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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

As mulheres....E a ilusão do Cangaço

Org. por Aderbal Nogueira

Minha opinião sobre a vida no cangaço: " Uma vida miserável " em todos os sentidos. Sofrimento físico, privações básicas, violência extrema, fome, sede, etc. Para as mulheres, então? Dessa vez não sou eu quem digo, são alguns dos próprios sobreviventes. Não endeuso cangaço, eu estudo o fenômeno do cangaço. Escutem com atenção os depoimentos e vejam a diferença entre o que eles dizem da situação no cangaço e muito do que já foi escrito.

Ao reler o livro "Sila, uma cangaceira no Divã" de Daniel Lins encontrei uma citação da biografada que retrata exatamente o que chamo de "A ilusão do cangaço".

"Sim, eu tinha medo dos cangaceiros, porém, como todas as mocinhas da minha época, eu sonhava em conhecer aqueles homens valentes. Estava dividida: atração e repúdio. Qual a jovem que não sonha com uma aventura? Apesar da crueldade atribuída aos cangaceiros, na minha imaginação pareciam sair diretamente de um conto no qual o terrível e o belo coabitavam: era o real brigando com o irreal. Valentes, ricos, marginais para uns, heróis para outros, desafiadores da ordem, os cangaceiros eram fonte de sonho e pesadelos, curiosidade e desprezo, amor e ódio."



Coletânea (fragmentos) de depoimentos de ex-cangaceiros(as) colhidos dos seguintes documentários:

- A mulher no cangaço – [Hermano Penna], Globo Repórter, 1976
- A musa do cangaço – [José Umberto], 1981
- O último dia de Lampião- [Maurice Capovilla], Globo Repórter, 1975.
- Sila – Com participação especial de Adília companheira de Canário. [Aderbal Nogueira], Laser Vídeo SBEC 1999.
- Candeeiro (depoimento do ex-cangaceiro Manuel Dantas Loiola) - [Aderbal Nogueira], Laser Vídeo/SBEC 1997.


http://lampiaoaceso.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ângelo Osmiro e as controvérsias de Sila...

Por: João de Sousa Lima

Durante a noite Cariri Cangaço - GECC, tendo como personagem principal a ex-cangaceira Sila; o pesquisador e escritor Ângelo Osmiro, um dos expoentes do debate; nos trouxe um apanhado de registros que se encontram nos diversos livros que contaram com a colaboração da mesma; na oportunidade do debate o trabalho apresentado por Ângelo acabaria sendo um dos pontos referenciais e que agora transcrevemos abaixo:

"Angicos, eu sobrevivi" Autor: Sila

PÁG. 25: SILA DIZ QUE ZÉ BAIANO A PROCUROU, ENTRETANTO FOI MORTO, E EM SEU LUGAR APARECEU ZÉ SERENO. (MOTIVO: MORTE DE ZÉ BAIANO)
PÁG. 26: DIZ QUE NÃO FOI A FESTA (ORGANIZADA PELOS CANGACEIROS); EM OUTROS LIVROS DIZ QUE DANÇOU A NOITE TODA COM LUIZ PEDRO.
EM “SILA UMA CANGACEIRA DE LAMPIÃO” DIZ QUE ZÉ SERENO FOI SEU “PAR INSEPARAVEL” DURANTE O BAILE.
PÁG. 27: CONTA EPISÓDIO DO ENCONTRO, ONDE CAIU NO RIACHO, FICOU TODA MOLHADA. O ENCONTRO SERIA COM ZÉ SERENO. EM “SILA NO DIVÔ CONTA O MESMO EPISÓDIO SENDO O PERSONAGEM ZÉ BAIANO (PRIMEIRO ENCONTRO)
PÁG. 28: “[...] RESPONDI-LHE QUE SÓ POSSUIA VESTIDOS NA BAGAGEM”; SILA EM VÁRIOS DEPOIMENTOS, DIZ QUE FOI (PARA O CANGAÇO) SOMENTE COM A ROUPA DO CORPO.
PÁG. 29: “SENTIA-ME COMO EM OUTRO MUNDO. TRISTE, ISOLADA DE MINHA FAMÍLIA, DESILUDIDA E AMEDONTRADA, POR NÃO CONHECER TODA AQUELA GENTE ESTRANHA...”
PÁG. 30: “[...] MULHERES, APENAS DUAS: NENEN E EU. NOVO TEMPO, MERGULHÃO, MARINHEIRO ERAM OS TRES NOVOS CANGACEIROS”. (NENEN MORREU LOGO NOS PRIMEIROS DIAS, SEUS IRMÃOS SÓ ENTRARIAM DEPOIS)
PÁG. 38: REPETE INFORMAÇÃO ACIMA (DESTA VEZ EM UM ENCONTRO NA CASA DE UM COITEIRO)
PÁG.53: “[...] NO MEIO DOS CANGACEIROS PASSARAM A ME CHAMAR MARIA BONITA”. PALVRAS DE MARIA BONITA PARA SILA, SEGUNDO ELA.
PÁG. 54: DIZ QUE O GRUPO ESTAVA CONSTITUIDO DE CINCO PESSOAS.
PÁG. 60: AINDA CONTANDO A MESMA HISTÓRIA DIZ QUE O GRUPO ERA CONSTITUIDO DE 10 PESSOAS.

