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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

CABEÇAS DE CELEBRIDADES DA HISTÓRIA CRIMINAL DO BRASIL


Um presente ao grupo. Trecho do livro de Garcia Moreno, Doce Província. Aracaju-SE, Livraria Regina, 1960. Boa leitura.





Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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PROGRAMA VIDA VERDE - LAMPIÃO







Fonte: Youtube

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A CASA DA FAZENDA PATOS

Por Adauto Silva

É com imensa satisfação, que levo ao conhecimento dos amigos do grupo, que A CASA DA FAZENDA PATOS, encontra-se em adiantado projeto para sua reforma/revitalização, assim como aconteceu com a casa de Maria Bonita... Para quem desconhece o fato, ano passado, lançamos um forte apelo, não só aos administradores municipais da cidade de Piranhas, como todo o povo daquele lugar e, instantes antes, recebi a notícia, que a reforma será concretizada. TEM GENTE SÉRIA E COMPROMETIDA COM A HISTÓRIA DO CANGAÇO EM PIRANHAS, AINDA BEM.

Fonte: facebook
Página: Adauto Silva

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MONTE SANTO E A GUERRA DE CANUDOS


A cidade de Monte Santo, situada no semiárido baiano, à sombra da Serra do Piquaraçá, foi palco do episódio de Canudos.

Em 1888, o coronel Durval Vieira de Aguiar, no seu livro Descrições Práticas da Província da Bahia, informava ter visto Antônio Conselheiro em terras de Monte Santo, mais precisamente no povoado do Cumbe, atual Euclides da Cunha (BA). Anos mais tarde (1892), o Conselheiro encontrava-se de novo em Monte Santo, desta feita na sede da vila, onde, juntamente com seu numeroso séquito, realizou alguns reparos no caminho da Santa Cruz. É o que informa o correspondente do jornal Diário de Notícias, da Bahia, edição de 7 de junho de 1893: “fui testemunha ocular de que quando aqui esteve [o Conselheiro] ano passado, enviou meios de fazer-se alguns reparos nas capelinhas e na estrada do Monte, daqui, a fim de não continuar na decadência em que se achava a instituição da irmandade dos Santos Passos do Senhor do Calvário, pedindo e aplicando o resultado das esmolas que recebeu para esse fim.”

No período da guerra (1896-1897), a partir da segunda expedição, a cidade serviu de base de operação das tropas legais em demanda de Canudos. Ali se instalou o quartel general do ministro da guerra, marechal Carlos Machado de Bittencourt, o qual comandou o serviço de intendência e cuja presença no palco da luta foi determinante para o triunfo das forças expedicionárias.

Em Monte Santo, Bittencourt adotaria uma série de medidas com vistas a aperfeiçoar a atuação das forças em operação e, consequentemente, assegurar a vitória sobre os seguidores de Antônio Conselheiro. Uma das medidas, talvez a mais importante, foi a reestruturação do serviço de transporte, até então precário, garantindo o abastecimento das tropas e diminuindo a escassez de água e alimentação.

Por sua atuação no episódio, o militar, que nos anos setenta do século passado ganhou um busto em sua homenagem na praça central da cidade, foi elevado, alguns anos após a guerra, à condição de Patrono da Intendência do Exército Brasileiro.

Para facilitar a comunicação com o restante do país, uma linha telegráfica foi construída entre Monte Santo e Queimadas, as duas principais bases de operação militar. Era a primeira vez, na história do Brasil, que se utilizavam os serviços telegráficos para noticiar um conflito armado. Outros eventos ocorridos poucos anos antes, como a Revolta da Armada e a Revolução Federalista, não dispuseram da mesma cobertura.

Do teatro da guerra, as notícias eram despachadas para Monte Santo e dali expedidas via telégrafo para outras cidades do país, em especial Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, onde eram publicadas pelos órgãos de imprensa. Dentre os principais jornais que se ocuparam do caso, destaca-se O Estado de São Paulo, o qual teve como enviado especial o escritor Euclides da Cunha, autor de Os Sertões, um clássico da literatura brasileira, que, inclusive, dedica belas e longas páginas à cidade sagrada de Frei Apolônio de Todi.

José Gonçalves do Nascimento
jotagoncalves_66@yahoo.com.br

Fonte: facebook
Página: José Gonçalves

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“O GLOBO”- 17/11/1958 - PARTE XII

Material do acervo do pesquisador Antonio Corrêa Sobrinho

COMO SE FORJA UM CANGACEIRO

O FEROZ JOSÉ BAIANO

A Crueldade Era Inata Nesse “Cabra” – Marcava Mulheres Com Ferro em Brasa Para Agradar Lampião – Só Lídia Era Capaz de Desafiá-lo – O Amor Foi Sua Perdição.

TENHO mencionado várias vezes o nome de José Baiano, pelo menos sempre que me refiro a crueldades. E, na verdade, tenho visto muita gente má, mas a maldade de José Baiano era diferente, dando a impressão de que ele era um desequilibrado. Não tinha gênio parecido com o de Lampião ou o de Corisco, que eram calmos e cínicos sempre que se dispunham a tirar a vida a alguém. Era permanentemente violento e não dissimulava o gênio. Esquisitão, como todo perverso, estava sempre a imaginar uma forma diferente de ser ruim, o que sempre conseguia. Chamava-se Aleixo essa fera humana de que nunca pude saber o sobrenome. Mas devia ter José no nome, e, como era natural da Bahia, ficou conhecido como José Baiano. Seu nome cruzou o Nordeste inteiro graças às crueldades que praticou no bando de Lampião. Era alto, forte, de raça negra, e feio. Raramente ria ou dizia piadas, sendo muito difícil conversar com ele. Mas gostava de cantar, e como cantava bem! Aquela ruindade toda sumia-se quando entoava uma de nossas canções bem brasileiras, e nisso ninguém o superava. Sabia centenas de músicas e fazia também suas composições, sendo que algumas delas devem andar por este país afora com outro nome, dado por algum desses aproveitadores de talento alheio... Muitas das cantigas que sei foi José Baiano quem me ensinou. Não se recusava a cantar quando pedíamos, pelo contrário, a música exercia um forte fascínio sobre esse homem, e tenho a impressão de que seus momentos mais agradáveis eram quando matava ou cantava.

