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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Documentário Completo - Caldeirão de Santa Cruz do deserto de Rosemberg Cariry


Resgate da memória e da história da comunidade religiosa do Caldeirão, liderada pelo beato José Lourenço, que se organizava em moldes comunitários primitivos. Depois de alcançar grande progresso, a comunidade foi destruída pela polícia cearense e pelo bombardeio de aviões, em 1937, deixando mais de 2 mil camponeses mortos. A partir dos depoimentos dos remanescentes e dos símbolos da cultura popular, o filme faz uma reflexão sobre o poder, a liberdade e a luta pela terra.
 
Diretor: Rosemberg Cariry
Duração: 96 minutos
Ano de Lançamento: 1985

O filme foi encontrado no canal de Daniel C. Valentim no Youtube.

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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Trouxe lá do Cariri Conheça a história de Aurora, (CE) através da linhas de João Tavares Calixto Jr.


Um trabalho de cerca de dois anos de pesquisa, para um resultado documentado da história do município de Aurora. Importantes momentos são contados no livro "Venda Grande D´Aurora", do professor João Tavares Calixto Júnior. O autor é natural da cidade e pretende, com o livro de 300 páginas, deixar para os pesquisadores e estudantes uma fonte que mereceu um trabalho exaustivo.

A descrição de grandes acontecimentos de forma exaustiva, como a invasão da cidade por cangaceiros, promovendo uma verdadeira carnificina e a morte de grandes personalidades, como o da mártir Francisca, venerada por uma grande parcela da população como santa, estão descritos no trabalho. Os assassinatos que repercutiram e marcam a história da cidade, em alguns casos, têm até registros dos processos.

O autor destaca a importância de levar às novas gerações os registros dos principais acontecimentos, no sentido de contribuir para engrandecer a cidade. "Quero deixar essa mensagem, de que não precisamos ficar no ostracismo", afirma. Resgatar essas passagens históricas, muitas vezes fez o autor se deslocar para outras cidades, à procura de documentos. "Um mergulhar nos acervos para resgatar, de forma mais abalizada, todo o processo de construção da cidade e suas grandes personalidades", diz o escritor.

O livro, segundo ele, traz os principais apanhados históricos da cidade, de forma cronológica, desde a data da concessão da 1ª sesmaria, de 1702, até o ano da comemoração do primeiro centenário do município, em 1983. O trabalho, enfatiza o professor, é um traçado baseado em documentos histórico. "É um livro científico, em que se pretende trazer questões, não dentro de um registro oral ou apenas voltado ao aspecto folclórico, misticismo ou populismo", explica. Para João Calixto, Aurora é um município que contribuiu em vários segmentos para o cenário cearense e mundial, com as atividades do seus filhos ilustres, e tem a história contada de forma fragmentada.

A morte do filho de Bárbara de Alencar, padre Carlos José dos Santos Alencar, aconteceu em uma área que hoje é território do município de Aurora, no Sítio Serra dos Macacos. A hecatombe de 1908, conhecida como uma das maiores tragédias do coronelismo em nível de Nordeste, foi registrada na cidade. Aurora foi invadida por 600 cangaceiros, onde houve uma verdadeira carnificina. Segundo o autor, os cangaceiros vieram a mando de diversos coronéis, que se juntaram com armamentos e homens para a derrubada do coronel de Aurora, Teixeira Neto, em virtude de uma vingança política provocada pela morte de um filho de Marica Macedo. Essa história era contada antes de forma fragmentada, conforme Calixto. Na obra, há a transcrição de muitos historiadores, mas de forma detalhada. 

O livro também traz autos de inventários de diversas personalidades, autoridades antigas, os primeiros moradores, as atas das sessões da Câmara, os livros de tombo das paróquias, registros de batismos e casamentos. Todo esse material foi pesquisado, no intuito de se deter a uma análise da genealogia dos primeiros moradores do município.

Outro crime de repercussão detalhado no livro, além da morte da mártir Francisca, em 1958, conhecida como santa popular em Aurora, aconteceu em 1874, quando o padre Joaquim Machado da Silva foi acusado de assassinato na Vila das Lavras. Ele chegou a ser preso e condenado por tirar a vida de um homem, com um golpe de faca no peito. O assassinato está detalhado no livro, com base no processo original, encontrado no arquivo público do Estado. As páginas foram fotografadas, com transcrição para o livro. O lançamento contará com a presença de escritores, personalidades de Aurora, amigos familiares e entusiastas dessa história da cidade.

"Venda Grande D´Aurora", de João Tavares Calixto Júnior. Para adquirir este livro entre em contato com o autor através do email: joaojrbio@gmail.com ou dos fones (88) 3511-2430 / 9906 - 3789.
Resenha de Elizângela Santos

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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

DOCUMENTÁRIO


"O Caldeirão do Beato José Lourenço".
TV Assembleia do Ceará.
  
O Caldeirão de Santa Cruz do deserto foi um dos movimentos messiânicos que surgiu nas terras do Crato, Ceará. A comunidade era liderada pelo paraibano de Pilões de dentro, José Lourenço Gomes da Silva, mais conhecido por beato José Lourenço.

