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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O TREM DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS

Por Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 2014 - Crônica Nº 1.239

Toda a movimentação entre o interior sertanejo e a capital Maceió, era feito através de navios. Ia-se até Pão de Açúcar, cidade ribeirinha do rio São Francisco, onde se embarcava em um navio (vapor) até deixar o rio através de Penedo, ganhando-se o oceano Atlântico.


Quando a via férrea em Alagoas, chegou da capital até a cidade de Viçosa, já foi considerado um grande avanço para o sertão. Quem tinha negócio a resolver na capital, saía do sertão e alto sertão a cavalo até a cidade de Viçosa, onde tomava o trem. Não temos a certeza em quanto tempo o cavaleiro rompia as léguas que separavam o semiárido de Viçosa, Zona da Mata Alagoana. Calculamos em, aproximadamente, três dias.


No livro “O boi a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema”, vamos ler sobre o ex-intendente de Santana, padre Manuel Capitulino de Carvalho, chegando de Maceió a Santana do Ipanema, com mais de cem cavaleiros, vindos do desembarque do trem, em Viçosa. Entrava-se na cidade pelos subúrbios Bebedouro, Maniçoba e a festa era grande com duas bandas de músicas santanenses em recepção aos cavaleiros.

Depois o progresso adiantou os passos e o trem de Viçosa chegou mais perto, até a cidade de Quebrangulo, no patamar dos 500 metros, entre o Agreste e a Zona da Mata. Isso fez com que os cavaleiros reduzissem suas cavalgadas, porém, chegar a Maceió ainda era um grande sacrifício.

Posteriormente o trem chegou até a cidade de Palmeira dos Índios, perto da fronteira entre agreste e sertão. Houve ainda projeto para o cavalo de ferro chegar até Santana, mas nada disso aconteceu e o trem foi desviado rumo a Arapiraca e rio São Francisco.

Nessa fase, ainda dá para lembrar quando alguém da família levou-me até Palmeira dos Índios numa longa viagem de estrada de barro. Na Princesa do Agreste, dormimos para embarcar no trem antes de amanhecer o dia, andando pelas ruas escuras de Palmeira dos índios.

O progresso continuou e tivemos, então, a primeira rodovia asfaltada de Alagoas, década de 50, Palmeira-Maceió. Aliviava para o sertanejo que saía do sertão a Palmeira através de carro de aluguel ou “sopa”, apelido do ônibus, na época. Pensemos nas dificuldades, principalmente em tempo de inverno.

Somente quando o asfalto chegou a Santana do Ipanema, tudo mudou. Viagens com os mais diferentes transportes que duravam dias, passou a acontecer em apenas três horas.

Hoje procuramos o trem. O TREM DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS.



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A vida de Ninguém

Por Rangel Alves da Costa*

Quando Ninguém nasceu foi como ninguém houvesse nascido. Filho de pobre, de pobreza além da absoluta, apenas nasceu. E dizem que assim como um calango, um preá, um bicho do mato qualquer. Chorou sem que gente de fora ouvisse, começou a avistar o mundo sem enxergar qualquer outra pessoa senão seu pai e sua mãe. Ora, ninguém aparecia por ali para visitar a pobreza, para saber se continuava viva ou se já tinha sucumbido de vez, e quanto mais o coitado do Ninguém, um gasguitinho qualquer no couro e no osso.

Esse apelido estranho Ninguém nunca soube como surgido. Mas a verdade é que nasceu de um costume próprio do sertanejo. O desvalido homem da terra, sempre vítima das inclemências das secas, da miséria degradante e do esquecimento dos poderes públicos, costuma buscar algum culpado pela revoltosa situação. Não culpa Deus, santos e anjos porque é na fé que se apega para sobreviver. Sem ela nada seria possível. Mas começa a reclamar e a dizer, mesmo no silêncio tempestuoso da dor interior, que ninguém ajuda, que ninguém olha aquela situação, que ninguém bate à porta com uma esmola. E é tanto ninguém que o menino, por falta de nome, começou a ser chamado ninguém. E Ninguém continuou.

Ninguém chorava com fome e faminto continuava, pois sua mãe não tinha forças nem para tomar a estrada em busca de mendigar qualquer pão. Seu pai se metia nos matos ao alvorecer em busca de qualquer caça e só voltava ao anoitecer, todo estropiado e sem trazer nada de pé de pena ou de rastro no aió. Então Ninguém resolveu experimentar o sabor do barro da tapera. De início achou muito sem gosto, mas teve a ideia de mijar por cima e logo começou a achar papa de barro a melhor coisa do mundo. Mas tal atitude quase provoca uma tragédia.

