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terça-feira, 19 de março de 2019

ZÉ SERENO - DEPOIMENTOS E RELATOS DE UM EX-CANGACEIRO DO BANDO DE LAMPIÃO (PARTE I)


https://www.youtube.com/watch?v=9wvD-nmvqGM&feature=share
Publicado em 19 de jul de 2015

Um fantástico e surpreendente depoimento, onde Zé Sereno, um ex cangaceiro do bando de Lampião, fala sobre sua vida durante o período em que integrou as hostes cangaceiras e como ele e sua companheira Sila, escaparam da morte naquela manhã de 28 de Julho de 1938 em Angico, quando a Força Volante Alagoana deu cabo de Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros. Detalhes impressionantes que farão vocês repensarem sobre os momentos finais da vida do Rei do Cangaço. ASSISTAM...

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LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.

franpelima@bol.com.br

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.

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VOCÊ SABIA QUE, MARIA BONITA CHAMAVA JOÃO BEZERRA DE CÃO COXO, E O TENENTE MANÉ NETO DE CACHORRO AZEDO?

Por Ana Maria



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ALMOÇANDO NA BARRIGUDA

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de março de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.075

É, o título acima talvez confunda o leitor amigo. Será que o autor não se perdeu? Não seria: “Almoçando com a Barriguda?”, isto é, almoçando com a mulher grávida? Não, a abertura acima está correta e acontece muito com a nossa língua portuguesa. Em Santana do Ipanema, a seis quilômetros do centro em direção a Olho d’Água das Flores, encontra-se o sítio Barriguda. Fica à margem direita da rodovia AL-130 o citado lugar, cuja denominação vem da árvore conhecida popularmente por barriguda (Ceiba glaziovii). Naquela região, proliferaram três ou quatro restaurantes muito pocurados pelos santanenses. Corria a fama da galinha de capoeira e outros pratos típicos à sombra dos alpendres ou das árvores frondosas dos terreiros, movimentavam-se as pessoas nas manhãs domingueiras.

GALINHA DE CAPOEIRA. (FOTO: B. CHAGAS).
É, o título acima talvez confunda o leitor amigo. Será que o autor não se perdeu? Não seria: “Almoçando com a Barriguda?”, isto é, almoçando com a mulher grávida? Não, a abertura acima está correta e acontece muito com a nossa língua portuguesa. Em Santana do Ipanema, a seis quilômetros do centro em direção a Olho d’Água das Flores, encontra-se o sítio Barriguda. Fica à margem direita da rodovia AL-130 o citado lugar, cuja denominação vem da árvore conhecida popularmente por barriguda (Ceiba glaziovii). Naquela região, proliferaram três ou quatro restaurantes muito pocurados pelos santanenses. Corria a fama da galinha de capoeira e outros pratos típicos à sombra dos alpendres ou das árvores frondosas dos terreiros, movimentavam-se as pessoas nas manhãs domingueiras.
Não sei se a árvore barriguda ainda existe no famigerado sítio. Mas é uma árvore que ocorre também em outros estados nas caatingas do Ceará, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Sergipe e Bahia. Também na Mata Atlântica dos brejos de serras nordestinas e Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Até mesmo em algumas cidades do Centro-Oeste. “Barriguda refere-se ao intumescimento da parte central do caule, à meia altura da árvore, tendo a mesma um diâmetro maior no meio do que na base, e que serve para armazenar água extraída através da seiva xilemática”. Também é chamada paineira-branca, devido às suas folhas brancas quando a árvore começa a perder a folhagem.
Essa árvore que pode chegar aos 18 metros de altura pode dispersar sementes pelo vento. Serve para caixotaria, para encher travesseiro, selas, almofadas, colchões e estofamentos de móveis com sua chamada lã de barriguda (pelos que envolvem suas sementes). Na medicina caseira sua casca serve contra inflamação do fígado e para tratamento de hérnia. Pode ser usada para recompor área degradada. É a árvore símbolo do distrito de Roda Velha, município de São Desidério, Bahia.
Logo estaremos indo atrás de galinha de capoeira nas imediações do sítio Barriguda. É logo ali na entrada de Carneiros.
    “Quer ir mais eu, vamo, quer ir mais eu vambora”.