No Caldeirão, os romeiros e imigrantes trabalhavam todos em favor da comunidade e recebiam uma quota da produção. A comunidade era pautada no trabalho, na igualdade e na religião.

Apresentação: Robério Diógenes 

Participação especial dos pesquisadores e confrades de Cariri Cangaço Domingos Sávio Cordeiro e Sandro Leonel Tavares. 

Primeira parte


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Patre 5


Fonte: Canal da TV Assembleia no Youtube

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sábado, 1 de setembro de 2012

Convite!!!


O coroné Osmiro se prepara para mais um lançamento
     Tu vai tá por Fortaleza? Entonce num perda!  Reserve o dia 18 de Setembro na agenda e prestigie.

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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sob a proteção do Cel. Santana - Antônio Silvino em Missão Velha, CE

Por: João Bosco André
Bosco André

O afamado cangaceiro Paraibano, Antonio Silvino, esteve também por estas bandas de Missão Velha, sob a proteção do Cel. Antonio Joaquim de Santana, juntamente com alguns dos seus irmãos. Um dos irmãos de Silvino, de nome Pedro Silvino, mantinha uma casa de comércio na Cidade, isso entre os anos de 1902 para 1904 e tendo um dos irmãos do cangaceiro Paraibano, andado metendo os pés pelas mãos em Missão Velha, um belo dia do mês de abril, 


Antonio Silvino recebeu um recado do Cel. Santana, convocando-o até o seu Quartel General na Serra do Mato. Antonio Silvino, imediatamente selou um animal e se pôs à viagem, ali chegando, já se encontrava à mesa para o jantar o Cel. Santana, que o convidou para sentar-se e jantar, Silvino atendeu ao convite, se sentado para jantar, mais com o seu rifle nas pernas. Terminado o jantar o Cel. Santana, usando o seu linguajar roceiro, disse:


“Sim senhor Antônio Silvino, mandei lhe chamar aqui, para lhe dizer que você não tem mais a minha proteção em missão velha”; “O lugar do seu rifle aqui na minha casa, era ali no canto daquela parede, hoje você jantou na minha mesa com o rifle nas pernas”.

Imediatamente Antônio Silvino se levantou e convidado pelo cel. Santana, para tomar o café, Antônio Silvino respondeu-lhe: “na sua casa eu não tomo mais, nem água” e de rifle em punho e já engatilhado, saiu de costas até o alpendre onde se encontrava o seu animal amarrado e pulando de costas em cima do animal, cortou-lhe a corda que o amarrava na varanda do alpendre e desceu para missão velha, isso já tudo escuro, pois já era noite e chovia muito, só via a estrada quando o relâmpago abria.

Chegando em Missão Velha, já noite velha, foi acordar os irmãos e ordenou-lhes que deveriam deixar Missão Velha, antes do dia amanhecer, pois temia um ataque do Cel. Santana. O seu irmão que era comerciante, foi acordar os seus vizinhos para vender as mercadorias existentes na sua bodega. Os colegas de comércio, sabendo que os Irmãos Silvinos, tinham que deixar Missão Velha às pressas, ficaram se amarrando para ficar com as mercadorias de graça, foi quando  Pedro Silvino, notando a matreirice dos seus colegas de comércio, começou a espalhar umas latas de gás dentro da sua mercearia e começou a furá-las a punhal. Perguntaram o que ele iria fazer, ao que ele respondeu-lhes:

“- Vocês acerem o que é de vocês, porque eu vou queimar o que é meu”; “não vou deixar nada de graça prá ninguém”.

Neste instante, os comerciantes que eram seus vizinhos, resolveram a comprar as mercadorias de Pedro Silvino, más o que é certo que antes de amanhecer o dia seguinte, os irmãos Silvinos desocuparam Missão Velha e nunca mais voltaram aqui.
História que me foi contada pelo Sr. José Gonçalves de Lucena. O comércio de Pedro Silvino ficava localizado na Rua Cel. José Dantas, onde hoje funciona atualmente o Café de Dona Didi Fideles.

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Na ponta do pincel - Jô Fernandes expõe em Fortaleza "O Cangaço, sua Influência e Estética"


Indumentárias, acessórios e o legado do bando de Lampião na literatura e no cinema são alguns dos elementos explorados pelo artista na exposição

O artista plástico paranaense radicado no Ceará, Jô Fernandes, realiza a partir de hoje a exposição "O Cangaço, sua Influência e Estética". A mostra acontece na galeria BenficArte, no shopping Benfica, e fica aberta à visitação até 26 de junho.

A coleção faz um passeio pelo mundo do cangaço a partir de elementos que simbolizam o movimento e que interferiram nele: indumentárias, personagens, tradições, costumes e a herança deixada pelos cangaceiros compõem as cenas dos 16 quadros, pintados em tinta acrílica sobre tela.

"A intenção foi representar além de elementos como os trajes e utensílios dos dia a dia, o legado deixado pelos personagens do cangaço, como a influência no cinema, na literatura, na música, nas tradições e no imaginário popular", explica Jô Fernandes.
Origens

"Paranaense nordestinado", como ele se considera, Fernandes


A série começou a ser pesquisada em dezembro de 2010 e finalizada em setembro de 2011, mas esteve inédita até agora. Segundo Fernandes, o material está cotado para seguir para a França depois desta passagem por Fortaleza.