COMEÇOU COM UMA BRIGA

A ENTRADA de José Baiano no bando de Lampião foi curiosa. Ele era do Chorrochó, cidadezinha do interior baiano, e tinha dois primos, Antônio de Engrácia e Cirilo, que juntamente com ele negociavam na feira daquela localidade. Tudo começou quando, certa feita, Cirilo se engalfinhou com um homem. Antônio veio em seu socorro e acabou matando o infeliz. Desesperados com o crime, temendo a cadeia, resolveram fugir do povoado e terminaram por entrar pela caatinga adentro, fugindo da Polícia.

Dizia José Baiano que ficara depois disso em Chorrochó, mas, por ser primo dos irmãos assassinos, passou a ser perseguido pela Polícia, que cismava que ele sabia o paradeiro deles. Tanto a Polícia o perseguiu (segundo ele mesmo contava), que terminou por ir atrás dos primos e ingressar no cangaço. De início operavam apenas os três, com seu próprio bando, mas, depois de algum tempo se uniram-se a Lampião.

José Baiano fez carreira no bando do Capitão Virgulino, onde ingressou aos 29 anos mais ou menos, e desde o início o chefe viu nele um ótimo elemento, sempre disposto a matar. E era valente, não se acovardando nos momentos mais difíceis. Gostava de usar faca, e aconselhava a todos que o melhor golpe para matar devia ser dado no umbigo, pois “era bater e valer”! Foi ele que, em Queimada, juntamente com Luiz Pedro, trucidou oito soldados, conforme narrei anteriormente.

Apesar de falar pouco, nos raríssimos momentos em que sorria, gostava de contar maldades. Lembro-me de que um dia contou que, encontrando um sujeito “muito falador” e temendo que ele fosse contar à Volante que vira o bando puxou uma faca e cortou a ponta da língua do infeliz. “Esse não fala mais”, dizia sorrindo. Com efeito, houve quem o visse cortar a língua de um homem e me contaram que o motivo foi dos mais fúteis, unicamente porque ele achava que o homem falava demais.

FERRADOR DE MULHERES

O QUE mais popularizou José Baiano, porém, foi a sua mania de “ferrar mulheres”. E isso nasceu da ojeriza que Lampião sentia por mulheres de cabelos curtos e saias pelos joelhos. Lampião, conforme expliquei, aplicava bolos nas mulheres, mas José Baiano achava o castigo muito “suave”, pois falta tão grave não poderia ser punida “apenas” com uma dúzia de bolos. E mandou fazer um ferro de marcar o gado com as iniciais: JB. Quando apareceu com o ferro e expôs a ideia a Lampião, este logo aprovou, e os casos de bolos passava-os a José Baiano. A cena de “marcação” era horrorosa, e existe um número enorme de mulheres marcadas pelo Nordeste afora. Quando a infeliz usava cabelo curto, a marca era feita no rosto; se o caso era de vestido pelos joelhos, a marca era feita na barriga da perna. Dava arrepios ver José Baiano fazendo aquilo, pois enquanto as mulheres eram seguras por outros sádicos, ele esperava pacientemente que o ferro avermelhasse no fogo! Quando as iniciais estavam em brasa, experimentava acendendo o cigarro e em seguida encostava-as nas mulheres. Os gritos que as infelizes desferiam eram lancinantes, e algumas até desmaiavam só de ver os preparativos. Mas ele as marcava assim mesmo desacordadas, e não foram poucas as que, não resistindo à queimadura, morreram posteriormente.

Lampião nunca ferrou nenhuma mulher, mas assistia sadicamente ao ato de José Baiano. Virgulino tinha horror de vestidos e cabelos curtos, e ficava enfurecido quando encontrava uma “sem-vergonha” assim. Já quanto a José Baiano, tenho a impressão de que fazia tudo por pura maldade e para ter uma mania comum com Lampião. Coisa de desequilibrados mentais...

O AMOR DE LÍDIA

UMA das coisas que jamais compreendi é como, sendo José Baiano um negro feio e mau, podia teu uma mulher branca, bonita e meiga como Lídia. Essa moça seguia-o sempre e tinha verdadeira adoração por ele. Brigavam muito, pois Lídia era por demais ciumenta e estava sempre criando casos. Não tinha o menor medo de José Baiano e dizia-lhe o que tinha de dizer, mesmo apanhando, como sucedeu algumas vezes. José Baiano ficava furioso com as teimosias de Lídia, mas a moça era o diabo em figura de gente. Era uma morena bonita, muito jovem, de boa estatura e graciosa, desde que não estivesse às turras com o amado...

E dizer que aquela fera suportava aquilo... ele que era um terror, para quem a vida humana nada significava, ele que inutilizava um homem com a maior frieza, ser desafiado pela mulher...

O FIM DE JOSÉ BAIANO

Tantas, porém, Lídia fez com José Baiano, que terminou por enfurecê-lo a tal ponto que ele acabou com a sua vida. Foi no interior de Sergipe, e ambos já se tinham retirado do bando, bem como Corisco. Estavam num arraialzinho, desses muitos do interior brasileiro, e de que não me recordo o nome agora. O pessoal do arraial costumava acoitar o bando e os dois estavam gozando essa regalia havia já alguns dias. José Baiano, porém, queria partir para o interior da Bahia, coisa a que Lídia se opunha, e a discussão ferveu. O povo do local assistia à briga e cada vez mais José Baiano se enfurecia, muito embora Lídia fincasse pé, dizendo que não sairia dali de forma alguma.

Depois de muita discussão, em dado momento José Baiano ficou fora de si e, apanhando o mosquetão, disse: “Vou matar essa peste!” Os que estavam perto tentaram impedi-lo, mas ele não deu ouvidos e, chegando perto da mulher, apontou-lhe a arma e varou-lhe o crânio com uma bala. Até o tiro partir, Lídia não acreditava que José Baiano fizesse aquilo, razão pela qual se manteve calma e de braços cruzados.

