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sábado, 10 de setembro de 2016

LAMPIÃO E SEUS BANCOS INVISÍVEIS

Clerisvaldo B, Chagas, 10 de setembro de 2016 - Escritor Símbolo do Sertão Alagoano - Crônica 1.571

Nos últimos dois anos de vida, Lampião estava acuado numa faixa de terras entre Sergipe e Alagoas. Nos estados nordestinos o bioma caatinga continuava praticamente o mesmo. Imensa extensão de mata arbustiva com árvores e cactáceas, estradas poeirentas no verão, lamaçais no inverno e curvas sem fim, estavam livres de cercas e aramados. O favorecimento natural a esconderijos continuava o mesmo. O território limitado de Virgulino, contudo, entre outras causas menores, devia-se a duas grandes determinações: o avanço de rodovias e às novas estratégias de forças volantes cada vez mais ousadas contra o cangaço. Caçado ferozmente em todos os estados, Lampião jogava a última cartada em uma faixa de terras com inúmeras fazendas pertencentes a coiteiros de grande influência como juízes, políticos, comerciantes, industriais, fazendeiros, alguns chefes de volantes de Alagoas e uma rede de coiteiros menores, próximos e eficientes. Afora dois comandantes comprometidos, volantes outras em Alagoas também caçavam sem trégua o bandido, infelizmente em áreas determinadas de atuações afastadas dos coitos.


Lampião guardava o dinheiro grosso nas mãos de coiteiros de alta confiança, espalhados em pontos determinados; segredo mais bem guardado ainda do que os seus fornecedores de armas. Nos últimos dias de vida o cangaceiro saiu arrecadando joias e dinheiro desses bancos invisíveis. Ninguém sabe dizer com absoluta certeza se Virgulino deixou de passar por alguns desses tesoureiros, deixando visitas para a caminhada de passagem final. Nesse caso, sua partida deve ter feito à felicidade dos que não foram cobrados pelos depósitos do bandido. Com sua morte na fazenda Angicos a sua riqueza, a de Maria Bonita e a de Luiz Pedro, fizeram definitivamente a festa de meia dúzia dos mais espertos das volantes.

Os comandados em geral, ficaram apenas com migalhas para “o resolver” do dia a dia.

Assim, após vinte anos de saques na hora de gozar a vida civilizada com o tesouro alheio, o chefe de bando perdeu tudo numa rodada só, inclusive a vida.


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MANHÃ COM PASSARINHO E CAFÉ

*Rangel Alves da Costa

Estou no sertão. E o meu sertão é bem sertanejo mesmo, autêntico, matuto, caboclo, caipira. Aqui a seca é mais seca, o sol é mais sol, a pobreza é mais pobre, a carência é mais angustiante. Mas também tudo mais bonito: o mesmo sol da secura, a lua maior e mais bela que possa existir, a singeleza de um povo humilde e cordial, as paisagens cactáceas e os bucolismos em tudo.

Poço Redondo, sertão de Sergipe, eis o nome do meu lugar, de minha terra, do meu berço de nascimento. Acordo agora, pouco mais de quatro da manhã, no silêncio da paz, somente interrompido com o canto passarinheiro que ao longe ouço. O mato não está longe, a natureza vive a partir dos quintais. Meu pássaro, que é o pássaro de todos já despertados, canta e canta, canta e canta mais. Talvez muitos pássaros, mas a melodia sintetiza a canção.

Algumas razões fazem com que aumente o contentamento com o canto passarinheiro. O sertão era pujante em bichos nativos. Suas matarias eram repletas de nambus, codornas, seriemas, tatus, pebas, preás, veados, onças, bicho grande e bicho pequeno, de chão e de voo. A passarinhada nem se fala. Uma terra de coleirinhos, azulões, cabeças, sabiás, curiós, canarinhos, e muito mais. Mas coisa de outros tempos, de um passado já esmaecido na moldura.

Com a devastação da natureza, o ambiente natural do bicho praticamente deixou de existir. Onde não há catingueira, baraúna, angico, umburana ou qualquer pé de pau, não há como o pássaro pousar, não há como fazer seu ninho nas altas galhagens, nos tufos entre as folhagens. Também não há como levantar voo. Ora, pássaro voa de canto a outro e é o lugar de seu pouso que vai demarcando seu território. E sem o mato abundante tudo se torna difícil na sua existência. Por isso mesmo partiu em revoada.


Passarinhos ainda existem, mas quase uma raridade perante a pujança de antigamente. E tanto existem que ouço o seu canto ao alvorecer. Agora mesmo sinto pertinho o seu trinado, a sua melodia do amanhecer. Mas não será certeza de encontrá-lo no alto de pé de pau depois da porta da casa ou pelos arredores. Hoje em dia, ante a sua ausência no meio do mato, a mocidade opta por uma solução dolorosa: engaiolar a vida e o seu canto. E mesmo assim ainda cantam em cativeiro.

Uma coisa é certa, logo cedinho a rapaziada vai passando pelas ruas calmas levando gaiolas. Assim fazem numa injustificável e desumana atitude: levar o passarinho engaiolado para o pé de pau e lá, no meio da mataria, imaginar que está liberto. E, na presença de outros pássaros em liberdade, não perca suas razões de viver, o seu canto, sua melodia. O dono da gaiola vai forjando ilusão de liberdade somente para que o pássaro não entristeça de vez ao retornar às paredes de seu aprisionamento.

