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sexta-feira, 2 de março de 2012

O Poço do Nêgo e a Caravana Cariri Cangaço

Por: Manoel Severo
Manoel Severo Gurgel Barbosa
 
O Poço do Nêgo e a Caravana Cariri Cangaço
Rio "seco" Poço do Nêgo
O rio Poço do Nêgo divide os municípios de Serra Talhada e Floresta; a segunda morada da família Ferreira, logo após o episódio da prisão de Levino em Floresta, os embates com o desafeto José Saturnino e a forçada partida da Passagem das Pedras, fica bem ali, quase às margens do rio, cerca de 2 km do centro de Nazaré. Nosso anfitrião, Ulisses de Sousa Ferraz nos guiava com o passo firme dos abnegados perseguidores nazarenos na direção do sítio onde estiveram Virgulino, Antonio e Levino, antes de se entregarem totalmente à vida cangaceira. Era cerca de 16 horas da quarta-feira de cinzas...
Caravana Cariri Cangaço-GECC rumo ao que restou da Casa da fazenda Poço do Nêgo
O grande e velho umbuzeiro, os faxeiros, xique-xique, o velho cavalo pardo pastando por entre uma pequena manada de cabras eram as únicas testemunhas daquele que foi um dos cenários marcantes do inicio da vida e dos confrontos entre os filhos de Zé Ferreira e os valentes nazarenos, entre esses; Os irmãos Flor: Euclides, Afonso, Hildbrando, Manoel e Odilon; Manoel Neto, João Gomes Jurubeba, David Jurubeba e tantos outros bravos que se tornaram lenda ao longo da campanha contra o cangaceirismo, estar ali era como se tivéssemos voltado no tempo.
O anfitrião Ulisses Ferraz e as ruinas da casa...
Pedro Luiz e a gravação para o Documentário da Caravana
Aderbal Nogueira e Ulisses Ferraz
Neste local se erguia a casa do Poço do Nêgo
Da velha casa da família restou apenas o abandono e as ruínas pontuadas pelo amontuado de tijolos soltos em meio à caatinga. Do Poço do Nêgo os irmãos Ferreira partiram para o desafio mais duro de suas vidas, o desafio do cangaço e como ponto de partida seus mais ferrenhos inimigos: Nazarenos.
Manoel Severo
Cariri Cangaço

domingo, 7 de agosto de 2011

Fazenda Poço do Negro - Por: Ana Lúcia


Professora Ana Lúcia na fazendo Poço do Negro

Professora Ana Lúcia, em visita à famosa Poço do Negro. 

Recentemente visitei a cidade de Floresta e resolvi também fazer uma visita especial ao senhor

http://www.interjornal.com.br/fotos/imgnot_8242456_1_norm.gif

João Gomes de Lira, morador importante da famosa vila de Nazaré. Ex- soldado da Polícia Militar de Pernambuco que, junto com outros soldados nazarenos, combateu Lampião e seu grupo com muita valentia. 

http://ternoechinelo.com.br/wp-content/uploads/2011/07/maria-bonita3.jpg

Uma pessoa muito querida e respeitada por todos. O povoado de Nazaré foi um dos lugares de muitas escaramuças praticadas por este terrível bandoleiro.
Alguns quilômetros da vila de Nazaré, dentro de um cercado particular e ao lado de um assentamento, encontra-se a Fazenda Poço do Negro ou, o que restou dela; que foi a primeira residência dos Ferreira após uma apressada mudança de Serra Talhada. 

http://1.bp.blogspot.com/_r2By3wEWqjc/SefV1OnnzhI/AAAAAAAAACo/3vHjemUokfQ/s1600/jose-saturnino-de-barros.jpg

Vieram para Nazaré fugindo das contendas do vizinho, o então inimigo Zé Saturnino, buscando um pouco de paz. O que não aconteceu.


Poço do Negro está abandonada. Esta foi à constatação que fiz logo ao entrar no antigo território dos Ferreira. Ao lado observa-se o pé de umbu-cajá plantado por Lampião, assim atribuída a ele esse feito, com suas folhas caindo sendo levadas pelo vento, amareladas, de tronco envelhecido pelo tempo, o que é natural, mas viva, bem viva, e de frente as ruínas da casa de tijolos grandes e vermelhos que o tempo também se encarregou de levar, de desfazer. Alguns objetos da casa foram levados como forma de “lembrança histórica,” como pilão, ralador, moedor e até talheres e copos deixados por eles numa segunda mudança para Alagoas, assim dizem os antigos moradores sobre este fato. Do outro lado, observa-se a Serra do Pico em que Lampião por muitas vezes ao avistá-la, guiava seus rumos por este sertão.
Poço do Negro merecia ser preservada, merecia que pessoas compromissadas com a História do Brasil mantesse este importante Sítio Histórico de pé, é muito triste quando vimos uma parte relevante de uma época sendo esquecida e desprezada, sabemos o quanto é complexo este processo de preservação, por isso, é sempre bom conhecermos mais, valorizarmos mais, participar e divulgar esse lado da História de forma sensível e dinâmica.

Abraço a todos do Cariri Cangaço,
Professora Ana Lúcia


Extraído do "Cariri Cangaço"