E o sinistro não se deu na barriga imensa e cheia de verminoses, eis que bucho de menino sertanejo parece nem se importar com a selva doentia que vai se formando dentro de si. Mas sim pela fome desenfreada e a vontade incontrolável de sempre escavoucar a parede para tirar mais um pouco de barro. De tanto fazer assim, de ir puxando pouquinho a pouquinho, para depois molhar no mijo e se lambuzar, eis que a parede foi fraquejando até ficar em vias de desabar, derrubando a tapera inteira por cima de todo mundo.


Quando a mãe percebeu a tapera estremecendo, encontrou forças não se sabe como, puxou Ninguém pelo braço e se danou porta afora. Nas proximidades, debaixo de um umbuzeiro desfolhado, a esquálida mulher se entregou a todo tipo de prece. Chorando de se acabar, não via a hora de a moradia cair e transformar em restos o quase nada existente. Mas o barraco continuou de pé até seus olhos se arregalarem em espanto descomunal. De repente e de lá de dentro surge o danado do Ninguém trazendo na mão um tufo de barro. Outro já estava na boca.

Enquanto a mãe rezava desesperada, com os olhos turvos e já vendo a hora de tudo cair, Ninguém sentiu uma fome tão grande que se danou a correr em direção ao seu prato de comida, ao barro da parede em tempo de desabar. Depois de abrir um buraco ainda maior, encheu a mão e a boca e voltou tranquilamente. Entretido em mastigar, de nenhum pensamento pra sua idade, verdade é que nem percebeu sua mãe estirada no chão, desmaiada depois do susto tomado. E só despertou com a chegada do marido, mais uma vez sem trazer nada, e que mesmo faminto passou boa parte da noite escorando a parede com pedaço de pau.

Assim foi a infância de Ninguém, se assim se pode chamar a fase da meninice onde outra coisa não fez senão comer barro e tocaiar calango pra assar no fogo e saborear um prato diferente, verdadeira iguaria. Os anos iam passando e Ninguém continuava mirradinho, magricela, buchudinho que só, parecendo que não suportaria muito tempo na estrada. Quando seu pai foi mordido no calcanhar por uma cobra faminta e no meio do mato mesmo se despediu dessa vida, sua mãe chamou-o ao lado da cruz pra dizer que doravante ele seria o homem da família. Me lasquei, pensou Ninguém. E não demorou muito pra sua mãe desgostosa bater as botas numa situação lamentável: já havia desistido de viver, o juízo lhe faltou de vez e se prostrava na esteira como se morta estivesse, com as mãos entrelaçadas por cima do peito ossudo. Até que não se mexeu mais.

Agora foi que me lasquei de vez, disse Ninguém ao jogar a última pá de terra por cima da cova. Ainda meninote, ao retornar à solidão da tapera e refletir sobre o que fazer dali em diante, olhou de canto a outro e nada avistou que tivesse valia. Um pote, uma moringa, tronco velho servindo de mesa, pedaços de pau como tamboretes, esteiras carcomidas, cacarecos, somente isso. Saiu adiante da tapera, igualmente olhou de lado a outro e também nada avistou que tivesse algum valor. Não havia cachorro, papagaio, jegue ou jumento, muito menos uma vaquinha ou um cavalo magro. Apenas o umbuzeiro desfolhado, a paisagem de um marrom esturricado, um calorão de lascar.

Tô lascado, disse e repetiu entristecido, baixando a cabeça em desolação. E assim de cabeça baixa foi andando, caminhando sempre adiante como se os seus passos nus já conhecessem aquelas estradinhas de terra batida. Não olhou pra trás uma vez sequer, não se despediu um só instante da moradia. Como estava ela ficou pra trás, de porta aberta, sem quase nada por dentro. E Ninguém foi simplesmente seguindo adiante, sem destino, sem saber onde queria chegar.

Não se pode afirmar ao certo o que lhe aconteceu depois da partida. Talvez tenha sido abençoado na caminhada, ou não; talvez já tenha morrido, ou não. Pode ser que esteja entre nós agora, de gravata ou comendo o barro da esmola. Nada se sabe do que lhe aconteceu. Talvez tenha nome e vida. Ou continue Ninguém.

Poeta e cronista
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Lampião, Cangaço e Nordeste


LAMPIÃO, CANGAÇO E NORDESTE (AGLAE LIMA DE OLIVEIRA)
UMA DAS MAIORES OBRAS JÁ ESCRITAS SOBRE O ASSUNTO CANGAÇO.

