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domingo, 10 de junho de 2012

Os Festejos juninos - 10 de Junho de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

É só chegar o mês de junho que as cidades, na extensão do Ceará à Bahia, se enfeitam de balões, bandeirolas de papel colorido, além de montar suas tradicionais fogueiras, para comemorar as chamadas “Festas Juninas”.

               
As Festas Juninas, historicamente, estão relacionadas com a festa pagã do solstício de verão, que era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário juliano (pré-gregoriano) e cristianizada na Idade Média como \"festa de São João\" ou festa “Joanina”. O nome joanina teve origem, segundo alguns historiadores, nos países europeus católicos no século IV. Quando chegou ao Brasil foi modificado para junina.
               
Na Europa antiga, durante o solstício de verão - dia mais curto com noite mais longa do ano - era comemorado o início da colheita. Nessas festas eram oferecidas comidas, bebidas e animais ao deus Juno, da fertilidade, além da fogueira, para espantar os maus espíritos e as danças características da época. O costume vinha de datas imemoráveis e servia para celebrar o ponto alto do verão, até a festa ter ganhado caráter religioso. Então a igreja escolheu exatamente o dia 24 de junho em memória de São João Batista, para banir os velhos costumes pagãos praticados na mesma data. As primeiras referências às festas de São João no Brasil datam de 1603. As festas de Santo Antônio e de São Pedro só vieram mais tarde, mas como aconteciam no mesmo mês, foram incluídas nas chamadas festas juninas.
               
Essa tradição chegou ao Brasil através dos jesuítas portugueses. Mas antes, os índios já realizavam rituais também relacionados à agricultura, que aconteciam no mesmo período, para que a colheita fosse boa. Dessa mistura das comemorações dos índios com a dos jesuítas portugueses, as festas juninas foram ganhando forma e incorporando o famoso jeitinho brasileiro. E esse jeitinho pode ser percebido principalmente na alimentação, quando foram introduzidas as comidas de milho, o jenipapo, o leite de coco e também nos costumes como no forró e no bumba-meu-boi. A quadrilha, que era a dança da nobreza européia, foi adaptada aos festejos juninos. Já os fogos de artifício, que tanto embelezam a festa, foram trazidos pelos chineses. Os fogos eram utilizados na celebração para despertar São João e chamá-lo para a comemoração do seu aniversário. Outra finalidade dos fogos era que o barulho de bombas e rojões podia espantar os maus espíritos. O costume de soltar balões surgiu da idéia de que eles levariam os pedidos dos devotos aos céus e a São João. Essa prática foi proibida devido ao alto risco de os balões provocarem incêndios. A cerimônia de levantamento de mastro de São João é chamada de “puxada do mastro”. Além da bandeira de São João, o mastro pode ter a de Santo Antônio e São Pedro.
               
Para os católicos, a fogueira, que é maior símbolo das comemorações juninas, tem suas raízes em um trato feito por Isabel com a sua prima Maria, para avisá-la sobre o nascimento do seu filho, São João Batista, e assim ter seu auxílio. Após o parto Isabel mandou acendeu uma fogueira sobre o monte como sinal de que o seu filho tinha nascido.
               
No Nordeste, em épocas passadas, existia uma tradição que mandava que os festeiros visitassem em grupos todas as casas da comunidade, levando alegria. Os donos das casas, em contrapartida, mantinham sempre uma mesa farta de bebidas e comidas típicas para servir os grupos. Os festeiros acreditavam que o costume era uma maneira de integrar as pessoas da cidade. Essa tradição tem sido substituída por uma grande festa que reúne toda a comunidade em volta dos palcos onde prevalecem os estilos tradicionais e mecânicos do forró.
               
O Brasil é um país muito rico em acervo cultural, mas é de fundamental importância conhecê-lo, para que possamos compor a identidade de nosso povo. É através destas manifestações folclóricas, que mantêm vivas as tradições e costumes de um povo, preservando deste modo, sua identidade para futuras gerações.

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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento


domingo, 1 de abril de 2012

A colonização do Nordeste brasileiro e os sertões - 01 de Abril de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento
GERALDO MAIA DO NASCIMENTO - 1º  PRESIDENTE -  30-09-2009

A colonização do Nordeste brasileiro deu-se pelo litoral, onde os portugueses encontraram condições ideais para o plantio da cana-de-açúcar. O açúcar era um produto de grande aceitação na Europa e alcançava um grande valor comercial. Após as experiências positivas de cultivo no Nordeste, já que a cana-de-açúcar se adaptou bem ao clima e ao solo nordestino, começou o plantio em larga escala. E o litoral bastava para os colonizadores. Toda parte não habitada era chamada de deserto, ou “desertão”, palavra essa que posteriormente ficou resumida a “Sertão”.


