Seguidores

sábado, 12 de novembro de 2011

Cangaceira Aristeia grava reportagem para alunos de Jornalismo

Por: João de Sousa Lima

A cangaceira Aristeia Soares esteve hoje acompanahada de filhos, nora, netos, amigos e uma equipe de jornalistas que estão fazendo um documentário sobre o cangaço.


O local escolhido para entrevistar Aristeia foi a casa onde ela foi nascida e criada, no povoado Capiá da Igrejinha, Canapi, Alagoas.





Extraído do blog do escritor e pesquisador do cangaço,
João de Sousa Lima

PIRATAS ALÉM DO CARIBE

Por: Rostand Medeiros

Ricardo Barros Sayeg
Estreou no dia 20 de maio, no Brasil, o novo filme da Disney, Piratas do Caribe: em marés estranhas. A nova película estrelada por Johnny Depp, Penélope Cruz, entre outros, certamente terá uma excelente bilheteria.


O tema, entretanto, está longe de ser apenas ficção. Os piratas existiram de verdade e encheram principalmente os cofres do governo da Inglaterra, entre os séculos XVI e XVII. Muitos vieram ao Brasil, saquearam cidades como Santos e Recife e assaltaram diversos navios que carregavam riquezas da Europa para o Brasil e da colônia para o Velho Mundo.

Todavia, não era nada fácil a vida de um pirata, como mostram as aventuras do personagem Jack Sparrow na saga Piratas do Caribe, agora em sua quarta edição. Um desses saqueadores do mar foi Antony Knivet, que deixou suas memórias registradas em um livro chamado As incríveis Aventuras e os Estranhos Infortúnios de Antony Knivet.

Esse pirata saiu da Inglaterra em 1591, acompanhado por um mestre em saques e pilhagens chamado Thomas Cavendish, quando essa prática era bastante comum e inclusive incentivada pela coroa britânica. Como a região do Caribe estava infestada de piratas, resolveram partir para o Brasil, uma região até então bastante desconhecida pelos europeus. As terras brasileiras prometiam muitas surpresas e várias delas tornaram-se bastante desagradáveis.

Logo na chegada ao litoral brasileiro, Knivet foi abandonado por seu colega e foi capturado pelos portugueses que tentavam naquele momento defender a costa tupiniquim de ataques inimigos. Para piorar sua situação, quando conseguiu fugir dos portugueses, o pirata caiu nas mãos de índios canibais. Os nativos comeram quase todo mundo que acompanhava Knivet, mas o deixaram vivo, para poder contar sua história. O aventureiro conseguiu escapar novamente, fugiu para a África e novamente foi reconduzido ao Brasil. Podemos concluir que o pirata, tal como Jack Sparrow, tinha uma enorme falta de sorte e uma tendência enorme para se envolver em enrascadas.

O livro foi escrito pelo pirata em 1625 e inclui diversas ilustrações com a descrição de portos, baías e enseadas utilizadas como refúgio por muitos navegadores do século XVI. Ele sugere no texto que a corrupção no Brasil é endêmica e por diversas vezes cita alguns casos envolvendo propina paga a agentes do governo português na época.

Outro pirata da vida real foi Thomas Cavendish. Em nome da coroa britânica, ele participou da fundação da colônia da Virgínia, na América do Norte, em 1585, comandando um navio da frota de Sir Richard Grenville. Em 1586, Cavendish foi o terceiro homem a dar a volta ao mundo, retornando para a Inglaterra, em 1588.

Como corsário, Thomas Cavendish se notabilizou pelo ataque à costa paulista na época da União Ibérica, quando as duas monarquias estavam unidas por um problema envolvendo a sucessão portuguesa ao trono. Saqueou as vilas de Santos e São Vicente, em 1591, destruindo a instalação de uma indústria canavieira na província de São Paulo. Em 1592, após uma tentativa fracassada de invasão de Vitória no Espírito Santo, Cavendish seguiu sua viagem para o norte, mas acabou morrendo devido aos ferimentos da batalha.

Hoje, a pirataria tem alguns aspectos diferentes: perdeu o glamour e a aventura do passado e tornou-se uma atividade de ladrões organizados. Até maio deste ano já foram registrados mais de duzentos ataques piratas. Os dados são do IMB, sigla inglesa para o Escritório Marítimo Internacional, uma divisão da Câmara Internacional do Comércio, que combate todo tipo de crimes e más práticas relacionadas aos negócios.