Estilo
diz que o apreço pelo cangaço vem desde pequeno, quando se dedicava a assistir filmes e ter contato com livros sobre o bando de Lampião.

"Não faço apologia à violência, o que me encanta nos cangaceiros é a liberdade que tinham, que era também a causa pela qual lutavam", argumenta. A decisão de vir para o Nordeste aumentou ainda mais o vínculo do artista com o tema. "Morei muito anos na Bahia, mudei bastante de estado por causa da publicidade. Fui
diretor de arte por 33 anos. Já havia morado no Ceará antes, em 1978, quando nasceu meu filho. Então, depois que deixei as agências, resolvi me mudar para Fortaleza", esclarece o artista.


Um dos destaques da obra de Jô Fernandes é o traço angular, limpo, quase vetorizado, que o artista consegue reproduzir sobre a tela, como se contasse com a ajuda de recursos digitais.

"Um amigo publicitário viu meus desenhos, dia desses, e comentou sobre
isso. Ele disse: ´Jô, seu traço parece Corel Draw!´. Eu ri e até me chateei depois, mas hoje eu acho legal. Não é uma tarefa fácil reproduzir esse traço, então me orgulho disso!", comenta.

De fato, Fernandes leva de três semanas a um mês para finalizar cada quadro e desconfia que seu estilo
tenha sido "a sequela boa que a publicidade deixou!", brinca.

A exposição "O Cangaço, sua Influência e Estética" tem curadoria do arquiteto João Jorge Melo. A abertura acontece hoje, às 19 horas e a visitação é gratuita.
Mais informações:
Abertura da exposição "O Cangaço, sua Influência e Estética", hoje, às 19h, na Galeria BenficArte, no Shopping Benfica (Av. Carapinima, 2200). Gratuito. Em cartaz até 26 de junho. Contato: (85) 3243.1000


Quem soprou foi o coroné Osmiro daí pesquei no: Diário do Nordeste no Meu Ceará e no  Blog do Jô

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

No Cariri Cangaço tem - Missão Velha - a cachoeira e o torno de Lampião


Quem visita pela primeira vez o Cariri cearense se surpreende com o conjunto de belezas que ali se escondem. O município de Missão Velha; porta de entrada do cariri cearense; o mais novo anfitrião do CARIRI CANGAÇO; guarda verdadeiras pérolas, resultado da maravilhosa Providencia Divina; suas belezas naturais encantam a todos que por ali chegam. Os verdes canaviais, as inúmeras nascentes, as fontes de água límpida e as famosas Cachoeiras de Missão Velha.



Por essas bandas Virgulino passava boa parte do seu tempo de “descanso”, por aqui, dizem “que tinha amigos poderosos; 




Cel. Santana, Cel. Juvêncio, Cel. Isaias Arruda”.




Aqui também é a sede da Usina e Fundição Linard, com sua tecnologia de ponta em fundição e ferramentaria, tendo seu fundador Antônio Linard uma estória ou história, curiosa, em relação a Lampião e o primeiro torno que o referido empreendedor sertanejo adquiriu ainda nos idos da década de vinte para iniciar seus negócios. Venha conhecer as maravilhas de Missão Velha e a “história do Torno de Lampião” em setembro no CARIRI CANGAÇO, bem aqui no sul do Ceará.


I SEMINÁRIO CARIRI CANGAÇO
De 22 a 27 de Setembro de 2009
Crato, Juazeiro, Barbalha e Missão Velha.

Extraído do blog: "Lampião Aceso"
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terça-feira, 18 de outubro de 2011

1830 – O REGISTRO DE BATISMO DE ANTÔNIO CONSELHEIRO

Por: Rostand Medeiros
Photo

O PRIMEIRO DOCUMENTO OFICIAL DE UM GAROTO CEARENSE QUE MUDOU A HISTÓRIA DO BRASIL

O documento que vou apresentar no nosso Tok de História é como está documentado o batismo de Antônio Vicente Mendes Maciel, que ficaria conhecido na história do Brasil como Antônio Conselheiro.
Esta é a íntegra do texto;
“Aos vinte e dois de maio de mil oitocentos e trinta batizei e pus os Santos Óleos nesta Matriz de Quixeramobim ao párvulo Antônio, pardo, nascido aos treze de março do mesmo ano supra, filho natural de Maria Joaquina. Foram padrinhos, Gonçalo Nunes Leitão e Maria Francisca de Paula. Do que, para constar, fiz este termo, em que me assinei.
O Vigário, Domingos Álvaro Vieira”
- Livro de Assentamentos de Batizados da Paróquia de Quixeramobim, Livro 11, fl. 221 v.

O registro de batismo de Antonio Conselheiro

Este documento já a muito havia sido pesquisado pelo cearense Ismael Pordeus, que inclusive já havia publicado na íntegra, no periódico cearense “O Nordeste”, na edição de quinta feira, 6 de julho de 1949.
Mas lendo com calma o que está escrito no Livro de Assentamentos algumas equenas e interessantes informações surgem.