Quando a mulher caiu morta, o facínora ficou transtornado, e o povo, furioso, aproveitando sua indecisão, tomou-lhe a arma e o linchou a cacete e faca. José Baiano teve uma morte como não contava ter, pois morreu como morrem os cães danados, exterminados pelo povo. Tão grande era a indignação do pessoal, que, antes de enterrarem o cadáver de José Baiano, deceparam-lhe a cabeça, e foi assim que a Volante o encontrou tempos mais tarde, quando lhe exumou o corpo. Muitas fotografias foram feitas, e a que mais se vendeu no Nordeste foi a que mostrava seu corpo estendido e a cabeça pousada sobre o peito.

Próximo capítulo: O Baile de Vassoura

CONTINUA...


Fonte: facebook
Página: Antônio Corrêa Sobrinho

Informação do http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O cangaceiro Volta Seca afirma que o facínora Zé Baiano era primo dos cangaceiros Antonio de Ingrácias e Cirilo de Ingrácias, mas não era. Zé Baiano era sobrinho destes cangaceiros, segundo informações de vários pesquisadores do cangaço. 

O cangaceiro Volta Seca não teve tempo suficiente para saber tudo sobre o cangaço, pois ainda adolescente, foi preso e condenado a passar mais de 20 anos na cadeia. Durante este período ele fugiu da cadeira algumas vezes, mas sempre era capturado pela polícia, fazendo com que continuasse por trás das grades. 

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NOSSA SENHORA DA GLÓRIA E AS MEMÓRIAS DA PASSAGEM DE LAMPIÃO NA CIDADE

por Caio César Santos Gomes

Sobre o autor[*]
Introdução

Este trabalho focaliza as memórias dos atores sociais, ou seja, as pessoas que testemunharam a passagem de Lampião e seu grupo de cangaceiros em Nossa Senhora da Glória, cidade do sertão sergipano, em 1929, e aquelas que conviveram com estas testemunhas. Embasado na história oral e na análise do universo mental, este artigo analisa o imaginário social acerca da passagem dos cangaceiros no município. O foco do estudo é as diversas manifestações das lembranças dos indivíduos, em uma época que o sertão do nordeste brasileiro enfrentava além dos problemas naturais, a ação dos grupos de cangaceiros, tidos como facínoras e bandidos sanguinários.

Os estudos sobre o cangaço estão presentes nas diversas áreas da pesquisa histórica, por ser um assunto que continua oferecendo vários questionamentos para a pesquisa acadêmica. A historiografia registra muitos estudos sobre o cangaço, que em geral, se debruçam sobre a história do movimento e sobre o resultado material das ações dos cangaceiros pelos sertões do Nordeste brasileiro.[1] Porém, ainda cabem algumas considerações, principalmente no que se refere à relação do cangaço com as memórias dos indivíduos que vivenciaram a época.

Desta forma, este trabalho contribui para o enriquecimento das informações referentes ao cangaço, uma vez que trabalha com a análise da memória social, individual e coletiva, sobre o movimento. Por se tratar de um campo privilegiado da historiografia, devido às diversas possibilidades de abordagens, uma análise sobre as memórias do cangaço em Nossa Senhora da Glória, apresenta-se como um viés pouco explorado da história dos municípios sergipanos. O mérito deste trabalho é sugerir questões sobre o cangaço para serem investigadas através da história oral, explorar as memórias e colaborar para a escrita da história do município.

O recorte temático é a passagem de Lampião e dos cangaceiros em Nossa Senhora da Glória, em abril de 1929. Foram coletadas algumas notícias dos jornais sergipanos da época e os depoimentos de moradores do município, priorizando os indivíduos que viveram a época e, em alguns casos, pessoas que ouviram falar sobre a passagem do cangaço pela localidade.

Lampião na cidade de Nossa Senhora da Glória – SE

A visita de Lampião e seu bando a cidade de Nossa Senhora da Glória ocorreu no dia 20 de abril de 1929, um sábado, dia da feira local. Apesar da fama de facínora, em Glória, Lampião não praticou nenhum crime, contrariando o pensamento das pessoas que temiam um derramamento de sangue. [2] O então jornal Gazeta de Sergipe noticiou o fato em 22 de abril de 1929. A notícia trazida à tona pelo periódico afirmava que depois de entrar em Sergipe pela área do atual município de Canindé de São Francisco, Lampião e seu bando passaram em Poço Redondo, logo depois seguiram em direção a Nossa Senhora da Glória “onde se demorou alguns minutos, desaparecendo com direção ignorada, em direção a caatinga.” [3]

Além da passagem dos cangaceiros, Nossa Senhora da Glória registra nas páginas da sua história a marcha da volante (termo pelo qual era conhecida a força policial) baiana de Zé Rufino em direção à Poço Redondo para buscar informações sobre o paradeiro de Lampião. A caçada ao cangaceiro fez com que Zé Rufino e sua volante se tornassem alvos de coiteiros (expressão que designava os protetores de Lampião) e espiões. Por isso, em sua caminhada rumo a Poço Redondo sabendo do risco que corria, mudou seu rumo e seguiu para Nossa Senhora da Glória, acampando na Fazenda Malhada. Ali foi informado que a volante sergipana de Zé Luís tinha estado na região à procura dos cangaceiros. [4]

A passagem de Lampião e seu bando e da volante de Zé Rufino em Nossa Senhora da Glória, descrita pelas fontes e pela historiografia mostra que a área do município era propícia a invasões pelo fato de estar localizada numa região estratégica do sertão e por ser caminho natural para Poço Redondo. Neste lugar o cangaço encontrou forte apoio da população, oferecendo vários indivíduos para integrar o grupo. Por isso, é provável que outras passagens tenham ocorrido e cabe aos pesquisadores descortinar esses fatos.