“Gente de Lampião, Sila e Zé Sereno” 
Autor: Antônio Amaury


PÁG. 50: AMAURY NARRA ENCONTRO DE SILA COM OS CANGACEIROS: “OCORREU O ENCONTRO COM ZÉ BAIANO, ELE FICOU DE VOLTAR PARA PEGÁ-LA, NESSE INTERIM FOI MORTO EM ALAGADIÇO E SERENO VOLTOU E PEGOU SILA” CONTINUA AMAURY: “POUCOS MESES DEPOIS EM FINS DE 1936 OU EM JANEIRO DE 1937 OS IRMÃOS DE SILA RESOLVERAM ENTRAR NO GRUPO DE CANGACEIROS”.
PÁG. 107: “A ESCURIDÃO DA NOITE ENVOLVIA AS DUAS; [...] SOMENTE SE AVISTAVA PONTOS VERMELHOS DE CIGARRO QUE AS DUAS FUMAVAM”. JÁ SERIAM MAIS DE 21:00 HORAS QUANDO FORAM DORMIR”
PÁG. 108:“[...] SILA CORRIA JUNTO COM CANDEEIRO”. “[...] A MULHER DE CAJAZEIRA, ENEDINA, JUNTOU-SE AO GRUPO QUE FUGIA”

"Sila, uma cangaceira no divã" Autor: Daniel Lins

Daniel Lins
PÁG. 13: A PRÓPRIA SILA SEGUNDO DANIEL FALA VEZ QUE NASCEU EM 1919 E OUTRA EM 1924.
PÁG. 16: SURGE UMA TERCEIRA DATA DITA POR SILA, EM ENTREVISTA: “EM 1927, AOS SEIS ANOS”. ENTÃO AÍ TERIA NASCIDO EM 1921.
PÁG. 23: DIZ TER APENAS DEZ ANOS QUANDO O PAI MORREU.
PÁG. 35: “[...] AOS TREZE ANOS, SILA CONHECE AS PRIMEIRAS EMOÇÕES”; DIZ SILA: “ERA BASTANTE DESENVOLVIDA PARA MINHA IDADE; MAS O OLHO DE MEU PAI ESTAVA PRESENTE EM TODOS LUGARES”. (O PAI NÃO TERIA MORRIDO QUANDO ELA TINHA DEZ ANO?)
PÁG. 36: “[...] AOS DOZE ANOS DE IDADE OUVI FALAR DO CANGAÇO. MEU PAI TEMIA OS CANGACEIROS, UMA VEZ INFORMADO QUE O BANDO ESTAVA PRÓXIMO DE POÇO REDONDO, ESCONDEU TODOS OS FILHOS, PROTEGENDO-NOS CONTRA QUALQUER PERIGO”
PÁG. 93: “NINGUEM ROUBAVA, PEDIA. NINGUEM ENTRAVA NA CASA DOS OUTROS PARA ROUBAR”. “EU PESSOALMENTE AJUDEI MUITOS POBRES”.
PÁG. 97: “CANDEEIRO PEDIA-ME PARA NÃO DEIXÁ-LO ALI. BALEADO NA PERNA O CANGACEIRO IMPLORAVA AJUDA”.

