Por Valdir José Nogueira de Moura

Naquele domingo, 21 de julho de 1929, o Padre José Kehrle molhou a pena na tinta preta para registrar no livro de casamentos da Matriz de São José de Belmonte mais uma união abençoada pelas regras da Santa Igreja Católica. Com a caligrafia pausada dos vigários de antigamente, anotou os nomes: Joaquim Donato de Moura e Luiza Rodrigues de Lima, ambos com vinte e três anos, viçosos, cheios de vida e de futuro. Ele, rebento da terra de Belmonte; ela, trazida das altitudes de Triunfo.
Mas a solenidade do "servatis servandis" em latim e o rigor do assento paroquial guardavam apenas a metade da história. A outra metade — a mais viva e elegante — começara no exato momento em que os noivos cruzaram o patamar da igreja em direção ao imponente casarão de Seu Terto Donato, pai do noivo, próspero comerciante e Capitão da Guarda Nacional.
Ali, na ampla sala de visitas da residência, todo o soçaite belmontense se fez presente para prestar homenagens às famílias e testemunhar a celebração. Por três dias e três noites, o casarão transformou-se no epicentro da vida social do município. Os salões engalanados serviram de palco para banquetes fartos e recepções onde a fidalguia e o prestígio da melhor sociedade da época se destacavam em cada detalhe.
Ao longo das paredes da sala de visitas, as moças se enfileiravam sentadas, alinhando com cuidado as dobras dos seus melhores vestidos de seda. Leques abanavam sorrisos tímidos enquanto os olhos buscavam os mancebos do outro lado do salão. Quando a música rompia na primeira nota de uma polca ou na cadência animada de uma quadrilha, marcada em francês por Né Lucas, os galãs atravessavam o ambiente com postura aprumada. Curvavam-se com distinta elegância e, num gesto respeitoso de puro afeto, solicitavam a honra daquela valsa.
Entre um floreio e outro, trocavam-se olhares compridos, flertes discretos e promessas guardadas no aconchego do ambiente. As mademoiselles coravam, os jovens mostravam sua galhardia, e a elite belmontense daquele final de anos 1920 celebrava sem pressa a alegria do enlace.
O tempo passou, as folhas do livro do Padre Kehrle amarelaram e os ecos das polcas silenciaram-se no casarão. Mas a união de Joaquim e Luiza ficou gravada não apenas na tinta do vigário, mas na memória amorosa da família — na lembrança eterna de um tempo em que o amor se celebrava com a distinção, o respeito e o brilho dos grandes eventos sertanejos.
Valdir José Nogueira de Moura.
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ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!
Confúcio foi o mais famoso filósofo e pensador político da China e viveu entre 552 e 479 a.C.
"Um dia, um dos discípulos de Confúcio fez-lhe a seguinte pergunta:
- Mestre, devo eu pagar o mal com o bem?
E o mestre lhe respondeu:
- Nunca faça isto. O bem se paga com o bem, e o mal com justiça. Porque se você pagar o mal com o bem, com que você irá pagar o bem?".
Então, amigo leitor, o mal deve ser retribuído com a justiça, e o bem deve ser retribuído com o bem.
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