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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

A BEATA E O CANGACEIRO

*Rangel Alves da Costa

Quando Padre Gerôncio ficou sabendo da notícia, então só faltou endoidar. “Mas não pode, isso é coisa do outro mundo, não pode estar acontecendo uma coisa dessas na minha paróquia. Se for verdade, eu juro por Deus que hei de excomungar a beata Santinha...”. E disse mais, muito mais.
Tudo pela notícia logo espalhada pelos quatro cantos e para espanto de meio mundo de gente. Grande parte da população não queria acreditar de jeito nenhum que a beata Santinha tivesse alçado o cangaceiro Lampião ao mesmo posto das santidades. Não só santificou o cangaceiro como lhe deu altar.
Assim mesmo aconteceu. A velha beata cismou de colocar dentro do oratório uma imagem de barro de Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Capitão Lampião, e bem ao lado dos santos da igreja e de outros santos sertanejos. E para a santidade cangaceira se devotava com a mesma fé e profusão. Até havia criado uma reza própria para louvar o rei das caatingas: “Ladainha ao Cangaceiro Sagrado”.
Isso mesmo, se aumentar nem diminuir. Significa dizer que Lampião estava ao lado de São Jorge, São Pedro, Nossa Senhora das Virgens, Nossa Senhora Aparecida, Santa Edwiges, São Sebastião, bem como de Padre Cícero, Frei Damião e o Beato Pedro Batista, dentre outros. E até de um Jesus Cristo antigo e todo trabalhado em madeira de lei, verdadeira relíquia.
Quem deu a língua nos dentes, indo contar essa novidade medonha ao Padre Gerôncio, foi outra famosa beata, a conhecida Gerimunda Linguaruda. Só que dessa vez, a história contada ao padre era verdadeira, pois Santinha sequer escondia a devoção sentida pelo cangaceiro por ela mesmo santificado.
Assim que contou a história ao sacerdote, o homem quase teve um piripaqui na hora. Era de pele clara, logo avermelhou, para depois parecer um tição fagulhando de raiva. Lançou mão do vinho da missa e secou a garrafa em minutos. Andava de lado a outra, ora querendo levantar a batina ora puxando os cabelos. A beata Gerimunda chegava a delirar com tudo isso, principalmente quando o sacerdote fazia menção de levantar a batina.
Enfim, Padre Gerôncio chegou à conclusão que teria de convocar a beata Santinha para se explicar, em meio aos fiéis, a sua atitude desatinada e pecadora de levantar altar entre os santos para um cangaceiro. E ainda por cima um cangaceiro tido por muitos como a ferocidade maior nordestina, líder de um bando de facínoras desalmados e até acusado de desvirginar mocinhas indefesas e levantar criança para o alto e esperar a descida na ponta do punhal. Ah, sim, a desnaturada beata tinha que se explicar direitinho.


Assim que soube da convocação, ao invés de se preocupar com as explicações que teria que dar ante o sacerdote e todos, sob pena de ser até mesmo excomungada, Santinha o que fez foi se ajoelhar perante o oratório e, mirando bem a imagem de Lampião, começar a entoar seu “Ladainha ao Cangaceiro Sagrado”:
“Meu santo santificado, santo do meu sertão, pois todo mal é curado no punhal de Lampião. Homem que veio como guia para afastar a opressão, para combater a tirania do mundo em desolação, trazendo uma estrela na mão e na outra um mosquetão, como enviado dos céus, para ser nossa salvação. Livra de todo quebranto, Virgulino Capitão, afasta do mundo a maldade pela sua estrela em clarão. Meu santo santificado, santo do meu sertão, pois todo mal é curado no punhal de Lampião”.
Pelo jeito, a beata lampionista estava mais que preparada para ir defender sua devoção cangaceira perante a igreja. Uma verdadeira Inquisição Sertaneja e com grande possibilidade de lançar à fogueira uma mulher cujo pecado maior era acreditar no que achava melhor acreditar, fazendo de sua fé um jeito próprio de veneração. E assim, se achando pronta e preparada para o que desse viesse, colocou um chapéu cangaceiro e rumou até a igreja.
Ao colocar os pés perante a multidão de sertanejos curiosos e amedrontados pelo que pudesse acontecer, Santinha logo ouviu do Padre Gerôncio, aos gritos: “Entrar com chapéu cangaceiro no templo de Deus, nem pensar...”. Então a beata começou a falar ali mesmo, sem sequer dar tempo de o sacerdote começar a inquisição:
“Quem disse que sua batina de pouca vergonha, pois todo mundo sabe o que faz nos escondidos da sacristia, é mais importante que esse chapéu sertanejo? Quem disse que sua fé é maior que a minha? Agora, sobre eu ter Lampião no meu oratório, eu tenho apenas a dizer o seguinte. Diga um só santo que não foi injustiçado em vida. Se disser o nome de um eu tiro Lampião agora mesmo do oratório. Ou o senhor acha que lutar contra a opressão, combater o dragão do poder e confrontar uma violência maior que a cangaceira, é coisa pra qualquer um? A vida de Lampião foi de martírio ou apenas de beber vinha de missa em cálice de ouro? Diga seu padre!”.
E depois disso, sem sequer prestar atenção no desmaio do padre, deu meia volta e seguiu caminho. Voltando-se apenas para um último grito: “E amanhã vou voltar pra contar os milagres de Lampião!”.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

