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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Poeta Antônio Francisco lança blog

Poeta Antonio Francisco


Em 15 de Maio de 2006, tomou posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na cadeira de número 15, cujo patrono é o saudoso poeta cearense Patativa do Assaré. A partir daí, já vem sendo chamado de o “novo Patativa do Assaré”, devido à cadeira que ocupa e à qualidade de seus versos.
AQUELA DOSE DE AMOR

(do livro
DEZ CORDÉIS NUM CORDEL SÓ, Ed. Queima-Bucha, Mossoró, 2006) - Antonio Francisco

 

Um certo dia eu estava
Ao redor da minha aldeia
Atirando nas rolinhas,
Caçando rastros na areia,
Atrás de me divertir
Brincando com a vida alheia.

Eu andava mais na sombra
Devido ao sol muito quente,
Quando vi uma juriti
Bebendo numa vertente.
Atirei, ela voou.
Mas foi cair lá na frente.

Carreguei a espingarda,
Saí olhando pro chão,
Procurando a juriti
Nos troncos do algodão,
Quando surgiu um velhinho
Com um taco de pão na mão.

O velho disse: - “Senhor,
Não quero lhe ofender,
Mas se está com tanta fome
E não tem o que comer,
Mate a fome com este pão,
Deixe este pássaro viver.”

Eu disse: - Muito obrigado,
Pode guardar o seu pão...
Eu gasto mais do que isso
Com a minha munição.
Eu mato só por prazer,
Eu caço por diversão.

O velho disse: -“É normal
Esse orgulho do senhor
E todo esse egoísmo
Que tem no interior.
É porque falta no peito
Aquela dose de amor.

Se eu tivesse botado
Ela no seu coração,
Você jamais mataria
Um pardal sem precisão,
Nem dava um tiro num pato
Apenas por diversão.”

Eu fiquei muito confuso
Com as frases do ancião.
Aquelas suas palavras
Tocaram meu coração
Derrubando meu orgulho
E a vaidade no chão.

Me vali da humildade
E disse: - Perdão, senhor,
Desculpe a minha arrogância,
Mas lhe peço um favor,
Que me conte essa história
Sobre essa dose de amor.

O velho disse: - “Pois não.
Vou explicar ao senhor
Porque mesmo sem querer
Sou o maior causador
De hoje em dia o ser humano
Ser tão carente de amor.

Isso tudo aconteceu
muitos séculos atrás
Quando meu Pai fez o mundo
Terra, mares, vegetais.
Me pediu pra lhe ajudar
No último dos animais.

Pai me disse: - ‘Filho, eu fiz
Da formiga ao pelicano;
Botei veneno na cobra,
Bico grande no tucano,
Agora estou terminando
Este animal ser humano.

Mas ficou meio sem graça
Este animal predador...
O couro não deu pra nada,
A carne não tem sabor,
Na cabeça tem juízo,
Mas, no peito, pouco amor.

Por isso que eu lhe chamei
Pra você lhe consertar,
Botar mais amor no peito,
Lhe ensinar a amar
E tirar dessa cabeça
O desejo de matar’.

Depois disse: - ‘Filho, vá
Amanhã lá no quintal,
No
casa dos sentimentos,
Perto do pote do mal...
Traga a dose de amor
E bote nesse animal’.

De manhã eu fui buscar
Aquela dose sozinho,
Mas na volta me entreti
Brincando com um passarinho
Perdi a dose do amor
Numa curva do caminho.

Quando eu notei que perdi,
Voltei correndo pra trás,
Procurei em todo canto,
Mas cadê eu achar mais.
Aí eu fiz a loucura
Que toda criança faz.

Voltei, peguei outra dose
Igualzinha a do amor,
O vidro da mesma altura,
O rótulo da mesma cor...
Cheguei em casa e botei
No peito do predador.

Mas logo no outro dia
Meu pai sem querer deu fé
Do animal ser humano
Chutando o sapo com o pé
E no outro ele mangando
Dos olhos do caboré.

Vendo aquilo pai chorou,
Ficou triste, passou mal,
Me chamou e disse: - ‘Filho,
O bicho não tá normal.
O que foi que você fez
No peito desse animal?’