Assim acontece por aqui. Mas o canto passarinheiro sempre ecoa ao alvorecer. E um canto de pássaro livre, de pássaro ainda feliz, de pássaro que vem despertar e depois retorna à sua paisagem pelos arredores e mais distante. A esta hora, ainda cedinho, basta sair de casa e mais adiante sentir a força viva do despertar da natureza. Ou do que ainda resta da natureza. Mas ainda o tufo de mato, catingueiras solitárias, uma ou outra árvore ainda viva e dobrada pela idade. Daí os sons que ainda surgem, os cantos que ainda ecoam.

O passarinho continua cantando. Tão pertinho que parece ao lado de minha rede. Sigo em direção à cozinha e o canto me acompanha. Acendo o fogo para um café ainda ouvindo a melodia. Olho da janela e sinto que a manhã já se levanta. O friozinho da madrugada vai se dissipando aos poucos. O café quentinho vai trazendo o calor que terá presença o dia inteiro. Ainda de xícara à mão, abro a porta e olho ao redor.

Ouço o canto. Ainda pertinho de mim. Mas não há pássaro. Talvez seja apenas a minha memória, a minha saudade que chama aquele amanhecer de antigamente.

Escritor
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LAMPIÃO NÃO ENTROU EM MOSSORÓ

(*) José Romero Araújo Cardoso

Viciado em roubar, pilhar, estuprar e assassinar, Virgulino Ferreira da Silva foi facilmente convencido pelo cangaceiro Massilon Benevides Leites para convocar junção de forças dos maiores bandidos sertanejos, intuindo viabilizar a mais tresloucada aventura do banditismo rural sertanejo através de formidável raid dos sertões pernambucanos em direção ao Estado do Rio Grande do Norte com o objetivo de assaltar a segunda cidade potiguar.


Massilon Benevides Leite, antigo comboieiro que durante anos fez transportes de mercadorias para Mossoró, confidenciou ao chefe cangaceiro que conhecia cada beco da capital do oeste potiguar, garantindo-lhe que a cidade era extremamente pequena e que possuía agência bancária, casas comerciais, estabelecimentos de exportação e importação, inúmeras fábricas que produziam diversos bens, enfim, era rica ao extremo.

Precisava alguém realmente estar exponencialmente viciada em roubar para acreditar em tal informação de que Mossoró era uma cidade muito pequena, dispondo de tais espacializações geográficas, pois o que foi descrito por Massilon Benevides Leite a Lampião caracteriza espaço urbano sofisticado, sobretudo para àquela época, ano de 1927. 

Depois de exaustiva marcha em direção ao Estado do Rio Grande do Norte, marcada pelo uso profuso de violência inaudita, aberrante e abominável, o bando de Lampião chegou às portas de Mossoró. Era o dia 13 de junho de 1927, dedicado ao culto a Santo Antônio.

O bando atravessou o rio Apodi-Mossoró e quando Lampião pôde visualizar de forma precisa a “cidadezinha pequena” enfatizada por Massilon Benevides Leite, qual não foi a surpresa do chefe supremo do banditismo sertanejo ao constatar que havia sido ludibriado pelo falatório inconsistente e mentiroso do bandoleiro que o convenceu a empreender marcha de mais de quatrocentos quilômetros em direção ao que desconhecia totalmente, pois em sua profissão honrada de almocreve nunca esteve em Mossoró, devido ter concentrado o transporte de algodão e peles principalmente para a Pedra de Delmiro, no Estado de Alagoas.

Lampião virou bicho quando viu a dimensão espacial de Mossoró. Passou mais de meia hora analisando pelo binóculo os prováveis lugares que poderiam estar empiquetados. Concentrou-se com especial atenção na igreja de São Vicente, construída em 1919 pelos retirantes da grande seca que atingiu o semiárido naquele ano.

O chefe cangaceiro estava com muita raiva por ter sido enganado. Ordenou o inusitado, ou seja, que o bando seguisse pela atual Avenida Alberto Maranhão, justamente em direção aos pontos fortificados. O poder de liderança de Lampião era tão impressionante que os cangaceiros obedeceram sem titubear, sem nenhuma reclamação ou protesto. Agindo assim, talvez o “rei do cangaço” estivesse dando vazão à sua raiva por ter sido novamente traído.

Lampião não entrou na cidade, pois seguiu com sua guarda pessoal para o cemitério São Sebastião, onde assistiu de camarote ao combate cerrado que a população de Mossoró e os poucos militares empreenderam intuindo expulsar o atrevido bando que atacava a segunda cidade potiguar. No dia 19 de junho de 1927, no mesmo cemitério São Sebastião onde Lampião ficou protegido do intenso tiroteio, era assassinado um dos mais temidos cangaceiros do nordeste, o qual atendia pelo nome de José Leite de Santana, natural de Buíque (PE), cujo apelido no bando – Jararaca - definiu a periculosidade de sua personalidade transviada.

Do cemitério, Lampião notou que a portinhola da parte superior da estação ferroviária se abria. Era Vicente de Sabóia Filho, administrador da ferrovia, que tentava buscar ângulo de visão para ter melhor noção do que acontecia. Virgulino Ferreira da Silva escalou o brinquedinho fabricado pela indústria alemã Mauser, que havia recebido do Padre Cícero do Juazeiro, um ano antes do ataque a Mossoró, desferindo tiro quase certeiro que prostrou Saboinha em um ataque de apoplexia, não obstante não ter acertado o alvo. A bala do fuzil Mauser passou milímetros da cabeça do líder da trincheira da estrada de ferro.

