada de Ferro de Mossoró que entroncaria com ela próximo a esta cidade, rumando depois a Petrolina”.

  

Mas esse sonho dos mossoroenses só se tornou realidade na segunda década do século XX, aos 31 de agosto de 1912, num dia de sábado, quando a firma Sabóia & Cia. deu início aos trabalhos da Companhia Estrada de Ferro de Mossoró S/A.
               
Em 19 de março de 1915, dois anos e meio depois, era inaugurado o seu primeiro trecho, num percurso de 38 Km, ligando Porto Franco (hoje no município de Grossos) a Mossoró, num dia de sexta-feira. As primeiras locomotivas a vapor vieram por Navio, desembargadas em Porto Franco, as conhecidas Maria Fumaça, para fazerem o tráfico dos passageiros e das cargas, iniciando ai o melhoramento da região. Levaria mais 36 anos para chegar a Souza, na Paraíba, conforme o traçado inicial do projeto. Com a conclusão da obra, a empresa que se chamava Companhia Estrada de Ferro de Mossoró passou a ser chamada Estrada de Ferro Mossoró-Souza.
               
No início dos anos 80 foi concluído o asfaltamento da RN 117, ligando Mossoró a Alexandria, no Alto Oeste Potiguar. Isso fez com que aumentasse consideravelmente o fluxo de veículos na rodovia, tanto veículos pequenos como grandes. E ônibus passaram a fazer linha nesse percurso. Como a viagem de ônibus era mais rápida e mais confortável, foi diminuindo o número de passageiros da estrada de ferro, mesmo a passagem sendo mais barata, nesse tipo de transporte. Desse modo, em 30 de janeiro de 1988, num dia de sábado, partiu de Mossoró o último trem de passageiro para Souza, para nunca mais voltar.
               
Sem os trens de passageiros, ficaram funcionando na Estrada de Ferro só os trens cargueiros e com a precariedade na falta de material de manutenção da ferrovia, como dormentes, trilhos e outros usuais necessários para a manutenção da mesma, foi diminuindo o número de trens e aumentando consideravelmente o número de acidentes com danos materiais, como descarrilamentos e viradas, chegando ao ponto que a direção da Estrada, que era sediada no Recife, resolver desativar definitivamente o Ramal Estrada de Ferro Mossoró-Souza, no dia 12 de junho de 1995.
               
Discorremos, nesses três artigos, sobre as lutas para implantação da Estrada de Ferro de Mossoró, o seu desenvolvimento ao longo de mais de oitenta anos e a sua desativação, vencida pelo desenvolvimento do asfalto que cortou o sertão e encurtou as distâncias.

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sexta-feira, 20 de março de 2015

A Estrada de Ferro de Mossoró - 19 de Março de 2015


Em 26 de agosto de 1875 era dada a concessão, através da Lei nº 742, da Presidência da Província do Rio Grande do Norte, ao comerciante suiço Jonh Ulrich Graff, para a construção de uma estrada de ferro ligando Mossoró a Petrolina, na Bahia. Mas por falta de recursos, o projeto caducou. Graff chegou a criar uma empresa e oferecer cotas às pessoas de recursos, como se dizia naquela época, aqui residentes. Mas não conseguiu o suficiente para viabilizar o projeto. Entendia Graff que o progresso de Mossoró dependia da velocidade com que conseguisse importar e exportar os seus produtos. A tropa de burros, que até então transportava as mercadorias, já não era suficiente para atender a um mercado crescente como o de Mossoró, que naquela época era tida como empório comercial. Fazia-se mister a construção de uma ferrovia, que entre outros benefícios, baratearia os fretes e diminuiria o tempo de transporte. 


Quase quarenta anos depois o sonho de Urich Graf começava a se realizar. Outros passaram a ter o mesmo sonho, e como diz o ditado, “sonho que se sonha só é apenas sonho, mas sonho que se sonha unido é realidade”. E esse novo sonho se concretizou com a Companhia Estrada de Ferro de Mossoró S. A, que foi iniciada pela firma Sabóia de Albuquerque & Cia. em 31 de agosto de 1912. Em 19 de março de 1915, numa Sexta-feira, era inaugurada oficialmente o seu primeiro trecho, entre Porto Franco, em Areia Branca e Mossoró. Esse sonho era compartilhado por toda Mossoró por isso, quando a locomotiva “Alberto Maranhão” chegou à Estação, foi recebida com aplauso. Na plataforma do carro-chefe da composição, viajavam: João Tomé de Sabóia, Cel. Vicente Sabóia de Albuquerque, Farmacêutico Jerônimo Rosado, Camilo Filgueira, Rodolfo Fernandes, Cel. Bento Praxedes, Vicente Carlos de Sabóia Filho, além do mais velho habitante da cidade, o Sr. Quintiniano Fraga, que ostentava o pavilhão nacional. Aquele 19 de março foi realmente uma data muito importante para Mossoró. 