Evidentemente, os piratas atuais não estão mais atrás de baús de tesouros como antigamente. Seus alvos prediletos são navios de todos os portes: desde pequenas embarcações até petroleiros! Outra inovação dos tempos atuais é o pedido de resgate feito em função do sequestro de passageiros. Um dos pontos de maior incidência desse tipo de ação é a costa da Somália, no leste da África.

Piratas do Caribe: em marés estranhas é ambientado no século XVII, entretanto, muitas das histórias contadas são baseadas em fatos reais. Naquela época, a coroa inglesa dividia o resultado dos saques com os corsários e incentivava a pirataria. Uma página não tão nobre para aquela que seria a maior potência do mundo no século XIX.

 Ricardo Barros Sayeg é Professor de História do Colégio Paulista, mestre em Educação pela Universidade de São Paulo, formado em História e Pedagogia pela mesma universidade.

-COMO DIZ UM AMIGO MEU, ESTE POST FOI “PESCADO” DO BLOG “PESQUISANDO A HISTÓRIA” ( http://uranohistoria.blogspot.com/ ), QUE EU RECOMENDO.


O RICO MANUEL MACHADO E A SUA VIÚVA

ADÍLIA, A CANGACEIRA QUE CONHECI (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa

Conheci Adília dentro da minha casa, no convívio cotidiano com minha família em Poço Redondo.


Lembro como se fosse hoje da morena trigueira, chegando ao escurecido, alta, esguia, esbelta, de rosto alongado, queixo fino e olhos negros sempre brilhantes, cabelos também negros e aquele jeito simples de mãe de família que nem de longe parecia aquela mesma Adília que ainda mocinha, quase menina, entrou para o


bando do Capitão Virgulino; a mulher/menina companheira do cangaceiro Canário.

Pena que a historiografia, os estudiosos e pesquisadores tratam os seus personagens com a frieza da conveniência, muitas vezes traçando um painel muito diferente daquilo que a pessoa pesquisada realmente foi. Pedindo desculpas aos cangaceiristas (a moda é cangaceirólogo, vixe Maria!) das academias, não tenho dúvidas em afirmar que Adília, mesmo durante as batalhas sangrentas, sempre foi muito mais aquela menina meiga e pacata do Alto de João Paulo, do que uma sedenta e furiosa figura de arma em punho.

Com o pouco que convivi com ela posso afirmar isso, pois é impossível que aquela doçura de mulher tivesse mudado repentinamente seu comportamento após a morte de Lampião (28 de julho de 1938, na Grota do Angico, em Poço Redondo), sem ter sido sempre, em qualquer lugar e circunstância, a dedicada mãe de família e alegre amiga, sem jamais deixar transparecer resquícios da vida passada, mágoas ou ressentimentos.


Nascida Maria Adília de Jesus, entrou para o cangaço com menos de dezesseis, influenciada pelo grande amor de sua vida, o conterrâneo e também cangaceiro Canário. Como a sua família não aceitava o namoro, a menina prometeu ao namorado que iria com ele até o inferno se fosse preciso. Se não foram para as agonias dos subterrâneos de Hades chegaram bem perto disso, pois a vida no cangaço teve na dor e no sofrimento algumas de suas principais características.

Como afirmado anteriormente, lembro como se fosse hoje.


Meu pai, Alcino Alves Costa, prefeito à época, a casa da Rua de Baixo sempre cheia de familiares e amigos, no entra e sai de pessoas uma destas sempre se demorava mais ali, ficava horas e até o dia inteiro ajudando minha mãe D. Peta. Era a ex-cangaceira tomada de amizade à nossa família, numa consideração que de repente eu já estava chamando ela também de mãe.

Falando e sorrindo com suas duas covinhas no rosto, mandava que eu sentasse no seu colo e começava a fazer cafuné e contar histórias, mas coisas muito diferentes do que poderia muito bem falar. Mas o menino nada tinha a ver com sua vida cangaceira, nem ela gostava de revirar baús curtidos pelo resto do embornal. E contava que era uma vez, e dizia que um dia, mas tudo bonito e sem sofrimentos, balas e mortes no meio.

