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terça-feira, 19 de setembro de 2023

UMA ABERRAÇÃO LITERÁRIA, UM DESSERVIÇO À HISTÓRIA

 Por Júnior Almeida


Está repercutindo bastante nas redes sociais, e diversos "podcasts" de grande alcance, a publicação do bolsonarista Tiago Pavinatto, recentemente demitido pela emissora Jovem Pan. A publicação do extremista da direita é desonesta, recheada de absurdos. Para começar, logo na capa do livro o pseudo pesquisador diz a que veio, ao tentar ligar a figura histórica do mais famoso bandoleiro do Brasil, Virgulino Ferreira, o Lampião, com o atual presidente Lula.

Para o escritor, Lula e Lampião por terem iguais a primeira letra dos seus nomes, é o motivo de um desenho de uma mão fazendo um "L". Tirando a clara posição política do autor, a obra é cheia de erros históricos. Baseado em uma entrevista de Pavinatto à jornalista Leda Nagle, em seu canal, vejamos:

O cara começa sua fala com um anacronismo incrível. NÃO podemos jamais entender a História usando como base os conceitos atuais. Para entender o que se passou, em qualquer época, temos que nos transportar em mente para essa época. E outra: o autor afirma que a esquerda transformou Lampião em um revolucionário, e diz o óbvio, da relação dele com os potentados latifundiários.

Dizer que ele SEMPRE vencia? Não é bem assim, pois Mossoró, Serrinha do Catimbau, Ipueira dos Xavier, Uiraúna, Vila Vitória, Mata Grande, dentre outras localidades dizem ao contrário. Seria bom o autor estudar mais.

O ápice da entrevista dele é quando ele troca Virgulino por Cristino Cleto, o Corisco, e diz que "Lampião casou com Dadá". É pra rir! Vai que agora surja outro Pedro Morais pra dizer também que o chamado Diabo Loiro era corno. Outra troca: Ele diz que "José Baiano se chamava José Batista, e não José Aleixo". Eu já li muita coisa ruim e fiz até resenhas dessas obras, mas essa, tem tudo para superar e muito os lixos literários que já existem.

A luta é árdua. É sempre um "Davis X Golias". Muitas vezes vejo o desânimo de colegas pesquisadores que trabalham seriamente, ao ver esse tipo de aberração. Quem pesquisa o cangaço com SERIEDADE não se conforma, e com razão, e não pode ficar inerte com tanta mentira sendo contada. O que será das próximas gerações ao se "informar" com esse tipo de obra?! Façamos algo, pelo bem da História!

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MANOEL VITÓRIO E O FILHO BENJAMIM FORAM CASTIGADOS PELOS CANGACEIROS ZÉ FORTALEZA, SUSPEITA, MEDALHA E LIMOEIRO

 Por José Mendes Pereira - (Crônica 46)


O escritor Alcino Alves Costa escreveu em seu livro “Lampião Além da Versão Mentiras e Mistérios de Angico” que Manoel Vitório dos Santos era proprietário da Fazenda Cassussu, e era casado com uma moça do ribeirinho do Bom Sucesso. O casal construiu numerosa prole, Temistocles (popularmente chamado de Temisto das Queimadas), sendo este famoso coiteiro de Lampião, Benjamim, Geminiano, Alice, Porcina, Bela, Júlia e mais dois filhos, uma menina e um menino. Os dois últimos eram filhos de Manoel Vitório com Maria das Virgens, que era a esposa de um senhor chamado Cante e, sendo esta, mãe do cangaceiro Canário.

Em fins de 1934, o cangaceiro Zé Fortaleza que já era chefe de um bando de cangaceiros, ficou arranchado juntamente com os seus comandados aos arredores da fazenda Cassussu, e lá, uma rês foi morta. Como precisavam cozinhar a carne, alguns cangaceiros foram até a pequena fazenda pedir uma panela emprestada. Com desejos de agradar aqueles delinquentes, o próprio Manoel Vitório foi até ao coito deixar a panela. Mas o catingueiro não sabia que aquele gesto de humildade, iria trazer problemas terríveis e cruéis, tanto para ele, como para sua generosa e amada família.

Ao chegar, entregou a panela e animadamente conversou com os bandoleiros sem temer nada. Recebeu um agrado (gorjeta), e por Zé Fortaleza, foi advertido que, não espalhasse na região que eles estavam ali, arranchados.

Elesbão que era filho de Maria das Virgens com o seu pai Manoel Vitório, estava passando uns dias com os seus irmãos, filhos da moça de Ribeirinho de Bom Sucesso, vendo os cangaceiros na casa do pai, ao retornar para Poço Redondo, contou o que viu, isto é, a presença dos cangaceiros na fazenda Cassussu do seu pai. E logo, a notícia se espalhou, e a partir daí, a desgraça estava preste a acontecer.

Os desocupados fuxiqueiros que não faltam em uma comunidade qualquer, correram e foram contar a Zé Fortaleza o que estava se passando. Raivoso, o facínora põe toda culpa em cima do fazendeiro Manoel Vitório, e com desejo de vingança, disse que o Manoel Vitório iria ter o seu castigo, pela sua fraqueza de ter espalhado a sua presença com os seus comandados aos arredores da sua fazenda.

