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terça-feira, 15 de março de 2016

VELHO CHICO: PRIMEIRAS IMPRESSÕES DE UM RETRATO NORDESTINO

Por Rangel Alves da Costa*

Ontem teve início a novela Velho Chico, da Rede Globo. Nas primeiras cenas, no núcleo ribeirinho da trama, logo foi possível a fidelidade na narrativa, nos episódios e no contexto social, histórico e geográfico. Um tempo de coronéis, de desditas de sangue, de explorados e de padecentes pelas secas grandes.

Como mostrado, as barrancas ribeirinhas do passado, quando o Rio São Francisco ainda corria pujante e caudaloso, grandes propriedades se estendiam desde suas margens. Era um tempo de coronéis, de senhores de poder e posse, de uma gente potentada que fazia da exploração - do homem e das águas - aquelas distâncias existir.

Coronéis de terno de linho branco, chapéus importados sobre a cabeça, charutos sempre presentes nos dedos, de olhos brilhosos e bocas acostumadas ao mando, a dizer sobre os destinos de todos. Uma classe endinheirada que mandava seus filhos às capitais em busca de anéis e formaturas para dignificar as raízes familiares. E tal aspecto foi mostrado no primeiro capítulo da novela, onde um jovem filho de coronel se esbalda nas facilidades da cidade grande.

Aquele primeiro confronto havido entre o Coronel Jacinto de Sá Ribeiro e o Capitão Ernesto Rosa, quando as armas foram puxadas e o sangue não jorrou pela interferência do velho padre, bem retratou as desavenças constantes entre os poderosos de então. Contudo, diante da menor patente econômica de um perante o poder do outro, a situação seria resolvida de outra forma, com a encomendação de morte mesmo.


O coronel barranqueiro de antigamente não puxava, ele próprio, a arma para fazer o serviço, para matar. Mantinha homens destinados exclusivamente à prestação dos serviços da tocaia, da emboscada, da vileza sanguinária. Eram os jagunços, ou profissionais da morte sob as ordens de seu patrão, que se encarregavam de todo o feito, bastando que o sinal fosse dado para que a desfeita se transformasse em tiro certeiro.

Envolvendo ainda o Coronel Jacinto, afrontado por um capitão destemido, as consequências desse fato geraram situações não muito usuais naqueles tempos coronelistas. Primeiro, o coronel afrontado não foi mostrado perante os seus jagunços, perante frios assassinos que estariam esperando apenas receber ordens para tingir de sangue a desfeita. Pelo contrário, mostrou um coronel abatido, amargurado, quase um solitário entremeado de remorsos a abandono.

Em segundo lugar, não era costumeiro que um coronel procurasse outro coronel para que este providenciasse o serviço de sangue. Não, pois cada coronel possuía seus próprios jagunços. Mas o que se viu na novela foi o coronel confrontado se servindo de outro para a empreitada de morte do capitão. Este sim, mesmo não tendo jagunços a seu dispor, certamente tinha amigos muito interessados no fim do poderoso da região, tido e havido como um explorador de sertanejos empobrecidos, vitimados pela seca.

A seca escorrendo debaixo do sol e o rio correndo mais adiante, assim os contrastes nordestinos. Tal fato não foi esquecido no primeiro capítulo de Velho Chico. As terras sertanejas queimadas pela seca grande, a vegetação acinzentada de dor e sofrimento, bicho e homem sofrendo, retirantes pela estrada, um carro de bois levando o que restava da vida de uma família. E se despedindo de um amigo que jurou jamais sair do seu chão, ainda que a esposa grávida muito desejasse seguir pela mesma estrada.


Contudo, a mais impressionante das cenas não foi a da esposa do coronel remoendo sofrimentos pela perda de um filho nas águas do rio, o amor confessado pelo jovem Afrânio à beira do mar nem quando o velho poderoso entra na casa negando sua culpa pelo acontecido com o filho e o sofrimento da esposa, para depois enfartar e desabar ao chão, mas uma cena envolvendo um drama sertanejo a cada seca que chega.

E foi uma cena forte demais, talvez desnecessária como mostrada. Se aquela vaca estava realmente fragilizada daquele jeito, lançada ao chão pela magreza e falta de forças para se sustentar, a Globo, em nome da dramaturgia, negligenciou a lastimável situação e ainda causou terrível sofrimento ao animal, que foi puxado para cima e pra baixo e depois prostrada na terra. É assim mesmo que acontece no sertão, mas a novela bem que poderia ter evitado mostrar tal padecimento e com veracidade tamanha. Talvez grupos protetores dos animais peçam maiores explicações pelos maus tratos explicitamente provocados.