Quando eu contei a verdade
De tudo aquilo que eu fiz
Pai disse tremendo a voz:
- ‘Eu sei que você não quis,
Mas você botou foi ódio
No peito desse infeliz.

Esse bicho inteligente
Com esse ódio profundo,
Com pouco amor nesse peito
Não vai parar um segundo
Enquanto não destruir
A última célula do mundo.

Depois daquelas palavras,
Chorei como um santo chora.
Quando foi à meia-noite
Eu saí de porta afora
E nunca mais eu pisei
Na casa que meu pai mora.

Daquele dia pra cá
É esta a minha pisada,
Procurando aquela dose
Em todo canto da estrada,
Pois, sem ela, o ser humano
Pra meu pai não vale nada.

Sem ela, vocês humanos
Não sabem dar sem pedir,
Viver sem hipocrisia,
Ficar por trás sem trair
Nem distante do poder
Nem discursar sem mentir.

Sem ela, vocês trucidam
E batizam os crimes seus.
Na era medieval
Queimaram bruxas e ateus
E perseguiram os hereges
Usando o nome de Deus.

Sem ela, foram pra África
E fizeram a escravidão...
Com os grilhões do preconceito
Escravizaram o irmão
Com a espada na cintura
E uma bíblia na mão’.

O velho disse: - “Perdoe
Ter tomado o tempo seu.
Consertar vocês, humanos,
É um problema só meu.”
Aí o velho sumiu
Do jeito que apareceu.

E eu fiquei ali em pé
Coçando o queixo com a mão,
Pensando se era verdade
As frases do ancião
Ou se era tudo fruto
Da minha imaginação.

E naquele mesmo instante
Vi passando na estrada
A juriti que eu chumbei
Com uma asa quebrada,
Mas não tive mais coragem
De atirar na coitada.

Joguei fora a espingarda,
Voltei olhando pro chão
Procurando aquela dose
Nos troncos do algodão
Pra guardá-la com carinho
Dentro do meu coração.

Se acaso algum de vocês
Tiver a felicidade
De encontrar aquela dose,
Eu peço por caridade
Derrame todo o sabor
Daquela dose de amor
No peito da humanidade.


Biografia
Antônio Francisco Teixeira de Melo (Mossoró, 21 de outubro de 1949) é um cordelista potiguar. É filho de Francisco Petronilo de Melo e Pêdra Teixeira de Melo. Graduado em História pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Poeta popular, cordelista, xilógrafo e compositor, ainda confecciona placas.
Aos 46 anos, muito tardiamente, começou sua carreira literária, já que era dedicado ao esporte, fazia muitas viagens de bicicleta pelo Nordeste e não tinha tempo para outras atividades. Muitos de seus poemas já são alvo de estudo de vários compositores do Rio Grande do Norte e de outros estados brasileiros, interessados na grande musicalidade que possuem.

Fonte:
   
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3B4nio_Francisco_Teixeira_de_Melo

Livro - Lançamento - Alvino:


Prezados Confrades

A Editora Sarau das Letras e o autor Antônio Alvino da Silva Filho convidam Vossa Senhoria para o lançamento do livro CONTRAPONTOS.
Data: 10.05.2012
Hora: 19h
Local: Biblioteca Municipal Ney Pontes (Praça da Redenção) - Mossoró, RN.
Atenciosamente,
Antonio Clauder Alves Arcanjo - Editor
Antônio Alvino da Silva Filho - Autor
P.S.: Quem tiver lista mais abrangente do ICOP,

 Enviado pelo poeta e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

MULHERES FORTES E DOCES

http://3.bp.blogspot.com/_f18oT307UNk/TPzmUrZ25UI/AAAAAAAAMsU/7FM9xlniYo4/s1600/Dad%25C3%25A1%2BS%25C3%25A9rgia%2BRibeiro.JPG

Mulheres de personalidade forte e doce, dispostas a tudo em nome do amor, inclusive à morte. Foi dessa forma que Vera Ferreira descreveu as cangaceiras durante a Aula Magna realizada no câmpus Juvino Oliveira, em Itapetinga, Bahia. A participação feminina no cangaço foi o tema trazido pela pesquisadora para a aula que antecedeu o lançamento de seu livro em comemoração ao centenário de vida de Maria Bonita, sua avó e esposa de Virgolino Lampião.

