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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O primeiro avião a pousar em Mossoró - 09 de Junho de 2014

Por Geraldo Maia do Nascimento

Deve-se ao Presidente (hoje Governador) do Estado do Rio Grande do Norte, Dr. Juvenal Lamartine de Farias, a instalação dos primeiros campos de aviação do interior. Mossoró ganhou o seu em 1929. Naquele ano, o Governador Lamartine mostrou-se desejoso e necessitado de empreender viagem aérea para Mossoró, a trato de interesse da administração. Telegrafou ao chefe do Executivo mossoroense, Cel. Vicente Carlos de Sabóia Filho, solicitando que o mesmo providenciasse um campo de pouso para aviões, mesmo de pequeno porte. As providências foram tomadas com rapidez e em um imenso cercado às imediações do antigo campo do Tiro de Guerra, algumas dezenas de homens foram recrutados para o destacamento e nivelamento das duas pistas que se formaram em cruz.

Estando tudo pronto, a cidade se movimentou na manhã de 22 de janeiro de 1929, num dia de terça-feira, para receber a comitiva e ver pousar em terras mossoroenses o primeiro avião. \"E precisamente às 13 horas, um pequeno sinal surgiu na rota de Natal e pouco a pouco foi se ampliando e trazendo do céu o ruído de seu motor. Após algumas evoluções pela cidade e reconhecimento do campo, desceu o pássaro metálico das alturas, pousando em Mossoró sob apreensão e delírio dos populares\", conforme registrou o jornalista Lauro da Escóssia.

Nessa primeira viagem a aeronave trouxe em seu bojo o Governador Lamartine, Dr. Alberto Roseli, diretor do Diário de Natal, aviador Djalma Petit e seus companheiros George Piron, Chenu e Septfonds.

Mossoró recebeu com grande festa o presidente do Estado, que foi saudado pelo Sr. Vicente Sabóia Filho, Dr. Bianor Fernandes e outros oradores. Num banquete efetuado na sede do clube Humaitá discursou em saudação ao chefe do governo o Sr. Vicente de Almeida.

O jornalista José Martins de Vasconcelos registrou o evento em seu jornal \"O Nordeste\", afirmando em certa altura:

\"- Foi um dia esplêndido, de festa, de esperança e aspirações de prosperidade, o dia 22 de janeiro fluente em Mossoró. Intensa multidão, música, flores, fogos, sorrisos e entusiasmo se confundiam no campo de aviação que se ia inaugurar.

O aparelho era um biplano, com duas rodas de borracha sob o motor e outra traseira, direcionado a leme. Possuía a pequena hélice triangular.

Com o advento da revolução de 1930, o Estado mergulhou na mais forte campanha política que lhe foi dado conhecer. Nesse período os interventores e prefeitos pouco demoravam nos cargos, o que provocou descontinuidade nas obras públicas. E o campo de pouso de Mossoró, tão festejado quando da sua inauguração, foi abandonado e uma densa mata tomou conta do terreno.

Somente dez anos mais tarde, o governo municipal voltou a encarar o problema, já sob a orientação técnica da administração federal. Dessa forma o Prefeito de Mossoró, Padre Luís da Mota, desapropriou larga extensão de terra para a construção do seu aeroporto, cuja construção se iniciou em 26 de setembro de 1940.

O gosto pela aviação despertado no seio da sociedade mossoroense, deu ensejo a fundação de um aeroclube local, a 15 de outubro de 1940 e cuja primeira diretoria foi a seguinte: Presidente de Honra Padre Luís Mota; Presidente Aristides Barcelos; Vice Presidente Vicente Sabóia Filho; Secretário Renato de Araújo Costa; 1º Tesoureiro Nelson Xavier Fernandes; 2º Tesoureiro Lahire Rosado; Diretor Técnico Dr. Luiz Sabóia; Diretor Comercial Augusto da Escóssia; Diretor Comercial Gabriel Varela.

O Aero Clube de Mossoró tinha como finalidade incentivar a prática do amadorismo civil da aviação junto aos jovens mossoroenses. O seu primeiro instrutor foi o aviador Mário Santos, da Escola de Pilotagem do Aero Clube do Rio de Janeiro. Possuiu uma frota de aviões tipo \"paulistinha\", dentre os quais podemos destacar: o \"Mário Barreto\", chegado em 1942, o \"Cidade de Mossoró\", que aqui chegou em 1944, o \"Capitão Sílvio Canizares\" e \"João Monteiro Rocha\" em 1945 e o \"Raimundo Fernandes\" que foi doado pela firma Tertuliano Fernandes & Cia., para ser usado em treinamento avançado.