Como o sertão nordestino estava em dificuldade, devido à grande seca que assolava aquelas regiões, Geminiano foi morar no Estado de Alagoas, e lá, arrumou um pequeno trabalho numa fazenda chamada de “Soledade”, de um senhor chamado Neco Brito. E como as dificuldades continuam lá na Fazenda Cassussu, Geminiano levou o seu irmão Benjamim para sua companhia, e arranjou um trabalho para ele, numa fazenda de nome “Horizonte”, que ficava perto de onde ele morava. Benjamim havia se casado com uma moça de nome Mila, uma das filhas do renomado alagoano Joãozinho Correia.

No ano de 1935, o inferno foi muito bom em toda região nordestina, farturas e mais farturas estavam nas mesas dos camponeses. O mês de junho, o mês das festividades juninas, e Geminiano convidou o seu pai Manoel Vitório para passear pelas aquelas belas terras alagoanas, que tão bem havia o acolhido e o seu irmão Benjamim.

Uns quinze dias das festas de São João, seu Vitório chegou à fazenda “Soledade”, O baile, as fogueiras e os fogos foram na Fazenda “Mata Grande”, de um senhor chamado Pedro Cadeira, um dos seus parentes alagoanos. Os dias se aproximavam para os festejos, e seu Vitório nem se lembrava, que os festejos seriam no dia seguinte.

Geminiano conversava com o pai e o avisou que as festividades juninas seriam no dia seguinte:

- Papai, amanhã nós vamos para a Mata Comprida. Vamos para o São João de lá.

O velho põe-se a pensar nas festividades de Poço Redondo, e sem querer ir para as festividades de Mata Comprida, de imediato disse para o filho Geminiano:

- Vá, meu filho, vá! Pode ir! Meu filho, que eu cuido dos afazeres da fazenda. - Garantiu ele ao filho.

O velho ficou sozinho. Bem perto da Fazenda em que ele estava, trabalhava o seu filho Benjamim, na Fazenda “Horizonte”. A sua esposa tinha ido às festividades, mas ele permaneceu em casa, na propriedade, junto com um dos seus amigos, um senhor de nome Pedro Serafim.

Nesse dia, era um domingo. Na “Soledade”, Manoel Vitório foi cuidar de apartar os bezerros. A noite chegou e o velho foi para o telhado cuidar de lavar os pés. Depois, cuidou de um café, assou carne de bode, e ali mesmo comeu misturada com farinha, e de costume, procurou dormir.

Por volta da meia noite, deste domingo, o visitante da Fazenda “Soledade”, o seu Manoel Vitório, foi convidado para abrir a porta. Mesmo não sendo daquelas terras, abriu-a sem nenhum receio, e viu de cara os velhos cangaceiros Zé Fortaleza, Limoeiro, Suspeita e Medalha.

O chefe do grupo, o Zé Fortaleza, que não tinha a mínima ideia aonde estava morando Manoel Vitório, e o reconhecendo, mas mesmo assim, lhe faz uma pergunta:

- O senhor é o Manoel Vitório, lá da Fazenda Cassussu?

Manoel Vitório não temendo nada, respondeu-lhe:

- Sim senhor, sou eu mesmo o Manoel Vitório!

- Que bom! Fazia um bom tempo que nós estávamos a sua procura. No seu rasto. Você sabe aonde fica o Caboclo?

- Não num sei não. Eu sou lá das terras de Sergipe, e por aqui eu não conheço nada não senhor!

Zé Fortaleza que estava querendo vingar aquele boato que saiu, que eles estavam acoitados próximo à sua Fazenda Cassussu, perguntou-lhe:

- Você está lembrado quando nós fizemos coito perto da sua fazenda, e lhe pedimos uma panela emprestada, e você espalhou a notícia onde a gente es, e se esqueceu que eu lhe pedi que não dissesse nada a ninguém?

- Seu Zé Fortaleza, o senhor pode acreditar que eu não falei nada a ninguém! – Respondeu o Manoel Vitório.

- E quem contou?

- Deve ter sido o meu filho Elesbão. Eu me recordo que naquele mesmo dia ele foi pra Poço Redondo. – Responde o sertanejo com desespero.

O Manoel Vitório mais ou menos já estava sabendo o que iria acontecer com ele, vez que marginal, principalmente cangaceiro, não perdoa nada a ninguém.

Apoderado de ódio, o Zé Fortaleza perde o seu controle emocional, dizendo-lhe:

-Está  conversando, velho safado! Só porque se complicou, agora está querendo colocar o rabo de fora, e com isso, acusa o seu filho, hein?!

E em seguida, ordena a um dos seus comandados:

- Medalha, amarre esse miserável traidor!

Agora o velho sertanejo está amarrado, e irá passar por coisas que, até o momento, não tinha acontecido com ele.

Os facínoras o levaram até a fazenda onde o seu filho Beijo (Benjamim) trabalhava. Beijo é um rapaz fortíssimo e destemido. Como a sua esposa Mila tinha ido para as festas juninas, e ele estava acompanhado do amigo Pedro Serafim, Beijo está dormindo na sala, sobre um banco, apoderado de um travesseiro, o chapéu e uma faca peixeira, esta, iria ser o instrumento de sua desventura.