Eis, assim, as primeiras impressões sobre Velho Chico. Com erros e acertos, teve um bom início. Resta saber o que vai acontecer quando Afrânio retornar e começar a enfrentar o Capitão Ernesto Rosa.

Poeta e cronista
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COMO SURGIU A EXPRESSÃO “CABRA DA PESTE”?

Material do acervo do escritor Rostand Medeiros

Cabra da Peste – Setembro/2014 – ilustrador – Fonte –https://creatore1987.wordpress.com/2014/09/22/ilustracao-cabra-da-peste/


Existe mais de uma versão para a origem da expressão, que até hoje possui duplo sentido. “Em geral, é usada para designar o sujeito destemido, mas também pode ser dita em tom de ofensa, quando a valentia vira prepotência”, diz o lingüista Flávio de Giorgio, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). No Dicionário do Folclore Brasileiro, o folclorista Luiz da Câmara Cascudo afirma que “cabra” era como os navegadores portugueses chamavam os índios que “ruminavam o bétel”, uma planta com folhas de mascar. Com o passar do tempo, o bicho pode ter virado sinônimo de homem forte por causa de seu leite, considerado mais denso e nutritivo que o da vaca. Tudo indica que a associação com “peste” surgiu por causa da má fama da cabra, considerada um animal simpático ao diabo na tradição sertaneja. Vale lembrar que os nordestinos também usam a palavra “peste” para nomear doenças graves.

Assim, o “cabra da peste” seria o sertanejo que sobreviveu superando todos os sofrimentos, “da dentição difícil, do sarampo certo, da caxumba, da desidratação inevitável, da catapora, da coqueluche, da maleita e do amarelão, e de tudo mais que atormenta a vida de um cristão nascido no Nordeste”, como sugere o folclorista Mário Souto Maior no livro Como Nasce um Cabra da Peste. “Por tudo isso, a expressão completa só deve ter surgido por volta do século 17”, afirma Flávio. Mas alguns especialistas defendem outra hipótese. A expressão seria uma variação de “cabra-de-peia”, também usada para indicar a valentia do nordestino, que apanhava sem reclamar. “Depois de açoitada com a peia (chicote), a vítima era obrigada a beijar o açoite na mão do seu algoz”, diz o etimologista Deonísio da Silva, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar).

ADENDO DO BLOG TOK DE HISTÓRIA – Segundo o ilustre amigo Iaperi Araújo, potiguar da cidade seridoense de São Vicente, artista plástico, escritor, médico e professor da UFRN, a expressão “Cabra de pêia” referia-se ao escravo que vivia atado pelos pés com uma pêia feita de couro de boi pra evitar a fugir. Nos jumentos, a pêia é um laço de couro que liga os dois pés dianteiros do animal com uma distancia curta entre eles, não permitindo fugas para lugares distantes, pela limitação de sua movimentação.

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo Rostand Medeiros..

http://tokdehistoria.com.br/2016/03/15/como-surgiu-a-expressao-cabra-da-peste/

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COITEIROS DE LAMPIÃO - PARTE I

Por Rei Dos Cangaceiros
01- Antonio da Piçarra, 02 - Rosalbo Marinho, 03 - Mané Félix - 04 - Adauto Félix

03 - Mané Félix - O que lhe disse Lampião: Manoel Félix, Lampião encontrou com ele levando uns gados no meio da estrada, na ida pra Angico e pediu pra ele levar grandes volumes de carne no outro dia, e disse-lhe: " três coisas para se viver muito, ver, ouvir e calar"

Padre Cicero e Benjamim Abrão Callil Botto

José Pereira de Princesa-PB, e seus cabras.

Eronides de Carvalho, Governador de Sergipe.

Antonio Linard

Quando na Serra do Mato; famosa fazenda do grande Cel. Santana, de Missão Velha/CE, o Capitão Lampião precisou de um ferreiro para limpar/lubrificar seu armamento, foi logo que trouxeram a sua presença o jovem Antonio Linard.