Foi assim que aconteceu o primeiro pouso de uma aeronave em terras mossoroenses. Uma história que começou em 22 de janeiro de 1929 e que perdura até os dias atuais. 

Geraldo Maia do Nascimento

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Cariri Cangaço Amanhã na Paraíba!


Você é nosso Convidado Especial!

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HISTÓRICO EM SÉRIE DE 04 CRÔNICAS SÃO PEDRO E A SUA IGREJINHA (IV)

Por Clerisvaldo B. Chagas, 21 de agosto de 2014 - Crônica Nº 1.244

O altar-mor da igrejinha de São Pedro abriga três imagens principais. Ao centro, apresenta-se Jesus, crucificado. 

ALTAR-MOR (Foto: Clerisvaldo).

Ao lado direito do Cristo, vamos encontrar a antiga e original imagem do titular e padroeiro do bairro. No lado esquerdo, a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, comprada pelo próprio pároco, Adauto.

SÃO PEDRO (Foto: Clerisvaldo).

Mais adiante, dois outros altares, cada um de um lado, parecem pedir a senha de entrada ao visitante. À direita, Santo Antônio que manteve a tradição do seu abrigo naquele templo. À esquerda a imagem de São João que quase faz o historiador pular de alegria ao encontrá-la. É que essa imagem é do santo original da igrejinha de São João, do Bebedouro/Maniçoba. A igrejinha de São João foi construída por José Grande e seus familiares em 1917, como promessa para debelar a gripe da I Guerra Mundial que matou muita gente no mundo (livro: “O boi, a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema”, da nossa autoria). Depois de profanada, a igreja ficou ao abandono e ruiu. A imagem de São João foi recolhida e restaurada em Bom Conselho, encaminhada pelo pároco local e, hoje faz parte do acervo da igrejinha de São Pedro.

Na sacristia está a exposição de fotos com a imagem do Papa Francisco, do bispo diocesano D. Lucênio Fontes de Matos, do pároco Adauto Alves Vieira e do vigário José Paulo Rosendo da Costa.

CADEIRAS EM MÁRMORE - (Foto: Clerisvaldo).

As cadeiras dos celebrantes são de mármore negro, como de mármores são os altares e uma bela placa de agradecimento na parede, próxima às portas de entrada.

As bancas para os fiéis são de madeira, bonitas, bem feitas e conservadas como novas.

Os vitrais são coloridos e belos, as paredes revestidas com peças decoradas, piso de cerâmica, teto em PVC com motivos católicos bem como símbolos em mármores e metal dourado, formando um harmonioso conjunto de gosto apurado de quem assim o fez. Aliás, o bom gosto e a harmonia interna e externa da igrejinha de São Pedro parecem ostentar uma nave classificada como padrão de alto luxo.

SANTO ANTONIO E SÃO JOÃO COMO SENTINELAS AVANÇADAS - (Foto: Clerisvaldo).

Finalmente o santo que conquistou o Nordeste e o Brasil foi honrado com a obra merecedora que o povo santanense lhe devia desde 1915.

·         Visita e última pesquisa à igrejinha de São Pedro em 11.08.2014.

·         “Faça o que pode, com o que tem, onde estiver” (Roosevelt).


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Seis volumes da saga do cangaço.

Por Guilherme Machado

Seis volumes da saga do cangaço. Uma obra escrita pelo padre pernambucano Frederico Bezerra Maciel, ferrenho estudioso do cangaço!

Esta obra faz parte do Portal do Cangaço de Serrinha Bahia.

http://portaldocangaco.blogspot.com

Informação: O blog do Mendes e Mendes não tem certeza , mas talvez, você poderá encontrar esta coleção de livros com o professor Pereira, em Cajazeiras, no Estado da Paraíba. 

email:
 
franpelima@bol.com.br

Telefones:

83 9911 8286(Tim) – 83 8706 2819(Oi)

Ele entrega seu livro em qualquer parte do Brasil. 

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Perseguiram Lampião até que o mataram


Durante vinte anos, foram várias as investidas realizadas pelas polícias de Alagoas, Pernambuco, Bahia, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará sem êxito, até o dia 28 de Julho do ano de 1938, quando uma volante composta por 49 homens, comandada pelo Tenente PM João Bezerra da Silva, na época delegado e morador do município de Piranhas/AL, auxiliado pelo Aspirante a Oficial PM Francisco Ferreira de Melo e o Sargento Aniceto Rodrigues e mais quarenta e seis homens que faziam parte de um contingente de verdadeiros heróis, entre eles: Cabo Bertoldo, Cabo Juvêncio (irmão do afamado rastejador Gervásio da volante de Zé Rufino), Soldado Elias Marques Alencar (último membro da Volante a falecer), Soldado Panta de Godoy (matador de Maria Bonita), Soldado Zé Gomes, Soldado Noratinho, Soldado Abdom, e o destemido Soldado Manoel Marques da Silva (matador do cangaceiro Luis Pedro) famosamente conhecido pelas alcunhas de Mané Véio e Antonio Jacó. Todos munidos de fuzis e metralhadoras, conseguiram acabar de vez com Lampião e seu bando.