QUEM FOI SABINO GOMES


Sabino Gomes

Sabino Gomes de Góis, alusivamente conhecido como “Sabino das Abóboras” nasceu na Fazenda Abóbora, localizada na zona rural do município de Serra Talhada/PE, próximo a fronteira com a Paraíba pertencente ao respeitado coronel Marçal Florentino Diniz pai de Marcolino Pereira Diniz. No local eram criadas grandes quantidades de cabeças de gado, havia vastas plantações de algodão, engenho de rapadura e se produziam muitas outras coisas que geravam recursos. Também existem dois riachos, denominados Abóbora e da Lage, que abastecem de forma positiva a gleba.

Sabino era filho da união não oficial entre o coronel Marçal Florentino Diniz e uma cozinheira da fazenda. Consta que ele trabalhou primeiramente como tangedor de gado, o que certamente lhe valeu um bom conhecimento geográfico da região. Valente, Sabino foi designado comissário (uma espécie de representante da lei) na circunvizinhança da fazenda Abóbora.

Para alguns estudiosos do cangaço teria sido Sabino que coordenou a vinda do debilitado Lampião para ser tratado pelos médicos José Lúcio Cordeiro de Lima e Severino Diniz de um ferimento no pé ocasionado pelo confronte do chefe do cangaço com a polícia na localidade de Serra do Catolé, pertencente ao antigo município de Vila Bela, hoje Serra Talhada/PE. E que a amizade entre “Lampião” e o filho bastardo de Maçal Diniz, teria nascida na Fazenda Abóbora e se consolidado a ponto de Sabino se juntar ao “Rei do Cangaço” e seu bando, em uma posição de destaque, no famoso ataque de cinco dias ao Rio Grande do Norte, ocorrido em junho de 1927.

Marcolino Diniz em foto de 1930

Asseguram também que a inserção de Sabino no cangaço se deu em razão do assassinato de um primo legitimo seu de nome Josino Paulo surdo-mudo, morto por Clementino Quelé - conhecido por tamanduá vermelho, nas pilhérias do cangaço. Por outro lado a corrente, que defende o ataque a cidade de Souza como porta de entrada de Sabino no bando de Lampião. Fato esse que veio a antecipar o afastamento do líder cangaceiro ao poderoso coronel  Zé Pereira, de Princesa, cunhado de Marcolino Diniz. Entre 1921 e 1922, acompanhou seu meio irmão Marcolino para Cajazeiras.

Marcolino Pereira Dinizdesfrutava de muito prestígio político. Era presidente de clube social, dono de uma casa comercial e do jornal “O Rebate”. Tinha franca convivência com a elite cajazeirense. Sabino por sua vez era guarda costas de Marcolino e andava ostensivamente armado. Nesta época Sabino passou a realizar nas horas vagas, com um pequeno grupo de homens, pilhagens nas propriedades da região.

Foi através do Cel. Marcolino, que Sabino trouxe para residir na cidade sua mãe Maria Paula - carinhosamente chamada pelas pessoas de Vó e suas quatros filhas: Maria, Geni, Alaíde - Nazinha e Maria de Lourdes - Delouza.

