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sexta-feira, 11 de março de 2016

LUA LUANA

Por Rangel Alves da Costa*

A maioria das pessoas certamente não conhece a história da Lua Luana nem da pessoa Lua Luana. Eu também não conhecia, até que tudo me foi repassado através de um velho.

Encontrei este velho ao acaso. Não recordo bem se em sonho, nas minhas andanças ou nas páginas antigas e amareladas de qualquer livro esquecido pelos cantos.

É uma história muito antiga, nascida num tempo esquecido, mas que até hoje brilha na força de lua grande. E ganha contornos de lenda quando a noite está mais brilhosa.

Diz a história ou lenda que Lua Luana era filha única de um pobre casal de camponeses, moradores num lugar muito distante. Existem muitos lugares assim, distantes.

Pelos arredores da moradia não havia vizinhança, não havia estrada aberta para passagem de viajantes e comboieiros, somente um andarilho ou outro se arriscava pelo lugar.

Distante de gente e do mundo, tão longe das pessoas e multidões, mas ao lado da natureza, da mataria, dos bichos do mato, das pedras grandes e da ventania do entardecer.

Era este o mundo da menina que se tornou Lua Luana. Aliás, tal nome não foi pelos pais escolhido, mas surgido por um desses acasos que muitos chamam de destino ou sina.

A verdade é que a menina nasceu e seus pais sequer pensaram num nome. Mas era tão bonita, com olhos tão aureolados e brilhosos, que mais parecia com a mais bela lua cheia.

Sem nome para ser chamada, a mãe passou a chamá-la de lua. Ouvindo a esposa chamar, o pai também se dirigia à menina chamando por lua. Mas não por muito tempo.

Por ali passou um velho pastor de cajado e solidão e bateu à porta em busca de gole d’água. Avistou a menina e foi logo dizendo: mas que criança graciosa, assim como uma Ana.

Os pais ficaram sem entender, mas a curiosidade instigou a perguntar por que Ana, já que a menina, mesmo sem nome de batismo, vinha sendo chamada de Lua.


Então o velho pastor descansou seu cajado e se pôs em rápida explicação. E disse: Que o nome de sua filha seja Lua, então. Não há nome mais singelo e cheio de luz. Lua bonita!

Porém sua filha é mais que iluminada, é graciosa, é cheia de graça, como aquela que presenteia pelo bondoso dom do coração. Eis que sua filha nasceu para a dádiva, a bondade.

Assim bondosa era Ana, aquela que deu ao mundo o profeta Samuel. Assim também era Ana, a profetisa do templo que reconheceu em Jesus o verdadeiro Messias.

E se tens uma Lua, cuja luz do olhar é também a luminescência do coração, também possuis uma Ana, esta que amanhã terá a mão estendida a todos que necessitem de luz.

Sem compreender muito bem o significado das palavras do visitante, os pais da menina desejaram maior explicação. Porém não sabiam como pedir maior aprofundamento.

O velho pastor pressentiu o que desejavam, mas logo cuidou de partir e deixar que o próprio destino trouxesse a compreensão. Assim estava escrito, e assim haveria de ser.

Assim que o velho partiu, os pais da menina ficaram imaginando acerca daqueles dois nomes: Lua e Ana. A mãe chamava a filha de Lua, mas o pai passou a chamá-la de Ana.

A menina, contudo, acostumada ser chamada de Lua desde novinha, já crescida um dia resolveu que dali em diante teria o nome que queria, mas também acataria o desejo dos pais.

Chamou os pais e explicou que daquele momento em diante seu nome completo seria Lua Luana, pois o nome significava as duas luas nos olhos e a bondade no coração.

E disse ainda: Uma lua de Lua e outra lua de Luana. E na Luana também a Ana, um nome tão gracioso que me faz lembrar um tempo de colheita boa, dadivosa.

Não inventou nada disso, pois em sonho o velho lhe trouxe o entendimento. E disse mais: mas cuidado, pois a lua não estará sempre cheia e a maldade tentará seu coração.