Memórias do cangaço nas vozes dos protagonistas

As memórias do cangaço em Nossa Senhora da Glória representam um conjunto de lendas, tradições, mitos e medos, tudo isso aliado ao fato ocorrido em 20 de abril de 1929. A narrativa na voz dos protagonistas não retrata o fato ocorrido de maneira singular, uma vez que cada indivíduo expressa a experiência particular que vivenciou, tornando o discurso muito mais rico do que a simples referência ao fato. Fica evidente a importância da oralidade para expressar as memórias, contribuindo para a construção de uma história mais rica. [5]

Sobre a passagem dos cangaceiros em Nossa Senhora da Glória, Maria Nila de Almeida relata:

Era um dia de feira, lembro-me como hoje, eu estava olhando a matança de bode, que naquele tempo era feita debaixo das árvores, de onde o animal era levado para o talho, quando por volta de dez horas se deu a notícia: Lampião invadiu Glória. Tudo aconteceu tão ligeiro, que o povo não teve nem tempo de se apavorar. [6]

A presença de Lampião e seu bando de cangaceiros na região era sinônimo de alvoroço e correria. O medo da população estava ligado à imagem que se tinha de Lampião: facínora, criminoso, bandido, entre outras. Esta negatividade da imagem de Lampião está associada a vários fatores, como por exemplo, ao papel da imprensa escrita, uma vez que esta tem um poder de construir um discurso eficaz na medida em que o receptor ou leitor constrói uma imagem a partir do que está sendo dito pelo emissor ou jornal. [7]Porém, para Maria Nila, a imagem negativa de Lampião pode ter sido desconstruída a partir do momento em que a mesma afirma: “Deu muitas esmolas, agradou crianças e até mesmo a mim – que na época já era uma franguinha de moça – dando-me dois tostões”. [8]

A ansiedade das pessoas quando ouviam dizer que Lampião estava próximo da região diminuiu bastante depois da visita à cidade. Ao que parece, toda aquela imagem que se tinha do cangaceiro foi desconstruída, principalmente pelo fato de o mesmo não ter cometido nenhum delito grave. É o que demonstra Maria Nila ao dizer: “Sabe de uma coisa, com a vinda do Capitão Virgulino, mais conhecido mesmo por Lampião, o povo até que se acalmou mais. Deixou de fugir e dormir nos matos quando os boatos corriam.” [9] Veremos adiante que dormir no mato era uma prática comum, segundo relato dos entrevistados. Também com base em outras memórias percebemos que a notícia de que Lampião iria invadir a cidade de Nossa Senhora da Glória era algo difundido constantemente, o que levava a população ao estado de medo.

Durante a sua permanência na cidade, Lampião despertou a curiosidade de muitas pessoas que queriam ver de perto o Rei do Cangaço. Parece que a oportunidade ideal foi quando ele resolveu fazer uso dos serviços disponíveis na cidade, indo fazer a barba com Zé Bisonho. Sabendo que poderia ser alvo de algum atentado, e também numa tentativa de controlar a multidão que queria vê-lo de perto, Lampião deixou dois cangaceiros servindo de sentinelas na porta da barbearia, como afirma Manoel Messias, um dos que estava no local:

Lampião foi fazer a barba com o barbeiro Zé Bisonho. Deixou dois cabras de sentinela na porta. Nunca vi bichos tão feios, imundos e carregados de coisas. O povo todo estava assombrado e ao mesmo tempo morrendo de curiosidade para conhecer, principalmente, o Capitão Virgulino. Eu era um dos que estavam mais perto e ouvi bem quando ele disse, já saindo da barbearia: - vão fazer a feira de vocês pessoá. [10]

Mesmo não tendo praticado nenhum crime hediondo, Lampião não deixou de lado seu tom ameaçador, uma característica que possuía. Segundo Maria Nila de Almeida, ele “[...] deixou com um velho chamado Marciano uma boa esmola e um recado desaforado: - ói, se os macacos aparecerem por aqui diga a eles que se quiserem ir atrás de nós, botem as esporas e montem na mãe”. Isso também se confirma no depoimento de Manoel Messias no momento em que diz que quando Lampião foi embora e soube depois que a volante havia chegado à cidade após a sua saída desconfiou que o intendente João Francisco tivesse armado uma emboscada na cidade e mandou-lhe um recado desaforado:“Diga ao Chico, que quando eu for lá em Glória vou deixar a Glorinha filha dele pregadinha na porta.” [11]

A ameaça à filha do Intendente João Francisco ocorreu pelo fato de Lampião ter solicitado ao mesmo dez burros de transporte para que ele e seu bando pudessem fugir da cidade. A solicitação dos animais de montaria foi atendida, com o Intendente mandando alguém de sua confiança ir arrumar os animais. O problema é que no bolso deste rapaz havia um bilhete para o caso de encontrar com alguma volante. O conteúdo do bilhete era a informação que Lampião estava em Nossa Senhora da Glória à espera dos animais.

Desconfiado, Lampião foi embora sem esperar pelos animais, mas deixou um cangaceiro escondido próximo a casa do Intendente, que confirmou em conversa com o delegado Antonio Francisco de Lima, que no bolso do rapaz havia um bilhete informando o caso. O cangaceiro foi ao encontro do capitão Lampião, que já estava nas imediações de onde funcionou durante décadas o Colégio Nossa Senhora da Glória e informou o acontecido. Decidido a não voltar com receio de que a volante já estivesse próximo, Lampião deixou o recado acima citado, com o rapaz que tinha ido conseguir os burros que eles encontraram no caminho. Não mataram o rapaz, mas cotaram as patas de todos os burros que o moço havia conseguido. [12]

Quem também teve uma experiência marcante na época que Lampião rondava o sertão sergipano foi Gerino Tavares de Lima, nascido em 30 de novembro de 1905. Na época que Lampião esteve em Nossa Senhora da Glória, Gerino Lima estava no auge da juventude, com 24 anos de idade. Ainda lembra como foi a experiência de ver de perto Lampião: “Eu tava sentado numa esquina, meu pai tinha uma loja e eu tava sentado (...) o soldado entregou a arma a Lampião e ele ficou assim na minha frente, e depois ele baixou na casa do prefeito.” [13]

A reação de Gerino Lima quando viu Lampião frente a frente foi de intenso medo: “eu tive medo porque falei com ele, só que falei com medo”. O medo sentido pela testemunha não foi um caso isolado, pelo contrário, toda população do lugarejo ficava apreensiva quando ouvia falar que Lampião rondava a região. O medo era o de ser vítima de alguma atrocidade e até mesmo morrer. Para Jean Delumeau o medo é algo natural, que compõe a experiência humana e que “inerente a nossa natureza, é uma defesa essencial, uma garantia contra os perigos, um reflexo indispensável que permite ao organismo escapar provisoriamente à morte”. [14]