Os bandidos estão ali, e logo um bate em sua porta, fazendo acordar os moradores. O primeiro a atender é o Pedro Serafim, e sem ter como reagir, o alagoano ficou totalmente dominado por dois cangaceiros, Limoeiro e Suspeita. Os outros dois, o Zé Fortaleza e Medalha tomaram de conta da casa, invadindo-a.

Despreocupadamente, ou possivelmente ainda não havia percebido o que ganhara naquele momento, Beijo continuava deitado sobre o banco. Medalha vai e por uma das pernas o fez cair do banco. Os facínoras não esperavam a reação do Beijo, que era dono de muita força física, sem medo, o enfrentou, e o Medalha é dominado.

O cangaceiro Zé Fortaleza que acompanhava a luta do Beijo e do Medalha, resolveu ajudar o seu companheiro. Vendo a faca do Beijo no chão, apanhou-a, e aproximou-se dos dois lutadores, e cortou os órgãos genitais do pobre Beijo. Feito esta castração, Beijo deu um enorme grito, e em seguida, ficou totalmente desacordado.

O pai o Manoel Vitório continuou amarrado, e nada pode fazer em favor do filho. E acreditava que ele está sendo judiado, sangrado pelas mãos dos perversos, mas sem nunca imaginar, que o filho tinha sido castrado.
Desesperado, fez pedido aos que se diziam justiceiros:

- Pelo amor de Deus, num mate meu minino! Eli é um inocente! Num fez nada! Deixi meu minino viver!...

O companheiro de Beijo o Pedro Serafim que estava na sua companhia não sofreu nada, e o Beijo estava estirado como morto. O Manoel Vitório estava enlouquecido, urrando como uma rês. A dor que sentia o Manoel Vitório era maior do que a dor que sentia o seu filho.

O Manoel Vitório iria pagar pelo o que não fez. Os cangaceiros acreditavam que foi ele quem espalhou o boato, que eles estavam acoitados lá nas terras de Cassussu.

Zé Fortaleza estava escalado para eliminá-lo deste planeta, e sem nenhuma piedade, misericórdia ou outra coisa semelhante, com a mesma faca que castrara Beijo desferiu 13 facadas, e um tiro no infeliz sertanejo das terras de Poço Redondo. Feito a vingança, a malta saiu da fazenda “Soledade”, e foi embora, feliz por ter justiçado um homem injustamente.

Pela manhã, a triste notícia tomou rumo a todos os lugares do sertão alagoano. Geminiano levou os amigos e transportaram o Beijo para cidade de Pão de Açúcar, para os devidos procedimentos médicos.

Infelizmente, Beijo ficou sexualmente inutilizado, mas tinha em casa, a Mila, uma senhora honrada, e que nunca desrespeitou o seu nome e nem manchou o nome do marido; cuidava dele com carinho e muito amor. Beijo e Mila só se separaram quando a morte os levou para seu mundo desconhecido.

Depois das perversidades feitas pelos 4 cangaceiros, Zé Fortaleza, Limoeiro, Medalha e Suspeita não sabiam que o destino iria lhes cobrar o que fizera com aqueles pobres inocentes. Ao chegarem ao município de Mata Grande, encontraram a morte juntamente com o civil Félix Alves.


Fonte de Pesquisas

Livro: "Lampião Além da Versão Mentiras e Mistérios de Angico
Páginas: 205, 206, 207 e 208
Edição: 3ª.

Autor: Alcino Alves Costa - O Caipira de Poço Redondo

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FAMÍLIA FERREIRA NASCEU PARA LUTAR CONTRA OS SEUS DESAFETOS.

 Por José Mendes Pereira


Sem citar nomes de famílias valentes e nem das cidades que passaram por isso, aqui bem perto de Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte, duas famílias se desentenderam e a intranquilidade reinou por muitos anos, quando uma matava membros da outra família e assim vice-versa. E o mais interessante, de geração a geração, vingando a morte de pessoas do seu rebanho que outra tinha matado. Mas elas não chegaram nem um tiquinho do que fizeram os Ferreiras.

Um dia no sertão do velho e sofrido nordeste brasileiro, lá em Vila Bella (nos dias de hoje, Serra Talhada) no Estado de Pernambuco, duas famílias vizinhas, e que antes eram amigas, se tornaram inimigas.

De um lado, o proprietário da Fazenda Pedreira, José Alves de Barros, o famoso 'José Saturnino', homem que não gostava de baixar a cabeça para ninguém, e no seu entender, não tinha motivos para isso, porque alegava a desavença criada pela outra família.

Do outro lado, os vingativos irmãos Ferreiras: Antonio, Livino, mais outros como um senhor chamado Antonio Matilde (que me parece ser sobrinho do José Ferreira pai de Lampião), e Luiz da Gameleira (não tenho informação quem seria sua família), com o passar dos tempos, com a briga dos Ferreiras, ambos entraram na confusão, no intuito de proteger os irmãos. Mas o mais famoso e briguento era o Virgolino Ferreira da Silva, um homem ainda jovem e dono de uma timidez, de comportamento excepcional, e de repente, mudou o pensamento adverso, contrariando os camponeses da época, que jamais acreditavam que o Virgolino Ferreira da Silva tinha tanta coragem para enfrentar o Zé Saturnino e seus filiados.