O trecho Porto Franco a Mossoró estava pronto e inaugurado, naquele 19 de março de 1915; mas era só o começo. A partir daquela data, estava aberta a luta pelo prolongamento da Estrada de Ferro, cujos trilhos levariam ainda outros longos 30 anos para fazerem ligação com a Rede Viação Cearense, na cidade de Souza, na Paraíba. 
               
O tempo que Mossoró levou para concluir a sua Estrada de Ferro foi muito longo e quando finalmente ficou pronta, os objetivos dos primeiros tempos já não poderiam mais serem alcançados. O caminhão já havia invadido as estradas, e com ele o trem não podia competir, nem em velocidade nem em tempo. 
               
Apesar de tudo, a ferrovia foi de muita utilidade para Mossoró, sendo, por longo tempo, o meio de transporte mais utilizado pela população, tanto para carga como para passageiros. 
               
Hoje, ninguém fala mais daquele 19 de março de 1915, que tanto orgulho deu ao povo de Mossoró. A Estrada de Ferro que fora inaugurada naquela data, já não existe mais. A estação de embarque, transformou-se em Estação das Artes; seus trilhos foram arrancados em grandes trechos, suas oficinas estão em ruínas e das locomotivas, que antes cortavam a cidade, não se tem mais notícias. A velha \"Maria Fumaça” desapareceu para sempre nas nuvens do esquecimento. Apenas alguns quadros, pendurados nas paredes do museu, lembram da data que pela primeira vez o progresso chegava a Mossoró.


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quarta-feira, 18 de março de 2015

Mossoró - 163 anos de Emancipação política - 15 de Março de 2015

Por Geraldo Maia do Nascimento

No dia 15 de março de 1852, o povoado de Santa Luzia de Mossoró passou a categoria de Vila, através do Decreto Provincial de nº 246, sancionado pelo Dr. José Joaquim da Cunha, Presidente da Província do Rio Grande do Norte. A medida estabeleceu a criação da Câmara, desvinculando-se politicamente do Município do Assu, a quem pertencera até então, formando um novo Município, sendo elevada a respectiva Povoação à categoria de Vila de Mossoró. 


               
A ideia da criação do Município de Mossoró partiu dos habitantes da ribeira do rio Mossoró. Entre os principais incentivadores, destacava-se o Vigário Antônio Joaquim e o Padre Antônio Freire de Carvalho, que organizaram em Mossoró o núcleo Saquarema que era o Partido Conservador. Foram eles os responsável pela organização de um abaixo assinado que seria dirigido à Assembléia Provincial, pleiteando a criação da Vila e Município de Mossoró e do Tribunal de Jurados. Esse abaixo assinado chegou a Assembléia Municipal na sessão do dia 13 de janeiro de 1852, com 350 assinaturas. Como justificativa para a pretensão, alegavam: 1 – existência de mais de dois mil fogos (casas); 2 – população estimada em mais de seis mil almas; 3 – arruamentos bem organizados, de boa perspectiva e não pequeno; 4 – um comércio “bastante opulento”; 5 – terras ótimas para criação; 6 – praias que enviavam peixe seco para lugares em derredor; e 7 – salinas assazmente abundantes que constituem um grande ramo de comércio. 
               
Foi o bacharel Jerônimo Cabral Raposo da Câmara, Secretário da Assembléia, quem leu o abaixo assinado. 
               
O projeto veio ao plenário na sessão de 8 de março de 1852, para a primeira discussão. Aprovado sem emendas. Na Segunda sessão, com a mesma aprovação. E na terceira, realizado no dia 11, aprovado, seguindo para a Comissão de Redação Final. O Presidente da Assembléia, o Bacharel Otalino Cabral Raposo da Câmara, o Vice-Presidente e o 1º e 2º secretários assinaram o projeto em sua redação final. 
               
O Presidente da Província fez a sanção a 15 de março de 1852. 
               
Mossoró passava a ser o décimo nono município da Província. 
               
Com essa Lei nº 246, nascia o Município de Mossoró. 
               
Criado o Município, procedeu-se em Mossoró a eleição para Vereadores e Juiz de Paz. Nelas figurava o Vigário Antônio Joaquim como representante do Partido Conservador e o Capitão João Batista de Souza como representante do Partido Liberal. 
               
Os Conservadores procederam à votação no interior da Igreja de Santa Luzia enquanto os Liberais permaneceram numa casa da Rua Domingos da Costa. Houve uma tentativa por parte dos Liberais de tomar o Livro da Atas. Por não conseguirem, passaram a disparar armas de fogo para o lado da Capela, onde permaneciam os Conservadores. 
               