Ao final do trabalho realizado, o mesmo não cobrou nada ao Capitão Lampião. Esse último perguntou-lhe, qual seria o seu maior desejo ? O jovem ferreiro respondeu: seria adquirir um "Torno mecânico", que á época era muito caro.

O líder cangaceiro fez passar por entre seus cabras, o chapéu da aba virada e ali cada um colocou a justa paga; desse episódio nasceu a história do primeiro torno das Indústrias Linard, um dos mais tradicionais grupos empresariais de Missão Velha/CE.

Torno mecânico de seu Antonio Linard

Seu Arlindo 

Arlindo residia no povoado Várzea, entrada do Raso da Catarina e foi nessa localidade que ele conheceu Lampião e seu grupo, era um menino de 7 anos deparou-se com Lampião, na estrada. Este lhe pediu que subisse na lomba do seu cavalo e o levasse até sua casa. Lá o ri do cangaço conheceu seu Avô João da Varje e seus pais Quinca e Aristéia e a partir deste encontro a sua residência passou a servir de coito e era sempre um dos lugares preferidos pelos cangaceiros para realizarem os famosos bailes. Ele foi casado com dona Nina, irmã do cangaceiro Bananeira.


Audálio Tenório, CHEFE POLITICO, de Águas Belas-PE, ex DEPUTADO ESTADUAL e amigo fiel de Lampião por 8 anos, até a morte de Lampião. ( o quinto de branco, da esquerda do vídeo)


João de Almeida Santos, o Joca Bernardes. falou ao Sargento Aniceto que arrochasse Pedro de Cândido, que ele sabia onde estava o cego, (Lampião).


Quando em 1928 Lampião cruzou o Rio São Francisco saindo de Pernambuco pra Bahia, um dos primeiros contatos foi com o coronel Petronilo de Alcântara Reis "Coronel Petro". Petro era o chefe político de Santo Antônio da Glória, cidade hoje submersa pelas barragens do Rio São Francisco.

Vários livros contam que a amizade de Lampião com o coronel foi desfeita por que o coronel traiu Lampião, teriam os dois uma sociedade em terras e aninais.

Quando houve a batalha que morreu Ezequiel, irmão mais novo de Lampião, fato acontecido na Baixa do Boi, em Paulo Afonso, Lampião encontrou em um dos bolsos de um policial morto no combate, um bilhete do coronel endereçado ao comandante da volante e o bilhete falava dos esconderijos dos cangaceiros.

Lampião arquitetou sua vingança incendiando em torno de 18 fazendas do coronel. Começando de Glória, cruzando o Raso da Catarina, Lampião tocava fogo e matava os animais.


Ex-deputado estadual, chefe político de Águas Belas-PE, Audálio Tenório, amigo fiel de Lampião por oito anos.


Firmina Maria da Conceição nasceu em 1905, no povoado “Poços”, uma das fazendas que se situava às margens do Raso da Catarina e foi incluída por Lampião nos seus trajetos como rota secreta e segura, favorecendo sua passagem em direção aos povoados Malhada da Caiçara, São José, Santo Antônio, Várzea, Riacho e todo o estado Sergipano.

O primeiro filho de Firmina acabara de nascer no meio daquele mundo inóspito e primitivo, tendo por testemunha apenas a população resumida de cinco famílias simples. Presente naquele momento de perpetuação da vida estava o sogro Faustino, dona Clara, Batista, Maria de Zeca e Zé Antônio. Cabocla completou quinze dias de resguardo e como de costume acordou cedo e foi fazer a visita matinal na casa da amiga Clara. O que aquela manhã havia lhe reservado de surpresa a acompanharia pelo resto da vida. Na sala da residência de dona Clara, Cabocla parou extasiada diante do que seus olhos contemplaram. 

Muitas vezes ouvira falar de Lampião, porém, jamais imaginaria ficar diante daquela figura real. Uma voz que mais parecia o som de um trovão quebrou o silêncio que se abatera naquele cubículo abarrotado de cangaceiros:

- Tá cum medo?

Diante de toda expectativa a resposta saiu:

- Não!

- Você sabe cunzinhar?

- Sei!

Cabocla rememora sua amizade com Lampião. Com este pequeno diálogo começaria uma grande amizade entre Cabocla e Lampião. Neste dia Cabocla preparou um verdadeiro banquete para os cangaceiros.