Virgolino ainda não era alcunhado de Lampião, porque isso começou no ano de 1916, e só passou a ser Lampião, a partir do ano de 1922. 4 anos depois, (1926), tornou-se capitão Lampião, patente recebida no Juazeiro do Norte, no Estado do Ceará, entregue pelo padre Cícero Romão Batista, a mando do deputado federal Floro Bartolomeu. Muito embora sem nenhum valor a sua patente de capitão, mas mesmo assim, Lampião reinou por muito anos no nordeste brasileiro como capitão, e era com esta patente que os seus comandados o respeitavam. 

Os Ferreiras eram filhos de um homem de boa conduta. Amável à tranquilidade, principalmente a liberdade, isso sim, era o seu desejo, viver harmoniosamente com a sua esposa, sua prole, vizinhos de propriedades, onde ali, alguns deles eram seus compadres. Andar despreocupado de dia e de noite sem ser perseguido, nem incomodado, respeitado por todos que ali viviam. 

Existe um comentário na literatura lampiônica que o ódio e a valentia dos Ferreiras herdaram da mãe dona Maria Sulena da Purificação, porque, enquanto o José Ferreira dos Santos  desarmava os seus filhos na porta da frente, ela os armava na porta de traz, e ainda dizia publicamente que: “não tinha tido filho para ser desmoralizado e nem para ficar no caritó”.

Lógico que os seus filhos não desejavam uma vida intranquila para os seus pais e irmãos que não tinham nada a ver com as suas brigas, mas sem ter outro jeito, devido as suas rixas e ódios, infelizmente criaram um mundo infernal e difícil para eles e para toda família. Marcharam em busca do desassossego, do corre corre, tanto para eles como para os pais e irmãos.

Os irmãos Ferreiras se tornaram feras a partir do ano de 1916, quando o sumiço de bodes do seu rebanho começou, e passaram a ser espiões para descobrirem quem estava subtraindo os seus animais.

Como chegaram ao responsável pelo sumiço das suas criações.

Certo dia, Virgolino e o Livino entraram na casa de um morador do Zé Saturnino, na Fazenda Pedreira, e vendo peles de bodes por lar, e ao conferirem as marcas nas orelhas, perceberam que se tratava dos animais que vinham desaparecendo da fazenda do pai, Sentindo-se prejudicados, e na certeza que o Zé Saturnino tomaria a devida providência, resolveram participar ao fazendeiro.

Zé Saturnino não aceitou as acusações contra o morador, e como não obtiveram apoio, os manos se transformaram em feras humanas, e difíceis de serem domados. A partir daí, as portas do inferno foram abertas para as duas famílias. O furto de bodes deixou duas famílias de salto alto, cada uma se sentindo como a verdadeira vítima, quando as duas eram cúmplices uma da outra.

Não tenho autoridade para com o cangaço e muito menos sobre o José Saturnino, mas se através dos Ferreiras ele tomou conhecimento que o seu morador vinha praticando roubos de criações do seu vizinho, o certo teria sido mandado embora, vez que aceitando, não só o empregado, como também ele, seria desonesto com os animais do outro fazendeiro.

Segundo o que tenho lido, o roubo de bodes feito pelo morador do Zé Saturnino, foi comprovado por um inspetor de quarteirão, bastante violento e resolvia as coisas com autorismo, e que era compadre e amigo do paciente José Ferreira. Mas o inspetor não se sentiu seguro em prender o ladrão, apenas delegou impiedosos castigos. E a partir daí, só fez piorar a briga, tudo se transformou em conflitos nas duas famílias.

O Zé Saturnino e o José Ferreira eram amigos e se davam muito bem, respeitavam-se entre si, bons e pacíficos vizinhos. Mas os filhos não obedeceram o que ensinara o pai, e como não suportaram os roubos dos seus animais, e nem Zé Saturnino aceitou a acusação apontada por eles, de repente, as duas famílias criaram uma intriga.  Agora seria muito difícil de ser resolvida, porque nenhuma estava apta a baixar a cabeça para a outra e pedir desculpa. Cada família tinha no peito o ódio e vontade de vingança, e não demorou muito para ser iniciado tiroteios e emboscadas, manchando de sangue escarlate a pequena região que os viu nascerem naquele sertão desprotegido de autoridade governamental.

Sentindo-se desmoralizado e decepcionado com os Ferreiras, pela  acusação que lhe era apontada, e como vingança, Zé Saturnino passou a mutilar os seus animais que na sua propriedade entravam para ruminarem, cortando os tendões das suas patas, e assim, os viventes não tinham mais condições de se deslocarem para se alimentarem e muito menos, retornarem aos seus chiqueiros de origem, e o resultado era a morte. E vendo as suas criações mutiladas, os Ferreiras não tiveram outra solução, e passaram a agredir o velho fazendeiro em sua própria residência, na Fazenda Pedreira, com ataques violentos, usando o poder das armas.

Os Ferreiras achavam que se de lá pra cá vinham 4 pedras jogadas pelo fazendeiro Zé Saturnino, daqui pra lá não poderia ir menos do que oito, isto é, respondiam ao velho ao dobro, e achavam eles que era isso o que o fazendeiro merecia.

Lampião não era qualquer um, era um homem de gênio forte, não só forte como fortíssimo, e aquele que tentasse vencê-lo, seria impossível sair vitorioso, porque no seu “eu” reinava a maldade, a vontade de matar, de vencer os seus desafetos, de estrangular, de derramar sangue, só assim, serviria de exemplos para outros que poderiam se juntar ao grupo do Zé Saturnino, e tentar vencer os Ferreiras, e não temiam de forma alguma, o que os seus inimigos preparavam para eles.