Surgiram então os engenhos para processar o açúcar, e para mover as moendas tiveram que importar o gado para os trabalhos de tração. Com o crescimento do rebanho, começaram a surgir problemas entre os senhores de engenho e os criadores de gado, de forma que em 1701 uma Carta-Régia determinou a retirado do rebanho das terras litorâneas. As 10 primeiras léguas (aproximadamente 60 Km), a partir da quebra do mar, estavam reservadas para a plantação de cana-de-açúcar. Restava, pois, aos criadores o sertão.
 E foi no rastro do gado que o sertão foi colonizado. Os pecuaristas aproveitavam os leitos secos dos rios como estradas para conduzirem as suas boiadas e quando chegavam num lugar plano, fora da faixa proibida, construíam os seus currais, erguiam as suas cabanas, fixavam-se na terra.
 Para a construção das cabanas primitivas, o couro do boi era usado em grande escala. De couro eram as portas e janelas dos casebres, o lastro das camas rústicas, os baús de guardar objetos e roupas, os depósitos para a farinha, os arreios dos animais, o chapéu do vaqueiro, o gibão que os protegia, o peitoral que protegia igualmente os animais dos espinhos e pontas de galhos secos.
A presença do escravo africano nas fazendas era insignificante. Até porque um único homem era capaz de cuidar até de 200 rezes, do modo como era criado o gado no sertão. E pelo isolamento em que o sertanejo vivia, os poucos escravos eram tratados como membros da família, sem os castigos sofridos pelos escravos dos engenhos do litoral. Muitos dos escravos se afeiçoavam tanto aos seus patrões e aos filhos dos patrões, que eram capazes de dar a própria vida para defendê-los. São várias as histórias que se contam nesse sentido.
Muitas dessas fazendas tornaram-se, posteriormente, cidades. E acontecia de maneira natural. A religiosidade do povo sertanejo fazia com que houvesse a necessidade de se construir suas casas de oração ou até mesmo pequenas capelas. E ao redor dessas capelas iam se construindo as casas dos moradores, com o tempo e com o crescimento das famílias aqueles lugares se tornavam povoados, vilarejos, vilas e depois cidades. Aqui no Rio Grande do Norte várias cidades surgiram dessa forma, como nos ensina o Mestre Câmara Cascudo. Mossoró é um exemplo claro dessa forma de povoamento.
A primeira concessão de terra doada nas ribeiras do Mossoró foi para os frades do Convento do Carmo de Olinda/PE. Essa concessão foi por volta do ano de 1700. Os carmelitas queriam terras para criação de gado. Aqui se instalaram, montaram seus currais, suas casas de moradas e de oração. E a tudo foram dando o nome do Carmo. Carmo passou a ser o rio que cortava a suas terras; Carmo passou a ser a serra, foi o nome da fazenda por eles administradas, topônimos que permanecem até os dias atuais.
 Depois dos carmelitas, outras concessões de terras foram sendo doadas pela Coroa Portuguesa, ao longo da ribeira do Mossoró, inclusive a Fazenda Santa Luzia que pertencia, antes de 1739, ao Capitão Teodorico da Rocha. Por volta de 1770, a posse da Fazenda estava com o português Antônio de Souza Machado, e foi por essa época que a fixação demográfica foi iniciada pela criação de gado, oficina de carnes e extração do sal.
Foi Souza Machado quem construiu a pequena capela de Santa Luzia, em pagamento de promessa feita por sua mulher. Ao redor da capela foi sendo erguidas casas para os moradores e familiares e foi se formando a quadra do vilarejo. Em 15 de março de 1852, através de um projeto do Vigário Antônio Joaquim, o povoado de Santa Luzia do Mossoró era Emancipado, desligando-se politicamente do município de Assu, passando a se chamar Vila de Mossoró, e em 9 de novembro de 1870 a vila foi elevada ao predicamento de cidade, permanecendo até os dias atuais como Cidade de Mossoró.
 Assim se deu a colonização do Sertão Nordestino.
Geraldo Maia do Nascimento
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sexta-feira, 30 de março de 2012

Mulheres Mossoroenses III - 25 de Março de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento


 
Hoje traçaremos o perfil de mais uma mulher mossoroenses que, por seus atos, por sua luta, por sua coragem, permanece nos anais da história de Mossoró. Trataremos hoje de Ana Rodrigues Braga, ou Ana Floriano, como ficou sendo conhecida e do se protesto contra a obrigatoriedade do alistamento militar para o exército e armada. Vamos aos fatos:

Mulheres Mossoroenses - III
Geraldo Maia do Nascimento
Gemaia1@gmail.com 



 
Em 30 de agosto de 1875, numa Segunda-feira, Mossoró viveu o mais esdrúxulo de seus movimentos libertatórios que foi “O Motim das Mulheres”. Naquela data, cerca de trezentas mulheres saíram pelas ruas em passeata, com o objetivo de protestar contra a obrigatoriedade do alistamento militar. 
Tudo começou quando o Gabinete do Visconde do Rio Branco aprovou o regulamento do recrutamento para o Exército e Armada. Esse regulamento teve repercussão desfavorável na Província do Rio Grande do Norte, onde várias comunidades se levantaram em sinal de protesto. Ninguém desejava que seus filhos fossem apanhados para o serviço militar, notadamente quando era sabido das intenções dos chefes políticos dominantes em darem sua preferência a filhos de adversários, como estava acontecendo em Mossoró. Desse modo, tomando conhecimento de levantes que estavam acontecendo em outros municípios, as mulheres mossoroenses promoveram uma manifestação e conseqüente passeata pelas ruas da cidade, rasgando os editais afixados na Igreja Matriz de Santa Luzia e dirigindo-se a casa do escrivão do Juiz de Paz de quem tomaram e rasgaram o livro e papéis relativos ao alistamento. Partiram depois para à redação do jornal “O Mossoroense”, onde destruíram cópias dos mesmos que ali estavam para serem publicadas. Concluída a tarefa da destruição dos editais, as revoltosas partiram para a Praça da Liberdade, onde entraram em choque corporal com um grupo de soldados da Força Pública que ali estavam para dominar a rebelião. Algumas saíram feridas, não se agravando mais o movimento, graças à interferência de pessoas neutras que foram ajudar a acabar com a confusão. 

Encabeçando o movimento estava Ana Floriano, uma mulher forte, de olhos azuis, cabelos louros e estatura considerada acima do normal para o seu sexo, juntamente com D. Maria Filgueira, esposa do Cap. Antônio Secundes Filgueira e D. Joaquina Maria de Góis, genitora do historiador Francisco Fausto de Souza. 
Logo após o movimento, o Juiz de Direito, Dr. João Antônio Rodrigues comunicou o fato ao Presidente da Província, Bacharel João Bernardo Galvão Alcanforado Júnior, que mandou instaurar inquérito contra a promotora do Motim das Mulheres, cuja peça processual desapareceu do arquivo do Departamento de Segurança Pública.
               
Em seu depoimento, o Dr. João Antônio Rodrigues afirma que o movimento contou com um número de cinqüenta a cem mulheres e que as mesmas eram lideradas por D. Maria Filgueira, mulher do capitão Antônio Filgueira Secundes, 3º suplente de Juiz Municipal deste Termo, juntamente com D. Joaquina de Tal e D. Ana de Tal, que mal aconselhadas por seus maridos e parentes cometeram o criminoso ato. O referido Juiz não admitia que o movimento tivesse partido das mulheres e sim do capitão Antônio Filgueira Secundes, seu adversário político, que assim procedera para lhe prejudicar. Quanto ao número das revoltosas? “De cinqüenta a cem mulheres”, foi o que ele disse para diminuir a gravidade do movimento. E quanto a D. Ana de Tal, tratava-se de D. Ana Rodrigues Braga, ou Ana Floriano, assim chamada por ser esposa de Floriano da Rocha Nogueira, pais do jornalista Jeremias da Rocha Nogueira, Diretor proprietário do jornal “O Mossoroense”.
               
Francisco Romão Filgueira, prócer abolicionista de 1883, falecido a 7 de setembro de 1958, deu depoimento ao historiador Vingt-un Rosado sobre o fato por ele presenciado. Segundo o mesmo, o movimento teria contado realmente com cerca de trezentas mulheres e que as mesmas eram chefiadas por D. Ana Floriano.
               