Tenente João Bezerra à esquerda, Aspirante Ferreira de Melo ao centro e Sargento Aniceto Rodrigues à direita 

Após dias no encalço e com informações detalhadas sobre a localização dos cangaceiros, colhidas quando o sargento Aniceto Rodrigues recebeu a informação do coiteiro 


Joca Bernardo e de um cidadão chamado Pedro Cândido, sobre a presença de Lampião na fazenda Angico, imediatamente telegrafa ao seu superior imediato, o Tenente João Bezerra, transmitindo a mensagem de forma ‘cifrada’, a fim de não levantar qualquer suspeita. 

Pedro de Cândido à esquerda - acervo João de Sousa Lima

Naquele fim de manhã, o oficial estaria com sua tropa estacionada em Pedra (hoje Delmiro Gouveia, alto sertão de Alagoas), descansando de uma ‘batida’ policial realizada em possíveis esconderijos de cangaceiros na região de Mata Grande. 

Obs.: Os três militares acima após angicos foram promovidos ao próximo posto e graduação, como forma de reconhecimento pelo grandioso feito. João Bezerra da Silva: De 1º Tenente a Capitão, Francisco Ferreira de Melo: De Aspirante a Oficial à 1º Tenente e Aniceto Rodrigues dos Santos: De 3º Sargento a Aspirante a Oficial, conforme Boletim Regimental nº 179, de 12/08/1938.

http://www.terceirobpm.com.br/p/ten-joao-bezerra.html
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Combate de Serra Grande no Estado de Pernambuco


Afirmam os historiadores que no dia 26 de Novembro de 1926 Lampião travou uma das mais intensas batalhas. Cerca de 320 policiais atacaram o grupo de Lampião que contava com 80 homens. A luta durou o dia inteiro e teve como saldo 47 soldados mortos e feridos. 

Sargento Arlindo Rocha

Um dos comandantes, sargento Arlindo Rocha, ansioso para atacar disse:

“Eu hoje quero almoçar é bala.”

Acabou levando, durante o combate, um tiro na mandíbula. De fato, almoçou bala... Ficou conhecido posteriormente como “Queixo de Prata”. 


Ao contrário do que muitos falam, Lampião e Padre Cícero tinha forte amizade, para o cangaceiro, o padre era um santo e o venerava. Padre Cícero tentou dissuadi-lo do cangaço por várias ocasiões, mas sem sucesso. Tentou também impedir que entrassem mulheres para o bando, também sem êxito por causa da perseverança de Maria Bonita.


João Bezerra, o tenente pernambucano, delegado da cidade alagoana de Piranhas, foi o depositário dos louros pelo assassinato histórico do maior de todos os cangaceiros. Depois do ocorrido, João Bezerra escreveu o livro "Como dei cabo de Lampião", mas deixou inacabadas suas memórias.

Palavras de Lampião:

“Sempre respeitei e continuo a respeitar o Estado do Ceará, porque é o Estado de Padre Cícero. Como deve saber, tenho a maior veneração por esse santo sacerdote, porque é o protetor dos humildes e infelizes”. 

O rei Lampião referindo-se a Padre Cícero quando cedeu entrevista ao médico e jornalista da cidade de Crato Dr. Octacílio Macedo em março do ano de 1926.

Fonte:
http://hid0141.blogspot.com.br/2011/01/imagens-do-cangaco.html

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A Outra Face do Cangaço


Por muitos anos, em que pese à vasta produção literária sobre a morte de Lampião e seu cangaço, pouco se falou sobre o soldado Adrião, o único a morrer no combate de angicos, ocorrido em 28 de julho de 1938.

Ainda hoje, há polêmica sobre esse assunto... E, as perguntas não querem calar: vejamo-las:

1º) teria o soldado Adrião sido morto  por balas disparadas pelos cangaceiros?

2º) teria ele sido vítima do chamado " fogo amigo”?

3º) ou, teria sido eliminado, de propósito, por algum colega no calor da refrega ?