Lampião era um homem destemido. Quando não gostava de alguém era fácil transformar o seu ódio em forte desavença, e não era preciso que o sujeito fosse o principal causador da desavença, porque ele mesmo, passava a cutucá-lo até que a ira do outro nascesse. Uma intriga de alguém, só o fazia ficar mais famoso, assim achava ele, e isso era o que mais queria. A fama para Virgolino era como se estivesse recebendo um valioso e cobiçado troféu, queria ser o rei, ou sendo uma autoridade qualquer, vista pelos sertanejos de sua jurisdição e reconhecido como um homem valente. Era o seu orgulho, e que todos aqueles que o viam, acanhadamente, apertavam-lhe a sua mão, mas com cuidado, para não machucar alguns calos do futuro rei e capitão do cangaço, porque, poderia surgir um ódio, e desse ódio, uma morte sem demora e sem motivo, uma surra de chicote com três pernas, ou ainda uma punhalada enfiada na clavícula, rasgando coração e fígado do indivíduo, até o local que o punhal alcançasse.

Lampião era o Lampião de Vila Bella, o perverso das queimadas em currais, o sanguinário das mortes de gado e criações miúdas, o vingativo das destruições de casas e roçados, o facínora das capações, das mutilações em orelhas de homens, o celerado dos ferros quentes em rostos de mulheres feitos por outros cangaceiros, mas a mando dele. 

Lampião era um homem que o sujeito não pudia confiar. Sorrir alto diante dele, poderia interpretar aquele gargalhar como uma maneira de criticá-lo. Que todos tivessem cuidado com o Lampião. Quem gosta de cheirar todo tipo de flor, geralmente se atrapalha, recebe o que não espera. Em vez de ramalhete, cheira espinho e finda se furando.

Lampião era como uma capivara que por sorte, mergulha no meio de uma porção de jacarés faminta, e em nenhum momento, teme. Passeia para lá e para cá, e se considera intocável. Assim era o facínora, perverso e sanguinário capitão Lampião. O ódio fazia com que ele praticasse as mais tristes perversidades. Ver sangue derramado no chão de um seu desafeto, era como se fosse simplesmente refresco de morango. 

Feliz daquele que ele o odiava e não chegou a passar pelas suas mãos vingativas. A morte para os seus inimigos não tinha semelhança. Morreria de qualquer jeito.

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ASCRIM/ACADEM PRESIDÊNCIA – CONFIRMAÇÃO E RETRANSMISSÃO AO CONVITE PARA “XLVII NOITE DA CULTURA E XXXII SESSÃO MAGNA BRANCA”.

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  MOSSORÓ-RN, 18 de SETEMBRO de 2023.  - OFÍCIO. Nº 030/2023.


REVERENCIAL: A “BATALHA CULTURAL E O DESENVOLVIMENTO DA CULTURA DE MOSSORÓ” ESTÃO INSCRITOS NA HISTÓRIA INESGOTÁVEL QUE OS FILHOS DA “TERRA” ESCREVEM PERMANENTEMENTE, COMO A PRÓPRIA COLEÇÃO MOSSOROENSE -INESTINGUÍVEL -, IDEALIZADA E CRIADA POR DR. JERÔNIMO VINGT-UN ROSADO MAIA !

 ‘

RECEBES ESTE EXPEDIENTE PORQUE A ASCRIM AINDA O(A)VALORIZA E RESPEITA, PELO ALTO NÍVEL DE QUEM TEM O PRESTÍGIO DE SER ASSIM CONSIDERADO(a)!         

      

  É PRAXE DESTA PRESIDÊNCIA, QUANDO OFICIALMENTE CONVIDADO/COMUNICADO (VIA EPISTOLAR OU ELETRÔNICA), TEMPESTIVAMENTE(3 DIAS CORRIDOS), DIGNAR-SE RESPONDER, EM TEMPO HÁBIL, ÀS ECLÉTICAS MENSAGENS  DO(A)S EXCELENTÍSSIMO(A)S PRESIDENTE(A)S E ENTUSIASTAS DE ENTIDADES CULTURAIS/LITERÁRIAS, EXEMPLO QUE NOTABILIZA O VIÉS DE UM(A) DIRIGENTE INTELECTUAL CORRESPONDER A ESSE ECLETISMO, PORQUE SABE A DIFERENÇA ENTRE O LIAME DA PARTILHA E DO PRESTÍGIO QUE ASCENDE E CRESCE, NO INTERCÂMBIO DOS QUE RESPEITAM OS ABNEGADOS DEFENSORES DA CULTURA MOSSOROENSE.  

    DESTA FORMA, AGRADECENDO À LOJA MAÇÔNICA JERÔNIMO ROSADO E FUNDAÇÃO VINGT-UM ROSADO, REPRESENTADAS POR VENERÁVEL MESTRE MAÇON INSTALADO E EXCELENTÍSSIMO PRESIDENTE, RESPECTIVAMENTE, M.D. FRANCISCO DE ASSIS BARRETO E JERÔNIMOS DIX-SEPT ROSADO MAIA SOBRINHO, PELO ESPECIAL CONVITE, DESTACA-SE ATRIBUIR MESMO VALOR DE PARTILHA, DIZENDO QUE É UMA GRANDE HONRA CONFIRMAR QUE NOS FAREMOS REPRESENTAR OFICIALMENTE À

“XLVII NOITE DA CULTURA E XXXII SESSÃO MAGNA BRANCA”””.

