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sábado, 26 de maio de 2018

LUIS PEDRO AMIGO FIEL DE LAMPIÃO.


Por Beto Rueda

Nasceu próximo ao lugar Retiro, cercanias do município de Triunfo, na zona do Pajeú, divisa de Pernambuco e Paraíba.

Seu nome real era Luis Rodrigues de Siqueira. Seu pai, Pedro Alexandrino de Siqueira, conhecido por Pedro Vermelho (Por isso, os filhos ficaram conhecidos como "os Pedro").


Entrou no Cangaço devido a uma vingança: Após a morte de um primo chamado Henrique, ocorrido no final do ano de 1923, Luis Pedro matou o assassino do primo.

Com medo de ser preso, foi pedir proteção a Lampião.

Arte do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

Nessa ocasião, Virgolino que estava na região, no sítio Almas, que pertencia a João Timóteo de Lima, casado com uma moça da família de Luis Pedro.

Foi bem acolhido e iniciou ali a sua trajetória cangaceira. Contava na época, com quatorze ou dezoito anos(Existe uma divergência em relação a idade). 

Muito leal, destacou-se como uma pessoa de palavra, equilibrado, sempre bem humorado e corajoso. Com o tempo passou a ser conselheiro e homem de confiança.

Neném do Ouro e Luiz Pedro

Teve como companheira nas veredas do sertão, a baiana Neném.

Sem dúvida foi o cangaceiro que mais tempo acompanhou Lampião. Do final do ano de 23/início de 24, até o final, na grota de Angico, no dia 28 de Julho de 1938.

Fonte: IRMÃO, José Bezerra Lima. Lampião a Raposa das Caatingas.
Salvador: JM Gráfica e Editora, 2014.
Referência: Seminário Cariri Cangaço: E por falar em Luis Pedro..
BASSETTI, José Sabino, 2011.

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/

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NOVO LIVRO NA PRAÇA "O PATRIARCA: CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO, IOIÔ MAROTO".


O livro "O Patriarca: Crispim Pereira de Araújo, Ioiô Maroto" de Venício Feitosa Neves será lançado em no próximo dia 4 de setembro as 20h durante o Encontro da Família Pereira em Serra Talhada.

A obra traz um conteúdo bem fundamentado de Genealogia da família Pereira do Pajeú e parte da família Feitosa dos Inhamuns.

Mas vem também, recheado de informações de Cangaço, Coronelismo, História local dos municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, São Francisco, Bom Nome, entre outros) e a tão badalada rixa entre Pereira e Carvalho, no vale do Pajeú.

O livro tem 710 páginas. 
Você já pode adquirir este lançamento com o Professor Pereira ao preço de R$ 85,00 (com frete incluso) Contato: 

franpelima@bol.com.br 
fplima1956@gmail.com
http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2016/08/novo-livro-na-praca_31.html

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'LAMPIÃO E O CANGAÇO NA HISTORIOGRAFIA DE SERGIPE' PELO AUTOR ARCHIMEDES MARQUES