Depois que Lampião esteve em Nossa Senhora da Glória, em 1929, a vida de Gerino Lima não foi mais a mesma. Por conhecer alguns coiteiros de Lampião na região, foi convidado várias vezes para compor o quadro de protetores e defensores dos foragidos da lei, dos desterrados da justiça como definiu Alcino Alves da Costa. [15] Mas, Gerino Lima recusou a proposta por várias vezes: “Essas pessoas pelejavam pra eu ir onde tava Lampião, mas eu agradecia e dizia: não, deixa, deixa”. Mesmo não aceitando o convite para compor o quadro de coiteiros, Gerino Lima não deixou de contribuir de alguma forma com Lampião, mesmo não sendo do bando. Afirma que Lampião mandava dinheiro pelos coiteiros para ele ir trocar em Aracaju. [16]

Por causa dos favores prestados a Lampião, Gerino Lima se tornou o seu homem de confiança em Nossa Senhora da Glória. Não integrou o grupo de coiteiros, mas por ser um homem de extrema honestidade e confiança, não só de Lampião, mas também de homens do poder como o Governador Eronildes de Carvalho, sempre tinha informações de onde estava Lampião e dos locais que seriam invadidos. [17]

Outra gloriense que teve contato com Lampião foi Maria Gerovina Aragão. O contato próximo com o cangaceiro se explica pelo fato dela ser afilhada de João Francisco de Souza, o intendente da cidade. Antes de ficar frente a frente com Lampião, Maria Gerovina relata que quando era criança, ouvia dizer que Lampião avisava que ia entrar na cidade, mas acabava não cumprindo a promessa. Isso era motivo para que ela, sua família e outras pessoas da cidade corressem para outras localidades. “A gente saia da cidade para o interior, pro mato, com medo e passava o dia todo lá. Dormia nos matos e levava esteira. Era muito sacrifício na vida”. [18]

Segundo Maria Gerovina, durante várias vezes circularam rumores de que Lampião iria entrar em Nossa Senhora da Glória. Isso gerava um clima de alvoroço e correria. Mas, assim como diz a historiografia, a entrevistada confirma que Lampião e seu bando só estiveram na cidade uma vez, em abril de 1929:

Eles vieram num sábado. Eu ainda assisti tudo. Eles vieram para casa do meu padrinho João Francisco que era intendente, prefeito chamava-se intendente. Ainda fiquei com Meire. Ela, Meire, me mandou preparar o almoço. Uma mesa enorme que eles ficaram, eles ficaram e almoçaram e depois que almoçaram saíram né. Saíram e ficaram na rua olhando isso e aquilo outro, mas não mataram nem nada, só fizeram medo e acabou. [19]

Maria Gerovina Aragão comenta o que aconteceu com Dona Belila, uma conhecida sua. Segundo ela, Lampião entrou na casa dela a procura de uma moça grávida, que segundo ele havia entrado em sua casa. Não houve um motivo evidente para Lampião declarar caçada a jovem. Ele só queria encontrar a moça para saber por que ela tinha corrido para se esconder. A busca só teve fim quando outro cangaceiro do bando sugeriu: “Lampião, deixe isso pra lá, venha pra cá”. Para Maria Gerovina a sua conhecida foi uma vítima de Lampião, uma vez que foi ameaçada de morte, porque como ela era dona da casa onde a garota grávida entrou, tinha que dar conta da jovem e entregá-la ao chefe dos cangaceiros. [20]

A passagem pelos povoados da zona rural

Em Nossa Senhora da Glória, a passagem de Lampião e dos cangaceiros não ficou restrita apenas a sede do município. Alguns povoados também receberam a visita do capitão do sertão e seus comparsas, como é o caso dos povoados Panelas e Lagoa Grande. Em ambos os casos a passagem do cangaço deixou marcas profundas na memória dos indivíduos, como é o caso de Ermínia Cecília Santos e Maria Eurides Santos. Ambas ainda trazem na memória as lembranças das experiências vividas.

Para Ermínia Cecília Santos, Lampião era uma “assombração” e todo mundo tinha medo dele. A imagem de assombração construída por Ermínia Cecília está intimamente associada aos atos de violência praticados por Lampião, fosse contra a volante ou contra pessoas que traíam a sua confiança ou lhe negavam algo. Um fato peculiar é que mesmo associando a imagem de Lampião a uma assombração, Ermínia Cecília diz: “hoje tem tanta assombração né, que hoje a gente acha que eles não eram tanta coisa assim.” [21]Ou seja, nas lembranças da entrevistada, a violência hoje é tamanha que não se compara aos atos praticados por Lampião e seus homens.

Sobre suas experiências com o cangaço, Ermínia Cecília relata: “nós chegamos a dormir no mato com medo dele. Em vez de correr pra dentro de casa, corremos para o mato (risos) com medo dele sim”. A prática de dormir no mato era comum entre as pessoas que temiam qualquer contato com Lampião. Essa era uma forma de se prevenir de um possível ato de violência. O contato mais próximo que a entrevistada teve com Lampião e os cangaceiros, foi quando estes passaram no povoado Panelas e almoçaram em sua casa. Mesmo sendo criança na época, ela ainda recorda bem o fato: “Ele, esteve dentro de casa com nós, almoçaram em casa, fizeram matar criação. Mas quem quisesse que não fizesse isso não, que era pra morrer.” Negar alguma coisa era algo que poderia custar à vida. Questionamos Ermínia Cecília a respeito de sua opinião sobre o cangaço e ela afirmou achar que Lampião era “um inimigo do povo, e que ficou muito satisfeita quando soube de sua morte, uma vez que não só ela, mas todo o povo estava livre da assombração”. [22]

Entre os moradores da zona rural, entrevistamos Maria Eurides Santos, nascida no povoado Lagoa Grande. Apesar dos dois contatos que teve com Lampião e os cangaceiros, sendo um destes de forma indireta, Maria Eurides não tinha uma visão de um Lampião tão violento e cruel assim como tinham outras pessoas. Quando perguntamos o que ela achava de Lampião e os cangaceiros sua resposta foi:

Eu não achava tanta coisa não porque se a gente soubesse tratar, eles não faziam mal. Agora se a gente pisasse na bola era capaz de morrer mesmo, mas se a gente tinha medo, tinha que ficar naquele jeitinho e ficar calado sem dizer nada. Mas agora a gente hoje vê tanta miséria pior do que Lampião, essa folia do povo matar, roubar, viver entrando nas casas, matar o povo e carregar as coisas do povo isso é pior do que Lampião viu, é muito pior mesmo. [23]

Assim como no caso de Ermínia Cecília, para Maria Eurides Santos a experiência com o cangaço e a realidade atual da violência leva ela a formular uma opinião que aponta a realidade de hoje em dia como sendo muito mais violenta do que na época do movimento social que assolou o sertão.