DATA: 21(QUINTA-FEIRA) DE SETEMBRO DE 2023

HORA: 19H30

LOCAL:TEMPLO DA ARBLS JERÔNIMO ROSADO, LOCALIZADO NA RUA INÁCIO VALE, 600 – PLANALTO 13 DE MAIO,  OR. MOSSORÓ(RN).

     PORTANTO, REPASSO O ASSUNTO DO ALVO CONVITE(ANEXO) DE IGUAL MODO, POR CÓPIA,  AS EXCELENTÍSSIMAS AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS,  ACADÊMICOS DA ASCRIM E POTENCIAIS CANDIDATOS A ACADEMICOS DA ASCRIM E ACADEM, ILUSTRES PRESIDENTES DE ENTIDADES CULTURAIS E DIRIGENTES DE INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS, GOVERNAMENTAIS, PÚBLICAS, PRIVADAS E MAÇÔNICAS,  JORNALISTAS E COMUNICADORES, POR SER DO INTERESSE, CLARO, DOS MESMOS, TOMAREM CONHECIMENTO E DIGNAREM-SE, DO SEU MISTER, CONFIRMAR SUAS PRESENÇAS, JUNTAMENTE COM AS EXCELENTÍSSIMAS FAMÍLIAS CONSORTES.    

    NESTA SINTONIA, UM CONVITE PARA PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS CULTURAIS E A CONFIRMAÇÃO, INTERCAMBIADOS ENTRE PARTICIPANTES E ENTIDADES SINGULARES, MERECE E FUNCIONA COMO UM “FEEDER”, EVIDENTE, REPASSADO A TODOS OS ACADÊMICOS E INTEGRANTES DE SEUS CORPOS ADMINISTRATIVOS/SOCIAIS, PELO SEU PRÓPRIO DIRIGENTE, CUJO ESSE FEEDBACK ALIMENTA, NATURALMENTE O FERVOR E A CONSIDERAÇÃO EM QUE SINGRAM OS INTELECTUAIS E SERVIDORES   DESSAS PLÊIADES.  

      CONVOCANDO OS ACADÊMICOS E POTENCIAIS CANDIDATOS DA ASCRIM ACADEM PARA ESSE MAGNO EVENTO, COMUNICO, AOS QUE COMPARECEREM E SE IDENTIFICAREM COMO TAIS NA SESSÃO SOLENE SUPRAMENCIONADA, DEVEM DIGNAR-SE CUMPRIR, NO QUE FOR POSSÍVEL, O RIGOR OBRIGATÓRIO ESTATUTÁRIO DE USO DO UNIFORME OFICIAL (VESTE TALAR), CONSOANTE NORMA ESTATUTÁRIA, ATRIBUTO DIGNITÁRIO DO DECORO INTELECTUAL E ORGULHO DA MORAL QUE ASSIM OS IDENTIFICA, ENTRE OS PARES, EM ATIVIDADES CULTURAIS DESSA GRANDEZA.  

   NA OPORTUNIDADE, PARABENIZAMOS AO ANIVERSARIANTE “ELDER HERONILDES DA SILVA” POR MAIS UM ANO DE VIDA E QUE DEUS LHE CONCEDA MAIS ANOS, PORQUE SENTIMO-NOS HONRADOS E FELIZES TÊ-LO SEMPRE AO NOSSO LADO !

QUE A PAZ E NOVAS DÁDIVAS DE SAÚDE, AMIGO ELDER, ILUMINEM SEU CAMINHO, POR MUITOS E MUITOS ANOS, CHEIO DE BÊNÇÃOS, JUNTO AOS AMIGOS E FAMILIARES. FELIZ ANIVERSÁRIO !

SAUDAÇÕES ASCRIMIANAS,

FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO 

-PRESIDENTE EXECUTIVO DA ASCRIM ACADEM- 

 

MARIA GORETTI ALVES DE ARAÚJO 

-PRESIDENTA EXECUTIVA INTERINA DA ASCRIM- 


P.S.: 1. CONSIDERANDO A ESSÊNCIA DA HUMANIDADE INTELECTUAL, INSERIDA NA REPRESENTATIVIDADE DE TODOS SEGMENTOS SOCIAIS ABAIXO RELACIONADOS, ENCAMINHA-SE ESTA CÓPIA ORIGINAL, EM CARÁTER PESSOAL DIRETO AOS  INSIGNES DIGNITÁRIOS: 

 

P.S.-2): EVENTUALMENTE – EM RESPOSTA À TRANSMISSÃO DE CONVITE - RECEPCIONAMOS MENSAGENS QUE NOS SÃO ENVIADAS PELOS SIGNATÁRIOS DOS EMAILs DESTINATÁRIOS, AS QUAIS ENVIAMOS PARA OS PATROCINADORES DOS EVENTOS, ATRAVÉS DO NOSSO MALOTE DIGITAL OFICIAL DA ASCRIM-MADA .  