O novo livro, recentemente lançado, “A Outra Face do Cangaço: Vida e Morte de um Praça ", de autoria  do professor pernambucano, Antônio Vilela de Sousa, procura jogar mais lenha na fogueira, e tenta, na ótica do autor, esclarecer as indagações, acima citadas...

Vamos aguardar o que os estudiosos do tema nos trarão de conclusão sobre essa obra, e, sobre esse mistério que, ainda, paira sobre o combate de angicos/SE...

http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=624939&tid=5620387310170853564

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A FALA DO SERTANEJO NOS LIVROS SOBRE O CANGAÇO (PRECONCEITO NA ESCRITA OU TRANSCRIÇÃO DA FALA?)

Por Rangel Alves da Costa*

Tenho observado alguns apreciadores e até pesquisadores do cangaço defendendo uma literatura cangaceira sem o uso dos regionalismos, sem a transcrição do falar sertanejo, sem o uso dos termos peculiares aos povos das caatingas, ao matuto das veredas espinhentas e da desolação das caatingas.

Quer dizer, não vêem com bons olhos que os autores transcrevam a literalidade da linguagem do sertanejo, nos moldes do dito pelo homem da terra, nos seus jeitos próprios de se expressar. Por consequência, a voz cabocla, tantas vezes iletrada, sem nada conhecer dos meandros gramaticais e da língua, deixaria de ecoar segundo o falado para se transformar num fraseado mais rebuscado e inteligível ao leitor. Adeus a originalidade da pronúncia.

Acerca do tema, um pesquisador do cangaço assim já se manifestou em escrito no facebook, no grupo O Cangaço: “Criou-se uma cultura um tanto estranha de escrever, em diálogos contidos em livros sobre cangaço, palavras que não são necessariamente expressões da Língua Portuguesa. Os adeptos da modalidade, dizem que este método seria usado para "preservar a fala própria do sertanejo". Será? Há algo construtivo nisto? Não vou emitir qualquer juízo de valor, mas gostaria que os interessados conhecessem a opinião de Ariano Suassuna sobre esse aspecto”.

Ariano Suassuna - revistaescola.abril.com.br

Com efeito, há um vídeo no youtube (https://www.youtube.com/watch?v=FL-qbf0udq8) onde o grande mestre da cultura nordestina fala acerca do preconceito linguístico, criticando a utilização de termos incorretos para expressar a verdadeira linguagem do povo. No seu entendimento, ao não utilizar a escrita convencional na fala dos personagens, ainda que obviamente a locução saia deturpada, se estará incorrendo em verdadeiro desrespeito ao povo. Eis o que diz Ariano:

“Uma coisa que a mim me incomoda muito como escritor é que normalmente as pessoas não distinguem muito a linguagem escrita da linguagem falada. A linguagem escrita é uma convenção (...). Tem gente que pensa diferente. Mas eu acho que existe até um preconceito contra o povo. Quando o pessoal vai apresentar um personagem popular faz questão de errar a grafia dos nomes. Olhe, a grafia é uma convenção. Ninguém fala de acordo com a grafia. Veja, por exemplo, eu sou nordestino como você, eu não digo cruz, eu digo “cruiz”; eu não digo luz, eu digo “luiz” (...). Pois bem, se a pessoa me faz personagem de uma peça ou dum conto ou dum romance, eu digo “nóis”; eu digo “cadera”, eu não digo cadeira. Mas se me botam como personagem escrevem cadeira e escrevem nós (...). Agora, se é uma pessoa do povo faz questão de botar “nóis”, “nóis vai”, não sei que. Eu acho que isso é uma falta de respeito com o povo (...)”.

Certamente que a intenção de Ariano foi criticar a premeditação do erro na grafia da fala de personagens. Tanto é assim que sempre remete a personagens fictícios. O mestre se volta, pois, contra a utilização da fala escrita com a mesma grafia da pronúncia do personagem. E a situação se torna bastante diferente quando se trata não de ficção, mas da fala real do povo, da escrita correspondente à sua fala. É preciso observar atentamente a crítica lançada por Suassuna e não trazer tal contexto para a literatura sobre o cangaço, pois se trata de uma realidade diferente.


Ao afirmar que “Criou-se uma cultura um tanto estranha de escrever, em diálogos contidos em livros sobre cangaço, palavras que não são necessariamente expressões da Língua Portuguesa”, talvez aquele participante do grupo O Cangaço (facebook) tenha incorrido em alguns equívocos. Em primeiro lugar, a Língua Portuguesa não é um repositório fechado de expressões, pois a vivacidade da língua a torna em constante transformação, com termos desacolhidos e outros que vão surgindo. Ademais, se são palavras utilizadas por determinadas pessoas não há que se dizer que são alheias à língua pátria. Quantas e tantas expressões vão surgindo que pelo uso acabam fazendo parte do vocabulário, ainda que reservadamente a um povo?