E foi num desses momentos de intenso convívio que um dia descobri em Adília um pequeno detalhe que jamais esquecerei e que me uniu cada vez mais a ela, num amor de filho e mãe. Eis que atirado pelo chão e ela sentada, enxerguei na sua perna, não lembro bem se direita ou esquerda, já próximo ao pé, uma parte mais funda na pele, que chegava adentrar o osso. Era como se a perna tivesse sido fortemente ferida naquele ponto e que, depois da ferida curada, ficou uma visível cova.

Perguntava o que tinha sido aquilo e num sorriso bonito dizia sempre que já tinha nascido com aquela barroquinha na perna, porém talvez recordando a cada momento a saraivada e a bala da volante atingindo o local e os instantes seguintes de dor e desespero. Mesmo que pensar nisso ainda lhe doesse no espírito, respondia com o sorriso e deixava que brincasse com aquela marca na pele e osso das durezas da vida cangaceira.

 As companheiras Adilia e Sila. Tempo de guerra.

Nossa amizade ficou tão fortalecida depois dessa descoberta que nem se importava quando eu mandava ela sentar no chão e estirar a perna para que eu colocasse água na barroquinha. E veja o que menino faz: enchia e sugava a água na perna da ex-cangaceira. Assim, muitas vezes brinquei com aquela marca e bebi água dali sem saber que a minha boca experimentava o verdadeiro sertão. Era uma cacimba cangaceira!

Depois fui crescendo e a sede da meninice foi indo embora. Pensei que havia crescido e nunca mais atravessei o riachinho e fui ao Alto de João Paulo ao menos visitar Adília na sua casa simples e aconchegante. Morando na capital, soube de sua morte em março de 2002, aos 82 anos.

Fui ingrato Adília, perdoa-me.
Só quando a gente tem sede é que lembra que existe água...


Rangel Alves da Costa é Poeta e cronista.
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com



CASOS POLICIAIS HILÁRIOS

O ladrão que fez uma pausa no roubo para rezar com sua vítima

CASO OCORRIDO NOS ESTADOS UNIDOS
 
Um ladrão armado resolveu assaltar uma caixa do Advance America, e Angela Montez, 43 anos, quando percebeu a intenção do ladrão, começou a chorar e a falar de Deus. Ela disse ao homem que ele ainda tinha a oportunidade de não cometer o crime que havia planejado. O ladrão se comoveu, pediu desculpas à mulher por suas ações, mas seguiu em frente com o roubo. Ele afirmou ter uma criança de 2 anos para sustentar, e pediu para Angela rezar com ele. Os dois se ajoelharam e oraram por cerca de 10 minutos. O ladrão tirou uma bala de seu revólver e deu a Angela, por ela ter sido tão bondosa, dizendo que aquela era a sua única bala, e prometendo não machucá-la. Ele até pediu um abraço. O ladrão levou o telefone celular da mulher, e disse-lhe para ir para o banheiro e não chamar a polícia por 20 minutos. Também levou 20 dólares (33,98 reais) do caixa, deixando o resto do dinheiro na gaveta.
  
Autor:   http://hypescience.com/

casos+policiais+hilarios/o+ladrao+que+fez+uma+
pausa+no+roubo+para+rezar+com+sua+vitima

CASOS POLICIAIS HILÁRIOS

A cabra que foi presa por assalto a mão armada


A cabra que foi presa por assalto a mão armada
A polícia da Nigéria prendeu uma cabra por suspeita de tentativa de assalto à mão armada. Os policiais disseram que a cabra era um ladrão armado que usou magia negra para se transformar em um animal para escapar de ser preso. Segundo o relato da polícia, enquanto estavam em patrulha, eles viram alguns criminosos tentando roubar um carro e os perseguiram. No entanto, um deles escapou enquanto o outro se transformou em uma cabra. A crença na feitiçaria é muito comum em algumas partes da Nigéria, a nação mais populosa da África. Moradores chegaram a ir à delegacia para ver o bicho, que foi fotografado por um jornal nacional de joelhos ao lado de um monte de palha.

/casos+policiais+hilarios/a+cabra+que+foi+presa+por
+assalto+a+mao+armada

MADRE TEREZA DE CALCUTÁ


Disse para o mundo:

“Sozinha não posso mudar o mundo, mas posso lançar uma pedra sobre as águas e fazer muitas ondulações.