Fonte: facebook

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Lampião a raposa das caatingas


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
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Sinhô Pereira o homem que comandou " Lampião "


Seu nome na pia batismal deve-se ao fato de ter nascido no dia de São Sebastião, em 20 de Janeiro de 1896.

Sebastião Pereira da Silva (Sinhô Pereira) nasceu em Vila Bela, em meio a uma áspera guerra entre as famílias Pereira (a sua) e Carvalho. Foi chefe de cangaceiros, e, das suas mãos Lampião recebeu o seu bando de cangaceiros.

Sinhô Pereira foi embora para Goiás no ano de 1922 e, só voltou beber das águas límpidas e saborosas do Pajeú no ano de 1971 (mês de Junho), quando veio visitar a família em Serra Talhada, no Estado de Pernambuco.


O pesquisador Voltaseca Volta disse e m sua página no facebook: - Acima, túmulo de Sinhô Pereira na cidade de Lagoa Grande - no Estado de Minas Gerais. Ele usava o nome de Chic Maranhão. Foto cortesia do escritor e pesquisador do cangaço Sousa Neto.


Continua o pesquisador Volta Seca: No detalhe, nome na placa.


Ainda o Voltaseca Volta: - Vista da cidade de Lagoa Grande no Estado de Minas Gerais.


Continua o Voltaseca Volta - Portal na entrada da cidade de Lagoa Grande, no Estado de Minas Gerais.


Voltaseca Volta – Quadro-foto, existente no museu em Serra Talhada - Cortesia do escritor e pesquisador do cangaço Sousa Neto (pesquisador – Barro – no Estado do Ceará).


Segue o pesquisador Voltaseca Volta: -  Detalhe da camisa que no dia de sua morte, o Sinhô Pereira estava vestido com ela. Acervo: Museu do Cangaço - Serra Talhada. Cortesia da foto: Sousa Neto (pesquisador do Barro – no Estado do Ceará).


Manoel Neto disse: A cidade do Goiás que ele se instalou hoje pertence ao Tocantins onde ele tem descendente, se chama Dianópolis.


Sulamita De Souza Buriti disse: Parabéns pela publicação.


Geziel Moura falou o seguinte: Segundo o excelente livro, "José Inácio do Barro", do escritor e pesquisador Sousa Neto, Sinhô Pereira fugiu em 1922 para a, então, vila de São José do Duro (GO), hoje Dianópolis ( TO), como citado acima. Logo, adotou o codinome Chico Maranhão, por motivos óbvios, da mesma forma que assim o fez Luiz Padre, que passou a se chamar Zeca Piauí.

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

Postado, organizado e ilustrado por José Mendes Pereira
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RELÍQUIAS DO CANGAÇO: O PESQUISADOR LOURINALDO TELES GANHA PUNHAIS DO CANGACEIRO FÉLIZ DA MATA REDONDA

Por João de Sousa Lima
Osvalni, João de Sousa Lima e Lourinaldo

O pesquisador Lourinaldo Teles, de Calumbi, Pernambuco, conseguiu encontrar e ganhar de presente dois punhais que pertenceram ao cangaceiro Féliz da Mata Redonda.

João segura os dois punhais que pertenceram a Féliz da Mata
Um dos unhais de Féliz da Mata

Lourinaldo vem realizando um importantíssimo trabalho de busca de material do cangaço na região, resgatando além dos artefatos os relatos históricos.

Cangaceiro Féliz da Mata Redonda

Em breve teremos um livro contando sobre todos esses relatos colhidos em suas pesquisas.

João de Sousa Lima é escritor, pesquisador do cangaço, autor de 09 livros. Membro da Academia de Letras de Paulo Afonso e da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.
Telefones para contato: 
75-8807-4138 9101-2501 
E-mail: 
joaoarquivo44@bol.com.br 
joao.sousalima@bol.com.br

http://www.joaodesousalima.com/
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A Nova Face do Cangaço

Por Manoel Severo
Aderbal Nogueira, Manoel Severo e a Nova Face do Cangaço

Quantos anos se passaram, quantas histórias foram contadas, quanto chão percorrido, quanta violência e dor, quanto mistério... Quanto ainda temos para descobrir ? Apesar de toda controvérsia o cangaço se notabiliza como um dos mais intrigantes e fascinantes fenômenos de nosso sertão, de nosso nordeste. Só para falar no ciclo de Virgulino Ferreira, o Lampião, foram 20 anos de lama e aço...