Visão que a imprensa conservadora do final do séc. XIX tinha de Antônio Conselheiro
Primeiramente temos que registrar que Antônio Vicente Mendes Maciel nasceu em Quixeramobim, Ceará, em 13 de março de 1830, uma quinta feira, em um ano considerado seco.

Casa onde nasceu Antônio Conselheiro, ainda preservada na rua Cônego Aureliano Mota, nº 210, próximo à Praça Dias Ferreira, Quixeramobim, Ceará - Fonte - Magno Lima
Era filho do comerciante Vicente Mendes Maciel e de Maria Joaquina de Jesus. Para outros o nome da sua mãe era Maria Joaquina do Nascimento, tinha o apelido de Maria Chana e ainda Maria Maciel (In Benício, Manuel. O Rei dos Jagunços, Rio de Janeiro, Editora Fundação Getúlio Vargas, 1997, Págs. 8 e 9, 2ª Ed. / Levine, Robert. O sertão prometido-O massacre de canudos, São Paulo, EDUSP, 1995, Págs.181 a 183, 1ª Ed.).
Dois meses depois do nascimento do jovem Antônio Maciel, no dia 22 de maio de 1830, um sábado, ele foi batizado na Matriz de Quixeramobim, uma majestosa igreja construída em 1755, cujo padroeiro é Santo Antônio, sendo considerado o primeiro templo religioso da região do Sertão Central do Ceará.

Matriz de Quixeramobim - Fonte - Walter Leite
 
Coincidentemente, o dia em que o jovem Antônio Maciel foi batizado é dedicado pela Igreja católica a devoção da monja agostiniana batizada como Rita, que morreu na cidade de Cássia, no ano de 1457, na província de Umbria, Itália. Mas não existe nenhuma indicação que a mãe de Antônio Maciel, Dona Maria Joaquina, fosse devota desta santa e decidiu batizar seu filho neste dia.
Certo é que ao lemos o Livro de Assentamentos de Batizados da Paróquia de Quixeramobim, Livro 11, fl. 221 v., atualmente pertencente à Diocese da cidade cearense de Quixadá, vemos que somente o jovem Antônio foi batizado naquele sábado.

Capa do livro de Assentamentos, onde está o registro de Antônio Conselheiro
 
Primeiramente chama atenção na foto do registro, logo abaixo do nome “Antônio”, a designação de sua cor como sendo “Pardo”, o que aponta o alcance das designações raciais no Nordeste do Brasil daquela época.
Percebemos a ausência do pai no registro e, provavelmente, na própria cerimônia.
Para aqueles que estudam a vida do Conselheiro, a ausência documentada de Vicente Maciel naquele livro de registro e a possível ausência na cerimônia de batismo de seu único filho varão não é nenhuma novidade.
Vicente era tido como um homem direito, trabalhador, mas muito complicado, como se diz atualmente. Estava no segundo casamento, era parcialmente surdo, considerado taciturno, que ocasionalmente realizava péssimos negócios que geravam dívidas e era alcoólatra. Em uma ocasião, quando bêbado, havia espancado a primeira mulher quase até a morte.
Analisando as folhas de batismo dos meses anteriores e posteriores ao batizado de Antônio Maciel, o seu registro é o único que não consta o nome do pai.
Teria havido problemas com o vigário local?
Ou alguma alteração séria teria ocorrido na época, a ponto de indispôr Vicente com o meio social do seu lugar e comprometer sua participação no evento?
Ou estaria vergado de cachaça, sem condições físicas para participar da cerimônia?
A razão não se sabe. Mas seu nome não consta do documento.
Igualmente nada sabemos dos padrinhos Gonçalo Nunes Leitão e Maria Francisca de Paula.
Outra situação interessante diz respeito ao nome do vigário. Para muitos o nome do representante da igreja em Quixeramobim que batizou Antônio Maciel seria Antônio Álvaro Vieira. Mas analisando a sua assinatura, o nome que surge é Antônio Alvares Vieira. Na foto da assinatura do vigário é possível distinguir nitidamente o “S” de Alvares.

Assinatura do vigário Antônio Álvares Vieira
Sendo este o nome correto do vigário, encontramos a figura de Domingos Alvares Vieira, um religioso católico nascido na cidade pernambucana de Goiana e batizado em 22 de outubro de 1795. Era filho de José Alvares Vieira e de Francisca Lourenço. Ordenou-se em Olinda e depois foi vigário no Ceará (Em Quixeramobim?).
Depois tornou-se lente do Liceu da Paraíba. Teve participação política, onde foi Deputado Provincial da Paraíba, na 1.ª Legislatura, cuja sessão de instalação ocorreu no dia 7 de abril de 1835. Foi Deputado à Assembleia Geral, pela Paraíba, na 3.ª Legislatura, de 3 de maio de 1834 a 15 de outubro de 1837.
Após esta experiência política, o sacerdote Vieira voltou a Goiana de onde foi vigário durante muitos anos. Foi Conselheiro do Governo de Manuel de Carvalho e ainda vivia em 1849. (In Pio, Fernando. Apontamentos Biográficos do Clero Pernambucano (1535 – 1935). Recife, Arquivo Público, 1994, 2 volumes).
Seria o religioso Vieira, que foi Deputado Provincial, o mesmo que anos antes batizou uma criança que se tornaria Antônio Conselheiro?