(Madre Tereza de Calcutá)

Frase extraída do Orkut de Edileuza Barbosa

Bebê nasce às 11h11 do dia 11/11/2011 em Salvador


Um bebê muito especial nasceu na manhã desta sexta-feira (11), no Hospital Jorge Valente, em Salvador.

A mãe de Lucca Nunes Alencar deu à luz ao menino às 11horas e 11 minutos deste dia 11/11/2011. O bebê, que nasceu de cesariana, pesa 3,6 kg e mede 49 centímetros.

De acordo com os pais da criança, o dia do nascimento foi escolhido pelas contas do obstetra e o horário do parto foi coincidência.
Um detalhe é que o número do quarto onde mãe e filho estão internados é 211.


 
http://g1.globo.com/bahia/noticia/2011/11/bebe-nasce-11h11-do-dia-11112011-em-salvador.html

Agradecimento do Capitão Bonessi

à mensagem de Alcindo Alves da Costa
Querido Mestre,
Saúde!
Grato pelo contato - fiquei muito alegre em saber que o amigo está muito bem - esperamos vê-lo em breve no Cariri Cangaço 2012.
Abraço -
Recomendações.
Do Neófito
Alfredo Bonessi

SILA - Aquela menina dos tempos do cangaço

Por: Alcindo Alves Costa
Estimado Bonessi,
O seu email sobre Sila é realmente extraordinário. Espero vê-lo no blog do Cariri Cangaço. O que tudo que Sila costumava dizer pelos caminhos da vida, após a sua nova vida com o término do cangaço.
Na verdade, aquela menina-moça, levada pelo destino, de uma hora para outra se tornou cangaceira e passou a viver aquela vida de suprema provação, não teve tempo de conhecer praticamente nada da vida do cangaço a não ser aquele pouco mais de um ano ao lado de Zé Sereno.
O que aconteceu foi que ao ser descoberta em São Paulo ela foi levada por pesquisadores e historiadores, interessados em mostrá-la ao Brasil. Tomou gosto pela coisa. e passou a dizer, aí sim é verdade, um monte de besteiras.
A família de Sila, que aliás era e é numerosa, é composto de homens e mulheres de bem e de espírito forte e não gostam de mentiras. Sila, por não saber quase nada do cangaço, inventava muita coisa e por ser muito nova ela nem se lembrava do nome dos irmãos que foram para o cangaço, tendo informado ao nosso
Antônio Amaury e registrado na página 50 do livro "Gente de Lampião - Sila e Zé Sereno", que o seu irmão Umberto havia sido cangaceiro com o nome de Novo Tempo. O que não é verdade. Umberto, nos tempos do cangaço foi residir no então povoado de Canhoba, em Sergipe, onde casou e viu nascer os seus filhos. Muitos anos depois retornou com a família para Poço Redondo, onde faleceu com a idade avançada.
Com informações dessa natureza, Sila não estava mentindo deliberadamente. O que acontecia era que ela não mais se lembrava nem dos nomes de seus irmãos, imagine de coisas vividas nos grupos cangaceiros que ela não pertencia..
Meu querido Bonesse! Estou muito feliz com estes artigos que estão saindo no nosso Blog do Cariri Cangaço.
Aderbal está de parabéns por ter tido a felicidade de postar mais um assunto do interesse dos vaqueiros da história.
Abraços,Alcino Alves Costa
O Caipira de Poço Redondo 
Artigo enviado para este blog pelo autor: Capitão Afredo Bonessi

COMO AVALIAR UM GOVERNO?

Por: Honório de Medeiros
[Honório+lindo+026.jpg]
 
Em “Desenvolvimento Como Liberdade” (Companhia das Letras; 2004; 4ª reimpressão; São Paulo), Amartya Sen, Premio Nobel de Economia, ex-membro da Presidência do Banco Mundial, ex-professor da Universidade de Harvard, esposo de Emma Rothschild – autora, por sua vez, de “Sentimentos Econômicos”, um denso ensaio acerca de Adam Smith, Condorcet e o Iluminismo – nos convida a percebermos o contraste entre “um mundo de opulência sem precedentes” e “um mundo de privação, destituição e opressão extraordinárias.”
 
 
Trocando em miúdos Amartya Sen nos convida, isto sim, a entendermos o desenvolvimento como “um processo de expansão das liberdades reais que as pessoas desfrutam”, e, não, como algo a ser identificado com o crescimento do Produto Nacional Bruto (PNB), aumento de rendas pessoais, industrialização, avanço tecnológico ou modernização social.
 