Durante a aula, Vera Ferreira traçou um histórico sobre a participação feminina no cangaço, que teve início com a entrada de Maria Bonita e outras cem mulheres para o bando, por volta do final da década de 30, motivadas pelos laços afetivos com seus companheiros. O ingresso dessas cangaceiras no movimento mudou as formas de se relacionar do grupo, segundo Ferreira, “a contribuição feminina ao cangaço foi muito importante porque quando os cangaceiros entravam no povoado as famílias se assustavam pois eram só homens, a partir do momento em que elas começaram a ver mulher no cangaço, a recepção ficou muito mais tranquila, as mães se sentiam protegidas posto que ali tinham mulheres”.

Foram lembradas ainda as duras regras as quais eram submetidas as mulheres em nome da sobrevivência do grupo, como a de conseguir outro companheiro dentro do bando em caso de viuvez, sob a pena de ser morta; e a impossibilidade de convivência com as suas crias, que eram dadas pouco depois de nascidas à famílias conhecidas. Vera mencionou em uma de suas falas sobre a amizade que manteve com Dadá, mulher de Corisco, revelando casos como o de uma cangaceira morta pelo companheiro a pauladas por conta de uma traição, o qual Dadá descreveu como “um dos momentos mais cruéis e mais difíceis que ela já passou dentro no cangaço”. Mas, entre outras coisas a pesquisadora desconstruiu o mito da mulher guerreira e que pegava em armas, afirmando categoricamente que a cangaceira não participava do combate e seu papel dentro do grupo era ser companheira do seu homem.

Em 2011, ano em que Maria Bonita completa seu centenário Vera Ferreira prometeu dedicar-se inteiramente à preservação da memória de sua avó, que nasceu na Bahia, fato que a impulsionou trazer seu projeto de construção de um Memorial para o Estado, para isso a neta de Lampião tem buscado apoio junto a iniciativa pública e privada. Quando perguntada sobre a influência da mulher do cangaço sobre as mulheres atuais ela respondeu que “são várias as mulheres antes de Maria Bonita, vindas de outros movimentos, que aconteceram e nos servem de inspiração. Imagine uma mulher nordestina que foi casada, que deixa tudo para seguir um homem e levar uma vida sofrida e de perseguição. Logo se vê que é uma mulher forte, todas elas são fortes. É importante para mim saber que minha avó influenciou as artes, literatura, cordel, música, artistas populares, artistas plásticos, e que está no pensamento dessas pessoas”, completou a pesquisadora encerrando sua participação na Semana de Integração em Itapetinga*.

*Palestra de Vera Ferreira, neta de Maria Bonita, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia- UESB , em 23/2/2011. O texto é de Érica Bonfim

Fonte:

Marcos Passos Imortaliza mais uma obra do cangaço em Braille

Por: João de Sousa Lima

Marcos Passos e sua equipe da AMAC - Associação Macaense de Apoio aos cegos, deixam para a posteridade mais uma obra do cangaço em Braille.
Moreno e Durvinha, sangue, amor e fuga no cangaço é o segundo livro do cangaço impresso pela AMAC.
Marcos Passos e seu filho Felipe Marques estiveram conhecendo em Paulo Afonso a região onde os cangaceiros passaram por diversas vezes e estiveram também participando do Cariri Cangaço, evento realizando no Crato, Juazeiro, Barbalha, Missão Velha, Aurora e Barro. 
Me dignifica muito ter minhas obras como parcela concreta de acesso a leitura especial e como parte de inclusão social e fico muito honrado em ter Marcos Passos e seu filho Felipe Marques como amigos.
Suas obras estão a disposição para os leitores especiais que tiverem interesse em conhecer mais um capitulo histórico do Brasil.
Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima

Antiguidades: Uma Viagem ao Passado

Por: João de Sousa Lima

A Loja de Cláudio Xavier: Uma Viagem ao Passado.