Os Poços passaria a ser um dos principais esconderijos do Rei do Cangaço. Os coitos que cercavam os Poços e foram utilizados pelos cangaceiros onde permaneciam por dias e dias arranchados, foram: Saco da Palha, Sítio do Sabino, Malhada Bonita, Quixabeira e Serrotinho.

No princípio Cabocla não contou aos pais do encontro que tivera com Lampião.

Como as visitas de Lampião foram ficando muito frequentes Cabocla teve que pedir ajuda a amiga Lúcia de Sabino para ajudá-la a cozinhar. 

Depois Lúcia se encarregou da cozinha e Cabocla da lavagem das roupas, uma árdua tarefa, tendo em vista que as roupas eram lavadas na casa dos pais, no povoado São José e eram escondidas por causa do forte cheiro que ficava, pela quantidade de perfume que os cangaceiros usavam. Cabocla tinha que adentrar alguns metros no mato temendo ser descoberta pelas volantes policiais.


Sabendo dos rumores que Lampião estava nas redondezas, meu pai José Tibúrcio da Silva, ao viajar para Queimadas mandou que minha mãe, Marcionília Pinho da Silva, fosse dormir na casa do cunhado (Martinho Pereira da Silva) que ficava perto, eu Germinia Pinho da Silva tinha apenas seis meses de idade. José Tibúrcio da Silva como proprietário da Fazenda Paraíba, transportava daqui peles de ovinos, bovinos e caprinos que levava para Queimadas pois lá havia um curtume que era do Coronel Vicente Ferreira da Silva, que era primo de José Tiburcio da Silva. Ao chegar lá ele deixava as peles para serem curtidas e as que já estavam curtidas ele pegava para trazer, completando a carga com sacas de café que vinham de Jacobina para Queimadas.

Meu pai era dono de uma tropa de oito burros, sendo seu tropeiro o Senhor Higino morador da Fazenda Roda, ao chegar aqui na Vila do Raso, como era conhecido na época, meu pai tinha que ir prestar contas ao Coronel Vicente Ferreira da Silva, pois era ele que dava os fretes para meu pai conduzir. Foi no período desta viagem que Lampião chegou em João Vieira arraial de Araci, no mês de Dezembro de 1928, procurou saber quem era fazendeiro e quem tinha tropas de burros, alguém que se dizia ser amigo de meu pai informou a Lampião sobre meu pai e Lampião mandou o cangaceiro Corisco ir até a Fazenda Paraíba guiado por esta pessoa, pois não sabiam onde era a Fazenda, ao chegar não encontrando ninguém colocaram fogo na casa.

Quando foram cinco horas da manhã, pois eu acordava muito cedo para comer, minha mãe chamou as meninas para ir tirar leite das cabras, pois eu só tomava leite de cabra, ela me levava nos braços, ao chegar na malhada ela avistou o fogo em cima da casa e logo viram os cangaceiros com os fuzis, os burros amarrados e etc.

Ela respeitando os cangaceiros não seguiu, pediu que uma das meninas que ela criava que voltasse na casa do meu tio Martinho para chama-lo para poder encorajá-la, pois ele ia enfrentar eles, ao chegar trazendo consigo nos braços o garoto José Brígido da Silva (Zeles) que tinha apenas dois anos e dois meses de idade, ele se reuniu com minha mãe que estava comigo nos braços, ao se aproximar da fazenda ela avista a fumaça em cima do telhado, pois eles já tinham arrombado a porta e entrado, pegado dinheiro, peças de tecido de seda, saquearam a casa e depois pegaram querosene, que na época meu pai comprava querosene em lata, destelharam a cumeeira da casa ensoparam com o querosene e puseram fogo.

CONTINUA...
Fonte: facebook
Página:  Rei Dos Cangaceiros
Link: https://www.facebook.com/virgulinoferreira.ferreira.5?fref=photo

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DROGARIA MAROTO FARMÁCIA DO SINHÔ PEREIRA DO PAJEÚ

Por Sousa Neto

Apesar da mudança de Luiz para José e Sebastião para Francisco, alguns nomes familiares aos líderes cangaceiros jamais foram esquecidos como por exemplo: Andrelino, Araújo, Silva e como vemos nessa carta encontrada nos pertences de seu "Chico Maranhão" (Sinhô Pereira) o nome de sua Farmácia/Drogaria "MAROTO" um dos ramos da importante família PEREIRA do Pajeú. 