A eleição foi vencida pelos Conservadores, que era comandada pelo Vigário Antônio Joaquim e encabeçada pelo Padre Antônio Freire de Carvalho. Este, como Presidente eleito, juramentou-se perante a Câmara do Assu, tomando posse no dia 24 de janeiro de 1853, na Vila de Mossoró, tomando juramento aos demais Vereadores e declarando em seguida instalada a nova Câmara que ficou assim composta: Padre Antônio Freire de Carvalho, Presidente; Tenente Coronel Miguel Archanjo Guilherme de Melo, Vereador; Capitão Francisco de Medeiros Costa, Vereador; Capitão João Batista de Souza, Vereador; Francisco Besoldo das Virgens, Vereador; Sebastião de Freitas Costa, Vereador. 
               
Apesar da lamentável ocorrência quando da eleição, os Conservadores assumiram o poder e num período de tranqüilidade, fizeram um governo de paz, sem ódio e sem vingança. 
               
Muito pouco pode ser feito pelo primeiro governante de Mossoró. Na opinião do historiador Raimundo Soares de Brito, “arrumou a casa. O resto deixou a cargo dos seus sucessores”. 

Segundo Câmara Cascudo “a razão da vitória do projeto elevando Santa Luzia à Vila e fazendo surgir o novo município norte-rio-grandense deve ser procurado no plano político e não econômico. Foi um ato do Partido Conservador contra a região sabiamente pertencente ao Partido Liberal. Os eleitores, indo para Assú ou Apodi, iam votar no candidato “luzias”, como outrora eram fiéis ao Partido Sulista, nome do Liberal velho. Não havia em Santa Luzia do Mossoró eleitores do Partido Conservador e sim simpatizantes sem pronunciamento por falta de chefia coordenadora. Mossoró município havia de constituir base de força conservadora”, o que realmente veio a acontecer.

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terça-feira, 10 de março de 2015

A Vila Justa - 08 de Março de 2015

Por Geraldo Maia do Nascimento

Era a residência do Cel. Antônio Soares do Couto, industrial, sócio da empresa local M. F. do Monte & Cia., ex-Presidente da Intendência com cargo executivo em 1908, que ali residiu até sua morte na década de 20. O nome da mansão foi em homenagem a sua esposa, Justa Nogueira do Couto, que teve uma existência mais longa, falecendo nos idos de 1950. 
               
Foi construída em 1915, em terra virgem, dentro do mato, numa área onde existiam apenas frondosas árvores seculares. O acesso era feito através de uma vereda no matagal que se iniciava na linha de ferro. A obra foi iniciada em 1915 e teve como chefe de construção o italiano Campitelli, arquiteto trazido para o Brasil como um dos maiores artistas do gênero que havia pisado em nossa capital. Foi ele o responsável pela introdução do “radier”, o que era novidade no sistema de amarração de prédios. 
               
A “Vila Justa” foi inaugurada solenemente a 15 de março de 1917, com a presença de autoridades, convidados especiais e familiares. Ali estiveram os Dres. Almeida Castro, Soares Júnior e Enéas Couto, os dois últimos sobrinhos do anfitrião, Manuel Benício de Melo, Cunha da Mota, Presidente da Intendência, Miguel Faustino do Monte, José Pedro do Monte, Antônio Florêncio de Almeida, jornalista Martins de Vasconcelos e outros. Houve missa e bênção do edifício, oficiados pelo Padre Manuel Barreto, vigário da paróquia e diretor do Colégio Santa Luzia, além da cerimônia de batismo de duas crianças, sobrinhas do Cel. Totô. O padre Barreto proferiu eloquentes palavras congratulatórias ao evento e ao proprietário. A festa culminou com um lauto jantar oferecido aos presentes em regozijo pela inauguração da “Vila Justa”. 
               
Uma história interessante envolvendo a mansão é que quando surgiu à ideia da aquisição de um imóvel, por parte da Diocese de Mossoró, para sede episcopal, chegou-se a conclusão que o prédio ideal seria a “Vila Justa”, que era considerado um solar de boas virtudes. E coube ao Padre Mota a responsabilidade da conversa inicial com os herdeiros da família. Acontece que o Padre Mota tinha tido um desentendimento com a proprietária, por tê-la reprimido durante uma missa, quando a mesma tentou furar a fila de comunhão. E o padre procurou explicar ao Bispo a situação, que estavam de relações cortadas com a viúva que nem mais o cumprimentava e que certamente não ia querer negociar com ele. Mas dada persistência do Sr. Bispo, padre Mota arriscou intermediar os entendimentos. E prometeu ao mesmo que falaria com a viúva quando houvesse oportunidade. E esta se ofereceu na própria Catedral, momento em que Justa, ajoelhada, contrita, fazia suas preces, rezava suas orações. Aproximando-se, cumprimentou-a. A mesma respondeu ao cumprimento com satisfação, demonstrando que não havia mais ressentimento pelo ocorrido. E começaram a partir daquele momento as negociações para aquisição da “Vila Justa” e todo o seu vasto terreno, para a instalação do Palácio Episcopal.
               