Há tempos freguento a loja de Cláudio Xavier que se situa na antiga Rua da Frente. Cláudio Xavier é hoje funcionário aposentado da CHESF. Por mais de trinta anos ele atuou como fotógrafo da Companhia Hidroelétrica do São Francisco, realizando mais de trinta mil fotografias das construções e dos momentos comemorativos da  empresa e que  hoje se encontram  catalogadas em um acervo.
    
Gosto de ir a sua loja para conversarmos e ouvir suas histórias, suas aventuras por trás das lentes das antigas máquinas fotográficas. Negociamos algumas máquinas antigas que as guardo com carinho de colecionador.
   
Saudosista como sou me sinto sempre renovado quando começo a vasculhar suas mercadorias, uma verdadeira viagem ao passado. Lá ainda encontramos cadernos do ano de 1970 (aquele que vinha com o Hino Nacional na contra capa). Encontramos as borrachas de apagar com pincel para limpar o caderno, lancheiras com foto da série televisiva “Sítio do Pica Pau Amarelo”, pasta com a “Turma do Lambe Lambe”, cadernetas para anotações (daquelas que levávamos ao mercado da esquina para fazermos as compras e anotarmos o valor que seria pago no final do mês). Encontramos pentes Flamengo, brilhantina Zezé, Grampos Biliro e Sandra, sabonetes Alma de Flores, Vale-Quanto-Pesa, MEMPHIS, PHEBO, MOIRÊ, Vale Ouro, Bouquet de Orquídeas e Senador. Temos pó Cashmere Bouquet, Yama, Coty, Max Factor, Promessa e Angel Face.  Talco Gessy e Palmolive.

Em uma das prateleiras que trazem mais recordações encontramos carrinhos, tratores, fortes apaches em miniaturas de bonecos de plásticos: Soldados e Índios da “GULLIVER”.

Encontramos as miniaturas dos “SUPER-HEROIS”: Homem de Ferro, Capitão América, Homem Aranha, Hulk, Falcon, Thor, Príncipe Submarino e Surfista Prateado.

No seu birô de madeira rústica um telefone preto de modelo antigo ainda funciona. O rádio de madeira é sempre ligado nos horários das notícias.

Sempre quando se vasculha alguns dos abarrotados depósitos ele chega com uma velha “Novidade”: Máquina fotográfica Estamatic, Rio 400, Rolleyflex, Yashica, Kodak, Mamya e a 6x6. Vemos ainda monóculos, filmes 120, carretéis, projetores de slides e super 8 mm.

Encontramos fogareiros Garrara, copos, pratos, penicos e bules de estanho, xícaras com desenhos e detalhes feitos a mão, lampiões a querosene, camisas para lampiões da marca “ALADDIN”, fitas cassetes, linhas “Corrente” com carretel de madeira, trena e régua de madeira, tabuada e cartilha de ABC, lâminas de barbear Personna e Wilkyson, canivete e cortador de unha, gravador de rolo e as fitas, lanternas de bolso e uma variedade de produtos que foram estocados há muitos anos.

A Loja do meu amigo Claudio Xavier é repleta de muitas mercadorias antigas e mescladas com novidades, porém se tudo isso não bastar para seu gosto dê uma passadinha lá apenas para conhecê-lo e com certeza você sairá de lá maravilhado depois de ouvir suas histórias de vida e terá o prazer de ter conhecido um homem digno, honrado, honesto, trabalhador e de um coração dotado de bons princípios.

Claudio Xavier se tornou por sua trajetória de vida, de serviços prestados a CHESF e a comunidade um “CIDADÃO PAULOAFONSINO” e sua loja um marco na história da cidade.

João de Sousa Lima
Paulo Afonso, 21 de abril de 2012.

Extraído do blog do escritor e pesquisador do cangaço:
João de Sous Lima 

O Lampião de Zanotti, na Saraiva Mega Store Por:Manoel Severo

O tempo parece correr solto, como nunca antes em nosso sertão... Alias não só em nosso sertão querido do nordeste, mas também pelos lados do sul, bem lá pelas bandas de baixo de nosso Brasil, mais precisamente do Paraná de nosso estimado e querido Zanotti... E nunca dantes na história deste país houve uma integração cultural tão grande como em tempos de agora. Esse imenso Brasil, de muitas culturas e tradições; continental como poucos, se debruça sobre si mesmo e consolida os laços que nos unem a todos. Coube-me fazer a apresentação da presente obra deste mesmo Zanotti, querido e estimado amigo, quero dizer: Luiz Roberto Zanotti.