Um Pereira sempre teve orgulho de ser um Pereira. 

Fonte: facebook
Página: Sousa Neto
Link: https://www.facebook.com/sousa.neto.334?pnref=story

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VIRGULINO E ANTONIO FERREIRA EMBOSCARAM JOSÉ NOGUEIRA CUNHADO DE SATURNINO

Por Rei Dos Cangaceiros

O ano de 1919 constituiu o início de longa temporada de apreensões para o povo de Nazaré. Naquele ano, Cindário Carvalho (Jacinto Alves de Carvalho) sitiava Nazaré à procura de inimigos (Francisco Nogueira e seus genros Praxedes Pereira e Raimundo Torres). Virgulino e Levino juntaram-se aos filhos e parentes de João Flor, prontificando-se a lutar ao lado dos nazarenos que, por pouco, não se envolveram na luta fratricida entre Pereira e Carvalho.

Logo em seguida, Virgulino e Antônio, inimigos de José Saturnino, emboscaram José Nogueira, cunhado de Saturnino, quando o mesmo voltava de uma feira em Nazaré. Ouvindo os tiros, os nazarenos correram em socorro de Nogueira, acompanhados de Levino Ferreira, que desconhecia serem seus irmãos os agressores.

Reconhecidos os irmãos Ferreira, João Flor ordenou a suspensão do fogo e repreendeu:

- “Que é isso, Virgulino? Então você atira em seu padrinho? Não me reconheceu quando cheguei?”

Virgulino respondeu que era aquilo mesmo, adiantando que, naquelas ocasiões, “afilhado briga com padrinho e padrinho com afilhado”.

João Flor intimou os irmãos a não retornarem a Nazaré se não quisessem viver pacificamente. Levino pulou para o lado dos irmãos dizendo que agora eram três para brigar. Estava iniciada a rixa dos Ferreira com os filhos do lugarejo.

Passaram-se alguns dias e os irmãos Ferreira voltaram acintosamente a Nazaré, provocando a todos, e poucos dias depois começaram a formar um bando. Tentaram entrar mais uma vez na povoação, mas foram repelidos à bala, ocasião em que Levino foi baleado, preso e conduzido à Floresta.

Virgulino tinha votado naquele ano em Manoel Rufino de Souza Ferraz e em Ildefonso Ferraz, respectivamente candidatos a prefeito e subprefeito de Floresta. Os Ferreira procuraram então Antônio Boiadeiro, chefe político da família Ferraz, e com ele firmaram um acordo. Levino foi solto e os Ferreira mudaram-se, no segundo semestre de 1919, para Alagoas.

Fonte: facebook
Link: https://www.facebook.com/profile.php?id=100011331848533

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LAMPIÃO ATACOU JOSÉ DE ESPERIDIÃO

Por Rei Dos Cangaceiros

Em 25 de novembro de 1926, um dia antes da Batalha da Serra Grande, o bando de Lampião atacou José de Esperidião, na fazenda Varzinha, município de Serra Talhada - PE. Nessa ocasião, sua residência estava com algumas visitas, as quais foram cumprimentar Rosa Cariri, esposa de José de Esperidião, por ter dado luz a uma criança, que estava com sete dias de nascido.

Rosa Cariri, ao avistar, de longe, alguns cangaceiros, avisou ao marido, alertando-o para que se retirasse. José de Esperidião perguntou:

- Quantas pessoas você acha que vêm?

Ela respondeu:

- Uns vintes homens.

Ele disse: 

- Não corro com medo de vinte homens.

José de Esperidião pegou seu rifle e dois bornais de balas e ficou entrincheirado no quarto.

Quando os cangaceiros chegaram deram boa tarde e perguntaram:

- José de Esperidião está?

Lá de dentro ele respondeu:

- Estou aqui.

Os cangaceiros disseram:

- Venha para fora, precisamos conversar.

José respondeu:

- Já estamos conversando, eu não vou sair e vocês também não vão entrar.

Quando as pessoas presentes notaram que estavam diante do bando de Lampião, começou a correria, o pavor foi tanto, que algumas mulheres pularam pelas janelas. Os cangaceiros perceberam que José de Esperidião não sairia e começou o tiroteio. O recém-nascido, José Pereira Lima (Cazuza), filho da vítima, estava deitado em uma rede na sala e foi baleado nos dois pés (o mesmo estava com os pés cruzados). De toda ribeira ouviam-se os tiros e a maioria dos habitantes da localidade abandonou sua casa e foi se refugiar na caatinga.