Casa sede da Fazenda Aboboras

Em 13 de março de 1928, já completando um ano da ousada investida a cidade de Mossoró/RN, Sabino se dirigiu com Lampião e seu bando para a região do cariri cearenses, entrando nas terras alencarinas pelos lados de Macapá, atual Jatí, indo em direção a Fazendo Batoque (Fazenda Piçarra) de propriedade do coiteiro Antonio Teixeira Leite (Seu Antônio da Pirraça como era conhecido). Arranchados nas terras da fazenda o bando de Lampião foi alcançado por uma volante comandado pelos tenentes: Arlindo e Eurico Rocha e o sargente Manoel Neto. Numa noite de chuva forte e muito relâmpagos no céu, Sabino e mais outros comparsas, se deslocaram até a sede da fazenda, para buscar munições e armas, e ao atravessar por um "passadiço" de uma cerca, foi iluminado por um relâmpago, sendo visto e alvejado rapidamente pelos policias da volante de Arlindo Rocha. Era a morte e o fim de Sabino das Abóboras. Poucos cangaceiros foram tão cultivados, fora o chefe Lampião, do que Sabino Gomes, cuja presença no cangaço a cultura popular se encarregou de perpetuar, a exemplo da trova divulgada pelas bandas do sertão, a qual dizia: "Lá vem Sabino mais Lampião, Chapéu quebrado,  fuzil na mão".

Francisco Cleudimar Lira
FONTE - http://cajazeirasdeamor.blogspot.com.br/2011/10/quem-era-o-homem-que-atacou-cajazeiras.html


LAMPIÃO NA CABEÇA DE LUCIANA SANDRONI



Com uma arma apontada para a cabeça, Helena tem que escrever a biografia de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Com o rei do cangaço, não tem brincadeira. Promessa é promessa. E deve ser cumprida a qualquer custo. Helena é a narradora de Lampião na Cabeça, primeiro livro de Luciana Sandroni pela Editora Rocco. Por meio da personagem, a premiada escritora de livros infanto-juvenis recria a controversa trajetória de Lampião – do menino tranquilo ao temido cangaceiro que entrou para a história como um homem perigoso e violento – em um livro instigante, que conta ainda com belas ilustrações e projeto gráfico assinados por André Neves.

Em suas pesquisas, Helena descobre que Virgulino foi um menino esperto e inteligente. Terceiro de nove filhos, cresceu ouvindo as histórias dos cangaceiros famosos cantadas pelos artistas populares da época e brincando de “Polícia e cangaceiro”, o equivalente ao “Polícia e ladrão” da cidade. Desde os seis anos, ajudava o pai com os carneiros e as cabras na pequena fazenda da família, e na juventude se tornou muito habilidoso na arte do couro, além de ótimo vaqueiro, excelente dançarino de xaxado e tocador de sanfona de oito baixos. Mas por que então foi se meter no cangaço?

Lampião de Mario Cravo

Virgulino virou Lampião para vingar a morte do pai, em 1921. As rixas entras as famílias eram muito comuns na época e a justiça era feira “aqui e agora”. Uma vingança puxa outra e... Virgulino nunca mais deixou de ser Lampião. Atuou no cangaço dos 19 aos 41 anos, tornando-se o bandido mais importante do século XX. Eternizou a imagem do cangaceiro – chapéu de couro com a aba virada para cima enfeitada com moedas de ouro, as cartucheiras se cruzando no peito – e até hoje é amado e odiado.

Se Lampião foi uma espécie de Robin-Hood do sertão ou apenas um cabra da peste egoísta e sanguinário que espalhava o medo e a opressão pelos povoados onde passava, até hoje há controvérsias. Mas que sua história é fascinante, quanto a isso não resta dúvida. É justamente essa história aberta a várias interpretações que Luciana Sandroni conta no arretado Lampião na cabeça. Com uma narrativa criativa, que mistura ficção e dados reais e reflete ainda sobre o papel do escritor, a autora mostra que toda história pode ser contada de várias maneiras. E é bom não se esquecer disso, senão o couro vai comer!

Fonte:http://bemolariaramos.blogspot.com.br


AS CARTAS DE JOÃO DANTAS E A MORTE DE JOÃO PESSOA

Por Manoel Severo
João Pessoa

O que não se esperava é que um fato vindo da pequena Paraíba pudesse desaguar na grande revolução de 30... Dia 26 de julho, era assassinado o presidente do estado da Paraíba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, renomado político e candidato à vice-presidência da chapa derrotada do gaúcho Getúlio Vargas.