O referido prédio está localizado na Praça Padre Mota, popularmente conhecida como Praça das Caixas d’Água. O prédio permanece com suas fachadas inalteradas, e já abrigou seis Bispos de nossa Diocese: Dom Jaime de Barros Câmara, Dom João Batista Portocarrero Costa, Dom Eliseu Simões, Dom Gentil Diniz Barreto, Dom José Freire de Oliveira Neto e Dom Mariano Manzana.

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quarta-feira, 4 de março de 2015

Colégio Diocesano Santa Luzia - 114 anos de fundação - 01 de Março de 2015

Por Geraldo Maia do Nascimento

Amanhã, 02 de março de 2015, o Colégio Diocesano Santa Luzia completa 114 anos de atividades. É uma data importante não só para a cidade de Mossoró como também para todo Estado do Rio Grande do Norte, já que pelos bancos do Santa Luzia passaram diversas personalidades que atuaram e atuam nos diversos campos do conhecimento humano.


A ideia da fundação do Colégio Diocesano Santa Luzia surgiu quando da 1ª visita pastoral do Bispo Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, em 30 de janeiro de 1900. Durante o tempo que durou a visita, Dom Adauto em conversa com os paroquianos, sentiu que a maior aspiração do povo mossoroense era a criação de uma “casa de educação moldada nos princípios evangélicos”. Foi pensando em atender a essa necessidade que o Bispo reuniu os cidadãos de maior projeção da cidade, para discutir a possibilidade da instalação de um educandário, já no ano seguinte, que preenchesse os requisitos mais indispensáveis à formação intelectual dos jovens, dentro dos princípios cristãos. Aceita a ideia da criação do educandário, os presentes se comprometeram a adquirir prédio e mobiliário que se adaptasse a tal fim. Para tanto, foi composta uma comissão formada por: Cel. Miguel Faustino do Monte, comerciante; Dr. João Dionísio Filgueira, Juiz de Direito da Comarca e o Dr. Francisco Pinheiro de Almeida Castro, médico e político. Sem perda de tempo, a comissão angariou, junto a todas as classes sociais, os recursos necessário para a aquisição de cinco casas, na rua 30 de setembro, hoje Rua Dix-sept Rosado, onde se localiza atualmente a Agência Central do Banco do Brasil.
               
No dia 22 de fevereiro de 1901 chegou a essa cidade o Cônego Estevão José Dantas, para em nome de S. Excia. Revma. O Sr. Bispo diocesano, fundar e dirigir um Colégio de Instrução primária e secundária. Foi assim que em 02 de março de 1901, num dia de sábado, às doze horas do dia, no prédio onde deveria funcionar o colégio, se reuniu autoridades e cidadãos mossoroenses, sob a presidência do Reverendíssimo Cônego Estevão José Dantas, para oficializar o ato de fundação do estabelecimento de ensino, que passaria a se chamar: “Collegio Diocesano de Sancta Luzia de Mossoró”, conforme consta na Ata de instalação do colégio.
               
Em princípios de outubro de 1901, foi iniciada a construção de um novo edifício, no mesmo local das velhas casas, para atender as necessidades crescentes de um colégio que abrigava não só alunos de Mossoró, como também de comunidades vizinhas que entregavam a educação de seus filhos aos cuidados do Cônego Estevão Dantas.
               
O jornal “O Mossoroense” em seu nº 86 de 30 de novembro de 1905, comentava o encerramento daquele ano letivo com as seguintes palavras: “A 25 do corrente fechou o ciclo de seu primeiro lustro letivo o Colégio Diocesano que nesta cidade funciona sob a invocação de Santa Luzia e obedece à competente direção do respeitável Senhor Cônego Estevão José Dantas. Três são os poderosos fatores a que Mossoró deve este importante instituto de educação e instrução que tão relevantes serviços vai prestando à mocidade deste e dos Estados vizinhos: à bem inspirada iniciativa do Exmo. Sr. Bispo Dom Adauto e o concurso generoso e franco da população abastada desta cidade de um lado e a ação decidida, perseverante e orientada do Cônego Estevão Dantas, de outro, a quem, em boa hora, fora confiada a melindrosa e pesada tarefa da fundação e direção do estabelecimento, desde a construção do edifício até à completa organização técnica do instituto. Grandes foram as dificuldades a superar no desempenho dessa tarefa utilitária, as quais longe de entibiarem, ao contrário, foram outros tantos incitamentos aos resolutos desígnios do operoso paladino da nobre ideia em ação.
               
O Cônego Estevão permaneceu na direção do Colégio Diocesano Santa Luzia desde a sua fundação em 02 de março de 1901 até 17 de fevereiro de 1907, quando solicitou afastamento para tratamento de saúde. Já havia cumprido sua missão: plantou a semente de um educandário que a 114 anos vem prestando relevantes serviços ao povo de Mossoró, conservando o mesmo pensamento que é a de dotar os jovens de conhecimentos indispensáveis à formação intelectual, dentro dos princípios cristãos.
  