O registro do jovem Antônio Maciel é o primeiro da folha esquerda
 
Infelizmente é outro questionamento sem uma resposta.
Sobre o local de nascimento de Antônio, segundo material contido no site http://meltingpot.fortunecity.com/hornsey/372/evolucao.htm, informa que Quixeramobim primeiramente surgiu a partir de uma propriedade denominada Santo Antônio. Depois o lugarejo foi paulatinamente evoluindo pra a pequena povoação denominada Santo Antônio do Boqueirão, ou Santo Antônio de Quixeramobim.
Consta que oficialmente o lugarejo  pertenceu primeiramente à Vila de São José de Ribamar do Aquiraz até a sua elevação a vila, o que se confirma mais uma vez com asa transcrições que se seguem: Ao ouvidor Manuel de Magalhães Pinto de Avelar de Barbedo “coube-lhe instalar a Vila de Campo Maior de Quixeramobim, até então pertencente a Aquiraz, a 13 de junho de 1789″.
O site ainda aponta que os sertões de Quixeramobim eram constituídos de vastos campos que se estendiam pelas planícies adjacentes. Porém, sobre o nome Campo Maior a verdade histórica aponta que por orientação do marquês de Pombal, primeiro ministro de D. José I, foi expedida uma Carta Régia, datada de 6 de maio de 1758, determinando que toda vila a serem criada no Brasil-Colônia, teriam que receber nomes de localidades existentes em Portugal. Essa medida perdurou até metade do ano de 1803, quando deixou de ser cumprida.

Quixeramobim atualmente - Fonte - Magno Lima
Ao ser elevada a categoria de vila, o lugarejo teve seu nome mudado para Vila de Campo Maior, devido à determinação contida na lei acima. O nome de Vila de Campo Maior não foi bem aceito pela população, que continuou a fazer uso do termo Quixeramobim, isto é, Vila de Quixeramobim e, raramente, Vila de Campo Maior de Quixeramobim.

Outra visão do texto original
Na época do nascimento de Antônio Vicente Mendes Maciel, a comunidade já era conhecida apenas como Quixeramobim e assim está descrito nos autos do batismo.
O resto da história de Antônio Conselheiro é bem conhecido e todos sabem o seu desfecho.
P.S. – Um agradecimento todo especial aos membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, sede de Natal,  pelo apoio na realização deste artigo. (http://www.lds.org.br)


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sábado, 10 de setembro de 2011

Aurora aguarda os cangaceirólogos


Conforme o secretário de cultura José Cícero,


a reportagem da TV Diário retornará a Aurora por ocasião da realização da terceira edição do Seminário Cariri Cangaço que na noite do dia 21 de setembro abordará o tema: “Aurora – A trama da Ipueiras e a invasão de Mossoró”. O evento terá como palestrante o pesquisador e memorialista missãovelhense Bosco André.


Além de Aurora o Cariri Cangaço 2011 acontecerá igualmente nos municípios de Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha, Barro e Porteiras. Pouco mais de 150 pesquisadores conhecidos e renomados do país inteiro e até do exterior estarão participando do acontecimento este ano, segundo informação do curador do evento Manoel Severo.


Trata-se de um dos mais importantes e concorridos eventos do gênero de todo o Brasil. Um momento em que toda a sociedade caririense deverá se encontrar para ouvir, debater e aprender um pouco mais acerca da verdadeira história do povo sertanejo, com foco no cangaço e outros temas afins, explicou o secretário José Cícero.
E Aurora como parte importante de um dos fatos mais marcantes e emblemáticos de Lampião ( A trama da Ipueiras), não poderia ficar de fora. Evento como este ajuda e muito, no processo de crescimento e evolução sociocultural e educativo de qualquer região, principalmente em se tratando do vale do Cariri, cuja história e a cultura são referenciais e edificantes para todo o resto do Ceará e do país como um todo, completou.

A prefeitura, tendo a frente o gestor


Adailton Macedo, por intermédio da Secretaria de Cultura já começou os trabalhos de organização com vistas a realização de mais este evento. Uma série de apresentações culturais com a temática do cangaço lampiônico está prevista para ocorrer logo na abertura, conforme os que fazem a Secult.

O seminário acontece às 19:30 h no auditório do Salão Paroquial no centro da cidade (ao lado da Igreja matriz), sendo que na parte da tarde, os pesquisadores visitantes farão um roteiro turístico pelos principais pontos que marcaram a passagem de


Lampião e seu bando por Aurora, a exemplo da Fazenda Ipueiras, na antiga Estação Ferroviária (local onde foi assassinado

 

o Cel. Izaías Arruda), o sítio Taveira (Fogo do Taveira), além do cemitério da bailarina dentre outos.