Mas a verdadeira questão vem em segundo lugar. Por mais que língua escrita não seja a fiel representação da língua falada, não é incorreto escrever utilizando-se a variação linguística de determinado povo. Pensar diferente seria desvalorizar os regionalismos e as expressões linguísticas próprias de cada comunidade. Além disso, sou levado a defender que quanto mais próxima da fala estiver a escrita mais o leitor se verá diante do falante, do meio, do contexto em que se passa o relato.

Do mesmo modo, não vejo como acerto que a escrita convencional iguale todos os falares. Ora, a obediência às convenções linguísticas não tem o poder de exigir a transcrição de uma fala de um autêntico sertanejo de forma igual ao falar de um sulista, de uma escrita geral. Diga-se ainda que seria erro do escritor, em nome da tal convenção, “consertar” o falar matuto, de modo a não soar como preconceito. Na verdade, preconceito é querer ignorar esse linguajar tão autêntico e rico.

Por isso comungo da escrita como se fala. Seria o fim do mundo o sertanejo dizer “Os cabra de Lampião arribaram sortando fogo pelas fuça”, e mais tarde eu ter de ler: “Os cangaceiros de Lampião saíram soltando fogo pelas narinas”.

Poeta e cronista
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Coronelismo e Cangaço

Coronéis 

CORONEL – A designação de coronel veio do Império, quando os grandes proprietários de terras e outros bens – para solidificar seu poderio - adquiriam comprando esse título da Guarda Nacional.

A Guarda Nacional foi criada pela lei de 18 de agosto de 1831, pelo então padre Diogo Antonio Feijó, para garantir a ordem pública, defender a Constituição, a independência, a liberdade e a integridade nacional. Esta lei substituía as antigas Companhias de Ordenações e as Milícias de Guardas Municipais, cujas foram suprimidas em 20 de dezembro do mesmo ano.

Os coronéis indicavam – por força de eleições profundamente suspeitas - os prefeitos (intendentes) das cidades ou assumiam eles próprios, arregimentavam em suas propriedades dezenas de pistoleiros – jagunços – para eliminarem quem não lesse na mesma cartilha política ou discordasse de seus interesses. Quando um coronel admitia um morador em sua propriedade não era necessário contratar-lhe os “serviços” do mesmo para ser jagunço ou pistoleiro. O fato de estar com tal coronel significava que era também um protetor armado desse mandatário. Essa atividade era inseparável da de morador ou agregado. Se houvesse mais de um coronel na cidade, mandava mais aquele que tinha mais pistoleiros, mais armas e maior disposição de brigar. No dia das eleições, seus cabos eleitorais entregavam a cédula em envelope fechado e preenchido aos eleitores e acompanhavam até o local das votações para ver se colocavam nas urnas. Era comum o voto do defunto. Muitas vezes se votava em dois municípios : de manhã em um e a tarde em outro, para o “patrão” ajudar ao “compadre” correligionário. Tudo isto era o chamado “voto de cabresto”, que ainda existe, com modificações, nos dias atuais, nos sertões.


Alguns pesquisadores chegam a dizer que Lampião fez pacto com coronéis. Isto é erro de leitura do contexto social da época. Na verdade alguns coronéis se encolheram, dobraram a espinha nos pactos, debaixo das ordens e poder de fogo do Rei do Cangaço. 

Segue os principais coronéis do tempo de Lampião – uns se dobraram e outros resistiram ao seu julgo:

De Pernambuco:

Vila Bela (atual Serra Talhada) – Antonio Pereira, padre José Kehrle, Antonio Alves do Exu e Cornélio Soares. Floresta – Antonio Serafim de Souza Ferraz (Antonio Boiadeiro). Belém – Manuel Caribe (Né Caribe). Tacaratu, Jatobá e Espírito Santo – Ângelo Gomes de Lima (Anjo da Jia). Flores – José Medeiros de Siqueira Campos, que se revezava com o Major Saturnino Bezerra, este do distrito de Carnaíba. Triunfo – Deodato Monteiro, Lucas Donato. Afogados da Ingazeira – Elpídio Padilha. Custódia – Capitão da Ribeira de Contindiba e Ernesto Queiroz. Moxotó – Antonio Guilherme Dias Lins. Buíque – Antonio Cavalcanti. Pedra – Francisco de França (Chico de França). Rio Branco (Arcoverde) – Delmiro Freire. Águas Belas – Constantino Rodrigues Lins. Cabrobó – Antonio André e Epaminondas Gomes. Salgueiro - Veremundo Soares. Belmonte – Luiz Gonzaga Ferras. Bom Conselho do Papacaça - José Abílio de Albuquerque Ávila e Francisco Martins. Leopoldina (Parnamirim) – Antonio Angelino. Serrinha (Serrita) – Frâncico Figueira Sampaio (Chico Romão). Petrolina – João Barracão e família Coelho.