As esquinas das ruas Palma e Nova, no centro rico de Recife, foi o palco dos 3 tiros que viriam a tirar a vida de João Pessoa. Ali, na Confeitaria Glória, ponto de encontro da elite nordestina, em 26 de junho de 1930 morria uma das maiores lideranças políticas do nordeste e aliado do derrotado Getúlio Vargas.  O crime, apesar de ter sido o estopim para o movimento “revolucionário” não teve ligação com a campanha presidencial. 

Um conflito entre o advogado paraibano João Dantas, João Pessoa e o coronel José Pereira, chefe da cidade de Princesa teria sido o real motivo do assassinato. Senão vejamos: era presidente do estado da Paraíba, João Suassuna, que a revelia da oligarquia de Epitácio Pessoa, articulava a sua própria sucessão lançando a chamada chapa dos 3 Jotas: seu chefe de polícia Júlio Lyra e os coronéis José Pereira e José Queiroga para a presidência, e primeira e segunda vice presidências do estado, consolidando sua força no estado. 

Epitácio Pessoa interveio e lança seu sobrinho João Pessoa que ganha a disputa e no discurso de posse em outubro de 1928 declara: “que desejava assegurar garantias a todos e que levaria a polícia a vasculhar propriedades à procura de armas que abasteciam o cangaço.” Frontalmente contra a política sertanista de Suassuna e Zé Pereira de suposta complacência com o banditismo cangaceiro.  No conflito envolvendo as partes, que culminou com a famosa “Revolta de Princesa”, o advogado João Dantas, filho do coronel Franklin Dantas do município de Teixeira, havia tomado partido de Zé Pereira.

Anayde: Cartas de amor publicadas...

A oposição mantida a João Pessoa por João Dantas se efetivava violenta, um apartamento seu, localizado em um sobrado da então Rua Direita, 519, bem no centro da capital e próximo do palácio onde trabalhava João Pessoa, foi invadido pela polícia no dia 10 de julho; livros, documentos e móveis de João Dantas foram queimados na calçada fronteira. Ali também teriam sido recolhidas correspondência íntimas entre João Dantas e sua noiva Anayde Beiriz, ato contínuo O jornal A União, que já era então o órgão oficial do governo da Paraíba, publicou uma série de acusações gravíssimas a familiares de João Dantas, inclusive ao patriarca, Cel. Franklin Dantas, unido a isso fizeram publicar em  jornal local, as cartas que João Dantas tinha escrito para sua amada, Anayde . 

Aqui abrimos um parêntese para citar declaração do historiador  José Joffily sobre o escárnio sofrido por Dantas com relação à privacidade de sua relação com a amada: “Bem me lembro, quando,a caminho do Colégio Pio X onde estava concluindo o ginásio, entrei numa fila, com outros estudantes, para ler sonetos extravagantes e páginas confidenciais do diário do fogoso advogado, eram confidências amorosas entre o advogado João Dantas e Anayde Beiriz”.

As desavenças e ódio passaram a deixar cada vez as ácidas e perigosas as ligações entre Dantas e João Pessoa, culminando, diante da pressão de amigos, com a mudança de João Dantas da Paraíba para Olinda em Pernambuco.  

Jornal do Brasil e a manchete da morte de João Pessoa

João Dantas, que morava em Olinda, aproveitou uma visita do presidente do visinho estado paraibano à cidade do Recife; a despeito de visitar um amigo enfermo, o Juiz Francisco Tavares da Cunha Melo, internado no Hospital Centenário; mas que segundo afirmação de Ronildo Maia Leite, “provavelmente João Pessoa viera ao Recife encontrar-se com uma cantora com quem mantinha um romance secreto.”Essa cantora seria a soprano Cristina Maristany. E quando o mesmo se encontrava na Confeitaria Glória, entra João Dantas, armado de um revólver, acompanhado do cunhado Moreira Caldas. Se aproximando de João Pessoa teria dito: 

”-  João Pessoa? Eu sou João Dantas”. 