SERVIÇO 

Programação Cariri Cangaço 2011
Dia 21 de Setembro, Quarta-Feira
Salão Paroquial - Aurora - CE
19:00 H - Conferência
“Aurora – A trama da Ipueiras e a invasão de Mossoró”.
Por: João Bosco André

MESA:

José Cícero - Aurora - CE


Geraldo Ferraz - Recife - PE

 

Archimedes Marques - Aracaju- SE


João de Sousa Lima - Paulo Afonso - BA



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CAPITÃO JOSÉ GONÇALVES BEZERRA

Por Fernando Maia Nóbrega

“O senhor, Capitão, vai pagar caro”. o couro de Trancelim” (Severino Tavares)


Nome: José Gonçalves Bezerra
Nascimento: Sem informações
Morte: 10 de maio de 1937. –Sítio Conceição, Crato-Ce.
Motivo: Vingança
Acusados: Severino Tavares e Fanáticos do Caldeirão.

Antecedentes 

Por volta de 1890, chega a Juazeiro atraído pelos milagres ali ocorridos no ano anterior e pela fama de santidade do Padre Cícero um paraibano de nome José Lourenço da Silva.

De princípio, fixa-se na cidade e vai trabalhar como agricultor pelos sítios. Aos poucos vai se inserindo, de maneira marcante, na vida religiosa e se transforma em renomado beato.

Ao correr do tempo passa a ser admirado por sua capacidade de trabalho e inteligência. Observado pelo Padre Cícero é aconselhado a arrendar terras na região onde pudesse trabalhar por conta própria. Seguindo o conselho recebido, José Lourenço aluga um sítio, pertencente a João de Brito numa localidade chamada Baixa da Anta na cidade do Crato.
 



José Lourenço em foto do livreiro Luis Maia.


Na nova paragem fez grandes plantações de macaxeira, feijão, cana de açúcar de açúcar e inúmeras fruteiras. Em virtude de sua fama de caridoso e acolhedor de pobres, logo seu sítio recebe grande quantidade de fanáticos que lá foram morar em busca de trabalho e religiosidade.

Uma ou duas vezes por mês, José Lourenço, juntamente com seus moradores, ia a Juazeiro assistir missas e visitar o Padre Cícero. Em uma de suas idas, recebeu do reverendo um boi Zebu, chamado Mansinho, para ser criado na Baixa da Anta.

O animal foi cuidado com todo zelo e carinho pelos fanáticos, mormente por se tratar de uma doação feita pelo “Santo Padim Cícero”, como gostavam de se referir ao sacerdote. Aos poucos, a estima dedicada ao Boi Mansinho foi se transformando em adoração. Os chifres eram adornados com flores e fitas; sua urina transformada em remédio milagroso e as pontas das unhas em amuletos.
 


Monsenhor Joviniano Barreto, pároco de Juazeiro, denunciava às autoridades eclesiásticas da região que na Baixada Anta os fanáticos estavam se desviando da ortodoxia da Igreja Católica, e se praticando o fetichismo em total heresia aos cultos da Santa Igreja.  Blog do Sanharol  


Dr. Floro Bartolomeu atendendo os anseios do Monsenhor e evitar críticas
da imprensa, pôs fim no totemismo ao prender o Beato José Lourenço e mandar sacrificar o Boi Santo na presença de muitos fanáticos.

Em 1926, João de Brito, cedendo às pressões, desfaz o acordo de arredamento do sítio Baixa da Anta forçando o Beato José Lourenço ocupar uma propriedade do Padre Cícero conhecida como Caldeirão dos Jesuítas também localizada na cidade do Crato.

Exatamente como antes procedera, o Beato José Lourenço juntamente com 300 famílias faz grandes plantações de algodão, imensos canaviais, constrói dois açudes, ergue uma capela e várias casas no novo assentamento. Tudo que era produzido pertencia a todos inexistindo um dono exclusivo.

Em 1934, com a morte do Padre Cícero, muitos os sertanejos desamparados de um líder foram ter guarida nas terras do Caldeirão. Se havia falta de emprego no Cariri, nas terras do Beato,ao contrário, todo mundo trabalhava e mais ainda: o que era plantado ou criado pertencia à coletividade inexistindo a figura do patrão.
 


No seu inventário, o Padre Cícero deixara todas as terras que lhe pertenciam para os padres salesianos. E como a Igreja já se pronunciara contra as distorções religiosas praticadas na comunidade do Beato Zé Lourenço e, principalmente, tendo receio que os fanáticos se apoderassem das terras ocupadas, o bispo procurou um meio de expulsá-los de lá.
  
Usando o prestígio do seu partido político, a LEC – Liga Eleitoral Católica – representantes da Igreja pressionaram o governo para extinguir a comunidade do Caldeirão sob o argumento de uma possível célula comunista.

Reunidos no Palácio da Luz em Fortaleza:



O Governador do Estado, Dr. Menezes Pimentel  


Juntamente com...


Secretário de Estado Andrade Furtado. 


O Chefe de Polícia Cordeiro Neto e o...
 

Bispo do Crato D.Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva 


Decidiram acabar com o Caldeirão. (01)

A primeira atitude tomada pelo Chefe de Polícia foi enviar dois agentes secretos ao Caldeirão para se inteirar da realidade. O primeiro era um agente civil que se infiltrou como fanático; o outro era o Capitão Zé Bezerra que se passando por industrial dizia estar ali com o intuito de instalar uma usina de beneficiamento de oiticica.