Da Paraíba: 

Princesa – José Pereira Lima. Conceição – Jaime Pinto Ramalho. Misericórdia (Itaporanga) – José Bruneto Ramalho e a família Nitão. Piancó – Felizardo e Tiburtino Leite. Cajazeiras – Famílias Rolim e Cartaxo. Alagoa do Monteiro – Augusto Santa Cruz.

De Alagoas:

Água Branca – Ulisses Luna (Ulisses da Cobra). Santana do Ipanema – Manuel Rodrigues. Mata Grande – Juca Ribeiro, família Malta. Pão de Açúcar – Joaquim Resende, Augusto Machado e Elísio Maia.

Do Ceará:

Missão Velha – Isaías Arruda. Porteiras – Raimundo Cardoso. Milagres – Domingos Furtado. Barbalha – Mousinho Cardoso. Aurora – Família dos Paulinos. Juazeiro – Padre Cícero e Floro Bartolomeu. Bravo – José Ignácio. Lavras da Mangabeira – Raimundo Cardoso. Jardim – Coronel Dudé. Brejo Santo - Antonio Teixeira Leite (Antonio da Piçarra).

De Sergipe:

Francisco Porfírio de Brito, João Ribeiro, Antonio de Carvalho (Antonio Caixeiro) e Eronildes de Carvalho.

Da Bahia:

Glória – Petronilo de Alcântara Reis (Coronel Petros). Jeremoabo – Saturnino Nilo.

Do Rio Grande do Norte:

Mossoró - Coronel Antonio Gurgel e Rodolfo Fernandes.

CANGACEIROS – Os cangaceiros viveram no nordeste por aproximadamente setenta anos. De 1870 até 1940, com seus ícones: José Gomes (Cabeleira), Lucas Evangelista (Lucas da Feira), Jesuíno Alves de Melo Calado (Jesuíno Brilhante), Adolfo Meia Noite, Manoel Batista de Moraes (Antonio Silvino), Sebastião Pereira da Silva (Sinhô Pereira), Virgolino Ferreira da Silva (Lampião) e Cristino Gomes da Silva Cleto (Corisco). Viviam em grupos, saqueando cidades, vilas e fazendas, enfrentando o poderio dos coronéis e fazendeiros, desafiando a polícia e todo aparato do Estado. A palavra vem de canga, peça de madeira que prende os bois ao carro. Os cangaceiros carregavam a arma sobre os ombros, lembrando uma canga. Quem se sentisse injustiçado, sempre procurava um meio de torna-se um cangaceiro. No cangaço o ganho era bastante superior ao de qualquer outra profissão estabelecida. Além do dinheiro e jóias, frutos dos saques, tinham fama, liberdade e respeito da população, admiração das mulheres, simpatia das pessoas e rompimento com a submissão dos donos do poder. No cangaço havia respostas urgentes para as necessidades materiais dos mais pobres.

Alguns tipos de cangaceiros:

O meio de vida: Que agiam por profissão.
O Vingança: Por ética.
O Refúgio: Por defesa.

O fim do cangaço é dado com a morte de Corisco, em 1940.

Os mais destacados chefes de cangaceiros do tempo de Lampião que agiram com ele em diversos momentos, foram: Virginio (Moderno), Sabino Gomes, Luiz Pedro, Antonio de Ingrácia, Cirilo de Ingrácia, Sinhô Pereira, Antonio Rosa, Cassemiro Honório, Antonio Matilde, Azulão, Gato (de Inacinha), Zé Sereno (José Ribeiro), Pancada, Chico Pereira, Curisco, Zé Baiano, Labareda (Ângelo Roque), Massilon Leite, Sabino das Abóboras, Jararaca (José Leite), Antonio Rosa, Balão, Meia Noite, Tubiba, Bom Deveras e Baliza.

EM TEMPO: Para conhecer mais sobre LAMPIÃO, leia o livro LAMPIÃO. NEM HERÓI NEM BANDIDO. A HISTÓRIA, de Anildomá Willans de Souza.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

http://www.cabrasdelampiao.com.br/coro.php

http://historiaestudoamador.blogspot.com.br/2010/07/coronelismo-e-cangaco.html

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Secult Aurora INFORMA !