Lampião era tudo que não prestava e ainda sobrava espaço para mais um pouco de desmantelo, mas não era idiota. Quando viu a coisa ficar extremamente delicada, ordenou retirada vexatória, aglutinando o bando e rumando para o Estado do Ceará, onde contava com malha proto-mafiosa dos coiteiros mais afamados do nordeste. Na verdade, o ataque foi tramado no cariri cearense, nas fazendas do famoso “Coronel” Isaías Arruda.

O governador potiguar Juvenal Lamartine invocou todas as cláusulas do convênio anti-banditismo assinado no ano de 1922 na capital pernambucana, resultando em verdadeiro desastre para o bando comandado por Lampião através de verdadeira caçada, pois dos cerca de setenta e cinco cangaceiros que atacaram Mossoró no dia 13 de junho de 1927, apenas quatro acompanharam o chefe supremo do banditismo na fuga dramática em direção ao Estado da Bahia. O restante ou estava preso ou foi morto em combate, ou ainda executado friamente, como aconteceu com Jararaca, Mormaço e Bronzeado, assassinados por ordens expressas do vingativo e irascível chefe do executivo potiguar daquela época turbulenta marcada pela violência.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto da UERN. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Contato: romero.cardoso@gmail.com.

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UM LUGAR PARA LAMPIÃO...!

( *... matéria publicada há alguns anos, pretéritos)

Cabeças do lendário cangaceiro, de Maria Bonita e de outros bandoleiros do grupo foram “ despejadas “ do cemitério Quinta dos Lázaros, em Salvador.

O lendário cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, não tem sossego nem 64 anos depois de sua morte, da de sua mulher, Maria Bonita, e de outros nove bandoleiros no esconderijo da Grota de Anjico, em Poço Redondo (SE). As cabeças do rei do cangaço, da companheira e dos cangaceiros Azulão, Zabelê, Canjica e Maria de Azulão foram "despejadas" do cemitério Quinta dos Lázaros, em Salvador, onde estavam enterradas desde 1969.

Depois de chuvas fortes no início do ano, os carneiros – gavetas em que são guardados cadáveres – com as cabeças foram, interditados pela Defesa Civil Estadual por risco de desabamento. Alertada pelo legista Lamartine Lima da possibilidade de que os restos mortais se perdessem, ajudando a sepultar de vez um pedaço da história do Brasil, a neta de Lampião, Vera Ferreira, foi ao cemitério e resgatou os vestígios dos avós. A mãe de Vera, Expedita, é a única filha de Lampião e Maria Bonita. "Acabei realizando um sonho. Essa historia de cabeça separada do corpo sempre me incomodou". O material foi levado para um jazigo da família em Aracaju. Com isso Lampião retornou ao Estado onde morreu, em 28 de julho de 1938, pelas mãos dos soldados do tenente pernambucano João Bezerra, que comandava uma volante alagoana.

O coiteiro Pedro de Cândido é o da esquerda

As volantes eram grupos móveis de policiais e civis contratados, os cachimbos, que perseguiam os bandidos pelo sertão. Traído pelos coiteiros (protetor de cangaceiros) Joca Bernardes e Pedro de Cândido, que revelaram seu paradeiro a polícia, o bandoleiro foi cercado e morto a tiros de fuzil. Maria Bonita foi degolada ainda viva. 

Joca Bernardes

As cabeças dele e dos nove companheiros foram cortadas pelos militares e expostas em várias capitais do País. Os corpos ficaram largados no esconderijo, às margens do Rio São Francisco. Posteriormente, as cabeças foram para o Museu Antropológico e Etnográfico de Salvador.

MÚMIAS

No fim dos anos 60, o filho de Cristino Gomes da Silva Cleto, o Corisco, o economista Sílvio Hermano Bulhões, de 67 anos, organizou uma campanha para enterrar as cabeças. O então professor da Faculdade de Medicina da Bahia Estácio de Lima, que depois deu nome ao museu, defendia a tese de que os restos mortais dos cangaceiros deveriam permanecer no centro de pesquisa, a exemplo das múmias Egípcias, maias e incas, para serem estudadas.

"Estácio lamentou muito a perda das cabeças porque elas ajudaram a refutar as teses do criminalista italiano Cesare Lombroso, segundo as quais as pessoas nasceriam predestinadas ao crime por conta do formato de seus crânios", diz Lamartine Lima, que acompanhou a retirada das caveiras. De acordo com ele, as pesquisas do colega mostraram que Lampião e os cangaceiros tinham crânios absolutamente normais. "Sempre tive muita admiração pelo professor Estácio, mas fui forçado a combatê-lo", relembra Bulhões, que vive em Maceió e se aposentou como professor de matemática.

Sérgia Gomes da Silva, a Dadá, companheira de Corisco, levou em 1977 os ossos do marido do Município de Miguel Calmon (BA) para Salvador e os enterrou em um túmulo no Cemitério Quintas dos Lázaros, junto a cabeça, também cortada pelos policiais, em 1940, no combate que lhe custou a vida e o fim do cangaço enquanto forma de banditismo organizado.