Por Shirley M. Cavalcante (SMC)
Archimedes José Melo Marques, natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, nasceu em 24 de novembro de 1956. Formado em Direito pela Universidade Tiradentes, é delegado de polícia no Estado de Sergipe há mais de trinta anos. Na área policial, possui o curso de Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Segurança Pública, pela Universidade Federal de Sergipe.
É escritor de artigos e contos diversos nas áreas policiais e afins, publicados em sites e jornais escritos, espalhados pelos quatro cantos do Brasil e além fronteiras, com vários textos publicados em livros. “Lampião contra o Mata Sete” foi sua primeira obra literária, um livro contestação ao seu opositor “Lampião, o Mata Sete”. O seu segundo trabalho, fruto de quase oito anos de pesquisa, é a coleção “Lampião e o Cangaço na Historiografia de Sergipe”, composta de cinco volumes (até o momento somente o primeiro volume lançado), uma obra riquíssima em todos os detalhes que traz boas novidades para os amantes do tema e para a própria história do cangaço.
“O cangaço, sem dúvida, foi um movimento que marcou os nossos sertões de forma negativa na época, mas de forma positiva para a atualidade.”
Boa leitura!
Escritor Archimedes Marques, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que o motivou a escrever sobre o cangaço?
Archimedes Marques - Faço parte do Movimento Cariri Cangaço, na qualidade de Conselheiro. O Movimento Cariri Cangaço é o maior evento do mundo dentro do assunto Cangaço, Sertões, Nordeste e afins, que reúne anualmente mais de 300 escritores, historiadores, pesquisadores e amantes desses temas para palestras, debates, apresentações e visitas aos locais históricos. Daí, em nome disso tudo que é pura história, resolvi enveredar pela literatura cangaceira, literatura essa que já passa dos 800 títulos diferentes de diversos autores, mas ao que parece é um assunto que não se esgota, pois a cada ano descobrimos algo novo, a cada ano surge um novo autor para trazer essa história ao patamar de mais aproximada possível da verdade.
Apresente-nos “Lampião e o Cangaço na Historiografia de Sergipe”:
Archimedes Marques - Foram nove anos de atuação do bando de Lampião em terras do baixo São Francisco, notadamente em Sergipe, de 1929 a 1938.A partir de suas fortes ligações com o mandonismo local, veio a estabelecer um verdadeiro feudo sob suas ordens, instalando o terror e o medo, trazendo sofrimento para as muitas povoações e lugarejos do menor estado da federação.E é justamente dentro desse contexto que o livro procura colocar em “águas mais cristalinas” essa história, com o confronto de uma infinidade de entrevistas, debruces em arquivos públicos, documentos diversos, registros iconográficos, mapas, escritos, enfim, com novas pesquisas de campo, fazendo com que tudo pudesse estar em permanente diálogo na direção do fortalecimento da verdadeira história, ou seja, a definição mais aproximada do que realmente foi a passagem de Lampião por terras sergipanas, trazendo em seu bojo muitas novidades nunca antes publicadas.
Quais os principais desafios na construção do enredo que compõe a obra?
Archimedes Marques - Desafios há em todos os projetos de nossas vidas, e isso nos faz sair fortalecidos quando alcançados nossos objetivos. No caso em pauta, em virtude de eu exercer o cargo de delegado de polícia, fui e ainda continuo sendo criticado por muitos que confundem a coisa, ou seja, pensam que no fundo defendo Lampião, um bandido, quando na verdade defendo a história; para dizer a verdade, a grande história dos nossos sertões nordestinos, e porque não dizer, da grande história do nosso Brasil, uma história de sangue e lágrimas para multidões, mas também uma história de orgulho para tantos outros. O Major Optato Gueiros, da Força Pernambucana, inimigo e exímio perseguidor de Lampião, reconhecendo a força desse cangaceiro disse o seguinte: “Lampião foi um instrumento nas mãos de Deus para executar uma justiça que nem a polícia nem os juízes poderiam fazê-lo”.
Apresente-nos os principais objetivos a serem alcançados com a publicação de “Lampião e o Cangaço na Historiografia de Sergipe”.
Archimedes Marques - A história do cangaço sempre foi banhada em mitos, galgada em criações, mergulhada em invencionices, submergida em exageros e até mesmo estrangulada em mentiras propositais ou omissões descabidas, sem contar as tantas lendas daí surgidas, por isso é tão diversificada, tão bifurcada, possui tantas vertentes, pois além de tudo, Lampião, o símbolo maior desse tema, virou um mito, um mito, acredito, impossível de desmitificar. Desse modo, como já dito nas entrelinhas, o objetivo principal dessa obra é mostrar a história nua e crua como ela de fato ocorreu, ou pelo menos a mais verossímil possível.
Qual a passagem do livro que mais o marcou, quer seja pela pesquisa ou o momento, enquanto escrevia a obra?
Archimedes Marques - A história relativa às cangaceiras sempre foi muito intrigante. Procurar saber o porquê de pacatas sertanejas se atreverem a deixar  seus lares, abandonarem seus pais, suas famílias, para viverem em eternas perseguições policiais ao lado de perigosos bandidos, sempre é uma incógnita.E é dentro desse contexto que surge o exemplo maior: Maria Bonita, a pioneira das cangaceiras, mulher de coragem e porque não dizer, “revolucionária”,pois revolucionou a sociedade machista da época, e com ela trouxe novas adeptas. E é justamente relativo a essa grande mulher que trago a maior novidade da coleção, uma novidade ocorrida dentro da cidade de Propriá, em Sergipe, uma novidade que até então pesquisador algum tinha chegado a tanto. Essa é a descoberta e passagem que mais me marcou.
Além desta obra sobre o cangaço, você tem “Lampião contra o Mata Sete”, apresente-nos esta obra literária.
Archimedes Marques - Há alguns anos um cidadão conterrâneo sergipano escreveu um livro intitulado “Lampião, o Mata Sete”, obra que infelizmente o autor esqueceu o rumo da história do cangaceirismo, e de modo diverso tentou contrariá-la, afastou o seu roteiro, escondeu os caminhos claros e andou pelas veredas. Trouxe um conteúdo que não interessa a ninguém, muito menos aos amantes, pesquisadores, curiosos da história do cangaço no Nordeste brasileiro. É patente a premeditação do enredo em busca do ataque. Do primeiro ao último capítulo a emissão de juízo de valor subjetivo pelo autor fluiu de forma tão exacerbada, que faz os pelos do leitor se arrepiarem a ponto de tamanho de sobressalto, e cair no campo da indignação, principalmente por não apresentar provas, nem mesmo indícios. Afirma o autor que Lampião era um homossexual, covarde e medroso, que nada entendia de guerrilhas; e Maria Bonita,uma mundana adúltera, mulher de muitos, tudo no sentido de desmitificá-los. Enfim, usando de perspicácia rasteira e invencionices, tenta mudar os rumos da verdadeira história. Desse modo, vendo tamanha insensatez, escrevi sua contestação: “Lampião contra o Mata Sete”, uma refutação que desmonta pedra sobre pedra a pretensão do seu opositor, que além de tudo traz um livro de todo equivocado com fatos trocados, datas erradas, nomes diferentes, erros que pululam a cada página e provam que o seu autor NUNCA FOI E NUNCA SERÁ UM VERDADEIRO PESQUISADOR.
O que mais o encanta no cangaço?
Archimedes Marques - O cangaço, sem dúvida, foi um movimento que marcou os nossos sertões de forma negativa na época, mas de forma positiva para a atualidade. De forma positiva, porque hoje milhares de pessoas vivem do comércio de livros, de escritos diversos, de utensílios, de artesanatos, de turismo, de filmes, de teatros... enfim, vivem e sobrevivem dessa história tão intrigante quanto encantadora, ou seja, o cangaço ultrapassou décadas, e por certo ultrapassará séculos. Quer encanto maior?
Onde podemos comprar seus livros?
Archimedes Marques - Infelizmente meu primeiro livro “Lampião contra o Mata Sete” já se esgotou e não lancei a segunda edição, porque o autor contraditado não lançou a segunda edição do seu “Lampião, o Mata Sete”. Já o livro atual “Lampião e o Cangaço na Historiografia De Sergipe” não se encontra em livrarias, mas pode ser adquirido em contato direto comigo pelo e-mail: archimedes-marques@bol.com.br
Quais os seus principais objetivos como escritor?
Archimedes Marques -Como não sou escritor de ficção e sim um historiador,  meu principal objetivo é propalar a verdade dos fatos, para que estes sirvam de parâmetros a gerações futuras, e com isso meu nome fique marcado como dos mais sérios historiadores.
Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Archimedes Marques. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?
Archimedes Marques - Como existe gosto para todos os tipos de literatura, sugiro aos amantes do tema cangaço que procurem ler os livros mais sérios, os menos tendenciosos, os menos inventivos, os menos alucinados, aqueles pesquisados e escritos por historiadores mais renomados, mais acreditados, pois só assim estaremos propagando a história mais próxima da realidade.
Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura

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LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.
franpeima@bo.com.br

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.

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LA LUNA

*Rangel Alves da Costa

Estava lendo um poema. La luna o seu nome. E dizia assim: La luna, mulher e lua. Um nome e uma luz. Um beijo na face e um olhar dourado. Ela está lá em cima,  la luna. E quem dera que aqui estivesse, mulher...
A lua de ontem também estava um poema. Minha la luna de solidão. Ela estava cheia, imensa, belíssima e misteriosa. E também perigosa, segundo os crentes nas interferências lunares.
Creio na magia da lua cheia, no seu imenso poder de atrair, envolver, transformar. Basta um simples olhar para a sua face e algo misterioso surge diante do olhar. E também na mente.
No ser humano, é a mente que mais sofre influência da lua cheia. Como é a mente que irradia todas as forças e propensões pelo corpo, então todo o ser passa a ser submetido ao poder daquela luz imensa.
Tento avistá-la apenas na sua beleza, na sua luminosidade indescritível. E trago tal grandeza para o romantismo que aflora, para a nostalgia que ressurge, para a poesia do instante.
Eis que, indubitavelmente, a lua cheia faz o amante ficar propenso a mais amar, o saudoso a entristecer ainda mais, o poeta a encontrar versos jamais imaginados em outras fases lunares.
Eis que a lua cheia desperta a emoção, sentimentalismo, reencontro. Ninguém é capaz de mirar tamanha esfera dourada e se fazer de forte ou de alheio ao que ela forçosamente transmite.
Eis que ninguém consegue simplesmente mirar a lua cheia e depois retornar o olhar sem trazer na íris todo um mistério indecifrável, toda uma força que poderosamente age pelas entranhas adentro.
Nesta noite não pude, pois numa cidade sem campo aberto ao redor, mas gostaria de ter esperado essa lua do alto duma montanha ou em cima de uma pedra grande. E abrir os braços e erguê-los para o alto como se desejasse abraçar toda a luz.


E conversar com a lua cheia, dialogar com seus segredos e mistérios, me confessar escravizado diante do poder de sua luz. E somente assim conseguir sair de lá sem me deixar levar por aquele clarão. E subir e subir, ou descer e descer...
Fico imaginando quanta ação dessa lua perante homens, animais, águas e todos os elementos da terra. Tenho a máxima certeza que não há um só elemento sobre a terra, um só grão de areia, que naquele momento não estivesse sendo afetado pela força e poder da lua cheia.
Os loucos, coitados, mais enlouquecidos ainda, transtornados e transformados, envoltos no dilema de querer subir a qualquer custo até alcançar o imenso anel. E assim porque atraídos para o amor da lua, para a paixão da lua, para o inexplicável da lua.
Os loucos, pobres coitados, tentando a todo custo fugir daquela luz chamejante, buscando se esconder para não ter de mirar aquilo que se alastra para ferir, machucar, dilacerar a alma.
Mas não consegue, pois nada consegue se esconder ou fugir da lua cheia. Os loucos se amarram a objetos, trancam portas e janelas, correm para esconderijos, mas nada disso surte qualquer efeito. E de repente já estão do lado de fora, com as mãos sobre a cabeça, gritando, já sem forças para evitar que ela os chame ao alto.
Sob o clarão do luar, os apaixonados se ajoelham, os amantes se tornam vorazes, as inocências só pensam em pecar, os pecados afogueiam os corpos, os copos são transbordados, os seres se entregam sem medo.
Nas distâncias das águas os barcos e velas naufragam com a força das ondas, com os movimentos revoltosos dos azuis. Os cais são povoados por seres estranhos, de pessoas que vagueiam perdidas, e todas desejosas de ir beber da luz do luar sobre as águas.
E eu nem sabia mais o que fazer. A noite tão bela, a lua tão cheia, a lua chamando, e fui. Segui até a janela para novamente voltar o olhar para o alto e ver se na lua avistava o eu poeta que já havia sido chamado. E tive que reencontrá-lo lá em cima.
Minha la luna estava lá em cima. E eu apenas aqui. Apenas aqui.

Escritor
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O ASSASSINATO DE CORISCO



O alagoano Cristino Gomes da Silva Cleto foi um ‘cabra’ de Lampião em dois períodos distintos. O primeiro período foi nas quebradas do sertão pernambucano, na região do Pajeú das Flores, onde recebera a alcunha de “Corisco”, e tendo como chefe direto o cangaceiro “Jararaca”, José Leite Santana, natural de Buíque, PE, muito curto, e o segundo, já na fase baiana, mais longo, no entanto, sem ter tanta participação constante entre os dois bandos. Há não ser quando Corisco era convocado, assim como os outros chefes dos subgrupos também eram, para uma empreitada maior de tempos em tempos. Com essa ‘convocação’ o “Rei dos Cangaceiros” lembrava a seus ‘súditos’ quem comandava.