“Sila memórias de guerra e paz" Autor: Sila

PÁG. 19: SILA DIZ QUE NÃO ACEITOU AS JÓIAS QUE ZÉ BAIANO A PRESENTEOU. (EM OUTROS LIVROS DISSE QUE RECEBEU)
PÁG. 20: DIZ QUE ZÉ SERENO VOLTOU NO DIA SEGUINTE. (EM OUTROS LIVROS DIZ CERCA DE UM MÊS) REVELA O MOTIVO DE ZÉ BAIANO NÃO LEVÁ-LA E SIM ZÉ SERENO; FOI UM DESENTENDIMENTO ENTRE OS DOIS. (EM OUTROS LIVROS DIZ QUE NUNCA SOUBE O MOTIVO)
PÁG. 24: DEIXA EVIDENTE QUE OS IRMÃOS NÃO A ACOMPANHOU DE IMEDIATO.
PÁG. 29: “EU NÃO TINHA NENHUMA NOTÍCIA DOS MEUS FAMILIARES” (EM OUTROS LIVROS TAMBÉM DIZ QUE  OS IRMÃO ESTAVAM COM ELA?)
“[...] IAMOS PARA POÇO REDONDO E ENCONTRAMOS MEUS IRMÃOS. ELES DISSERAM A JOSÉ QUE ESTAVAM SENDO PERSEGUIDOS PELOS SOLDADOS DESDE QUE EU ENTRARA NO BANDO” JOSÉ RESPONDEU: “SE VOCÊS QUISEREM ENTRAR PARA O CANGAÇO, ENTREM”.
PÁG. 30: “LAMPIÃO DIRIGIU-SE A ELES E DISSE: DU FICA SENDO CHAMADO NOVO TEMPO, GUMERCINDO MERGULHÃO E ANTÔNIO DE MARINHEIRO”. FIQUEI MUITO SATISFEITA DE AGORA EM DIANTE TER MEUS IRMÃOS JUNTO DE MIM”
 
PÁG. 33: “ZÉ RUFINO DA POLÍCIA SERGIPANA”.
PÁG. 50: "SILA DIZ QUE ZÉ SERENO ACABARA DE CONHECER PEDRO DE CANDIDO E NA MESMA PÁGINA DIZ QUE ZÉ SERENO “NÃO GOSTAVA DAQUELE COITEIRO”.
PÁG. 51: "PEDRO DE CANDIDO VOLTOU AO COITO DIA 16 DE JULHO (DEVE SER ERRO DE IMPRESSÃO)"
PÁG. 52: REPETE A HISTÓRIA DA LUZ
PÁG. 57:“FOI LIDO UM OFÍCIO DO PRESIDENTE GETULIO VARGAS DECLARANDO ANISTIA A TODOS OS CANGACEIROS QUE SE ENTREGASSEM (NA CIDADE DE JEREMOABO)”.
PÁG. 59:REPETE HIST. OFÍCIO DE ANISTIA.
PÁG. 89: “FOMOS LANÇAR NO JUAZEIRO DO PADRE CÍCERO, LUGAR QUE LAMPIÃO TANTAS VEZES ANDOU”.

“Sila uma cangaceira de Lampião" 
Autor: Israel Araujo e Sila
  PÁG. 21: “AOS NOVE ANOS PERDI MEU PAI”  ( TAMBÉM DIZ QUE PERDEU AOS 10, AOS 9 E AOS 13 AINDA ESTAVA VIVO) PÁG. 27: “ZÉ SERENO MEU PAR INSEPARAVEL”  (NO BAILE DE DESPEDIDA) (EM OUTRAS OBRAS DIZ SER LUIZ PEDRO)
“PÁG. 28:DIZ QUE SEUS IRMÃOS A ACOMPANHARAM DESDE O PRIMEIRO DIA.(EM OUTRAS OBRAS: MESES DEPOIS OU DIAS DEPOIS)
PÁG. 36: TENENTE ZÉ RUFINO DA POLÍCIA DE SERGIPE.