P.S.-3): ESTA É UMA CÓPIA ORIGINAL, ENCAMINHADA, OFICIALMENTE, EM CARÁTER PESSOAL DIRETO PARA O(A)S:   

  EXCELENTÍSSIMO(A)S PRESIDENTES, DIRIGENTES E AUTORIDADES DE ENTIDADES GOVERNAMENTAIS, JURÍDICAS, MAÇONICAS E MILITARES.  

REVERENDÍSSIMO(A)S PRESIDENTES, DIRIGENTES E AUTORIDADES DE ENTIDADES RELIGIOSAS.  

MAGNÍFICOS REITORES E AUTORIDADES DE UNIVERSIDADES.  

EXCELENTÍSSIMO(A)S PRESIDENTES DE ENTIDADES E INSTITUIÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS.  

EXCELENTÍSSIMO(A)S PRESIDENTES DE ENTIDADES CULTURAIS E INSTITUIÇÕES CONGENERES.  

ILUSTRÍSSIMO(A)S DIRIGENTES DE INSTITUIÇÕES FILANTRÓPICAS, EDUCACIONAIS E DE CIDADANIA.  

ILUSTRÍSSIMO(A)S JORNALISTAS E COMUNICADORES.  

ACADÊMICO(A)S DA ASCRIM.  

POTENCIAIS CANDIDATO(A)S A ACADÊMICO(A)S DA ASCRIM.  


A PATENTE "CAPITÃO" DADA A LAMPIÃO NÃO FOI RESPEITADA PELOS MILITARES DE PERNAMBUCO.

Por José Mendes Pereira

Chegando Lampião e seus cabras em Juazeiro do Norte, no Estado do Ceará, no dia 04 de março de 1926, hospedaram-se no sobrado do poeta popular João Mendes Oliveira, localizado à Rua Boa Vista. Acredita-se que Lampião tenha sido um hóspede como qualquer figura importante, já que para ali, foi chamado para receber a patente de capitão do exército brasileiro. 


É certo que nem todos os cangaceiros se hospedaram nele, porque o futuro capitão precisava de ser protegido pelos seus comandados, vez que ele não iria aceitar ser vigiado por pessoas do lugar, e não tinha certeza que aquela convocação para receber a patente de capitão, era de verdade. O futuro capitão tinha razão. Homem perseguido tem que ter guarda-costas, do contrário será morto.


Também não há dúvida que Virgolino Ferreira da Silva o Lampião, temia que poderia ser uma espécie de covardia, e as autoridades vencê-lo juntamente com os seus homens, assim como posteriormente tentou envenená-lo o coronel de Aurora Isaías Arruda de Figueiredo, no ano de 1927, quando ele mesmo ofereceu um almoço para o bandoleiro e para toda a sua cabroeira. Mas o capitão Lampião não era nada de besta, e findou descobrindo a covardia feita pelo o coronel Isaías Arruda.

Sobrado que Lampião se hospedou no Juazeiro do Norte em março de 1926

Lampião entrou pela rua principal de Barbalha em direção a Juazeiro do Norte, há 12,5 km que separavam as duas cidades; convocado para participar do “Batalhão Patriótico”, milícia criada pelo deputado federal Floro Bartolomeu, para combater a Coluna Prestes, combate que nunca houve entre os cangaceiros e os revoltosos.

Floro Bartolomeu e Padre Cícero

Ao lado do Padre Cícero está o baiano Floro Bartolomeu, nascido em Salvador e formado pela Faculdade de Medicina da Bahia. Em 1908, Floro foi atraído pela mina de cobre de Coaxá, no município de Aurora, e posteriormente fez morada em Juazeiro do Norte, onde adquiriu uma farmácia e atendia a população como médico. Fez amizade com o  padre Cícero Romão Batista, e passou a incentivá-lo a ingressar na política, porque o Vaticano havia suspendido  as ordens religiosas do padre. 

Nesse período, Floro Bartolomeu não conseguiu falar com Lampião no Juazeiro, porque ele estava internado no Rio de Janeiro, e veio a óbito no dia 8 de março, deste mesmo ano, em consequência de uma doença chamada angina. Floro Bartolomeu faleceu solteiro, e mesmo sendo uma grande figura no meio político, estava bastante paupérrimo. 

Rua principal de Barbalha, pode onde Lampião e seu bando passaram em 1926, em direção a Juazeiro do Norte, onde ele receberia a patente de capitão.

Alguns historiadores não acreditam que o Padre Cícero sabia deste engodo organizado pelo deputado Floro Bartolomeu, para que fosse entregue a Lampião e seus cabras, armas, projéteis e fardamentos. Lampião foi a Juazeiro levando em sua companhia aproximadamente 50 homens, confiante na promessa de receber a patente e ser anistiado seus crimes, em uma condição: combater à coluna dos tenentes. Mas a sua patente era sem valor.

O convite para ser entregue a patente a Lampião, chegou em Juazeiro do Norte, vindo de Campos Sales, em mãos do José Ferreira de Menezes. Lampião era muito sagaz e se, além da assinatura de Floro Bartolomeu, o bilhete não tivesse a assinatura do Padre Cícero, ele jamais atenderia ao convite.


Como foi que Lampião tomou conhecimento deste bilhete: 

Um dos empregados de João Ferreira dos Santos (irmão de Lampião), que trabalhava em seus afazeres por nome Zé Dandão, que na foto aparece sendo o número 9, e que este é do conhecimento de todos que estudam o cangaço, era como se fosse da família dos Ferreiras.