O economista aplaudiu a retirada das cabeças por Vera. "Se ela não tivesse feito isso, eu mesmo faria", disse. Agora, de acordo com a neta de Lampião, as cabeças deverão ser enterradas em um memorial que será erguido no futuro museu e espaço cultural que está para ser construído em Aracaju.

ESPAÇO CULTURAL

As caveiras dos outros cangaceiros continuarão no cemitério até aparecer alguém da família ou de uma instituição de estudos para resgatá-las. O futuro Museu do Cangaço terá exposição de armas, roupas e objetos dos bandoleiros, auditórios para palestras, biblioteca temática sobre o sertão e visitas periódicas de Expedita Ferreira. Que falará sobre o pai.
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LOJA MAÇÔNICA “DEUS, CARIDADE E JUSTIÇA” COMPLETA 48 ANOS


A Loja Maçônica “Deus, Caridade e Justiça” de Pombal completou nesta quarta-feira, 07 de Setembro, 48 anos de fundação.

Jurisdicionada ao Grande Oriente do Brasil, a instituição em nível local nasceu no ano de 1968 a partir do ideal de um pequeno grupo de abnegados maçons.

A primeira Diretoria Fundadora tinha como Venerável Mestre - Leopoldo Pereira de Lima, Primeiro Vigilante - José Henrique Formiga e Segundo Vigilante - Adamastor Gouveia Muniz.

Nestas quatro décadas, a loja maçônica tem contribuído com incontáveis ações em diversas áreas sendo reconhecida não só pelo seu pioneirismo, mas pela atuação fortalecida na essência filosófica, educativa e progressista da Ordem.

Uma programação está prevista para acontecer em comemoração à data efeméride no próximo dia 18 (domingo), com a presença de familiares e alguns convidados.

Ao longo do tempo as atividades maçônicas permanecem como meta de caminhada através da dedicação e fraternidade de todos os obreiros, seja em suas atividades em loja ou na vida social, acalentando os propósitos da sublime instituição.
Marcelino Neto


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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CORONEL ARCELINO DE BRITO X LAMPIÃO - (02.03.1872 - 15.07.1946+)

Material do acervo do pesquisador do cangaço Voltaseca

Dos irmãos vindos do Pajeú, Arcelino foi o que mais se destacou na política, vindo a ser agraciado com a patente de coronel da guarda nacional. Tornou-se um dos maiores proprietários de terras da região. Em suas fazendas, criava muito gado, e chegou a montar no povoado, uma usina de beneficiamento de caroá planta muito abundante na região, em sociedade com seu filho Theopompo. Foi, em decorrência dessa usina, que Ipojuca ganhou luz elétrica, mas o seu uso era restrito à fábrica e às casas do coronel e de seu filho Antonio.

Casou-se três vezes: Do seu casamento com dona Belmira (Cabloquinha), nasceram dois filhos: Theopompo e José, conhecido como seu Dé,; do segundo casamento com dona Senhorinha, nasceram Marieta, Antônio, Lourdes, Ari, Conceição, Arcelino Filho (Tica) e Armandor; do terceiro matrimonio com dona Elifía, nasceu José Sérgio.

Arcelino era homem de muitas amizades e prestígio, o seu nome tornou-se conhecido e respeitado em todo o Sertão. Nem o próprio Lampião ousou defrontar-se com o coronel Arcelino de Ipojuca.

Conta-se que no ano de 1936, o famoso cangaceiro Virgulino, o Lampião, nas suas andanças pelo sertão, certa vez, passando a algumas léguas de distância de Ipojuca, resolveu mandar um emissário para buscar dinheiro, em nome da fama de que gozava em todo Nordeste. Endereçou uma carta ao Coronel Arcelino de Britto, exigindo que lhe fosse enviado à vultosa quantia de cinco contos de réis, soma essa que representava verdadeira fortuna para a época. O coronel, pelo mesmo portador, respondeu que - só mandava dinheiro para cangaceiro se fosse com promissória avalizada pelo juiz de direito da comarca, pelo delegado de polícia e pelo padre da freguesia.

Lampião tornou a enviar outro mensageiro e, desta vez, ameaçando que, se o dinheiro não viesse, iria invadir a Ipojuca e tocar fogo em todas as fazendas do coronel.

Mais uma vez o coronel despachou o portador, apenas com uma pequena resposta verbal: 

- Diga àquele bandido que eu não tenho dinheiro para cangaceiro, e se ele quiser que venha buscar, pois eu tenho pra ele é cem cabras no rifle.

O mensageiro de Lampião deve ter constatado a coragem e a determinação do coronel Arcelino e ainda a quantidade de homens que o mesmo mantinha nas armas, pois reunindo todos, inclusive os familiares, ultrapassava os cem, e todos fortemente armados.

Lampião, como bom estrategista que era e não querendo correr riscos desnecessários, absteve-se da invasão do povoado, limitando-se a um grupo de cangaceiros ligados a ele e comandados por um cunhado seu de nome Virgínio, fazer incursões em fazendas, vilas e cidades não muito distantes de Ipojuca.

Ipojuca veio a ser um reduto intocável, e sobre ela nascera um mito, pois a própria polícia só se arriscava numa diligência por lá se o contingente de praças fosse multiplicado.

Em algumas ocasiões, a polícia chegou à Ipojuca com um caminhão cheio de soldados armados até de metralhadoras, e era visível a preocupação nos rostos dos policiais.