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“UM POUCO DE ÁGUA PARA MATAR A SEDE DO RIO”

*Rangel Alves da Costa

Agora mesmo avistei umas fotografias postadas por minha amiga Quitéria Gomes e nas imagens tudo aquilo que eu já imaginava, mas que somente agora a comprovação visual: o comprometimento, desde a infância, da comunidade ribeirinha de Bonsucesso com o seu o rio, o São Francisco, o seu Velho Chico.
Opará! Opará! Não, não é por todo lugar que a criançada sai levando sacolas de plástico para recolher as sujeiras deixadas e acumuladas nos beirais molhados. Não, não é por todo lugar que a criançada abraça o seu rio e, do encantamento, a singela oração de mãos dadas por dias melhores para o sagrado espelho. Não, não é por todo lugar que a criançada avista o seu rio e se promete e compromete a ser seu eterno amigo e protetor.


Mas em Bonsucesso é assim. A infância e a juventude de Bonsucesso são uma infância e uma juventude do rio, do seu São Francisco, do seu Velho Chico. Desde os primeiros anos que aprendem a amar o seu rio, desde os primeiros passos que caminham em direção ao seu rio, e pela vida inteira vão se encantando, amando e até sofrendo com o seu rio.
Mesmo que os adultos não ensinem ou incentivem a amar o seu rio, mesmo que as escolas não eduquem para a natureza e a questão ambiental, é o amor demonstrado pelos adultos que faz com que as crianças também criem esse comprometimento. E de repente cada um e todo mundo já está tendo o rio dentro de suas próprias entranhas. Significa dizer que o Velho Chico passa a ser como a própria seiva da vida.
A população de Bonsucesso sempre possui um olhar diferenciado para o seu rio, para o seu lugar, para tudo que a rodeia. Não conheço comunidade mais presente na vida do seu lugar que a ribeirinha de Bonsucesso. Todos os habitantes possuem uma sensação de pertencimento tal que chega a ser um bairrismo positivo e altamente promissor.
Aqueles ribeirinhos chamam para si as responsabilidades não só pela proteção do rio como pela cultura, pela história, pelas tradições. Possuem manifestações enraizadas e procuram manter tais raízes sempre presentes e passando de geração a geração. Pertencente ao município de Poço Redondo, no sertão sergipano, mas somente lá a preservação da cultura continua resplandecente.
A população ribeirinha mantém a tradição da cavalhada adulta e mirim, do reisado e do pastoril, do teatro de palco e de rua, da mais profunda religiosidade. Cuida de seus cemitérios, faz reparos em antigas construções e nos templos religiosos, reabre estradas tomadas pelo mato, limpa as beiradas do rio, promove as mais belas procissões e cultos sagrados.


Contudo o que mais verdadeiramente me comoveu com as imagens foi o simbolismo das crianças despejando água no rio, derramando nas águas um pouco d’água. O que isso significa? Simplesmente a mais bela lição: “O rio não morrerá. Não deixaremos o rio morrer de sede!”.
“O rio não morrerá. Não deixaremos o rio morrer de sede!”. A criança de agora e a criança de amanhã. Uma simbologia que a muitos seria apenas de ineficaz poesia, mas revelando o compromisso de cada, desde a infância: o rio é vida e não pode morrer de sede!

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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AS MARCAS DA PASSAGEM DE LAMPIÃO – A HISTÓRIA DA CAPELINHA DA SERRA DA VENEZA