Assim que foi recebido o convite, foi até à Fazenda Piçarra do seu Antonio Teixeira Leite, em Macapá, hoje Jati, onde morava Sebastião Paulo, este aparece na foto sendo o número 3, que era primo legítimo de Lampião, e juntos, com o convite em mãos, seguiram viagem para o Pernambuco, ver se localizavam o futuro capitão, e no dia 2 de março de 1926, Lampião entrou no Ceará. 

Há quem diga (não tenho a fonte para comprovar no momento, mas tenho certeza que o leitor não irá pensar que eu estou criando informação sem credibilidade); que alguém presenciou, que quando soube que Lampião estava para chegar a Juazeiro do Norte, o padre Cícero Romão Batista teria dito em tom de repúdio: 

"- Agora vem este homem novamente para cá!". 

Com estas palavras ditas pelo o padre, protestando a visita do cangaceiro e seus aliados, eu entendo que ele segurava aquela amizade com o Floro Bartolomeu, mesmo o congressista querendo dar cobertura a Lampião, porque ele era deputado federal, e sem a sua pessoa, seria difícil o padre adquirir verbas para continuar trabalhando em prol da sua cidade Juazeiro do Norte e do seu povo. 

Billy Jaynes Chandler é um dos mais importantes escritores acerca do cangaço e coronelismo, fenômenos ligados entre si e característicos de uma certa época da história recente do Brasil. Suas obras Lampião, o Rei dos Cangaceiros, e Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns, são canônicas, seminais, inigualáveis.

Mas o historiador Billy Jaynes Chandler diz que o convite para Lampião ir até a Juazeiro, teria sido feito pelo próprio sacerdote. Mas outros afirmam que não. O Padre Cícero somente ficou sabendo do acordo, alguns dias antes da chegada do bando a Juazeiro. 

De Barbalha a Juazeiro do Norte são 12,5 km. aproximadamente 19 minutos

Tem gente que não pensa nas consequências que poderão surgir após querer fazer os outros de bestas, malucos..., e se o perigo aparecer contra si, diz que é porque o sujeito é valente, perverso e desumano. Nada disso! Depois que o bicho está criado, é muito difícil vencê-lo ou matá-lo.

Quando o capitão Lampião chegou em Pernambuco, e tomou conhecimento do que fizeram com ele sobre a patente sem nenhuma filiação com o exército brasileiro, e tivesse se revoltado, e em seguida, voltado ao Ceará, para cobrar daqueles que em Juazeiro do Norte (a cidade não tinha nada a ver com isso), no meio da covardia das pessoas importantes de lá, mesmo sabendo que a patente de capitão do exército dada a Lampião não tinha nenhum valor, a surra e o seu punhal teriam trabalhados bastantes, obrigando "falsos nêgos" dançarem na peia, mesmo sem saberem dançar.

Quem sabe, os pensamentos do compadre Lampião, talvez, confiante que, ao chegar à sua terra natal Pernambuco, com a patente de capitão, que nem todos têm esse privilégio, receberia uma espécie de perdão pelos seus crimes e desordens, poderia até ser homenageado diante das autoridades militares como capitão. Mas  foi o contrário. O comandante da polícia civil daquele Estado não o reconheceu como capitão, e o que fez contra Lampião, que já estava patenteado, foi severamente atacá-lo, e sem compaixão, pelas forças volantes do governo de Pernambuco.

Eu que estudo cangaço e principalmente a era "lampiônica" não acredito que Lampião seria tão fácil para se mudar os seus ideais, porque ele mesmo patenteado, jamais abriria mão da sua vida cangaceira, que há alguns anos vivia dela, mas quem sabe, se tivessem tentado reformar o capitão Lampião e o tratado como um cidadão, e ainda o respeitado a partir dali como capitão,  e como um novo homem da sociedade, seria possível que nascesse um ser humano honesto e até mesmo mais compreensivo, e quantas vidas teriam sido salvas, já que a raposa do sertão tinha deixado a vida de crimes? Mas o que fizeram? Prepararam uma patente sem filiação a nada. Novamente traíram o jovem rapaz que tinha apenas 28 anos de idade na época.

ENGANARAM O CANGACEIRO LAMPIÃO POR PURA COVARDIA.

Para que o leitor entenda que esta foi uma grande invenção e humilhante contra Lampião, é que para ser capitão do exército brasileiro o sujeito primeiro tem que passar por estas "11" graduações: 

1 - soldado de 2ª. classe.
2 - soldado de 1ª. classe. 
3 - Cabo.
4 - 3º. sargento,
5 -  2º. Sargento. 
6 - 1º. Sargento.
7 - Suboficial.
8 -  Cadete.
9 -  Aspirante a oficial.
10 - 2°. Tenente 
11 - 1°. Tenente. 
12 - Capitão.

Todas estas 11 primeiras graduações no exército brasileiro são para poder o militar chegar a ser Capitão do Exército. Lampião foi direto para capitão.

Eu não entendo porque Lampião não percebeu que a esmola ofertada era tão grande para ele. Nunca foi nem soldado, e pulou 11 patentes, passando logo para capitão do exército! Bastante incrível!


O que escrevi não tem nenhum valor para a literatura lampiônica. 

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