Aqui saem os cangaceiros das caatingas e entram os cangaceiros da capital... Vários tiros foram disparados por João Dantas e por Moreira Caldas, não se sabendo ao certo, qual tenha sido a bala fatal que mataria o político. Ainda segundo Ronildo Maia “ele morreu com as jóias que, minutos antes, havia comprado na joalharia Krauze para sua amante”. Em seguida ao assassinato do líder paraibano, o governo é assumido por seu vice-presidente Álvaro Pereira de Carvalho, que  muda o nome da capital da Paraíba para João Pessoa e o acrescenta o lema NEGO à bandeira do Estado, numa referência à resposta que João Pessoa teria dado via telegrama, ao presidente Washington Luís sobre a negação de seu apoio à candidatura vitoriosa de Júlio Prestes; o vermelho da flâmula representava o sangue da morte de seu líder e o preto, o luto.

João Dantas

Voltando à Confeitaria Glória; João Dantas ainda seria ferido pelo motorista de João Pessoa quando fugia, e depois acabaria sendo preso ao lado do cunhado Moreira Caldas e de novo a ironia do destino colaria cabeças decapitadas; como em Angico; no caminho do povo nordestino. 

Recolhidos à Casa de Detenção, do Recife, os dois foram degolados e tiveram suas cabeças enviadas para a Paraíba, era o dia 03 de outubro de 1930, o crime teria sido arquitetado pelo tenente da força policial Ascendino Feitosa, e seu auxiliar o soldado João da “Mancha”; ele tinha uma mancha escura no rosto, razão pela qual lhe foi dado esse apelido; como executor.  

Agora nos valemos de um trecho de entrevista prestada pelo Coronel Manuel Arruda de Assis, oficial da Policia Militar da Paraíba a José Romero Araujo em janeiro de 1989, “o indivíduo João da Mancha era considerado inclusive por seus antigos colegas de farda, como um psicótico, extravagante sangrador das forças volantes paraibanas. Naquele dia rompeu, com um bisturi pertencente ao medico Luiz de Góes, a carótida do advogado João Dantas, como também de seu cunhado, o engenheiro Moreira Caldas, ambos assassinados com a mesma “técnica”. O “serviço” fora feito por um profissional macabro que conhecia muito bem o seu “ofício”. O militar sabia milimetricamente onde iria romper a artéria, visto que a luta corporal travada entre o intrépido advogado João Dantas e os seus algozes impediu o seccionamento no ponto exato, como pretendia Dr. Luiz de Góes.” E continua o coronel Manuel Arruda, “só alguém que estava profundamente em contato com a “arte” de sangrar poderia ter feito um “trabalho” com tamanha perfeição”.


E continuando com as reflexões de Manuel Arruda, “quando as tropas comandadas por Juarez Távora, ativo integrante da coluna Prestes, chegaram ao Recife, o primeiro local visado pelos militares paraibanos foi a detenção onde se encontravam presos João Dantas e Moreira Caldas que se tornou alvo dos comandados por Ascendino Feitosa, estando entre estes João da “Mancha” e o médico Luiz de Góes.” Conforme o entrevistado, esse médico era capaz de tudo, regido por verdadeiro espírito sanguinário. E segue: “dominados os prisioneiros, Luiz de Góes apontou a Ascendino a carótida. João Dantas entrou em luta corporal com seus algozes, sendo atingido na sobrancelha. Com precisão invulgar, João da “mancha” recolheu o bisturi e aplicou certeiro golpe no local indicado, pondo fim à vida de João Dantas.” O entrevistado revelou que o corpo do advogado foi profanado de diversas maneiras, mesmo quando estertorava. Em seguida, o cunhado Moreira Caldas teve o mesmo fim, morrendo implorando para que o deixassem cuidar da família.

Segundo Manuel Arruda de Assis, era comum solicitar a presença de João da “Mancha” quando cangaceiros eram aprisionados. No combate de 1923, quando o sucessor de Sinhô Pereira fora ferido no tornozelo, no qual pereceram Lavandeira e Cícero Costa, ambos foram sangrados pelo frio soldado volante que se aperfeiçoou em matar usando o extremo da covardia e da perversidade.