Em seus últimos anos de vida, o coronel Arcelino passou invalido, acometido de um moléstia de fundo neurológico, só se locomovendo amparado por dois de seus homens de confiança. Mas, mesmo prostrado, ainda era poderoso o coronel Arcelino de Britto, e recebia sempre em sua casa, grande quantidade de amigos que iam visitá-lo ou buscar algum tipo de ajuda.

E foi em julho de 1946 que coronel Arcelino entregou sua alma a Deus...
O cortejo fúnebre percorreu a pequena distância entre o povoado e o cemitério, ao som de cantos e orações, coordenados por um sacerdote franciscano.

Ipojuca se despedia do seu grande líder naquela manhã fria e nubla, deixando transparecer a dor e a tristeza em todos os presentes. Até a natureza parecia partilha da tristeza que envolvia o povoado e os seus habitantes, com a morte do coronel Arcelino de Brito.

Fonte do Livro "Ipojuca: Sua História e Sua Gente"
Autor Luiz Carlos de Britto Cavalcante
Capitulo 4 pagina 40

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CONTINUAÇÃO DO COMENTÁRIO DE LOURENÇO PAZ DE SENA SOBRE O LIVRO HISTÓRIA DA MINHA VIDA PROFISSIONAL


Continuação do comentário do jornalista, escritor e Engenheiro Agrônomo baiano, Lourenço Paz de Sena, sobre o meu novo livro, História da Minha Vida Profissional. "É muito prazeroso condensar e ampliar as informações da sua história, o livro é convidativo e estimulante para os que lhe conhece, e creio que até para quem não lhe conhece... O tempo está nos conduzindo para a velhice, mas seria bom que pudéssemos reciclar a idade e voltarmos aos 30 anos, de tempos em tempos ".

Enviado pelo professor, escritor Benedito Vasconcelos Mendes

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CURIOSIDADE SOBRE A VIDA DOS CANGACEIROS


Sempre, talvez por ser sertaneja, fui muito curiosa em relação à vida dos sertanejos, vaqueiros e cangaceiros. E, uma das coisas que sempre me chamou atenção foi a forma de usar o chapéu de couro. O sertanejo o utilizava para proteger a cabeça do sol inclemente, espinhos, chuva, além de embelezar e/ou complementar a indumentária. 


Mas os cangaceiros o usavam de forma diferente, eles, os quebrava (aba) na parte frontal e isso me deixava intrigada… 


Ao contrário do vaqueiro, nas pegas de boi, que usava o chapéu de abas curtas ou com as abas quebradas, em forma de “barco”, na frente, e eu, uma vez, por vê-lo usando o chapéu, ao contrário, formando um bico na frente, perguntei ao vaqueiro do meu avô, lá nas bandas do sertão baiano: 

- Por que você usa o chapéu dessa forma? 

Ele assim me respondeu: 

- Pra não atrapaiá quando for correr na caatinga, quando vou pegar o boi… a caatinga é muito fechada e as “bera” do chapéu, atrapaia… 

Observava, também que, o chapéu, muitas vezes servia para colocar água para beber ou banhar o animal e, também, o alimento que na maioria das vezes era geralmente seco: rapadura, farofa etc... Esse último costume, foi levado para a cidade, com a urbanização. Os peões, das obras nordestinos, utilizavam o capacete, não como EPI (Equipamento de Proteção Individual), mas como prato de comida ou para beber água.

Achei interessante esse texto e tô deixando para deleite de todos que gostam ou tem curiosidade com o tema. Lampião desceu a serra, vestido de couro e embornais, na cabeça um chapéu de couro no peito fuzil e punhal, no coração uma revolta que nunca lhe dava paz... Umburana de Cheiro

A moda de Lampião - Pollianna Milan - historia@gazetadopovo.com.br
O significado e funcionalidade de cada peça de roupa dos cangaceiros - A moda de Lampião.

Andar no sertão nordestino com uma roupa que pesava cerca de 30 quilos pode parecer loucura, ainda mais em uma época em que 80% dos deslocamentos eram feitos a pé. Mas para os cangaceiros, que não se importavam com o desconforto, com cansaço ou mesmo com a morte, o importante era se vestir bem, com uma estética tão peculiar que poderia facilmente identificá-los. Tanto foi assim que as várias camadas de roupas e acessórios que compunham o figurino de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, não perdiam em nada – no quesito peso – às armaduras dos cavalheiros medievais ou às couraças dos samurais japoneses.

“Certa vez Lampião chegou em uma cidade sergipana, entrou em um armazém e aceitou a proposta do dono do local para pesar toda a roupa e equipamentos que ele tinha pelo corpo. Chegou a quase 30 quilos, isto que ele tirou o fuzil e os depósitos [cantis] de água”, afirma o historiador Frederico Pernambucano de Mello, que lança este mês o livro Estrelas de couro: a estética do cangaço.

A obra traz 300 imagens do cangaço e 160 fotos de objetos de uso pessoal dos cangaceiros, resultado de um trabalho que Mello começou em 1997. No prefácio do livro, o historiador teve o privilégio de receber elogios do octogenário Ariano Suassuna, que explicita a vontade de ser o autor do livro.