Pesquisadores, rastejadores, curiosos, professores e alunos... vaqueiros da história, homens e mulheres de todas as idades e de todos os lugares se dedicam há muitos anos, de corpo e alma, a desvendar e aprofundar o estudo cangaço, tão presente entre nós até os dias de hoje,

Aderbal Nogueira, à frente da Laser Vídeo, com o apoio do Cariri Cangaço, da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço e do GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará, lançam seu mais novo empreendimento, o Projeto "A Nova Face do Cangaço". Um conjunto de documentários trazendo imagens e depoimentos nunca antes vistos, propondo um novo olhar para o estudo da temática.

Vejam um Piloto de Apresentação...

Clique neste link para você ver o vídeo

 http://cariricangaco.blogspot.com.br/2014/08/a-nova-face-do-cangaco-pormanoel-severo.html

Um Projeto com a Marca Laser Vídeo 
de Aderbal Nogueira
Apoio: Cariri Cangaço, SBEC & GECC


Para Ângelo Osmiro, presidente do GECC, "o projeto é uma iniciativa mais que oportuna no momento em que percebemos o estudo do cangaço ganhando uma nova dimensão, sem dúvidas haveremos de ter muita novidade". Já Aderbal Nogueira da Laser Vídeo ressalta "a grande oportunidade de unir o saber da história oral com as recentes iniciativas do estudo do cangaço a partir da academia, isso sem dúvidas precisa ser comemorado, estamos juntos nesse desafio, à exemplo do Projeto Arqueologia do Cangaço, lançado no Cariri Cangaço Piranhas 2014".

O Projeto embrionário já possui seu "norte", agora os parceiros envolvidos se dedicam a construir o conteúdo e buscar incentivos financeiros para muito em breve lançarmos em grande estilo e para todo o Brasil.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

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Dois Lampiões - um verdadeiro e o outro falsificado

Esse velho da foto era um mentiroso, o verdadeiro Lampião tinha a boca pequena. Esse velho mentiroso, tem a boca que parece uma caçapa de sinuca. 


Quando este falso Lampião morreu Vera Ferreira (neta do verdadeiro Lampião), escritora e cineasta, esteve lá em Minas Gerais, e procurou a família dele (do mentiroso) para exumar o corpo e fazer um DNA, mas a família não aceitou.

 Lampião verdadeiro

Lampião (verdadeiro) tinha o olho direito cego. Esse velho tinha o olho esquerdo cego (a foto foi invertida). A prova maior que Lampião morreu naquela madrugada fria de 1938, na Grota do Angico, no Estado de Sergipe, é de quem estava lá e escaparam.

Zé Saturnino pai de João Saturnino

Segundo o senhor João Saturnino (ainda vive em Serra Talhada, no Estado de Pernambuco), que é filho de Zé Saturnino, o capitão Euclides flor se encontrou com Zé Saturnino, e este lhe pergunta:

- Euclides flor, Lampião morreu mesmo em angicos? 

Euclides flor, homem valente sem mentiras, que passou anos perseguindo Lampião, fazendo parte da força nazarena, responde: 

- Zé Saturnino, você se criou com Lampião na Serra Vermelha, e você se lembra de um sinal que Lampião tinha embaixo do peito esquerdo?

Zé Saturnino responde:

- Eu lembro.

Euclides continua:

- Zé, eu fui lá a Angico com cinco soldados, lá arrancaram as cabeças de todos, mas eu vi um corpo parecido com o de Lampião, e pedi a um soldado que abrisse a blusa (azul de mescla), e vi direitinho o sinal embaixo do peito esquerdo. Zé, você pode dizer em todo canto, como se você tivesse visto lá no Angico, Lampião morreu sim, naquele dia.

Fonte: facebook

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Celso de Primo sequestrado pelo bando de cangaceiros de Zé Sereno


O fato em si é relatado no livro Saco do Ribeiro de José Gilson dos Santos (página 32):

Por derradeiro, em se aproximando da véspera do dia de São João (terça ou quarta 22/23 de junho) de 1937, Zé Sereno desemboca com mais de vinte cangaceiros, inclusive com mulheres no bando, em território municipal, passando uma noite inteira no lugar Maniçoba, hoje Nossa Senhora Aparecida, em completa farra, certamente festejando à época junina, ao som de uma velha sanfona que não parava de tocar canções regionais e, prosseguindo, o grupo amanheceu o dia na Lagoa da Mata, batendo primeiro na casa do velho Davi, onde até bem pouco tempo ainda existiam as marcas dos canos dos fuzis nas portas e janelas. 