A vida nos resguarda inúmeras surpresas; receber em nosso pedaço de chão, no Cariri do Ceará, terra de Padre Cícero; um paranaense da gema que se dizia apaixonado pelas coisas de nosso sertão, até parecia um pouco estranho, entretanto esse tal de Zanotti foi chegando de mansinho, bem devagar e de repente tomou conta não só da situação, mas e principalmente do coração de todos que fazem a família Cariri Cangaço; evento de cunho histórico-científico, turístico e cultural, que reúne as mais destacadas personalidades da pesquisa e estudo do fenômeno Cangaço Nordestino; em sua terceira edição. Foram seis dias que consolidaram a admiração e respeito por esse cidadão paranaense, nordestino, brasileiro do mundo.

Em nossas andanças pelo sertão tórrido, pelas veredas das caatingas de nosso Ceará, percebeu-se rapidamente a grande afinidade de Zanotti com a grande e maravilhosa Mata Branca; habitat natural de seu objeto de estudo: Cangaço. O sorriso aberto e sincero mostrava-nos um homem  reencontrando alguns caminhos perdidos, mostrava um brasileiro disposto a conhecer mais de perto uma saga que marcou gerações e pontuou em nossa história como marco de toda uma geração de homens e mulheres que habitaram essas terras muitas vezes esquecidas e por algum tempo; longo tempo, quase vinte anos; comandada por Virgulino, o "Cego véi" que se tornou Capitão, o Capitão Lampião, Rei do Cangaço.

Não seria necessário dizer da natureza do cangaço e o que ele representou para as sociedades rurais de nosso nordeste, sobretudo nos idos entre 1915 a 1940, é por demais conhecido por todos que estudam os fenômenos sociais e suas repercussões, talvez também não fosse necessário dizer da grande influência que o fenômeno acabou legando as mais variadas manifestações culturais de nossa terra e gente: Na comida, na medicina, na estética, nas artes em geral; pintura, artesanato, música, dança, teatro... E foi a partir de um espetacular trabalho de um talentoso cearense; Marcos Barbosa e o seu Auto de Angicos, que retrata através da dramaturgia os momentos imediatamente anteriores ao horror vivido pelo casal mais famoso do cangaço, Lampião e Maria Bonita, antes da morte na Grota do Angico em Sergipe; que um surpreendente Zanotti desenvolveu sua obra em Lampião - Texto, Tela e Palco. 

Isento dos padrões muitas vezes habituais da abordagem do rei de todos os cangaceiros: Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, que navegam entre o estereotipo de herói ou bandido, o trabalho zeloso de Zanotti nos remete a um olhar transversal, versando sobre aspectos muitas vezes deixados de lado por trabalhos que buscam tratar da mesma temática. A peça nos transporta às mais variadas e pertinentes reflexões sobre o comportamento humano, a partir da ênfase de seu personagem principal, Capitão Lampião; dessa forma só me resta dizer o quanto foi importante para nós do Cariri Cangaço, da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço e do GECC – Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará, contribuir, mesmo que de forma humilde com esse capítulo ímpar da dramaturgia brasileira. Parabéns Zanotti e parabéns aos leitores e espectadores....bom espetáculo.

Zanotti estará apresentando sua obra e batendo um papo pra lá de interessante, com todos os amigos na Noite Cariri Cangaço-GECC , no espaço Raquel de Queiroz da Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi, em Fortaleza, é nesta próxima quarta-feira, dia 2 de maio, sempre as 19 horas. Você é nosso convidado.