“(...) um novo componente do bando de Lampião chamou a atenção do cangaceiro Jararaca, um dos seus lugares-tenente mais valentes e perigosos. O novo cangaceiro era Cristino Gomes da Silva Cleto, soldado desertor do Exército que servira em Aracaju,(SE), nascido em 10/08/1902(...) nas encostas da Serra da Jurema, próximo a cidade de Matinha de Água Branca (atual Água Branca). Cristino entrara para as fileiras do cangaço no dia 24 de agosto (de 1926)( quatro dias antes do ataque (a fazenda Tapera)) na vila de Santa Maria (atual Tupanaci), à margem direita do rio Pajeú, sendo recebido por Lampião, na casa do senhor José Bezerra. Era valente no combate e da boca de seu rifle papo amarelo parecia sair fogo. A rapidez com que se movia lembrava um raio, rolava pelo chão, atirava e gritava descompondo o inimigo. Surgiu ali o apelido que o acompanhou para o resto de sua vida: “CORISCO”(...).” (“AS CRUZES DO CANGAÇO – Os fatos e personagens de Floresta – PE” – SÁ, Marcos Antônio de. E FERRAZ, Cristiano Luiz Feitosa. Floresta, 2016)

Cristino Gomes da Silva Cleto o cangaceiro Corisco

Cristino inicia sua saga no pequeno Estado sergipano, quando era soldado do Exército brasileiro, destacando, servindo, no 28º Batalhão de Caçadores de Aracaju, durante a Revolta Militar de 1924, iniciada em São Paulo, SP, e tendo como consequência na Capital do Estado de Sergipe, Aracaju, uma ‘revolta’, ou motim, onde se tentou dar um golpe, sendo o mesmo abafado pela Força legal no interior do Estado e outra frente vinda do vizinho Estado baiano. Com a derrota dos ‘revoltosos’, Cristino e boa parte dos homens que participaram sob ordens superiores, fogem e tornam-se desertores.

Havia bons motivos para eles andarem longe um do outro, Lampião e Corisco. Primeiro para confundirem as volantes que os cassavam dia e noite, e o segundo, as companheiras, de Lampião, Maria Gomes, a cangaceira Maria Bonita, e de Corisco, Sérgia, a cangaceira Dadá, não se ‘bicarem’ muito. Essa ‘distância’ entre os grupos, prevista e projetada entre os dois bandos, era uma tática que deu bons resultados. Ocorreram fatos em dias iguais, em lugares distantes e diferentes, deixando as Forças que os perseguiam desnorteadas. E foi motivo de manchetes em jornais da época essa façanha empregada pelos cangaceiros, onde noticiaram Lampião e seus homens estarem agindo em lugares distantes e distintos, isso em jornais de cidades diferentes. Quanto às companheiras, acreditamos que o temperamento das duas era igual, faltando muito pouco para elas irem ao estremo. Maria, certa feita, condena uma cangaceira, companheira do chefe de subgrupo, o cangaceiro “Português”, que teve um ‘romance’ com o cangaceiro Gitirana, ‘cabra’ de Corisco, a morte.

A esposa de Cristino, d. Sérgia, a ex-cangaceira Dadá.

Era ‘lei’ dentre os cangaceiros que se houvesse traição, a mulher traidora seria condenada a morte. Ocorreram casos do tipo. Porém, nem o cangaceiro Gitirana, nem a companheira de “Português”, a cangaceira “Cristina”, nesse caso, são condenados em princípios, coisa que só depois “Português” encomenda a morte de sua companheira, principalmente pela intervenção direta de Corisco na defesa do seu ‘cabra’. O cangaceiro “Português” não teve coragem de matar sua companheira, como ditava a regra, a cangaceira Cristina, nem tão pouco de ‘topar’ o cangaceiro “Gitirana”, pois, no momento, teria que enfrentar o “Diabo Louro”.

“(...) tratou-se do desfecho do relacionamento amoroso entre Cristina e Português. Ela o havia traído com um integrante do bando de Corisco - o cangaceiro Gitirana - e Português contratara Catingueira para “limpar sua honra maculada” (...) Maria Bonita e Lampião estavam no mesmo acampamento e, por acaso, se aproximaram deles. Maria Bonita adiantou-se, sugerindo a Catingueira que a pessoa a ser eliminada deveria ser Cristina (a verdadeira culpada, segundo ela) e, não, Gitirana. Naquela hora, Corisco retrucou: Ela deu o que era dela! Ninguém tem nada com isso! Insatisfeita com a resposta, Maria Bonita continuou defendendo a contrapartida masculina: É, mas Português vai ficar desmoralizado! Já impaciente com aquele confronto, o Diabo Louro deu um basta à discussão:

"Ele que cuide da mulher dele! Do meu rapaz, cuido eu!"

“(...) Em relação àquele desenlace amoroso, Lampião deu total apoio a Corisco. Cristina permaneceu com o bando, escondida durante alguns meses. Todavia, como era de se esperar, ela foi morta quando ia para a casa de familiares, já que Português contratara outros cangaceiros para matá-la. Neste sentido, não restava dúvidas: o adultério feminino não era tolerado nos bandos do Nordeste (...).” (VAINSENCHER, Semira Adler. Corisco. Fundação Joaquim Nabuco).