Boa Leitura: 

UMA OBRA SEMINAL SOBRE A VIDA, MORTE E MILAGRES da Mártir Francisca -'A Santa Popular de Aurora' - CE. Livro do jornalista Dellano Rios - Fortaleza-CE. 



Em que também se fez uso dos nosso trabalhos de pesquisas e artigos de opinião sobre o tema. Vale a pena lê-lo.


Fonte: facebook
Página: Do Secretário de Cultura da cidade de Aurora no Estado do Ceará - José Cícero Silva

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Lampião protesta

Foto: " ESSAS PESTES AUMENTAM TUDO" PALAVRAS DE LAMPIAO SE REFERINDO A NOTICIAS SOBRE ELE NOS JORNAIS.

Quando os jornais do Brasil e do mundo começaram a bater forte sobre a vida maldosa que levava o cangaceiro Lampião, chateado com certas coisas que os jornais aumentavam, segundo ele, disse:

" - Essas pestes aumentam tudo!"


Dona Cristina Bulhões com Sílvio Bulhões nos braços. Ele é filho dos cangaceiros Corisco e Dadá. Dona Cristina Bulhões era irmã do Padre Bulhões,  que era pai adotivo do Sílvio Bulhões. 


Outra foto de dona Cristina Bulhões, segurando nos braços o Sílvio Bulhões.

Fonte: facebook

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Três momentos dentro do cangaço

ReproduçãoLampeão: Sua História, de Érico de Almeida

A figura controversa do cangaceiro Virgolino ‘Lampião’ Ferreira, Virgolino (1898-1938) com “o” que é a maneira correta de grafar o nome verdadeiro do mais famoso e temido dos anti-heróis brasileiros de acordo com a página eletrônica (infonet.com.br/lampiao) mantida pela neta do cangaceiro Vera Ferreira, permeia os três novos lançamentos da Sebo Vermelho.


“Quem é quem no cangaço”, de Paulo Medeiros Gastão; “O Cabeleira”, de Franklin Távora; e “Lampeão – sua história”, primeira biografia sobre o cangaceiro escrita em 1926 pelo paraibano Érico de Almeida, fazem parte da Coleção João Nicodemos de Lima que chega ao volume 378. “É mais uma raridade da bibliografia do cangaço que o Sebo Vermelho reedita em edição fac-similar, para conhecimento das novas gerações”, comentou Abimael Silva sobre a biografia pioneira escrita mais de uma década antes da morte de Lampião (com “i”, segundo Vera Ferreira).

Escritor e jornalista, Érico de Almeida escreveu 14 capítulos sobre a presença de Lampião na Paraíba, Pernambuco, Ceará e Alagoas; sendo o último capítulo um depoimento do também cangaceiro Antônio Silvino (1875-1944) sobre Lampião.

Já “Quem é quem no cangaço”, do pernambucano Paulo Medeiros Gastão, 74, trata-se de uma obra referência que funciona como ponto de partida para quem quer conhecer a ‘literatura cangaceira’. O livro, originalmente publicado em 2012, traz uma vasta lista com nomes de autores de todo o Brasil que abordaram o tema em várias épocas – os potiguares Lauro da Escóssia, Juvenal Lamartine, Câmara Cascudo e Iaperi Araújo são alguns dos citados na obra.

ReproduçãoO Cabeleira, de Franklin Távora

Enquanto “O Cabeleira”, editado pela primeira vez em 1876 e que também vem em versão fac-símile, traz o cangaço para o universo urbano. Contemporâneo de Visconde de Taunay, José de Alencar, Machado de Assis e Joaquim Manoel de Macedo, o cearense Franklin Távora (1842-1888) foi um dos pioneiros do chamado romance regionalista com este romance. O livro, o primeiro registro da literatura brasileira a ter um cangaceiro como personagem central, narra as aventuras e desventuras do cangaceiro José Gomes na cidade do Recife do século 18.

“Ótima leitura para quem aprecia, detesta ou espreita o cangaço”, garante o sebista e editor Abimael Silva.

Serviço: Lançamento dos livros “Quem é quem no cangaço” (R$ 30), de Paulo Medeiros Gastão; “O Cabeleira” (R$ 25), de Franklin Távora; e “Lampeão – sua história” (R$ 25), de Érico de Almeida. Sábado (29), das 9h às 12h, no Sebo Vermelho – Av. Rio Branco, 705, Cidade Alta.
 
Fonte principal: Tribuna do Norte - www.tribunadonorte.com.br

http://sebovermelhoedicoes.blogspot.com.br/2013/06/tres-momentos-dentro-do-cangaco.html
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CARIRI CANGAÇO EM SOUSA, PARAÍBA - OS LIVROS QUE SERÃO LANÇADOS.