PAG. 42: EM CONVERSA COM MARIA BONITA ELA TERIA DITO SER CHAMADA MARIA DÉA; QUANDO ENTROU NO GRUPO PASSOU A SER CHAMADA MARIA BONITA.  REUNIÃO COM CHEFES DE GRUPO COM A PRESENÇA DE ZÉ SERENO E ZÉ BAIANO EM NOVEMBRO DE 1936, ZÉ BAIANO FOI ASSASSINADO NO DIA 07 DE JULHO DE 1936.
PÁG. 43: O CORONEL NOGUEIRA QUERIA SE APOSSAR DAS TERRAS DE ZÉ FERREIRA, DAÍ VIRGULINO ENTROU NO CANGAÇO          
PÁG. 57: “LAMPIÃO INVADE NAZARÉ E QUEIMA AS CASAS DOS NOGUEIRA”
PÁG. 59: “[...] A POLÍCIA CERCOU A CASA DO PAI (ZÉ FERREIRA) JUNTAMENTE COM ZÉ SATURNINO A MÃE DE VIRGULINO NÃO SUPORTA E MORRE DO CORAÇÃO”.
PÁG. 64: “APÓS A MORTE DE LAMPIÃO OS COMPANHEIROS SOBREVIVENTES ESCOLHERAM ZÉ SERENO PARA COMANDANTE”
PÁG. 70: “[...] BOTEI O FUZIL NO OMBRO, CARTUCHEIRA ENTUPIDA DE BALAS E TOQUEI...”  (ARMA GRANDE) PÁG. 73: “[...] DESCANSEI O FUZIL NO MEU COLO...”
PÁG. 75: “[...] DEI UM SALTO E ARREBENTEI A CORONHA DO MOSQUETÃO NA CABEÇA DO SOLDADO”.
PÁG. 76: “COSTUMEIRAMENTE PASSAVAM ALGUNS DIAS CONOSCO, LUIZ PEDRO, NENEN E ZÉ BAIANO”. (NENEN NÃO MORREU NOS PRIMEIROS DIAS?)
MORTO LAMPIÃO, ZÉ SERENO ASSUME O COMANDO DE 200 HOMENS, INCLUSIVE CORISCO E DADÁ, “APESAR DE ESTAREM AFASTADOS DE LAMPIÃO POR DIVERGENCIAS”.


PÁG. 77: IDENTIFICA ADÍLIA COMO ENEDINA.
PÁG. 80: CONFESSA TER PRESENCIADO EXECUÇÃO
PÁG. 96: “[...] O SOL DESBANCAVA NO HORIZONTE QUANDO MARIA BONITA ME CHAMOU PARA TROCARMOS DOIS DEDOS DE PROSA...”
PÁG. 98: “[...] CAMINHEI EM DIREÇÃO A TOLDA, VI  NOVAMENTE A MESMA LUZ...”“[...] SE EU LHE HOUVESSE FALADO SOBRE AQUELA LUZINHA, TUDO TERIA SIDO DIFERENTE”.
 “UM PRIMEIRO TIRO ECOOU MATANDO UM COMPANHEIRO”.
“SEGUREI NA MÃO DE ENEDINA E ARRASTEI PARA O MEU LADO”.
“[...] CANDEEIRO BALEADO NA PERNA, PEDIR-ME QUE NÃO O DEIXASSE
ALI, O CANGACEIRO IMPLORAVA AJUDA”.


PÁG. 102: ENTREGAS: DULCE, ADÍLIA E EU PERMANECEMOS EM
JEREMOABO. (ADÍLIA DIZIA TER SE ENTREGADO EM PROPRIÁ-SE).
PÁG. 118: EM ENTREVISTA PERGUNTOU AO IRMÃO JOÃO PAULO: “VOCÊ FICOU TRISTE QUANDO MARINHEIRO, NOVO TEMPO E MERGULHÃO SAIRAM PARA NOSSA COMPANHIA?

Ângelo Osmiro
Presidente do GECC, Sócio da SBEC
Conselheiro Cariri Cangaço
http://cariricangaço.blogspot.com/

Observação:
Devido problemas "Internet", por mais tentativas que eu fiz não consegui uma boa postagem, ficando algumas fotos e parágrafos fora da estética. 
 Desculpem-me.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sila: Uma noite inesquecível Cariri Cangaço-GECC

Cariri Cangaço - GECC , em noite de Sila na Saraiva MegaStore

Uma só noite certamente não foi suficiente. O encontro Cariri Cangaço-GECC, deste mês de Dezembro, que aconteceu na noite desta terça-feira, dia 06, no Espaço Raquel de Queiroz, da Livraria Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi e que contou com grande número de confrades; apaixonados pela temática do Cangaço; possibilitou um amplo e rico debate sobre a trajetória da cangaceira Sila, no universo do fenômeno mais discutido do nordeste.
O encontro iniciou com a apresentação da noite, pelo Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, seguido pelos informes da Presidência do GECC, com o escritor Ângelo Osmiro, que ressaltou o lançamento de obras literárias, como a segunda edição de "O Caldeirão" do professor Régis Lopes, do novo livro da jornalista Vera Ferreira e do documentário da TV Assembléia, sobre "Fideralina" uma das maiores "coronéis de saia" do Ceará, como também ressaltou o sucesso do II Congresso Nacional do Cangaço, uma promoção da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, em Cajazeiras, Paraíba.

Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, abriu os trabalhos da noite
O Presidente do GECC, Ângelo Osmiro e os informes da noite
Assessor de imprensa e marketing do Cariri Cangaço, jornalista Heldemar Garcia, tudo pronto para o início do debate...

O debate sobre "Sila, uma cangaceira de Lampião" , inciou com a apresentação da personagem pelo autor da propositura, documentarista Aderbal Nogueira. Aderbal Nogueira iniciou ressaltando sua proximidade com Sila, durante os muitos meses em que a mesma esteve hospedada em sua residência e nas várias incursões realizadas ao lado da ex-cangaceira, por ocasião da produção de alguns de seus documentários. Aderbal num tom provocativo e instigante, pontuou: "não estou aqui para defender Sila, nem tão pouco atacar, mas para aprofundar a discussão e resgatar uma injustiça feita a ela, com a "pecha" a partir de muitos escritores e pesquisadores, que dizem que Sila só mentiu..."Aderbal Nogueira disponibilizou o microfone para os demais confrades, que um a um, colocaram suas impressões e reflexões a cerca da figura emblemática e polêmica da ex-cangaceira mulher de Zé Sereno. Alguns dos confrades apresentaram um conjunto substancioso de contradições nas muitas afirmações feitas por Sila nos diversos livros escritos sobre o tema, com destaque para a pesquisa de Ângelo Osmiro, e as reflexões de Alfredo Bonessi e Juliana Ischiara.

Aderbal Nogueira, autor da propositura da noite e Tomaz Cisne
Alfredo Bonessi, "afilhado macaco" da ex-cangaceira, um dos principais debatedores da noite, ao lado de Wilton Dedê
Juliana Ischiara, o contra-ponto forte e rigoroso, enriquecendo sobremaneira o debate da noite.
Ângelo Osmiro, toruxe para a noite um criterioso e rico trabalho de pesquisa ressaltando as muitas e recorrentes polêmicas das afirmações da ex-cangaceira Sila

A noite parecia correr e o tempo foi nosso maior inimigo, as horas esvairam por entre nossas mãos, fazendo com que todos ficassem com um "gostinho de quero mais". Para o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, "o que temos que ressaltar é o sucesso absoluto da noite de hoje promovida pelo GECC - Cariri Cangaço. A qualidade do debate, o contraditório observado com zêlo e respeito por todos, as ricas informações, a lucidez e o respeito entre os contrários e acima de tudo o cuidado com a personagem e ser humano Sila, foram o ponto alto, sem dúvidas uma noite memorável para o estudo do cangaço." Para o Presidente do GECC, escritor Ângelo Osmiro a noite "mostrou o atual estágio em que se encontra o estudo e pesquisa da temática, reuniões de trabalho como dessa noite nos fazem ver o quando é gratificante buscar o entendimento a partir dos fragmentos da verdade histórica, hoje marcamos um grande tento com esse debate memorável".

Noite de Gala, Cariri Cangaço-GECC em Fortaleza
Lívio Ferraz, Manoel Severo e Juliana Ischiara
Maristela Mafuz e Alfredo Bonessi
Família Cariri Cangaço-GECC; na noite de Sila na Saraiva Megastore

Sem dúvidas ainda teremos muitas postagens sobre essa noite inesquecível, todo o encontro foi gravado e já se está em fase de edição, "sem cortes" pela Laser Vídeo e em breve teremos na íntegra, vários capítulos do debate "Sila uma cangaceira de lampião" na noite Cariri Cangaço-GECC no Espaço Raquel de Queiroz da Livraria Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi, em Fortaleza. O encontro contou com a participação de 31 confrades e com a presença honrosa e marcante da memória de Sila; cangaceira, mulher, mãe, companheira, guerreira, vencedora...polêmica.

Heldemar Garcia
Assessor de Imprensa e Marketing Cariri Cangaço
Fortaleza-CE
Extraído do blog Cariri Cangaço
http://cariricangaco.blogspot.com/
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Todos os Personagens da Noite...