Corisco foi um dos cangaceiros, já como chefe de grupo, que fez muita bagunça por onde andou. Sua maneira de ‘tratar’ o inimigo, soldado, ou suas vítimas, com grandes requintes de crueldades, torturas, tornaram-no num grande terror nas regiões dos três Estados em que mais agiu, Bahia, Sergipe e Alagoas.

A cabeça do cangaceiro Corisco, Cristino Gomes da Silva Cleto. Após alguns dias do seu enterro, sua cabeça é decepada e enviada para o Instituto Nina Rodrigues em Salvador, capital baiana. Com o tempo em que estava enterrado, seu corpo já havia entrado em fase de putrefação. devido a isso, ficou com uma deformidade maior do que as contidas nas cabeças dos outros cangaceiros que foram enviadas para o mesmo instituto.

Após a morte do “Rei dos Cangaceiros”, em 28 de julho de 1938, no leito do Riacho “Angico”, na Fazenda Forquilha, no município de Poço Redondo, SE, afluente da margem direita do Rio São Francisco, seu lugar, para alguns historiadores, seria ocupado pelo chefe cangaceiro Corisco. Vejam bem, nessa época existiam vários subgrupos chefiados por diferentes chefes e, a nosso ver, qualquer um poderia assumir o comando geral, no entanto, talvez pela valentia, disposição e/ou aproximação com Lampião, muitos escritores o colocam como sendo o sucessor direto de Virgolino no comando do Cangaço.

“(...) Essa fazenda é conhecida como fazenda Angico, porém, apenas a título de curiosidade, seus atuais proprietários, descendentes da família de Pedro de Cândido, ou seja, descendentes de D. Guilhermina, me disseram que a fazenda é registrada com o nome oficial de fazenda Forquilha (...).” (“LAMPIÃO – O CANGAÇO E SEUS SEGREDOS” – BASSETTI, José Sabino. Salto, SP, 2015)

Dadá, Corisco e Benjamin Abraão

A maneira de Corisco agir, apesar de ter tido escola militar, diferenciava-se totalmente daquela usada pelo “Rei dos Cangaceiros”, principalmente em termos de planejamento, o que era essencial para dar-se prosseguimento a existência do bando, colocando a emotividade a frente do projeto de ataque, defesa e fuga. Tanto ele, como os outros chefes, citando como exemplo, ao enviarem os famosos ‘bilhetes’ de extorsão, em vez de terem a quantia, ou parte dela enviada pela pessoa alvo, recebiam outro bilhete com desaforos e mandando irem, eles mesmos, buscarem a quantia exigida.

A verdade é que com a eliminação de Lampião, o cangaço desmorona-se ficando os cangaceiros restantes, feito baratas tontas, sem saberem o que fazerem. Nem munições sabiam onde irem buscar ou mandar que enviassem. Esse tipo de fornecedor Lampião não disse, já que ele próprio era quem fornecia, vendendo-a diretamente aos chefes dos subgrupos, pelo menos que saibamos, quem era. Documentos foram encontrados com ele, em seus espólios, porém, o conteúdo verdadeiro que continham não fora exposto ao público.

“(...) É - mais que nunca - o tempo dos ‘bilhetes’, escritos para pedir dinheiro aos mais afortunados. Contudo, estes já não têm mais o poder de outrora. Lampião está morto e quase todos os bandoleiros se entregaram à polícia. Outro tanto fugiu para lugar incerto. O proverbial ‘medo de cangaceiro’ começa a perder força por entre a população sertaneja. Os antigos coiteiros em sua maioria, já não prestam os favores dantes. O cangaço marcha célebre para o ocaso (...).” (“CORISCO – A SOMBRA DE LAMPIÃO” – DANTAS, Sérgio Augusto de S.. Natal, 2015)

Fotos do bando de Lampião onde vemos Corisco muito novo. Joãozinho retratista. Acervo Robério Santos.

O velho ditado já profetiza de que ‘quem tem, tem medo’, e referindo-se a própria vida, ou a perda dela, aí é que o arrocho cresce, então começam a entregarem-se. Não viam outra saída se não entregarem-se, e naquele momento foi à decisão mais correta que tomaram, pois, do contrário teriam tombados todos pelas balas disparadas pelas armas dos contingentes das Forças Publicas que os perseguiam. Apostaram em que se entregando tinham uma chance de sobreviverem por mais um espaço de tempo, no que acertaram em cheio.

É sabido por todos que tanto cangaceiros quanto volantes bebiam bebidas alcoólicas em demasia. Como em qualquer grupo de qualquer escala militar ou de guerrilheiros, ou ainda, de cangaceiros, há aqueles que bebem por beberem, no entanto, tem aqueles que bebem para perderem o medo, não só de matar, mas, e principalmente, de morrer. Dentre todas as camadas sociais, existem alguns que já trazem uma espécie de susceptibilidade ao alcoolismo em seus genes, e tornam-se dependentes alcoólicos crônicos, inclusive hoje, já é tido como doença crônica. Por outro lado, causas ou consequências no decorrer da vida de qualquer um, com seus altos e baixos, dependendo de como o mesmo encara essas ocorrências, a bebida torna-se um fator essencial para que, iludidos, pensem que embriagados não ‘estariam’ com seus ‘espectros’ a perturbarem-nos, usando o álcool como um meio de ‘fuga’ da realidade. Mais uma ilusão do ser humano.

