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terça-feira, 12 de março de 2024

O RESPEITADO COITO DO CAPITÃO LAMPIÃO FOI BAGUNÇADO PELOS CANGACEIROS.

  Por José Mendes Pereira

Adquira este através deste e-mail: rangel_adv1@hotmail.com

Segundo o escritor e pesquisador do cangaço, da cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, Alcino Alves Costa, afirma em seu livro: "Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angico", que o rei do cangaço Lampião era obcecado pelas redondezas de Poço dos Porcos, em um riacho chamado Jacaré. E costumeiramente fazia o seu merecido descanso por lá. Sua Central Administrativa estava localizada nas imediações do rio São Francisco e de Poço Redondo. No período em que isto aconteceu, já fazia dias que o rei Lampião e a sua respeitada saga estavam guardados e bem protegidos naquele amado lugar.       

Cuidadoso com o seu arsenal de armas, o rei já falava que ele precisava de uma manutenção urgente, para olear as partes metálicas, ensebando algumas peças de couro e outros mais. E também, precavido com as suas riquezas, isto é, suas joias, solicitou à presença de um afamado ourives, um senhor chamado Messias, para fazer reparos.
                                  
Era do costume, vez por outra, alguns fabricantes de joias faziam reparos nas suas jóias e de toda cangaceirada. Em especial, as da majestade e as da sua amada rainha Maria Bonita.


Assim que o Messias recebeu o convite, sentiu-se honrado, e bastante honrado. E não querendo ir sozinho até ao reino da majestade, para atender a sua solicitação, convidou o coiteiro Manoel Félix, para acompanhá-lo. Este se deu pronto, e de imediato chamou o seu irmão, o Adauto, para juntos irem até a corte do respeitado rei.

O coiteiro de Lampião - Mané Félix - lampiaoaceso.blogspot.com

O Poço dos Porcos havia recebido um grande colégio de cangaceiros, com uma quantidade de mais ou menos de setenta perigosos asseclas. E lá, o divertimento era de várias formas para alegrarem os seus sofridos corações. Uns jogavam cartas, outros bebiam, outros dançavam ao som do fole, tocado pelo cangaceiro Balão, e o Zabelê, que também era considerado um grande e talentoso poeta, interpretava as suas velhas e bem rimadas canções.

Fotos do cangaceiro Balão

Lampião que se encontrava deitado lá na sua Central Administrativa, sem sair de dentro, e não gostando daquele fuzuê, reclamava os festeiros, dizendo-lhes que deixassem de tanta bagunça, pois aquela anarquia dava uma boa pista para as volantes. Mas os asseclas não lhe davam a mínima atenção. Continuavam bagunçando o coito do rei.

O Messias e os dois irmãos haviam chegado ao coito, no momento em que os asseclas faziam a festança. A malta continuava usando um bordão, “Dança Gavuzinho! Dança Gavuzinho!”, sendo este dirigido ao cangaceiro Juriti, que se requebrava diante dos amigos para fazer graça.

Lampião, o cão e o cangaceiro Juriti

Assim que o cangaceiro Juriti acompanhado do cão de Lampião viu o ourives e os dois irmãos, tomou-lhes a frente, fazendo graça e se requebrando. Adauto tentando ultrapassar para se desviar dele, a bolsa que no momento conduzia em uma de suas mãos, atingiu a cabeça do cachorro de Lampião, ferindo-o de imediato.

O cão ficou uivando como se estivesse pedindo a Lampião que vingasse aquela maldade feita contra ele. E seringadas de sangue saíam por uma das suas orelhas. Temendo ser justiçado por Lampião, Juriti gritou que tinha sido o Adauto que ferira o cachorro.

E como uma fera, Lampião agarrou o seu amado e perverso mosquetão e partiu para cima do pobre homem. O coitado esmoreceu de repente, e não sabia o que fazer.           

Maria Bonita

Maria Bonita, como sempre, protetora dos inocentes, agarrou-o, implorando que tivesse paciência, pois não se matava um homem, só porque tinha ferido um cachorro. E ainda lhe dizia que ele parecia que tinha enlouquecido.

