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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

MULHERES NO CANGAÇO: PÁSSAROS INOCENTES FERIDOS COVARDEMENTE.

Por Edna Araújo

Nas caatingas dos tempos idos, não era só animais rasteiros que eram bichos. Homens e mulheres se rasestejavam pelo chão... uns para matar, outros sua vida salvar.
Mulheres mutiladas não só no corpo...
Mas na alma.
Vamos falar de Otília Texeira Lima....
Ex-cangaceira, e acima de tudo mulher.
Fora raptada, com os cangaceiros teve que pelas caatingas embrenhar.
Enfrentado aquela guerra que não era sua, vivendo com lobos se defendendo das aves de rapina.
Qual seria sua sina?
Certa vez, fugindo de mais uma persiga.
Fora encurralada pela volante de Zé Rufino.
O ano era 1935.
Junto ao pequeno grupo: ela, Mariano, Criança, Pau Ferro, Pai Velho.
Tudo fez para escapar, Mariano lutou, tentou abrir fogo para ela resgatar, mas para sua triste sina não teve saida, foi se entregar.
Presa pela volante de Rufina.
Otília sofreria muito nas mãos dos atrozes soldados.
Atitudes selvagens, sentença que a quase todas as cangaceiras fora decretada ao serem capturadas,
Marcaria sua vida, prendendo-a , não só naquela sela fria e suja, mas a manteria cativa do seu sofrido passado.
Otília era abusada sexualmente todas as noites pelos comandados de Zé Rufino, sofria maus tratos, era covardemente esbofeteada .
Essa foi mais uma chaga aberta no coração dessa sofrida mulher.
Quantas dores Otília não carregou por anos nas profundezas do seu coração?
Ficou registrada não só na linha do tempo, nem dos livros, mas nas linhas profundas que marcaram a expressão do seu rosto sofrido.
Edna Araújo

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ZÉ BAIANO E LÍDIA

Por Abdias Filho

José Aleixo Ribeiro da Silva, o Zé Baiano era membro da família Engrácia que deu mais de 20 cangaceiros a Lampião. Além de ser considerado o mais feio de todos os cangaceiros, era uma verdadeira fera. Por outro lado, teve como companheira a mais bela de todas as cangaceiras, cujo nome era Lídia Pereira de Souza.


Baiano havia saído em missão num dos encontros dos bandos de Corisco e Lampião com seus subgrupos. No bando de Corisco tinha um jovem bonito chamado Bem-te-vi que era amigo de infância de Lídia. Aproveitando o cochilo pós almoço os dois se encontraram no mato e se entregaram um ao outro. Um cangaceiro chamado Coqueiro viu tudo e disse que queria também ou entregava os dois a Zé Baiano.

Lídia, corajosa disse que preferia morrer nas mãos de seu companheiro do que dar para aquele cabra feio que só a moléstia.

Quando o Pantera Negra chegou o cabra contou tudo e Lídia confirmou, acrescentando que Coqueiro tinha dito que se ela desse pra ele não contaria pra Baiano. O clima esquentou no acampamento quando Baiano atravessou o acampamento arrastando Coqueiro pelo colarinho até a tenda de Corisco. Ele queria que o Diabo Loiro permitisse que ele matasse Bem-te-vi, que era do seu bando mas Corisco não concordou.

Furioso Baiano foi até Lampião exigir justiçamento. Lampião autorizou a morte do delator Coqueiro que era cabra dele, e disse que não podia obrigar Corisco matar um subordinado. E que Baiano fizesse o que bem entendesse com sua mulher Lídia.

Após uma noite amarrada a uma árvore, implorando clemência, Lídia foi morta a pauladas por Baiano.

Desde esse dia, o cangaceiro nunca mais foi o mesmo, afastou-se dos grupos e nunca mais se juntou a outra mulher.

Em julho de 1936, o cangaceiro caiu numa cilada armada por um de seus coiteiros e foi morto juntamente com mais 3 cangaceiros.

A história de Zé Baiano tem um capítulo no meu livro LAMPIÃO - Os Principais Chefes de Subgrupos, lançado em outubro passado.

Você pode adquirir o seu exemplar comigo ou na Amazon, Clube de Autores e UICLAP.

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