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

MEMÓRIA DO CARNAVAL - 15 DE FEVEREIRO DE 2015

 Por Geraldo Maia do Nascimento

Os primórdios do nosso Carnaval
              
Continuando a nossa série sobre a memória do carnaval mossoroense, vamos abordar hoje os primórdios da nossa festa de Momo.
               
As primeiras notícias que temos sobre Carnaval em Mossoró é de 1913, quando “um pequeno grupo de cavalheiros e pouco maior número de crianças” saíram fantasiados pelas ruas da cidade no domingo de carnaval. Naquele mesmo dia houve uma festa no Cinema Almeida Castro, onde “a fina flor mossoroense” travou uma verdadeira batalha de confete, serpentina e lança-perfumes. Na segunda-feira outros bailes se realizaram. O jornal “O Mossoroense” registrava “uma soerée familiar na casa do diretor do jornal e, outro ainda, no Polytheama como remate à festa anual tão cheia de atrativos.” Dessa forma começavam as comemorações do carnaval em Mossoró.


Em 23 de fevereiro de 1924 o jornal O Mossoroense anunciava: “Vesperal carnavalesca na residência do Dr. Freire Filho, médico pernambucano que por vários anos residiu em Mossoró. Sua elegante residência, localizada na Rua do Triunfo, local onde hoje está instalada a Coletoria de Rendas Estaduais, foi ricamente decorada para receber a elite mossoroense, que se apresentou ostentando vistosas fantasias, num ambiente dos mais alegres. Não faltaram nessa magnífica vesperal que assinalou o inicio da temporada carnavalesca do ano, os blocos das Violetas e dos Terroristas, formados se senhoritas e rapazes, bem como as fantasias individuais, ali representando Príncipes Encantados, Persianas, Cavaleiro da Idade Média, Mosqueteiros, Ciganos, Gato de Botas, Cinderelas e outros disfarces”.
               
Nos anos que se seguiram a festa foi tomando proporções maiores. De 1913 a 1925 vários grêmios recreativos foram se formando nos bairros, cada qual querendo mostrar o que tinha de mais bonito. Para os jovens daquela época, o carnaval oferecia um bom pretexto para cortejos, por isso caprichavam no visual antes de cair na folia.
               
Como não existiam ainda clubes sociais na cidade, as festas eram realizadas nas casas das pessoas. As famílias mais tradicionais decoravam suas casas com temas coloridos, convidavam os amigos e promoviam suas próprias festas. A folia era puxada por uma orquestra e entre uma dose e outra de licor, era servido um cafezinho.
               
Com a construção de clubes como o Ypiranga, Associação Cultural e Desportiva Potiguar – ACDP, Associação Atlética do Banco do Brasil – AABB, BNB Clube, do Banco do Nordeste do Brasil e outros, as festas carnavalescas passaram a ser realizadas nesses espaços. E por essa época os Carnavais já tinham tomado uma projeção tão grande que começaram a ser realizados festivais. O antigo Clube Ypiranga foi palco de grandes desfiles de fantasia.
               
Mas tinha também o mela-mela. Herança do “entrudo” que foi trazido para o Brasil por volta do século XVII, por influência dos portugueses das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde. Era uma brincadeira de loucas correrias, onde se jogava nas pessoas que passavam: farinha, água com limão, colorau, etc. Em meios mais nobres, esses produtos eram substituídos por confetes e serpentinas.
               
Os blocos trabalhavam suas alegorias para superar os concorrentes. Marcaram época os blocos Hi-Fi, composto pela elite da sociedade mossoroense, Sky, Ciganas Zingaras, composto exclusivamente por moças da elite, Camafeus de Oxossi, composto por moradores do Bairro Alto da Conceição, os Falcões, que era formado por moradores do Bairro Doze Anos, Guizos de Ouro, Gente Bem, Sete Capas, Very Kar, Cavalheiros de Tio Sam, Tricolor da Folia, Camisas Pretas e Balança, mas não cai. Havia ainda os Kalapalos, com 30 membros, os Cara-sujas, com 52 integrantes, o Fãs de Amor, com 33 pessoas e os Vassourinhas, com 32 homens
               
Esses carnavais remanesceram até a década de 70. Nesse período, a rivalidade existente entre os Clubes ACDP e Ypiranga era contagiante. Deixaram saudades o brilho de suas festas.
                
Geraldo Maia do Nascimento
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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Memória do Carnaval - 08 de Fevereiro de 2015

Por Cristina dos Pimpões

Fevereiro é mês de carnaval. E apesar da cidade viver um momentos de apatia com relação ao carnaval, os festejos de momo ainda sobrevivem graças à teimosia de alguns foliões que não se deixam vencer pela falta de apoio público. Mesmo sem estrutura oficial, botam seus blocos nas ruas e fazem seus próprios carnavais. Mas nem sempre foi assim. Os nossos carnavais tiveram momentos áureos e esses momentos imortalizaram alguns foliões, cujas memórias pretendemos resgatar. E começamos esse resgate por uma das foliãs mais conhecidas da cidade que foi Cristina dos Pimpões. 
               