Ao contrário de qualquer bandido ou criminoso, que deseja ocultar sua identidade, os cangaceiros usaram roupas que chegaram a beirar o carnavalesco – termo usado pela imprensa em 1928. Eram nômades, o que os “forçava” a levar tudo o que precisavam pelo corpo, em dois bornais, para viagens curtas, e quatro, para as mais longas. Eles quase proclamaram, a partir do traje, a condição de cangaceiros com muito orgulho. “Estes homens não eram puramente criminosos, tinham o pudor de se insurgir contra valores coloniais que não desejavam aceitar. A condição de insurgentes é matéria-prima para o surgimento de uma expressão de arte na qual estes ideais precisaram se materializar de modo visível”, diz Mello.

A moda do cangaço deixou raízes. O chapéu meia-lua de couro, com uma estrela no meio, lançado por Virgulino, hoje é o símbolo do nordeste brasileiro. O chapéu, que tem a aba virada naturalmente para cima quando se cavalga, durante o período do cangaço, serviu de suporte de arte (na aba iam alguns enfeites) e também de alerta: nenhum cangaceiro poderia correr o risco de ser surpreendido em uma emboscada, por isso não poderia andar com a aba abaixada escondendo os olhos.

A conta bancária também era carregada junto ao corpo: moedas de ouro 22 quilates (que chegavam a ser vermelhas e tinham quatro centímetros de diâmetro) ficavam penduradas na testeira do chapéu, assim como anéis (Lampião morreu com 30 alianças) que serviam como uma espécie de apresilhamento do lenço do pescoço, chamado de jabiraca. As calças tiveram pelo menos três modelos. Havia ainda uma perneira de couro para proteger as canelas dos espinhos e a alpercata (espécie de chinelo) de couro que era usada com meia. “Gilberto Freire, em seu livro Casa Grande e Senzala, chamou esta arte de projeção do homem, porque é uma arte que está sobre este próprio indivíduo ou é como se fosse um prolongamento dele”, explica Mello.

Um padre, conversando com os cangaceiros em 1929, chegou a ficar impressionado com a mobilidade deles: após uma espécie de acrobacia, não derrubaram nenhum dos objetos que carregavam. “Os bornais [tipo de bolsa] tinham dentro carne seca, farinha, rapadura e, para não caírem facilmente, ficavam presos. Uma alça de couro passava a três dedos abaixo do mamilo e prendia as alças laterais dos bornais. Era uma estrutura funcional que permitia aos cangaceiros combater e se embolar pelo chão durante um tiroteio ou briga sem que nenhuma das peças se desprendesse”, explica Mello.

A roupa também era uma espécie de blindagem mítica. Funcionava como um amuleto da sorte e de defesa. Quando um cangaceiro chegava em uma casa, por exemplo, a vítima do assalto não o via com bons olhos, odiava este homem, por isso os amuletos serviam como neutralizadores do mau-olhado.

Os amuletos da sorte dos cangaceiros têm origem na antiguidade e eles poderiam usar estes símbolos da maneira que bem entendessem, como expressão. Alguns chegavam a ter o signo de salomão por todo o corpo. Ele é uma estrela de seis pontas – símbolo de Israel – e significa proteção. Algumas destas estrelas sofreram alterações e poderiam aparecer bordadas nos bornais. Normalmente os cangaceiros, na composição individual, adotaram as estrelas de quatro, seis ou oito pontas.

A flor-de-lis era o símbolo de pureza e também foi usada como proteção. Havia ainda a cruz de malta – símbolo das ordens militares e religiosas portuguesas – da Ordem de Cristo e da Ordem de Santiago que, inclusive, financiaram a vinda de algumas caravelas ao Brasil. E, por último, a cruz “oito contínuo deitado”.

A costura caracteriza o homem primitivo e, ao invés de se pensar em feminismo quando se vê um homem costurando, é preciso olhar mais para a questão do arcaísmo. O indivíduo tropeiro viajava com burros levando cargas como hoje fazem os caminhões. No meio do caminho poderia perder o botão da braguilha, por isso deveria saber costurar. Já o bordado era algo para os mais privilegiados e foi um dos requisitos para os homens que queriam se tornar chefes dos subgrupos do cangaço: deveriam saber bordar e repassar o ensinamento ao grupo. Foi com Lampião que os cangaceiros passaram a usar roupas mais requintadas, com bornais forrados de bordado a tal ponto que o tecido desaparecia debaixo das linhas coloridas.

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CONTINUAÇÃO DO COMENTÁRIO DO JORNALISTA, ESCRITOR E ENGENHEIRO AGRÔNOMO BAIANO, LOURENÇO PAZ DE SENA, SOBRE O MEU NOVO LIVRO, HISTÓRIA DA MINHA VIDA PROFISSIONAL.

Por Benedito Vasconcelos Mendes

Continuação do comentário do jornalista, escritor e Engenheiro Agrônomo baiano, Lourenço Paz de Sena, sobre o meu novo livro, História da Minha Vida Profissional. 

"É muito prazeroso condensar e ampliar as informações da sua história, o livro é convidativo e estimulante para os que lhe conhece, e creio que até para quem não lhe conhece....

O tempo está nos conduzindo para a velhice, mas seria bom que pudéssemos reciclar a idade e voltarmos aos 30 anos, de tempos em tempos ".

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço Benedito Vasconcelos Mendes

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DOIS LIVROS DO ESCRITOR LUIZ RUBEN BONFIM

Autor Luiz Ruben Bonfim

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Lembre-se que se você demorar solicitá-la, poderá ficar sem ela em sua estante. Livros que falam sobre "Cangaço" a demanda é grande, e principalmente, os colecionadores que compram até de dezenas ou mais para suas estantes.