Segundo a entrevistada, os cangaceiros estiveram duas vezes em sua casa, diz: “Primeiro ele passou e não tinha ninguém, aí eles esbagaçaram tudo, comeram tudo e foram embora.” Já na segunda visita houve um contato direto dos cangaceiros com ela e sua família, além de uma senhora vizinha sua, que só foi vista por que pegava água em uma fonte que ficava próxima à casa da entrevistada. “Na segunda vez nós já tava dentro de casa. Papai tinha casado sabe, aí nós tava dentro de casa, de manhãzinha. Eles chegaram na porta, aí mandaram minha madrasta encher uns bornais, aí ela tava enchendo na cozinha”. De acordo com Maria Eurides após encherem os bornais, Lampião e seu bando iriam seguir caminho, com destino por ela e sua família desconhecido. Mas, para não deixar rastro de sua passagem pela casa, ordenou que a velha senhora que lhe tinha provido de água apagasse as pegadas do chão com um ramo de folhas. Só depois disso eles foram embora. As marcas no chão foram apagadas, mas as marcas na memória de Maria Eurides Santos permanecem até hoje. [24]

Ao analisar as informações transmitidas pelos protagonistas da passagem do cangaço em Nossa Senhora da Glória, percebemos um consenso quanto às suas reações ao tomarem conhecimento da morte de Lampião. Poderíamos apresentar aqui detalhes das respostas proferidas, porém há uma palavra que resume de maneira adequada o sentimento dos atores sociais: alívio. Alguns jornais noticiaram o fato para satisfação da população como um todo. O jornal Correio de Aracaju noticiou: “O extermínio de “Lampião” pela polícia alagoana assignala o desapparecimento do maior e mais perverso dos bandoleiros nordestinos de todos os tempos”. [25]

Os relatos sobre a passagem de Lampião em Nossa Senhora da Glória estão presentes não só na memória dos indivíduos que viveram a época, mas também na memória daqueles que ouviram e ainda ouvem as histórias sobre Lampião. Cícero Alves, conhecido por Véio, artesão e conhecedor exímio da história gloriense, contribuiu com preciosas informações acerca da passagem de lampião e seu bando pela cidade. Segundo ele, com base nas histórias que ouvia desde criança, Lampião esteve em Nossa Senhora da Glória no dia 20 de abril de 1929, um sábado, dia da feira local, acompanhado por um grupo composto por dez cangaceiros: Lampião, Luiz Pedro, Corisco, Zé Baiano, Ângelo Roque, Arvoredo, Amoroso, Ponto Fino, Moderno e Volta Seca. [26]

Quanto a essa informação, em discurso proferido na Câmara de Vereadores de Nossa Senhora da Glória, José Carlos de Sousa confirma que: “o novo município teve sua sede invadida pelo bando de Lampião, constituído de dez cangaceiros o próprio Lampião, Luiz Pedro, Ângelo Roque, Corisco, Zé Baiano, Alvoredo, Moderno, Ponto Fino, Amoroso e Volta Seca”. [27]Sobre o grupo de cangaceiros que esteve em Glória naquele dia, há uma controvérsia quanto aos nomes dos integrantes do bando. José Anderson Nascimento menciona como invasores: Lampião, Quinta-Feira, Arvoredo, Luiz Pedro, Delicado, Volta Seca, Nevoeiro e Labareda. [28]Também é controvertido o número de cangaceiros que estiveram na cidade, uma vez que o autor afirma que estiveram aqui oito e não dez cangaceiros como dizem outras fontes. O mais provável é que tenha ocorrido um desencontro de informações, ocasionada pelo fato de José Carlos de Sousa não mencionar as fontes consultadas, se é que consultou alguma, sobre a ocorrência.

Fato curioso sobre a passagem de Lampião por Nossa Senhora da Glória foi o caso do barbeiro que ficou conhecido como o homem que tirou sangue de Lampião. Segundo Cícero Alves: “o barbeiro ficou muito nervoso quando Lampião e outro cangaceiro chegaram a sua barbearia. Quando começou a fazer seu trabalho, o senhor Clemêncio cortou uma espinha do rosto de Lampião e disse: capitão, tá merejando sangue aqui”. [29]A ação do barbeiro foi involuntária, uma vez que o nervosismo era comum entre aqueles que de alguma forma tiveram contato com os cangaceiros.

Algumas considerações finais

Na tentativa de reconstruir historicamente as memórias de alguns moradores mais antigos do município de Nossa Senhora da Glória sobre a passagem de Lampião e o seu grupo de cangaceiros pela região, com o auxílio de algumas fontes escritas, comprovamos que esta ocorreu uma única vez na cidade e mais de uma vez em alguns povoados do município. Mesmo tendo deixado marcas de crueldade em vários lugares por onde passou, em Nossa Senhora da Glória Lampião agiu diferente, e por conta da passagem tranqüila as maiores marcas deixadas na memória da população local foram o medo e também o alívio, este comprovado com o fato das pessoas pararem de fugir da cidade quando os boatos da sua presença na região se espalhavam.

Não era objetivo deste trabalho, construir mais uma história do cangaço, trabalho este já realizado por vários estudiosos, mas sim relembrar e analisar a atuação do cangaço em Nossa Senhora da Glória, para assim percebermos as particularidades do caso, em relação a um contexto historicamente conhecido.