Manoel Severo 
Cariri Cangaço

“FAÇA-SE A LUZ!” (MAS A LUZ NÃO SE FEZ NAQUELE OLHAR) (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

FAÇA-SE A LUZ!” (MAS A LUZ NÃO SE FEZ NAQUELE OLHAR)

Segundo o Livro do Gênesis, no princípio Deus criou os céus e a terra. A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: "Faça-se a luz!" E a luz foi feita.
Luz feita para o mundo, para iluminar a vida, para afastar o homem das sombras, para o olhar avistar tudo ao redor, mas não para alguém. Os olhos desse alguém continuaram nas trevas, na escuridão, tomado de cegueira.
Em seguida, Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. Deus chamou à luz dia, e às trevas noite. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o primeiro dia.
Para o cego não adiantava que sobreviesse a tarde e depois a manhã, nem que esse luminar indicasse que o dia nasce com uma manhã, é seguida pela tarde e depois com um anoitecer. Ora, não houve esse primeiro dia, essa luz, nada, apenas a noite, a noite eterna no olhar do cego.
A seguir, Deus disse: "Faça-se um firmamento entre as águas, e separe ele umas das outras". Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento daquelas que estavam por cima. E assim se fez. Deus chamou ao firmamento Céus. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o segundo dia.
No segundo dia, o cego acordou naquilo que disseram ser uma manhã. Havia deitado na escuridão e acordado sem ter qualquer luz. Abriu os olhos e perguntou por que era manhã e responderam que era fácil reconhecer quando o dia amanhece porque sempre há um galo cantando ao redor. E o ceguinho indagou se o galo tinha luz nos olhos para enxergar a manhã. Mas nada responderam.
E dali a pouco Deus disse: "Que as águas que estão debaixo dos céus se ajuntem num mesmo lugar, e apareça o elemento árido." E assim se fez. Deus chamou ao elemento árido Terra, e ao ajuntamento das águas Mar. E Deus viu que isso era bom.
Se naquele momento o ceguinho encontrasse uma porta e saísse caminhando por aí, e depois de toda estrada percorrida sentisse que os seus pés estavam molhados, certamente não saberia que estava na beira do mar, com as águas avançando e recuando por cima de seus pés descalços. E se soubesse o que era mar, se algum dia na vida já tivesse enxergado as águas do mar, qualquer água de água ou correnteza de trovoada seria um mar nos seus olhos sem poder de distinção.
 A seu tempo, Deus disse: "Produza a terra plantas, ervas que contenham semente e árvores frutíferas que deem fruto segundo a sua espécie e o fruto contenha a sua semente." E assim foi feito. A terra produziu plantas, ervas que contêm semente segundo a sua espécie, e árvores que produzem fruto segundo a sua espécie, contendo o fruto a sua semente. E Deus viu que isso era bom.
Após acordar, tatear um pouco pelos arredores, foi dado ao ceguinho uma fruta como primeiro alimento do dia. Disseram que era uma maçã vermelhinha e saborosa, vinda do pomar naquele mesmo instante. Mas se ele preferisse outra coisa, como mamão ou banana, mandaria trazer naquele mesmo instante. Então ele disse que preferia uma pera, mas que fosse vermelhinha igual à maçã, ou senão uma goiaba azul.
Deus disse: "Façam-se luzeiros no firmamento dos céus para separar o dia da noite; sirvam eles de sinais e marquem o tempo, os dias e os anos, e resplandeçam no firmamento dos céus para iluminar a terra". E assim se fez. Deus fez os dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia, e o menor para presidir à noite; e fez também as estrelas. Deus colocou-os no firmamento dos céus para que iluminassem a terra, presidissem ao dia e à noite, e separassem a luz das trevas. E Deus viu que isso era bom.
Depois de comer a goiaba que pensava ser azul, o ceguinho perguntou dali a quanto tempo iria deitar e dormir novamente, pois tudo era sempre escuro, era sempre noite. E disseram que somente quando a manhã passasse, a tarde fosse embora e a lua aparecesse no céu com sua maravilhosa cor.
Então o ceguinho disse que o seu maior sonho era um dia poder chegar bem pertinho daquela cor linda da lua, tão escura, tão noite adormecida, assim como a luz do seu olhar.
Mas talvez um dia Deus diga: “E faça-se a luz nos olhos dos cegos!”. E assim sobrevirão as tardes e as manhãs, com suas paisagens e cores. Todos os dias.

Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

A foto na Fazenda Jaramataia

Em pé: Ezequiel, Calais, Fortaleza, Mourão e o menino Volta Seca. Sentados : Lampião, Moderno, Zé Baiano e Arvoredo.*Mariano foi omitido. Na original ele aparece esq. de Ezequiel.