Ao se referir à expansão das liberdades reais Amartya Sen se refere, por exemplo, aos serviços de educação e saúde – e aqui eu acrescento segurança pública – e aos direitos civis (a possibilidade de participar efetivamente do governo e das discussões e averiguações públicas em relação ao dinheiro do povo).
 
Aceitar esse ideário como premissa implica em compreender que somente podemos considerar desenvolvido ou em desenvolvimento um País, Estado ou Município no qual, à título de esclarecimento, e em termos bastante simplificados, o dispêndio com obras públicas, tais como calçamentos, praças, ruas, estradas, asfaltamento, prédios, pontes, açudes, barragens, estádios de futebol, somente ocorra como conseqüência necessária e comprovada da implantação de políticas públicas voltadas para o avanço em áreas como educação, saúde e segurança. Políticas públicas essas estabelecidas claramente através de programas e projetos que tenham metas, prazos, alocação de recursos humanos e financeiros delineados claramente e possam ser acompanhados e questionados pela sociedade como um todo.
 
Óbvio que, no Brasil, a lógica é outra. As obras públicas são sempre “vendidas” à sociedade como sendo essenciais para o desenvolvimento “sustentável”. Essa lógica, consciente ou inconscientemente, busca privilegiar quem há de se beneficiar direta e imediatamente com ela, ou seja, aqueles que detêm o capital em suas mãos e querem o retorno imediato do investimento realizado: comprova essa afirmação a relação estreitíssima, no Brasil, entre os governos, sejam estes federais, estaduais e municipais, e empreiteiros, construtores, empresários da construção civil, enfim, os quais, depois de realizadas as eleições, pressionam os candidatos aos quais apoiaram financeiramente a investirem em obras.
 
A constatação, também, daquilo que se afirma aqui pode ser feita por qualquer um: basta que nos perguntemos se com todo o investimento em obras ocorrido no Brasil, digamos, desde Fernando Henrique Cardoso, passando por Lula, até hoje, houve diminuição sensível na miséria, e melhoria significativa na educação, saúde, e segurança pública. Façamos o mesmo quanto ao Rio Grande do Norte, Natal e/ou Mossoró.
 
É claro que não. Muito ao contrário. O que nós percebemos, nitidamente, é que o avanço, se é que houve, é um verniz que não resiste a uma visita individual ou coletiva a postos de saúde ou hospitais, escolas públicas e delegacias de polícia.
 
Portanto a conclusão é óbvia: desconfiemos de qualquer obra que não esteja atrelada, comprovadamente, a uma política pública na área de educação, saúde ou segurança. Uma comprovação que salte aos olhos, indiscutível.
 
Para começo de assunto.
 


A herança banguela (série Casos Policiais)

Por: Archimedes Marques

Descobriram que a defunta estava sem a dentadura superior. Furtaram a dentadura da falecida... E então uma irmã acusou a outra pelo crime praticado contra a sua mãe, ou melhor, contra a defunta.