Entretanto outra versão defende que João Dantas e Moreira Caldas se suicidaram com golpes de um mesmo bisturi, primeiro Dantas, depois Caldas, tese essa reforçada por supostos bilhetes deixados pelos mesmos em baixo de seus travesseiros. Segundo afirmações de José Joffily "como poderiam estes documentos de despedida, escritos em instante derradeiro, apresentar a correta redação, o talho das letras e a autenticidade das assinaturas, comprovadas em perícia, se tudo fosse escrito no tumulto de uma feroz degola e trucidamento?” e continua citando a confidência de João Dantas ao seu irmão Manoel, como prova do seu intuito de suicidar-se:

“-No caso de um movimento armado e vitorioso, 
eu não me entrego. Mato-me!” 
 “-E tens ao menos com que te matar?” 

 “-Ele abriu a gola do pijama e retirou dele um afiado bisturi.”.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

AURORA PROMOVE VISITA A SÍTIOS HISTÓRICOS

Por:José Cícero Silva
José Cícero e equipe da Secult

Com o objetivo  de melhor divulgar e também promover o turismo local, a secretaria de cultura(Secult) iniciou esta semana o projeto imagético  'Belezas d'Aurora' que conforme o secretário José Cícero,  em sua primeira etapa  pretende produzir uma série de pequenos vídeos e imagens  retratando em seu bojo toda a beleza dos ambientes, tanto naturais, quanto relacionados à história, as artes, os artesanato e a religiosidade do município. 

Neste sentido,  uma equipe de trabalho capitaneada pelo próprio secretário, esteve no último sábado(21) visitando alguns dos locais mais emblemáticos da  história de Aurora, bem como dos seus atrativos naturais espalhados no mais das vezes, pelo interior rural. 

O professor Ronaldo Santos, como convidado, também compôs a equipe de pesquisa de campo, incluindo a presença do senhor Zé de Pedro  do sítio Espinheiro, autêntico contador de causos e que na oportunidade guiou a equipe durante o percurso(ver fotos). Ocasião em que visitaram diversas partes do rio Salgado, a exemplo da famosa Massalina no sítio Volta na região do Pavão. Como inclusive, a capelinha onde encontra-se sepultada a jovem Cotinha  - filha do vaqueiro do padre Cícero, no sítio Maracajá(Pavão) que, segundo os moradores da região vem obrando milagres. 
 

Ainda o cemitério da Bailarina na comunidade de Carro-quebrado no riacho das Antas onde encontram sepultadas clandestinamente as vítimas da grande epidemia de cólera ocorrida em meados do século XVIX e, por último as famosas minas do serrote do Coxá que no passado pertenceram ao padre Cícero Romão sendo motivo de sangrentas disputas envolvendo sitiantes do lugar e outros personagens como Floro Bartolomeu e seus jagunços, os engenheiros conde Adolfo, Frochot, entre outros. 

Episódio que passou à histórica do Cariri  como "as polêmicas demarcação das minas do Coxá de 1908", sem esquecer sua ligação como chamado "Fogo do Taveira".  Sem esquecer a histórica disputa entre os Macambiras e os Fernandes pelas terras onde estavam localizadas as minas. 

Padre Cícero no Serrote do Coxá

O serrote do Diamante também recebeu as atenções da equipe, visto que tantas vezes serviu de coito e esconderijo para Lampião e seu bando nos anos de 26 e 27 antes de chegar à fazenda Ipueiras sob os auspícios do vaqueiro do coronel Izaías Arruda, Miguel Saraiva  que ali residia.

Banco de Imagens - Projeto Imagético: Inicialmente, o rol das fotografias selecionadas será exposto nas vidraças que compõem o espaço sob a estátua do Senhor Menino Deus, ao lado da igreja matriz no centro da cidade. "A ideia  é mostrar para as pessoas um pouco do grande potencial turístico que possui o município de Aurora nos aspectos religioso, histórico e ecológico. Além de tentar provocar em cada cidadão um maior apego e conhecimento acerca da nossa própria história, além de um sentimento de 'pertecimento' no que se refere à defesa do nosso  rico patrimônio histórico, arquitetônico, ambiental, humanístico e cultural", disse.