Completou o velho: A lua também escurece e parece perdida em meio à escuridão. Quando assim acontece, só mesmo a força na chama do coração para reacender toda a luz.

Então Lua Luana assim teve o seu destino. Na sua solidão, como não tinha a quem servir senão aos pais já envelhecidos, se pôs a serviço do diálogo com a natureza.

Quando do último adeus do último familiar, abriu janelas e portas e deixou que os pássaros entrassem para os grãos que eram espalhados ao chão.

E nunca mais houve noite sem lua pelos arredores. Sempre lua cheia, bonita, e mesmo na noite os pássaros cantando ao redor de Lua Luana.

Poeta e cronista
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BELMONTE(PE) E A COLUNA PRESTES.

Por Valdir Nogueira

Em 22 de fevereiro de 1926, num dia de segunda-feira, a cidade de Belmonte amanhecia em estado de alerta, pois notícias davam conta de que a coluna revolucionária chefiada por Luiz Carlos Prestes havia entrado em território sertanejo, tendo passado com 600 homens no dia 20 de fevereiro de 1926 próximo ao povoado de Nazaré, pertencente ao município de Floresta, sendo perseguida pela força legalista comandada pelo major Otacílio Fernandes, que ao entrar no povoado trocou tiros por engano com os habitantes.

Apesar da distância entre Belmonte e Nazaré, foi grande a confusão gerada com a notícia, resultando num verdadeiro êxodo dos belmontenses, pois as notícias de maior divulgação diziam dos propósitos dos revolucionários em destruir propriedades privadas, trazendo terror às populações nordestinas. Desse modo a cidade ficou parcialmente deserta com retirada de autoridades, comerciantes e famílias para fazendas e localidades distantes.


Á frente do Paço Municipal (Prefeitura) estava Manoel Lucas de Barros (bisavô da atual primeira dama Eliane Lins), que havia tomado posse como prefeito no dia 18 de novembro de 1925. Pelo impacto da notícia, a prefeitura reunida, em conjunto com a Delegacia de Polícia local e o delegado Jacinto Gomes dos Santos, tomou as medias e providências acauteladoras em defesa da cidade. 


Tudo porém, não foi além do susto e do tumulto causado pelas notícias, já que os revoltosos, que além da Vila de Nazaré, de Triunfo e Vila Bela, retiraram-se logo, penetrando no vizinho Estado do Ceará.

A “Coluna Prestes” que, de 1925 a 1927 andou por todo o Brasil, cerca de 25.000 quilômetros, foi o ponto culminante de um movimento militar denominado de Tenentismo. Esse movimento armado visava derrubar as oligarquias que dominavam o país e, posteriormente, desenvolver um conjunto de reformas institucionais, com o intuito de eliminar os vícios da República Velha. Não conseguiu, no entanto, atrair a simpatia da opinião pública; apenas em algumas ocasiões, cidades ou grupos de homens apoiaram o movimento e até mesmo passaram a integrá-lo.

A ideia de que o movimento cresceria em número e em força ao longo da marcha foi se desfazendo durante o trajeto na região nordeste. Num meio físico hostil, ilhada pelo latifúndio, não achou nas massas do interior o apoio necessário e alentador. Ao contrário, passou a ser o terror do sertanejo que via na passagem da Coluna apenas prejuízo e desgraça, pior ainda do que os inúmeros grupos de cangaceiros que assolavam o nordeste, pois a Coluna era composta por centenas de guerreiros bem treinados em batalhas e sob o comando de um mestre de guerrilha.

Acontece que além da questão política, estava a sobrevivência da tropa. Afinal, era um batalhão que estava em marcha, necessitando de víveres para seus integrantes. A solução era adquirir de uma maneira ou de outra nos lugares por onde passava, muitas vezes destruindo lavouras e abatendo gado e criações que iam encontrando ao longo do percurso.