Por: Rostand Medeiros

Um dos aspectos mais interessantes da história da passagem do bando do cangaceiro Lampião pelo Rio Grande do Norte, entre os dias 10 e 14 de junho de 1927, não aponta apenas para os relatos de lutas, resistências, arroubos de valentia, covardias, ou sobre o alivio em relação à fuga dos cangaceiros. Foi possível encontrar em alguns locais, interessantes situações originadas pelo medo da passagem de Lampião, que geraram manifestações que se perpetuam até hoje.
Capela da Serra da Veneza - Foto - Rostand Medeiros
Comento especificamente sobre uma ermida encontrada no alto de um promontório denominado Serra da Veneza, próximo ao sítio Garrota Morta, na fronteira entre os municípios de Antônio Martins e Pilões. Nesta elevação granítica, que segundo o mapa da SUDENE chega a atingir a altitude de555 metros, existe uma capela edificada em razão do medo provocado pela passagem do bando.
Primeiramente havíamos recebido uma informação que este pequeno templo fora erguido pelo fazendeiro Manoel Barreto Leite, conhecido na região como “Seu Leite”, proprietário de um sítio conhecido como Veneza e localizado próximo a esta serra. Esta informação dava conta que todos os anos, a família do proprietário rural mandava rezar uma missa como forma de marcar mais um aniversário da libertação de Barreto do julgo do bando. Tanto a construção da capela como a missa rezada anualmente eram parte de uma promessa que devia ser cumprida pela família Leite.
Na tarde do dia 11 de junho de 1927, um sábado, quando empreendia uma viagem, na altura do sítio Corredor, a cerca de dez quilômetros de sua propriedade, o fazendeiro Manoel Barreto Leite, foi capturado pela fração do bando comandado por Sabino. Sua libertação foi orçada em cinqüenta contos de réis. O mesmo só foi libertado em Limoeiro, atual Limoeiro do Norte, no Ceará, após a derrota do bando em Mossoró.
Manoel Leite era um homem conhecido na região, que possuía bons recursos financeiros e extremamente respeitado, por esta razão a existência da capelinha branca no alto da serra homônima de sua propriedade, ficou associada a uma promessa feita pelo fazendeiro seqüestrado.
Mas conforme seguíamos o trajeto, ao perguntarmos sobre este caso, percebemos o desconhecimento das pessoas da região em relação a esta versão. Buscamos apurar os fatos e no sítio Garrota Morta localizado nas proximidades desta serra, encontramos uma senhora chamada Maria Eugenia de Oliveira que esclareceu a verdade sobre esta capela. Esta senhora, pequena na estatura, mas é forte, voluntariosa, possui uma voz firma e olha direto no olho do interlocutor. Maria Eugenia não é daquelas de ficar em casa vendo novelas, já está na faixa dos cinquenta anos, mas todo santo dia trabalha voluntariamente como animadora da congregação católica local. Participando ainda como catequista e ministra da eucaristia.
Dona Maria Eugênia de Oliveira - Foto - Rostand Medeiros
Há alguns anos atrás, por sua própria iniciativa, em meio a este trabalho religioso ela iniciou uma pesquisa histórica com as pessoas mais idosas da sua região, onde apurou entre outras coisas a origem dos nomes dos logradouros, as histórias relativas as famílias da região e os fatos históricos mais representativos do lugar. Mesmo anotando estas informações em um caderno simples, através de sua louvável e comovente iniciativa foi possível conseguir as informações sobre a origem desta capela.
Segundo Maria Eugenia foram as idosas moradoras conhecidas como “Francisca do Uru” e “Francisca da Garrota Morta”, que lhe narraram os fatos que a comunidade local considera um verdadeiro milagre.
Na noite de 10 de junho de 1927, quando Lampião e seu bando se aproximavam da fazenda Caricé, a cerca de oito quilômetros da Garrota Morta, em meio às terríveis notícias, três fazendeiros da região procuraram refúgio junto às rochas da base desta elevação. Essas famílias eram comandadas respectivamente por Manoel Joaquim de Queiroz, proprietário do sítio Garrota Morta, Vicente Antônio, do sítio Cardoso e Francisco Felix, que habitava na pequena zona urbana que formava a Vila de Boa Esperança, atual cidade de Antônio Martins. Na época da passagem de Lampião, todo este vasto sertão pertencia a área territorial do município de Martins.
Durante o período que lá permaneceram, as três famílias não se encontraram e sequer se viram em nenhum momento. Em meio à aflição, estes homens solicitaram junto ao mesmo santo, São Sebastião, que os protegessem contra a ação dos cangaceiros.
No dia posterior o bando chegou próximo a Serra da Veneza. Os cangaceiros ainda palmilharam algumas casas edificadas dentro dos limites da propriedade Garrota Mortas, mas não chegaram próximo aos esconderijos no pé da serra.
Em meio ao sentimento de alivio que crescia, as três famílias que não se viam choravam de alegria e rezavam agradecendo. O mais interessante, segundo Maria Eugenia, mesmo sem existir nenhuma espécie de combinação, os três homens elegeram a mesma penitência; galgar a Serra da Veneza, erguer um oratório e ali depositar uma imagem em honra a São Sebastião.
Logo os fazendeiros e seus familiares foram a Vila de Boa Esperança a treze quilômetros da serra. Como muitos moradores da região, eles foram agradecer na capela do lugarejo, edificada em honra a Santo Antônio, o fato de nada de pior haver ocorrido. Neste local os três homens se encontraram, eram amigo, e logo debatiam sobre os fatos vividos. Para surpresa de todos os presentes, compreenderam que havia ocorrido uma interseção divina com relação a eles terem tido as mesmas idéias e os mesmos pensamentos.
O ponto branco no meio da Serra da Veneza é a capelinha - Foto - Rostand Medeiros
Em pouco tempo eles adquiriam conjuntamente uma pequena imagem de São Sebastião e logo galgavam a Serra da Veneza, para unidos edificarem um pequeno oratório. A ação dos três fazendeiros e as estranhas coincidências chamaram a atenção das pessoas na região. Outros penitentes passaram a subir a serra para pagar promessas. Mais algum tempo a comunidade da Garrota Morta já organizava uma singela procissão e não demorou muito para que o pároco local também viesse participar. Com o passar do tempo começou a ocorrer a participação de pessoas de outros municípios.
Em 1948, vinte e um anos após a passagem de Lampião e seu bando e do pretenso milagre, treze famílias da comunidade ergueram treze cruzes, formando uma via sacra entre a base da serra e o local do oratório. Cada uma destas cruzes tinha dois metros de altura e continha uma placa da família doadora. Percebendo o crescimento desta manifestação, conjuntamente estas pessoas deram início a construção da atual capela, em meio a uma intensa confraternização.
A capela foi construída em um ponto mais abaixo em relação à posição original do antigo oratório. Uma nova imagem de São Sebastião foi levada em procissão e se uniu a que ali havia sido colocada primeiramente.
Serra da Veneza - Foto - Rostand Medeiros
Atualmente a participação popular só cresce. A cada dia 20 de janeiro, inúmeros ex-votos são colocados como pagamento de promessas, velas são acesas e fiéis de vários municípios vêm participar subindo a serra. Em meio a um intenso foguetório, sempre as primeiras horas da manhã, um público que atualmente gira entre 400 e 500 pessoas, comparece ao sítio Garrota Morta e com a tradicional fé característica do nordestino, sobrem a serra. Entre as atrações do evento, sempre ocorrem apresentações de violeiros, que declamam em verso os medos e o pretenso milagre que envolveu as três famílias. Apesar da área onde a Serra da Veneza está situada não pertencer mais territorialmente a Martins, a capelinha está sob a jurisdição da Paróquia de Martins, que tem a frente o padre Possídio Lopes.
O sítio Garrota Morta esta localizado na área territorial do município de Antônio Martins, as margens da estrada que liga as cidades de Pilões e Serrinha dos Pintos. O dia da nossa visita a região estava particularmente quente, em meio a uma região já bem quente. Além do mais eram uma hora da tarde e nosso tempo era curto. Mas sei que vou voltar e subir esta serra.
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Extraído do blog: "Tok de História",
do historiógrafo Rostand Medeiros