 
Ângelo Osmiro..."não fui eu que disse isso não, foi Sila, tá lá no livro que leva sua assinatura..."
Aderbal Nogueira..."Sila nem sabia o que escreviam naqueles livros, nem revisava...Sila foi uma injustiçada"
Juliana Ischiara..."não conheço um só fato importante ou relevante que Sila tenha participado..."
Morgana Osório..."conhecer Sila foi uma grande honra para todos nós..."
Edilson Cláudio..."Sila não tinha condições de criar tudo aquilo..."
Coronel Gutemberg..."vou sair daqui com um cordel feito sobre a polêmica de Sila..."
Jornalista Nicole..."e a produção de um documentário sobre a mulheres no cangaço..."
Alfredo Bonessi..."todos procuraram enfeitar a história do pouco que se lembraram..."
Aldo Anísio..."Isso aqui é uma universidade para mim..."
Wilton Dedê..."a quem interessava as mentiras?..."
Lívio Ferraz..."Eles não diziam tudo que sabiam porque tinham medo..."
Roberto Osório..."sou um iniciante na pesquisa, mas guardo boas recordações de Sila..."
Afrânio..."estou aprendendo como nunca..."
Pitonho, do Cariri..."todos acabavam tendo algo a esconder..."
Heldemar Garcia..."imaginem uma pessoa que teve a vida de Sila, de repente ser guindada a condição de celebridade..."
 
Extraído do blog cariri cangaço:
 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Seu olhar não conta mais histórias...Sila

 Por: Aderbal Nogueira


Severo, segue um clip que fiz para Sila no lançamento de seu último livro, feito pelo Prof. Daniel Lins. Uma homenagem singela a quem tanto, na minha modesta opinião, fez pela história, muito embora o que ela disse não represente nada para muitos, pois afinal de contas "ela só mentiu". A música colocada no vídeo é uma versão de Renato Russo que ela, Sila, passava horas ouvindo durante sua última estada em Fortaleza. Espero que não digam que é mentira, pois uma ex-cangaceira ouvindo Legião Urbana? Cangaceira escuta é Xaxado, Forró, Sertaneja. Música Pop não é musica de cangaceiro.


Aderbal Nogueira

NOTA CARIRI CANGAÇO: Sila será a personagem principal do próximo encontro Cariri Cangaço - GECC, no dia 06 de dezembro de 2011, no espaço Raquel de Queiroz, da Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi em Fortaleza, a partir das 19 horas, você é nosso convidado.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sila...uma vida mais sofrida que no cangaço

Por: Maristela Mafuz

Não estudo o cangaço e nem posso discutir verdades ou mentiras sobre o assunto. Mas conheci Sila de perto, nas várias vezes em que a hospedei em minha casa. Sei que ela era uma mulher forte, dura, porém muito sofrida e dolorida por dentro. Após o fim do cangaço sua vida foi muito dura, me parecia muitas vezes que foi mais sofrida do que no bando, sendo discriminada e vendo seus filhos também serem, por ‘culpa’ dela.

Quando viu uma possibilidade daquela fase que viveu ser interessante a alguém, usou essa oportunidade, como muitos outros também. Acredito até, que tentando apagar a imagem negativa que tinha dentro dela de tudo de ruim que viu e viveu. Surpreendi-me ao saber de tantas mentiras que falam que ela disse, pois nas vezes em que esteve aqui, vi muitos a procurarem e se interessarem por seus relatos.
Acho que vou participar da Reunião da GECC só para ouvir as opiniões sobre ela.

Maristela Mafuz
Laser Vídeo
http://cariricangaco.blogspot.com/
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Um pouco da entrevista da cangaceira Sila

Confira a transcrição da entrevista concedida pela saudosa ex cangaceira Sila à revista TPM edição nº 1, Maio de 2001.


Tpm. Como a senhora fazia para ficar bonita no meio do mato?

Sila - Só punha ouro, chapéu bonito, bornal todo enfeitado, roupa cheia de bordado. Eu tomava banho com perfume! Ainda hoje sou vaidosa. Só que hoje, se tomo um banho, me troco e não ponho perfume. Para mim, perfume me lembra de mato, e é como se eu não tivesse tomado banho. Às vezes, o cheiro de perfume ficava tão forte e tão ruim entre a gente, que teve muita história de a polícia achar cangaceiro por causa do fedor. Era muito quente, muita roupa, então suava...

Tpm. A senhora engravidou no meio do mato, né?

Sila - Umas três vezes.

Tpm. Onde a senhora deu à luz seu filho?