De uma comunidade paupérrima do município de Barra dos Coqueiros no final dos anos 80, época em que por dois anos estive como Delegado Titular da Delegacia de Polícia local, então apareceu um fato policial inusitado, cômico, e até certo ponto comprovante do que vem a ser a ignorância total e a pobreza absoluta vivida pelo ser humano dentro de um país rico como é o Brasil.
Há alguns quilômetros da cidade sede daquele município, mais de perto às margens do rio Japaratuba que faz divisa com o vizinho município de Pirambu localiza-se uma pequena faixa de terra que era então conhecida por Ilha do Rato onde na época existiam várias casas de taipa, madeira e palhas de coqueiros, construídas à beira do rio ou em meio ao manguezal ali existente.
Ali naquele pedaço de terra em que lutavam o homem com o caranguejo por um melhor espaço, uma senhora havia falecido de morte natural e então os seus três filhos, demais familiares e outros moradores da Ilha do Rato, trouxeram o corpo em cortejo fúnebre acompanhado por várias carroças para que fosse enterrado no cemitério da cidade sede do município.
Entretanto, no trajeto descobriram que a defunta estava sem a dentadura superior. Furtaram a dentadura da falecida... E então uma irmã acusou a outra pelo crime praticado contra a sua mãe, ou melhor, contra a defunta.
Depois do verdadeiro "barraco" em que as duas irmãs praticaram agressões físicas e morais mutuamente em público já na cidade, o caso foi levado por populares para resolução da Polícia e enquanto isso a defunta "aguardava" na porta do cemitério ao relento no sol escaldante dentro de um caixão improvisado sem tampa, a minha decisão para a estranha contenda.
- Foi ela doutor... Foi essa cachorra que roubou a dentadura da minha mãe... Ninguém tinha notado isso porque a minha mãe estava com a boca fechada, mas com o balanço da carroça a boca dela se abriu e então eu vi que ela estava sem a dentadura... Só pode ter sido ela... Eu notei que quando a gente saiu de casa a minha mãe estava com a dentadura e foi ela quem veio também na mesma carroça... Essa miserável também não ficou satisfeita com a divisão da herança e por isso ela roubou a dentadura que minha mãe ganhou na eleição passada...
Lembrei-me da história que o povo contava que certo candidato em campanha política chegava aos povoados daquele município com uma bacia cheia de dentaduras e as pessoas desdentadas saiam experimentando uma por uma para ver a que melhor lhe servia... E então para acalmar os animus acirrado das duas irmãs, puxei conversa e perguntei curioso sobre a tal herança:
- Eu fiquei com três vestidos, duas saias, duas calças, quatro blusas, um sapato, duas toalhas, uma chinela, o lampião a gás, um pote, quatro copos e dois pratos com os talheres que eram da minha mãe, e ela ficou com três blusas, uma chinela, três lençóis, uma rede de dormir, um jereré de pescar siri, uma moringa, o pinico pra mijar de noite e três panelas, mas aí ela queria mais e terminou roubando a dentadura da minha mãe...
- Sim, mas pra que é que ela ia querer a dentadura da sua mãe?...
- Não ta vendo não doutor que ela também é banguela?... Arrancou os dentes dia desses que já estavam todos podres...
- Você está querendo me dizer que ela furtou a dentadura da sua mãe para uso próprio?...
- Só pode ser doutor... Essa miserável é capaz de tudo... É uma unha-de-fome e só quer levar vantagem em tudo...

E então depois da acusação dei a palavra para a defesa, falando para confundir a cabeça da suspeita:
- Bom, agora chegou a hora de você falar... Se for verdade a acusação da sua irmã você negue e se for mentira você diga que é verdade...
- É mentira dela doutor, eu não roubei nada não... Ela está inventando tudo isso para que o senhor me prenda e ela fique com a herança só pra ela...
- Ta vendo que você é culpada?... Se eu mandar revistá-la você vai ser desmascarada, mas vamos fazer o seguinte para resolver o problema agora mesmo: Eu dou a minha palavra que não vou mandar prendê-la, mas quero que você seja sincera e fale somente a verdade que é para a gente tentar fazer um acordo e terminar esse caso da melhor maneira possível... Você devolve a dentadura para a boca da sua mãe e eu prometo também que vou pedir ao Prefeito da cidade uma dentadura novinha para você...
Ela pensou um pouco, olhou sério nos meus olhos e decidiu pelo melhor:
- Promete mesmo doutor?...
- Palavra de Delegado!...
- Fui eu mesma quem tirou a dentadura dela doutor... Ela não ia precisar mais mesmo... Eu ia lavar bem lavada e experimentar pra ver se dava em minha boca e dizer pra todos que tinha ganhado de um politico... Mas aí o senhor que é um homem bom já me prometeu uma nova e então vou colocar a dentadura de volta na boca dela que é pra ela ficar mais bonita quando for se apresentar a São Pedro...
De imediato levantou o vestido e tirou de dentro da calcinha uma nojenta e encardida dentadura. Naquele momento dei uma gargalhada, daí telefonei para o Prefeito que concordou em mandar fazer uma dentadura para a pobre coitada, e então finalizei o caso aconselhando:
- Esqueçam o que aconteceu, pois o caso já está resolvido. Não quero mais briga. Reúnam o pessoal que está aí fora e vá todo mundo logo para o cemitério enterrar a mãe de vocês que já deve estar torrada nesse sol quente.
Autor: Archimedes Marques (Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS) " archimedesmarques@infonet.com.br - archimedes-marques@bol.com.br

meus+artigos/a+heranca+banguela+serie+casos+policiais

REQUIESCAT IN PACE, OTHONIEL MENEZES !