DELMIRO DEU A IDÉIA E APOLÔNIO APROVEITOU

Material do acervo do pesquisador do cangaço José João Souza

“Delmiro deu a idéia. Apolônio Aproveitou. Getúlio fez o decreto. E Dutra realizou. O presidente Café. A usina inaugurou”. Esses versos fazem parte da música Paulo Afonso, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, e cita as pessoas que ajudaram a concretizar a primeira grande hidrelétrica do Nordeste. Tudo começou com o empresário cearense Delmiro Gouveia que construiu a hidrelétrica de Angiquinho, em 1913. Foi a primeira a aproveitar as águas do São Francisco para gerar energia. A ideia dele era construir mais hidrelétricas no local, projeto interrompido com o seu assassinato em 1917.

Depois disso, foram realizados vários estudos no sentido de concretizar uma grande hidrelétrica no São Francisco. Até que um pernambucano de Altinho, Apolônio Sales, foi nomeado ministro da Agricultura no governo Getúlio Vargas em 1942.

O pai da Chesf

Tudo começou no dia 24 de agosto de 1904, em Altinho, no agreste pernambucano, quando nasceu Apolônio Jorge de Farias Sales, filho de José Francisco de Farias Sales e de dona Maria Augusta Jorge Sales.

O menino estudou, diplomou-se engenheiro-agrônomo, ingressou no serviço público, criou e dirigiu autarquias, tornou-se secretário da Agricultura de Pernambuco e, em 1942, foi nomeado ministro da Agricultura do governo Getúlio Vargas.