Maria Bonita foi a grande sossega leão de Lampião, pedindo-lhe que não fizesse tantas maldades contra as pessoas. Algumas vezes, ele ficava nervoso com coisas banais, e com essa fúria, além do normal, ela estava sempre ao seu redor para evitar tamanha atrocidade. Ela sabia que muitas vezes, as suas maldades eram justas. Mas outras, praticava pela natureza cruel que ele era dono. Se ela não tomasse as dores de alguém para si, Lampião se tornaria um bandido sem causa e sem ética.           


Assim que Lampião violentou Adauto, o seu amigo e fiel companheiro, o Luiz Pedro, correu e o colocou sobre sua proteção, amparando-o em suas costas.

Cangaceiro desconhecido, Neném do Ouro, Luiz Pedro e Maria Bonita

E de lá, ficou acalmando a suçuarana humana, pedindo-lhe que não se estressasse, deixasse o rapaz aos seus cuidados. E ainda lhe dizia: 

“- Não faça isto, compadre! não faça isto!...”.

Mas Lampião estava fora de si.  Queria matá-lo por ter ferido o seu cachorro, que para ele, era como se fosse um amado filho. E ainda dizia: 

“- Olhe o sangue, Maria! Olhe o sangue Maria, no bichinho!”.

Diz o escritor Alcino Alves que o ourives Messias, com medo de ser morto, não suportando as agressões de Lampião, querendo matar o coiteiro, desmaiou.

Manoel Félix não esperou que a suçuarana se acalmasse. Correu em direção ao seu animal, que estava amarrado em uma árvore. O que ele desejava no momento era sair de lá o mais rápido possível. O pior foi que o animal estava preso à árvore, e não podia sair do local. Quanto mais ele açoitava, mais o apanhador se encolhia, mostrando-lhe que se não o soltasse, ele não iria para lugar nenhum. O medo de Manoel Félix foi tão grande, que não percebeu que o pobre do animal não saía do local porque ainda estava amarrado. E só notou momentos depois, quando tudo havia passado.

Luiz Pedro e Maria Bonita foram grandes protetores de Adauto. Lampião cheio de ódio apontou a sua arma para o coiteiro. Mas o compadre se adiantou dizendo-lhe: 


“- Não faça isto compadre, não faça isto!...”. 

E até que enfim, Lampião se viu dominado pelos conselhos de Luiz Pedro e Maria Bonita.

Conta ainda Alcino Alves que tempo depois, foi que Messias deu sinal de vida. Mané Félix, só se deu conta de que o jumento estava no mesmo lugar, quando alguns asseclas o rodearam, zombando do medo que ele teve da suçuarana. Lampião havia endoidecido. E não queria perdoar a maldade que sem querer, Adauto fizera contra o seu amado cachorro.

Fonte de pesquisas:
Livro: Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico
Autor: Alcino Alves Costa

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CARTA RARA PARA OS AMIGOS...

 Guilherme Machado pesquisador /historiador.

Mais uma carta rara para os amigos. Em 1926, mais precisamente dia 4 de março, Lampião e mais 49 companheiros chegam ao Juazeiro do Norte-CE. O delegado local, José Antônio do Nascimento tenta agrupar um regimento para combater Lampião. Mas, é impedido pelo Padre Cícero e Lampião acaba sabendo desta traição e escreve uma carta para o delegado. Segue a transcrição (não sei se está certa):

Ilmo, José Antônio

Eu lhi faço este, até não devia mi sujeitar a ti escrever porem sempre mando ti avizar pois eu soube qui no dia que cheguei ahi na fazenda esteve prompto para vir mi voltar porem eu sempre lhi digo qui voce crie juizo, e deixi de violências, a pois eu venho chamado é por home, mesmo asim, com zuada não mi faz medo. Eu tenho visto é couza forte, e não me asombra, portanto deve e tratar de fazer amigos não para fazer como diz voce. Sempre lhe avizo, qui é para depois não se arrepender e nada mais não se zangue, isto é um conselho que lhe dou.

Do Capitam Virgulino Ferreira da Silva.

Fonte. Robério Santos.

https://www.facebook.com/groups/893614680982844/?multi_permalinks=2156657834678516%2C2155473158130317&notif_id=1709983852072615&notif_t=group_highlights&ref=notif

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LAMPIÃO E MARIA. 1936, POR BENJAMIN ABRAHÃO. FICARIA LINDA ESTA FOTO COLORIDA.