O historiador Raimundo Nonato registra que “ao tempo, Romão Filgueira era um jovem impetuoso, rapaz de boa família, exaltado, que devia se encontrar no meio da rebelião, agarrado no cós de sua mãe, Dona Maria Filgueira, esposa do capitão Antônio Filgueira Secundes, figura de prestígio do município. O jovem Romão Filgueira corria pela casa dos 16 anos fogoso e turbulento”./
Geraldo Maia do Nascimento

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sábado, 17 de março de 2012

Mulheres Mossoroenses I - 17 de Março de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento
 

Dando continuidade à saga da mulher mossoroenses, nesse mês dedicado a mulher, trataremos hoje da professora, musicista, poetisa e jornalista, Cordélia Silva.
              
Maria das Mercês Leite, ou Cordélia Silva, nasceu em Mossoró no dia 11 de novembro de 1888, num belo dia de Domingo. Era filha legítima de Tomé Leite de Oliveira e de Maria das Mercês Leite.

Sua infância deu-se em Mossoró, sua terra natal, onde iniciou os seus estudos. A família mudou-se para Macau e depois para Alagoa Grande, na Paraíba, em 1902. E é nessa cidade paraibana que a nossa futura poetisa fez o seu curso de humanidades e música. Foi também em Alagoa Grande que começou a sua vida profissional, lecionando por vários anos. Em 1908 fundou a revista “O Batel”, que circulou por vários anos. Foi colaboradora de vários jornais e revistas da época, entre os quais podemos citar a revista “A Estrela”, de Aracati/CE, que era dirigida por sua amiga Francisca Clotilde, além dos jornais “Jornal do Comércio, de Recife/PE, “O Nordeste” e a “Imprensa” de João Pessoa/PB e em outros periódicos sulistas. 
               
“Foi Cordélia Silva de uma dedicação exemplar ao desenvolvimento cultural da mulher, dando prova exuberante de sua privilegiada inteligência, como fundadora e diretora de uma revista, em colaboração com Célia Adamantina, que era o pseudônimo de Rita de Miranda Henrique”, nas palavras de Lauro da Escóssia.
               
O historiador Raimundo Soares de Brito em suas “Notícia Biográfica de Alguns Patronos de Ruas de Mossoró, assim se expressa sobre a personalidade de Cordélia Silva: “Descendia dos troncos ilustres, que em Mossoró tiveram suas origens no Sargento-Mor José de Oliveira Leite, a primeira autoridade da então ribeira de Santa Luzia de Mossoró. Seus pais foram: Tomé Leite de Oliveira, também mossoroense e dona Maria das Mercês Leite, cearense da cidade de Pereiro”.
               
Causava admiração, na época, o fato de duas moças, numa pequena cidade do interior, conseguir sustentar por tanto tempo uma revista literária, quando na capital todas as publicações desse gênero tinha vida curta, como nos informa ainda o historiador Raimundo Soares de Brito. Tinha também predileção pela música, deixando alguns interessantes trabalhos.
               
Em dezembro de 2000, a POEMA – Poetas e prosadores de Mossoró – lançou, através da Fundação Vingt-un Rosado, o livro “100 Poetas de Mossoró”. Trata-se de uma antologia aos poetas da cidade. E como não podia deixar de ser, a nossa poetisa em foco, Cordélia Silva, se fez presente com o poema intitulado “O Batel”, um dos mais bonitos de sua criação. A própria autora gostava muito desse poema, tanto é que foi com esse nome que batizou a revista que criou em 1908.
               
Cordélia, como tantas outras mulheres mossoroenses, destacou-se por suas atuações empreendedoras, numa época de puro machismo. Amava profundamente sua terra natal, Mossoró, a qual se referia sempre com arraigado bairrismo, entusiasmo e saudade, como informou Assis Silva na apresentação que fez da poetisa para o livro “100 Poetas de Mossoró.
               
Faleceu em Alagoa Grande/PB, em 14 de abril de 1931. Mossoró prestou-lhe uma homenagem gravando seu nome em uma artéria da cidade. 

Geraldo Maia do Nascimento

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Mulheres Mossoroenses - 01 de Março de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento
 

No mês dedicado a mulher, queremos homenagear a mulher mossoroense lembrando algumas “guerreiras”, que com os seus feitos e pioneirismo deixaram seus nomes gravados na galeria da nossa história. E iniciaremos o mês falando da pioneira Celina Guimarães, não apenas por ter sido ela a primeira mulher em toda América Latina a obter o direito de voto, mas principalmente pela educadora que ela foi. Celina Guimarães foi uma mulher de personalidade forte, uma guerreira, de feitos que podemos dizer que estavam muito além do seu tempo. Aproveitamos para, através dessa personagem, homenagear todas as guerreiras, de ontem e de hoje, nativas ou não dessa terra de Santa Luzia do Mossoró.
               