Relatos de vários historiadores, de ex-cangaceiros e de ex-volantes, nos dizem que Corisco torna-se, a partir de determinado momento, um bebedor inveterado. O alcoolismo toma conta do seu corpo e cérebro, não o deixando tomar determinadas decisões importantes para o grupo. Com isso, sua companheira, a cangaceira Dadá, toma as rédeas de chefia e passa a comandar os ‘cabras’. Num ‘mundo’ quase que totalmente masculino, receber ordens de uma mulher, mesmo sendo a cangaceira Dadá, é demais para alguns dos homens e esses terminam por deixarem o bando. Após saírem do grupo de Corisco, alguns passam a fazerem parte de outros ou fogem do cangaço procurando as autoridades e entregam-se. E, o já pequeno grupo, diminui mais ainda.

“(...) Nas raras horas em que está sóbrio, Corisco apresenta raciocínio embotado; humor depressivo. É aí que Dadá, desnuda de qualquer cerimônia, se arvora na qualidade de chefe da falange. Assume o comando do resto do grupo sem o menor constrangimento – e sem qualquer resistência por parte do marido. Um dos cangaceiros que trabalhou para o Diabo Louro neste delicado período, em particular, ressaltaria, mais tarde, que “ela (Dadá) é que é a chefe do grupo. Dá ordens, grita, manda. E Corisco obedece-lha, sem discutir”. (José Porfírio dos Santos, o ‘Atividade II’, A Tarde, maio de 1940) (...).” (“CORISCO – A SOMBRA DE LAMPIÃO” – DANTAS, Sérgio Augusto de S.. Natal, 2015)

No dia 8 de agosto de 1939, um ano e onze dias após a morte do chefe mor do cangaço, Virgolino Ferreira, o cangaceiro Lampião, Corisco é baleado nos braços pelo soldado volante João Torquato dos Santos, que estando no momento sozinho, pois seu companheiro, o soldado Francisco Amaral, se borra de medo e dar no pé. Pois bem, além de ferir o chefe, termina por eliminar dois de seus homens, os cangaceiros “Guerreiro” e “Roxinho”, terminando tendo, também, trocado tiros com Dadá, essa, ao ter ficado com a pistola descarregada, sem munição para recarregar, agacha-se, apanha pedras e as atira no soldado, ao mesmo tempo em que empurrava seu marido, Corisco, para dentro do mato, procurando refúgio.

“(...) Surpreso se ver frente a frente com apenas um soldado. A surpresa lhe foi fatal. Havia perdido precioso tempo. O tempo necessário para João Torquato disparar a sua arma e atingi-lo, com incrível sorte, justamente nos dois braços do lendário cangaceiro (...). A companheira de Corisco, aparece, com todo esplendor de sua coragem e valentia, à frente daquele homem fardado que mais parece um demônio. Não irá abandonar o seu amado em momento tão doloroso. Irá defendê-lo até, se preciso fosse, a morte(...) atira no temível agressor. Os disparos são contínuos. João desvia sua atenção de Corisco e se vê obrigado a enfrentar a guerreira. Dadá atira sem parar. Atira e empurra o companheiro para uma baixada ali perto. As balas de sua arma acabam e a cangaceira, como se fosse uma suçuarana defendendo os seus filhotes se vale de um novo e inesperado armamento: pedras. Apanhando-as sacode-as no maldito que queria matar o seu grande amor (...).” (“LAMPIÃO ALÉM DA VERSÃO – MENTIRAS E MISTÉRIOS DE ANGICO” – COSTA, Alcino Alves. 3ª Edição. Cajazeiras, PB, 2011).

Após esse combate, Corisco, o cangaceiro não mais tem condições de lutar. Seu codinome seguira só, sem seu dono, reaparecendo Cristino Gomes da Silva Cleto, só que desta vez, cansado, mais velho e aleijado. Os ferimentos foram grandes, romperam e destruíram tecidos essências a flexão, extensão e rotação dos braços. O projétil termina rompendo vasos e atingindo músculos, nervos, tendões, ligamentos e ossos, retirando a possibilidade de movimentação nos membros superiores. Talvez até se tivesse tido uma assistência profissional, adequada, Cristino não tivesse perdido tais movimentos, no entanto, sua ‘enfermeira’, sua ‘doutora’, fora sua esposa, Dadá. Ela, em um relato, muito tempo depois, cita que até o odor era demais, nos mostrando o tamanho da infecção. Ela, com o auxílio de uma pequena faca, cortava os tecidos necrosados, mortos, fazendo uma espécie de ‘desbridamento’ forçado, retirando as partes lesadas e lesando as sãs, também retirava pedaços de ossos que a bala tinha fragmentado, fazendo os curativos na medida dos seus conhecimentos, e com o equipamento disponível, faca e punhal, usando os remédios que a natureza, através da caatinga, lhes fornecia.

A partir de então, aquele que fora tido como o maior dos terrores dos sertões baiano, alagoano e sergipano, está definitivamente fora de ação. Não tem condições de segurar uma arma para lutar. Seu, já pequeno grupo, acaba de acabar e chega a ser composto por apenas ele, sua esposa Dadá, um cangaceiro, Rio Branco, e sua companheira, a cangaceira Florência.

Essa captura nos traz a imagem do caminhão que Zé Rufino usou para levar a tropa até próximo a fazenda onde matou Corisco, e depois, usou para transporta Corisco e Dadá baleados. Pertence ao acervo particular do amigo Devanier Lopes.