Não é nossa pretensão discutir aqui o projeto político que originou a Coluna Prestes nem o resultado obtido pela mesma em sua longa macha. Queremos simplesmente retratar o fato histórico ocorrido aqui na região, mostrando que longe de atingir os seus objetivos, a “Coluna dos Revoltosos”, como ficou conhecida, deixou um rastro de medo e destruição.

Para a história, o fato possui 90 anos, existindo ainda pessoas nos lugares por onde passou a Coluna, lúcidas o suficiente para depor sobre o ocorrido.

Por Valdir José Nogueira de Moura
Colunista de cultura do Blog do Silva Lima

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta
Link: https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?fref=ts

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CONHECEU LAMPIÃO SEU CADINHO MACHADO!

Por Ana Karla Lima

Gente, está vivo ainda! Além de ter acervo ele sabe cada coisa,cada história 2016!

Fonte: facebook
Página: Ana Karla Lima

Grupo: Lampião, Cangaço e Nordeste

Link: https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?fref=ts

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CEMITÉRIO DA FAZENDA SALGADO - FLORESTA


Cemitério da fazenda Salgado. Local onde foram sepultados os corpos de Américo de Cirilo e Manoel Caetano. No dia 23 de abril de 1938, Américo Cirilo, Manoel Caetano e Luiz Ferraz foram capturados pelo subgrupo de Moreno na fazenda Morro Preto. O perigoso cangaceiro, ao entrevistar os três sertanejos, recebe uma informação de Américo que desencadeia a aversão e a ira do bando com os filhos de Floresta. A inocência de Américo resulta numa sentença cruel.

Tudo que aconteceu sobre a passagem desse carrasco de Lampião em Floresta, no livro - As cruzes do Cangaço - Os fatos e personagens de Floresta. Uma parceria com Cristiano Ferraz. Lançamento em maio, dia 26/05


Os segredos do livro As Cruzes do Cangaço - Os fatos e personagens de Floresta. 

O que representa esse senhor para a história do cangaço em Floresta.

Aos 92 anos, Manoel Ângelo Torres, carinhosamente chamado "Véio", é memória viva da passagem de Lampião na região da Tapera e do Mundé. É filho de José Ângelo Torres (Zé de Anjo). Cassimiro Gilo não estava no Ceará no fatídico dia 28/08/1926 como afirmam erradamente alguns escritores. Ele escapou da morte certa porque estava na companhia de Zé de Anjo. Véio teve um relacionamento com Luciana Jacinta Barros (Lulu) - ela estava dentro da casa dos Gilos na hora do ataque e também perdeu o seu pai, morto na terrível Chacina. Véio a época do romance tinha apenas 18 anos e Lulu 45. Desse envolvimento nasceu Nelson (Nelson de Lulu) que ainda reside na Tapera. Véio é sobrinho do temido volante Zé Freire de Itacuruba que participou do tiroteio e das mortes de Caboclo Garapu e dos cangaceiros Zé Marinheiro e Sabiá, na região visinha a Tapera, o Mundé. Esse é um dos grandes trunfos dessa história - Fazenda Tapera - O presságio de uma Chacina - escrita em 50 páginas, fora 52 fotos inéditas. Quem viver, verá. CARIRI CANGAÇO FLORESTA EM MAIO. Lançamento do livro dia 26/05, na abertura do evento.

Fonte: facebook
Link: https://www.facebook.com/marcosdecarmelita.carmelita?fref=ts

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FLORESTA É A CIDADE QUE BATIZOU CORISCO.

Por Marcos de Carmelita

Cristino Gomes da Silva Cleto, o temido Corisco ou Diabo Loiro era natural de Matinha de Água Branca - AL. 


No dia 24/08/1926, Cristino engrossa as fileiras do cangaço e se apresenta a Lampião, sendo entregue aos cuidados de José Leite de Santana, o valente Jararaca, reforçando o grande grupo de facínoras. 