Celina de Amorim Guimarães nasceu em Natal/RN, a 15 de novembro de 1890. Era filha de José Eustáquio de Amorim Guimarães e Eliza de Amorim Guimarães.
               
Estudou na Escola Normal de Natal, onde concluiu o curso de formação de professores. E foi nessa mesma Escola que conheceu aquele que seria o seu companheiro por toda vida: Elyseu de Oliveira Viana, um jovem estudante vindo de Pirpirituba/PB, com quem se casou em dezembro de 1911.
               
Em janeiro de 1912 foi designada para ensinar a cadeira de Ensino Misto Infantil do Grupo Escolar Tomás Araújo, Em Acari, juntamente com o seu marido, onde permaneceram até 1913.
              
E foi assim que a 13 de janeiro de 1914, atendendo convite do Dr. Manuel Dantas, então diretor de Instrução Pública do Estado, foi transferida para Mossoró, onde assumiu a cadeira infantil do Grupo Escolar 30 de setembro.
               
Dona Celina era uma mulher muito dinâmica, inteligente e assídua no trabalho. Essas qualidades fizeram com que ela fosse merecedora de elogio individual registrado no relatório elaborado em setembro de 1914 pelo Inspetor de Ensino, professor Anfilóquio Câmara, e inscrito no Livro de Registro Profissional.
               
Quanto à questão do primeiro voto feminino, vale salientar que não foi D. Celina a primeira mulher a requerer a sua inclusão no alistamento eleitoral. Quem o fez foi à professora Júlia Alves Barbosa, que era catedrática da Escola Normal de Natal, em 24 de novembro de 1927. “Teve, todavia, deferimento retardado pelo Juiz Manuel Xavier da Cunha Montenegro, da 1ª vara da capital, dada à condição de solteira da requerente, somente despachado e publicado pelo Diário Oficial do Estado em data de 1º de dezembro”. Dessa forma, coube a D. Celina o pioneirismo.
                
Mas o fato é que em 25 de novembro de 1927, há exatos 85 anos, era concedido pela primeira vez na América Latina, o direito de voto a uma mulher. A Lei de nº 660, de 25 de outubro de 1927, sancionada pelo Governador José Augusto Bezerra de Medeiros regulamentando o Serviço Eleitoral no Estado do Rio Grande do Norte, estabelecia não mais haver “distinção de sexo” para o exercício do sufrágio eleitoral e condições de elegibilidade. O projeto que alterava a lei ordinária foi de autoria do deputado mossoroense Adauto Câmara, que o apresentou na Assembléia Legislativa com aprovação unânime. E foi com base nessa Lei que a 25 de novembro do mesmo ano, a professora Celina Guimarães Viana requereu sua inclusão no alistamento eleitoral. Seu requerimento preencheu todas as exigências da Lei e nesse mesmo dia, verificados os documentos que o acompanhavam, exarou o Juiz Israel Ferreira Nunes, então Juiz Eleitoral de Mossoró, em substituição ao Dr. Eufrásio de Oliveira, seu jurídico despacho, mandando incluir o nome da requerente na lista geral de eleitores deste município. Coube, portanto, a D. Celina Guimarães Viana a condição de primeira eleitora não só deste Estado como do país e de toda América Latina.
               
Como educadora, uma de suas primeiras providências ao chegar a Mossoró foi abolir o uso da palmatória na sua sala de aula, ferramenta muito usada na época e temida por todos os alunos. Dizia ela que batendo se domava, não se educava. Domar era para animais; criança precisava de educação. Foi ela responsável por traduzir e ensinar a regra de futebol para os jovens de Mossoró, até então um esporte desconhecido para eles. Quando da realização das eleições estaduais de 1928, lançou um manifesto a todas as mulheres, para que comparecessem as urnas e fizessem valer o seu direito de voto. Em 1928, várias mulheres já tinham conseguido inscrição no cadastro eleitoral. E muitos outros feitos dignos de registro em relatos mais longos.
              
É por tudo isso que homenageamos todas as mulheres de Mossoró através de Celina Guimarães Viana, a primeira eleitora da América Latina.