 Por Robério Santos

https://www.facebook.com/groups/893614680982844/?multi_permalinks=2156657834678516%2C2155473158130317&notif_id=1709983852072615&notif_t=group_highlights&ref=notif

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COM GEORGE LISBOA E ANTÔNIO AMAURY.

Por João de Sousa Lima.

George Lisboa foi o homem que recebeu. Delmiro Gouveia o telegrama TEM BOI NO PASTO, se referindo a Lampião na região próxima a Piranhas.

Ele foi casado com uma irmã de Chiquinho Rodrigues, o homem que defendeu Piranhas do ataque do cangaceiro Gato.

https://www.facebook.com/groups/893614680982844/?multi_permalinks=2156657834678516%2C2155473158130317&notif_id=1709983852072615&notif_t=group_highlights&ref=notif

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FOTO EXTREMAMENTE RARA...

 Por Helton Araújo

Foto extremamente rara do bando de Mariano, apesar da péssima qualidade é possível identificar dois cangaceiros. Em pé da esquerda para direita, sendo o terceiro, trata-se do cangaceiro Criança lll, ao seu lado da esquerda para direita, está o chefe Mariano.

Na fileira de baixo da esquerda para direita, sendo o segundo abaixado, muito me lembra o cangaceiro Santa Cruz ( mas é achismo de minha parte ).

Foto tirada nas proximidades da cidade alagoana de Pão de Açúcar, em 1936.

E aí, já tinham visto ?

https://www.facebook.com/groups/414354543685373/?multi_permalinks=934611958326293%2C933256725128483%2C933233988464090%2C931552981965524&notif_id=1709747952895511&notif_t=group_activity&ref=notif

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OS MELHORES AMIGOS DOS CANGACEIROS

 Por Paulo Goethe

Em suas andanças por sete estados do Nordeste, Virgulino Ferreira da Silva era manchete constante nos jornais da região de 1920 – quando entrou para o bando de Sinhô Pereira – até a sua morte em 28 de julho de 1938, na grota de Angicos, em Sergipe. Até terminar seu reinado, o mais famoso bandoleiro brasileiro perdeu muitos companheiros de lutas, homens e mulheres que certo ou tarde eram atingidos pelas balas disparadas pelas volantes, forças policiais móveis formadas por sertanejos iguais em tudo na vida.

O Diário de Pernambuco, graças aos seus correspondentes em toda a região, registrou esta luta em detalhes. Tanto que, em 30 de maio de 1935, há 81 anos, informava aos seus leitores com destaque que Lampião havia sofrido uma grande perda em Tacaratu, após combate com o grupo do tenente Manoel Netto. Dourado, o cão de estimação do cangaceiro, foi varado por uma bala de fuzil disparada por um soldado que ia ser atacado pelo animal feroz, um legítimo Boca Preta Sertanejo, raça nordestina que já era criada pelos índios antes da chegada dos portugueses e hoje é objeto de estudos da Embrapa.

Segundo o Diário, Dourado “ostentava uma custosa coleira com incrustações a ouro e prata”. Amante dos cachorros, Lampião sempre procurou ter estes animais ao seu lado. Um ano depois da perda de Dourado, ele foi fotografado e filmado por Benjamin Abrahão, o libanês ousado que depois virou o personagem principal do filme “O baile perfumado”, ao lado de dois cachorros, Ligeiro (mais claro) e Guarani (mais escuro). Os cães estavam à vontade, sendo até acariciados por Maria Bonita. Ligeiro foi morto a bala. Quando Lampião foi emboscado em Angicos, sobre Guarani, o único que estava com o bando de nove homens e duas mulheres, há duas versões: foi morto junto aos cangaceiros ou adotado por um soldado da polícia de Maceió.

Em dezembro de 1931, em um cerco no Raso da Catarina, na Bahia, Lampião já havia perdido um cachorro atingido na barriga pelas volantes lideradas pelos oficiais do Exército Ladislau, Liberato, Manuel Arrudas, Luís Maranhão e Osório Cordeiro. Os cães, para os cangaceiros, eram companheiros de lida, mas nada amestrados. Os pesquisadores ainda se dividem se eles realmente tinham realmente a função de alertar.