Depois de dias de observação, embora não tenha verificado a existência de armas, o relatório do militar classificava a situação como “perigosa” e era favorável a sua desativação em virtude do caráter comunista na distribuição dos lucros.

Em setembro de 1936, sob o argumento que a comunidade do Caldeirão, com mais de 1500 habitantes, era uma ameaça ao Estado, um contingente de 150 policiais foi enviado para a desocupação do lugarejo. Enquanto os pobres sertanejos abandonavam suas casas, o Capitão Zé Bezerra, nomeado interventor do arraial, ordenou o desarmamento dos moradores, sendo encontrado somente instrumentos de trabalho: enxadas, foices e machados. Em seguida, deu-se o prazo de cinco dias para os casados abandonarem o local e dois aos solteiros. Por último, a polícia queimou os casebres, os depósitos de algodão e víveres. Consta que saqueou todo bem que tivesse e liquidez imediata.

Foi precisamente durante sua permanência na direção do Caldeirão que Zé Bezerra cometeu duas faltas gravíssimas aos olhos dos fanáticos: a tortura praticada numa mulher em meio a um interrogatório sobre o paradeiro de José Lourenço e ter causado a morte do cavalo Trancelim animal preferido do Beato. A revolta dos moradores se transformou em ódio e num sentimento perpétuo de vingança.

Após a expulsão, os fanáticos se reagruparam sob o comando do Beato José Lourenço em um lugar inóspito na Serra do Cariri que englobava dois sítios: Mata dos Cavalos e Curral do Meio.
 
A Morte do Capitão Zé Bezerra 


José Gonçalves Bezerra era reconhecidamente um homem bravo, corajoso, experiente policial, sendo o oficial escolhido pela Polícia Militar para combater o cangaço no Estado na segunda e terceira décadas do século translato.

A literatura cearense é pródiga em referência sobre o José Bezerra. Otacílio Anselmo eminente escritor caririense, oficial da polícia e contemporâneo do Capitão, o descreve como “(...) policial arbitrário e cruel”. O autor de “O Padre Cícero – Mito e Realidade” – diz ter presenciado uma surra aplicada por aquele policial em um cabo da polícia dentro do quartel da capital. (02).

Nertan Macedo, outro escritor, define o Capitão Zé Bezerra como “(...) um dos maiores bandidos autoridades que se teve notícias no Ceará.”. (03)

É bem verdade que na incessante procura a pistoleiros e cangaceiros no Ceará, verificada entre os anos de 1920 a 1930, coube na época aos Tenentes Peregrino Montenegro e Zé Bezerra a missão de exterminar banditismo no interior do Estado.

Ressalte-se que foi sob o comando de Zé Bezerra que ocorreu a “Tragédia das Guaribas”, onde Chico chicote e seus companheiros foram trucidados em 1927 em Brejo Santo - CE.



 

Ruínas da casa de Chico Chicote. Fotos de Manoel Severo. 


Entretanto, em que pese os inúmeros riscos de vida passados nas refregas contra cangaceiros, foi durante a pacífica tomada do Caldeirão em 1936, que o Capitão Zé Bezerra cometeu dois graves erros, os quais foram fundamentais para a execução de sua morte no ano seguinte. O primeiro, quando em um interrogatório sobre o paradeiro do Beato José Lourenço, Bezerra usou de meios torturantes ao queimar os seios de uma mulher com o charuto que fumava. O outro, talvez o mais grave aos olhos dos crentes, quando sob o efeito de bebida alcoólica, cavalgou o Trancelim, cavalo de estimação do Beato. Durante toda noite percorreu a região, açoitando o animal e às carreiras passava pelas ruelas do arraial. Recolhido à estrebaria, exausto o cavalo viria a morrer no outro dia. Ressalte-se que havia a crença entre os fanáticos, aceita como a mais pura verdade, que ao morrer o Beato subiria aos céus montado no Trancelim. O Capitão Zé Bezerra cometeu a heresia de profanar a religiosidade daquele povo.

Tempos depois, quando já ocupavam a Mata dos Cavalos, os moradores se dividiam em duas correntes de pensamento. De um lado, sob o comando teocrático e pacifista de José Lourenço, pregava-se o perdão aos responsáveis pela diáspora do grupo. Do outro, sob a liderança político-militar de Severino Tavares, clamava-se pela vingança e a reconquista do Caldeirão.

Os seguidores de Severino Tavares nutriam e armazenavam um ódio e um desejo de vindita contra o Capitão José Bezerra. Para a consecução de seu intento, tramaram um plano arrojado e inteligente que seria o de atrair o militar à Mata dos Cavalos e assassiná-lo! Uma cilada foi tramada e posta em prática.

Em maio de 1937, apareceu no quartel da polícia em Juazeiro um cidadão de nome Sebastião Marinho a procura do Capitão José Bezerra para apresentar uma queixa. Ao ser atendido pelo militar, informou que suas terras haviam sido invadidas pelos fanáticos do Beato José Lourenço e que é conhecedor de um plano de Severino Tavares de invadir e saquear a cidade do Crato. Embora muito experiente, o Capitão de nada desconfiou e tomou somente uma providencia antes da diligência: o querelante teria que ir com a polícia ao local.
 