Geraldo Maia do Nascimento
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domingo, 18 de dezembro de 2011

Baluartes da Nossa História - 12 de Junho de 2009

Por: Geraldo Maia do Nascimento

A história de Mossoró está fundamentada no trabalho de seis grandes pesquisadores que são: Francisco Fausto de Souza, Luís da Câmara Cascudo, Vingt-un Rosado Maia, Raimundo Nonato da Silva, Lauro da Escóssia e Raimundo Soares de Brito. Não se pode escrever nada sobre a história de Mossoró sem citar um ou mais dos estudiosos acima. Cada um com seu estilo próprio, cada um com suas interpretações dos fatos, interpretações essas que são sempre apoiadas por vasta documentação, cada um com suas verdades. E nós, que ousamos recontar a cada semana um pouco da nossa história, resolvemos dedicar esse primeiro estudo de 2003 a esses mestres, verdadeiros baluartes da história de Mossoró: 
Francisco Fausto de Souza – nasceu em Mossoró/RN no dia 19 de maio de 1861. Foi Intendente de Areia Branca de 1911 a 1928 (6 legislatura consecutivas). Presidente da Intendência de 1914 a 1928 e Prefeito Constitucional de 1929 a 8 de outubro de 1930. Era funcionário público e industrial. Maçom e abolicionista, tendo participado da memorável campanha de 1883. Foi Deputado Estadual por várias vezes. Ninguém conhecia mais a história de Mossoró do que ele. Foi memorialista, genealogista e pesquisador. Faleceu na cidade de Areia Branca no dia 14 de janeiro de 1931. 
Luís da Câmara Cascudo – nasceu em Natal/RN a 30 de dezembro de 1898. Estudou humanidades no Ateneu norte-rio-grandense, cursando posteriormente Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro até o 4º ano quando desistiu da carreira, ingressando na Faculdade de Direito do Recife, onde formou-se em 1928. Publicou mais de 140 livros no Brasil e exterior, sendo o nosso expoente cultural de maior expressão. Era historiador, etnógrafo, folclorista, antropologista, sociólogo, ensaísta, jornalista, memorialista, cronista e romancista de costumes. Faleceu em Natal no dia 30 de julho de 1986. 
Vingt-un Rosado Maia – nasceu em Mossoró/RN a 25 de setembro de 1920. Engenheiro Agrônomo, fundador da ESAM – Escola Superior de Agronomia de Mossoró e membro de várias sociedades culturais e científicas do país. Foi um grande estudioso da história de Mossoró. Seus estudos vão da Zootecnia, Botânica, Paleontologia, Estatística, Geografia, Malacologia, Geologia, Arqueologia até a história. É a maior expressão cultural de Mossoró. Falecei a caminho de Natal em 21 de dezembro de 2005.
Raimundo Nonato da Silva – nasceu em Martins/RN no dia 18 de agosto de 1907. Formado em Direito pela Faculdade de Alagoas, ingressou no Ministério Público, sendo nomeado Juiz de Direito da Comarca de Apodi, em cuja função se aposentou. Foi professor, magistrado, jornalista, cronista, historiador, escritor e poeta. Faleceu no Rio de Janeiro em 22 de agosto de 1993. 
  
Lauro da Escóssia – nasceu em Mossoró/RN em 14 de março de 1905. Iniciou-se no jornalismo por volta de 1922, neste centenário jornal “O Mossoroense”, do qual mais tarde seria seu Diretor. Foi memorialista, genealogista e historiador. Faleceu em 19 de julho de 1988. 
Raimundo Soares de Brito – nasceu em Caraúbas/RN em 23 de abril de 1920. Foi comerciário, comerciante, agente municipal de estatística, agente postal telegráfico e gerente telegráfico, função na qual se aposentou por tempo de serviço. Desde então vem se dedicando ao estudo da histórica do oeste potiguar. Raibrito, como é chamado pelos que desfrutam da sua amizade, já chegando aos 83 anos de idade, continua com a disposição de quem está iniciando, quando o assunto é pesquisa. É um incansável trabalhador da cultura e guardião do maior acervo sobre a história do oeste potiguar. 
Sobre estes seis historiadores se apoia a cultura de Mossoró. Francisco Fausto, Câmara Cascudo, Raimundo Nonato, Lauro da Escóssia e Vingt-un Rosado já não estão entre nós; vivem através de suas obras. Raimundo Brito continua, graças a Deus, no divino ofício de publicar livros, com o único objetivo de deixar para as gerações futuras inesgotáveis e preciosas fontes de pesquisas. E nesse momento, em que o historiador Raibrito se encontra enfermo, só nos resta pedir a Deus que sua recuperação seja breve, para que possamos desfrutar ainda por muito tempo, da companhia deste verdadeiro guardião da cultura de Mossoró.

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Autor:
Geraldo Maia do Nascimento