Cristino tenta, por diversas vezes se entregar, porém, sua esposa não ‘consente’. Certa vez, até fora marcado o local de onde se entregaria, após o mesmo dizer para um comandante da Força baiana, onde estariam, ainda colocadas por Lampião, escondidas certas armas, munição e joias, mas, não fora realizado, ainda dessa vez não ocorreu à entrega do alagoano, mesmo o comandante achando a ‘botija’ e a removendo para o quartel.

“(...) o cangaceiro sustenta que teria informações valiosas sobre lugares onde estariam escondidos ‘munição, algumas armas e joias de ouro e de prata’. Uma parte desse material, segundo se fazia entender através destas cartas, era produto de assaltos. A outra teria sido escondida há muito tempo, pelo próprio Lampião (...).” (“CORISCO – A SOMBRA DE LAMPIÃO” – DANTAS, Sérgio Augusto de S.. Natal, 2015)

Já em maio de 1940, em sua segunda metade, Cristino, Sérgia, e o casal de cangaceiros, solicitam de um coiteiro, a permissão para levarem sua filha com eles, já que estavam em rota de fuga. O pai da menina, depois de ficar sabendo como sua filha seria tratada, permite que a levem. Essa foi uma estratégia usada pelo pequeno grupo, um cangaceiro, duas mulheres e um aleijado, para melhor despistar os perseguidores, já que todos sabiam que cangaceiros não andavam com crianças. Trocam de nomes, ensinam como a menina deveria chama-los e danam-se de Bahia adentro, em busca da liberdade.

Essa criança é a adolescente Josefa Erundina de Almeida, chamada por todos de ‘Zefinha’. Filha de um antigo coiteiro de Corisco, Braz Francisco de Almeida, alcunhado por ‘Braz dos Couros’, que morava no município de Bebedouro.

“(...) Então, o antigo lugar- tenente de Lampião propõe ao curtidor de couros:

- “Braz, quer me dar essa menina? Eu levo ela comigo para Bahia!”

O curtidor pensou um pouco e falou:

- “Se o senhor garantir que leva a menina para Bahia e bota nos estudos, eu dou. Porque, aqui, não posso dar a educação precisa a ela” (...).” (“CORISCO – A SOMBRA DE LAMPIÃO” – DANTAS, Sérgio Augusto de S.. Natal, 2015)

Vemos que não ocorreu o tão famoso sequestro que tanto fora divulgado pela própria imprensa. A fonte citada divulga uma espécie de ‘adoção’ feita pelo casal Cristino e Dadá, onde estariam de acordo os pais da criança.

Um dos ‘cabras’ do grupo que debandaram, José Porfírio dos Santos, o cangaceiro Velocidade II, ao entregar-se as autoridades, é interrogado. Nas revelações que faz, ele diz que seu chefe não se entrega por que sua esposa não permite. Ainda mostra o suposto ‘roteiro’ que pretendia fazer o pequeno grupo, além de contar como estava fisicamente o cangaceiro “Corisco”, ou seja, dedurou que ele estava aleijado, sem condições de lutar. 

De posse no relato do depoimento do cangaceiro que entregara-se, o Jornal A Tarde publica, isso, já em maio de 1940:

“Inutilizado, incapaz de lutar, Corisco foge ameaçado de morrer, se tentar abandonar o banditismo. Triste sorte esta para o antigo lugar-tenente de Lampião.”



O tenente Zé Rufino, sempre citado que fora o maior estrategista dentre os comandantes das volantes por vários pesquisadores, o que realmente fora, pois sua tropa foi quem mais matou cangaceiros, está a muitas léguas de distância desse grupo em fuga. Mesmo assim, resolve, segundo ele mesmo por ordens superiores, saírem em sua pista. Em termos de estrategista, o comandante Zé Rufino se equipara aos estratagemas de Lampião. Ele, como cita o antigo ditado, ’não colocava a mão em cumbuca, sem saber o que tinha dentro’. Antes de qualquer ataque aos bandos que enfrentou, analisava o terreno, para depois atacar, dava contraordens durante o conflito, dependendo da situação e procurava, minuciosamente, detalhes após a luta.

Cristino Gomes da Silva Cleto. Vemos ele morto. Prestem atenção em seus braços. E na cabeça, estava com o cabelo cortado bem baixinho.

Assimilando conhecimentos para os próximos confrontos. No entanto, ele envia aos superiores que o ordenaram a caçada, os capitães Felipe Borges e Rehen, um telegrama da cidade baiana de Djalma Dutra, tendo a certeza do encontro e da vitória diante dos fugitivos. 

Ao pesquisarmos outras informações prestadas pelo tenente Osório aos seus superiores, anteriores a essa perseguição, jamais nos deparamos com ‘tanta certeza’ quanto ao resultado do que viria, ou estava para acontecer nessa feita ao cangaceiro “Corisco”. Esse detalhe só nos vem ‘dizer’ o quanto se sabia da incapacidade de Cristino lutar. Ficando mais fácil enfrentar duas mulheres e um só homem, o cangaceiro Rio Branco, jovem com 19 anos sem experiência em lutas.



Andaram muito tempo a pé, romperam distâncias a cavalo e, por fim, encurtaram a distância em cima de um caminhão. Vários dias depois, já na tarde do dia 25 de maio de 1940, estão diante de um dos casais em fuga, o outro correu e não foram perseguidos, abrindo um enigma muito grande, a nosso ver, pelo deixar pra lá, se era um casal cangaceiro. Na verdade, a meta de Zé Rufino seria apenas e somente Cristino? Pois só vemos alguma notícia de perseguir o outro cangaceiro, no mês de junho daquele ano.