Fonte:http://blogdaaurorajc.blogspot.com.br/2014/06/equipe-da-secult-realiza-visita-lugares.html

José Cícero Silva
Secretário da Cultura de Aurora
Pesquisador, Escritor
Conselheiro Cariri Cangaço

MOVIMENTO DE ESCRITORES NA LIVRARIA ESCARIZ, JARDINS-ARACAJU

 Por João Everton da Cruz


Foi um 26 de junho de 2014 marcado pela interação e socialização da cultura nordestina, sobretudo das raízes sergipanas. Uma maneira de fazer chegar a cultura a muito mais pessoas. Durante o evento ouvimos recital de poesia. Reencontramos velhos amigos e discutimos projetos, ideias e cultivamos a paidéia.
O encontro possibilitou uma relação transformadora do ser humano. O humano se faz no curso do desenvolvimento histórico e social; profundamente diferente do mundo da natureza. Daí a importância da cultura na vida das pessoas: "formar", "educar", "instruir o ser humano". Cultura é Humanização.


Ao longo do evento foi possível ler, comprar alguns livros e saborear um café entre amigos. O exercício da palavra foi o fio condutor do encontro de escritores e apreciadores de literatura. Foi dado ênfase ao registro escrito com a exposição de cada escritor acerca dos seus livros. Por isso que o registro é ainda a forma mais duradora de permanecer no tempo uma mensagem que se queira dizer a outras pessoas. Vimos um grande volume de obras sendo produzidas em Sergipe.
Os livros apresentados n"O Escritor na Livraria" são frutos de diferentes dinâmicas literárias e, portanto, em diferentes gêneros. Vale a pena a leitura. A lição que tiramos: é hora de alargar horizontes e confrontar com os desafios. Dizia o teólogo Juan Sobrino: "a realidade dá o que pensar e dá o que fazer". A sabedoria indígena nos ensina que podem arrancar nossos frutos, cortar nossos galhos e queimar nossos troncos, porém nunca conseguiram matar nossas raízes.
Foi um evento prospectivo. É nesta perspectiva que vem nascendo novas Academias de Letras pelo interior do Estado de Sergipe. Fruto do trabalho do Escritor Domingos Pascoal. São elas: Academia Dorense de Letras (recém instalada); Academia Gloriense de Letras; Academia Itabaianense de Letras; Academia do Alto Sertão; Academia Lagartense de Letras; Academia Estanciana de Letras e Academia Tobiense de Letras. Sem contar a Academia Sergipana de Letras.

João Everton da Cruz
Nossa Senhora das Dores - Sergipe

ANTÔNIO MEDEIROS GASTÃO O DR. GASTÃO


Por José Mendes Pereira

Antônio Medeiros Gastão é irmão do fundador da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço. É natural de Triunfo no Estado de Pernambuco. Nasceu no dia 13 de junho de 1932. É formado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco, em 1958.


Como médico prestou serviços no Pronto-Socorro Municipal, em São Paulo-SP (1959); Médico Estagiário em Anestesiologia do HC, em São Paulo (1959); Hospital de Caridade de Mossoró (1960 a 1962); Diretor Clínico do Hospital de Caridade de Mossoró (1962); Médico do Departamento de anestesiologia do HC, em São Paulo (1962); Médico do INPS e do INAMPS, em Mossoró (1968); Professor do Centro de Educação de Mossoró (1961); Professor no Colégio Diocesano Santa Luzia (1961 a 1962); Presidente do Esporte Clube Baraúnas (1964), em Mossoró; Presidente da Liga Desportiva Mossoroense (1965); Diretor Geral da Sociedade Hospital de Caridade de Mossoró (1967 a 1969); Membro fundador do Conselho de Curadores da Fundação Universidade do Rio Grande do Norte – FURRN (1968 a 1977); Professor na Fundação Universidade do Rio Grande do Norte – FURRN (1972); Diretor Presidente da Sociedade Hospital de Caridade de Mossoró (1978); Membro do Conselho de Curadores da Fundação Universidade do Rio Grande do Norte – FURRN (1981 a 1985); Membro do Conselho Deliberativo da Fundação de Saúde de Mossoró (1989); Membro do Conselho Municipal de Saúde em Mossoró (1992 a 1997) e Vice presidente do Conselho Municipal de Previdência Social de Mossoró (1995 a 1997).

Em razão de todo esse trabalho por nossa cidade, ele recebeu o Título de Cidadão Mossoroense, pelo Decreto Legislativo Nº 35/1976, outorgado pela Câmara Municipal de Mossoró.

Fonte de pesquisa: Relembrando Mossoró

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VAMOS LEITOR, ASSISTIR A EXECUÇÃO DO CANGACEIRO JARARACA?