Logo se viram a sua competência e a sua disposição para o trabalho. Constituiu a Comissão Brasileiro-Americana de Produção de Gêneros Alimentícios, instalou colônias agrícolas em todo o país, reorganizou o Serviço de Meteorologia e o Centro Nacional de Ensino e Pesquisas Agronômicas, criou a Universidade Rural, a Superintendência de Edifícios e Parques, e o Instituto Agronômico do Sul. Fez mais: elaborou um plano para a mecanização da lavoura, criou uma legislação nacional para o associativismo rural, efetivou convênio com o governo norte-americano para prover educação às populações rurais, e criou o Serviço de Expansão do Trigo. Como se vê, a caminhada até a posição de destaque ocupada no plano mundial, hoje, pela agropecuária brasileira, não é fenômeno atual. Vem de muito tempo. Muito tempo, mesmo.

Apolônio Sales

Mas a maior obra de Apolônio Sales — e olhe que ele já havia feito muito — estava se formando.

Desde 1943 ele desencadeara uma campanha pelo aproveitamento da cachoeira de Paulo Afonso, e como resultado foram elaborados, em 1945, os decretos-leis que criaram a Chesf, abrindo os caminhos legais para a outorga da concessão para o aproveitamento do potencial hidráulico do rio São Francisco.

Em 1948, com base no Decreto Lei nº 8.031, de 3 de outubro de 1945 foi criada a Chesf. A primeira assembleia de acionistas foi realizada em 15 de março, formalizando o início das atividades. O ano também foi marcado pelo começo da construção da hidrelétrica de Paulo Afonso I, primeira grande usina da Chesf erguida no rio São Francisco. Em 1954 entrou em operação a Usina de Paulo Afonso I, com 180 mil kW de potência instalada.

Considere-se que a Chesf foi obra de quatro governos — Getúlio Vargas, durante o Estado Novo, general Eurico Gaspar Dutra, Getúlio Vargas novamente, pelo voto popular, e Café Filho —, mas foi, inegavelmente, concepção de um só homem, Apolônio Jorge de Faria Sales.

Aquele menino nascido em Altinho, faleceu em 12 de outubro de 1982, no Rio de Janeiro, hoje é escola, edifício, avenida, hidrelétrica, fundação e muito mais. Mais do que isto, porém, é um nome que honra Pernambuco e, como tal, merece estar na memória de todos os pernambucanos.

Se é verdade que ao morrer as pessoas especiais se transformam em estrela, seguramente Apolônio Sales é uma delas. Ademais, resta a certeza de que em cada recanto deste Nordeste, por mais remoto que seja, toda vez que uma lâmpada brilhar fará presente a luz de Apolônio Sales.

Fontes: Jornal do Commercio / blog: Joseni Melo Advogados Asssociados.

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LAMPIÃO E OUTRAS HISTÓRIAS - CANGACEIROS, COITEIROS E VOLANTES


Por Doizinho Quental
O coiteiro Mané Félix

O conhecimento mais apurado das origens dos cangaceiros, coiteiros e volantes do tempo do cangaço se fazem necessário, para situarmos melhor os nossos contos e curiosidades.

Nada mais plausível do que recorrermos ao livro "Cangaceiros, coiteiros e volantes" do mestre e escritor José Anderson Nascimento, com a sua prestimosa autorização, para situarmos estes integrantes do cangaço no seu tempo e sabermos suas origens.
  
“A partir da primeira metade do século XIX, a dura realidade do sertão nordestino, onde predominava intensa miséria e injustiça social, criou-se uma manifestação caracterizada pelo banditismo, com a denominação de cangaço”.
  
O termo cangaço já era conhecido desde 1834, e se referia a certos indivíduos que andavam armados, com chapéus de couro, carabinas, cartucheiras e longas facas enterçadas batendo na coxa. Levavam as carabinas passadas pelos ombros, tal como um boi no jugo, na canga. Daí decorreu a significação cangaço e dela derivando o vocábulo cangaceiro, para identificar aquele bandido do sertão nordestino, que andava sempre fortemente armado.
  
A fama de Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino, Lampião e mais alguns cangaceiros que se tornaram lendários, ofusca os nomes de outros bandidos rurais tão famosos quanto eles em sua época. Famosos, frios e destemidos, a exemplo de Diogo da Rocha Filgueira, o Dioguinho, que agia no oeste paulista no final do século passado.
  
Mais cruel que Dioguinho só mesmo Lucas da Feira, escravo fugitivo que atacava nas redondezas de Feira de Santana, na Bahia.
  