Por João de Sousa Lima

Os escritores João de Sousa Lima, Ângelo Osmiro e Archimedes Marques lançarão seus livros durante o Cariri Cangaço em Sousa, Paraíba.

Serão lançados os livros Lampião em Paulo Afonso, a Trajetória Guerreira de Maria Bonita, Moreno e Durvinha e Angiquinho "100 Anos de História" (de João de Sousa Lima), Lampião e Outras Histórias, de Ângelo Osmiro e Lampião contra o Mata Sete, de Archimedes Marques.
Prestigiem, divulguem!

Ângelo Osmiro e João de Sousa Lima
Escritores Archimedes Marques e João de Sousa Lima
Cariri Cangaço, Sousa, Paraíba

PROGRAMAÇÃO


Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima.
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Cangaço - Folguedo e vaquejada - Do portal do cangaço de Serrinha – Bahia.

Por Guilherme Machado

O portal do cangaço de Serrinha participa das festas tradicionais e culturais da região do Sisal, todos os anos na famosa vaquejada de Serrinha. O grupo de cangaceiros do Maracatu Atômico desfila com os seus participantes trajados a rigor.


O grupo foi formado em 19-7-2009, com o intuito de resgatar a tradição da cultura nordestina e seus personagens, a exemplo de: 

Lampião e Juriti

Virgolino Lampião, Luiz Gonzaga, Antonio Beato Conselheiro, os vaqueiros sertanejos, cavalgadas nas missas dos vaqueiros e muitos outros folguedos. 

Ganzaguinha e Gonzagão
Antonio Conselheiro

O grupo de cangaceiros do Maracatu Atômico tem como apoio o Espaço Cultural Museu Particular do Gonzagão de Serrinha.

Fonte: facebook

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André Vasconcelos recebe Título do Cariri Cangaço

Por Manoel Severo
André Vasconcelos recebe Título do Cariri Cangaço

O patrimônio das cidades pode ser percebido em sua arquitetura, seu casário, sua história, cultura e tradição, mas sobretudo, o patrimônio das cidades se encontra nas pessoas. As pessoas é que dão vida e alma, fazem as coisas acontecerem e fazem a diferença.

Quem conhece André Vasconcelos sabe do que falo. Esse Triunfense, com T maiúsculo é uma dessas pérolas de ser humano que dignificam o berço onde nasceram, moram e se esforçam para que o dia de hoje seja melhor do que ontem.

 
André Vasconcelos, Elaine e Guilherme

Jovem e talentoso gestor cultural, hoje administrador do espetacular Teatro Guarani em Triunfo, André é também o responsável pela área gastronômica do SESC - Triunfo, um dos mais sensacionais equipamentos hoteleiros e de lazer de Pernambuco. Pesquisador das coisas do sertão, artista primoroso, encontrou na música e no violão a maneira mais fácil de encantar a todos.

Homem de fé, dedicado à família, ao trabalho e aos amigos, nos permite com seu exemplo acreditar que vale a pena trilhar o caminho da retidão, do trabalho e da generosidade de espírito. André faz amigos por onde passa, com o Cariri Cangaço não foi diferente, esteve ao nosso lado desde o primeiro momento quando ainda estávamos em estágio embrionário; naquele momento veio se unir aos muitos amigos que acreditaram nesse sonho. Ao lado de Diana Rodrigues são os embaixadores do Cariri Cangaço em Triunfo. 
  
 André Vasconcelos, Manoel Severo e Diana Rodrigues
André Vasconcelos e Manoel Severo
Diana Rodrigues, Heldemar Garcia e André Vasconcelos

Por ocasião da visita da Caravana Cariri Cangaço à cidade de Triunfo, em Pernambuco, neste último mês de julho de 2014, juntamente com os confrades do GPEC, tivemos a grande oportunidade de, em ato solene passar às mãos desse grande amigo e confrade, André Vasconcelos, o Diploma de reconhecimento do Cariri Cangaço pelo seu enorme trabalho dedicado ao engrandecimento de nossa cultura, história e tradições. 

Ingrid Rebouças, Manoel Severo e André Vasconcelos

Ao final, participamos de uma proveitosa reunião de trabalho, na pauta; mais um empreendimento com a Marca Cariri Cangaço; reunindo os estados de Pernambuco e Paraíba; em 2015 os municípios de Triunfo, Santa Cruz da Baixa Verde, Princesa Isabel e São José de Princesa, serão os mais novos anfitriões do Cariri Cangaço!

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço 


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