Por José Mendes Pereira
O cangaceiro Jararaca

Diz o jornalista Geraldo Maia do Nascimento que no depoimento baseado que Pedro Sílvio de Morais um dos integrantes da escolta que matou o cangaceiro Jararaca em Mossoró fez ao historiador Raimundo Soares de Brito, disse-lhe o seguinte:

Raimundo Soares de Brito e Geraldo Maia do Nascimento

- Pelas onze e meia horas da noite de um luar claro e frio, do mês de junho, uma escolta composta de oficiais, sargentos e praças, conduziu em automóvel o bandido, dizendo que ele iria ser trancafiado na cadeia de Natal. No momento da saída, e ao dar entrada no carro, Jararaca disse que tinha deixado as suas alpargatas na prisão, e pediu ao comandante para mandar buscá-las, pois não queria chegar à capital com os pés descalços.

O tenente-comandante então disse:

- Não se preocupe. Em Natal lhe darei um par de sapatos de verniz.

E de lá da cadeia partiram como se fossem para Natal capital do Rio Grande do Norte. Quando os automóveis pararam no portão do cemitério São Sebastião (Mossoró), Jararaca interrogou-os:

- Mas isto aqui é o caminho de Natal?

Como resistisse descer do automóvel, um soldado empurrando-o deu-lhe uma pancada com a coronha do fuzil.

No cemitério mostraram-lhe uma cova aberta lá num canto, e um deles perguntou-lhe:

- Sabe para que seja isso?

- Saber de certeza não sei não. Mas, porém estou calculando. Não é para mim? Agora, isso só se faz porque me vejo nestas circunstâncias, com as mãos inquiridas e desarmadas! Um gosto eu não deixo para vocês: é se gabarem de que eu pedi que não me matem. Matem! Matem que matam, mas é um homem! Fiquem sabendo que vocês vão matar o homem mais valente que já pisou neste...

Mas o Jararaca não teve tempo de dizer o que queria. Um soldado por trás dele deu-lhe um tiro de revólver na cabeça. Ele caiu e foi empurrado com os pés para dentro da cova.

Observação: “Existem alguns textos contados diferentes do que afirmou Jararaca quando estava prestes a ser executado no Cemitério São Sebastião, mas apenas os autores usaram sinônimos, sem fugirem do que disse Jararaca. O importante é não criar fatos diferentes do que aconteceu na hora da execução do bandido no Cemitério São Sebastião em Mossoró. Sinônimos de forma alguma mudam os fatos de uma história”.

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CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO/2020


Por Sálvio Siqueira

NO CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO, UM DOS EVENTOS MAIS ESPERADOS POR AQUELES QUE PESQUISAM E ESTUDAM SOBRE O TEMA CANGAÇO, QUE SE REALIZARÁ ENTRE OS DIAS 11 E 13 DE JUNHO DE 2020, VOCÊ TERÁ O PRIVILÉGIO DE VISITAR E CONHECER LUGARES POR ONDE A HISTÓRIA PASSOU E, DE ALGUMA FORMA, MANEIRA, DEIXOU SUA MARCA.

NESSE EVENTO, SOB A BATUTA DE Manoel Severo Barbosa E A APRESENTAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE João De Sousa Lima, O PESQUISADOR, ESTUDANTE E VISITANTE TERÃO O PRAZER E A SATISFAÇÃO DE ESTAREM 'DENTRO DA HISTÓRIA'.

ABAIXO, PUBLICAREMOS UM DOCUMENTÁRIO PRODUZIDO POR "CONHECENDO MUSEUS" AONDE VEREMOS E PODEMOS FAZER UMA IDEIA DAQUILO QUE VEM POR AÍ.

CARIRI CANGAÇO, A MAIOR SALA DE AULAS SOBRE A HISTORIOGRAFIA CANGACEIRA AO AR LIVRE.

NESSE, NÓS ESTAREMOS.

CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO, IMPERDÍVEL!!!


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NOTA DE FALECIMENTO!

Por Relembrando Mossoró


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NOTA DE PESAR!

Por Relembrando Mossoró


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PESQUISAS DO CANGAÇO: NOS CAMINHOS DO SERTÃO ME DEPAREI COM ESSA CENA. FAZENDA SÃO MIGUEL SERRA TALHADA-PE.

Por Ângelo Hosmiro Barreto


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