A relação de Lampião com os cachorros vem de antes da sua entrada no cangaço. Em uma das histórias do início da briga da família de Virgulino Ferreira da Silva e o vizinho José Saturnino, em Serra Talhada, consta que um morador da fazenda do inimigo do futuro cangaceiro teria ido reclamar da invasão do pasto pelo gado dos Ferreira. Um dos seus cachorros teria matado um cachorro de Virgulino. Lampião, segundo o sertanejo João Alves Feitosa, em depoimento em 1973, citado no livro “Lampião, senhor do sertão: vidas e mortes de um cangaceiro”, da francesa Elise Grunspan-Jasmin, disse que Lampião ficou “bastante agostado”. Foi quando resolveu acertar as contas com Saturnino e sua turma e sua peleja sangrenta começou.

O tema dos animais de estimação dos cangaceiros ainda é periférico nos estudos deste fenômeno nordestino. Graças aos registros fotográficos deixados pelo bando de Lampião e seus seguidores – Corisco também é visto com a sua cadela malhada Jardineira – eles acabaram se tornando divulgadores involuntários da raça Boca Preta Sertanejo, descrita com detalhes por Graciliano Ramos no romance “Vidas secas”. Sim, Baleia tinha parentesco com Dourado, Ligeiro, Guarani, Juriti e Seu Colega, os cães de verdade dos cangaceiros. Eram animais bons “de gado, de caça e de raposa”. E de histórias também.

https://blogs.diariodepernambuco.com.br/diretodaredacao/2016/05/10/os-melhores-amigos-dos-cangaceiros/

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O RESPEITADO COITO DO CAPITÃO LAMPIÃO FOI BAGUNÇADO PELOS SEUS CANGACEIROS.

 Por José Mendes Pereira

Adquira este através deste e-mail: rangel_adv1@hotmail.com

Segundo o escritor e pesquisador do cangaço, da cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, Alcino Alves Costa, afirma em seu livro: "Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angico", que o rei do cangaço Lampião era obcecado pelas redondezas de Poço dos Porcos, em um riacho chamado Jacaré. E costumeiramente fazia o seu merecido descanso por lá. Sua Central Administrativa estava localizada nas imediações do rio São Francisco e de Poço Redondo. No período em que isto aconteceu, já fazia dias que o rei Lampião e a sua respeitada saga estavam guardados e bem protegidos naquele amado lugar.       

Cuidadoso com o seu arsenal de armas, o rei já falava que ele precisava de uma manutenção urgente, para olear as partes metálicas, ensebando algumas peças de couro e outros mais. E também, precavido com as suas riquezas, isto é, suas joias, solicitou à presença de um afamado ourives, um senhor chamado Messias, para fazer reparos.
                                  
Era do costume, vez por outra, alguns fabricantes de joias faziam reparos nas suas jóias e de toda cangaceirada. Em especial, as da majestade e as da sua amada rainha Maria Bonita.


Assim que o Messias recebeu o convite, sentiu-se honrado, e bastante honrado. E não querendo ir sozinho até ao reino da majestade, para atender a sua solicitação, convidou o coiteiro Manoel Félix, para acompanhá-lo. Este se deu pronto, e de imediato chamou o seu irmão, o Adauto, para juntos irem até à corte do respeitado rei.

O coiteiro de Lampião - Mané Félix - lampiaoaceso.blogspot.com

O Poço dos Porcos havia recebido um grande colégio de cangaceiros, com uma quantidade de mais ou menos de setenta perigosos asseclas. E lá, o divertimento era de várias formas para alegrarem os seus sofridos corações. Uns jogavam cartas, outros bebiam, outros dançavam ao som do fole, tocado pelo cangaceiro Balão, e o Zabelê, que também era considerado um grande e talentoso poeta, interpretava as suas velhas e bem rimadas canções.

Fotos do cangaceiro Balão

Lampião que se encontrava deitado lá na sua Central Administrativa, sem sair de dentro, e não gostando daquele fuzuê, reclamava os festeiros, dizendo-lhes que deixassem de tanta bagunça, pois aquela anarquia dava uma boa pista para as volantes. Mas os asseclas não lhe davam a mínima atenção. Continuavam bagunçando o coito do rei.