Lampião ficou sentado na calçada da casa de Agostinho Bezerra, próximo ao local. O ataque foi coordenado por Antônio Ferreira, motivado por uma vingança de um assassinato cometido por José de Esperidião na Serra Negra, no município de Floresta.

Quando Lampião percebeu que o caso era demorado, foi aguardar o desfecho deitado em uma rede no alpendre da casa de Braz Estevão, um pouco mais distante do local do ataque.

Segundo relatos do escritor João Gomes de Lira, os cangaceiros chegaram à casa de José de Esperidião por volta de uma hora da tarde. O tiroteio durou a tarde inteira.

“Às seis horas da tarde, um cangaceiro foi até onde estava Lampião para dizer que José de Esperidião era valente; uma fera, até parece que não morre. Assim, o que deviam fazer?

Lampião respondeu e determinou que arrancassem as cercas do curral, apinhassem a madeira no pé da parede em volta da casa e tocassem fogo.

O fogo destruiu toda madeira do telhado, ficou apenas as paredes em pé. No dia seguinte, uma mulher moradora da localidade, foi a primeira pessoa a entrar no recinto, pulando por cima de brasas e cinza, conseguiu chegar ao quarto da casa, onde tombou o corpo de José de Esperidião, com seu rifle na mão, bala na agulha e o dedo no gatilho. 
Quando a mulher pegou e puxou o rifle, o mesmo disparou.

Em uma conversa informal do historiador Frederico Pernambucano de Mello, ele afirmou que, José de Esperidião era homem valente, mesmo depois de morto ainda conseguiu atirar.

Quando retiraram o corpo de José de Esperidião para fazer o sepultamento, não encontraram marcas de balas no corpo dele, portanto, chegou-se à conclusão de que a morte fora por asfixia provocada pela fumaça.

José Pereira Lima filho da vítima, ficou com uma marca no pé pelo resto de sua vida.

Geralmente, quando ia comprar sapatos, adquiria dois pares, um par 41 e outro par 42, pois um pé ficara menor. Conforme consta no livro, Memórias de um Soldado de Volante, de João Gomes de Lira, “Ao cair da tarde daquele dia, a Força que vinha distante, ouviu as últimas descargas do fogo dos bandidos contra José de Esperidião. Quando ali chegou, na manhã seguinte, só encontrou o tristíssimo quadro”.

Fonte: facebook
Link: https://www.facebook.com/virgulinoferreira.ferreira.5?pnref=story

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NOSSA FORÇA COMEÇA EM CASA... CONSELHEIROS CARIRI CANGAÇO DA REGIÃO DO MEU CARIRI DO CEARÁ!

Por Cangaceiros Cariri

Uma das personagens mais marcantes de toda a história do Cariri é sem dúvidas Dona Fideralina Augusto Lima, de Lavras da Mangabeira. 

Dona Fideralina Augusto Lima

Autêntica representante da força e da fibra das matriarcas nordestinas, a partir de Lavras, influenciou por muito tempo a vida e história de nosso Ceará. Matriarca do Clã do Augustos acabou inspirando Lavras a apresentar outras grandes mulheres... Entre essas, o destaque para a extraordinária Cristina Couto, poetisa, pesquisadora, escritora e uma eterna apaixonada pelas coisas do sertão.

Cristina Couto é dessas pessoas que se entregam de corpo e alma a tudo que acreditam. Sua capacidade de articulação, seu enorme poder de congregar a seu lado, talentos de todas as naturezas, a transformam numa grande realizadora. Possui com certeza três paixões: Sua Família, sua Lavras da Mangabeira e a Cultura de seu povo.

Cristina Couto com seu talento próprio e sua espetacular força de trabalho se configura como mais uma força do meu Ceará dentro do Conselho Cariri Cangaço !!!! Receba nosso abraço de gratidão querida Conselheira de minha amada Lavras da Mangabeira, conte conosco sempre, vamos em frente! Os desafios estão por vir !!!

Fonte: facebook
Página: Cangaceiros Cariri
Grupo: Ofício das Espingardas
Link: https://www.facebook.com/groups/545584095605711/?ref=ts&fref=ts

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EMILIANO NOVAIS:

Rei Dos Cangaceiros

Membro de uma proeminente família da cidade de Floresta-PE, tido como amigo e coiteiro de Lampião. 