Por: Rostand Medeiros
Photo

“Othoniel Menezes – Busto pode ser derretido em praça pública
(in “MUITO” – Diário de Natal)


O busto do poeta Othoniel Menezes doado por seu filho Laélio Ferreira à Secretaria Extraordinária de Cultura para ser chantado no caminho da Fortaleza dos Três Reis Magos ainda dará o que falar. Diante do descumprimento da promessa, o filho do autor de Serenata do Pescador – a nossa Praieira – confirmou que nesta semana irá requerer à Secretaria a devolução da obra, de autoria do escultor Eri Medeiros.


A homenagem foi vetada pelo coronel Alemany, comandante do Regimento de Artilharia, que mandou destruir o pedestal parcialmente levantado pela Fundação José Augusto, apesar da autorização do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan).
Láelio se diz magoado, elenca várias queixas sobre o que chama de “desrespeito à memória cultural do Estado e do Município de Natal” e se queixa do pouco interesse demonstrado pelos órgãos do governo, “que preferiram patrocinar eventos festivos e badalações em praça pública, gastando recursos com comissões a produtores culturais locais e com gente de fora, velhos fregueses de caderneta dessas promoções, durante anos a fio”. E continua: “Como se vê, há muito tempo, a ocara de Felipe Camarão só consagra quem vem de fora”.

Isaura Rosado

Laélio acha que um contato preliminar da secretária extraordinária Isaura Rosado ou mesmo da Governadora Rosalba Ciarlini, com o coronel teria evitado o “vexame para o Rio Grande do Norte”.

Governadora do RN Rosalba Ciarlini

Laélio aponta ainda a inércia dos “intelectuais potyguares, das academias, dos silogeus”, das universidades na cobrança de providências objetivas a quem de direito, na defesa da cultura e da memória histórica. Ressalta que, dos políticos, a única manifestação formal em favor da homenagem a Othoniel Menezes veio de Mossoró, numa iniciativa da deputada Sandra Rosado.


Embora sem confirmação oficial, Laélio deixou entender que vai, em local público, ao som da “Praieira”, numa serenata, promover uma manifestação de protesto, derretendo a obra do escultor. Para tal, pediria o apoio ou financiaria a participação de performancistas locais. O e-mail de Laélio Ferreira é laelioferreirademelo@gmail.com. (SV)”
Jornal Diário de Natal, edição de quinta-feira, 20 de outubro de 2011.
P.S. –  Laélio é um amigo por quem tenho enorme respeito e admiração. O trabalho de resgate da obra de seu pai, Othoniel Menezes, é para mim uma coisa fantástica e acho terrível o que ele vem passando com esta situação.
Os militares trouxeram muitas coisas boas a Natal e a população sempre admirou e respeitou as classes fardadas. Verdadeiro esteio do desenvolvimento desta terra.
Mas infelizmente, atitudes como a que Laélio enfrenta não são inéditas.
Quem não lembra de uma passagem de pedestres que havia ao lado de um conjunto da Marinha, na Rua Olinto Meira, nas proximidades do Colégio das Neves. Esta passagem tanto servia a comunidade do Barro Vermelho e a décadas estava ali aberta. Mas um dia alguém decidiu fechá-la. E o povo que se f…
Vai ver que o comandante do GAC deve pensar a mesma coisa em relação ao filho de Othoniel.
Enfim, aquilo é uma “área de segurança”, ele tem a lei e Laélio que, se quiser, vá reclamar ao Bispo.
O mais interessante é que nos contatos que tenho com militares eu escuto algumas reclamações. Entre estas a do distanciamento, para não dizer repulsa, de parte da sociedade em relação a esta classe. Ou que ficam chateados por que os civis acham que não vale a pena dar muito dinheiro a eles para proteger a nação e equipar as forças com material adequado. Ou ainda a raiva de ter um Ministério da Defesa comandado por um civil, além de tudo um diplomata e de esquerda.
Para muitos esta querela de Laélio pode parecer coisa pequena. Coisa de filho de intelectual que luta para que o pai não seja esquecido, ou que Laélio quer somente aparecer para os holofotes.
Mas é algo maior.
Envolve desde liberdade e  até mesmo pela pergunta que nós, os civis, não fizemos e não debatemos- Para que, qual o tipo e a finalidade das forças armadas que queremos para este país?