No dia 28, Cristino era um dos homens na linha de frente, no terrível ataque à família Gilo da Tapera. Jararaca observava como era valente e ligeiro o novo cabra lembrando um raio. Cristino por essas qualidades recebe a alcunha de CORISCO - apelido que fez tremer o sertão nordestino, causando terror às autoridades e grandes Coronéis e o acompanhou até a sua morte em Brotas de Macaúba. Portanto o BATISMO de CORISCO foi na Fazenda Tapera dos Gilos em FLORESTA (Essas informações estão contidas no livro Corisco e Dadá, do mestre Antônio Amaury Corrêia de Araújo). 

Escritor Antonio Amaury Corrêia de Araújo

Todos os detalhes no livro - As cruzes do Cangaço - Os fatos e personagens de Floresta. Lançamento 26/05, na Câmara de Vereadores, na abertura do Cariri Cangaço Floresta 2016. 

Um trabalho de pesquisa refinado, detalhes nunca antes escritos em seus pormenores. 

Orelha do livro - Leonardo Ferraz Gominho
Apresentação - João de Sousa Lima e 
Prefácio - Frederico Pernambucano de Melo. Que chegue logo MAIO.

Fonte: facebook

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EU TE AMO

* Bárbara de Medeiros

Mais uma madrugada chegou e eu não consegui dormir por causa de uma velha amiga chamada ansiedade. Quando meu coração acelera a velocidades exorbitantes e minha cabeça gira, minha única escolha é me agarrar a um refúgio que guardo a sete chaves (e uma senha de dezessete dígitos) no fundo do meu computador, em que fotos, depoimentos e prints de conversas ajudam a me lembrar que, no fundo, no fundo, eu não sou odiada por todos que me conhecem.

(talvez pareça ridículo, mas quando eu não consigo dormir à noite o motivo normalmente é esse).

Hoje resolvi abrir uma conversa antiga com um dos melhores professores que já tive na vida – não citarei nomes porque ele sabe quem é. De todas as escolas em que já estudei, a dele foi a minha favorita, e o mais engraçado é que ele é a única coisa que eu sinto falta quando lembro dos momentos que passei lá. O resto, consigo reconhecer que “foi bom enquanto durou”, e a nostalgia não me consome e a saudade não me afoga quando penso.

Ele, ao contrário, é servido nas minhas lembranças numa bandeja de ouro com uma taça de melancolia, e a falta dele dói tanto que eu juro que sinto que falta um pedaço do meu coração.

Mas as lembranças escoam no tempo, e por mais que eu não duvide da importância que ele teve na minha vida (escolar e pessoal), não consigo lembrar grande parte dos momentos que compartilhamos. E é por isso que às três da manhã me encontro revirando as mensagens trocadas pelo Facebook há quase quatro anos (eu juro que parece que foi ontem).

Pra começar, ficou óbvio pra mim que grande parte do tempo eu, como a adolescente bipolar que era, perdi bastante tempo estando chateada com ele, provavelmente como uma forma de chamar atenção? Nossa turma foi a primeira que ele ensinou, e eu sei que o apego que eu tive por ele todas as outras meninas da sala também tiveram, e ele teve por todas nós. Mas seria exagero dizer que nós tinhamos uma conexão especial?

Minha mãe suspiraria e reviraria os olhos, lembrando-me que eu sempre tive um fetiche por professores. Por mais que ele tenha sido meu professor de história, pasmem! Eu nunca fui apaixonada por ele. Não era apaixonada por ele, como fui pelo seu antecessor e pelo seu sucessor e por tantos outros que me deram essa fama de platonicamente Lolita. Eu o amava.

Mas eu não o amava com suspiros apaixonados e sonhos acordados, com a ansiedade feliz e infantil de uma criança que imaginava ter encontrado seu príncipe encantado. Eu nunca pensei nele como um homem com quem eu poderia ter meu felizes-para-sempre, ou qualquer outra coisa que a gente imagine que é o amor e a base de um relacionamento quando se é adolescente.