Bando de cangaceiro de Zé Sereno

O bando apresentava estar todo de ressaca alcoólica, acompanhado do abnegado sanfoneiro Pedro Tacapé, bem assim de Celso de Primo que servia de guia. Na Lagoa da Mata, Zé Sereno dava a entender que se dirigia para o povoado Serra do Machado, diante das informações solicitadas sobre o itinerário, mas tudo indicava que o guia estava afirmando desconhecer o caminho, porque aquele cangaceiro, chefe do grupo em movimento, pegou também Manoel de Artur, para mostrar a estrada, que por sua vez disse da mesma forma não conhecer o rumo do destino pretendido pelo bando, causando até certa irritação ao bandoleiro, mas assim mesmo Manoel de Artur teve de montar na garupa do cavalo que conduzia Sila, a mulher de Zé Sereno. A cangaceira, pressentindo a tensão ambiental, mandou que Manoel de Artur desmontasse do animal, o que foi feito com extrema agilidade, permanecendo o grupo com o guia Celso de Primo, ou para os outros, Celso da Maniçoba.

Fonte: facebook
Página: Robério Santos - 

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O Livro do Filho de Chico Pereira

Por Francisco Frassales Cartaxo

Primeiro, chegou o padre. Depois, pouco tempo depois, apareceu o livro “Vingança, não”. Muito antes, o povo do sertão já sabia quase tudo sobre o cangaceiro Chico Pereira. O trabalho, as brigas, o amor, as andanças, a aliança com Lampião, os malfeitos protagonizados por ele, a morte envolta em mistério e insinuada traição política. Cresci ouvindo minha mãe contar, em gotas homeopáticas, episódios cheios de violência, ternura e dúvidas que corriam na boca do povo.

Dona Isabel, minha mãe, cearense de Várzea Alegre, carregava no coração o sentimento despedaçado por lembranças de perseguição política, de injustiças, sua família escorraçada do Cariri pelas improvisadas milícias dos partidários do padre Cícero e Floro Bartolomeu. Terminou por esbarrar em Cajazeiras. Com apenas dez anos de idade, ela colara à poeira da fuga marcas fortes de vingança. Mais fortes do que a perda dos bens que seu pai, Zuza da Inácia, vendera a preço de ocasião, ao sair de São José de Lavras, contrariado, carregando no bolso um salvo-conduto assinado pelo patriarca do Juazeiro.

O cangaceiro Chico Pereira

Dona Isabel leu o livro “Vingança, não”, de Francisco Pereira Nóbrega, como quem repassa a vida, a lembrar do próprio pai, escondido nas matas, dormindo fora de casa com receio de ser preso, agredido ou morto em pleno desenrolar da “guerra entre Crato e Juazeiro”, em 1914. Parece até que agora revejo minha mãe deitada na rede, a claridade da manhã surpreendendo seus olhos pregados nas últimas páginas do livro-depoimento de padre Pereira. 

Relembro a cena, ocorrida há mais de 50 anos, ao reler o mesmo exemplar que as mãos de minha mãe viraram página por página (Livraria Freitas Bastos, 2ª edição, 1961), o coração acelerado, a memória avivada, a forte sensação de que os mortos estão vivos. Os mortos do padre Pereira. E os meus.

Primeiro, chegou o padre. Jovem, preparado, inteligente, fala mansa, ar de alheamento, a querer, quem sabe, decifrar no interlocutor a intenção de descobrir nele um gesto, uma ponta de fio que conduzisse à herança do pai cangaceiro. Padre Pereira chegou a Cajazeiras carregado de novidades. Formou a Juventude Estudantil Católica (JEC) e a Juventude Independente Católica (JIC). Não guardo lembrança da JOC. A JUC, certamente não, pois no meado do século vinte só havia ginásio e escola normal na minha cidade. Trouxe métodos de evangelização até então estranhos à Igreja local. Reuniões em sítios, debaixo de árvores, quebrando a distância entre orientador e orientado, abrindo debates francos, retirando de todos nós, jovens católicos, o ranço de que tudo é pecado. E labareda, fogo do inferno a queimar os pecadores. Padre Pereira mal falava no inferno...