Sila - Pari no mato mesmo, lá por perto, onde tinha água. Estava com Maria, os homens saíram todos de perto. Comecei a sentir as dores, aí ela armou uma coberta no chão e eu deitei. Fiz muita força a tarde toda e, à noite, o menino nasceu. Foi ela que fez meu parto. Daí, os homens vieram correndo para ver como ele era. Nossa, eu sentia tanta dor, parecia que iam abrir minhas cadeiras, ave-maria... Aí, enfiei vários panos dentro da calça para estancar o sangue e seguimos viagem.

Tpm. O que aconteceu quando levaram a senhora?

Sila - Naquela noite que eles chegaram, meus primos arranjaram uma sanfona para tocar e vieram vários cangaceiros. Eu nem olhava na cara de Zé Sereno, só rezava: "Meu Deus, fazei com que esse homem não queira que eu saia" (quando os cangaceiros raptavam uma mulher, o termo usado era "sair", ou "tirar a moça"). Quando foi de manhã cedinho, a cangaceira Neném veio e disse que eu me preparasse para sair. Era sempre assim, eles mandavam uma mulher dar o aviso, desse jeito "encorajava" a outra. Saí com o vestido fino de baile que eu estava.

Tpm. Qual era o seu papel no bando? 

Sila - Eu costurava as minhas roupas, bornais... Não tinha obrigação de nada. Fazia o que queria, comia o que queria. Não tinha esse negócio de obrigação como dona-de-casa; eu era dona-do-mato.

Tpm. E, nos tiroteios, a senhora atirava?

Sila - Não, nunca precisei. Quase levei tiro na cabeça, isso sim, de estar deitada aqui e levantar um pedaço de terra assim do meu lado. A única mulher que atirou mesmo foi a Dadá (mulher de Corisco, passou a participar dos combates no lugar do marido, que teve parte dos braços amputados).

Corisco e Dadá

As outras não atiravam porque a nossa parte era só dar força aos maridos. Não sei, parece que eles confiavam muito na gente e a gente confiava muito neles.

Tpm. Como foi o tiroteio que matou Lampião? Onde vocês estavam?

Sila - O nosso bando encontrou com o de Lampião, que já estava lá em Angico (nome da fazenda em Sergipe onde Lampião morreu). Passamos muita sede até chegar lá, estávamos todos cansados. Quando foi de noite, Lampião tirou uma melancia e ofereceu para mim. Fomos eu e Maria chupar a melancia sentadas numa pedra, no alto de uma ribanceira. Ficamos lá, ela me convidou para fumar e ficamos falando as coisas de sempre, que aquilo não era vida. Foi a última conversa que ela teve. Enquanto a gente conversava, vi uma luz que acendia e apagava, até perguntei a ela se era uma lanterna. Ela disse que devia ser vaga-lume. Se eu tivesse descido e falado com Zé Sereno, não teria acontecido o que aconteceu, porque ele contaria a Lampião e todo mundo teria se equipado.

Tpm. A senhora deixou o cangaço depois da morte de Lampião?

Sila - Não, nós ainda ficamos um tempo no mato. Deixei só em 1938. Nos entregamos na Bahia, quando Zé Sereno recebeu uma carta do governo dizendo que o Getúlio Vargas ia dar ordem de anistia. Sem prisão nem nada, a gente ia ser livre. Chegamos em Salvador e aí nos separaram. Ficou eu, Dulce e uma outra que nunca mais vi, a Dinda, todas presas. Dulce dizia: "Mana, o que é que nós vamos fazer?" Aí, nós choramos, as três. Num lugar estranho, meu Deus. Cadê eles? Ninguém sabia...

  O cangaceiro Zé Sereno, marido de Sila, pouco antes de morrer, em 1981 - nessa época era inspetor de alunos em uma escola municipal em São Paulo.

No outro dia cedinho, Zé chegou para nos pegar e nos levaram para um quartel. Todo dia tinha uma chamada e a gente ia lá se apresentar. Ficamos lá até quando o Getúlio mandou a anistia.

Tpm. Quando a senhora chegou em São Paulo, as pessoas sabiam quem era? 

Sila - No trabalho, eu não contava não. Mas sempre acabavam descobrindo. A pior coisa que tinha era quando as crianças diziam: "Mãe, fulano disse que não quer brincar comigo, que sou filho de bandido". É duro, né? Eu dizia: "Vocês não são filhos de bandido, meus filhos, vocês são filhos de gente. Seu pai é Zé Sereno e eu sou sua mãe, somos gente que nem eles. Um dia vocês vão entender".