Valor: R$ 40,00 Reais
E-mail para contato:

luiz.ruben54@gmail.com
graf.tech@yahoo.com.br

Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Economista e Turismólogo
Pesquisador do Cangaço e Ferrovia

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PARA UM POUCO E OUÇA UMA CANÇÃO QUE AJUDARÁ A DESAPARECER O ESTRESSE


Trabalhas para viver e não para morrer.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço Benedito Vasconcelos Mendes

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MENSAGEM!

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Enviado pelo professor, escritor e pesquisador do cangaço Benedito Vasconcelos Mendes

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O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO

Autor Luiz Serra

Serviço
“O Sertão Anárquico de Lampião” (de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016)
Valor do livro: R$ 50,00 (Frete fixo: R$ 5,00)
Através do e-mail anarquicolampiao@gmail.com
Informações: Luiz Serra – (61) 99995-8402 luizserra@yahoo.com.br
Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com
Um dos pontos de venda avançados no sertão histórico de Cajazeiras, e do professor Francisco Pereira, que envia para todos os lugares. O e-mail de base de vendas: "franpelima@bol.com.br" 
Peça logo o seu para não ficar sem ele: Livros sobre cangaço se demorar adquiri-los ficará sem eles, porque são arrebatados pelos colecionadores.
Fontes:


https://tokdehistoria.com.br/2016/08/17/na-capital-federal-lancamento-do-livro-o-sertao-anarquico-de-lampiao-de-luiz-serra/

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POMBAL: DÉCADA DE 1970 CURINHA, TABAJARA, BIRÓ DE ONFRE E O JACARÉ DO RIO PIANCÓ.

Por Jerdivan Nobrega de Araujo

A grande pergunta: era como aquele Jacaré foi parar nas águas mansas do rio Piancó? O primeiro avistamento foi feito por alguns moleques que saltavam dos galhos da ingazeira. A notícia não foi levada muito a sério, e não chegou se quer a ser assunto na Rua do Comércio, onde as fofocas se propagavam, e muitas vezes viravam verdade nas versões de dona Maricô, Maria Deca e dona Zulima.

A semana passou o assunto foi esquecido e a rotina do rio Piancó, com suas lavadeiras, moleques brechando as meninas adolescentes desajeitadas e os vendedores de água que enchiam as suas ancoretas para, enfim, sair pelas ruas de Pombal marcando o caminho com a água que gotejava dos barris furados, até que chegassem as residências dos seus fregueses sedentos de sede.

Passa o tempo, passa tudo e o assunto já esquecido volta as manchetes da Rua do Comercio quando uma lavadeira vê passar bem a sua frente o famigerado Jacaré, e aos gritos corre para um lugar seguro. A gritaria chamou a atenção das demais lavadeiras, que já arriscavam até o tamanho do bicho. Em algumas versões chegava a “quatro metros do rabo a cabeça”.

Como desta feita tínhamos testemunhas, não havia mais como negar: existe sim jacaré vivendo nas águas do rio Piancó.

A partir daquele dia os meleques, lavadeiras e aguadores começaram a se precaver, tomando cuidado para não se depararem ou serem surpreendidos com o novo morador do rio. As sombras e galhos das ingazeiras começaram a se esvaziar, já que os pais não mais deixavam os filhos tibungarem nas águas, agora perigosas, do rio.

Desta forma, o rio Piancó, antes tão prazeroso passou a ser um local perigoso. Os mais incrédulos ainda duvidavam se de fato existia ali um jacaré, e se fosse verdade como o bicho chegou às redondezas, já que não são nativos do nosso sertão. Especulações sugiram: a história recorrente era que fora trazido por um Caminhoneiro que transportava madeira do Pará, e por maldade o largou no rio.

A verdade era que a cidade estava em pânico e havia de se fazer alguma coisa. Seu Meira, famoso pescador se juntou com mão de onça e fizeram umas batidas nas margens do rio, sem muito êxito já que o animal era fugaz, tornando-se invisível aos olhos dos pescadores bêbados.

A sorte do Jacaré mudou em certa manhã quando Biró de Onofre, Curinha e Tabajara, ao tempo que degustavam uma garrafa de cachaça a beira do rio especulavam o que aconteceria se ali nas sombras da ingazeira, de repente aparecer o famoso e indesejável morador do rio Piancó. De repente, entre uma e outra garrafa de cachaça não é que Curinha aponta para a água, e denuncia aos demais a presença do jacaré “ouvindo a conversa”?

Sem titubear, já que a cachaça não nos permite discernir entre o certo e o errado ou o perigo e a segurança, Curinha pula sobre o Jacaré que lhes responde com uma chicoteada de cauda no meio do peito quer o deixa zonzo. Vendo o amigo em perigo os dois heróis pulam na água, e começa a peleja contra o jacaré, que segundo Tabajara me falou, era novo, mas tinha muita força na cauda e se defendia heroicamente.

Por fim, o jacaré foi vencido, capturado, morto e levado como um troféu a ser exibido pelas ruas da cidade, com direito a foto dos três heróis com o animal nos braços. Festejado o ato inédito e heroico, o jacaré foi divido em três partes iguais entre Biró de Onofre, Tabajara e Curinha, para ser degustado com mais cachaça. Tabajara me disse que nunca havia comido uma carne tão ruim.