Tanto Lucas da Feira, como Dioguinho, apesar de agirem em área rural não podem ser considerados "bandidos sociais". O baiano não passava de um salteador de estrada e o paulista, de um bandido bem protegido.
  
O banditismo social nasceu de forma muito diferente. Teve a sua base em fatos de natureza econômica e social.
  
Jagunço, cabra, bandoleiro ou cangaceiro, era o inadaptado à civilização litorânea, o retardatário, o reacionário contra as normas de uma nova sociedade.
  
Surgiram, em grupo, ao aceno de um companheiro mais terrível.
  
Banditismo grupalista, banditismo tribal ou familiar, banditismo social, impulsionados todos por fatores de ordem social ou antropológica.
  
No quadro do banditismo do Nordeste houve uma divisão em dois grandes grupos: o primeiro constituído pelo jagunço ou capanga que sempre figurou como bandido comum, um mercenário ou guarda-costas, também conhecido como pistoleiro, a serviço do poder econômico nas lutas em torno de limites de propriedades entre famílias ou políticas; o segundo formou-se com os cangaceiros que, de certa forma podem ser apresentados como "bandidos sociais", uma vez que eram apoiados pela comunidade, a qual legitimava os seus atos e colaborava no fornecimento de alimentos, esconderijos e informações.
  
Vingar a honra da família constituía o portão de entrada do jovem sertanejo para o cangaço. Foi por essa causa que Jesuíno Alves de Melo Calado, o Jesuíno Brilhante, "caiu" no cangaço, no Rio Grande do Norte. Ganhou fama ao ajudar os flagelados da seca de 1877, e morreu lutando com a polícia, na Paraíba.
  
Na mesma época, afora Brilhante, surgiram os bandos dos Viriatos, Quirinos e Calangros.
  
No início da República era famoso o cangaceiro Antônio Silvino, que só foi preso em 1914. Conduzido à cadeia do Recife e condenado a 32 anos de prisão, cumpriu 28 e foi indultado pelo Presidente Getúlio Vargas. Faleceu em 1944, aos 79 anos de idade.
  
“Outro bandido famoso foi Sinhô Pereira, que só aderiu à vida cangaceira para vingar a morte do seu irmão Né Pereira, no sertão pernambucano de Serra Talhada.”
  
Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, o mais famoso cangaceiro do Nordeste,  segundo alguns historiadores, nasceu em 7 de julho de 1897, no sitio Passagem de Pedra  município de Vila Bela ( hoje Serra Talhada); estado de Pernambuco.
  
Outros afirmam categoricamente que este famigerado cangaceiro nasceu em 6 de junho de 1898.
  
Dotado de uma inteligência acima do normal, Virgulino tinha facilidade de trabalhar com qualquer atividade. As funções de vaqueiro, almocreve, soleiro, pedreiro, tocador de sanfona, poeta e cangaceiro, executou  sempre com a mania de perfeição. 
  
Ainda jovem, juntamente com os seus dois irmãos mais idosos, Antônio Ferreira e Livino, meteram-se em encrencas com os vizinhos, Zé Saturnino e João Nogueira, genro e sogro, considerados  homens ambiciosos e maus, terminando por entrarem nas desgraças do cangaço, fazendo justiça com as próprias mãos, já que as autoridades da época, foram partidárias, levianas, e coniventes com  Zé Saturnino e João Nogueira, agricultores mais abastados. Alguém declarou que se não tivesse existido Zé Saturnino, não teria havido Lampião. Entretanto, escritores célebres asseguram que a sua índole perversa e má terminaria aflorando, até mesmo se ele tivesse sido educado em seminário de jesuítas: “o carneiro aprende a dar marrada, nem que seja criado em chiqueiro de cabras".
  
Lampião foi considerado, por muitos entendidos, como um cangaceiro de personalidade múltipla; um esquizofrênico, mau e vingativo. A história mostra que este celerado praticou atos vis, desumanos e de um sadismo que revoltou o mundo. No entanto, vários autores escreveram sobre atos de humanismo, 
  
Em entrevista prestada pelo ex-cangaceiro  Oliveira ou Alagoano, aos autores do livro Lampião e o Estado Maior do Cangaço, de Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena - Edição de 1985, declara: - "Durante o tempo que andei com Lampião, quando a gente estava no Ceará, ele dizia logo: - Cuidado que este é um Estado que eu respeito! E ninguém tomava nada de ninguém, não matava ninguém. Lampião não gostava de dar surras. Para pegar um pobre paisano  desarmado e dar-lhe  uma pisa, dizia, não é vantagem para um homem. Vantagem para um homem é falar alto para outro armado! Não se davam bolos. As moças tinham que ser respeitadas. O padre Cícero tinha pedido para ele respeitar moças, senhoras casadas e seus romeiros, dizendo que se fizesse isso, ele morreria de velho em sua cama."
  