Rostand Medeiros

NO RIACHO, UM POÇO REDONDO

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

Se o Rio São Francisco permitiu a povoação do Nordeste e, consequentemente, o desbravamento do sertão, pois a partir de suas margens os primeiros colonizadores adentraram as matas, também é verdade que muitas povoações surgiram nas beiradas dos seus afluentes, às margens dos riachos que cortavam as montanhas e os solos áridos e ressequidos.
O que ainda é hoje o município sergipano de Poço Redondo nasceu, por exemplo, às margens de um pequeno rio, o hoje irreconhecível, devastado e degradado Riacho Jacaré.
E se diz no que é ainda hoje Poço Redondo porque no passo que vai, nas mãos desastrosas das recentes administrações municipais, brevemente não restará nenhum vestígio sequer que diga que ali um dia foi berço de um grande povo.
Pois bem. Logicamente que nos distantes tempos do sertão tomado apenas por seus habitantes naturais – primitiva civilização, mataria nativa e bicho de toda espécie -, o riacho que nascia nos barrancos, nas cabeceiras da serra, corria gordo, cheio, bonito, num percurso espalhando vida tanto no seu leito como nas suas margens, até a desembocadura no Velho Chico.
Durante muitos meses ele ficava apenas empoçado esperando que as trovoadas chegassem. Então, quando as nuvens enegreciam, os trovões roncavam e os raios e relâmpagos tomavam conta dos céus, e lá na cabeceira a chuva começava a descer forte, não demorava muito e as águas começavam a correr famintas, velozes, levando tudo que encontrasse pela frente.
E nessa primeira viagem levava bichos, troncos, restos de vegetação e até pessoas. Eram águas ainda turvas, sujas demais, cheias de doenças, que só iam mudando de cor e de características, tornando-se sadias e aptas para o banho com três ou quatro enchentes seguidas. Então era a vez do banho, de um ou outro habitante de um tempo distante mergulhar na água salobra, os bichos se fartarem depois de tanto beber lama já endurecida.
Esse mesmo riacho viria matar a sede dos animais muito tempo depois. Aliás, suas margens foram testemunhas da chegada dos primeiros habitantes na mediana elevação denominada pelos forasteiros instalados nas terras de Poço. E Poço por causa do riacho com seus poços em toda sua extensão em épocas de secas. Mais tarde esse Poço se transformou em Poço de Cima porque situado numa parte mais elevada.
Contudo, num local mais abaixo, cerca de três quilômetros de distância, começou a surgir outra povoação denominada de Poço de Baixo. Assim, no início havia dois Poço em lugares distintos, um mais em cima, que foi a primeira povoação, e um mais embaixo. Daí Poço de Cima e Poço de Baixo. E por que mais tarde, tanto um como outro se agregariam para formar um só Poço, o Poço Redondo?
E mais uma vez vem o Riacho Jacaré para dar a resposta. Eis que nas épocas das grandes estiagens, quando secavam os tanques, os barreiros, as barragens, os bichos sedentos não tinham onde molhar o focinho, e o coitado do sertanejo praticamente não sabia o que fazer, muitos passaram a seguir os conselhos dos mais experientes. Estes não viam outro meio de matar a sede da criação senão com as águas salobras das cacimbas do bom e velho riacho.
Assim, o compadre passava para o compadre que não havia saída senão dar de beber ao rebanho cavando cacimbas ali no riacho ao redor. E cada vez que um tangia o seu gado até lá ia abrindo mais e mais uma cacimba que não demorou muito para se transformar num verdadeiro poço. Desse modo, quando o vaqueiro passava com seu gado dizia que ia matar a sede dos bichos lá no poço redondo. Do mesmo jeito, se perguntado, gritava logo que vinha do poço redondo.
E assim o nome foi ganhando força e não demorou muito para que esquecessem a denominação Poço de Baixo e passassem a citar apenas um nome, que batizaria para sempre a povoação, o povoado e depois o município: Poço Redondo.
Atualmente Poço Redondo, o maior município sergipano em área territorial, com sede do mesmo nome, mas que amanhã ou qualquer dia vindouro, poderá voltar a ser simplesmente um poço, um buraco, um abismo. Do jeito que essa administração municipal age certamente que será assim, apenas um poço, profundo e negro, que é a cor do caos administrativo.
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com