Tpm. Dá para comparar a violência de hoje, em São Paulo, com a que tinha no cangaço?

Sila - Já fui assaltada várias vezes. Aqui em São Paulo a gente não vive mais de tanto medo. Sai de casa e tem que ficar olhando para os lados, segurando a bolsa com força. Nunca apontaram uma arma para mim, mas já puxaram e levaram minha bolsa. Uma vez, saí correndo atrás de um trombadinha, catei ele pelo braço e fiz ele devolver a carteira. É diferente do cangaço... No mato, era a polícia que corria atrás, só tínhamos que ficar fugindo e fugindo. Roubava só fazendeiro que não dava o dinheiro por bem. Não tinha esse negócio de ladrão entrar na casa da gente sem ser convidado...

Tpm. A senhora tem saudade do Nordeste?

Sila - Ah... Se alguém me der uma passagem de volta, vou embora daqui...

Além dos pés de xique-xique e mandacaru, a caatinga é a terra onde brotou um dos mais peculiares movimentos da história do Brasil: o cangaço. No início do século XX, o povo morria de medo dos cangaceiros, que invadiam pequenas vilas espalhadas pela região atrás de comida, bebida, armas e jóias
Naqueles verdadeiros arrastões, homens comandados por Lampião aterrorizavam as mulheres e, não raro, carregavam-nas com o bando - essas, embora bem tratadas, já viram companheiras marcadas com ferro em brasa, como se faz com as vacas na fazenda. 
Durante os quase dez anos em que houve presença feminina no cangaço, elas foram unicamente parceiras sexuais. Muitas foram levadas de casa ainda virgens - algumas com 12 anos de idade! - e, já no bando, cada uma passava a 'pertencer' a um cangaceiro (Sila 'era de' Zé Sereno, líder de um bando leal a Lampião, com quem teve três filhos). Não cuidavam de nenhuma das tarefas que na época cabiam às mulheres executar. Eram os homens que cozinhavam e até costuravam. Uma ou outra, como a famosa Dadá, tinha o dom para as agulhas e os botões. Companheira do cangaceiro Corisco, lançou moda, sendo a grande responsável pelo colorido e a extravagância das roupas, chapéus e bornais com os quais todos se cobriam e que, tempos mais tarde.
O NAMORO NO CANGAÇO
Tpm. E com seu marido? A senhora não o namorava?
Sila - Ah, eu nem olhava pra cara dele, né? Um homem não via nem uma calcinha da sua mulher, não falava palavra feia perto da gente. Eu não sabia o que era namoro... Vou te dizer: eu nunca beijei, não sabia... Nossa vida era só andar, andar, andar, e pronto.
Tpm. Como foi a sua primeira noite com ele? 
Sila - Sabe como é... À noite foi aquela bagunça, cada um se encostou num canto. Zé tirou a alpercata dele e mandou eu calçar. Quando eu calcei, ele disse: "agora nunca mais você vai me deixar". De fato, nunca deixei mesmo. Acho que era uma simpatia porque eles acreditavam muito em reza, em oração, em tudo eles acreditavam.
Tpm. Então ele não foi nada carinhoso com a senhora...
Sila - Que carinho nada! Não tinha carinho nenhum! (Contrariada.) Ele nunca me beijou.
Tpm. A senhora já foi traída pelo seu marido?
Sila - Aaaaave-maria... Eu não sei como ainda tenho cabelo, viu?
Estilo CANGAÇO
Mesmo sem nenhuma ideia do que viria a ser o mundo fashion de hoje, as cangaceiras tinham estilo e lançaram tendência - a coleção outono/inverno 2001 da marca Forum, por exemplo, é inspirada nas vestimentas do cangaço. Elas adoravam cores fortes, todas misturadas. Laranja com azul, verde com vermelho, amarelo com azul, enfim, quanto mais chamativo melhor. Tudo isso bordado ou costurado nos bornais, chapéus e cantis. 
 Os desenhos podiam ser de formas geométricas ou flores. As roupas eram simples. Confeccionadas em gabardine ou mescla - tecidos grossos que resistiam aos espinhos do mato -, os vestidos eram retos, feitos em azul ou cinza.  
Caía bem uma ou outra costura com linhas brilhosas nos bolsos e lapelas. Bem diferente daquele cáqui e marrom que imaginamos. Aliás, Dadá, que era quem inventava os bordados mais bacanas, chegou a contar que o marrom só era vestido pela polícia.

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