No dia 10 de maio de 1937, formou-se uma volante com objetivo de ir a Mata dos Cavalos assim estruturada:
1 - Capitão José Bezerra
2 - 1º Sargento Anacleto Gonçalves Bezerra
3 - 2º Sargento José Marcolino Brasileiro
4-  2º Sargento Marcelino
5 - 3º Sargento Jaime Olimpio Rocha
6 - Cabo Benigno Gomes
7-  Soldado Raimundo Pereira
8 - Josafá Torquato Gonçalves
9 - Soldado José Dantas (Corneteiro)
10 - Soldado Eugênio Cesário da Silva
11 - Soldado Álvaro Gomes Bezerra (03)
  
Ressalte-se que o sargento Anacleto e o soldado Álvaro eram filhos do Capitão.

Ao constatar o pequeno número de policiais destacado para a missão, Sebastião Marinho, talvez com o intuito de despistar suspeita, disse: •.
  - “Capitão, os soldados são pouco...”.
  Talvez por ser conhecedor do caráter pacifista dos fanáticos e ignorar a nova faceta belicista no grupo, respondeu:
  - “São suficientes.”

Partindo em cima de um caminhão cedido pela prefeitura de Juazeiro passaram pela delegacia do Crato, onde o Capitão foi alertado pelo tenente João Lima, comandante do destacamento daquela localidade, sobre o pequeno número de soldados. Mais uma vez o José Bezerra dispensou ajuda.

Ao chegar perto do local destinado, O Capitão Zé Bezerra mandou parar o carro e ordenou que os policiais entrassem em forma. Em seguida, deu alguns esclarecimentos e ordenou que o sargento Marcelino e soldado Cesário ficassem guarnecendo o caminhão. Aos demais, que o seguissem.

Adentraram por uma vereda que dava acesso ao arraial. Em dado momento, inesperadamente saiu de dentro de um espesso matagal uma mulher correndo. Com receio que ela fosse avisar aos fanáticos, o Capitão com o grupo saiu em sua perseguição.

Eis que inopinada e inesperadamente os militares são cercados e atacados ferozmente por vários fanáticos, surgidos como fantasmas do meio da mata, armados de cacetes e foices.

Em poucos minutos, jaziam inertes Capitão Zé Bezerra, sargento Anacleto, cabo Benigno e o soldado Josafá.

Do caminhão se ouviu o estampido de tiros oriundos da mata. O soldado Cesário falou para o sargento Marcelino:
  - “O Capitão foi atacado, sargento”.
  “Tenho pena do Capitão, mas ele foi avisado que os soldados eram insuficientes” Respondeu.
  Cinco minutos depois Cesário viu um vulto se arrastando pelo mato: era o sargento José Olímpio sangrando e com golpes profundos na cabeça. Arquejando, a vítima disse:
  -“Não deixem que os bandidos acabem de me matar...”.
  Logo após, ouviram uns novos gemidos. Era o sargento Marcolino com alguns soldados feridos.
  - “Fomos atacados de surpresa. Vi o Capitão estirado no chão e o Anacleto também. Acho que morreram.” - Disse Olímpio.

O sargento Marcelino reuniu os soldados capazes de se moverem, mesmo os feridos em pequena gravidade, e foram ao encontro do Capitão. Lá se depararam com um quadro tenebroso: com a cabeça esfacelada, ainda segurando o parabelum, jazia morto o Capitão Zé Bezerra. Ao seu lado, o filho Anacleto. Mais adiante o corpo do cabo Benigno, e do soldado Josafá e mais três cadáveres de fanáticos.

Assim morreu como viveu o bravo militar: da maneira mais trágica e cruel. Morreu como um dia lhe dissera Severino Tavares:

-“O senhor, Capitão, vai pagar caro o couro de Trancelim!” (04). 


N O T A S


01 - João Xavier de Holanda – Polícia Militar do Ceará em Meio Século de República 1939 Vol. 3 pág. 47. Editora INESP. Fortaleza 2003.
02- Otacílio Anselmo e Silva. Brejo Santo sua história e sua gente – A Tragédia de Guaribas pág.190. Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Fortaleza 1981.
03 - N.A. A relação completada dos componentes da volante policial nos foi fornecida pelo sargento Eugênio Cesário da Silva, na cidade de em Juazeiro do Norte em 1981. Em1937, Cesário era soldado da Polícia Militar e esteve presente no massacre dos policiais.
04 - João Xavier de Holanda, O.c.pág.58.

BIBLIOGRAFIA

HOLANDA, João Xavier. Polícia Militar do Ceará em meio século de república 1889-1939
Fortaleza. Editora INESP ,2003

SILVA, Otacílio Anselmo. Brejo Santo sua história e sua gente – Tragédia de Guaribas
Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Fortaleza 1981.

Pesquei em
História de Juazeiro


Foto de Menezes Pimentel: blog fortaleza nobre
Foto de Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva: Arquivo particular do Diácono Policarpo Rodrigues.


Este é trasladei do blog: "Lampião Aceso"