Referências Bibliográficas

COSTA, Alcino Alves da. Lampião além da versão: mentiras e mistérios de Angicos. Aracaju, SE: Sociedade Editorial de Sergipe, 1996.
DELUMEAU, Jean. História do medo no Ocidente: 1300-1800, uma cidade sitiada. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
NASCIMENTO, José Anderson. Cangaceiros, coiteiros e volantes. Aracaju: Academia Sergipana de Letras, 1996.
THOMPSON, Paul. A voz do passado: história oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
SANTOS, Ana Lúcia Rodrigues dos. O registro trágico de um fim: a imprensa sergipana e a morte de Lampião (1938 -1948). São Cristóvão: UFS, 1998. (Monografia de graduação).
SOUZA, Anildomá Willans de. Nas pegadas de Lampião. Serra Talhada: Gráfica Folha do Interior, 2004.
FONTES
Impressas:
Depoimento de Maria Nila de Almeida. Apud: BANCO DO NORDESTE DO BRASIL. Nossa senhora da Glória. Fortaleza, CE, Agosto de 1982. p. 27.
Depoimento de Manoel Messias. Apud: BANCO DO NORDESTE DO BRASIL.Nossa senhora da Glória. Fortaleza – CE, Agosto de 1982. p. 27.
Jornal Correio de Aracaju. Aracaju, 04 de agosto de 1938.
Jornal Gazeta de Sergipe. Aracaju, 22 de Abril de 1929.
SOUZA, José Carlos de. Discurso proferido na sessão solene da Câmara Municipal de Nossa Senhora da Glória, em 30 de setembro de 2005.
Depoimentos:
Depoimento de Cícero Alves dos Santos. Nossa Senhora da Glória, 17/03/2007.
Depoimento de Ermínia Cecília Santos. Nossa Senhora da Glória. 26/03/2008.
Depoimento de Gerino Tavares de Lima. Nossa Senhora da Glória. 23/03/2008.
Depoimento de Maria Gerovina Aragão. Nossa Senhora da Glória. 15/04/2008.
Depoimento de Maria Eurides Santos. Nossa Senhora da Glória. 16/05/2008

[1]É o caso de: COSTA, Alcino Alves da. Lampião além da versão: mentiras e mistérios de Angicos. Aracaju, SE: Sociedade Editorial de Sergipe, 1996. DÓRIA, Carlos Alberto. O cangaço. São Paulo: Brasiliense, 1981. SOUZA, Anildomá Willans de. Lampião: nem bandido nem herói...a História. Serra Talhada: GDM Gráfica, 2006. NASCIMENTO, José Anderson. Cangaceiros, coiteiros e volantes. Aracaju: Academia Sergipana de Letras, 1996.
[2] NASCIMENTO, José Anderson. Cangaceiros, coiteiros e volantes. Aracaju: Academia Sergipana de Letras, 1996. p. 193.
[3] Gazeta de Sergipe – Aracaju: Edição de 22 de Abril de 1929.
[4] NASCIMENTO, José Anderson. op. cit., p. 296.
[5] THOMPSON, Paul. A voz do passado: história oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. p. 137.
[6] Depoimento de Maria Nila de Almeida. Apud: BANCO DO NORDESTE DO BRASIL. Nossa senhora da Glória. Fortaleza, CE, Agosto de 1982. p. 27.
[7] SANTOS, Ana Lúcia Rodrigues dos. “O registro trágico de um fim: a imprensa sergipana e a morte de Lampião (1938 -1948). São Cristóvão: UFS, 1998. (Monografia de graduação) p. 38-40.
[8] Depoimento de Maria Nila de Almeida. op. cit.>, p. 27.
[9] Depoimento de Maria Nila de Almeida. op. cit., p. 27.
[10] Depoimento de Manoel Messias. Apud: BANCO DO NORDESTE DO BRASIL. Nossa senhora da Glória. Fortaleza – CE, Agosto de 1982. p. 27.
[11] Depoimento de Maria Nila de Almeida. op. cit., . 27.
[12] Depoimento de Cícero Alves. Nossa Senhora da Glória, 17/03/2007.
[13] Depoimento de Gerino Tavares de Lima. Nossa Senhora da Glória. 23/03/2008.
[14] DELUMEAU, Jean. História do medo no Ocidente: 1300-1800, uma cidade sitiada. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p 19.
[15] COSTA, Alcino Alves da. Lampião além da versão: mentiras e mistérios de Angicos. Aracaju, SE: Sociedade Editorial de Sergipe, 1996. p. 27.
[16] Depoimento de Gerino Tavares de Lima. Nossa Senhora da Glória. 23/03/2008.
[17] Depoimento de Gerino Tavares de Lima. Nossa Senhora da Glória. 23/03/2008.
[18] Depoimento de Maria Gerovina Aragão. Nossa Senhora da Glória. 15/04/2008.
[19] Depoimento de Maria Gerovina Aragão. Nossa Senhora da Glória. 15/04/2008.
[20] Depoimento de Maria Gerovina Aragão. Nossa Senhora da Glória. 15/04/2008.
[21] Depoimento de Ermínia Cecília Santos. Nossa Senhora da Glória. 26/03/2008.
[22] Depoimento de Ermínia Cecília Santos. Nossa Senhora da Glória. 26/03/2008.
[23] Depoimento de Maria Eurides Santos. Nossa Senhora da Glória. 16/05/2008.
[24] Depoimento de Maria Eurides Santos. Nossa Senhora da Glória. 16/05/2008.
[25] Correio de Aracaju. Aracaju, 04 de agosto de 1938.
[26] Depoimento de Cícero Alves. Nossa Senhora da Glória. 17/03/2007.
[27] SOUZA, José Carlos de. Discurso proferido na sessão solene da Câmara Municipal de Nossa Senhora da Glória, em 30 de setembro de 2005. p. 23.
[28] NASCIMENTO, José Anderson. op. cit., p. 194.
[29] Depoimento de Cícero Alves. Nossa Senhora da Glória. 17/03/2007.
[*] Graduado em História – Universidade Tiradentes – UNIT; Estudante de Especialização em Ensino de História: novas abordagens – Faculdade São Luís de França – FSLF. Tutor a distância do curso de História (modalidade a distância) da Universidade Federal de Sergipe – UFS/UAB/CESAD. Email: caiocsg20@hotmail.com

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SÓ ENQUANTO OS CANGACEIROS ESTÃO ALMOÇANDO - DONA IZAUTA


Auta Maria da Conceição (Izauta) nasceu em 1910 na Comunidade de Lagoa do Mato, Município de Acaraú/CE. 8 filhos, 70 netos, totalizando mais de 500 descendentes. 