Cristina dos Pimpões

Cristina Gomes Paulista, a Cristina dos Pimpões, nasceu em Mossoró em 11 de junho de 1914, sendo filha de Bonifácio Gomes de Melo e de Sabina Raquel do Amorim. Casou com Omarque Manuel Paulista, com quem teve cinco filhos, que lhe deram netos e bisnetos.
               
Era uma pessoa simples que amava o carnaval. E fazia dessa paixão a razão de sua vida. Lavava roupa, como profissão. Até se orgulhava desse trabalho, por que foi com o dinheiro ganho nas lavagens que pode criar e educar os seus filhos. Simples era também a casa onde ela morava, na rua Juvenal Lamartine, 872. Simples, mas cercada de grandeza espiritual.
               
Desde criança amava o carnaval. A alegria, o colorido das fantasias, as marchinhas carnavalescas, tudo lhe dava grande contentamento. Viu o bloco “Pimpões” ser fundado em 1924, sendo os seus idealizadores e também primeiros dirigentes Pedro Pequeno, Durval e Rafael. E apesar de ainda ser criança, com 10 anos de idade, desejava participar. Ficava deslumbrada com os preparativos, não tardando a ensaiar os primeiros passos de frevo. A primeira participação de Cristina nos desfiles dos Pimpões aconteceu dois anos depois da fundação do bloco, ocasião em que a foliã contava com apenas 12 anos de idade. Saiu como passista em uma ala de moças. Foi uma das maiores alegrias de sua vida. Passou a desfilar todos os anos e era uma das mais esforçadas na preparação da agremiação. Por volta de 1930 assumiu a direção do bloco, para só deixa-la com sua morte. E esse sempre foi o seu desejo. Dizia ela: “Vou brincar carnaval até morrer. E quando as minhas pernas velhas não mais aguentarem, compro uma cadeira de rodas e saio desfilando na frente do bloco totalmente fantasiada”.
               
Tornou-se ícone do carnaval de Mossoró. Sempre a frente do seu bloco, terminou associando o seu nome ao nome da agremiação, não mais sendo conhecida como Cristina Gomes, e sim como Cristina dos Pimpões. Por essa paixão, não conhecia fronteiras e com o próprio esforço sempre comprou as suas fantasias. Confessou que o carnaval só lhe deu alegria, apesar do trabalho e dos gastos para botar o bloco na rua. Sempre se manteve fiel às tradições dos Pimpões, não permitindo outras cores além do verde, amarelo e branco.
               
Consta que por várias vezes Cristina foi procurada por carnavalescos desejosos de transformar os Pimpões em Escola de Samba. Conservadora que era, em todas às vezes respondia: “Enquanto eu for viva, meu bloco é do povo, das ruas e do frevo”.
               
Em 1995 os Pimpões foi à única agremiação na categoria blocos que desfilou no carnaval. E como havia uma premiação para os primeiros colocados, acabou recebendo o troféu de 1º lugar da categoria. Foi receber a premiação, mas expressou a sua insatisfação com aquela situação. Gostava de competir. Receber o troféu sem concorrência era até vergonhoso. Custava-lhe muito preparar o bloco e a recompensa era exatamente o reconhecimento dos jurados. Não importava para ela a classificação que recebia, desde que fosse concorrendo com outros blocos. Mas já naquela época, o carnaval de Mossoró estava decadente e aquele foi o último carnaval de Cristina dos Pimpões.
               
Faleceu no dia 09 de dezembro de 1996, aos 82 anos de idade, vitimada por uma infecção generalizada. Estava preste a completar o seu 70º carnaval. Mossoró reconheceu o seu esforço emprestando o seu nome a uma rua da cidade. Não Cristina Gomes Paulista, mas Cristina dos Pimpões.
Geraldo Maia do Nascimento

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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

121 anos de “Libertação” - 14 de Setembro de 2014

Por Geraldo Maia do Nascimento

Em 30 de setembro de 1883, há exatos 121 anos, Mossoró declarava-se “livre da mancha negra da escravidão”. Não foi a primeira cidade brasileira a declarar livre os seus escravos. “Coube-lhe, no entanto, a saliente posição de fazer a redenção de elemento servil com mais ardor, com a solidariedade total de suas forças administrativas e políticas, num movimento eminentemente nacional, comentado pela imprensa das capitais do norte e do sul do Império e também por um órgão da imprensa norte-americana, além de ser observada e interpretada na Corte e nos seus gabinetes pelo destemor do comunicado ao Imperador D. Pedro II, de ter Mossoró feito a libertação sem ajuda imperial”, como disse Lauro da Escóssia. O comunicado a que se refere Lauro, foi um telegrama ao Imperador, despachado pelos abolicionistas Romualdo Lopes Galvão, presidente da Câmara Municipal, e Almino Álvares Afonso, grande tributo da liberdade, comunicando o fato. 


