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domingo, 11 de outubro de 2026

SAGRADO MATRIMÔNIO DOS MEUS AVÓS MATERNOS.

Por Valdir José Nogueira de Moura

Naquele domingo, 21 de julho de 1929, o Padre José Kehrle molhou a pena na tinta preta para registrar no livro de casamentos da Matriz de São José de Belmonte mais uma união abençoada pelas regras da Santa Igreja Católica. Com a caligrafia pausada dos vigários de antigamente, anotou os nomes: Joaquim Donato de Moura e Luiza Rodrigues de Lima, ambos com vinte e três anos, viçosos, cheios de vida e de futuro. Ele, rebento da terra de Belmonte; ela, trazida das altitudes de Triunfo.

​Mas a solenidade do "servatis servandis" em latim e o rigor do assento paroquial guardavam apenas a metade da história. A outra metade — a mais viva e elegante — começara no exato momento em que os noivos cruzaram o patamar da igreja em direção ao imponente casarão de Seu Terto Donato, pai do noivo, próspero comerciante e Capitão da Guarda Nacional.

​Ali, na ampla sala de visitas da residência, todo o soçaite belmontense se fez presente para prestar homenagens às famílias e testemunhar a celebração. Por três dias e três noites, o casarão transformou-se no epicentro da vida social do município. Os salões engalanados serviram de palco para banquetes fartos e recepções onde a fidalguia e o prestígio da melhor sociedade da época se destacavam em cada detalhe.

​Ao longo das paredes da sala de visitas, as moças se enfileiravam sentadas, alinhando com cuidado as dobras dos seus melhores vestidos de seda. Leques abanavam sorrisos tímidos enquanto os olhos buscavam os mancebos do outro lado do salão. Quando a música rompia na primeira nota de uma polca ou na cadência animada de uma quadrilha, marcada em francês por Né Lucas, os galãs atravessavam o ambiente com postura aprumada. Curvavam-se com distinta elegância e, num gesto respeitoso de puro afeto, solicitavam a honra daquela valsa.

​Entre um floreio e outro, trocavam-se olhares compridos, flertes discretos e promessas guardadas no aconchego do ambiente. As mademoiselles coravam, os jovens mostravam sua galhardia, e a elite belmontense daquele final de anos 1920 celebrava sem pressa a alegria do enlace.

​O tempo passou, as folhas do livro do Padre Kehrle amarelaram e os ecos das polcas silenciaram-se no casarão. Mas a união de Joaquim e Luiza ficou gravada não apenas na tinta do vigário, mas na memória amorosa da família — na lembrança eterna de um tempo em que o amor se celebrava com a distinção, o respeito e o brilho dos grandes eventos sertanejos.
Valdir José Nogueira de Moura.

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 ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Confúcio foi o mais famoso filósofo e pensador político da China e viveu entre 552 e 479 a.C. 

"Um dia, um dos discípulos de Confúcio fez-lhe a seguinte  pergunta:

- Mestre, devo eu pagar o mal com o bem?

E o mestre lhe respondeu:

- Nunca faça isto. O bem se paga com o bem, e o mal com justiça. Porque se você pagar o mal com o bem, com que você irá pagar o bem?".

Então, amigo leitor, o mal deve ser retribuído com a justiça, e o bem deve ser retribuído com o bem.

http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com

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O ASSASSINATO DO PADRE PEREIRA: A TRAMA ENTRE A FAZENDA MASSAPÊ E A FAZENDA SERRA VERMELHA.

Por Valdir José Nogueira de Moura.

​Foi entre a Fazenda Massapê, em Santa Maria — na época pertencente ao município de Belmonte —, e a Fazenda Serra Vermelha, no município de Vila Bela, que se teceu a trama para o assassinato do Coronel Manoel Pereira da Silva Jacobina, popularmente conhecido como Padre Pereira. Apontados como mandantes do crime, o Major João Barbosa Nogueira, proprietário da Fazenda Serra Vermelha, e o major David Bernardino de Carvalho e Sá, senhor da Fazenda Massapê, viram-se no centro de uma tempestade política e familiar. Logo após o homicídio do coronel ocorrido no dia 15 de outubro de 1907, a família Pereira buscou mover a máquina da responsabilidade criminal contra os dois majores, ambos ligados à família Carvalho, identificando como executores materiais do atentado os homens de confiança Luiz de França, Manoel Tomé e Mariano Mendes de Moura. A partir de então, o clima na região azedou de vez: os Pereiras declararam publicamente que derramariam o sangue dos Carvalhos e Nogueiras até vingar a morte do Padre Pereira.

​Entre os diversos indícios que pesavam contra a dupla de mandantes, sobressaíam-se os reveladores relatos de Vicente Gato, morador das imediações. Poucos dias antes do atentado, Vicente já estranhara a frequência incomum com que João Nogueira visitava a casa de David Bernardino. A tensão atingiu o auge no próprio dia do crime, quando o cangaceiro Mariano Mendes surgiu de surpresa na povoação de São Francisco e evaporou em seguida — um comportamento atípico para quem costumava passar o dia inteiro na vila durante as feiras. Vicente Gato contou ainda ter recebido em sua casa o cangaceiro Barra de Aço, que levava consigo duas cartas escritas com tinta encarnada, enviadas por David Bernardino a João Nogueira. Na oportunidade, Barra de Aço confidenciou que ia convocar o matador Luiz de França e avisou, com tom lúgubre, que em breve aconteceria uma tragédia em São Francisco capaz de fazer até as pedras chorarem. Não bastasse isso, soube-se que João Nogueira, ao retornar da Fazenda Massapê, recomendara à própria esposa — que, por ironia do destino, era sobrinha do Padre Pereira — que comprasse roupas pretas de luto. Na correspondência, David Bernardino pedia a João Nogueira os préstimos do seu afamado cangaceiro Luiz de França para se juntar aos seus próprios homens, Manoel Tomé e Mariano Mendes. Foi assim que, nos depoimentos que encorparam o processo, costurou-se a autoria intelectual e material do crime que abalou o sertão.

Imagem do google - https://www.google.com/
Valdir José Nogueira de Moura
Foto: lado esquerdo a secular casa da Fazenda Massapê zona rural de Tupananci, antiga Santa Maria, do lendário major David Bernardino de Carvalho e Sá. Do lado direito a capela da Fazenda Serra Vermelha, zona rural de Serra Talhada (Vila Bela) que pertenceu ao major João Barbosa Nogueira.

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 ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Confúcio foi o mais famoso filósofo e pensador político da China e viveu entre 552 e 479 a.C. 

"Um dia, um dos discípulos de Confúcio fez-lhe a seguinte  pergunta:

- Mestre, devo eu pagar o mal com o bem?

E o mestre lhe respondeu:

- Nunca faça isto. O bem se paga com o bem, e o mal com justiça. Por que se você pagar o mal com o bem, com que você irá pagar o bem?".

Então, amigo leitor, o mal deve ser retribuído com a justiça, e o bem deve ser retribuído com o bem.

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