O Messias e os dois irmãos haviam chegado ao coito, no momento em que os asseclas faziam a festança. A malta continuava usando um bordão, “Dança Gavuzinho! Dança Gavuzinho!”, sendo este dirigido ao cangaceiro Juriti, que se requebrava diante dos amigos para fazer graça.

Lampião, o cão e o cangaceiro Juriti

Assim que o cangaceiro Juriti acompanhado do cão de Lampião viu o ourives e os dois irmãos, tomou-lhes a frente, fazendo graça e se requebrando. Adauto tentando ultrapassar para se desviar dele, a bolsa que no momento conduzia em uma de suas mãos, atingiu a cabeça do cachorro de Lampião, ferindo-o de imediato.

O cão ficou uivando como se estivesse pedindo a Lampião que vingasse aquela maldade feita contra ele. E seringadas de sangue saíam por uma das suas orelhas. Temendo ser justiçado por Lampião, Juriti gritou que tinha sido o Adauto que ferira o cachorro.

E como uma fera, Lampião agarrou o seu amado e perverso mosquetão e partiu para cima do pobre homem. O coitado esmoreceu de repente, e não sabia o que fazer.           

Maria Bonita

Maria Bonita, como sempre, protetora dos inocentes, agarrou-o, implorando que tivesse paciência, pois não se matava um homem, só porque tinha ferido um cachorro. E ainda lhe dizia que ele parecia que tinha enlouquecido.

Maria Bonita foi a grande sossega leão de Lampião, pedindo-lhe que não fizesse tantas maldades contra as pessoas. Algumas vezes, ele ficava nervoso com coisas banais, e com essa fúria, além do normal, ela estava sempre ao seu redor para evitar tamanha atrocidade. Ela sabia que muitas vezes, as suas maldades eram justas. Mas outras, praticava pela natureza cruel que ele era dono. Se ela não tomasse as dores de alguém para si, Lampião se tornaria um bandido sem causa e sem ética.           


Assim que Lampião violentou Adauto, o seu amigo e fiel companheiro, o Luiz Pedro, correu e o colocou sobre sua proteção, amparando-o em suas costas.

Cangaceiro desconhecido, Neném do Ouro, Luiz Pedro e Maria Bonita

E de lá, ficou acalmando a suçuarana humana, pedindo-lhe que não se estressasse, deixasse o rapaz aos seus cuidados. E ainda lhe dizia: 

“- Não faça isto, compadre! não faça isto!...”.

Mas Lampião estava fora de si.  Queria matá-lo por ter ferido o seu cachorro, que para ele, era como se fosse um amado filho. E ainda dizia: 

“- Olhe o sangue, Maria! Olhe o sangue Maria, no bichinho!”.

Diz o escritor Alcino Alves que o ourives Messias, com medo de ser morto, não suportando as agressões de Lampião, querendo matar o coiteiro, desmaiou.

Manoel Félix não esperou que a suçuarana se acalmasse. Correu em direção ao seu animal, que estava amarrado em uma árvore. O que ele desejava no momento era sair de lá o mais rápido possível. O pior foi que o animal estava preso à árvore, e não podia sair do local. Quanto mais ele açoitava, mais o apanhador se encolhia, mostrando-lhe que se não o soltasse, ele não iria para lugar nenhum. O medo de Manoel Félix foi tão grande, que não percebeu que o pobre do animal não saía do local porque ainda estava amarrado. E só notou momentos depois, quando tudo havia passado.

Luiz Pedro e Maria Bonita foram grandes protetores de Adauto. Lampião cheio de ódio apontou a sua arma para o coiteiro. Mas o compadre se adiantou dizendo-lhe: 


“- Não faça isto compadre, não faça isto!...”. 

E até que enfim, Lampião se viu dominado pelos conselhos de Luiz Pedro e Maria Bonita.

Conta ainda Alcino que tempo depois, foi que Messias deu sinal de vida. Mané Félix, só se deu conta de que o jumento estava no mesmo lugar, quando alguns asseclas o rodearam, zombando do medo que ele teve da suçuarana. Lampião havia endoidecido. E não queria perdoar a maldade que sem querer, Adauto fizera contra o seu amado cachorro.

Fonte de pesquisas:
Livro: Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico
Autor: Alcino Alves Costa

http://blogdomendesemendes.blogspot.com