Consta que chegou a andar com armas junto aos cangaceiros. Em um telegrama enviado à capital de Recife-PE, o oficial tenente Solon Jardim, informava que Emiliano estava chamando vários cangaceiros para atacar Nazaré do Pico, onde viviam grandes inimigos de Lampião, no distrito de Floresta. O grupo de Emiliano Novais, era composto de 100 homens. Em 29 de julho de 1926, no lugar Ingazeira, eles mataram o soldado Cândido de Souza Ferraz, de número 386, lotado na 1ª companhia, do 3º Batalhão de Vila Bela-PE. 

Consta que o soldado Ferraz estava com a saúde debilitada e seguia para o quartel quando foi covardemente assassinado pelo crime. Emiliano foi preso, mas em agosto de 1928, através do renomado dr. Caetano Galhardo, seu advogado conseguiu o desaforamento de seu processo para o município de Cabo, próximo à capital pernambucana. 

Depois o dr. Galhardo impetrou uma ordem de habeas corpus. Esta foi julgada em 21 de agosto, sendo o processo anulado e concedendo a liberdade ao acusado, que foi imediatamente solto.

Fonte: facebook
Link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=574964392660820&set=a.259768754180387.1073741836.100004417929909&type=3&fref=nf&pnref=story

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UM AMOR COM FINAL TRÁGICO


Natural de Poço Redondo, Enedina era companheira de Zé Julião que no Cangaço recebeu o apelido de Cajazeiras. O mesmo adentrou às fileiras do Cangaço em virtude de ser perseguido de forma injusta por alguns comandantes de volantes. Chegando até mesmo a fugir para um lugarejo as margens do Rio São Francisco para conseguir viver em paz. 

Zé de Julião

Pouco tempo depois um volante chegou a sua procura e o mesmo escapou fugindo de canoa. Terminou pedindo abrigo e proteção no bando de Lampião. Enedina ao saber da notícia largou sua vida pacata e passou a acompanhar seu amado na difícil vida do Cangaço. 

Foto colorizada por: @Rubens Antônio

O casal havia se casado no dia 15 de Agosto de 1937 em uma igreja na cidade de Poço Redondo. Foram o primeiro e único caso em que um casal legalmente constituído, aderiu a vida cangaceira. Aquela menina cheia de sonhos, de rosto delicado que a pouco tempo realizara o sonho do matrimônio, teve um final triste na fatídica madrugada do dia 28 de Julho de 1938, onde o rei do Cangaço juntamente com outros cangaceiros tiveram suas vidas ceifadas. No meio da fuga Enedina foi atingida por um tiro no alto da cabeça. Tiro este que ceifou sua vida, vindo a deformar completamente aquela linda jovem. 


No lugar de um rosto delicado de menina, um rosto deformado, pedaços de cérebro e muito sangue ao chão. Uma verdadeira tragédia. Tombava ali a jovem que por amor seguiu seu companheiro e pagou com a própria vida o preço de sua escolha. Acabava ali o sonho de uma vida feliz ao lado do seu amado. Zé Julião casou-se depois com uma irmã de sua falecida esposa. Sendo assassinado em uma emboscada com motivações políticas por pessoas de um partido oposto ao seu. No dia 19 de Fevereiro de 1961. 

Fonte de pesquisa principal: Lampião As Mulheres e o Cangaço.
Páginas :118 a 120.
Foto 1: Enedina no dia de seu casamento.
Foto colorizada por: Rubens Antonio
Foto 2 : Cabeças dos cangaceiros mortos em Angicos incluindo a de Enedina. 
Fonte: facebook
Página: Noádia Costa
Grupo: Ofício das espingardas
Link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=471299943068392&set=pcb.603292889834831&type=3&theater

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O FUTURO REI DO CANGAÇO LAMPIÃO É BALEADO

Por Geraldo Júnior

Você sabia que Lampião foi ferido gravemente pela primeira vez durante um confronto na região de CONCEIÇÃO DO PIANCÓ, no Estado da PARAÍBA?

Lampião foi atingido no ombro e na virilha e ambos os projeteis transfixaram seu corpo. Fato ocorrido no ano de 1921.
Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior
Grupo: O Cangaço
Link: https://www.facebook.com/profile.php?id=100011331848533

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