Jornais citam o ocorrido em tudo que é lugar. Na Capital do país, como sempre, a imprensa prioriza o ‘confronto’ que resultou na morte do sucessor de Lampião.

O jornal O Estado da Bahia, relata, em sua matéria de 1º de junho de 1940, como ocorreram os fatos no ‘combate’ onde tombou o ‘Diabo Louro”.



“E saltando pela porta dos fundos enquanto atirava com um enorme parabélium, Corisco logo seguido pela sua mulher, que também fazia fogo correu para o mato (...).” (Transcrito) (“Fim do Cangaço: As Entregas” – BONFIM, Luiz F. de A. Paulo Afonso, 2015)

Nesse trecho da notícia, o jornal tenta mostrar um homem em condições de lutar. No trecho seguinte, também notamos essa ‘intenção’, vejamos:

“O bandido não parava. Vez por outra, virava-se rápido, descarregando seu Parabélium, e a sua figura hercúlea, com os cabelos louros, soltos ao vento, bem justificava o apelido que o povo lhe deu.

Era o Diabo Louro em ação.” (Transcrito) ("Fim do Cangaço: As Entregas” – BONFIM, Luiz F. de A. Paulo Afonso, 2015)


Além de outros equívocos, o maior seria dizer que estava com os cabelos longos, não sendo verdade, pois o mesmo tinha mando cortar os cabelos, que não eram louros, e sim, ruivos. Notamos que seus cabelos estão curtos, quando vemos a foto dele morto.

Vejam bem, nos dois trechos mostrados, cita que ele atirava com seu Parabélium. Pois bem, vejam no seguinte, em qual das mãos ele segurava a arma e atirava, além de recarregar, pois se descarregou, tem que recarregar se não, não atira, é citado:

“A uns dez metros de distância, o tenente Rufino viu que Corisco fora baleado no braço direito, deixando cair a arma e gritou-lhe outra vez: - Se entrega Corisco! (Transcrito) "(“Fim do Cangaço: As Entregas” – BONFIM, Luiz F. de A. Paulo Afonso, 2015)


Ora, o braço direito de Cristino deste há vários meses, agosto de 1939, que não servia nem para ele pegar numa colher e comer. Alguns autores ainda citam que ele conseguia, com muito esforço, segurar uma pistola com a mão esquerda, mesmo sendo, segurar é uma coisa, manejar e atirar é outra totalmente diferente. Quanto mais saltar uma porta, correr, atirar e recarregar a pistola? Totalmente sem lógica.

Não sabemos se realmente ele garantiu a vida de Cristino quando estavam naquela fazenda, depois relatando que Cristino diz: “Estou satisfeito, sou homem pra morrer e não para me entregar”. Esse dizer do militar não seria uma maneira de esconder, ou desviar a atenção da população, sobre a covardia de matar um homem que não tinha condições de lutar? Para nós aparece uma ‘cachoeira’ de porquês: Será que sua intenção não era no ouro, nas joias ou no dinheiro que supunha levassem os cangaceiros? Com certeza Zé Rufino sabia que o que fora arrecadado nos espólios dos cangaceiros mortos em Angico, em 1938, fora uma soma bastante elevada, e como sendo Cristino o sucessor direto de Lampião, segundo a própria imprensa, também teria uma enorme soma, então daria de qualquer jeito o bote, mas, apenas com a intenção nos espólios? Por que o comandante não autorizou aos homens deceparem a cabeça do cangaceiro, ato costumeiro que lhe fez famoso e o ajudou a galgar diversas patentes militares? Teria sido o temor de um castigo por cortar, ou ordenar cortarem, a cabeça de um aleijado?



Zé Rufino, em seu leito de morte, muito tempo depois daquela tarde de maio de 1940, manda chamar Dadá e pedi-lhe perdão. Esse pedido teria vindo através de qual ‘pecado’? Só pede-se perdão quando se peca. Será que não fora a consciência pesada por ter matado uma pessoa que não tinha condições físicas de segurar em suas mãos uma pistola, nem tão pouco um fuzil, mesmo sendo Corisco?

Para nós, não ocorreu luta, e sim um assassinato. A tropa que assassinou Cristino era entre 14 e 15 homens, no mínimo, esses homens não tinham a força e coragem de pegar no braço um aleijado? Eles abriram foi fogo ao comando direto do comandante, resultando na morte de um renomado cangaceiro cruel e assassino, porém, na oportunidade, aquela pessoa só tinha o nome, impossibilitado de lutar. Porém, não somos donos da verdades, apenas expomos o resultado do confronto sobre pesquisas bibliográficas,ficando ao entender de cada um com a sua interpretação.

Fotos Benjamim Abrahão
“Fim do Cangaço: As Entregas” – BONFIM, Luiz F. de A. Paulo Afonso, 2015
Acervo de Devanier Lopes
Acervo Robério Santos

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ACADEMIA MOSSOROENSE DE LETRAS-AMOL CICLO DE ESTUDOS LITERÁRIOS DA AMOL.

Por Franci Dantas

ACADEMIA MOSSOROENSE DE LETRAS-AMOL - CICLO DE ESTUDOS LITERÁRIOS DA AMOL - Elder Heronildes da Silva (Presidente da AMOL) 

Eu, FRANCI DANTAS, representando com muita honra no CICLO DE ESTUDOS LITERÁRIOS DA AMOL, meu amigo, o Mestre JOSÉ ROMERO DE ARAÚJO CARDOSO:


- Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela UERN - Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB) e em Organização de Arquivos (UFPB).

- Professor adjunto IV do Departamento de Geografia/DGE da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais/FAFIC da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte/UERN.





Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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