Mossoró foi a primeira cidade do Rio Grande do Norte a fazer campanhas sistemáticas para libertação dos seus escravos. Não foi uma luta de poucos; foi uma luta que envolveu, de uma maneira ou de outra, toda a cidade. E por ter sido uma luta coletiva, pacífica e pioneira no Estado, é comemorada ainda hoje como sendo a maior festa cívica da cidade.
               
O Rio Grande do Norte não chegou a ser um Estado que dependesse da mão de obra escrava para o seu desenvolvimento. A 1º de setembro de 1848, Casimiro José de Morais Sarmento, deputado geral pelo Rio Grande do Norte, falava na sessão daquele dia:
               
\"Concorda em que o trabalho do escravo não é necessário. No Rio Grande do Norte há poucos escravos, e quase toda a agricultura é feita por braços livres. Conhece muitos senhores de engenho que não têm senão quatro ou cinco escravos, entretanto que têm 20, 25 e 40 trabalhadores livres, e se não os têm em maior número, é pelo pequeno salário que lhes pagão. Disto se convenceu o orador quando ali foi presidente, porque em consequência de elevar o salário a 400 reis por dia, nunca lhe faltarão operários livres para trabalharem na estrada que teve de fazer\".
               
Mossoró, particularmente, nunca foi uma cidade escravocrata. Possuía apenas 153 escravos em 1862, para uma população livre de 2.493 indivíduos. Estatisticamente o percentual era insignificante. A cidade não tinha engenhos; cuidava do gado e para isso não precisava de muitos braços. A ideia de libertação foi trazida do Ceará, através da Loja Maçônica “24 de junho”, e conquistou a opinião pública. E como isso aconteceu?
               
Em 6 de janeiro de 1883 foi criada \"A Sociedade Libertadora Mossoroense\", uma entidade cujo objetivo era tornar viável a libertação de todos os escravos da cidade de maneira pacífica e ordeira. A Sociedade Libertadora tinha um Código, com um único artigo e sem parágrafos, onde estava determinado que \"todos os meios são lícitos a fim de que Mossoró liberte os seus escravos\".
               
Nessa época, Mossoró contava apenas com 86 escravos. A 10 de junho eram alforriados 40 desses escravos.
               
No dia 30 de setembro de 1883, a cidade amanheceu com as ruas todas engalanadas de folhas de carnaubeiras e bandeiras de papel coloridas. A alegria contagiava todos os lares. Ao meio-dia, a Sociedade Libertadora Mossoroense se reunia no 1º andar do prédio da Cadeia Pública, onde funcionava a Câmara Municipal (hoje, Museu Municipal Lauro da Escóssia). O Presidente da Sociedade Joaquim Bezerra da Costa Mendes, abre a solene e memorável sessão, lendo em seguida, diversas cartas de alforria dos últimos escravos de Mossoró, e depois de emocionado discurso declara \"livre o município de Mossoró da mancha negra da escravidão\".
               
Depois da sessão, a festa tomou as ruas da cidade. O Dr. Almino Afonso pronunciou inúmeros discursos, empolgando os auditórios que o aplaudiam delirantemente. E foi também o Dr. Almino Afonso que criou o \"Clube dos Spartacos\" composto, na sua maioria, por ex-escravos, tendo sido eleito presidente o liberto Rafael Mossoroense da Glória. A função desse clube era de dar abrigo e amparo aos ex-escravos, que aqui chegavam por mar ou por terra. Era a tropa de choque dos abolicionistas. Como território livre, Mossoró passou a ser procurada por todos os escravos que conseguiam fugir. Sabiam que aqui chegando, encontravam abrigo. O Clube dos Spartacus sempre conseguia evitar que os escravos voltassem com os donos. Tudo isso aconteceu cinco anos antes que a Princesa Isabel assinasse à famosa \"Lei Áurea\", que acabava com a escravidão em todo território nacional.
               
O dia 30 de setembro passou a ser a grande data cívica da cidade. A Lei nº 30, de 13 de setembro de 1913, declara feriado o dia 30 de setembro que até os dias atuais é comemorado com muito entusiasmo pela cidade de Mossoró. 

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Autor Geraldo Maia do Nascimento
  
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sábado, 6 de setembro de 2014

Os velhos professores de Mossoró II - 25 de Agosto de 201

Por Geraldo Maia do Nascimento

A Segunda fase desse estudo corresponde a fase de expansão do ensino fundamental em Mossoró. Nessa fase vamos lembrar os professores que atuaram no Colégio 7 de Setembro (1900), do Colégio Santa Luzia (1901) e do Curso de Comércio da União Caixeiral (1912).
               