Portanto, momentos ensandecidos e rasgos de humanismo, foram perpetrados por essa personalidade controvertida.
  
Lampião foi proclamado por seus asseclas, como vimos acima, de justo e defensor das mulheres e donzelas, todavia, temos relatos de que nem sempre agiu assim, pois chegou a ferrar senhoras e moças, como se fossem animais.  Em outras ocasiões,  investiu   contra mulheres de bem e pacatas donzelas,  satisfazendo os seus instintos bestiais de sexo, onde todo o seu bando de réprobos o acompanhou, numa sevícia e torpeza inigualáveis, deixando as vítimas em estado de torpor.

Apesar de, em 4 de abril de 1926, na cidade de Juazeiro do Norte, quando entrevistado pelo repórter Otacílio Macedo, ter confessado que agia sempre com justiça, os fatos comprovam seus crimes hediondos, de uma perversidade que extrapolam os limites do irascível.
  
Com toda a sorte de crimes hediondos praticados por ele e pela turba de demônios que o acompanhavam, é de admirar que este celerado ainda seja lembrado como um defensor  do sertão nordestino. A verdade, cremos, é que Lampião, quando defendeu seus interesses, foi amigo do pobre, do miserável e do rico coronel de barranco, se estes fossem os seus provedores. Defendia a ferro e fogo os seus coiteiros, e os trucidava quando era traído pelos mesmos.
 
Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, foi fruto da sanha perversa e doentia, de um tempo onde o coronel de barranco era o senhor absoluto de tudo e de todos. Aqueles que "não honravam os dois maracujás que carregavam na forquilha", eram vilipendiados, espezinhados e difamados pelos potentes régulos da época do cangaço. Porém alguns, como o rei do cangaço, não transportavam nas suas veias o sangue do pacífico homem ou do medroso renegado, que suja as calças na hora da luta. De uma impetuosidade sem tamanho, partiu inicialmente com seus dois irmãos, para as vinditas ferrenhas pelas injustiças sofridas.

Como muitos imaginam, ele não entrou no cangaço porque mataram seu pai, José Ferreira;  o seu genitor foi morto covardemente por José Lucena, em consequência de Lampião e seus irmãos já terem abraçado o cangaço.
 
Daí para frente as suas "vinganças tornaram-se malignas".
  
Agora você pergunta: - como pode existir oportunidade para se realizar um trabalho de humor, sobre este ser cruel e vingativo? Matutamos por bastante tempo sobre esta verdade incontestável e ficamos espantados com o resultado das  pesquisas que fizemos; mais uma vez comprovamos que "o que dá pra rir dá pra chorar", como enfatiza a  canção.
  
A nossa  intenção  não  é   contar  a história de Lampião, mas relatar, como já dissemos, fatos, histórias jocosas, curiosidades que grassaram naquela época de trancos e barrancos, onde o trabuco falava mais alto do que os poderes da justiça.
  
Para aqueles que realmente querem saber sobre a vida de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, no final deste livro, fazemos recomendação das principais obras que devem ser consultadas.
  
“Como componentes do cangaço estão os coiteiros e as volantes”.
  
Os coiteiros eram os indivíduos que davam asilo aos bandidos ou os protegiam, em decorrência de parentesco, simpatia, interesse ou medo.
  
As volantes eram tropas ligeiras e contavam com 20 a 60 soldados (macacos) das Forças Públicas dos estados. apoiados por guias, rastejadores e pombeiros (alcaguetes).
  
Algumas usavam metralhadoras Hoctkiss (beijo quente), de 32 tiros. Muitas volantes se notabilizaram na caça aos bandidos, especialmente as de Teófanes Torres, Manuel Neto, Quelé, Zé Lucena, Baltazar, Zé Rufino e a de João Bezerra.
  
A caatinga, tipo de vegetação característica do Nordeste brasileiro, formada por pequenas árvores, comumente espinhosas, que perdem as folhas no curso da longa estação seca, era o habitat natural dos cangaceiros.”

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