Eu o amava com o fervor de uma menina encantada, apaixonada pela paixão com o qual ele ensinava nossa matéria favorita, com a habilidade que logo fez todas as quarenta meninas da sala amarem história. Eu o amava com uma preocupação lenta e constante: “Você está bem?”, “Você precisa de alguma coisa?”, “Posso te ajudar?”.

Eu o amava todas as vezes que pulava da cama ansiosa porque teríamos aula, todas as segundas e sextas, e era como se só nesses dias a vida fizesse sentido. Porque ele me entendia, me respeitava e me fascinava.

E eu não o amava como quem esperava algo dele ou de mim ou de nós, eu o amava pelo que ele representava pra mim, o mestre que não se achava nada, mas que dava tudo de si para que nós fossemos alguém.

Nós éramos o seu mundo e a realização de um sonho, e quando eu vi a decepção começar a corroer seu coração, tão jovem, tão cedo, foi como se estivesse me matando também.

Seria prepotência dizer que eu fui seu bote salva-vidas? Eu me senti assim. Eu fiz de tudo para que fosse assim.

E eu disse que o amava, todos os dias, com um abraço apertado, com um olhar encantado ou com as palavras mágicas, digitadas ou pronunciadas.

Por que é tão difícil dizê-las?

Por que é um tabu?

Porque esse homem foi importante para mim, e eu o amei, e não de uma forma sexual ou romântica, mas como uma evolução natural do processo de admiração que vivi.

Eu o amei como amo meu pai, minha mãe, meu irmão, a memória da minha avó e meus amigos mais queridos, e um monte de outros professores que vieram antes e depois dele.

E ele sabe disso.

Mas em algum momento, entre esses quatro anos que nos afastaram fisicamente um do outro, eu mudei.

E dizer “eu te amo” se tornou tão, tão difícil. Algo que a gente fala pros pais, pro irmão quando necessário, pros amigos após um momento de hesitação, pros avós porque eles precisam ouvir, e apenas raramente pra um interesse amoroso.

Nunca pra professores.

Mesmo que seja verdade, e que nosso coração esteja explodindo de amor por eles.

Porque não é apropriado.

E eu só tenho pena. Porque talvez se não houvesse o “o que ela quis dizer com isso?” e as pessoas dissessem tudo o que sentem e querem que seja dito, o mundo seria um lugar com mais amor e felicidade.

Esse texto é um desabafo longo demais, que talvez nunca seja a luz do dia, de uma menina que está prestes a completar dezoito anos e não sabe a última vez que falou que amava um professor.

Hoje, por escrito e sem citar nomes, eu gostaria de dizer.

Eu amo vocês. Muito obrigada por serem pessoas lindas, por dentro e por fora, que fazem acordar cedo valer a pena quando vejo aquele brilho de felicidade nos seus olhos, por estarem ensinando algo que gostam.

Eu amo você, primeiro professor de história que viu potencial em uma menina ignorada por todos ao seu redor.

Eu amo você, professor de inglês que hoje é amigo e que eu ainda estou descobrindo novos motivos para amar.

Eu amo você, professor de história-músico por quem eu nutri uma paixão platônica e que hoje é o fruto das minhas maiores risadas.

Eu amo você, professor de francês que deve ter sido minha alma gêmea em alguma vida passada.

Eu amo você, professora de matemática que sem sorrir na maior parte das aulas cavou um túnel em meu coração até encontrar seu lugar.

Eu amo você, professor de geografia que me ensinou mais do que eu posso colocar em papel. Sinto sua falta todos os dias.

Eu amo você, minha primeira professora de inglês. E sua morte não pode nunca tirar de mim a importância da sua vida na minha.

E eu amo você, meu último professor de história e minha última paixão platônica. Sua aula era uma peça de teatro da qual eu nunca conseguia tirar os olhos.

Espero um dia recuperar a coragem de dizer o que precisa ser dito, sem medo do que os outros pensam que eu quero obter com o que digo.

Nunca é nada demais, só uma consciência limpa e um coração um pouco menos pesado.

Porque sabe como é: tem horas que o amor transborda.