O estigma de filho de cangaceiro ia se esvaindo, sob o manto e a suave presença de sua mãe, dona Jarda. A gente olhava para Jarda e enxergava Maria, a mãe de Jesus. Nem todos, porém, viam assim. Outros alimentavam receios de serem contestados. Algumas novidades introduzidas na prática religiosa pelo jovem sacerdote desagradaram aos poderosos. O prefeito de Cajazeiras, o médico Otacílio Jurema, por exemplo, ao ouvi-lo explicar, do púlpito, o porquê de um gesto considerado afrontoso aos donos do poder, teria dito: não ouvi o padre, ali falou o filho do cangaceiro. 

Primeiro, chegou o padre. Mobilizou a juventude e a sociedade em torno de um assunto tabu — o cabaré de Cajazeiras. Conto como foi. Jornal de João Pessoa publicou uma carta assinado por um desconhecido caixeiro-viajante, Duarte Resende, lamentando a presença do meretrício em local inadequado. Cajazeiras crescera e o cabaré permanecia, bem ali, atrás do cemitério Coração de Jesus, pertinho do Colégio Dom Moisés Coelho. Uma afronta às famílias da terra do padre Rolim. Antes de ser publicada a carta, já estávamos nós, os rapazes da JEC, de posse de sua reprodução em forma de panfleto para distribuir de casa em casa, numa operação, absolutamente, sigilosa. Exigência do padre Pereira para, entre outros objetivos, seduzir os meninos da JEC... Divididos em grupos de duas pessoas, cada dupla foi destacada para agir em um bairro, alta hora da noite, colocando o papel por baixo da porta ou da janela. Neném Moésia (Deus o guarde) e eu enfrentamos um imprevisto. Mal começada nossa tarefa - na atual Rua Engenheiro Carlos Pires de Sá -, alguém pensando que se tratava de ladrões, abriu a janela e meteu bala... Corremos sem olhar para trás... E sem cumprir a missão, claro, pois quem espera por tempo ruim é lajeiro... 

Chico Pereira

Corri até minha casa, o coração saindo pela boca, as pernas feito vara verde, garganta seca, voz entrecortada de angústia e medo. Meus pais, que estavam à minha espera na calçada, riram à beça. Vivi minha primeira experiência de ação clandestina. Uma luta inglória, talvez de pouco sentido social. Porém, isso não conta. Importa realçar a liderança do padre Pereira. Ele era assim, corajoso, inovador, carismático, ousado, cheio de novidades. E mistérios.

E o livro? Não deu tempo. Primeiro o padre, depois o livro.   

Esta crônica, publicada no jornal Gazeta do Alto Piranhas, Cajazeiras, nº 324, de 25/02 a 03/03/2005, foi revisada e ampliada para divulgação no www.cariricangaco.blospot.com.br

Francisco Frassales Cartaxo 
Recife, Pernambuco

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"DOMINGUINHOS, O NENÉM DE GARANHUNS"


O livro "DOMINGUINHOS, O NENÉM DE GARANHUNS" de autoria do professor Antonio Vilela de Souza, profundo conhecedor sobre a vida e trajetória artística de DOMINGUINHOS, conterrâneo ilustre de GARANHUNS, no Estado de Pernambuco.

Adquira logo o seu através deste e-mail:
incrivelmundo@hotmail.com

R$ 35,00 Reais (incluso frete)
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Arte e o Cangaço


Estatueta de 35cm feita a canivete na década de 70, pelo artista Erick Rey de Itabaiana, no Estado de Sergipe. 


Estas estatuetas pertencem ao acervo do pesquisador do cangaço  Robério Santos.

Fonte: facebook

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Lampião e o coronel Veremundo Soares

Coronel Veremundo Soares

O coronel "Veremundo Soares", o todo poderoso da cidade de Salgueiro no Estado de Pernambuco, não era cordial, nem cantava na cartilha do rei do cangaço.

O rei do cangaço - o Lampião

Certa feita, o capitão Lampião enviou-lhe este bilhete. (cópia abaixo).


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Pertenceram ao cangaceiro Zé Sereno


Chapéu que pertenceu ao cangaceiro Zé Sereno chefe de subgrupo do bando de Lampião, e um dos sobreviventes de Angico, local em que foram mortos Lampião, Maria Bonita, nove cangaceiros e um soldado da força policial volante comandada pelo então tenente João Bezerra.


Pistola da marca Mauser de 10 tiros que pertenceu ao famoso e sanguinário cangaceiro Zé Sereno, chefe de subgrupo do bando do cangaceiro Lampião.


Uma visita ao mestre Antônio Amaury Corrêa de Araújo um dos maiores pesquisadores e escritores sobre o tema cangaço.

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior

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