Origem da fotografia que o Major Optato Gueiros afirma em seu livro que foi na Bahia em 1929, errado ! A foto foi feita em Sergipe na Fazenda Jaramataia e a original pertence ao escritor João de Sousa Lima que fez uma cópia para o Portal do Cangaço da Bahia.
- Entre meu filho! – respondeu Dona Branca. E virando-se para o marido, que assomava a sala, explicou: Antonio é o capitão Virgulino que chega perseguido pelos soldados de Alagoas e pede pousada. Já mandei ele entrar.
É assim que o escritor Nertan Macedo que entrevistou Eronides descreve a chegada de Lampião na Borda da Mata numa madrugada escura de Agosto de 1929. 
Não há registro de uma pousada anterior, o capitulo na obra “Lampião, Capitão Virgulino Ferreira” de Nertan é detalhado, descreve uma enorme hospitalidade para acomodar mais ou menos 20 cangaceiros que dormiam e se revezavam de sentinelas espalhados pela casa em companhia do casal.


Única fotografia de Antonio Caixeiro: Pai do Governador de Sergipe, Eronildes de Ferreira de Carvalho, Propietarios da Fazenda  Jaramatáia. Mancomunados com o Rei do Cangaço

Lampião conhecia “os Carvalho” desde a sua juventude. Quando percorreu a maioria dos caminhos que viria a fazer mais tarde como bandoleiro. Revendendo nas fronteiras de Alagoas e Sergipe, como simples almocreve conheceu a família. E agora já como poderoso chefe cangaceiro, aproveitou para visitar o Coronel. Sabendo do poder do grande comerciante Lampião pediu abrigo e comida, sendo prontamente atendido, onde lhe foi autorizado o abate de rezes etc, mas que seus moradores e contratados não fossem molestados por seus homens. 
Esta improvisada reportagem não pretende, e nem se quisesse iria conseguir elucidar esse grande mistério do cangaço. Se o chefe do executivo sergipano foi realmente o principal “Paiol do poderio bélico de Virgulino” é assunto secundário eu quero tratar da amizade e tolerância. Os capitães se reconhecem.

 Sede da Fazenda Jaramataia, Sergipe

Eronides foi apresentado a Lampião em agosto de 1929, durante os dias em que se restabelecia de uma enfermidade na fazenda Jaramataia propriedade de seu pai no município de Gararu.Algumas biografias dão conta de que esse encontro se deu “antes” de ele estar com Caixeiro. Outras que foi numa visita do interventor até a Borda da Mata.
A ordem dos fatores… Em ambas há um mesmo parágrafo: Trocam cumprimentos e o Dr. faz a Lampião uma indagação que entrou para galeria das “máximas cangaceiras”.
- “Então, como devo chamá-lo, capitão ou coronel? Porque eu também sou capitão e deve haver aqui uma hierarquia – como oficial do exército não posso ser comandado pelo senhor”. 
Lampião compreendeu a malícia e replicou: - “Pois desde já o senhor está promovido a coronel”. 
Após o café Eronides presenteou Lampião com uma garrafa térmica e uma caixa de queijos importados. Naquele instante nascia uma estreita amizade. Lampião passou a tratar de negócios, queria munição especialmente para sua pistola Luger (Parabellum) cujas balas eram difíceis de encontrar.
Por favor, um médico!
Foi através de Eronides que os cangaceiros conheceram as propriedades analgésicas do ácido-acetil-salicílico. Em dado momento perceberam que um dos cabras apresentava o rosto inchado e queixou-se de dor de dente. O Dr. trouxe-lhe o comprimido o qual inicialmente não ingeriu. Olhou para Lampião que fez um sinal de consentimento com a cabeça e em algumas horas tinha sua dor aliviada pelo comprimido. Uma aspirina.
Outra propriedade dos Carvalho que era pouso seguro para os cangaceiros era a fazenda São Domingos em Porto da Folha. 

Fontes:
Fonte e Fotos Rostand Medeiros
Cariri Cangaço
http://cariricangaco.blogspot.com