Extraído do blog do escritor e pesquisador do cangaço Honório de Medeiros - http://honoriodemedeiros.blogspot.com.br

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LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.

Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.

O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

josebezerra@terra.com.br
(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799

Pedidos via internet:

Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:

Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-834

E-mail:   lampiaoaraposadascaatingas@gmail.com

Clique no primeiro link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.

http://araposadascaatingas.blogspot.com.br/

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CAVALGADA NAZARÉ DO PICO

Gravado pelo cineasta Aderbal Nogueira
https://www.youtube.com/watch?v=-xYYI4ul_Mo

Cavalgada Nazaré do Pico
Aderbal vídeo
Publicado em 20 de julho de 2015
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A HOMENAGEM DO GRUPO ‘OFÍCIO DAS ESPINGARDAS’ A TODAS AS MULHERES SE FAZ ATRAVÉS DE UM POUCO DA HISTÓRIA DA “RAINHA DO CANGAÇO”, MARIA GOMES DE OLIVEIRA, QUE POR UMA COINCIDÊNCIA DO DESTINO, NASCEU AOS 08 DIAS DO MÊS DE MARÇO DE 1911

Maria Bonita rainha do cangaço do capitão Lampião 

Nos arredores do povoado denominado Malhada da Caiçara, hoje, município de Paulo Afonso – BA havia um casal de sertanejos, o 

José Gomes de Oliveira pai de Maria Bonita - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Sr. José Gomes de Oliveira e D. Maria Joaquina Conceição Oliveira, residindo em sua modesta casa de ‘Taipa’ na Fazenda Santa Brígida.

D. Maria Joaquina Conceição Oliveira - Dona Déa Mãe de Maria Bonita - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Viviam e convivia normalmente como qualquer família viveu nos rincões sertanejos naqueles idos tempos. Dessa união nasceram doze filhos. Nada demais se dentre eles não tivesse existido a 2ª filha, Maria Gomes de Oliveira.

Benedita - irmã mais velha de Maria Gomes  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Naquele pedaço de terra o velho Zé Gomes, criava sua família tranquilamente, como assim faziam todos que pela ribeira moravam. Não tinham luxo algum.

Antonia irmã de Maria Bonita - - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Sua segunda filha, Maria Gomes de Oliveira, nasceu no dia 8 de março de 1911. Sua infância em nada foi diferente das outras meninas sertanejas. 

Maria cresce rápido, não em estatura, mas, em amadurecimento, e muito nova, com 15 anos de idade, casa-se com Zé de Neném. José Miguel da Silva era um sapateiro que morava e trabalhava naquela ribeira. Era por todos conhecido pela alcunha de Zé de Neném. Desde os primeiros dias do casamento, Zé vivia às turras com Maria. O casal não teve filhos. Zé era estéril.

Amália irmã de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

A implicância do Zé, por várias vezes, resulta em brigas. Maria também implica. Moça nova, fogosa e arredia não deixava por menos, e dizia-lhe poucas e boas. E no, ou após, calor das discussões, Maria sempre ia refugiar-se na casa de seus pais.

Arlindo irmão de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Certo dia, por volta do ano de 1929, Lampião estava passando pelas terras da fazenda e resolve dar um pulinho na casa do velho pai de Maria.

Não era novidade alguma esse bando de cangaceiros, chefiado por Virgolino, passar na residência de Zé Oliveira. Para seguir ou voltar do coito ali próximo, Lampião tinha que passar de todo jeito por aquela paragem.

Ananias irmão de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Lampião cativava sempre os pequenos proprietários de terras. Muitos deles tinham respeito e admiração por ele. Assim como as cabrochas, desabrochando para a vida amorosa, tinham fascinação pelos cangaceiros. As suas vestes, a sua ‘liberdade’, o poder que demonstravam ter, o não medo dos ‘coronéis’, pelo contrário, alguns os serviam, e muito bem, as joias, o ouro... Em fim, tudo era fascinação, principalmente para adolescentes, um sonho, uma utopia.