Restava ainda a explicação de onde viera aquele “dessorturdo” animal, que com certeza fizera uma longa viagem antes de se transformar em tira-gosto nas cachaçadas dos três amigos e seus convidados.

Em fim, depois de tanta especulação, a cidade teve a resposta: O jacaré pertencia a Pedro Celestino Dantas (Pedão do depósito Antártica). O animal era criado no sitio “Ramadinha”, de onde fugiu caiu nas águas do rio e acabou virando tira-gosto.

Tem ainda a versão de Pedão que dizia que o jacaré não fugiu coisa nenhuma: fora roubado por cachaceiros, e conseguiu escapar para o rio.
Ao final é a mesma coisa.

É a essa a versão, ainda não definitiva, do CURINHA, TABAJARA BIRÓ DE ONOFRE E O JACARÉ DO RIO PIANCÓ, com narração livre de quem viveu aquele momento.
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Jerdivan Nobrega de Araújo. Advogado. Escritor. Poeta. Funcionário da Empresa Brasileira de Correios e Tele´grafos em João Pessoa/PB. Pombalense radicado na capital paraibana. Membro efetivo do Grupo de Estudos Benigno Ignácio Cardoso D' Arão. 

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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LAMPIÃO E LAMPIÕES

Por Antonio Correa Sobrinho

O mais famoso dos bandidos brasileiros, e deste meu argumento excluo os praticantes, desde os tempos coloniais, do chamado “crimes de colarinho branco”, bem como desconsidero os que, no exercício de funções públicas, fardados ou não, ao longo de todos os tempos, cometeram incontáveis ilícitos, crimes, não raro, bárbaros e hediondos. Da mesma forma que deixo de levar em conta aqueles que, na governança dos povos, sem temores e sem medo de punição ou vingança, protegidos que estiveram pelas molduras do poder e pela fragilidade de suas vítimas, por interpostas pessoas agiram criminosamente, agiram absolutos sobre as coisas e sobre os direitos alheios, usurparam dos seus governados direitos, fizeram o mal contra o povo, contra os pobres e miseráveis; em nome da ordem, mataram, roubaram, dizimaram populações. 


Pois bem, o mais conhecido bandido brasileiro, penso não haver dúvida, VIRGULINO FERREIRA DA SILVA, vulgo LAMPIÃO, o “rei do cangaço”, o aterrorizante bandoleiro dos sertões nordestinos, nas quadras iniciais do século passado, abatido pela polícia alagoana, sob o comando do tenente João Bezerra, no crepúsculo da manhã do dia 28 de julho de 1938, na fazenda Angicos, no hoje município de Poço Redondo, Sergipe, personagem histórico dos mais impressionantes e fascinantes, cujo tratamento diferenciado dado a ele pelo destino, eu atribuo em boa parte, além do conjunto excepcional de sua obra de ilicitudes e de terror, ao fato de este homem, se não foi um herói, como assim não o vejo, embora o banditismo sistêmico, em qualquer organização social, diz de algo que está desequilibrado, descompensado, viveu heroicamente. Uma verdadeira saga foi o seu caminhar pela existência, porque não é fácil para qualquer ser humano, por quatro lustros vencer o desconforto, o medo, o perigo, a má alimentação, a sede, trilhar léguas e léguas de estradas, de caatingas, estar em mil lugares e praticar assaltos, saques, crimes outros, muitos deles vis, bárbaros, contra a vida, a família, a propriedade, num total desrespeito às leis, aos costumes, às convenções; e saber que estão em seu encalço forças militares e civis de sete estados nordestinos, muitas delas constituídas de perseguidores ferozes, algozes alimentados pelo ódio e pela vingança, ávidos para lhe capturarem. Contudo, a história conta que este bandoleiro, Virgulino Lampião, no seu trilhar aparentemente errante, mas apenas aparentemente, e mesmo vivendo a driblar a morte, que sempre esteve a lhe espreitar, pela mente e pelo espírito dos seus perseguidores, nunca deixou de ser o grande protagonista do banditismo sertanejo, em momento algum deixou este cangaceiro-mor de manifestar o seu inflado ego, de demonstrar a sua perspicaz inteligência, seu lado político e militar, seu pendor pelas artes; muito menos deixou de se relacionar amistosamente, de celebrar acordos, de contratar negócios, de manter laços com os simples e com os poderosos, e de curtir os prazeres da vida, promover festas, e amar. Lampião, que se fez lenda, mito, ainda hoje é sinônimo de ‘bandido perverso e sanguinário’, e foi alcunha de criminosos do passado, como um Zé Luiz, o “Lampião da Paraíba”; Agenor Gomes da Silva, apelidado de “Perigo”, o “Lampião dos Subúrbios” do Rio de Janeiro; Adão Rockemback, o “Lampião da Serra”, no sul do Brasil; Manoel Francisco de Lima Filho, o “Lampião de Angra dos Reis”; Mario Alonso, o “Lampião Mineiro”; Aníbal Vieira de Andrade, o “Lampião Paulista”; e “Lé”, Cipriano Moreira, o “Lampião do Sul”. São tantos Lampiões, mas só Virgulino Ferreira da Silva foi escolhido pelo destino para ser o Pelé dos bandidos brasileiros, ao lado do seu êmulo, mas menos conhecido, Antônio Silvino, meu xará.

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