O primeiro nome que aparece dessa fase é a do professor Antônio Gomes de Arruda Barreto. Era, em sua época, uma das figuras de maior relevo da cultura nordestina. Era advogado e jornalista, mas foi como professor que o seu nome passou para a história. O seu educandário, o Colégio “Sete de Setembro”, funcionava a princípio na cidade de Brejo do Cruz, na Paraíba. 

Farmacêutico Jerônimo Rosado pai da família numerada de Mossoró "Rosado"

Mas a conselho do seu amigo e conterrâneo farmacêutico Jerônimo Rosado transferiu o estabelecimento para a Mossoró, no começo do ano de 1900. Na sua época era o único educandário no seu gênero, em funcionamento no interior, que preparava alunos em todas as matérias para os exames finais, a serem prestados no Ateneu Norte-rio-grandense, na capital do Estado. Em seu corpo de professores figuravam nomes como Teódulo Câmara, Paulo de Albuquerque, Jerônimo Rosado, Alfredo Melo, José Paulino Leal, Ferreira de Abreu, além do seu próprio diretor, o professor Antônio Gomes. O Colégio “Sete de Setembro” prestou inequívocos serviços a educação da juventude de Mossoró e de muitos outros lugares do Sertão. 

Professor Cônego Estevão José Dantas - fonte da foto: blogdogemaia
               
Professor Cônego Estevão José Dantas. Foi o primeiro Diretor do Colégio Diocesano Santa Luzia, de Mossoró, com as atribuições de promover a sua organização e consequente instalação do educandário que se iniciava com o século XX. Chegou a Mossoró em 22 de fevereiro de 1901 e dirigiu o Colégio Diocesano até fevereiro de 1907, desenvolvendo uma grande atividade em prol do ensino ministrado no educandário e do seu aprimoramento.
               

Professor Paulo Leitão Loureiro de Albuquerque. Era um homem de alta cultura, Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, tendo feito o curso em Recife/PE, de onde era originário. Era de espírito atilado, perspicaz, dotado de especial formação filosófica e humana. Era poeta, jornalista e orador de grandes arroubos. Foi Promotor Público, Juiz Municipal e professor. Teve parte ativa na campanha abolicionista de Mossoró. Lecionou francês, matemática, geografia e história no Colégio “Sete de Setembro”, do professor Antônio Gomes de Arruda Barreto. Sobre ele falou o Desembargador Felipe Guerra: “Foi o mestre da mocidade que subtraiu Mossoró do tenebroso esquecimento anti-intelectual e do obscurantismo e da ignorância”.
               
Professor Teódulo Soares da Câmara. Lecionou no Colégio “Sete de Setembro” e no Colégio Diocesano de Mossoró. Em 1907 transferiu-se para Natal onde foi nomeado professor do Ateneu Norte-rio-grandense.
               
Colégio Atheneu, o colégio mais antigo do Brasil Casa do estudante metralhada, após o levante comunista - www.skyscrapercity.com

Professor Alfredo de Souza Melo. Foi professor do Colégio “Sete de Setembro” onde lecionou a cadeira de língua inglesa. Jornalista vibrante e combativo, polemista, de espírito ativo. Um dos mais dedicados adeptos da campanha abolicionista de Mossoró.
               
Professor Jerônimo Rosado. Estimulando e ajudando ao Professor Antônio Gomes, induzindo-o a transferir o seu Colégio para Mossoró, onde as oportunidades de trabalho e de receptividade seriam muito maiores, não pode negar ao convite para lecionar no educandário. Foi professor de física e química. Lecionou também no Colégio Diocesano Santa Luzia, no início de funcionamento daquela instituição.
               
Professor Pe. Pedro Paulino Duarte. Substituiu o Cônego Estevão José Dantas na direção do Colégio Diocesano Santa Luzia. Chegou a Mossoró em 1907 e durante o tempo em que permaneceu na Diretoria do educandário, dedicou-se a promoção de um grande trabalho para a difusão da instrução entre as classes mais pobres, para o que chegou a abri uma aula noturna, cuja matrícula era de 30 meninos para ensino primário gratuito.
               
Professor Francisco Isódio de Souza. Foi um agitador cultural de Mossoró. Fundou, juntamente com outros membros, o Instituto Literário “2 de Julho, com o fim de promover as comemorações cívicas do transcurso da data que assinalava, na Bahia, a vitória das forças brasileiras contra as portuguesas comandadas pelo General Madeira. Do mesmo modo, com a ajuda de outros, fundou a 11 de agosto de 1911, a Sociedade de União Caixeiral, que foi pioneira no Estado da organização dos auxiliares do comércio.
               

Cada uma das pessoas citadas acima merecia, por sua luta e dedicação ao desenvolvimento educacional de Mossoró, biografia e homenagem por parte do poder público. Mas a grande maioria desses educadores, são totalmente desconhecidos das novas gerações, constando seus nomes apenas em velhos cartapácios, que poucos se interessam de pesquisar.
                
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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

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