Mora com uma filha na Comunidade de Tope, zona Rural do Distrito de Aranaú, Acaraú, Litoral do Extremo Oeste do Ceará. Estive fazendo uma visita a esta Senhora que contou um pouco de sua vida centenária. Casada, viúva, aposentada, trabalhou muito na roça, no fabrico da farinha, rezou para curar doenças nas pessoas, esteve em Canindé, trabalhou fiando algodão para confeccionar rede de dormir, enfrentou dificuldades nos anos de saca malvada, mas nunca desistiu de sua luta. Frequentou pouca escola. 


Diz que ama a família e sente saudade da mãe. Ouve, ver bem, mas já tem dificuldade para falar e não consegue mais andar. Dona Izauta faz parte de um grupo seleto de 25.000 brasileiros e brasileiras com mais de 100 anos. Em setembro próximo está fechando seus 105 anos de vida com um estilo típico de mulher sertaneja, brava, heroica que não desiste nunca. Nós que fazemos a Rádio FM 6 de Abril, Cruz/CE e o jornal A FOLHA desejamos-lhe muitos anos de vida.

Fonte: facebook

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HISTÓRIAS DO CANGAÇO – RUMO AO MASSACRE DE ANGICO - PARTE FINAL

Por Anildomá Willans de Souza

(Extraído do livro LAMPIÃO. NEM HERÓI NEM BANDIDO. A HISTÓRIA, de Anildomá Willans de Souza)

E o poeta popular, nas feiras, sentado num tamborete, na porta de uma bodega, de uma mercearia ou debaixo de um pé de pau qualquer no meio de uma praça ou numa esquina, empunhava sua viola, agitando as cordas, entoava, para dezenas de matutos, entoava os seguintes versos, que são atribuídos a autoria ao próprio Lampião. Apesar de pouca leitura era um verdadeiro vate cangaceiro. Sua poesia se iguala à de qualquer um outro poeta de nossa literatura, com métrica, rimas e mensagem. Lampião era artista no rifle e na viola. Vejamos:

Me juntei a Sebastião Pereira
Companheiro de desgraça
Quis queimar o Pajeú
Pra ver subindo a fumaça
Conheci que era valente
Pois Lampião não desmente
O brio da sua raça

Eu me chamo Virgolino
Por alcunha Lampião
Sou cangaceiro afamado
Em todo alto sertão
Não levo em conta o inimigo
E não encaro perigo
Estando de arma na mão

A chupeta que carrego
É o rifle e cartucheira
O leite é bala de chumbo
Muito veloz e certeira
Quem se julga pedra rocha
Venha ver se aguenta brocha
De Virgolino Ferreira

Nesse Pajeu das Flores
Fiz meu centro de ação
Sou senhor absoluto
De todo este sertão
Aqui quem quiser passar
Precisa de apresentar
Licença de Lampião

Quando pensei que podia
O caso estava sem jeito
Vou dar trabalho ao governo
Enfrentar de peito a peito
Vou trocar bala sem receio
Morrendo num tiroteio
Sei que morro satisfeito

Meu mano Antônio Ferreira
Cai na luta sem receio
Livino por sua vez
Não teme combate feio
Gosto de fazer zuada
Mas assombra a macacada
Quando cai no tiroteio

Eu, Antônio e Livino
Andamos pelo sertão
Soldado que nos enfrentar
Dá frio no coração
Porque já sabe que corre
E se for teimoso morre
Vai morar dentro do chão

Por minha felicidade
Entrei nessa triste vida
Não gosto nem de contar
A minha história sentida
A desgraça enche meu rosto
Em minha alma entra um desgosto
Meu peito é uma ferida

Quando me lembro senhores
Do meu tempo de inocente
Que brincava nos serrados
Do meu sertão sorridente
Sinto que meu coração
Magoado dessa paixão
Bate e chora amargamente

Meu pai, minha mãe querida
Quiseram me ensinar
No seu colo carinhoso
Ela me ensinou a rezar
E a todos respeitar
Ele me ensinou nos campos
Eu menino a trabalhar

Cresci na casa paterna
Quis ser um homem de bem
Viver do meu trabalho
Sem ser pesado a ninguém
Fui almocreve na estrada
Fui até bom camarada
E tive amigos também

Tive também meus amores
Cultivei minha paixão
Amei uma flor mimosa
Filha lá do meu sertão
Sonhei em gozar a vida
Bem junto à prenda querida
A quem dei meu coração

Hoje sei que sou bandido
Como todo mundo diz
Porém já fui venturoso
Passei meu tempo feliz
Quando no colo materno
Gozei do carinho terno
De quem tanto bem eu quis

Meu rifle atira cantando
Em compasso assustador
Faz gosto brigar comigo
Por que sou bom cantador
Quando meu rifle trabalha
Minha voz longe se espalha
Zombando do próprio horror

Nunca pensei que na vida
Fosse preciso brigar
Apesar de ter intrigas
Gostava de trabalhar
Mas hoje sou cangaceiros
E enfrentarei o balseiro
Até alguém me matar!

É comum escutarmos que Virgolino resolveu ser cangaceiro para vingar a morte do seu pai.

A verdade é que ele assumiu a condição de cangaceiro para tal vingança - no ano de 1920, dois dias após o assassinato, numa reunião com os irmãos, ao redor do túmulo dos pais, no cemitério de Santa Cruz do Deserto - mas que antes - desde 1916 - já tinha questões com os vizinhos.

Esclarecemos  que as confabulâncias através de carta entre Zé Saturnino e o comandante de volante José Lucena, que resultaram na morte de  José Ferreira, foi uma questão de desacerto, um erro grave, pois os alvos eram os filhos - destacadamente Virgolino, Antonio e Livino - e não o pai. Isto irritou por demais os mandantes. Sabiam que a vítima tombou inocente, sem a mínima culpa das presepadas dos três rapazes. Ainda hoje os parentes do primeiro inimigo de Lampião lamentam o fato


1 - Saltou pra dentro da história com o nome de Zé Saturnino da Pedreira e sendo o primeiro inimigo de Lampião. Nasceu no dia 20 de maio de 1894 e faleceu no dia 05 de agosto de 1980, às 22 horas. Foi sepultado no cemitério da Serra Vermelha.

(Extraído do livro LAMPIÃO. NEM HERÓI NEM BANDIDO. A HISTÓRIA, de Anildomá Willans de Souza)

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