Olindina irmã de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Maria, como outra mulher da região, também se sentia atraída pelo modo de vida deles.

Numa dessas visitas, a mãe de Maria Gomes, D. Déa, como era conhecida, cita para o “Capitão” a admiração que Maria, sua filha, sentia por ele. Isso chamou a atenção do lendário cangaceiro que passou a prestar mais atenção em Maria. Viu,e creio, que cupido sapecou-lhe uma de suas flechas bem no meio do coração, pois, tudo indica que o homem não tirou mais ela do quengo.

Isaías irmão de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Maria também é atingida por uma das flechas do cupido e aja sonhar estar nos braços do Capitão. Então, Virgolino, sempre encontrava uma maneira de ir, mais frequentemente, na casa dos pais de Maria. Para ver ela... Claro.

“A atração foi recíproca. A partir daí, começou uma grande história de companheirismo e (por que não!) amor”. (Folha Sertaneja)

Maria do Capitão com seus dois cães Ligeiro, de cor marrom, e o preto, Guarani - colorizada por Rubens Antonio - Benjamin Abraão

O pesquisador/historiador, João De Sousa Lima , diz que o diálogo entre Maria e Virgolino, foi mais ou menos assim:

“- Você sabe bordar? 

- Sei. 

- Vou deixar uns lenços pra você bordar e volto daqui a duas semanas pra buscar!”.

Oséas irmão de Maria Bonita -  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Lampião, com a clara intenção de ver Maria mais vezes, encomenda para ela fazer, bordar, alguns lenços de ceda. Maria, claro, que aceita a empreitada, e sem pressa alguma, começa o trabalho. Vez por outra, o Capitão tá em sua porta, para ‘ver’ se algum lenço estava pronto.

Ora, com as visitas frequentes, desperta a curiosidade da Força Policial que por ali estava. Vão à casa de Zé de Oliveira e ameaçam, batem e fazem um escarcéu da gota.

Joana irmã de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Maria, vendo a situação crítica para seus familiares, pais, irmãos e irmãs, resolve partir com o “Rei dos Cangaceiros”, na dura e sofrida vida dos fugitivos das caatingas. 

Daquele momento em diante, ela passa a viver, sentir na pele, todo o peso da “canga” que carregavam os cangaceiros.

Até 1928, Lampião não aceitava mulheres no bando, mas, quando conheceu Maria Bonita, mudou sua opinião e permitiu outras mulheres fazerem parte da horda, além da sua companheira.

José Gomes irmão de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Alguns pesquisadores citam que Maria do Capitão, ou Maria de Lampião, ou seu antigo apelido Maria de Déa, conviveu durante oito anos com Lampião. Teve uma filha, Expedita, e três abortos.

Aos 28 dias do mês de Santana do ano de 1938, na grota do riacho Angico, na fazenda Forquilha, município de Poço Redondo, SE, são assassinados Lampião, Maria e mais nove companheiros, sendo também morto o soldado Adrião.

Francisca irmã de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

A morte da “Rainha do Cangaço”, Maria do Capitão, foi uma das mais cruéis que ali aconteceu. Segundo depoimento dos médicos que fizeram a autópsia do casal, Maria Bonita, denominação que a imprensa carioca lhe dera, foi degolada viva. Vindo a ser confirmada pelo soldado volante que cortou seu pescoço. Disse o volante que ao pegar em seus cabelos, pois estava ferida e caída no chão, Maria implora, pede pela vida, mas, ele não concede que ela viva, começa então a lhe cortar o pescoço a golpes de facão. Ato que, ao iniciar-se, Maria ainda estava viva... 

Sobre as pedras do leito seco do riacho Angico, nas quebradas do sertão.

Fonte: facebook
Página: Sálvio Siqueira

Link: 
https://www.facebook.com/groups/545584095605711/?fref=ts

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MONTES E FEITOSAS...

Por Jose Bezerra Lima Irmão

As pendengas entre os Monte e os Feitosa decorreram de questões de honra e disputas por terras e poder, nos sertões dos Inhamuns, Cariri e Icó. Essas duas famílias haviam-se ligado pelo casamento de Francisco Alves Feitosa com Isabel do Monte, resultando mais tarde uma rixa familiar de cunhado contra cunhado, acrescida de disputa por terras e poder, no período da colonização. Foram tantas as mortes que o rei de Portugal teve de intervir, ordenando represálias contra os dois clãs.


Em virtude das lutas dessas famílias por anos a fio, muitos de seus membros fugiram do Ceará e foram morar em outros lugares. A cidade sergipana de Porto da Folha foi fundada por gente da família Feitosa, dali se espalhando por localidades vizinhas, em Sergipe e Alagoas. Por sua vez, muitos indivíduos dos Montes se instalaram em Penedo, Propriá Aquidabã e Carira. Um valentão chamado Manoel Monte, da fazenda Baixa do Gado, em Carira, entrou em luta com os Guedes e terminou se tornando cangaceiro, embora tivesse morada fixa em Monte Alegre e vivesse sossegado em sua fazenda Albano, na beira do Riacho do Cachorro.

A mãe do cangaceiro Antônio Silvino descendia dos Feitosa.

Os ancestrais de Virgulino, o Lampião, pelo lado paterno – família Ferreira Lima – eram também descendentes dos Alves Feitosa, da povoação de Inhamuns, à época município de Tauá, no Ceará, família antiga, dos primeiros povoadores do sudoeste do Ceará. A sesmaria de um dos patriarcas da família, Lourenço Alves Feitosa, ficava onde hoje é Cococi, atual distrito de Parambu. Seu irmão Francisco Alves Feitosa era dono da fazenda Barra do Jucá, no Vale do Jaguaribe. Vários membros da família Alves Feitosa debandaram do sertão dos Inhamuns em virtude de questões com a família Monte. Para não serem localizados pelos inimigos, muitos mudaram de nome, trocando o “Feitosa” por “Ferreira”, acrescido ora de “Barros”, ora de “Lima”. O padrinho de Anália, irmã de Lampião, foi Terto Alves Feitosa (Terto Baião, das fazendas Enforcado e Lagoa Cercada), um dos que não mudaram de nome, continuando com o “Alves Feitosa”.

O bisavô paterno de Lampião, José Alves Feitosa, passou a identificar-se como José Ambrósio Ferreira Lima. Tinha dois filhos: Antônio Ferreira Lima e João Ferreira Lima.

Antônio Ferreira Lima é o avô de Lampião. Seu nome antes era Antônio Alves Feitosa, porém passou a se identificar ora como Antônio Ferreira Lima, ora como Antônio Ferreira de Barros, ora como Antônio Ferreira da Silva, ora como Antônio Ferreira de Magalhães. Casou com uma moça do lugar Peru, na ribeira do São Domingos, chamada Maria Francisca da Chaga (dona Maria Chaga). Tiveram três filhos e duas filhas. O filho mais velho de Antônio Ferreira e Maria Chaga chamava-se João Ferreira Sobrinho, alcunhado de João Rola. O segundo filho foi José Ferreira (pai de Lampião). O terceiro chamava-se Venâncio Ferreira. Este, já adulto, se mudou para Juazeiro do Norte, onde botou uma venda (mercearia). Por motivos de doença, gastou tudo o que tinha no tratamento e foi para Picos, no Piauí.

Além desses três filhos legítimos, Antônio Ferreira Lima teve ainda um filho bastardo com uma bela jovem de olhos azuis e cabelos ruivos chamada Matilde. O filho recebeu o nome de Antônio José Ferreira e ficaria conhecido como Antônio de Matilde, ou simplesmente Antônio Matilde. Esse personagem viria a ter enorme influência na vida de Virgulino, seu sobrinho. Aí está uma síntese apertada de resultado de pesquisas que exponho no meu Lampião – a Raposa das Caatingas.

José Bezerra Lima Irmão
Pesquisador e Escritor

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